Notas iniciais
bom, esse capitulo vai ser meio tenso, mas enfim.. aquie está :D POV ANNABETH NOVAMENTE, AEHOOO

O chão estava frio.

Eu estava lá, encolhida, encostada em uma das paredes. Achava que ainda era noite.

Quero dizer, é difícil ter certeza quando se está vendada, trancada em um quarto escuro. Era abafado, como se qualquer janela estivesse fechada mas ainda assim era frio o suficiente para fazer os pelos do meu braço se arrepiarem a cada movimento.

Assim que tínhamos terminado aquela conversa, entramos em uma avenida de Nova york que eu nunca fora antes. Foi aí que Luke me vendou e amarrou minhas mãos de um jeito até delicado, como se tivesse um pouco de pena de mim.

Eu o odiava por isso.

Porque era a maior mentira.

E eu os odiava por terem me trancado nesse quarto escuro, sozinha com meus pensamentos. Eu estava tão confusa e tão assustada. Tentara dormir, mas não conseguia já que tinha que fazer força para respirar (meu nariz estava entupido pelo choro e minha boca tampada com com uma fita.) Eu nunca tinha me sentido tão miserável.

Algumas vezes eu os ouvia caminhando do lado de fora do quarto, com passos nervosos. Ouvi uma batida forte como se alguém tivesse socado uma mesa e pude imaginar os dois, discutindo quanto tempo mais Percy ia demorar. Eles estavam ficando nervosos agora já que, se ele não aparecesse, estariam com problemas.

Oh deus. Não, ele tem que aparecer.

Minhas mãos tremiam ao pensar quanto tempo já se passara. Será que ele era capaz de me abandonar assim? Senti um frio na espinha, pensando no que aconteceria comigo se ele o fizesse. É claro que Reyna e Luke não me deixariam sair por aí, sabendo o que eles eram e pra quem trabalhavam.

Mas esse não era o principal foco dos meus pensamentos.

Tudo que eu conseguia lembrar era o rosto dos meus pais.

Senti lágrimas molhando a venda, de novo. Toda vez que eu imaginava o que eu tinha feito para eles, eu me sentia o ser humano mais terrível do mundo. Esse ano inteiro me mantive distante, mal falava com eles e passava a maior parte do tempo trancada no meu quarto, pensando naquele idiota do Percy.

E... Claire. Ah meu deus.

Soltei um grito sufocado pela fita adesiva.

De repente, a porta se abriu com um rangido. Assustada, pensei que eles tinham ouvido, então fiquei quieta. Mesmo assim, pude sentir alguém se ajoelhando ao meu lado e agarrando meu rosto com força. Pelo tamanho das mãos, era Luke.

–Aonde está seu namoradinho?! — gritou. — Ele está demorando demais.

Ele arrancou a minha venda com força, fazendo com que alguns fios de cabelo que haviam se enrolado nela fossem junto.

Em pé à minha frente, estava Reyna, com as mãos na cintura. Sua expressão, como sempre era forte e imponente, mas pude sentir um leve nervosismo nos olhos dela também.

Parei de encará-la quando senti um metal gelado encostar na minha têmpora. Devagar, virei os olhos para Luke e senti meu corpo gelar quando percebi que ele segurava uma arma contra minha cabeça, prestes a puxar o gatilho.

Minha respiração ficou pesada e eu lutei para manter a calma.

–O que você quer que eu faça? — perguntei, tentando não tremer a voz, inutilmente.

–Eu quero — Ele apertou mais a arma contra minha têmpora. — Que você ligue pra ele. E peça com essa sua vozinha doce pra ele se apressar, senão eu pinto a parede com seus miolos. Tudo bem pra você?

Engoli em seco e peguei o celular que ele estendia com a mão. Fiquei irritada ao perceber que sabia o número dele de cor e então, coloquei o telefone na orelha, ouvindo-o tocar sem parar.

Quando caiu na caixa postal fechei os olhos lentamente, sentindo o medo se espalhar pelo meu corpo. As minhas mãos suavam e eu esperava pelo tiro, tentando esvaziar a minha mente. Sempre quis morrer em paz, afinal.

O barulho pareceu muito mais alto, ecoando naquele quarto.

