–Percy! — Firmei os dedos em torno do telefone. Minha voz estava tensa e eu mal conseguia entender o que ele falava do outro lado da linha.

–Eu tenho que ir. Eles disseram que meu tempo acabou.

–Espera! — Falei. Respirei fundo, fechando os olhos. — Quanto... Quanto tempo?

Ele suspirou. Sabia do que eu estava falando.

–Cinco à sete anos. Nem o melhor advogado poderia me salvar. Já tenho muito histórico nessa droga.– Resmungou. Me surpreendi com o quanto ele parecia tranquilo. — Acho que finalmente chegou a hora de pagar pelos meus crimes, certo?– Riu, melancólico. — Vejo você em um tempo. Se eu conseguir.

Eu lutei contra o ímpeto de dizer algo. Pensei em falar que esperaria por ele, mas não. Eu não podia fazer isso. Eu não conseguiria. Aliás, sim, eu conseguiria, mas sabia que não era isso que ele queria. Acho que não podia parar minha vida por causa dele, certo?

Não sabia. Pensaria sobre isso depois.

–Adeus, Annabeth. Vou sentir sua falta.– Ele desligou.

–Eu também... — Murmurei, tarde demais.

Ouvi a porta da cozinha se abrir atrás de mim mas não me virei. Claire apareceu ao meu lado, cutucando-me.

–Quero pipoca, Annie.

Eu a encarei, com os olhos tensos cheios de lágrimas. Parecia que tudo em mim desabava por dentro.

–Então faça, oras. — Guardei o telefone no bolso e caminhei apressada até meu quarto, abandonando-a na cozinha perguntando o que havia acontecido.

Assim que atravessei a porta atirei-me na cama afundando a cabeça nos travesseiros. Não me preocupei em fechar a porta e torci para que minha irmã fosse esperta o bastante pra não vir atrás de mim. Após alguns minutos, finalmente fiquei tranquila o suficiente pra pensar.

Por que ele tinha feito aquilo? Não era possível que fosse por minha causa. Eu não disse para ele se entregar ou nem nada do tipo, disse apenas que nós não daríamos certo, algo que sabíamos lá no fundo, desde o início.

Talvez ele tivesse pensado que se entregar, de algum modo, me recompensaria por tudo que ele me fez passar. Me lembrei das coisas que eu tinha dito, que tudo havia acontecido unicamente por culpa dele. Senti vontade de me dar um soco.

Como eu poderia ter dito aquilo? O quão egoísta eu era? Queria poder reverter tudo que tinha acontecido naquela tarde. Queria poder ter dito apenas que precisava de um tempo. Queria que aquilo não tivesse acabado em uma discussão.

Eu queria, principalmente, que tudo voltasse ao normal.

Meu deus, como eu fui uma idiota.

Nós dois éramos o problema. No início, ele me mostrou outro mundo do qual eu não gostara. E agora, eu tinha acabado com a vida dele. Talvez ele tivesse razão. Talvez nós dois nos merecêssemos.

Quem sabe meu pai poderia ajudá-lo. Ele já fora um renomado advogado, que podia tirar qualquer um da cadeia por uma quantia pequena de 70 mil dólares. Talvez ele pudesse tirar Percy de lá.

Eu faria isso, se não soubesse que era o próprio Percy que quisera ir pra cadeia.

Talvez eu o visitasse todas as semanas, durante os sete anos. Ou talvez eu me afastasse pra sempre e iria esquecer da sua existência, agora que não ia mais vê-lo. Não ia vê-lo na escola, nem nas festas, nem no seu apartamento. Nico agora moraria sozinho e aquele quarto cheio de pôsteres se encheria de poeira.

Me encolhi na cama. Não sabia o que ia acontecer agora. Não sabia como seriam as coisas nos próximos anos.

Eu mal imaginava o futuro que teria.

* * * Um mês depois * * *

–ANNIEEEEE, OLHA LÁ! — Claire me puxou pela mão até a montanha russa do Aerosmith. — VAMOS? VAMOS?

–Não acho que você vai poder entrar, Claire. — Respondi, sorrindo. Coloquei a mão três palmos acima da sua cabeça. — Você tem que ter no mínimo essa altura.

–Droga. — Bufou, indignada. — Eu quero ir!

–Querida, que tal ir vermos o show da Bela e a Fera? — Victoire sugeriu, passando a mão pelos cabelos de Claire.

–De novo? — Ela cruzou os braços, desajeitadamente. Bufou, impaciente. — Tá, então.

–Eu vou na montanha russa com Annabeth. Nos encontramos naquela loja ali. — Meu pai apontou para uma banca vendendo bonés do pateta. Victoire deu um tchauzinho e se separou de nós, indo levar Claire ao show. — Vai ser demais! Essa é uma das montanhas russas mais rápidas do parque.

–Ahn, é muito alta? — Perguntei, insegura.

–Nah. Mas é no escuro. E com muitos loopings.

–Ah, certo. Loopings. — Murmurei, entrando na fila com ele.

Finalmente estávamos ali, na Disney, realizando a promessa que eu tinha feito à Claire. Tínhamos tirado a foto com a Tinker Bell e agora ela estava feliz da vida, querendo ir em todos os brinquedos radicais. Acho que aquela pirralha tinha mais coragem do que eu para essas coisas.

Finalmente chegamos e nos sentamos nos carrinhos. Certo, não vou negar: Fechei os olhos e gritei grande parte do caminho. Meu cabelo esvoaçava para baixo e para cima, e meu pai tinha razão, aquela montanha russa era muito rápida. Pelo menos conseguia me distrair um pouco, com o Rock n'Roll que tocava ao fundo.

Ao final, todos se levantaram meio zonzos dos carrinhos. Meu pai quase tropeçou. Mas eu até que me sentia bem, quero dizer, até eu por os pés no chão.

Meu estômago começou a revirar violentamente. Coloquei a mão na boca enquanto corria para um banheiro, mas só tive tempo de chegar à uma lata de lixo, colocando tudo pra fora.

O "tudo" era nada. Não tinha almoçado ainda e nunca me sentira enjoada em montanhas russas. Na verdade, tinha me sentido bem ao descer do carrinho. Aquilo era completamente novo e estranho pra mim.

Assim que terminei, olhei em volta o suficiente pra me envergonhar pelo resto do dia. Todos os pais que estavam no parque me olhavam com uma cara meio enojada e eu imediatamente me afastei da lata de lixo, limpando a boca. Meu pai apareceu atrás de mim e me deu um tapinha nas costas.

–Pois é. — Ele riu, um som grave que atraiu a atenção dos pais para ele. — Qual é, parem de encarar. Eu sei que isso já aconteceu com todos vocês!

Eles reviraram os olhos e voltaram a caminhar distraidamente com suas crianças.

–Que estranho querida. Você nunca passou mal em brinquedos assim. Geralmente você é aquela pessoa de braços cruzados e cara de tédio que estraga as fotos da montanha russa.

–É. É estranho. — Respondi, franzindo o cenho.

Limpei a boca com um pedaço de papel que ele tinha me trazido e então fomos de encontro à minha mãe, que voltava com uma Claire entediada.

Notas finais
REVIEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEWS? esse ainda não é o finaaaaal hue ainda falta um pouquinho mais u-u alguém já conseguiu adivinhar o que vai acontecer ? (provavelmente sim. E se você conseguiu, achou muito clichê? por favor, comente sua opinião ! :c ) Nos vemos no próximo :333 Blue cupcake PS: recomendações? nao? ok. :c