Percabeth - I Knew You Were Trouble
30 Capítulo 29
Notas iniciais
–O que? — Franzi o cenho, confusa.
–Ontem. Eu fui à casa dele e atirei nele. — Respondeu, com a voz rouca.
Eu o encarei. Ele desviava o olhar do meu, fitando fixamente para a janela.
–Você deve estar brincando. — murmurei, receosa. — Não está?
Como resposta ele apenas ficou em silêncio. Continuou a desviar do meu olhar mesmo quando fui para frente dele, olhando-o diretamente nos olhos. Parecia que ele tinha falado aquilo mais para si mesmo do que pra mim.
–Percy... O que você fez? — Eu me afastei, chocada. Me encostei na parede encolhendo as pernas, com uma das mãos cobrindo a boca. Eu mal conseguia respirar.
Não podia ser verdade. Não era possível. Ele nunca mataria alguém, muito menos o próprio pai.... Ou será que..
–Eu precisava dar o dinheiro a Luke. Ele sugeriu que eu fosse pegar na casa do meu pai, já que ele tem um cofre que eu sei exatamente onde fica. — Ele explicou. Percebi que esfregava as mãos, nervoso. Eu ia tentar acalmá-lo, mas algo me impedia de me aproximar dele de novo. Deus, eu estava com medo. Medo dele. — Fui com Nico e Calypso. Quando chegamos lá, meu pai apareceu na hora errada, e eu... Acidentalmente atirei nele.
Ah, suspirei, Foi um acidente. Mas mesmo assim, minhas mãos ainda estavam trêmulas.
–Você chamou a ambulância, certo? — murmurei, incerta.
Ele soltou um longo suspiro, tenso.
–Não. Eu o deixe ali, sangrando até morrer. Foi isso que eu fiz, Annie. Eu fui embora com o dinheiro e deixei meu pai ali.
Eu pisquei. Não sei por quanto tempo eu fiquei em silêncio, mas eu simplesmente não conseguia falar. Eu não sabia o que falar.
Finalmente, pensei em uma pergunta.
–Por quê...?
Ele deixou as mãos caírem ao lado do corpo, cansado.
–Eu não sei. Eu estava com tanto ódio dele na hora, você não entende, Annie.
–Estar com ódio de alguém não lhe permite atirar na pessoa. — Repreendi-o com desprezo, sem perceber. Eu estava decepcionada com ele. A única coisa que eu conseguia pensar era a visão daquele homem carismático que eu tinha visto uma vez na escola.
Ele me olhou, surpreso.
–Eu sei, mas... — Me levantei da cama, procurando algum casaco para vestir. Encontrei o meu, surrado e imundo e coloquei-o mesmo assim. — O que está fazendo?
–Estou indo embora. — Respondi.
–O que? Por quê? — Ele me puxou pela mão de volta pra cama. Quando o encarei, vi que ele estava se despedaçando por dentro. Mesmo assim, não mudei minha decisão.
–E-eu preciso ir. — Respondi, evasiva. — Meus pais devem estar preocupados comigo.
–Você sabe que pode ficar aqui até quando quiser. — Ele me puxou para mais perto.
Juntei todas as minhas forças para afastá-lo de mim, mas não consegui ter coragem. Também tentei engolir tudo que sentia, mas também não tinha conseguido. Eu simplesmente precisava sair dali.
A verdade era, eu não estava surpresa. E isso era o que mais me decepcionava. Eu estava com medo, assustada, confusa e apreensiva, e tudo que eu queria fazer era ficar algum tempo sozinha pra conseguir organizar esses sentimentos e pensar no que fazer.
E então, enquanto ele me encarava com seus olhos verdes tristes, eu explodi.
–Me solte! — Afastei a mão dele. Ele recuou, como se tivesse levado um choque. Suspirei, passando a mão no rosto. Aquilo estava acabando comigo. — Sabe, eu até agradeceria por ter cuidado de mim ontem, Percy, se não tivesse sido você mesmo e me meter em tudo aquilo. Você não sabe as coisas que eu tenho que encarar pra conseguir ficar com você e isso está acabando comigo! Agora você vem e me conta uma coisa dessas e eu não estou sequer surpresa. Eu estou decepcionada, Percy. Pra mim parece que você não é a pessoa que eu achei que seria. Você é pior.
Eu o encarei, ofegante por ter falado tudo aquilo. Ele semicerrou os olhos, e deixou as mãos caírem no colo, sem qualquer vontade de me tocar novamente.
–Você não deveria achar nada sobre mim. Você deveria simplesmente ter aceitado, desde o início, que eu era um problema pra você. Acho que tudo isso não deveria nem ter começado, Annabeth. — Ele suspirou, esfregando as mãos. — E agora, pra variar, você vai me abandonar de novo, no momento que eu mais preciso de você. Você também não é uma boa pessoa. Foi por isso que achei que poderia haver qualquer chance de nós darmos certo.
