Notas iniciais
Aquii está, obrigada pelos reviews *-* o cap ficou gigante :o

As aulas se passaram vagarosamente.

Já eu sendo aluna nova, procurava me manter o mais discreta possível na aula, mas apesar dos meus esforços, isso não adiantou. Prof. Ártemis fez o favor de me chamar à frente da classe para eu me apresentar. Completamente corada, me levantei.

–Hum.. Eu sou Annabeth. Annabeth Chase... 16 anos. — Disse, o mais alto que pude. Quando eu estava prestes a ir me sentar novamente. Alguém do fundo da sala ergueu a mão.

–Annabeth, de que escola você veio? — Perguntou aquela voz. E é claro que eu a reconhecia.

Tentei fingir que não tinha escutado, mas não deu certo. A classe inteira me olhou com olhares inquisitivos.

–Hã.. Bem, St. Clair academy. — Respondi.

Pude sentir os olhares surpresos enquanto eu voltava à minha cadeira. Escutei Percy Jackson responder:

–Ah sim. Obrigado. — E então, um som de risada que me fez ficar extremamente irritada.

–Percy é tão dedicado... Quis até saber de que escola você veio, Annie. — Cally sorriu. Eu lhe lancei um olhar descrente. Ela era cega?

–Ah, sim... Claaaaro. — Rachel falou. Pelo menos alguém havia entendido qual foi realmente a intenção dele.

A professora continuou sua aula monótona de biologia, mas eu já podia sentir a diferença no ar. Todos me encararam, assim que eu pronunciei o nome de caríssima escola particular. Percy queria justamente me colocar nessa situação difícil.

Aquele idiota.

Finalmente bateu o sinal, dando inicio ao intervalo. Recolhi as minhas coisas rapidamente, sem olhar para o fundo da sala, onde eu tinha certeza que ele ria de mim.

–Cally, vamos? — Perguntei.

–Ah sim, eu vou ter que ajudar uma menina do nono ano, Hazel, ela vai ter prova de matemática no segundo horário. Mas você pode ir com as meninas, se quiser. — Ela deu de ombros. — Sinto muito por isso.

Eu olhei para Rachel e Zoe, que me encararam de volta com desprezo. Uau, esse seria um almoço bem divertido.

–Hm. Okay. — Respondi, já indo para a porta. Então sussurrei pra mim mesma: — Que ótimo primeiro dia, Annie.

***

–Bem, mas você sabe o que eu acho? Artes é necessária como qualquer outra matéria, e deveria ser tão valorizada quanto. Simplesmente assim. — Rachel conduzia seu discurso para uma Zoe completamente desinteressada. — E aquele Professor Apolo, cara, ele faz qualquer um se interessar por artes não?

Ela me encarou.

–Ah, sim. Com certeza. — Concordei, rapidamente.

Ela voltou a discutir com Zoe acaloradamente, enquanto eu me mantinha fora da conversa. Éramos só nós três na mesa, então eu podia ser deixada de lado tranquilamente, e me concentrar na comida. Era mais agradável do que discutir com aquelas duas. E aliás, aquela maçã estava deliciosa.

Rodei os olhos pelo refeitório. Parecia uma escola comum, os adolescentes separados pelas tribos em suas mesas, conversando entre si, e mexendo no celular, e graças a Cally, eu agora sabia o nome de quase todos. Tínhamos a mesa das populares (Piper, Thalia e Reyna, Calypso havia me apresentado. Todas elas tinham uma personalidade que parecia ser capaz de controlar qualquer um.) . A mesa dos inteligentes (Frank, Nico e Jason), A mesa dos divertidos (Grover, Tyson, Luke e Leo.) E a nossa. Nós éramos o quê? Não tinha muita singularidade no nosso grupo. Rachel era uma artista. Zoe era estudiosa. Cally era delicada feito uma princesa. Eu era.. Bem, eu. Não éramos nada.

E então, eu cheguei à mesa dele. Não havia mais ninguém, Só Percy Jackson, sentado preguiçosamente, com os pés em cima da mesa. O refeitório estava lotado, com algumas pessoas ainda de pé, mas percebi que nenhuma se aproximava da mesa dele em busca de lugar. Todas pareciam saber que aquele garoto.. Era melhor ficar bem longe dele.

–O que você acha, Chase?

–Hã?

–O dever que Ártemis passou hoje. Era gigantesco, pro segundo dia de aula. -Rachel comentou. Murmurei um "é, claro.", então ela continuou a conversa com Zoe.

Eu continuei observando-o. Percebi que seu cabelo tinha algumas pequenas mechas cinzas. Ele estava de braços cruzados, então podia-se notar que ele era razoavelmente musculoso. Tinha um olhar que imediatamente me lembrava desprezo, e eu podia ver um leve sinal de barba mal feita. A aparência exata de um delinquente.

Ele rodou os olhos pelo refeitório, e encontrou meu olhar. Eu não o desviei dessa vez. Fiquei encarando-o, como um desafio de quem baixaria os olhos primeiro. Ficamos assim pelo que pareceu uma eternidade.

–O que está olhando? — Rachel perguntou. Então, seguiu meu olhar. — Ah meu deus, ele está olhando pra cá. Deve estar se perguntando aonde está a Cally. E se ele vier aqui perguntar?

Ela arrumou os cabelos discretamente, corada. Via-se que era uma das várias garotas perdidamente apaixonadas pelo Percy. Argh, que desperdício de sentimentos.

