Pelo Olhar de Um Anjo
2 Dois
Notas iniciais
John pegou Dean no colo, que ainda segurava o pequeno Sam e levou-o em direção à rua e, ao mesmo tempo, bombeiros dobravam a esquina. Momentos depois, o fogo da casa estava apagado, Dean recebia assistência dos bombeiros e John estava com Sam no colo, se recusando a receber ajuda.
- O que aconteceu, papai? – Dean perguntou, na maior inocência do mundo.
- Eu não sei, filho. Mas eu vou descobrir. Vou descobrir, nem que seja a última coisa que eu faça em vida.
E foi nesse momento que o pesadelo de Dean começou. John embarcou em uma missão para encontrar quem quer que tenha feito aquilo com Mary. Nessa missão, ele conheceu monstros, espíritos, demônios e pessoas que caçavam essas coisas, que se denominavam caçadores.
Eu poderia simplesmente aparecer para o John e dizer a ele o que havia acontecido naquela noite, mas para poder aparecer para ele, eu teria que achar meu recipiente, que é um corpo humano devoto que eu possa possuir, e quando fui ao céu perguntar sobre esse meu recipiente, eles negaram meu pedido. Disseram-me que eu não poderia descer à terra naquele momento, e quando eu perguntei o porquê, eles me expulsaram do céu, dizendo para eu terminar o meu trabalho.
Foi uma grande jornada a missão de John Winchester. Ele ficou muito bom em caçar criaturas sobrenaturais, e essas criaturas sempre sabiam quem era John Winchester.
Tudo que John aprendia, ele colocava em um diário que era de seu pai, uma coisa que ele vira outro caçador fazer. Mas o propósito de escrever nesse diário era que, se acontecesse alguma coisa com ele, seus filhos saberiam um pouco do que iriam enfrentar. Sim, John levava seus dois filhos para onde quer que ele fosse. E ele ia para muitos lugares. John não tinha uma casa. Sempre que surgia uma notícia sobre alguma morte “esquisita”, ele corria atrás, investigava para saber se tinha alguma ligação com Marry e matava o monstro, espírito ou demônio que estava fazendo mortes esquisitas aparecer em notícias normais. Sempre que ele saía para caçar alguma coisa, John deixava Dean em um quarto de motel cuidando de Sam. Os dois garotos cresceram sempre assim, mudando de cidades o tempo todo, de escolas, de monstros... Eles sabiam mais que qualquer adulto normal que achava que bicho-papão era história para assustar criança teimosa.
Esse negócio de ficar mudando de cidade e escola, e viver em motéis esperando o pai voltar para o natal, sabendo que ele não voltaria, não incomodava Dean, pois ele presenciara o desespero do pai ao ver Marry queimando no teto, e ele também queria achar quem quer que tivesse feito aquilo. Por outro lado, Sam não suportava mais aquela vida. Ele tinha apenas seis meses quando tudo aconteceu e não conhecera sua mãe, por isso não sentia tanto a falta dela como Dean. Sam queria apenas uma vida normal e, um dia, um pouco mais velho, ele brigou com seu pai e se matriculou para Standford, com intuito de se formar em direito.
- Você não entende como é viver cada dia sem sua mãe, Sam. – dissera John, quando vira Sam arrumando as malas dizendo que iria parar de acompanha-lo.
- Eu sei, pai. Mas vingança não vai levar a nada. E mesmo que levasse, a quanto tempo estamos procurando a coisa que matou minha mãe? Até hoje não encontramos nada a respeito.
Dean olhava a discussão com um olhar de desespero e raiva. Ele perdera a mãe e agora perderia o irmão. O amor que ele tinha por Sam era muito grande. Talvez até maior que o amor que ele tinha por John. Eu podia sentir a dor no peito que o incomodava naquele momento. E aquela dor aumentou quando Sam dirigiu-se a ele e perguntou:
- Você vem comigo ou vai ficar?
Dean não respondeu. Ele queria mais que tudo na vida ficar ao lado de seu irmão, pois desde pequeno seu dever era mantê-lo seguro, mas não podia deixar seu pai se arriscando sozinho naquela estrada.
Sam bufou e se dirigiu a porta.
- Se você sair por essa porta, não volte nunca mais. – esbravejou John.
Eu sabia muito bem que aquelas palavras só foram ditas por causa da raiva que ele sentia. Eu poderia tirar a raiva daquela família com um simples toque, mas o meu dever era cuidar de Dean Winchester.
Sam parou por um momento segurando a maçaneta da porta, então a abriu e saiu apressado. Dean correu atrás dele.
- Dean, volte aqui! – John já não tinha raiva, tinha medo. Medo de perder tudo o que tinha na vida de uma vez só.
Dean sabia da dor que o pai sentia, mas saiu por aquela porta. Eu o acompanhei.
- SAM! – ele chamou.
- O que é?
- Sam, não vai embora.
- E por que eu não iria? Estamos a anos nessas condições. Papai nunca devia ter nos carregado com ele nessa viagem. Éramos crianças e tudo o que ele fazia era nos deixar sozinhos durante a noite em um quarto de motel. Eu quero ser normal, quero ter uma vida normal. Eu não tive escolha antes, mas agora eu tenho.
- Sammy...
- Dean, venha comigo. Vamos ter uma vida normal, eu e você.
Os olhos de Dean encheram-se de água. Apesar de toda a dificuldade, ele gostava daquela vida. Podia se sentir útil salvando pessoas e cuidando de Sam.
- Sammy, eu não posso. Papai precisa de nós. Somos tudo o que ele tem. E se você for embora, vai atrasar a caçada.
Eu simplesmente não acreditei que Dean tinha dito aquelas palavras.
- A caçada? – perguntou Sam, indignado. – Se eu for embora, eu vou atrapalhar? É por isso que você quer que eu fique?
- Não foi o que eu quis dizer...
Sam virou-se e seguiu em direção a estrada, disposto a ter uma vida normal.
Fale com o autor