Percabeth - I Knew You Were Trouble
27 Capítulo 26
Notas iniciais
–Que merda Percy! — Calypso tapou os ouvidos, ajoelhada no chão. Percy olhou em volta pela cozinha, procurando desesperadamente o interruptor pra ligar a luz.
Assim que a cozinha se iluminou, Percy viu a parede branca com uma enorme mancha vermelha.
–Eu não... Me desculpe, eu... — Murmurou, atônito.
Caído, encostado nos armários, um homem que tinha por volta dos 40 anos abraçava o próprio peito, com os dentes cerrados em uma expressão de dor. Calypso correu e se ajoelhou ao lado dele, a testa franzida em preocupação.
–Percy, o que você fez? — Ela o encarou. — P-porque?
Ele jogou a arma no chão e se ajoelhou ao lado do pai, agora menos aturdido.
–Pai? Desculpa, eu só... Eu não queria...
Cally percorria a cozinha, apressada, procurando um pano para estancar o sangue. Poseidon o encarou, com o rosto pálido. O verde que Percy herdara dos seus olhos agora estava frio, assim como suas mãos quando ele as agarrou.
–Eu sabia que você seria assim. — Ele disse, numa voz rouca. Percy o olhou, em silêncio. — Sua mãe... Ela era igualzinha à você.
Calypso finalmente achou o pano e foi correndo até eles, segurando-o com as mãos aonde estava o ferimento.
–Ela era inconsequente. — Poseidon continuou. — Fazia o que quisesse, na hora que quisesse, não dava a mínima para o que eu dizia ou para o que eu pensava sobre isso. — Ele soltou um longo suspiro, fechando os olhos por um segundo. — Foi por isso que eu abandonei vocês. E agora você aparece em minha casa, pra pegar um dinheiro que não lhe pertence e atira em mim. Essa foi uma das coisas mais estúpidas que você fez, garoto. Você ainda é uma criança.
Calypso olhou receosa para os dois. Aquele discurso estava um tanto estranho.
Percy se mantinha sério, ouvindo o pai em silêncio.
–E ainda traz uma garota com você. Isso é tão engraçado. — Ele riu dolorosamente. — Você é exatamente igual à ela. Um idiota egoísta, sem o mínimo senso de responsabilidade e decência. E é por isso que eu desprezo vocês dois. Apenas me dê o telefone e saia da minha casa. E certifique-se de nunca voltar.
Cally se levantou, assutada com o tom de voz subitamente alto de Poseidon. Ela colocou a mão no ombro de Percy que se levanta calmamente, olhando o pai de cima.
–Percy, vamos embora. — Ela o segurou pelo braço e o olhou nos olhos. A expressão dele estava neutra, mas ela podia notar só pela energia que ele irradiava que ele estava com ódio por dentro. Muito ódio.
–Você não deveria ter falado isso. Retire o que disse. — Disse, com a voz calma.
Calypso olhou para Poseidon, suplicante. Ele tinha que retirar o que dissera, senão ela não sabia o que Percy poderia fazer. Por precaução, chutou a arma para debaixo dos armários.
Mas quando o velho continuou em sorrindo em silêncio, Percy simplesmente pegou o telefone sem fio do gancho no corredor. Cally por um segundo achou que ele fosse entregá-lo ao pai, mas ele o atirou pela janela da cozinha, com ódio.
–Morra sozinho, seu merda. — Então saiu caminhando pesadamente. Cally lançou um último olhar a Poseidon, cujo sangue começava a se espalhar pelo piso e seguiu Percy que tinha saído tranquilamente pela porta da frente.
Ao entrar no carro, Nico encarou os dois, assustado.
–O que aconteceu lá dentro? Eu ouvi um barulho.
–Nada que não estivesse planejado. — Percy mentiu.
Cally sentiu uma lágrima escorrer pelo rosto suado. Estava aterrorizada com o que acabara de presenciar e a pergunta que não queria calar era: agora que ela estava envolvida nisso, o que mais ela poderia fazer?
* * *
Nico dirigiu por mais uma hora, nas ruas cheias de Nova York. Era madrugada, mas ainda assim os bares estavam cheios, as ruas apinhadas, e o trânsito difícil. Afinal, é a cidade que nunca dorme.
Percy apoiava o cotovelo na janela, observando a paisagem. Alguns adolescentes corriam pelas ruas, excitados pelo inicio da noite. Porque sua vida não podia ser normal? Ah sim, talvez porque tivesse acabado de atirar no próprio pai e o deixado pra morrer. Bacana.
Não que ele sentisse remorso algum. Não era desalmado nem nada assim, mas aquele cara nunca foi seu pai. Fora apenas um idiota que o botou no mundo e o fez sofrer. Antes, Percy até ia ajudá-lo, mas depois de ter dito aquelas palavras sobre a mãe dele, ele decidiu que nunca mais faria nada por ele. Então, tecnicamente, ele não o matou... Apenas não entregou o telefone à ele para pedir ajuda. Certo?
Nah... Que besteira.
Ele esfregou o rosto, cansado. Depois iria pensar no que ia fazer. Agora o que importava era entregar esse dinheiro e ter Annabeth de volta. E faria um promessa que nunca mais mentiria à ela. Contaria tudo o que aconteceu entre ele, Luke e Reyna. Contaria tudo sobre a época mais sombria da sua vida, e contaria sobre o que acontecera essa noite. Se ela fosse esperta o abandonaria de primeira, mas não importava mais pra ele. Ele só não queria ter mais nada a esconder.
Percy olhou pelo retrovisor para Calypso, quietinha lá atrás. Definitivamente, ela deveria estar pensando que tudo aquilo fora uma péssima ideia e que ela queria ir embora. Ele não iria impedi-la.
–Nico, estacione. -pediu.
–O que? — O garoto pálido o encarou.
–Só.... estacione, por favor.
Ele obedeceu, parando o carro em frente à um restaurante chinês.
–Cally. — Percy a encarou pelo retrovisor. — Saia do carro e finja que isso nunca aconteceu. Viva a sua vida como se não tivesse me conhecido, por favor.
–Percy, eu... Não posso fazer isso! — Ela o encarou de olhos arregalados.
–Pode sim. — Suspirou. — Cally, me faça um favor. Saia do carro.
Ela hesitou por um instante mas então saiu pela porta de trás, o vento da rua balançando seu cabelo. Ela olhou em volta, para os adolescentes tranquilos que caminhavam na rua, conversando. Começou a andar, mas parou, olhando para trás, olhando para Percy. Não podia abandonar seu melhor amigo assim.
Ele retribuiu o olhar, como um incentivo, mas antes de ir embora ela voltou e parou em frente à janela dele.
–Vai ficar tudo bem. Adeus. — sussurrou e lhe deu um beijo na bochecha. Saiu caminhando em suas sandálias, abraçando o próprio corpo contra o vento.
–Afinal, ela é mesmo esperta. — Ele sorriu. Se virou para Nico que encarava a cena, confuso. — Você também. Vai por mim, eu te devolvo o seu carro.
–Eu vou te ver amanhã não é? — Nico o encarou, desconfiado.
–É claro, panaca. Você não vai se livrar tão facilmente de mim. — Percy riu. Nico abriu a porta do carro e se levantou do assento do motorista, onde Percy se sentou.
–Tome cuidado, Jackson. — Nico se despediu.
–Você sabe que eu não vou tomar. — Percy deu a partida no carro e saiu para a rua, deixando para trás os dois melhores amigos, pelo próprio bem deles.
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