Percabeth - I Knew You Were Trouble
33 Capítulo 32
Notas iniciais
–Annabeth! Venha comer! — Escutei Victoire me chamando do térreo. Vesti um roupão e desci as escadas com a boca ainda suja de pasta de dente. Assim que cheguei na cozinha minha mãe se virou, analisando-me dos pés à cabeça, surpresa. — Querida! Você engordou...
–Não me diga. — Respondi, azeda. — Se você não me avisasse, eu não teria percebido. Obrigada.
Ela revirou os olhos e voltou a se virar de costas, servindo cereal para Claire.
–Não precisava ser grossa. Foi só um comentário.
–Certo. Não comente. — Resmunguei, pegando uma torrada da mesa do café. Fiz uma careta lembrando-me do que enfrentaria na escola hoje, além do isolamento que as pessoas me colocavam havia semanas. — Minha auto estima já está lá embaixo.
Encarei a torrada, enjoada.
–Annie anda comendo muito doritos. — Claire comentou. Quase joguei a torrada nela, mas estava cansada demais pra isso.
–Claire, fique quietinha, está bem? — Minha mãe sussurrou.
–Acho que não vou tomar café hoje. — Declarei, abandonando a torrada na mesa. Meu estômago estava ruim de novo. — Vou subir e me arrumar senão chego atrasada pra prova.
–Você estudou ontem? — Minha mãe ergueu uma sobrancelha. Respondi com um olhar do tipo "Dã, é claro." e subi as escadas.
Me vesti rapidamente de saí pela porta, olhando em volta por um táxi.
* * *
O relógio tiquetaqueava na sala de aula silenciosa. Ártemis encarava os alunos de cabeça baixa, por cima dos óculos. Eu respondia tranquilamente as questões, quando meu estômago começou a roncar.
Justo agora? , pensei, constrangida. Vi algumas cabeças se virarem em minha direção, mas as ignorei. Peguei minha barrinha de cereais na mochila (não sem receber um olhar de desaprovação de Ártemis, ao qual respondi com um dar de ombros) desembrulhei a barrinha com um barulho que parecia absurdamente alto, e a mordi.
Assim que senti o gosto na minha boca, uma coisa muito estranha começou a acontecer.
Meu estômago começou a se revirar. Quando comecei a sentir o gosto ácido subir pela minha garganta, me levantei da carteira abruptamente atraindo a atenção da sala e saí correndo pelos corredores ignorando Ártemis me chamando pelo nome.
Assim que cheguei ao banheiro, coloquei tudo pra fora. Ouvi alguém entrar correndo pela porta e logo senti uma mão em minhas costas.
–Querida, o que você tem? — Perguntou uma voz feminina conhecida. Era a enfermeira da escola, Andrea. — Quer um papel pra se limpar?
Assenti com a cabeça. Assim que terminei ergui o olhar pra ela, de braços cruzados encostada na porta do banheiro.
–Vou chamar os seus pais.- Falou, decidida.
* * *
–Talvez seja uma intoxicação alimentar. — Victoire disse, segurando a bolsa no colo. Meu pai estava ao lado dela, olhando concentrado para a enfermeira enquanto segurava minha mão. Eu estava sentada na maca com uma das mãos na barriga, olhando para a cena toda com uma cara meio morta. Tudo que eu conseguia pensar era que a enfermaria cheirava a mofo.
–Creio que não. — Andrea respondeu. Colocou uma mecha dos cabelos loiros atrás da orelha e remexeu alguns papéis na mesa.
–Então o que é? — Minha mãe me olhou, preocupada. Andrea suspirou e empurrou os óculos vermelhos para cima do nariz.
–Pais... Posso falar a sós com ela? — Perguntou. Meu pai fez um grunhido de desaprovação e minha mãe a olhou, surpresa.
–Oh. Está bem, então. — Victoire se levantou. Meu pai continou sentado, decidido. Ela o puxou pelo braço delicadamente. — Vamos, meu bem.
Victoire passou a mão pelos meus ombros antes de sair e logo a sala estava vazia a não ser por mim e Andrea.
Andrea me olhou encostada em sua mesa.
–Annabeth, quando foi a última vez que você menstruou?
Eu engasguei.
–O-o que? Por quê?
–Bem... — Ela uniu as mãos sobre o colo. — Os sintomas que você me disse estar tendo remetem muito à.. Bem, à gravidez.
Eu a encarei incrédula.
–O quê? Não! — Apertei as mãos sobre a maca. — Não pode ser. Eu... Não!
