Pelas Ruínas de Um Império
4 O ataque aos hunos
Após uma semana caminhando para o sul, ao longo do rio Vístula, na terra de vastas planícies da Scythia, junto ao punhado de guerreiros nórdicos que nossos guerreiros conseguiram na Escandinávia:
—Eu não estou gostando nada disto. -Fala Marcius.
—O que foi? -Pergunta Aurel.
—Bom, você ao menos sabe onde estamos? Já passamos por florestas, penhascos, cascatas, mas não encontramos nenhuma civilização. Nenhuma aldeia. E para piorar, os exércitos que nós fomos buscar na Scandza, acabou sendo uma simples manípula de homens. Não valeu nem um pouco a pena.
—Não seja dramático, Marcius. O deuses nos mandaram para lá por algum motivo e eu confio nas palavras do xamã da minha aldeia, ele é sábio e sempre sabe o que fala. E mais: para a missão que eu estou pensando agora, não precisamos de um exército.
—Não precisa? Então diga-me: em que missão está pensando?
—Espionagem. Nós só precisamos achar uma aldeia e espioná-la, para descobrir o que eles sabem sobre as invasões. Não se esqueça que estamos no território dos Veneti, que eu ouvi que formaram uma aliança com os hunos. E logo acharemos uma vila. Só precisamos continuar seguindo o rio.
Algumas horas depois, o grupo finalmente avista uma aldeia à margem do rio, que ocupava um grande banco coberto de grama que era cercado por uma grande floresta. O dia estava ensolarado.
—Muito bem, para esta missão dar certo, precisaremos ir com o mínimo de gente possível até a aldeia. Alguém aí fala a língua dos veneti? -Pergunta a bárbara.
—Você está com sorte. Por graça de Zeus, meu subalterno fala a língua veneti e muitas outras. -Fala Arcmênidas. -Cassiodoro aprendeu um número incontável de línguas ao longo de sua vida viajando pelo mundo.
—É verdade. Posso ajudar sem problemas. -Fala Cassiodoro.
—Ótimo. Então, vamos entrar na vila eu, Cassiodoro, Marcius e Arthanna. -Fala Aurel.
—Não, você não pode. Você é uma bárbara, deve fazer muito barulho. Deixe isto comigo. -Fala Arcmênidas. -Além disso, o subalterno é meu.
—Muito audaz, Arcmênidas, mas você se esqueceu que eu fui quem bolou o plano, portanto, eu é quem sei o que fazer. -Fala Aurel.
—Uau. Tudo bem, então, pois vá. Quero ver se seu plano vai dar certo.
—Pode ter certeza. -Fala Aurel.
Assim, os quatro se aproximam da aldeia lentamente. Eles passam sorrateiramente pelas casas de madeira e pelas tendas. A aldeia não possuía muros. Possuía um cercado com javalis, alguns totens pagãos e um grande centro aberto onde haviam várias pessoas conduzindo algumas atividades, como tecer, entalhar, descascar peixes, etc. Havia uma grande cabana um pouco maior de frente para o centro da vila. Eles entram lá por uma janela lateral.
—Ok, espero que ninguém tenha nos visto. -Fala Arthanna. -Agora, diga, o que devemos fazer agora?
—É simples: só temos que vasculhar a cabana e ver se não achamos nada que nos dê uma pista de onde os hunos estão planejando invadir primeiro, onde eles estão se reunindo e treinando e quando planejam reunir um conselho estratégico, qualquer coisa.
—Sinceramente, achei que já soubesse dessas coisas antes de nos obrigar a te ajudar nesta missão.
—Infelizmente eu não sabia. O que eu sabia era que os hunos atacariam. E isto já basta.
—Isso se você realmente está certa sobre isso. -Fala Marcius vasculhando a cabana. -Agora nós vamos ver se realmente é verdade que eles retornaram, ou apenas delírio seu. -Fala Marcius, quando sem querer, derruba uma pilha de artefatos e bugigangas e, no meio delas, acha um arco recurvo.
—Marcius tome cuidado... espere, veja isso! -Ela fala sobre o arco recurvo e depois o pegando. -Este tipo de arma é usado apenas pelas tribos nômades do Leste, entre as quais estão incluídos os hunos. -Fala a alamana.
—Ora, isto não quer dizer nada. Alguém desta aldeia pode simplesmente ter comercializado esta arma com alguma tribo nômade.
—É, mas eu não acho que seja só isso. -Fala Arthanna, abrindo um baú que ela achara escondido. Dentro dele havia incontáveis moedas de bronze e ouro. -Essas moedas têm um rosto nelas. E este rosto parece ser de um huno.
Os outros se aproximam e observam.
—Exato. Nenhuma outra tribo do leste possui estas características, como este crânio alongado por exemplo.
—Oh, não pode ser. Parece que você estava certa afinal de contas, Aurel. -Fala Marcius surpreso.
—Viu? Eu falei! Eu sempre soube! -Fala Aurel. Mas se o líder desta tribo tem conexões com os hunos, estão podemos descobrir informações sobre eles.
—Parece que é aí que eu entro. -Fala Cassiodoro.
Logo a porta se abre lentamente e entra um homem alto e loiro, mas sem muita barba, que parecia ser o líder daquela aldeia e o que morava naquela grande cabana.
—Quem está aí? Eu ouvi um barulho! -Ele grita em sua língua. Ele vasculha sua casa, mas não acha ninguém. Ele anda atentamente pelo interior, procurando qualquer invasor, e logo, das sombras sai Aurel, agarrando-o pelo pescoço, o mobilizando e bloqueando sua boca.
—Não pense em nenhum tipo de gracinha, se não você morre, bárbaro. -Fala Cassiodoro, que aparece logo depois. -Sabemos que vocês se aliaram aos hunos e planejam se juntar a eles em uma grande invasão ao oeste. Por que uma tribo com tão pouco em comum com eles e pacífica, ficaria do lado destes seres malignos? Quem é você? E onde os hunos se reúnem? Mas antes de deixarmos você falar, não pense em gritar, ou arrancaremos sua cabeça.
Assim, Aurel libera sua boca.
—Eu nunca vou falar nada. -Fala ele. Aurel então raspa a lâmina de seu machado em seu rosto fazendo um corte.
—Se quer ver sua família novamente, eu sugiro que fale. -Fala Cassiodoro. -Não estamos brincando.
—Pelos deuses! Tudo bem, eu falo. Sou Vlakslav, líder da tribo dos Sklats. Até onde eu sei, os hunos estão fazendo a sede de seu poder em Sklavenir, na encosta sul dos Montes Cárpatos, na bacia do rio Naparis.
