Pele E Alma
2 Tocamos
Notas iniciais
É sábado, ou seja, ele ficará em casa – ao menos em grande parte do dia, assim espero. Sinto o cheiro do almoço, mas não quero descer para conferir o que é. Há visitas na sala, mais precisamente alguns tios de Mick. Um deles, o Alfredo, sempre faz brincadeiras a respeito das garotas do colégio:
– E aí Mick, pegando muitas garotas?
E eu fico ligeiramente enciumado... Ok, muito enciumado. Não estou ali para segurar a mão dele, não sou alguém real. Queria muito ser apresentado como seu namorado e passar por todas aquelas situações constrangedoras de conhecer a família e tudo o mais. Enfrentar qualquer tipo de preconceito que pudesse surgir. Agüentar as piadinhas dos parentes e viver ao seu lado, efetivamente... Queria ser mais que essa presença invisível, queria ser mais que um sonho.
Neste momento, ouço passos rápidos na escada e isso me tira do meu fluxo de pensamentos. Ele entra no quarto e “como se estivesse só” vai tirando a roupa
– Carlos, eu sei que você está aí, ok?! Por favor, tenha bons modos e feche os olhos.
Ele fala como se eu não o observasse sempre. Conheço cada pedaço desse corpo. Ele era tão magricela, mas ao mesmo tempo conseguia ter os músculos definidos, seu peito, seu abdômen, o bumbum... Obviamente, como muitas das outras vezes (lê-se: todas) trapaceei, não fechei os olhos. Aproximei- me dele, como se ele pudesse sentir meu toque. Eu não ligava de encostar os meus lábios nos lábios dele e terminar beijando seu cerebelo, ou a parede. Era divertido, de certo modo. Ele foi rápido: o banho não durou 4 minutos. Vestiu-se me contando:
– Vem vindo aí uma prima minha. Não a vejo há séculos... Estou morrendo de saudades. O nome dela é Núbia... Você deve se lembrar.
É claro que eu me lembrava. O primeiro beijo dele foi com ela. Eles tinham acabado de se mudar para cá, ela veio fazer uma “visitinha” e “aconteceu”. Sento-me na cama bufando, como se ele pudesse ver minha expressão, tentando incomodá-lo, motivar alguma reação para que ele pudesse sentir o quão me desagradava a relação dele com a “priminha”. As cortinas do quarto, de repente, se movem com um pouco de violência, e eu “nem sei o por quê...”
– Hei — disse-me ele- não precisa ficar zangado. Não há mais nada entre nós. Foi só um beijo, apenas um ‘sábado estranho’, uma experiência e, além do mais, quem eu amo é você.
Ele mandou um beijo na direção em que eu estava – ele sempre sabe onde estou! Às vezes acho que só me engana dizendo que não me vê... – E saiu.
Fiquei na cama. Não queria olhar a Núbia com aquela cara do “cotoca”, com seus cabelos loiros e sua meiguice, e seus pais dizendo como ela e Mick formavam um belo casal e todos concordando em coro “Ownn”. Deitei-me na cama, olhando o teto. Lembrei-me da minha vida de adolescente, da minha primeira vez... Perdi-me em nostalgias, as horas passaram rápido e não tardou para que o Mogli irrompesse o quarto, e fosse se vestir para dormir, para o “nosso encontro”. Ele fez suas orações e, assim que as acabou virou para o lado, adormeceu e eu estava junto dele.
– Oi meu amor- disse-me ele- senti tantas saudades.
– Oi- tentando fingir não estar alegre em vê-lo, tentando parecer indiferente. Mas aí vem ele em minha direção sorrindo, beijando-me os lábios.
– Seus beijos são os melhores — disse-me
– Qualquer um deve beijar melhor que essa Núbia e, eu nunca vi você beijando nenhuma outra pessoa...
– Entendi... Tem alguém enciumado por aqui, é isso?
