Percabeth - I Knew You Were Trouble
14 Capítulo 13
Nico parou o carro em um estacionamento escuro em frente à um dos prédios do centro. Eram vários, muito parecidos e eu tinha certeza de que não conseguiria localizar o apartamento de Percy se viesse aqui novamente.
–Lar doce lar. — Ele ergueu os braços, se virando pra mim.
Eu olhei em volta. A vizinhança não era de todo ruim. Certo, tinha alguns becos escuros. Certo, eu nunca andaria ali sozinha. Certo, tinha uns grafitis muito legais e psicodélicos nas paredes. E certo, em um dos becos tinha um mendigo dormindo tranquilamente.
Mas fora isso, até que não era tão ruim. Tinha uma rodovia movimentada à frente e várias lojas do outro lado da rua, como restaurantes e conveniências. Também tinha um parque logo ao lado do prédio, um pouco abandonado à noite, mas de dia provavelmente era bonito.
–Ah... — Suspirei. — É... bom.
Percy pareceu decepcionado.
–Claro, eu não posso pagar uma mansão num bairro chique que nem você, Annie. Mas é o que conseguimos. — Ele sorriu. — Muita gente do nosso colégio mora aqui.
É, realmente. A escola ficava à umas três quadras dali. Mesmo assim, o estacionamento estava vazio, já que todos ainda estavam naquela festa.
–Vamos. — Nico trancou o carro. Cheguei a pensar que ele era louco, deixando aquele carro num estacionamento daqueles, mas ele parecia não ligar.- Bianca está esperando.
–Bianca também mora aqui? — Perguntei.
–Sim. Nós não vivemos com nosso pai. Ele é insuportável a ponto de eu preferir morar nesse fim de mundo com esse idiota. — Ele indicou Percy, mas vi que os dois sorriam.
–E porque? O que aconteceu entre vocês?
Nico cruzou os braços enquanto andava, desconfortável.
–Eu não gosto de falar sobre isso.
–Ah, vamos lá, cara. — Percy falou. — Pode contar à ela.
Nico deslizou os olhos de Percy para mim e então começou a falar:
–Nossa mãe desapareceu há muito tempo, na época que éramos crianças. — Ele suspirou. — Meu pai sempre nega o que aconteceu à ela, mas nós, eu e Bianca, acabamos descobrindo o que aconteceu. Foi... Foi ele. — A voz de Nico falhou, como se ele temesse ser escutado por alguém. — Eu lembro que eles brigavam muito. Ele a chamava de louca constantemente nas vezes que eles discutiam. Bianca me disse que se lembrava de uma vez que papai ligou e gritou com alguém ao telefone. Horas depois um carro branco apareceu e levou nossa mãe. Nós achamos que ele a internou em algum lugar.
–E porquê ele faria isso? — Perguntei, horrorizada.
–Ela queria fugir conosco. Nos levar de volta à Europa, de onde teve que sair quando se casou com meu pai. Mas ele dizia que isso era loucura e que nunca deixaria que ela nos levasse. Ela continuava a insistir e então... Ele tomou providências. — Nico abaixou a cabeça. — Ligou para um hospício e mandou interná-la lá. Eu... Eu acho que ele simplesmente não aguentou a ideia de que ela fosse embora e quis prendê-la perto dele.
Um silêncio pairou por nós enquanto subíamos as escadas. Percy ia silenciosamente atrás de mim e eu não tinha coragem de encarar Nico.
–Vocês... Você e Bianca... Nunca tentaram encontrá-la? — Sussurrei.
–Já encontramos. — Nico murmurou. — Está em um hospital em Jersey. Mas não podemos tirá-la de lá.
–Porque?
–Bom, porque meu pai é milionário e pagaria a quem fosse para que a mantenham lá com a boca fechada. — Nico respondeu, irritado. — E além do mais.. Não creio que ela está em.... Condições de sair.
Eu imaginei a situação. Um casal que nunca deu certo, uma mulher e um homem milionário que só discutiam. Ela dizia que fugiria com os filhos de volta para sua terra natal e o marido a chamou de louca e a aprisionou, sem conseguir lidar com a ideia de ficar sozinho. Agora... Bem, creio que ser internada em hospício sem estar louca deixaria qualquer um maluco. Acho que foi isso que Nico quis dizer com "condições".
–E deixe eu adivinhar... Quando seu pai fez isso pra manter a família unida, ele os afastou cada vez mais. E agora, tenta comprar vocês com almoços em família e presentes caros. — Sugeri, quando me lembrei do lamborghini.
Nico me olhou com uma sobrancelha erguida.
–Como sabe?
–Ela vive nesse mundo, cara. — Percy murmurou, lá atrás. Quase tinha me esquecido dele.
–Me responda. — Franzi o cenho. — Porque você me contou tudo isso? Pensei que todo mundo na escola me odiasse e desconfiasse de mim.
Nico deu de ombros.
–Percy me disse que você é legal. — Ele deu um sorriso mínimo. — E também me disse que eu posso confiar em você. Espero que isso seja verdade.
–É sim. — Sorri.
–Ótimo. Porque aconteceria algo muito ruim se não fosse. — Nico parou de subir a escada e me encarou com seus olhos negros sombrios. Eu senti um arrepio percorrer minha espinha.
Certo. Nota mental, Annabeth: tenha cuidado com esse garoto.
–haha, bom, chegamos. — Percy sorriu pra tirar aquele clima.
Ainda com aquele arrepio assustador, Nico sorriu novamente pra mim.
Ele era um garoto difícil por ter tido uma vida difícil. Mas eu decidi: Tentaria ser amiga dele.
Sorri de volta e entramos no apartamento.
Fale com o autor