Notas iniciais
Boa leitura! XD E sejam bem vindos, novos leitores! XD

- Então... Você é um anjo? — Law questionou para a jovem de cabelo laranja, cuja boca estava cheia de seu terceiro pedaço de pizza e, por tanto, só pôde acenar com a cabeça num gesto afirmativo — Você veio para cá me ensinar a amar. — Outro aceno afirmativo — Certo... E eu devo acreditar que isso não passa de um sonho por quê...? – Ergueu uma sobrancelha, fitando a sua "visita" sentada no outro lado da mesa da cozinha.

Nami revirou os olhos. Aquilo seria mais difícil do que pensava. De acordo com a ficha que havia recebido, Trafalgar Law era um médico renomado, o que por si só explicava a falta de crença em religiões, e isso, somado ao fato de ter sofrido um pequeno trauma quando criança, a ficha não especificava qual, havia feito o homem praticamente detestar qualquer coisa relacionada a Deus e a Fé. E ainda queriam que ela resolvesse isso em três meses! Ser um anjo não significava fazer milagres!

- Vou tentar explicar de um modo que você entenda, sim? — Disse terminando de comer — Eu sou um anjo, e fui designada para vir à Terra e guiar você, 'kay? Minha missão é a seguinte: Mostrar-te os três tipos de amor, dar um jeito de abrir seus olhos para o lado bom do mundo e tentar acabar, ou pelo menos diminuir, as sombras em seu coração. Feito isso, minha aréola será reposta e poderei voltar para o céu.

- E você sente fome? – Ela suspirou.

- É tão surpreendente assim? Escute, eu sou meio humana agora, ou seja, tenho as mesmas necessidades que vocês, assim como as mesmas chances de cometer algum pecado. Se quiser, eu desenho para ficar mais fácil de entender.

- Anjos não deveriam ser gentis, delicados e melosos?

- Você é gentil, delicado e meloso?

- Não. – Respondeu categórico.

- Pois eu também não. Os Anjos Guia são escolhidos de acordo com a personalidade de seus guiados.

- E como sabe usar um telefone?

- Fui um Anjo da Guarda por um tempo, para substituir uma amiga. Vi a mãe da criança fazendo isso algumas vezes e acabei pegando o jeito.

- E como exatamente você pretende completar sua missão?

- Essa é uma boa pergunta, mas falamos disso amanhã.

- Está me mandando dormir?

- Ah, você notou?

- Sabe, me impressiona uma esquisita maluca como você ser um anjo...

-... ESQUISITA?! – Exclamou, se levantou, andou até ele e socou a cabeça do homem, que bateu na mesa e ficou lá. Tudo isso numa velocidade incrível – VOCÊ É MAIS ESQUISITO QUE EU!!

-... – Não obteve nenhuma réplica. Estranho.

- Law? – Chamou preocupada – Law... Law? – Começou a chacoalha-lo pelos ombros, porém ele não fez nada. Havia batido com força demais – Oh, meu Deus! Acho que usei força demais! Law, acorde! Traffy-kun? Trafalgar? Law-kun? Law-chan? Alguém? Meu Deus, preciso moderar minha força! Era tão mais fácil quando meu punho simplesmente atravessava as pessoas!

E agora? O que iria fazer? Havia socado a pessoa que deveria guiar! Se não fosse castigada por isso depois, iria cortar seus cabelos de novo, só que dessa vez no estilo "tigelinha". Isso seria horrível. Preferia a punição... Mas não era hora de pensar nisso, devia fazer alguma coisa! Nami ergueu a face do moreno, cujos olhos estavam fechados, soltou-a, segurou o braço dele, passando-o por seus ombros, enlaçou a cintura dele e o levantou.

- Mas você é pesado, hein? – Comentou divertida. Na verdade, o peso dele era até um tanto reconfortante, afinal, passara anos sem tocar em pessoas de verdade. E ter contato com um homem daqueles era incrível... ESPERA AÍ! Volta, volta! – Nami, você é uma anja! Que história é essa? Além do mais, esse cara é um arrogante idiota! Só porque ele é bonitinho, não quer dizer que você possa babar por ele! – Olhou para o moreno e ruborizou. Apenas não sabia se era de raiva por pensar nessas coisas ou de vergonha pelos pensamentos não muito puros que teve. Teria que dar um jeito de se acostumar com aquilo. Maldito instinto humano... – Droga, vou te levar até seu quarto.

