Pedaços Transformados

45 O mundo está acabando, que coisa você salvaria primeiro?


Notas iniciais
Olá, olá, como vão?

O mundo está acabando, que coisa você salvaria primeiro?

CALUM, 11 ANOS. LUKE, 10 ANOS.

Calum perguntou-se se iria realmente fazer isso e, sim, ele iria, ele estava — sua letra firme, levemente curvada para o lado e legível era a prova.

"O mundo está acabando", Calum havia escrito com cuidado, lembrando-se da pergunta que Taylor havia sugerido, envergonhado de mais para pensar em uma por si mesma "que coisa você salvaria primeiro?"

Comece fácil, pensou, batucando o lápis para cima e para baixo. Sua amiga era uma egocêntrica sem salvação — e alguma parte de Calum invejava-a por isso e a admirava. Julie era quem era e nada poderia impedi-la de mostrar aos outros, a si mesma, isso, então era fácil saber o que ela faria, era fácil escrever o que ela diria:

"Julie — Julie."

E o segundo mais fácil:

"Luke — Julie."

Como se não bastasse ter a si mesma para se idolatrar, Julie tinha o irmão.

E finalmente o difícil:

"Calum — Minha xícara..."

E então as palavras sugiram, ainda mais rápidas e ainda sim compreensíveis, porque ele sabia o que faria, o que as pessoas que conhecia faria — Calum as conhecia e ele conseguia imaginar o que viria depois.

"Calum — O que? Você não é uma coisa, Julie!

Julie — Owwnnttt!

Luke — Você me deixaria?

Calum — *Olharia para os dois lados, para qualquer lado que não fosse seus amigos, tentando encontrar uma saída.*"

Calum sorriu. Aquilo era divertido. Escrever aquilo era divertido. Era como se não estivesse sozinho... porque ele não estava.

—O que você está fazendo? — questionou Luke, aproximando-se hesitante.

A visão de Calum sentando na sua cama sozinho, sorrindo para um caderno, era a visão perfeita de que ele enlouquecia — Luke perguntava-se quando Calum seria afetado, afinal não se podia viver no País das Maravilhas sem absorver um pouco da loucura do local.

—Nada — respondeu Calum, fechando o caderno rapidamente.

Ou a incrível capacidade de falar a verdade enquanto mentia.

—Eu posso....

—Não!

—Okay — disse Luke lentamente, com as mãos levantadas, surpreso pelo grito, e então as abaixou devagar, andando para trás sem desviar os olhos dos de seu amigo. — Mas não deixe Julie ver, porque ela não conhece espaço pessoal alheio tão bem quanto eu.

—O que você está fazendo aqui? — questionou Calum, segurando o caderno tão forte que as veias da suas mãos se sobressaíram.

—Meu quarto? — sugeriu Luke, mas Calum não iria ser intimidado e se manteve firme, esperando a resposta certa. — Mamãe vai nos levar para a escola e ela não gosta de chegar atrasada nos cantos.

—Ok, eu já vou, você pode ir... — Calum balançou a mão, desejando que Luke entendesse o gesto.

—Sério, você se lembra que esse é o meu quarto? — murmurou seu amigo, arrastando os pés lentamente para fora do seu próprio quarto.

—Quarto? — Julie ouviu do corredor, tropeçando para dentro, ansiosa por se intrometer. — Você tem um quarto, Luke? Mentir é tão feio — zombou ela. — O que você está fazendo....

—Nada — interrompeu Calum.

—Eu não estou falando com... — Julie parou, finalmente o olhando. — Você está mentindo para mim, eu sinto que você está mentindo para mim, por que você está mentindo para mim?

—Eu não estou mentindo — disse Calum, nervoso, passando as mãos úmidas e felizmente vazias na calça. — Eu estou apenas... apenas... — Longe da visão da sua irmã, Luke balançou a cabeça frenético, tentando passar algo, mas Calum não entendia e sentia-se tão... nervoso? — Eu estou apenas... segredo?

—Qual o segredo?

—Você sabe como são segredos, Julie — desculpou-se, dando de ombros rigidamente.

—Não, eu não sei — disse ela, franzindo a testa para ele — porque você está guardando-o de mim.

—Liz não gosta de chegar atrasada? — Calum tentou relembrar, percebendo que, qualquer que fosse a pergunta, a resposta seria olhar para qualquer lado que não fosse para os seus amigos, porque ele já sentia sua determinação indo pelo ralo e a vontade de contar a verdade, o segredo, a eles. Ele estava perdido.

—Resposta errada — disse Julie. — Tente novamente.

—Vamos, Julie — disse Luke, surpreendendo a todos e a si mesmo. O que ele estava fazendo? — Mamãe não gosta de chegar atrasada.

—Mas...

—Ju...

—Certo — disse ela, suspirando desanimada. — Vou deixar para lá isso agora, Calum Hood — avisou, batendo no seu nariz com a ponta do dedo antes de se virar e ir embora — mas eu não vou esquecer.

—Ela vai se esquecer — prometeu Luke, revirando os olhos pelo drama e o rebolar exagerado da sua irmã ao descer as escadas. — Ela já se esqueceu.

—Obrigado — agradeceu Calum.

—O que? — sorriu Luke, passando um braço sobre seus ombros. — Você não pode achar que eu sempre defendo a Julie... O que?! — Luke arregalou os olhos. — Você achou?

—Não sempre, quase sempre — zombou Calum, acotovelando-o e sentindo-o resfolegar igualmente dramático como a irmã. — Só... 99%?

—Que ofensa! É mais!