Assim que abri a porta de casa a minha mãe apareceu na sala. Mas o que é que se passava com ela nestes dias? Bom, também não me importava...

- Como correram as coisas?- perguntou logo

- Bem...-sorri enquanto pegava no correio.

- Tem alguma coisa da justiça?- perguntou nervosa.

- Não...porquê? Passa-se alguma coisa?

- Nada de especial. Sabes como é....coisas de adultos.

- Pois...Bem, vou fazer umas coisas. Mais tarde o Max passa aqui para vir comigo ver as condições do campo.

- Divirtam-se. Eu vou com João a um sitio qualquer.

Não liguei nenhuma ao que ela continuou a falar e subi para o meu quarto.
Abri o portátil e vi que tinha um monte de emails. Uns de alguns amigos que eu nem me lembrava onde os tinha conhecido, davamo-nos bem mas não eram muito importantes para mim.

Acabei por ler vários e rapidamente o tempo passou.

- Pronta?- Max perguntou da porta.

- Sim, vamos?

- Vamos.

Avisei a minha mãe de que estávamos de saída e depois seguimos rumo ao meu novo local de trabalho. Max tinha ido a conduzir mas ambos decidimos ir a pé, á muito tempo que não tínhamos um passeio juntos e o caminho ainda tinha umas boas paisagens.

- Queres me dizer o que te incomoda hoje?- perguntei assim que começamos a andar

- Mary, há coisas que uma pessoa, por mais que queira não consegue contar. Aquilo que me incomoda é demasiado importante e se eu contar alguém vai sair prejudicado desta história toda.

- Han? Traduz isso para a minha língua, por favor.- ri animada, eu queria animá-lo também.

- Fazemos assim...porque não ficas um pouco mais atenta á tua mãe? Tenho a certeza que depois de uma conversa que tivemos ela mudou...

-Okay, agora já me estás a assustar..

- Não te assustes. Mas é melhor que seja ela a contar-te.

- E...desculpa. Quer dizer, eu não entendo...e...onde é que isso te preocupa?- perguntei um pouco confusa mas séria.

- É que a pessoa que eu mais amo vai sair magoada.

- A tua mãe?- fiquei ainda mais confusa

- Han? Não...ela não tem nada a ver...- ele olhou para mim e sorriu.

- Desculpa, eu não entendo...

-O que é assim tão díficil de entender? Não percebes que eu estava a falar de...- Max aproximou-se de mim e mordeu o lábio inferior- estava a falar disto?

Sem me dar tempo de reacção passei a perceber o porquê da sua aproximação. Os seus lábios colaram nos meus e eu senti borboletas nos estômago. Pediu para aprofundar o beijo e eu sem dar conta, cedi.
Paramos, apenas, quando precisávamos de ar.

- Isto foi....estranho...- comentei em voz alta.

- Desculpa, eu não o devia ter feito...

- Tudo bem...

O problema é que não estava. Aquele beijo tinha provocado em mim sensações que eu nunca tinha vivido. E o caminho a partir daí foi passado de uma forma muito mais distante. Quase não nos falávamos e raramente ríamos.

E durante a "visita guiada" ao campo, foi Renato quem falou tudo. Renato é um rapaz meio baixo, de pele bastante clara, olhos verdes e cabelo loiro. Não tem um corpo muito musculado mas também não é de "se deitar fora". Curiosamente, é um dos meus colegas de trabalho.

- Quando começas?- perguntou enquanto Max tinha ido ao escritório pegar numa papelada.

- Não sei...tudo depende do Max.- sorri

- Depois diz algo. Terei todo o gosto em te ajudar caso precises.

- Não vai precisar! Mas agradece na mesma! — Max que entretanto voltara, falou com uma certa brutalidade.

- A gente vê-se por aí, obrigada Renato.- sorri

Despedi-me dele e segui com Max novamente para casa. O caminho de volta foi ainda mais penoso. Nem nos olhamos sequer e quando o meu procurava o seu olhar, ele virava a cara. Como se escondesse alguma coisa e um simples trocar de olhares pudesse escorregar e dizer tudo.

- Podias ter sido menos bruto com o Renato. Tenta controlar-te, embora não saiba o que se passa contigo!- disse com frieza assim que abri a porta para entrar.

Max? Apenas me olhou e nem a boca abriu para tentar dizer alguma coisa.