Percabeth - I Knew You Were Trouble
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Percy me levou até a saída da escola. Ele parecia realmente estar se divertindo com a situação.
–Annabeth.. — Disse. Eu o encarei. — Annabeth é muito longo. E não quer que eu a chame de princesa. — Ele sorriu. — Alguma sugestão?
Eu suspirei.
–Annie.
–Annie. — Ele repetiu. — Gostei.
Chegamos ao estacionamento em frente à escola. Ele parou em frente a uma moto vermelha.
–Bem, vamos lá. Annie. — Ele subiu na moto.
–Você está brincando? — Ergui uma sobrancelha.
–Hã? — Ele pareceu não entender.
–Uma moto? Você tem noção de quanto acidentes acontecem por causa dessa coisa? Eu nunca vou andar nisso aí. Muito menos sem capacete. — Reclamei. Ele devia pensar que eu era louca de andar naquilo.
–Ah, desculpe senhorita, se não tenho um mercedes. — Ele deu de ombros, e ligou a moto. O motor da máquina rugiu alto. — Se você preferir ficar, eu entendo. Aquele cara ali pode lhe fazer companhia.
Ele apontou para um mendigo sentado na esquina que me encarava.
Eu hesitei. Já começava a escurecer, e eu definitivamente estava com medo de ficar ali.
Percy esperou minha decisão.
–Droga. — Coloquei a mochila nas costas e subi na moto, relutante. — Mas me prometa que vai ir devagar.
–Claro. — respondeu, mas percebi que ele ria. Por via das dúvidas, segurei-o com a maior força possível. — Ei, só não me esmague. Vamos lá?
–V-vamos. — Gaguejei.
Ele acelerou a moto.
* * *
O vento bagunçava meu cabelo, enquanto as luzes de nova york passavam rapidamente como flashes.
Percy não tinha cumprido a promessa. E essa era a melhor coisa que ele havia feito hoje.
Íamos a quase 90 por hora em uma rodovia. A rodovia estava vazia, então aos poucos perdi o medo de um acidente. E assim que o perdi, percebi que nunca me sentira tão viva.
A adrenalina era tanta, que soltei uma das mãos de sua cintura e a ergui para o alto, sentindo o vento transpassar meus dedos.
–Ah meu deus. — Gritei pra ele ouvir. — Isso é incrível!
Vi que ele sorriu pelo espelho retrovisor. Nenhum carro passava, então ele acelerou mais um pouco. Noventa e cinco por hora. Eu deveria estar aterrorizada, mas simplesmente não conseguia sentir nada além da adrenalina.
– Só se segure, está bem? Não vai querer sair voando, Annie. — Na verdade eu queria, mas imaginei que não seria uma coisa saudável, então segurei firme novamente.
Encostei meu queixo no ombro de Percy, observando a estrada. Já estávamos perto de minha casa, e fiquei frustrada quando percebi. A diversão logo iria acabar.
Ficamos assim por mais alguns minutos, quando Percy fez uma curva. Já estávamos na rua da minha casa então ele diminuiu a velocidade. Meus cabelos voltaram ao normal, percebi desanimada.
Meu senso de responsabilidade havia voltado quando desci da moto.
–Sabe, podíamos ter morrido se houvesse algum acidente. Onde estão os capacetes dessa coisa?
Percy deu de ombros.
–Não tem. E pare de chamar a minha moto de "essa coisa". Ela tem nome.
–A moto. Tem um nome. — Repeti, cética.
–Sim. é Sally. — Ele respondeu, como se fosse algo óbvio. — Homenagem à minha mãe. Eu adoro essa moto.
Eu cruzei os braços.
– O que aconteceu com a sua mãe? — Perguntei.
– Ela... Não está mais aqui. — Percy respondeu. Me senti um tanto constrangida de ter tocado nesse ponto. — E meu pai... Simplesmente sumiu há muito tempo.
–Com quem você mora?
–Eu divido um apartamento com alguns amigos. — Ele sorriu. Eu o olhei, impressionada. — O que? Tenho 17 anos, posso me virar sozinho.
Eu lhe respondi com um sorriso.
Certo. Essa era a hora da despedida. Me senti um tanto envergonhada quando ele deceu da moto e virou-se de frente pra mim. O que iria acontecer agora?
Ele me abraçou. De um jeito um tanto envergonhado.
Pelo menos parecia.
A mão dele desceu pelas minhas costas, até chegar lá. Eu me afastei.
–O que pensa que está fazendo? — Ergui uma sobrancelha. Ele deu uma risada.
–Me despedindo ué. — Percy subiu na moto e acenou com a cabeça, antes de acelerar e ir embora. Eu, revoltada comecei a caminhar até a porta da minha casa.
Mas tinha algo diferente. Tinha algo me incomodando no bolso de trás da calça. Eu o coloquei a mão lá, procurando o que quer que tenha causado o incômodo, quando agarrei um papel.
Um bilhete, será? , pensei. Mas que modo grosseiro de me dar um bilhete.
Quando abri o papel, senti que meus nervos iam me fazer perseguir aquele cara até a morte. Lá estava.
Minha nota de cinquenta dólares.
Escrito em cima, com uma letra malfeita, estava: "Desculpe por isso. Só queria testar uma coisa."
Tinha sido tudo planejado. Eu perder o dinheiro, e ele aparecer no final da aula, justamente quando eu precisava, me oferecendo a carona.
Aquele.. Aquele cara era..
Hunf. Genial. E eu o odiava por isso.
Entrei em casa e bati a porta com força.
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