Notas iniciais
Eu já recebi muitas ordens além dos limites de meus superiores, mas essa era demais. O que os faz pensar que eu sou tão inferior a eles a ponto de ser um “anjo da guarda”? Anjos são mensageiros e não babás. O máximo contato que temos com humanos é quando temos alguma mensagem importante de Deus, mas isso raramente acontece.
– É um caso especial Castiel. Nós precisaremos dele no futuro. – esse era Mule, um de meus superiores.
– Para que precisaremos dele no futuro? Agora anjos vêem o futuro? – eu raramente questionava alguma ordem direta assim, pois sempre me orgulhei de ser um soldado.
– Não questione esta ordem Castiel!
– Certo.
Eu saí de lá e fui fazer o trabalho designado a mim por Mule, como um bom soldado. Cheguei a tempo de ver a criança nascer. A mãe parecia muito feliz ao recebê-lo no colo e reconheci o pai pelo brilho em seus olhos. Ela era loira e continuava bonita, mesmo naquela cena de parto; ele era moreno e tinha um cabelo liso e preto, recentemente cortado, e em seu rosto, uma barba mal feita o fazia parecer mais velho do que realmente era.
Não aconteceu nada realmente importante durante quatro anos. As únicas coisas que eu fazia era tirar copos de vidro das beiradas das mesas, quando o pequeno Dean estava por perto; não o deixava ver nada afiado; tirava pedras do caminho enquanto ele andava de vilotrol; até ajudei ele a pegar seu irmão no colo, o pequeno Sam, que nasceu no ano em que Dean completou quatro anos... E foi muito entediante fazer essas mínimas coisas, mas nenhum dos meus superiores se comunicava comigo, o que significava que não tinha nenhuma outra tarefa mais importante que cuidar de um garoto mimado.
No dia 2 de setembro de 1983, porém, algo aconteceu.
Percebi a anormalidade na casa daquele garoto, quando as luzes começaram a piscar. Não senti nenhum tipo de anjo vindo ao meu encontro, e isso me fez ficar preocupado. Estava observando Dean dormir para que nada acontecesse com ele e ouvi sua mãe gritar. No mesmo instante, percebi a presença de um demônio. Mas por que um demônio estaria ali? Para pegar Dean? Fui para o quarto no segundo andar, de onde o grito saíra e o vi. Era Azazel, um demônio do exército de Lúcifer. Mas como seria possível? John, pai de Dean, correu desesperado pela escada acima.
Então me encontrei em uma sala infinitamente branca, sem paredes e sem portas. Não soube o porquê nem como aquilo aconteceu, e quando tentei me transportar para a casa outra vez, me surpreendi mais ainda. Não funcionou. Nada funcionava para sair dali. Por mais que cuidar de Dean Winchester fosse totalmente entediante, era uma ordem direta e eu tinha que cumpri-la.
Quando eu finalmente fiquei tão desesperado ao ponto de desistir, me encontrei do lado de um garoto com os olhos apavorados subindo as escadas da casa dos Winchesters. Acompanhei-o até em cima, e vi um John desesperado saindo do mesmo quarto que eu ouvira Mary, a mãe de Dean e Sam gritar, com um bebê no colo, que só poderia ser Sam.
– Corra o mais rápido que puder. Vá, Dean, vá! – gritou John desesperado, entregando Sam nos braços de Dean.
O que ele estava pensando? Que uma criança não ficaria apavorada vendo o pai daquele jeito? E então notei o fogo que incendiava o quarto de Sam. Me surpreendi uma segunda vez quando vi Dean descendo as escadas correndo com um bebê nos braços. E fiquei outra vez indignado ao ver John voltar para o quarto em chamas. Corri para o quarto e me deparei com uma cena que eu nunca tinha visto em toda a minha existência. Mary estava no teto, de costas, com um ferimento na barriga e, segundos depois, seu corpo pegou fogo, colocando aquele quarto ainda mais em chamas. E John estava ali no chão gritando por Mary, como se tivesse algum jeito de salvá-la. Coloquei então minha mão em sua cabeça e retirei todo o medo que ele tinha de perder a mulher. Com isso, ele finalmente saiu correndo do quarto antes que ele explodisse, e encontrou Dean chorando na varanda da casa, ainda segurando Sam no colo.
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