—Pelo Senhor! -Fala Marcius depois de Cassiodoro traduzir para ele. -Este lugar fica há mais de um mês de distância daqui!
—Sim, e isto é algum problema? -Pergunta Aurel.
—É sim. Eu tinha combinado com o Arcmênidas que depois de um mês nesta aventura com você, nós já teríamos terminado, ou daríamos o fora. Caso não se lembre, temos uma missão importante para cumprir por Roma.
—Então, vocês vão nos deixar agora?
—Não. Eu fiz essa promessa acreditando que os hunos não estivessem mesmo de volta. Mas você me provou que estão, então, quero impedi-los.
—Fico feliz. -Fala Aurel sorrindo.
—Tem mais alguma coisa que queira nos contar? Como quando eles pretendem atacar, ou algo parecido?
—Eu... eu não sei! Só sei que farão um encontro tático em alguns dias, no qual todas as tribos que se aliaram aos hunos participarão, inclusive eu.
—Ótimo, então os faremos uma visitinha lá. -Fala Arthanna.
—Ok, agora diga por que se aliaram aos hunos? -Fala Cassiodoro para o líder da aldeia.
—É simples: eles nos subornaram com ouro, como podem ter visto. Eles nos prometeram muito mais: glória, terras, poder, mas tudo que eu quero é paz. Derrotem eles por mim. Só me aliei por pressão de outras tribos e por medo dos hunos... Ahghh!! -O homem para de falar quando recebe uma flechada na nuca e jaz morto logo depois. Eles olham para a porta da cabana e veem um homem baixo e robusto, com olhos pequenos e negros. Era um huno.
—Não acredito, um huno em carne e osso! -Fala Marcius.
Ele sai correndo do local desesperadamente e vai até seu cavalo que era pequeno e diferente e estava dentro de um cercado com outros cavalos. Os heróis saem correndo atrás dele o mais rápido possível.
—Deixem aquele huno comigo! -Fala Arthanna, subindo em outro cavalo do cercado e seguindo o huno para longe da vila, até sumirem ambos da vista do restante.
Arthanna persegue o huno pela planície inacabável a uma velocidade incrível. O huno pega seu arco e flecha e a dispara na direção de Arthanna, que desvia pondo a cabeça para o lado. Ela pega seu arco e flecha também e dispara e o huno desvia também.
—Não vou deixar você escapar, desgraçado! Posso não ser tão boa no arco e cavalo como vocês, mas eu me viro! -Ela fala.
Ele dispara uma flecha na direção do cavalo, e a bretã o faz desviar rapidamente. Ela dispara no cavalo huno e o seu dono o faz dar um salto desviando do projétil. Ele tenta fazer várias curvas, dificultando a perseguição e quase despistando a heroína. O vento batia forte no rosto de Arthanna fazendo seu cabelo voar conforme as árvores passavam como vultos por eles. Ela puxa uma flecha e calcula o movimento do huno, disparando para uma direção longe dele, mas ele logo faz uma curva e sem ver a flecha, a toma nas costas e cai no chão. Arthanna para logo depois.
—Por que você matou o seu próprio aliado?
—Porque ele falou demais sobre nós. Agora preciso voltar ao reino para informar ao meu rei que a nossa localização está comprometida.
—Pena que nunca mais verá aquele lugar, criatura imunda. -Arthanna enfia uma flecha em sua boca e, depois de cuspir muito sangue, o huno finalmente morre.
Algum tempo depois, Arthanna volta com o homem morto nas costas do cavalo. A vila estava toda em pânico por seu novo líder ter acabado de morrer.
—Eu consegui matar o huno.
—Incrível Arthanna. Superou o huno tanto no cavalo quanto no arco. Deve estar orgulhosa. -Fala Arcmênidas.
—Obrigada. Só fiz como fui treinada. -Fala ela. -O que vocês vieram fazer na aldeia? -Pergunta ela ao ver que todo o resto da equipe já estava lá.
—Vimos que o povo tinha ficado em pânico e dois cavalos correndo que nem loucos para longe da aldeia e resolvemos vir ver o que estava acontecendo.
—Muito bem. Pois já temos nosso plano de ação. -Fala Arthanna. -O homem nos providenciou a localização dos Hunos e eu nos providenciei um disfarce. Agora só temos que ir até lá, nos infiltrar no encontro tático que eles farão, assassinar todos os líderes e estará feito.
—E esta aldeia? -Pergunta Marcius. -Eles acabaram de ficar sem um líder.
—Bom, eu... -Aurel fala, mas é interrompida por uma senhora daquela aldeia.
—Obrigada, meus guerreiros! -Eu era mulher do homem morto pelo huno. Vocês mataram o huno que mantinha nossa tribo sob pressão e que constantemente ameaçava de chamar um exército para nos dizimar se nos recusássemos a lutar ao lado deles. E agora vocês o mataram. O meu filho é velho e forte, pode suceder meu marido Vlakslav na liderança. O que podemos fazer em troca?
Após Cassiodoro traduzir para Aurel suas palavras, ela fala:
—Não é necessário nada, minha senhora. Muito obrigado!
—Ah menos que queiram nos fornecer roupas da sua tribo para nos infiltrarmos entre os hunos e espioná-los. -Fala Arthanna e Cassiodoro traduz.
—O quê? Tudo bem, como quiserem.
Eles ganham uma roupa de líder da tribo e guardam o corpo do huno morto em uma das carroças.
Assim, ao anoitecer, eles partem daquela aldeia, rumo à cidade de Sklavenir.
—Certo. Então quer dizer que você sabe como chegar na cidade que falaram dos hunos, Marcius?
—Sim. Como general romano, eu tive de aprender toda a geografia desta terra. E o lugar onde descreveram a localização desta cidade não é muito difícil de achar, apesar de longe. O problema é que também não será simples. Teremos que atravessar as mais selvagens e perigosas terras desta vasta parte do mundo que chamam de Europa.
—E que terras são essas? -Pergunta o grego.
Quando eles chegam no topo de uma colina, Marcius aponta para o além longínquo.
—Está vendo aquelas montanhas no mais distante horizonte?
Arc vê uma pequena silhueta de montes pontiagudos que de tão longe, quase se mesclavam com o azul do céu.
—Acho que estou.
—Aqueles são as montes Cárpatos. São montanhas altas, encobertas de florestas, escuridão, animais selvagens e passagens perigosas. E o nosso destino está do outro lado delas.
—Glup. -Fala Arcmênidas.
—Bem, vamos lá. Não vamos chegar até as terras dos hunos conversando. -Fala Aurel.
