P.O.V. Félix.

Ela me alimentou com um tipo especial de sangue que curou o veneno de lobisomem, me deu minhas memórias humanas de volta. E me ofereceu a escolha de ficar ou partir.

Escolhi ficar. As mudanças começaram logo no primeiro dia.

Os Cullen e os Mikaelson se mudaram para o Castelo. Ela se livrou dos uniformes, das capas, das bandeiras e brasões Volturi.

Clarissa fez os gêmeos prometerem que não usariam seus poderes contra ninguém á menos que fosse caso de vida ou morte. Nos concedeu o dom de caminhar ao sol.

E depois de algumas semanas ela vai dar uma festa. Todos os vampiros que ela conhece, os que nós conhecemos e os que eles conhecem foram convidados. Assim como bruxas, sereias, humanos e lobisomens.

Ela mesma fez o orçamento da festa, escolheu o DJ, a decoração e quando a festa finalmente começou todos os vampiros ficaram chocados com a gritante diferença entre os bailes dos Volturi e a festa da nova Rainha. Era uma balada.

Havia sangue sendo servido em taças como se fosse vinho. Garçons e garçonetes. Uma mesa de quitutes, taças de vinho, copos com refrigerante, sucos.

—Você sabe mesmo dar uma festa, jovem Cullen.

—Vocês são o Clã Egípcio. Benjamin, Amun, Kebi e... falta uma. Tia. Eu lembro dela. Acessei as memórias da minha mãe.

—Tia era minha parceira. Ela...

—Ai Meu Deus! Ela morreu?

—Não. Ela apenas, foi embora.

—Ah, eu sinto muito.

—Obrigado.

—Você está bem?

—Estou. Ela já foi embora faz tempo.

—Bom, tem muitas moças bonitas e solteiras aqui. Quem sabe você encontra alguém.

—É. Talvez.

—Aproveitem a festa.

—E todo esse sangue?

—Ninguém morreu por isso. Eu garanto. Bolsas de sangue.

—Não é uma tentação para a sua família?

—Imagino que seja. Mas, eles são a minoria. A maioria dos vampiros bebe sangue humano e eles sabem.

Eu vi uma das humanas pegar uma das taças.

—Não Hope!

Era muito tarde. Ela já estava com o sangue na boca. Ela ficava procurando um lugar pra cuspir, ela se abanava como se tivesse com pimenta na boca e então cuspiu de volta na taça.

E fez uma cara de nojo.

—Eca!

—Quem é ela?

—Benjamin, ela é humana.

Falou Amun e a Rainha respondeu:

—Não. Não é não. Ela só parece uma.

—Se ela não é humana, então o que ela é?

—Uma bruxa Mikaelson, com uma mãe biológica membro da realeza dos lobisomens e um pai Original. Mas, acima de tudo, ela é minha prima.

—Não sabia que lobisomens tinham realeza.

—Para a maioria dos vampiros, os lobisomens são apenas feras. Mas, não é bem assim. Eles são pessoas, eles tem sua própria realeza, cada matilha tem um alfa, o seu próprio território. Vampiros e lobisomens são mais parecidos do que pensam.

—Ela é a Princesa dos Lobisomens?

—Não. Como a mãe dela morreu quando ela nasceu, ela é a Rainha. Ela unificou as facções lá em Nova Orleans, vampiros, humanos e lobisomens.

—Mas, se a mãe dela morreu quando ela nasceu... como ela governou? Era um bebê.

—Jackson Kenner era o prometido da mãe dela, membro da matilha da Hayley, ele virou regente. Até a Hope ter idade suficiente para governar.

—Tem lobisomens aqui? Esta noite?

—É claro. Porque acha que eu escolhi uma noite que não era lua cheia? Temos lobisomens, híbridos, vampiros, bruxas. Ta vendo aquela bruxa ali? Ela é minha tia, pelo casamento, mas enfim... o nome dela é Davina Claire. Ela é a Regente dos Nove Covens de Nova Orleans.

—Realeza bruxa?

—Mais ou menos isso. Ela é a Presidente por assim dizer dos Covens de Nova Orleans.

P.O.V. Benjamin.

Depois dela explicar quem era quem. E quem era o que, eu decidi tentar a sorte com a Rainha Lobisomem.

—Benjamin?

—O que?

—Se partir o coração da minha prima, o pai dela vai te morder e te deixar pra morrer. Isso se ele tiver misericórdia.

—Me morder e me deixar pra morrer?

—O pai dela é o meu tio. Klaus Mikaelson, o híbrido Original. Assassino de homens, mulheres e filhotinhos.

