Notas iniciais
OE GENTE, SIM, EU AINDA ESTOU VIVA. nos vemos lá embaaaixo

Levantei-me da cama dele, arrumando as cobertas exatamente do jeito que estavam. Não aguentava ficar mais ali, pelo menos não na presença de Nico. Eu quase podia sentir no ar que não era bem vinda ali.

Antes de sair, porém, peguei uma das blusas dele. Era de alguma banda de Rock que eu não conhecia, preta, com as mangas meio cortadas. Coloquei-a debaixo do meu casaco querendo algo para me lembrar dele já que Luke tinha roubado meu anel.

Saí discretamente pela porta, encontrando Nico na sala de estar. Ele estava sentado no sofá branco encarando a televisão desligada, sua expressão meio irritada ou angustiada, não saberia dizer. Fiz menção de me despedir mas então decidi que talvez não devesse fazer isso devido ao nosso diálogo de horas atrás. Saí pela porta, em silêncio.

Quando cheguei à rua já estava começando a escurecer. Quanto tempo eu tinha ficado lá? Pareceram minutos mas aparentemente já era quase noite.

Alcancei a avenida mais próxima em busca de algum comércio. Finalmente, achei uma farmácia. Entrei lá e, constrangida, pedi um teste de gravidez.

A mulher que me atendeu, uma ruiva gordinha, me olhou com certo desprezo. Pediu para eu esperar um pouco e logo depois me trouxe a embalagem. Paguei logo e fui embora, com medo de caminhar pelas ruas vazias à noite.

Assim que cheguei em casa, encontrei meus pais sentados no sofá da sala. Claire provavelmente já estava dormindo e os dois pareciam tensos.

–Annabeth! — Victoire se virou pra mim assim que ouviu o barulho da porta. — Onde você esteve? Pensamos que..

–Você nos deve explicações! — Meu pai falou, irritado.

–A enfermeira contou algo à vocês? — perguntei, tensa.

Minha mãe franziu o cenho, desviando o olhar para meu pai e depois pra mim.

–Annabeth, do que está falando?

Suspirei, aliviada. Assumi uma expressão tranquila e escondi a sacolinha de farmácia nas minhas costas.

–Nada. Ela realmente achava que era intoxicação. Pediu pra vocês saírem pra me fazer algumas perguntas, hum... pessoais.

A expressão deles se suavizou mas meu pai ainda continuava rígido.

–Por que saiu correndo daquele jeito?

–corri pro banheiro, vomitar. — Respondi, decidida a dar uma resposta que não atraísse mais perguntas. — Vomitei muito. Vocês não tem ideia. Eu nem tinha comido cenoura..

–Argh, tá, pode parar. — Ele assumiu uma expressão de nojo. — E o resto da tarde?

–Ah, a professora me encontrou no banheiro e me ofereceu outra chance de fazer a prova à tarde. Fiquei na escola o dia todo e depois quando fui pegar um táxi, fiquei presa num congestionamento da quinta avenida. — Falei a desculpa que já tinha decorado, dando de ombros. Já estava ficando cansada de mentir então falei, rapidamente: — Olha, eu estou super cansada e acho que já vou dormir. Boa noite.

–Boa.. Noite? — Victoire me olhou subindo as escadas correndo, escondendo a sacola da farmácia em frente ao meu corpo dessa vez.

Assim que cheguei ao quarto fui correndo direto para o banheiro e fiz o que o teste pedia. Depois tive que esperar cinco minutos até que saísse o resultado.

Foram os cinco minutos mais longos da minha vida.

Assim que eles se passaram, corri até a pia agarrando o teste. Tinha dois símbolos. Revirei o manual, desesperada, procurando o que aquilo significava. Quando finalmente encontrei senti meu coração parar de bater por um segundo.

Eu estava grávida.

Encostei-me na parede e deslizei para o chão, sem ter certeza de que minhas pernas me aguentariam. Soltei a respiração, que não me lembrava de ter prendido, e quando passei a mão no rosto percebi que estava molhado de lágrimas.