—Está vendo, Gunnar? Parece que estão falando de atravessar umas montanhas para chegar até o lugar desejado. -Fala um dos nórdicos ao seu líder Gunnar.
—Eu sei, Skard. Mas pode ter certeza que haverá muitas batalhas e pilhagens para nós do outro lado destas montanhas.
—Sim, eu acredito.
Assim, eles se aproximam das montanhas. Eles seguem por estradas que penetram para o interior da região montanhosa, passando por passagens montanhosas entre rochedos e penhascos extremamente altos e, depois de dois dias, eles se vêm entrando em uma densa e expeça floresta, com árvores de conífera tão altas e aglomeradas, que as luzes solares mal passavam. Eles olham para dentro da floresta, além da estrada e veem vários olhos vermelhos e malignos os observando das sombras.
—Mas que droga. Eu não estou gostando nada disso. -Fala Arthanna.
—Eu também não. -Fala Arcmênidas.
Eles veem alguns morcegos voando por cima das suas cabeças.
—Malditos demônios. Estamos em uma terra amaldiçoada. -Fala Marcius.
Eles param perto de um riacho e bebem alguma água e reabastecem seus cantis.
Acho que podemos armar nosso acampamento aqui. -Fala Aurel.
Arthanna atira sua flecha para cima, e logo, cai um morcego com a sua flecha cravada no peito.
—Que criaturas horrendas. Na Bretanha não existe nada disso. E aqui, eles existem aos montes.
—Cuidado com isto, Arthanna. Ouvi dizer que estas criaturas gostam de se alimentar de sangue. -Fala Aurel.
—Pode deixar. Acho que vou caçar cervos para nos alimentarmos.
—Não vá muito longe. Não é difícil de se perder aqui.
Logo, eles estão descansando no acampamento já montado, enquanto alguns nórdicos treinavam seu combate com machado. Logo Gunnar lança seu oponente longe, em cima da tigela de comida de Marcius.
—Ei, seus miseráveis! Cuidado! -Grita o romano. -Por Deus. Seu povo é civilizado ante estes homens, Aurel. Por sorte eles serão de utilidade contra os hunos.
—Sabe o que eu acho? Está na hora de ocuparmos estes nórdicos ensinando-lhes latim. Assim, eles podem se comunicar conosco.
—Acho uma boa ideia.
—Por sorte eu lembro de algumas palavras em dinamarquês para chamá-los. Félagi! Koma Hí!
Algum tempo depois, quando Aurel e Marcius estão tentando ensinar latim a Gunnar e alguns de seus amigos, Arthanna aparece com um cervo morto nas costas. Arcmênidas dormia com os pés para fora em sua tenda.
—Nossa, você realmente conseguiu caçar alguma coisa. Impressionante. -Fala Marcius.
—Eu sou boa nisso, eu sei. -Fala a bretã.
Aurel acorda pela madrugada com uivos incrivelmente altos e escuta alguns grunhidos. Ela fica perturbada por um tempo, mas finalmente consegue voltar a dormir.
No dia seguinte, perto do meio dia, eles acordam e almoçam. Enquanto comem, Aurel fala:
—É o seguinte, companheiros: nós descansamos por bastante tempo até. Mas acredito que devemos partir agora e caminhar por dois dias direto. Sinto que existem muitos animais perigosos por esta floresta e quanto mais rápido nos a deixarmos, melhor.
Marcius não gosta da ideia e fala:
—Dois dias direto? Está maluca? Quem a elegeu líder aqui? -Fala Marcius.
—Eu digo para fazermos como estou dizendo!
—Mas você não pode exigir estas coisas de todos esperando que acatem cegamente, sem saber se é o que todos querem. E ninguém a elegeu líder aqui. Você vem nos comandando desde o início.
—Talvez seja porque eu que montei esta equipe e se não fosse por mim, não haveria ninguém para se opor aos hunos.
—Você? Eu é quem sei o caminho para chegar à terra deles. Eu quem sei! Você acha que tem capacidade para liderar um time? Que é esperta? Estrategista? Você é só uma bárbara. Você só sabe destruir as coisas e matar pessoas! Seu tipo não serve para nada mais!
—Ei, Marcius, agora acho que você já está pegando pesado. -Fala Arcmênidas. -Vamos só ouvir a moça.
—Uma bárbara? É só isto que eu sou para você? Por isso você é melhor e eu não posso ser a líder? Típico pensamento de um romano estúpido como você. -Ela se vira e continua andando pela floresta.
—Tudo bem, bárbara. Então vamos obedecer a você. -Vamos todos pessoal.
—Aí Marcius, talvez você queira pedir desculpas para ela. -Fala Arthanna. -Não é só porque ela é uma bárbara que ela não tenha a capacidade de nos liderar, ou você mais do que ela.
—Mas é este pensamento que está destruindo Roma! Bárbaros estão assumindo altos cargos dentro do exército e da política. É por isto que o Império está decaindo!
—Entenda que talvez você tenha exagerado. Pense por um segundo: gostaria que te julgassem por algo que você já nasceu sendo? Ela tem emoções como você. -Arthanna fala indo embora.
—Por Deus!
Na noite daquele dia, eles começam a ouvir novamente uivos muito altos. Morcegos voavam perto dos seus ouvidos a todo o momento.
—Estes são os mesmo uivos que eu escutei ontem à noite.
—Lobos novamente! -Fala Arcmênidas.
Logo os uivos começam a se aproximar e eles voltam a ver os olhos vermelhos da escuridão. Arthanna olha para cima e vê a lua cheia atrás das copas das árvores.
—Acho melhor nos apressarmos. -Fala Aurel.
Eles começam a andar mais rápido, até que um lobo horrível, assustador e negro sai do meio das árvores e corre em direção aos heróis. Arcmênidas arremessa uma lança na cabeça do animal, e a recolhe quando passam por ele. Logo lobos começam a cercá-los e aparecer atrás e dos lados da caravana. O time mata alguns deles, mas eles ainda eram muitos e enormes.
—Precisamos despistá-los. -Fala Arcmênidas.
—Mas como faremos isto? Pergunta Arthanna.
—Precisamos achar uma ponte e quando a tivermos atravessado, nós a destruímos e ficamos separados deles! -Fala Aurel.
—Boa ideia. Mas será que esta terra é civilizada suficiente para ter uma ponte?
—Acredito que sim, todos os povos as constroem em suas trilhas. E estamos andando em uma agora!
—Então vamos.