–Percy. Eu não sou igual a você. — Sorri dolorosamente. — Eu nunca fui presa, sequer tinha entrado numa cadeia. Eu não matava aulas. Eu não passeava pelo gueto de Nova york no meio da noite. Eu nunca nem tinha transado, Percy! Quem me fez fazer tudo isso, foi você. E ótimo, eu agradeço as experiências que algumas eu sei que nunca vou repetir de novo, mas agora, já cheguei ao limite. Nós não somos parecidos em nada. E eu agradeço muito por isso.
Ele ficou em silêncio por uma eternidade, eu apenas podia ouvir sua respiração entrecortada. A verdade era que eu não queria ir embora. Só de pensar em deixá-lo para trás, já me dava uma dor terrível. Mas eu sabia que simplesmente jamais conseguiria vê-lo da mesma forma.
–Me dê outra chance. — Ele sussurrou.
–Como, Percy?
–Vamos embora daqui. — Ele ergueu os olhos para mim, cheios de expectativa. — Fuja comigo.
–O quê? Não!
–Por quê não? — Ele se levantou, chegando muito perto de mim. — Nunca mais teríamos que ver aquelas pessoas. Poderíamos ficar sozinhos, eu e você, sem problema nenhum. Deixaríamos tudo para trás.
–Você não está entendendo, Percy. Não adianta tentar fugir dos seus problemas quando você os carrega consigo. Você acha que algum dia vou esquecer tudo que você fez?
–Eu espero que não. — Respondeu. — Porque eu vou me lembrar de você pra sempre.
Eu podia sentir que ia começar a chorar, então engoli em seco. Cruzei os braços e o encarei.
–Adeus, Percy.
Ia sair do quarto quando ele me puxou pelo braço delicadamente.
–Só me prometa que vai pensar no que eu disse. Por favor.
–Eu prometo. — Respondi. — Mas também quero que você também pense no que eu disse.
Ele balançou a cabeça, positivamente e me olhou saindo do quarto.
De novo, eu ainda podia ver que ele estava com os olhos vermelhos de choro.
Agora me perguntava se aquelas lágrimas tinham sido realmente por mim, ou pelo outro motivo que ele havia acabado de me contar.
* * *
Voltei de metrô naquele dia. Passei na casa de uma amiga, pedindo roupas emprestadas e um pouco de maquiagem. Não podia chegar daquele jeito em casa.
Quando abri a porta da frente, ouvi o suspiro aliviado da minha mãe, sentada no sofá, tamborilando os dedos.
–Onde você estava?
–Desculpe. Tive que dormir na casa de uma amiga. — Respondi.
–Que amiga?
–Hã. Rachel. — Foi o primeiro nome que me veio à cabeça.
–Por quê não atendeu minhas ligações?
–Acho que o celular estava no silencioso.
Minha mãe me encarou, desconfiada.
–Estava com medo de que tivesse acontecido alguma coisa, filha. Da próxima vez, por favor, me avise. Pode mandar uma mensagem mesmo, mas só me avise.
Eu sorri. Abracei minha mãe muito forte, emocionada pela preocupação que ela tinha comigo. Lembrei do medo que tive de perdê-la, enquanto estava presa naquele quarto escuro. Tive vontade de chorar.
–O que foi, Annabeth? — Ela perguntou, surpresa pela demonstração de afeto.
–Nada, mãe. — Respondi, encostando o rosto no ombro dela. — Estava com saudades. Cadê o papai e a Claire?
* * *
Naquela noite, estava vendo um filme de animação sobre uma princesa do gelo, com a minha irmã. Acho que era Frozen ou algo assim. Sorria, ao ver que Claire estava simplesmente encantada com o filme.
Foi aí que meu celular tocou.
–Não pode celular no cineeeema! — Claire brigou.
–Tudo bem, tudo bem, vou atender na cozinha pra não atrapalhar a Elsa, ok? — Me levantei do sofá, bagunçando os cabelos dela.
–Eu quero ser a Anna! — Resmungou, mas logo sua atenção se prendeu ao filme novamente.
Fui até a cozinha e atendi à ligação, enquanto pegava uma maçã da geladeira.
–Alô? — Houve um silêncio rápido na linha, até que alguém me respondeu.
–Annie?– Era o Percy. Respirei fundo.
–Sim, sou eu. O que foi?
–Eu pensei no que você disse e só queria te contar uma coisa...
–Bem, então diga. — Mordi a maçã.
–A polícia apareceu aqui em casa.
Derrubei a maçã no chão.
–O quê?
–Ele vieram me fazer algumas perguntas...
–E o que você respondeu, Percy? — Perguntei, exasperada. Houve um longo silêncio na linha. — Percy! O que você falou pra eles?
Houve um longo suspiro e então ele respondeu.
–Eu confessei.
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