Ele se enroscou no meu pescoço tentando ficar da minha altura, brincando com alguns fios de cabelo meus.
– Você sabe que eu não tenho ciúmes, só não gosto dessa pentelha. Como é que você pode beijá-la? Ela é nojenta...
– Talvez se você estivesse aparecido nos meus sonhos como hoje, desde o inicio, eu nem chegasse a beijá-la. Mas preferistes me assustar, lembra-te?
– Fui um tolo, já me desculpei por isso...
– Você está sendo um tolo. Oras, não é ela que está nos meus pensamentos enquanto faço qualquer outra coisa, assim como não é ela que está em meus sonhos, enquanto durmo. Ela nunca ocupará o lugar que é seu, na minha mente e no meu coração.
Ele sempre vem com alguma resposta que me deixa sem ter o que dizer em seguida. Eu poderia chorar neste exato momento.
– Ok, me desculpe, mais uma vez – eu disse chateado, mas tentando parecer conformado.
Segurei seus braços e os desenrolei de mim, ainda tentando controlar minhas emoções. Fiquei de costas para ele. Novamente, meu Mogli se aproximou, abraçando-me pelas costas: um braço se prendeu no meu ombro enquanto o outro me envolveu na barriga. Ele beijava minha nuca, enquanto sua mão ia descendo pela barriga, descendo, descendo...
– Você não quer me dar ouvidos, não é mesmo Carlos? Pois bem, agora terei de apelar...
Sua mão esquerda encontrou o botão da minha calça jeans e o desabotoou. Posteriormente, ágil, seguiu para o zíper, puxando-o para baixo, até o fim. Agora as duas mãos trabalhavam para penetrar minha cueca, enquanto a boca se ocupava em morder minhas costas largas. Tudo em mim, naquele instante, era feito de prazer e arrepios. O coloquei em frente a mim, segurando seu rosto em minhas mãos:
– Você realmente consegue tudo aquilo que você quer, não é mesmo meu pequeno Mogli? – disse eu olhando-o nos olhos.
– Tud...
Ele não terminou de responder, não deixei: minha língua já agia veloz dentro de sua boca, nossos lábios chegavam a parecer violentos. Eu o abraçava pela cintura enquanto ele se segurava em meus ombros.
O deitei com cuidado no chão. Suas pernas e braços ainda estavam presos em mim. Olhei-o nos olhos por um breve instante... Talvez não acreditando em como aquela magia toda (magia louca) acontecia, pensando no quão sortudo tem sido eu por ainda sentir tamanho prazer mesmo depois de... “Ah, existe, com certeza, muita vida após a morte!”
Uma lufada quente vinda de seus lábios me atingiu a face. Fiquei entorpecido por este aroma quase doce, que não me permitiu pensar mais em nada. Logo em seguida dei o presente à minha língua de experimentar, novamente, o sabor daquele pescoço, daquela pele que queimava junto a minha. Ele me empurrou de lado e, logo em seguida, ficou em cima do meu corpo. Deixei o Mogli pensar que tinha força física para me dominar — e eu gostava de me ver domado por ele, só por ele.
A essa altura, já estávamos completamente nus e ambos transpirávamos prazer. Ele beijava meu tórax, meu abdômen. Sua língua brincava com meu umbigo, fazia cócegas de deixar meus pêlos ouriçados. Sua língua continuava a descer e eu sabia que em questão de segundos sua boca iria chegar ao ponto... No ponto de, de... Ah... Ah... Ah... Me explodir!
Quase lá.
Neste momento, um tremor começou a tomar conta de tudo e, eu me senti como uma fogueira sendo mergulhada dentro de um mar gelado. Quando caí em mim, estava imerso novamente dentro da “realidade”, em pé ao lado da cama, totalmente nu e ‘ereto’, quase tocando minha “sogra” que tentava acordar Mick.
– Mick, filho, acorde... Já são 10 horas e sua prima o aguarda na sala. Vamos, levante-se!
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