Por sorte, eles se deparam com uma ponte de madeira sobre uma curta passagem do rio logo depois. O matilha de lobos cercava a equipe e um animal pula para avançar em Arthanna, mas Arcmênidas pula em cima do animal e lhe dá uma facada nas costas. A comitiva inteira atravessa a ponte.
—Não deixem que eles avancem nos cavalos! Protejam-nos!
Um lobo conseguia se aproximar de um cavalo assustado e estava pronto para atacá-lo, quando Marcius aparece e o protege com seu escudo. Ele então, enfia sua espada na barriga da fera.
—Vamos, Gunnar! Vamos mostrar como se luta contra estas criaturas no Norte! -Fala um companheiro do nórdico.
Assim, ele corre para o centro da matilha ferozmente, matando todos os lobos que avançam nele, sofrendo várias mordidas, mas não ligando para elas, enquanto berrava. Logo, os outros guerreiros nórdicos mergulham na matilha também, mergulhando suas armas na carne dos animais ao seu redor. Gunnar estava pronto para correr também, mas Aurel segura seu obro e fala:
—Não Gunnar! Preciso da sua ajuda para destruir a ponte!
—An... Eu entendo muito pouco da sua língua ainda, mas acho que você pediu minha ajuda para destruir algo, e eu estou nessa!
Assim, eles vão até a ponte e tiram seus machados para atingir as estruturas de madeira na base dela. Arthanna dispara com seu arco longo nos animais do outro lado da ponte. Cassiodoro a ajudava, disparando com não tanta precisão. Eles continuam atravessando e um deles consegue atravessar, pronto para atacar Aurel, mas Nikos atira sua lança na criatura, que cai no rio com a arma cravada em seu corpo.
—Droga, perdi minha arma! -Fala o grego.
—Precisamos de mais artilharia agora, ou não vamos conseguir atirar em todos os lobos que estão atravessando a ponte antes de Aurel e Gunnar destruírem-na!
—Mas onde consegui... Ah, é claro, o arco e flecha do Huno que nós temos em uma de nossas carroças. -Fala Marcius.
Ele vai correndo até a carroça com o corpo do Huno e se depara com o cadáver começando a se decompor e feder.
—Mas que nojo! Por que ainda mantemos este corpo pútrido?
Ele então pega o arco recurvo do guerreiro e sua aljava.
Ele chega até a ponte e começa a atirar junto com Cassiodoro e Arthanna. As flechas naquele arco saem muito mais poderosas e velozes.
—Uau! Gostei deste arco! -Ele fala.
Assim, eles conseguem conter a matilha que tentava atravessar e, logo, Gunnar e Aurel conseguem destruir a ponte, fazendo os animais que estavam sobre ela caírem no rio. Finalmente, a corrente de água separa a matilha da equipe.
—Será que o plano funcionou? -Pergunta Arthanna.
Logo, um lobo surge do meio da mata atrás deles do nada e avança em Aurel. Marcius vê aquilo e com reflexos apurados, atira uma flecha no animal, que cai nos pés da bárbara.
—O-obrigado, Marcius.
—Não tem de quê, Aurel. Mais uma coisa: Eu andei pensando naquilo que eu falei de você e, sinto muito. Eu errei! Não é porque você é uma bárbara que você não pode liderar, nem ter planos, ou qualquer coisa assim. Ninguém merece ser considerado inferior. Todos pensamos da mesma forma e nos magoamos da mesma forma.
—Puxa, obrigado, Marcius. Fico muito feliz que tenha passado a pensar desta forma! -Fala Aurel feliz.
—Legal! Fico feliz que tenham se entendido. -Diz Arthanna.
Logo, mais lobos começam a surgir da mata atrás deles.
—É, parece que o plano da ponte não funcionou! -Fala Arcmênidas.
—Estes animais devem estar famintos! É a única razão para eles estarem tão dispostos a nos atacar! -Fala Arthanna.
—Pois então vamos dar carne a eles! -Fala Marcius. -Vamos jogar aquele huno morto na nossa carroça a eles e assim, despistá-los!
—Mas precisamos da roupa dele! -Fala Arthanna.
—Bem, então tiraremos a roupa antes.
—Ah, por Deus... -Fala Arthanna.
—Logo, o cadáver está despido e é jogado aos animais. Eles param de atacar a comitiva para se aglomerar em volta do corpo do huno, enquanto a comitiva vai embora.
—Conseguimos! -Exclama Arcmênidas.
—Sim, mas tivemos que despir um huno morto. Isto não foi nada agradável. -Reclama Arthanna.
Na manhã seguinte, eles deixam o bosque, apenas para se depararem andando sobre uma estada na beirada de um imenso rochedo. Estrada era estreita e eles podiam apenas andar um atrás do outro e ninguém podia andar ao lado de uma carroça. Eles veem o sol nascendo a leste, atrás de fileiras e mais fileiras de montanhas com picos pontudos e rochosos. Marcius olha para baixo e vê seu pé na beirada da estrada, soltando uma pequena pedra que cai em direção a uma verde e densa floresta distante e profunda abaixo.
—Tomem cuidado agora, pessoal. Um deslize e pode ser seu fim. -Fala o romano.
—Droga, parece que deixamos uma parte ruim para trás para encontrar uma ainda pior! -Fala Arcmênidas.
A estrada ia à beirada de várias montanhas, às vezes ficando mais larga e as vezes mais estreita.
—Calma! Daqui a algumas horas nós deixaremos esta estrada na beira do rochedo e encontraremos algumas mais seguras. -Fala Marcius.
—Puxa, meus pés estão me matando já. -Fala Nikos.
—É bom este lugar para onde a gente vai ter um monte de ouro pra pilharmos, Gunnar!
—Eu também espero! -Fala o nórdico à frente do guerreiro que falou aquilo.
Logo, a estrada vai parar no topo de uma colina, ficando mais segura. Quando o sol está no pico, eles se deparam com o caminho descendo as montanhas e veem uma paisagem extremamente grande e distante de um vale, atrás dos cumes montanhosos.
—Parece que estamos finalmente chegando ao fim das montanhas! -Fala Marcius. -Até o sol estar próximo do horizonte, nós estaremos na planície e teremos deixado estas montanhas infernais. E estaremos perto da cidade onde o aldeão veneti disse que os hunos estão.
—Finalmente! -Fala Arthanna.
—Se querem saber, acho que podemos descansar aqui e agora! -Fala Aurel.
—Até que enfim! -Fala Arcmênidas.
