Pegadas No Destino
16 Capítulo 16
Quando acordei João já estava a tomar o pequeno almoço e, mais estranho ainda, a minha mãe ía passar o dia em casa.
- Isso quer dizer...?- perguntei confusa com a decisão dela.
- Que está na hora de nos tornarmos numa família, como era antes.
- Isso nunca mais vai acontecer e sabe os motivos...
- Dá-me um desconto Mary.
- Até posso tentar, mas lamento, eu e João já temos planos para hoje. Quem se sabe talvez de tarde possa estar um pouco com ele enquanto eu vou resolver a minha vida?
- Isso quer dizer...
- Quer dizer que eu vou levar o João a jantar na casa de um amigo especial tanto para mim como para ele.
- Mary, tudo bem...acho que posso conciliar isso com um pouco de trabalho...
- Como queiras!- respondi enquanto virava costas e subia para me arrumar.
Quando terminei olhei-me ao espelho, as calças de ganga e a camisola que me cobriam não me davam a forma de corpo ideal, e isso não me preocupava. Sempre fui de estatura média e nunca me preocupei com esse tipo de coisas.
E além do mais, aquele era o meu estilo. Sempre fora, não seria agora diferente.
- Estás pronta?- João abriu a porta sem bater sem nada.
— Estou pequeno.
- Não me vais berrar?- disse surpreso
- Porquê?
- Entrei sem bater...podias estar sem roupa.
- Deixa isso para lá, talvez te grite mais tarde. Agora não estou com cabeça para isso querido. E tu? Prontinho e queres mudar alguma coisa?
- Prontinho!
Sorri com aquele pequeno homem á minha frente e fechei a porta do quarto.
- Mãe? Já vamos!
- Divirtam-se....
(....)
- Olá, tudo bem querida? — perguntou Kristy assim que abriu a porta.
- Tudo bem e por aqui?
- Tudo igual, posso só pedir que não façam barulho? O Max ainda está a dormir.
- Viemos cedo de mais?-perguntei um pouco nervosa com aquela surpresa
- Não, nada disso. Ele deve estar mesmo a acordar. Porque não vais até ao quarto dele? Eu fico com o teu irmão...tenho a certeza que nos vamos dar muito bem.
Agradeci e subi até aquela divisão. Bati á porta mas ninguém me respondeu por isso, abri com cuidado e acabei por entrar. Com a pouca luz que entrava eu senti o quarto bastante confortável e bem no meio da cama dormitava o corpo de Max. Rondei a cama até conseguir focar a sua cara. Naquele momento o rosto dele estava sereno e eu não conseguia decifrar aquilo que ele estava a pensar ou a sentir. Parecia tão calmo...tão tranquilo...
Acabei por me sentar numa cadeira que ele tinha ao lado da secretária e fiquei assim, a olhar para todos os cantos sem ter noção daquilo que realmente estava a observar. Mas acabei por fazer algum barulho e ele acordou assustado.
- Desculpa.- sorri com a atrapalhação dele.
- O que fazes aqui?- ele perguntou com uma cara fofa mas engraçada.
- Uma longa história...desculpa ter-te acordado, estavas a dormir tão bem...
- Que vergonha...nunca deixei que nenhuma rapariga, para além da minha mãe, me vissem dormir.
- Porquê? Ficas tão giro...tão calmo.- sorri enquanto falei
- Estás a gozar certo? Agora até eu mesmo fiquei com uma ideia de mim Gay.- ele fez uma careta
- Não sejas parvo!
- Okay, eu não sou...quer dizer, pelo menos vou tentar...mas queres dizer-me o que fazes aqui?
- Porque não tomas um banho...enfim, isso que vocês os rapazes costumam fazer quando acordam e depois falamos? A tua mãe ía gostar de ser ela a contar-te a história.
- O que quiseste dizer com isso?
- Com o quê?
- "Isso que vocês os rapazes costumam fazer quando acordam..."?
- Nada de especial.
- Mary!
- Que queres? Nunca estive assim...coise...não sei o que os rapazes fazem quando acordam. Se é o mesmo que nós, raparigas, ou se nem por isso...seu idiota! Tens uma mente perversa...
- Sabes uma coisa? Vou fazer isso mesmo, é bem mais divertido tomar banho sozinho do que aturar uma chata como tu!- Max respondeu com um sorriso, mania de ser engraçado, não é? Como eu odiava(amando) isso..
- Como queiras!
- Perfeito!
- Óptimo. — respondi antes de bater a porta do quarto dele.
(...)
Depois do almoço Max levantou-se e foi até á varanda, senti que ele precisava de falar e por isso segui atrás dele.
- O que se passa?
- Nada...
E foi assim que estivemos quase meia hora sem falar, simplesmente a olhar para um horizonte imaginário.
- Mary, o João quer ir para casa...- Kristy abriu a porta e avisou calmamente
- Diga-lhe para se vir despedir de Max então, e obrigado.
- Como desejares.
- Então...- Max começou — Tens planos para a tarde?
- Pensei em ir ver as condições do campo de futebol, não quero ser uma estranha assim que começar a trabalhar.- sorri
- Achas que posso ir contigo?
- Claro que sim, irei adorar. Mas apenas com uma condição...
- Xau Max!!!- João interrompeu e caiu em cima dele aos abraços.- Anda Mary, anda....quero dormir!
Porra, mas que pequeno mas chato! Porém eu amava-o e não me importava com essas birras que ele fazia ás vezes.
- Já vou João, vai descendo. Tenho de me despedir do Max. Esperas lá em baixo por mim?
- Sim...
Sorri e olhei para Max.
- O que ías a dizer? Só com uma condição...que condição?
- Tens de me dizer o que te está a preocupar. O porquê de estares estranho, assim...
- Eu digo...- sorriu de forma tosca.
- Ficarei á espera.
Demos ambos um abraço bem apertado, e como eu sentia saudades daquele abraço.... Depois saí da varanda e deixei-o lá com os seus pensamentos misteriosos...
O que é que realmente se passava comigo? Porque é que ultimamente Max tinha de ser tão importante na minha vida? Cada vez eu entedia menos. Só tinha a certeza de que com o tempo, Max estava a tornar-se um ponto seguro. Um amigo especial. Alguém demasiado importante para eu deixar ir embora da minha vida com bastante facilidade.
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