* * *

Eu odiava Luke, com todas as minhas forças. Eu queria que ele morresse do jeito mais cruel possível e que ele queimasse no inferno pela eternidade.

Não sei o que ele estava tentando fazer comigo. Talvez uma tortura psicológica , talvez tentando me deixar traumatizada pelo resto da vida.

Bem, ele estava conseguindo.

Ao invés de me acertar na cabeça, ele mirara em outro ponto aleatório no quarto. Foi tão horrível pensar que aquele tiro tinha sido em mim que quando eles saíram do quarto, me peguei soluçando, abraçando os próprios joelhos.

Mu pai já me falara daquele tipo de coisa. Usavam na guerra para tortura. A vítima fica nesse estado de medo, pensando em quando o tiro será real. Era exatamente o que estava acontecendo comigo.

Eles voltaram mais três ou quatro vezes e fizeram a mesma coisa. Eu já me via desejando que me matassem de uma vez. Não ia aguentar mais. Meus olhos ardiam de tanto chorar e o medo era constante, ma fazendo dar um pulo toda vez que a porta se abria. Algumas vezes eles apenas entravam e me olhavam, sorrindo, checando se eu ainda estava viva. Quando saíam, Reyna fazia questão de pisar com toda força em meu pé e depois de fazer isso duas vezes, eu pude ter certeza que meu tornozelo estava quebrado.

Eu sabia qual era o objetivo deles com isso. Eles queriam acabar com Percy. Quando ele me visse assim, por culpa dele, eu não sabia o que ele era capaz de fazer.

Eu não era estúpida de tentar bancar a valente. Eu podia muito bem pegar a arma de Luke (que ele segurava tão abertamente) e sei lá, tentar fugir. Mas acho que ele sabia do que eu tinha medo: Eles voltariam pre me buscar, é claro. E talvez, fossem atrás da minha família. Eu preferia morrer a deixar isso acontecer.

Fiquei quieta ali, a noite inteira, esperando pela próxima vez que entrassem no quarto. Mas, no meio da noite, minha garganta estava seca, e eu me sentia tonta. Eu tinha hematomas nos pulsos e nos tornozelos por causa das amarras que eu tentara soltar, inutilmente. Meu tornozelo enviava pontadas de dor pela minha perna que estava arranhada por eles terem me arrastado pra fora do carro quando chegamos. E minha cabeça doía mais do que tudo fazendo com que a cada minuto eu sentisse que ia desmaiar.

Podia ouvi-los na sala. Agora tinham ligado a tv e davam gargalhadas. Reconhecia a voz dos apresentadores do Saturday night live.

Hesitante, tentei falar o mais alto que meu corpo me permitia.

–Água.

No momento, era tudo que eu mais queria. O barulho da tv abaixou.

–Ela disse algo? — Luke perguntou.

–Acho que quer àgua. Vou buscar.

Minutos depois, ela entrou no quarto com um copo na mão. Ela viu como meu rosto parecia esperançoso e então chegou mais perto, com um sorriso caridoso.

–Você quer àgua? — Perguntou com uma voz doce.

Eu a encarei e fiz que sim com a cabeça, já prevendo que algo estava errado. Ela virou o copo, me encharcando dos pés à cabeça.

–Aí está. — Caminhou rebolando até a porta e a fechou, trancando-me no escuro, ensopada.

Minha esperança já estava quase morrendo quando minutos depois, ouvi uma campainha tocar.

Ele finalmente tinha chego.

Notas finais
REVIEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEWS? Então gente, esse negócio dessa tortura do tiro, uma amiga havia me contado sobre ela, usaram no avô dela durante a ditadura militar. Resolvi incluí-la aqui,e espero que tenham entendido o que ela significa. A pessoa fica com medo o tempo todo, incapaz de pensar em outra coisa. Sim, o Percy vai aparecer no próximo. E depois, pra tirar esse clima tenso, vou fazer um capítulo super hiper mega duper cute. não percam. Enfim, desculpem a demoram é que eu queria que esse capitulo ficasse muuuuito bom (o que não correspondeu ás minhas expectativas, exatamente. Enfim, comeeeeeeeeente o que acharam Beijos, BC