Assim, eles montam o acampamento, acendem o fogo, jantam, treinam e continuam ensinando latim aos nórdicos. Logo chega o por do sol e vão todos dormir. À manhã, todos dormem até a hora que lhes agrada e quando estão todos acordados, eles desmontam o acampamento e continuam descendo as montanhas. O paisagem estava coberta por uma espessa neblina, que vai embora perto do meio-dia. Naquele ponto estavam todos apenas com roupas de tecido, sem usar suas armaduras.
—Acho que está na hora de vestirmos nossas armaduras, pessoal. -Fala Aurel. -E alguém terá que vestir as roupas e equipamentos do huno, pois estamos quase chegando perto do destino.
—Deixe isto comigo, já que eu é quem consigo falar a língua do inimigo. -Fala Cassiodoro.
Logo, estão todos usando armadura.
—Isto nunca vai funcionar! -Fala Marcius. -Nunca ouvi falar de um plano insano como este.
—Se disfarçar como o inimigo? -Pergunta Arthanna.
—Exatamente isto! -Fala Marcius.
—Vai funcionar. Eu garanto. -Fala a arqueira. -Ah, e alguém tem que se vestir como o rei veneti com as roupas que conseguimos na aldeia em que matamos o huno.
—Você realmente acha que eles não vão perceber que não somos parte da raça que estamos nos desfaçando?
—É o plano. E você deveria estar rezando para que ele dê certo. -Fala a bretã.
Logo eles chegam na planície e Cassiodoro está vestido como Veneti e Arcmênidas como huno.
—Não acredito que estou fazendo isto. -Fala Arc. -Eu me sinto ridículo. E se eles perceberem que não somos quem alegamos ser? Eu não sei falar huno.
—O senhor não precisa falar nada, chefe. Deixe comigo. -Fala Cassiodoro.
Logo, eles veem ao longe na planície um grupo de cavaleiros se aproximando.
—Parecem que são inimigos! Entrem logo nas carroças! Eu me passarei por escrava para dirigir a terceira carruagem e eles não suspeitarão. -Fala Aurel.
Logo, os cavaleiros chegam. Eram cinco guerreiros veneti, acompanhados por dois hunos. Eles se aproximam da comitiva de nossos heróis e se deparam com três carroças, uma sendo dirigida por um huno, uma por um veneti e outra por uma germânica. O líder veneti se aproxima do veneti da comitiva e pergunta:
—Saudações companheiros! Vejo que também estão se dirigindo para a cidade de Sklavenir para a reunião com Leozir, o huno.
—Sim, estamos! -Fala Cassiodoro. -Estou com minha escrava alamana, e meu aliado huno e viemos da tribo dos Sklats.
—Ah, você é o líder dos Sklats? Ouvi falar muito deles, até conheci um sklat na juventude, mas o sotaque dele era bem diferente.
—É, mesmo? Bem, não sei dizer o porquê disto. Acho que ele havia passado muito tempo com outras tribos.
—É pode ser. E este é seu companheiro huno? -Pergunta ele se dirigindo para Arcmênidas vestido de huno. O espartano dá um sorriso desconfortável para ele.
—Sim, ele é. Ele estava me guiando para Sklavenir, mas infelizmente ele perdeu o mapa e não se lembra mais do caminho a partir desta região. Se quiserem nos levar até lá, seria apreciado.
—Levaremos. Mas por que ele não fala nada?
—Ele é mudo, amigo. Perdeu a língua lutando contra uns inimigos há alguns anos. Pobre infeliz. Agora ele se comunica apenas com sinais.
—Ah, certo, entendi. Bom, sigam-nos. Chegaremos a Sklavenir daqui há algumas horas. A propósito, achei sua escrava muito bela.
—Obrigado. Ela é de fato.
Assim, eles partem para a cidade dos Hunos. Algum tempo depois, eles começam a ver outras comitivas cheias de carroças e guerreiros, se aglomerando pelo caminho, conforme eles chegam mais perto. Logo eles avistam a cidade à frente. Ela possuía várias casas de madeira e tendas e toldos, um grande palácio no centro e, ainda dentro dos muros da cidade, mas bastante afastado em um vasto campo, havia um enorme acampamento militar, com cercados para cavalos, várias tendas e muitos campos de treinamento, além de uma enorme barraca principal. Quando eles entram na cidade, eles são levados até uma cabana no centro urbano. Os cavalos e as carroças ficavam dentro da grande cabana junto com eles.
—Fiquem aqui esta noite. Amanhã ao meio-dia, nós todos nos reuniremos no acampamento militar, na cabana principal para a reunião estratégica. Não se esqueçam de comparecer! -Fala o Veneti inimigo para Cassiodoro.
—Estaremos lá, compatriota. Até lá.
Assim, o homem vai embora.
—Ufa! -Não aguentava mais fingir ser um huno. Eu não estou acostumado a este tipo de missão! -Fala Arcmênidas.
—Bem, o importante é que deu certo. -Fala Aurel.
—Puxa vida! Nunca vi uma cidade bárbara tão grande assim, nem com tantos guerreiros! -Fala Marcius saindo de dentro da carroça junto com os demais guerreiros.
—É porque ela serve para abrigar incontáveis exércitos. Comitivas de diversas tribos e seus guerreiros estão vindo para cá, para a reunião de amanhã, aparentemente. -Responde Aurel.
—Parece inacreditável que os hunos conseguiram tantas outras tribos como aliados. É muito mais do que eu esperava. -Fala Arthanna.
—Eu posso dizer o mesmo. -Fala Marcius.
—Eu só sei que não aguentava mais ficar dentro daquela carroça. -Fala Gunnar com um latim desajeitado.
—Olha só, sua primeira frase inteira na nossa língua. -Fala Aurel.
—Delendas! Delendas! -Fala o dinamarquês.
—Ah, vejo que é palavra que você melhor aprendeu. -Fala Marcius. -Destruir. Infelizmente, por hora temos que ser furtivos e nos infiltrar na reunião de amanhã e descobrir o que eles planejam. Depois podemos destruí-los.
—Certo, eu tenho um plano. -Fala Aurel. -Vamos nos dividir em dois grupos. Eu, como escrava, Arcmênidas como huno e Cassiodoro como veneti entramos na reunião e ouvimos os planos de guerra deles! O restante se infiltra dentro da cabana tática em algum lugar e espera nós darmos o sinal para atacarem.
—Mas como faremos isto sem disfarces? -Pergunta Arthanna.
—A única opção é nós entrarmos lá antes do amanhecer e esperarmos lá. -Fala Marcius. -Nos infiltraremos e atacaremos de dentro.
—Uhh. Igual ao Cavalo de Troia. Gostei. -Fala Arcmênidas.
—Puxa, que desagradável. -Fala Arthanna.