Meu deus. Não pode ser.

Abracei meus joelhos, sentindo o mundo girar. Como eu ia contar aquilo para os meus pais? Eu ia ter que interromper meus estudos. Ia ter que criar uma criança aos dezesseis anos. Minha vida iria praticamente acabar.

Ou talvez isso não acontecesse. Eu poderia decidir não ter o bebê. Eu poderia abortar.

Essa possibilidade desapareceu da minha mente quando imaginei a expressão de Percy se descobrisse que eu fiz isso. Ele não ia suportar. Eu não ia.

Limpei as lágrimas com as costas da mão. Agora já estava feito. Tínhamos transado, eu estava grávida e ponto. Não vai adiantar ficar chorando no chão do banheiro tentando voltar atrás, Annabeth, pensei. Pelo menos uma vez na vida eu tinha que ser forte o suficiente.

Levantei-me e andei até o quarto, parando para jogar o teste no lixo. A única coisa que passava pela minha cabeça eram as decisões difíceis que eu teria que tomar.

Primeiramente: como eu contaria aquilo aos meus pais.

* * *

O jantar na noite seguinte estava calmo. Claire contava sobre as amiguinhas novas que conheceu no central park e minha mãe sorria. Meu pai também parecia bem humorado. Seria a família perfeita, se eu também não estivesse sentada naquela mesa com uma expressão perplexa e olheiras debaixo dos olhos.

Assim que Claire terminou de falar um silêncio confortável se instalou no ambiente. Por um segundo minha mãe ergueu os olhos da comida e me encarou.

–Querida? Você está bem?

–Eu estou grávida.– Sussurrei, os olhos arregalados.

–O que? Eu não ouvi, meu bem.

–Eu estou grávida. — Falei, mais alto dessa vez. Quando ergui os olhos para ela, sua expressão era confusa. Claire estava me olhando, como se eu fosse louca, e meu pai deixou o garfo cair no prato.

De repente, ele começou a rir. Rir muito alto.

Todos na mesa o encaravam. Assim que ele parou, respirou fundo e sorriu pra mim.

–Essa foi boa, querida. Quase deu um susto na sua mãe.

Ele continuou me olhando, esperando por uma resposta. Eu o fitava com os olhos arregalados, a expressão terrivelmente séria. Minhas mãos tremiam os talheres de nervoso.

Depois de alguns minutos esperando minha resposta ele começou a ficar desconfortável.

–Haha. É uma brincadeira não é, meu bem? — Novamente, ele esperou por uma resposta. Hesitante, eu sacudi minha cabeça negativamente. Ouvi minha mãe soltar um grunhido assustado e Claire prender a respiração.

Meu pai começou a ficar vermelho, sinal de que ele estava muito, muito irritado.

–O que você quer dizer? — Perguntou, num murmúrio carregado. O clima na sala ficou tenso e eu desviei meus olhos para o prato, incapaz de encarar qualquer um deles.

–Eu estou grávida. — Falei. -Fiz o teste ontem. Comprei ele na farmácia, cheguei em casa e fiz. Deu positivo. É por isso que eu estava tão enjoada. Estou grávida de um mês.

Minha mãe parecia que ia desmaiar. Claire segurou a mão dela, assustada, e meu pai se levantou da cadeira abruptamente e começou a andar em círculos pela sala tentando se controlar.

–Eu não acredito nisso, Annabeth. — Falou, sua voz rouca de desapontamento. — Fizemos tudo por você, e agora você nos conta isso! Eu ainda.. Eu ainda não consigo acreditar que a minha Annie..! A minha Annie está..

–De quem é o pai? — Victoire falou por cima da voz dele. Ela tinha os pulsos cerrados e respirava fundo tentando manter a calma.

–É aquele garoto que veio aqui uma vez. — Respondi.