Ele se levantou da cadeira e veio andando até nós, com as mãos nos bolsos.

–OOi, Perce. Tudo bem? — Rachel cumprimentou, tentando fazer uma voz sedutora. Que bela amiga a Cally tem.

–Sim. Hã.. vocês viram a Calypso? — Perguntou. Sua voz era meio rouca, reparei.

–Ela foi ajudar uma garota do nono ano pra prova que ela vai ter à tarde. — Respondi, automaticamente, sem encará-lo.

–Ah, Hazel. Entendi. — Ele me olhou. — Ei, Annabeth, garota nova. Eu posso te mostrar a escola, se quiser. Tem vários lugares interessantes aqui..

Eu o encarei. Ele estava com um sorriso torto, me olhando de cima a baixo.

–Ah, eu aposto que tem. — Respondi com desdém. — mas eu encontro sozinha.

Seu sorriso malicioso desapareceu e sua expressão voltou a ser de desprezo.

–Certo. Até mais. — E foi embora.

Rachel e Zoe me encararam perplexas.

–O que foi isso, cara? — Disse Rachel.

– Vocês se conhecem?- Zoe completou.

– Mais ou menos. — Respondi, sem dar mais detalhes. Voltei a atenção à minha maçã.

* * *

Após o almoço, tivemos aula de álgebra, história, e filosofia. Todas extremamente monótonas, já que nos primeiros dias de aula, os alunos nem saíram das férias.

Até a aula de filosofia.

– Classe. — O professor disse, assim que todos se sentaram. — Como ainda é o segundo dia de aula, vai ser moleza pra vocês. Quero que preencham isto aqui. — Ele distribuiu vários papéis pra sala inteira. — São perguntas, sobre vocês mesmos que irão responder. Quero que sejam o mais sinceros possível.

Assim que todos nós havíamos preenchido, ele os recolheu.

–Certo, certo. Agora, vamos trocar alguns papéis. Quero que tentem adivinhar de quem é o papel. Não precisam dizer em voz alta, é claro. Isso é só uma pequena dinâmica pra testar o quanto vocês, alunos, são próximos.

Mas que brincadeira estúpida! Quero dizer, eu era aluna nova, é claro que eu nunca adivinharia de quem era o papel. Tentar adivinhar seria completamente inútil.

Ele colocou o papel na minha mesa.

Eu o li inteiro, tentando identificar com alguém que eu já conhecera.

Passatempo preferido: Pintar.

Um lugar que gostaria de viver: França.

Um sonho: Visitar o louvré

Tipo de música favorito: Alternative.

Um defeito: Transparência.

Uma qualidade: Confiança.

Enquanto eu lia, uma pessoa me veio à mente.

–Rachel. Esse é o seu? — Perguntei.

Ela o leu e sorriu, feliz que eu consegui reconhecê-la. Ela deve ter se sentido única, sendo que eu, a aluna nova a reconheceu, mas foi só eu ler o "pintar", que esse chute me veio à mente.

Fiquei imaginando com quem estaria meu papel. Quem quer que fosse, provavelmente não conseguiu adivinhar, pois a aula já ia acabar, e ninguém havia me chamado.

Frustrada, arrumei as minhas coisas quando o sinal tocou. As meninas saíram rápido, dizendo que não podiam perder o metrô, e isso me lembrou de conferir o dinheiro pro táxi pra voltar pra casa. Abri a mochila.

Não estava lá. Os outros 50 dólares tinham simplesmente sumido.

Procurei na mochila inteira, tirei todos os livros e a virei do avesso. Nada. Céus, como eu ia pra casa agora?

Coloquei uma das mãos na testa, tentando me acalmar. Certo. é só você conseguir um pouco de dinheiro e pegar um ônibus. Acalme-se.

Arrumei a mochila inteira novamente e saí da sala, completamente frustrada. Quando eu ia continuar meu caminho, notei alguém na minha frente.

–Com licença. — Falei, sem levantar o olhar do chão.

– Sonho: Arquitetura em Harvard. Passatempo: estudar. — Esse alguém riu. Levantei os olhos do chão e o encarei. — Só podia ser você.

Arranquei o papel das mãos dele e saí, ignorando-o.

–Ei, porque tanta pressa, princesa? — Percy perguntou.

– Tenho que ir pra casa. — Respondi, seca.

– Como você vai? — Ele sorriu. — de limousine ou de táxi?

– Não. Eu.. não sei. — Respondi, ficando apreensiva de novo. Com quem eu iria conseguir o dinheiro? As meninas já tinham ido embora.. — Eu perdi meu dinheiro pra voltar.

Ele sorriu em deboche.

–Tsc.. Garotas. — Revirou os olhos. — Se quiser uma carona, princesa....

Eu ia dizer não automaticamente, mas eu pensei: não tinha dinheiro pro ônibus, tampouco pro metrô. Até eu chamar o motorista da minha família, ou até meus pais voltarem, já ia estar escuro, e eu não gostaria de estar nessa vizinhança à noite. Ele era minha última opção.

Suspirei.

–Só se parar de me chamar de princesa.

Notas finais
REVIEEEEEEEEEEEEEEEEEWS? eu vejo que tem muitos leitores fantasmas nessa fic.. por favor, se identifiquem, postar um capítulo e ter poucos reviews realmente me decepciona :c