—E como entenderemos a língua deles? Ninguém aqui fala huno. -Fala Marcius.
—Pois então não se preocupe, eu tentarei convencer o líder huno a falar em veneti e eu entenderei. -Fala Cassiodoro.
Assim, pouco antes do amanhecer, Marcius, Arthanna, Nikos, Gunnar e os todos os outros nórdicos saem da cabana e se dirigem para o acampamento militar, passando pelo centro da cidade, ondem havia guerreiros dormindo nas ruas e perto da fogueira central, onde eles haviam festejado na noite seguinte. Havia poucos guardas nas ruas pois a maioria estava vigiando a parte de fora da cidade.
—Tentem fazer silêncio, agora, nórdicos. Os guardas são poucos, mas toda a furtividade é pouca.
—Ahn? -Falam os nórdicos.
—Silentium! Silentium! -Fala Arthanna.
—Ahh. -Falam os nórdicos, entendendo agora.
Eles deixam a cidade principal, atravessando o grande campo e entrando no acampamento militar. Eles entram na maior tenta que havia lá, a tenta tática e, ao adentrá-la, se deparam com vários cômodos. O cômodo principal era onde ficava uma enorme e retangular mesa de reuniões com vparias cadeiras ao seu redor.
—Agora nós é quem vamos nos dividir em grupos. -Fala Marcius. — Arthanna e os nórdicos ficam embaixo da mesa principal. Eu e Nikos ficamos no cômodo menor escondidos atrás das coisas. E então, esperaremos a reunião começar.
Próximo ao meio dia daquele dia, de volta aos seus disfarces os três se aproximam do veneti que viram no dia anterior que estava com seus guerreiros.
—Ah, compatriota, olá. -Fala Cassiodoro.
—Olá amigo. Em que posso ajudá-lo?
—Escute, eu não falo huno, mas acredito que o grande chefe... como é seu nome? A é, Leozir, fale veneti. Será que poderia pedir para ele falar a nossa língua neste discurso?
—Ué, mas o huno que ficava com você na sua tribo não lhe ensinou?
Cassiodoro engole em seco.
—Er... ele me ensinou pouco.
—Haha! Tudo bem, eu farei isto. Afinal, os veneti são os maiores aliados e Leozir gosta muito de nós. Com certeza o convencerei a discursar em nossa língua franca. Além disso, há muitas tribos veneti pelo que vi ontem que também não falam huno. Será muito útil. Aliás, meu nome é Dragomir e não sou só um chefe veneti qualquer, mas líder de toda a confederação. Conheci Leozir há alguns anos e forjei nossa aliança memorável com ele às margens do rio Suevus. E o seu nome?
—Ah, é Vlakslav. É isto.
—Tudo bem, Vlakslav. Agora vamos, está na hora de irmos para a reunião tática.
—Sim, mal posso esperar! -Fala Cassiodoro em um entusiasmo fingido.
Logo, na imensa tenta tática, estão todos os representantes das tribos aliadas aos hunos reunidos. Dragomir tenta convencer o líder huno a discursar em veneti e ele relutante, aceita.
—Eu tenho muitos aliados que vem do leste distante, que não falam veneti e não possuímos uma língua que todos compartilhemos, mas creio que já estejam mais bem informados dos nossos planos do que seu povo. Não há problema.
O líder huno de nome Leozir ficava na ponta da mesa, montado em cima de uma cavalo, como era costume dos hunos, assim como seus representantes compatriotas. Ele possuía um capacete tipicamente huno. Era robusto, não muito alto, mas bastante alto para um huno e uma cara comprida. Ao seu lado direito estava Rekarius.
—Acabei de chegar do meu palácio no centro da cidade, amigos e, espero que já estejam todos aqui. -Começa Leozir a falar. -Espero que tenham tido uma boa e divertida noite ontem na minha cidade. Os hunos ficam muito felizes de acolher nossos novos aliados da melhor forma. Mas agora é hora de falar de guerra! Todos nós já sabemos que há exatos vinte e três anos, o maior de todos os Hunos, Átila, aquele que criou o vasto e unido império que os hunos tiveram outrora, foi morto após ser traído pelos nossos antigos aliados traidores. Ele era meu tio-avô. Depois de sua morte, os hunos perderam o controle sobre seus antigos vassalos e se viram obrigados a recuar para as margens do mar do Pontus fracos. Mas eu consegui reconquistar a nossa antiga glória e consegui reunir as maiores tribos do Oriente! Eu ofereci a proposta de aliança a todos vocês sob a promessa de glória e terras e, graças a mim, vocês fazem parte da maior aliança de tribos que já se ouviu falar. E com a ajuda de vocês, nossos poderosos novos aliados, nós iremos reconquistar não apenas as antigas terras das quais os hunos uma vez foram senhores, como também todas as terras do Oeste. Todos eles serão servos da nossa vontade. E vocês, meus aliados, terão sua parcela justa de todas as terras conquistadas! Terão suas parcelas justas de todo o ouro saqueado. Suas parcelas justas de todas as mulheres capturadas. Dividiremos Roma e Constantinopla entre nós igualmente e destruiremos todos que se oponham a nós! -Fala Leozir! -Quem está comigo?
Todos lá começam a gritar e berrar positivamente em resposta. Um líder acompanhado de um punhado de guerreiros de sua tribo se levanta, erguendo sua cimitarra. -Nós, os Sklaveni, estamos com você, Leozir.
Outro líder se levanta erguendo sua espada.
—A tribo dos Oghurs está com você!
Outro líder com seus guerreiros às suas costas, se levanta.
—O exército dos Búlgaros é seu!
Mais outro.
—Nós, os Magyares, estamos com você até o fim!
—Nós, os Alanos, o seguiremos para a guerra.
—Os Ávaros seguirão sua vontade nesta terra ou na outra.
—Eu, Dragomir, líder da confederação das tribos veneti, prometo o sangue de cada homem nosso, senhor.
Todos lá dão gritos de guerra por vários minutos.
Arthanna e os nórdicos sob a mesa deitados, já estavam ficando sem paciência.
—Quando podemos matar eles? -Pergunta Gunnar.
—Calma! Não irá demorar muito. -Fala Arthanna.
Leozir volta ao seu discurso.
