Percabeth - I Knew You Were Trouble
29 Capítulo 28
Notas iniciais
Ergui os olhos esperançosa para a porta. Ouvi uma conversa e uma voz masculina irritada.
Apurei os ouvidos e pude ouvir o final de uma frase, dita por Luke.
–... Ali. Reyna...
Passos se dirigiram em direção ao meu quarto.Eu instintivamente me afastei da porta quando ela se abriu. A luz quase cegou meus olhos.
–Aí está a donzela em perigo. — Finalmente, consegui focalizar meus olhos. Havia alguém ao lado da Reyna. Meu coração deu um pulo quando percebi que era ele. Finalmente, eu ia sair dali.
Ele ia correr ao meu encontro mas Reyna o segurou pela camiseta.
–Um momento, Percy. Primeiro o dinheiro. — Ela estendeu a mão. Ele a entregou um envelope volumoso e ela sorriu maliciosamente. — Sabe, eu e Luke vamos embora com eles. Eles estão indo para a Inglaterra, o negócio está bem melhor por lá.
–Eu não dou a mínima. — Ele respondeu.
–Ah, mas que pena... Bom, eu queria me despedir de você. — Ela o puxou pela gola da camiseta e lhe deu um beijo estalado nos lábios. Percy a afastou com um empurrão e Reyna riu, olhando para mim. — Vocês dois são patéticos e se merecem. Se bem que... Eu sempre achei você melhor do que Luke.
Ela passou os dedos pela camisa dele sugestivamente e foi embora, rindo. Quando o barulho de seus saltos altos desapareceram, Percy correu e se ajoelhou ao meu lado, olhando para a porta com uma expressão enojada.
Eu deveria estar péssima, pois assim que ele olhou pra mim, sua expressão virou pura preocupação. Quando ele soltou as amarras das minhas mãos, não resisti a passar os braços pelo seu pescoço e esconder meu rosto no seu ombro. Mal tinha percebido que estava chorando.
–Vai ficar tudo bem. — Ele sussurrou no meu ouvido. Pegou minhas pernas e me ergueu no ar, como uma boneca frágil de pano.
Fechei os olhos por um segundo e, semiconsciente, pude ouvir Percy murmurando:
–Sabe, eu deveria matar vocês dois pelo que fizeram. -Seu tom era uma mistura de nojo e ódio. Estremeci.- Quem sabe algum dia eu faça isso.
–Você não tem coragem, Percy. — Luke riu.
Percy ficou um segundo em silêncio e então murmurou para si mesmo:
–Vocês não fazem nem ideia do que eu tenho coragem.
Quando comecei a ficar apreensiva por essa última frase, senti meu corpo ficar mole e perdi a consciência.
* * *
Quando acordei novamente, estava sentindo frio.
Olhei em volta com os olhos meio desfocados e reconheci o lugar. Estava no quarto de Percy, sentada sobre a cama.
Perguntei-me como eu estava conseguindo me sustentar sentada de forma ereta, de tão cansada que eu estava, até que senti uma delicada mão em minhas costas. Percy estava ao meu lado, desabotoando minha camiseta.
Eu ia perguntar que droga ele estava fazendo, mas minha voz não era mais que um suspiro. Ele tirou minha saia também e soltou meus cabelos com uma delicadeza inacreditável.
Quando ele percebeu que eu estava de olhos abertos, ele me fitou com seus olhos verdes cheios de preocupação. Me deu um beijo na testa, e sussurrou, pela segunda vez:
–Vai ficar tudo bem.
Ele me ergueu nos braços novamente e me levou até o banheiro, sentando-me em uma cadeira. Ligou o chuveiro e esperou a banheira encher de àgua quente, ajoelhado a minha frente. Passou os dedos delicadamente pelos meus joelhos ralados e minhas pernas com algumas marcas roxas. Sem falar nada, distribui beijos delicados em cada ferimento.
Eu estava atônita demais para dizer qualquer coisa.
Percy segurou minhas mãos e eu pude ver finalmente que seus olhos estavam vermelhos de lágrimas.
–Annabeth. Me desculpe. Eu... Isso é tudo culpa minha. — Ele encostou a testa no meu joelho, respirando pesadamente. Estava prestes a chorar e eu via que não era a primeira vez. — Eu juro... Juro que nunca mais deixarei nada de ruim acontecer a você. Eu te amo, Annabeth... E eu sinto muito.
A única coisa que encontrei energia para fazer foi pousar a mão delicadamente na sua cabeça, movendo os dedos de leve pelo seu cabelo. Senti que eu também estava prestes a chorar.