—Mikaelson? Eu pensei que fosse apenas um mito.

—Não é não Amun. Eles são a minha família. Eu sou filha do Elijah Mikaelson, sou Clarissa Cullen... Mikaelson.

—Os Mikaelsons existem?

—Sim.

—Estão aqui? Na festa?

—Sim. Não amarela não Benjamin, vai falar com ela.

P.O.V. Hope.

Eu ainda estava tomando refrigerante pra tentar tirar o gosto de sangue da boca quando um rapaz chega.

—Você está bem?

—Considerando que não sou vampira e acidentalmente bebi uma taça de sangue... acho que não. Eu não consigo tirar o gosto. Acho que vou ter que lavar a boca com soda caustica.

Ele riu.

—Eu sou Benjamin.

—Hope. Hope Mikaelson.

—Eu sei.

—Você quer dançar?

—Sabe dançar esse tipo de música?

—Posso tentar.

A música mudou. Uma música lenta.

—Daugthtry. Minha banda favorita. Foi a minha prima.

Nós começamos a dançar.

—Me lembre de agradecê-la.

—Você faz coisas?

—Se eu faço coisas?

—É. Tem vampiros que fazem coisas, tipo ver o futuro, soltar uma fumaça estranha das mãos...

—Posso manipular os quatro elementos.

—Não... nem vem. Se tá me tirando.

—Te tirando?

—Me zoando?

Continuei sem entender.

—Brincando comigo?

—Oh! Não.

—Cara, isso é demais. Um vampiro que faz coisas de bruxa.

—Coisas de bruxa?

—Você gera fogo?

—Sim.

—Coisa de bruxa. Faz ventar?

—Sim.

—Coisa de bruxa.

—E você faz tudo isso também?

—Faço. Eu lembro quando descobri que tinham levado a minha mãe, Caroline... eu entrei em pânico. E a casa começou a pegar fogo, começou a ventar o que só fez o fogo alastrar mais ainda. Ai eu vomitei uma cobra. Foi estranho.

—Vomitou uma cobra?

—É. Eu não sabia como tinham encontrado ela. Eu escrevi o feitiço de ocultação perfeito. Coloquei ela pra dormir, num caixão e escondi ela na Saint Anne. Ai descobri que o meu ex-namorado Roman, entrou na minha mente sem eu saber e ele e os familiares dele queriam me pegar. Usaram minha mãe de isca.

—Mas, a sua mãe...

—Minha mãe biológica, Hayley. Ela morreu. A minha madrasta Caroline, ela é minha mãe pra todos os efeitos. E agora ela está grávida.

—Então você vai ter um irmão?

—Na verdade são gêmeas.

—Eu ouvi falar que nessas festas a música geralmente é alta.

—E está. Bom, pra um vampiro ou um híbrido ou um lobisomem.

—Você é lobisomem?

—Eu nunca ativei a maldição. Mas, sim... eu tenho o gene dos lobisomens.

—Ativou a maldição? Ser lobisomem é maldição?

—É. Quando a minha ancestral superpoderosa e super malvada foi capturada pelas outras tribos, antes de morrer ela lançou um... último feitiço. Uma maldição, empoderada pela energia de sua própria morte e o atou á lua cheia. Condenou os anciões da tribo dela, entre eles sua própria mãe a se transformarem na mesma besta que usaram para caça-la, seu companheiro fiel, o lobo. É uma coisa... horrível. Quando eles se transformam quebram cada osso do seu corpo. É por isso que os Labonaires são a realeza lobisomem, porque somos descendentes de uma das primeiras linhagens. Crescentes. Foi a nossa linhagem que começou tudo.

—Crescentes?

Ela abaixou um pouco a manga do vestido e eu pude ver uma marca.

—A marca dos crescentes. É uma marca de nascença. Só os Labonaires tem.

—Eu não sabia.

—Agora você sabe. Todos os vampiros acham que os lobisomens são feras raivosas e irracionais e todos os lobisomens acham que os vampiros são demônios assassinos chupadores de sangue. Isso tava tão enraizado lá em Nova Orleans que foi difícil pra caramba conseguir um pacto de paz.

Ela colocou o vestido de volta no lugar.

—E como você conseguiu?

—Várias assembleias, conselhos, reuniões. Cada uma das partes contando sua história, falando sobre seus costumes, códigos de honra etc. Foi formulado um documento que respeitava todos os costumes e códigos de honra de todo mundo e depois de assinado... foi só monitorar e dai pra frente beleza. Cada clã levou uma cópia do documento. O original nós mandamos emoldurar e colocamos na parede da igreja do padre Kiron.