Seus olhos verdes me olharam de cima a baixo, avaliativos.
–Você é virgem?
Eu enrubesci violentamente.
–Bom, eu... Não, mas... — Respirei fundo e a encarei de volta. — Foi só uma vez! Não pode ser isso!
Ela franziu o cenho, preocupada.
–É claro que eu posso estar enganada, meu bem. Não se desespere ainda. Mas, só por precação, porque não passa num farmácia e pede um teste?
–Um teste? — Ergui as sobrancelhas.
–É, ele pode ser feito em casa sem complicações. — Ela se levantou da cadeira graciosamente e veio até mim. Segurou minha mão, olhando-me com preocupação. Eu sequer conhecia aquela mulher.
Encarei-a, de olhos arregalados. Não pode ser, pensei. Ela está errada. Tem que estar. É só uma intoxicação alimentar.
Mas então, lembrei-me de minha mãe falando que eu havia engordado. Lembrei dos enjoos matinais que sentia diariamente e do mal humor constante.
Soltei minhas mãos das dela, tremendo. Quando dei por mim, tinha me levantado da maca e saído correndo pelos corredores, ignorando meus pais chamando meu nome.
Assim que cheguei na rua, senti o ar frio de Nova York. Só tinha um lugar que eu conseguia pensar em ir.
* * *
Fiquei esperando, sentada na calçada. O vento que vinha dos carros açoitava meu cabelo e eu abraçava meus joelhos, olhando as pessoas passarem.
Finalmente, ele chegou. Me levantei, abraçando-me contra o frio.
–Hãm... O que está fazendo aqui? — Nico perguntou, me olhando desconfiado.
– Posso entrar? — Perguntei, indicando a entrada do prédio. — Eu queria, er... Pegar uma coisa.
Ele estreitou os olhos, agarrando a mochila com mais força.
–Hum. Claro. — Respondeu. Pegou a chave de um dos bolsos da calça e abriu a porta de entrada do prédio. Eu o segui, subindo as escadas.
Depois de um silêncio torturante, ele parou de subir e me encarou.
–Foi por sua causa não foi? — Murmurou. Sua voz tinha uma pontada discreta de dor.
–O que? — Eu o encarei. Ele se virou de frente pra mim, colocando as mãos nos bolsos.
–Foi por sua causa que ele foi preso.
Senti um nó na garganta. Desviei meus olhos para o chão, sorrindo amargamente.
–Sinto muito dizer isso, mas a única pessoa culpada dessa situação é ele mesmo.
–Não acredito em você. Percy nunca mataria alguém por uma garota qualquer. — Ele suspirou. — Essa é sua culpa. Você foi mais do que uma garota qualquer.
Nico continuou a subir as escadas na minha frente, ignorando-me. Então eu o ouvi murmurar com uma voz carregada de ódio:
–E eu te odeio por isso.
* * *
Assim que cheguei ao quarto dele, pude sentir as lágrimas correndo pelo meu rosto. Simplesmente não consegui segurá-las, depois do que Nico tinha me dito, e ver as coisas dele, as roupas, os posteres, tudo que ele mais gostava... Eu senti que estava desabando por dentro.
Fechei a porta atrás de mim e me sentei na cama dele. Ainda estava com cheiro de cigarros misturado com uma fragrância que era só dele. Passei a mão pelos edredons, nostálgica. Não consegui resistir e me deitei, abraçando o travesseiro.
E se fosse verdade? E se eu realmente estivesse grávida? O que eu ia fazer, o que meus pais iriam pensar, o que ia acontecer? Eram perguntas demais.
Primeiro eu precisava ter certeza. Mesmo contrariada, iria comprar aquela droga de teste. E então eu ia ver se realmente tinha alguém dentro de mim.
E se tivesse, não conseguia parar de imaginar o rosto de Percy quando descobrisse. Ele ia ficar tão feliz, e ia dar aquele sorriso lindo que eu tanto gostava.
Mas então me lembrei, que não veria ele por muito tempo. Ele ia estar num lugar horrível, abandonado pelo mundo, se esquecendo da realidade. Talvez ele nunca mais fosse o mesmo.
Eu ouvia uma voz de criança em minha cabeça, perguntando repetidamente "Aonde está o papai?".
Não. Eu não podia estar grávida. Isso seria... Impossível.
Mas se estivesse?
De novo, as perguntas voltavam à minha mente. A principal delas era aquela que eu me fazia todos os dias.
O que vai acontecer?
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