—Sim, homens! E com o exército de todas as tribos reunidos, teremos o maior exército do mundo! -Os povos do oeste não terão escolha, se não se submeter. Os líderes e reis de todas as tribos da nossa aliança, assim como uma grande parcela de seus exércitos estão aqui nesta cidade, e o restante, espalhados por acampamentos e cidades próximos, pois nosso exército é tão grande que não pode ser reunido em um único lugar. Mas amanhã, nós os chamaremos para iniciarmos nossa campanha ao nosso mais importante objetivo: o reino dos Gépidas. Esta insolente tribo foi a responsável pela queda dos hunos no passado. Antes nossos aliados, eles se rebelaram e nos traíram. Agora, seu reino, que é o mais próximo a esta cidade, será o primeiro a sentir nossa fúria. E como vingança por sua traição, nós não só os conquistaremos, como também aniquilaremos cada gépida vivo. Não haverá misericórdia para com eles! Suas cabeças serão presas em estacas e a de seu rei, o velho Ardaric, responsável pela rebelião, ficará no centro!!
—ÉÉÉÉ! -Gritam todos.
—Isto não é bom! -Sussurra Cassiodoro para Aurel e Arcmênidas.
—O quê? -Pergunta a Alamana.
—Os hunos planejam invadir o reino dos Gépidas amanhã.
—E o que faremos? -Pergunta Arcmênidas.
—Acho que está na hora de atacar. Mirem nos líderes das tribos. Eles também são os respectivos generais e cabeças militares de cada uma. Se matarmos todos, nós infligiremos um duríssimo golpe no exército e na invasão! Está na hora de acabar com isto!
—Ok, Aurel. Lá vamos nós. -Fala Arcmênidas. -Que Ares esteja conosco.
Assim, Aurel mata o líder magyar que estava ao seu lado esquerdo com uma machadada na cabeça. Arcmênidas tira sua kopis da bainha escondida e mata o líder búlgaro à sua direita. Ele então parte para atacar os guerreiros búlgaros, matando um após o outro, sem dar tempo de eles reagirem. Cassiodoro tira uma xiphos escondida e começa a atacar os generais despreparados também. Logo a sequência da abates de Aurel é interrompida quando ela chega no general Oghur, que se defende com sua espada. Eles duelam um tempo, e logo os homens dele aparecem para ajudar, mas Arcmênidas aparece também e mata todos eles. Aurel ganha a vantagem no duelo e mata o líder. O líder dos alanos, um velho homem, tenta pegar sua arma, mas espartano pega sua espada e arremessa na sua garganta. Ele então corta a barriga do rei dos ávaros, fazendo suas entranhas caírem no chão.
Embaixo da mesa, Arthanna escuta o barulho de metal e sangue e fala:
—Acho que este é o sinal! Vamos homens!
Assim, a arqueira e os guerreiros do norte saem de baixo da mesa, derrubando-a. Os nórdicos começam a correr como doidos, resistindo a flechas, para cima dos guerreiros inimigos. Gunnar atira seu machado na cabeça de um guerreiros alano. Ele pega sua massa e se atira e pula em cima do grupo de guerreiros hunos, esmagando seus crânios com sua massa. Arthanna atira flechas precisas nos guerreiros inimigos, que atiram flechas de volta. Ela busca cobertura atrás de uma cadeira. Um tribal oghur corre até ela, mas é furado por Arcmênidas.
—Toma, experimente este arco recurvo huno. Acho que vai gostar.
—Certo, vou tentar. -Fala a bretã deixando seu arco longo de lado. Ela atira nos hunos com aquele arco, com muito mais precisão e poder. Os guerreiros inimigos em pânico tentam deixar a tenda pela porta, mas os nórdicos não permitem, ficando suas espadas em todo mundo que tentasse. Os inimigos começam a disparar flechas neles, mas eles se defendem com seus escudos de madeira. Arthanna acerta todos os inimigos com arcos lá dentro, mas aos poucos, os hunos e seus aliados começam a ficar mais organizados.
—Maldição! Como isto aconteceu? -Pergunta Leozir.
—Não se preocupe, meu senhor, vou deixá-lo em segurança! Vamos sair daqui. -Fala seu braço direito, o guerreiro Rekarius.
Eles se dirigem até a porta sobre seus cavalos e Leozir consegue matar um nórdico que bloqueia sua saída.
Os outros guerreiros hunos que tentam sair são impedidos pelas flechas de Arthanna, deixando seus cavalos saírem da barraca com as costas vazias.
Enquanto isso, Marcius e Nikos estavam em outro cômodo da tenda.
—Parece que o ataque começou! -Fala Marcius.
—Sim. -Fala Nikos. -Temos que ajudar nossos amigos.
Assim, eles tentam correr para a sala principal, mas passam por uma sala cheia de prisioneiros de guerra presos em grandes celas.
—Mas o que é isso? -Pergunta Marcius.
—Devem ser os guerreiros que os hunos e as outras tribos fizeram de prisioneiros e trouxeram para cá.
Marcius vê um guerreiro preso sozinho com os braços amarrados para cima e com o tronco amarrado em uma estaca. Ele ainda usava sua armadura.
—Este aqui para, para estar preso sozinho e com toda esta segurança, deve ser muito bom. -Assim, Marcius pega sua espada e corta as cordas que prendiam aquele guerreiro.
Nikos solta os outros. Eles todos fogem menos o que Marcius soltou, que fala:
—Arigato!
—Quem é você? -Pergunta Marcius.
Ele, ao invés de responder corre dali e vai para outra sala, que eles descobrem ser uma sala com as armas recolhidas dos prisioneiros. O guerreiro misterioso procura entre as armas, ao que parece, pela sua. Logo, ele a acha. Uma espada longa e levemente curvada guardada em uma bainha.
—Aah! Katana! -Exclama ele. Ele então corre com uma mão na base da espada e outra segurando a bainha, para a sala principal, cortando o tecido da parede que os separava dela.
—Meu palpite é que aquele guerreiro estranho e misterioso era extremamente perigoso e foi torturado quando preso pelos hunos ou seus aliados. Agora ele quer vingança. -Fala Marcius.
—Vamos ajudá-los então! -Fala Nikos.
—Não! Tenho uma missão melhor! Venha comigo. -Assim eles saem da tenda principal e vão correndo até o cercado dos cavalos. Marcius abre a porta, fazendo todos os cavalos fugirem correndo de lá. -Quero ver os hunos fazerem alguma coisa sem seus cavalos. -Ele mesmo, assim como Nikos, sobem em cima, cada um de um cavalo. E começam a cavalgar para o centro do acampamento.
De volta a tenda tática, os guerreiros inimigos começam a sobrepujar nossos heróis, já que estavam em maior número e começam a escapar da tenda e eles saem também.