Ele ergueu a cabeça e respirou fundo. Tentou dar um sorriso pra mim, mas pareceu mais uma careta de dor.
Quando viu que a banheira estava cheia, ele tirou minhas últimas peças de roupa, me ergueu nos braços e me colocou na água quente. Foi tão revigorante que me senti melhor imediatamente.
Dobrando a barra da calça jeans, Percy sentou-se na beirada da banheira, com os pés dentro d'água. Começou a passar uma esponja delicadamente pelas minhas costas.
Eu juro. Ele lavou cada arranhão com uma delicadeza que eu nunca tinha presenciado. Sentia que ele cuidava de mim como se eu fosse uma boneca frágil de porcelana.
Eu abracei os joelhos enquanto ele lavava meu cabelo. Meus pensamentos estavam mais lúcidos agora. Eu até teria ficado envergonhada por ele me ver nessa situação, se ele não estivesse tão empenhado em cuidar de mim. Acho que ele estava tendo uma guerra mental consigo mesmo, repetindo que era culpado pelo que tinha acontecido.
Quando terminou o banho, ele segurou meu rosto com os dedos.
–Melhor?
Acenei com a cabeça positivamente.
Ele esvaziou a banheira e me enxugou com a toalha. Depois, foi ao quarto e voltou me trazendo uma camisa e uma calça de moletom dele. Me vestiu e me levou até a cama, sentando-me nela. Encostei a cabeça no ombro dele, dei um suspiro exausto e perdi a consciência novamente.
* * *
Quando abri os olhos novamente, estava claro. Eu estava deitada debaixo de edredons e o sol brilhava ofuscante na janela. Virei a cabeça no travesseiro e o vi, sentado ao meu lado. Seus olhos estavam com olheiras profundas, o que significava que ele tinha ficado a noite toda acordado.
–Bom dia, sabidinha.
Eu consegui soltar uma risadinha. Ele saiu do quarto e então tentei me espreguiçar. Foi meio doloroso, mas ao mesmo tempo revigorante. Olhei meus braços e vi que ele tinha colocado curativos em todos os arranhões.
Ok. Nunca ninguém tinha cuidado de mim assim. Não pude deixar de sorrir, ainda que dolorosamente.
Me passavam à mente lapsos do que tinha acontecido. Abracei meus joelhos, sentindo minhas forças se esgotarem. E continuei ouvindo, aqueles barulhos de tiros, vindos de todas as direções. Tentei tapar os ouvidos, mas aquilo simplesmente não parava. Era como se houvesse uma torneira pingando no fundo da minha mente, o barulho das gotas incessantemente, só que ao invés disso, podia ouvir os tiros e a risada de Luke.
Percy voltou, trazendo uma bandeja inteira de comida mas não foi isso que atraiu meu olhar. Foi o grande e cheio copo d'água ao lado do prato. Minha boca quase se derreteu.
Acho que ele deve ter percebido, pois me estendeu ele primeiro. Tomei tudo em quase um gole só.
Percy sentou-se ao meu lado na cama, me assistindo comer que nem um animal. Comer estava me distraindo dos meus pensamentos, afinal, e meu estômago roncava tanto que não havia tempo para etiqueta.
Assim que terminei, soltei um suspiro de satisfação involuntário.
–Você estava faminta hein? — Percy sorriu.
–Sim. — Falei. Agora que minha garganta não estava tão seca, conseguia falar. Me recostei à cabeceira da cama assim como ele.
–É melhor você descansar. Você... Passou por muita coisa.
Senti meu estômago gelar e ouvi os tiros novamente. Sacudi a cabeça, tentando me livrar deles.
–Eu vou estar aqui quando você acordar. — Ele disse, com o olhar perdido. E então murmurou: — Eu sempre vou estar aqui.
–Percy... — minha voz saiu rouca. Segurei a mão dele por cima do edredom. — Não fique assim. Por favor.
Ele me fitou com seus olhos verdes e então seu olhar desceu para minha mão.
–O anel. — murmurou.
–O que? — Franzi o cenho.
–Ele ficaram até com o anel. — Ele passou o dedão pela palma da minha mão, delicadamente. Olhei para meu dedo anelar, e realmente, o anel não estava lá. Não me lembrava de Luke o ter tirado do meu dedo, mas era bem algo que ele faria.
–Não importa. — Respondi, a garganta ardendo com o esforço. — Eu estou aqui. Você está aqui. Isso sim é que importa.
Ele sorriu e passou o braço pelo meu ombro, escondendo o rosto no meu cabelo.
–Você ainda cheira como baunilha.- Disse.
–Isso é bom. — Respondi, sorrindo.
–Annie?
–Hum?
–Eu matei o meu pai.
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