–Aquele garoto? - Ela estava branca como papel. — Ah meu deus.

–Que garoto? Quem é ele? EU VOU MATÁ-LO!

Levantei-me da cadeira de forma tão bruta que ela caiu para trás.

–SERÁ QUE VOCÊS PODEM, POR FAVOR, SE ACALMAR? — Gritei. Meu pai parou de andar e minha mãe me encarou, séria. — Claire, vá pro seu quarto.

–Mas eu...

–VÁ PRO SEU QUARTO. — Gritei. Ela saiu da sala, correndo assustada. Depois falaria com ela. — Quanto a vocês, sentem aí. Eu vou explicar tudo.

Meu pai se jogou na cadeira de braços cruzados, o rosto ainda vermelho. Minha mãe segurou a mão dele, perplexa com o que eu tinha dito.

–Eu o conheci na minha nova escola. Tem 16 anos, assim como eu, e começamos a sair. E então, aconteceu! Não foi culpa de nenhum de nós, porque eu também não estava nem aí, pensei que isso nunca aconteceria na minha primeira vez. Então pai, por favor, pare de dizer que vai matá-lo.

Minha mãe respirou fundo, tentando manter a calma. E então falou, falhando ao tentar manter a voz tranquila:

–Certo, aonde ele está agora? Precisamos conversar com ele e com os pais dele. P-precisamos acertar tudo isso.

Era agora que era a parte mais difícil.

–Bom... Ele está na cadeia. — Respondi. Meu pai pareceu estar prestes a um colapso nervoso e só agora eu percebi como deveria estar sendo a situação pra eles. A filha mais velha, grávida de um preso.

–E os pais dele?! — Victoire perguntou, reagindo mais ou menos igual ao meu pai.

–Eh... Estão mortos.

–O pai E a mãe? Meu deus.. — Ela colocou a mão na boca, chocada.

–É, bom. O pai dele foi assassinado. — Eu não queria omitir detalhes, mas também não queria contar a verdade completa. Meus pais morreriam se soubessem.

–E porque o moleque foi preso? — Ele perguntou.

–Hã.. Acham que ele matou alguém. — Respondi, na mesma hora me arrependendo. Idiota!

–Acham?

–Sim. E-eles acham.

Meu pai passou a mão pelos cabelos cinzas, tentando se acalmar.

–Certo. Sabe o que nós vamos fazer? Você não vai ter esse bebê.

–Eu já pensei sobre isso. — Respondi. Aquela era a única certeza que eu tinha no momento. — Ele já está com um mês. Eu não tenho coragem de fazer isso, pai.

–E você pretende criar um filho de um delinquente?! Vai casar com ele também? E morar num prédio abandonado, sem futuro nenhum? — Meu pai riu de nervoso. Acho que ele estava tão surpreso comigo que talvez achasse que eu fosse responder Sim a essas perguntas.

–Não. — Falei. — Eu já sei o que vou fazer.

–E o que é? — Victoire perguntou.

–Vou criar esse bebê. No inicio vai ser difícil, mas vou tentar não largar os estudos. Acho que posso fazer isso.

–E quanto ao moleque? — Meu pai ergueu as sobrancelhas.

Suspirei fundo e disse o que tinha pensado a madrugada inteira.

–Eu nunca mais vou vê-lo. E ele nunca vai saber dessa criança.

Notas finais
OEEEE GENTI sim, eu sei que vai ter pessoas que vão ME ODIAR por essa conclusão da Annabeth, mas lembrem-se, ela faz parte da história ;) Enfim, desculpem a demora, tive um bloqueio de escritora e simplesmente não conseguia escrever :T Mas aqui recompenso vocês, com esse capítulo fodástico u-u Eu tentei fazer os pais da annabeth reagirem e não ficarem tipo "ah, você tá grávida, ok." , então.. se a reação ficou mt exagerada, desculpem e.e Beijosss e até o próximo PS: Recomendações?