Eles se deparam com Rekarius correndo para o sino de alarme e Arthanna atira no seu pé, mas ele consegue alcançar o sino e soá-lo mesmo assim. Os guerreiros nórdicos ficam na entrada da porta da tenda, matando os inimigos que tentavam sair dela. Logo, aparece um guerreiro extremamente oriental em aparência, com uma armadura com grandes ombreiras e um capacete extravagante. O guerreiro mata todos os inimigos com um corte de sua espada, cada um. Em uma dança mortal, ele arranca a cabeça de todos os aliados hunos ao redor sem que eles percebessem.
—Puxa, este cara é bom. -Fala Gunnar.
Arthanna chega a Rekarius, junto com Aurel. O huno dá um chute em Arthanna jogando-a longe. Ele arranca a flecha de seu pé e a arremessa na alamana, que se defende com seu machado.
—Mais de dez anos treinando dia e noite para isto e você acha me derrota? -Fala ele antes de começar a lutar contra Aurel com suas duas cimitarras e ficando em uma luta de igual para igual com ela. Ele acerta com a base se sua espada, seu rosto, fazendo-a cair.
Enquanto isso, Gunnar se choca contra os hunos com a força de um cavalo. que voam longe. Ele se choca contra um e o arremessa tão longe que ele passa por cima de vários homens, até que cai no chão e sua cabeça é esmagada pela maça do nórdico. O berserker atropela incontáveis hunos, explodindo suas cabeças com sua maça, um após o outro em uma inacreditável sequência de abates. Arcmênidas observa aquilo.
—Por Zeus, aquele nórdico é furioso e luta como um titã. -Logo, o grego vê uma manada de cavalos correndo pelo acampamento soltos e vê Marcius e Nikos sobre dois deles. -Muito bem, amigos! Assim que eu gosto de ver!
Gunnar leva várias flechadas, mas não sente dor alguma e continua forte sua investida. Ele atinge com sua maça, as pernas de um huno e depois que ele cai no chão, pisoteia sua cabeça. Um nórdico pega um huno pela cabeça e o arremessa longe, fazendo-o cair no chão e ser pisoteado por vários cascos de cavalos, até morrer.
—Malditos! Eles soltaram os cavalos, mataram todos os generais dos exércitos e atacaram e destruíram o acampamento! Vou lidar com eles assim que tiver enviado o bilhete para o acampamento mais próximo vir para ao ataque imediatamente! -Ele chega em um mastro de três metros, de onde saia um toco em que um falcão estava pousado. Ele ergue o braço e o falcão vai até ele e ele amarra o bilhete nele.
—Muito bem amiguinho, agora preciso que você vá! Entregue este bilhete ao acampamento dos búlgaros, o mais próximo de Sklavenir. Eles o receberão hoje e iniciarão a mobilização do restante dos exércitos hoje mesmo! O Falcão decola. Aurel e Arthanna veem aquilo e Aurel fala:
—Arthanna, ele enviou o falcão! Você tem que atingi-lo com uma flecha! -Não, não posso fazer isto com um animal da natureza! Ele não tem culpa! -Se não fizer isto, os outros acampamentos dos aliados dos hunos vão saber para começar a invasão imediatamente! Se acertá-lo, nos dará tempo! -Ok! Ok! -Arthanna fala e mira no falcão voando. Enquanto ela mirava, um huno se prepara para atirar nela, mas Aurel arremessa seu machado nele. -Desculpe, falcãozinho!
—Ela fala, disparando uma flecha que voa direto no falcão, o atingindo. A ave cai em direção ao chão.
—Maldita! -Grita Rekarius. -Ela ia atacar ela, quando chega Marcius por trás em seu cavalo. Ele atira sua espada nas mãos de Rekarius, que deixa sua espada cair e sai correndo dali. Enquanto isso, Gunnar é cercado por vários hunos de espada, e derrota vários, mas eles estavam em número muito grande. Porém o nórdico é salvo por Arcmênidas, que aparece cavalgando, atingindo muitos hunos com sua espada. O nórdico sobe na garupa do grego e eles correm dali. -Gostou? Eu vi estes cavalos todos correndo livres pelo acampamento e me vi obrigado a pegar um.
Vários guerreiros se reúnem e cercam Marcius, Arthanna e Aurel. Eles miram neles, e começam a atirar. Elas se protegem atrás do escudo oval de Marcius. Quando parecia que não conseguiriam mais se defender, o guerreiro oriental de misterioso de katana aparece, cortando todos os guerreiros lá, cada movimento com a espada cortava ao meio um huno diferente, até que ele guarda sua espada, enquanto todos os inimigos ali perto caem no chão mortos. O guerreiro desconhecido se curva a Marcius.
—Você conhece ele? -Pergunta Aurel.
—Sim. Eu o libertei da prisão dos hunos. Acho que ele está grato.
Logo aparece Arcmênidas no cavalo, e Gunnar em sua garupa, que desce logo.
—Rápido, pessoal, se agarrem em um cavalo e subam. -Fala Arcmênidas. -Os reforços escutaram o sino e estão vindo nos atacar. São milhares e não podemos com todos!
Aurel e Marcius sobem cada um em um cavalo que passara por eles. Arthanna corre em cima de um cavalo também. Os outros nórdicos logo aparecem lá, depois de Gunnar gritar para eles. Eles sobbem em cavalos também, apesar de não serem muito bons em cavalgar e assim, todos nossos heróis somem do acampamento cavalgando enquanto o exército aliado dos hunos aparece no acampamento, liderados por Leozir.
—Não sei quem são esses guerreiros. Mas eles me deixaram sem cavalos, mataram quase todos os guerreiros do acampamento, todos os meus generais, libertaram prisioneiros e, mais importante, mataram meu falcão! Eles vão me pagar! -Fala Leozir. Logo aparece Rekarius lá, que fala:
—Senhor, foi um duro golpe. Pelo que parece, os guerreiros que atacaram se infiltraram na reunião vestidos como Veneti. Além disto, o único general que sobreviveu era o líder veneti. Acha que é coincidência?
—Não sei. -Fala Leozir. -Mas iremos falar com ele. Se ele ajudou estes desgraçados a fazerem o que eles fizeram, ele vai pagar caro! -Fala Leozir. Enquanto isso, longe do acampamento e da cidade, Arthanna fala:
—Nos conseguimos infligir um duro golpe nos planos dos hunos, mas as nossas coisas e nossas carroças ficaram na cidade. O que faremos agora?
—Acho que devemos voltar e pegar nossas coisas. -Fala Marcius.
—Pois eu acho que devemos agora rumar para o reino Gépida da invasão dos Hunos. Quanto antes melhor.
—Pois bem, você está certa, Aurel.
Então eles partem para o mais longe possível da cidade.
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