Começou a lenta caminhada até o quarto de Law, tomando cuidado para não tropeçar em nada, pois às vezes era um tanto desastrada, e lançando rápidas olhadelas para ele. Não podia evitar, seus olhos sempre a traiam. Na ficha, Trafalgar Law era frio, distante, indiferente, arrogante e desconfiado. Porém Nami percebera, desde que olhara para os olhos cinza dele, e que olhos cinza, que Law era apenas uma pessoa que não gostava de se ferir. E antes de ser ferido, feria os outros. Exatamente como seu irmão, Namizou, fazia, ainda no século XIX, antes de ela morrer e virar anjo. Afastou esses pensamentos balançando a cabeça vigorosamente e chegou ao seu destino. Ainda bem que havia deixado a porta do quarto escancarada. Andou calmamente até a cama dele e o depositou ali.

- Essa missão vai ser bem complicada... – Suspirou, sentando-se na beira da cama, ao lado do homem – Dormindo, você parece tão inocente. – Ela supunha que Traffy não apenas desmaiara por causa do golpe, mas também por estar exausto. Fitou bem o rosto dele. Cavanhaque, costeletas, nariz um tanto empinado, pele morena. Tinha que admitir, ele era muito bonito – Eu tenho que parar de pensar nisso! É errado. – Sussurrou e sorriu levemente – Boa noite, Law. – Saiu rapidamente, sem perceber que, durante o sono, Law franzira o cenho e começara a murmurar coisas. Estava tendo um pesadelo.

Estava num lugar todo escuro. Estava sozinho. Então, um rosto conhecido começou a aparecer, primeiro os olhos cinza, depois todo o resto e, no fim, sua mãe o fitava fria e completamente impassível. E então veio a voz rude:

- Menininho inútil, você é mesmo um erro da vida, Trafalgar Law. Só serve para dissecar sapos e fazer caras feias. Coisas como você não deveriam sequer existir.

Law apenas ouvia calado. Não tinha coragem suficiente para ir contra a mulher que lhe colocara no mundo. Então, ao lado dela, se pai apareceu. E julgou a criança de toca e terninho:

- Se não é o maior erro da minha vida! Olhe só para você, essa cara monstruosa e esses olhos de assassino. Você deveria morrer, vermezinho. Nem deveria ter nascido, mas já que nasceu, faça um favor para o mundo e morra de uma vez.

Mais uma vez, ele apenas ouviu calado. Sentia que eles estavam com a razão. O que era ela, afinal? O fruto de uma pequena escorregada de um casal que nem sequer pensava em se casar. Não deveria existir. Já havia se convencido disso, porém nunca tivera forças para ir para o outro lado.

- Vocês estão errados. – Uma voz doce quebrou a escuridão – Law existe, quer vocês queiram, quer não. E ele merece viver tanto quanto vocês.

De repente, Law não era mais uma criança, e sim um homem de terno e gravata. Olhou para os lados e viu uma moça de longas madeixas alaranjadas.

Acordou de repente, todo suado. Que raio de sonho foi aquele? Trafalgar olhou a sua volta um pouco atônito e percebeu que estava em seu quarto e com a roupa de ontem. Estranho. Então viu uma pena perto do guarda roupa e as lembranças do dia anterior vieram à tona. Não tinha sido um sonho? Havia mesmo um anjo em sua casa? Pensaria nisso depois, sua prioridade naquele momento era tomar um banho e trocar de roupa, aproveitando que era sábado e não precisava trabalhar até uma hora da tarde. Foi até o banheiro, tomou seu banho, pôs uma camisa azul marinho normal, bermuda negra e preferiu ficar descalço. Estava em casa mesmo. Rumou para a cozinha e se deparou com uma cena inusitada. Uma jovem de cabelo laranja estava preparando onigiri.

- Então não foi um sonho...

- Bom dia pra você também, Law. – Nami retrucou e então sorriu – Já são oito horas, pensei que não ia acordar mais... E a cabeça?

- Fala do soco que me deu ontem? Porque se for, sim, ela está doendo ainda. – Respondeu divertido, chegando mais perto. Nami ainda usava o vestido branco e as asas estavam devidamente guardadas.

- Desculpe. Preciso lembrar que agora meus socos atingem os outros. – Ficou de frente para ele, ergueu a mão direita e tocou, com o polegar e de leve, as olheiras profundas que ele possuía – Você parece abatido.

- É fome. – Respondeu, fixando seus olhos nos orbes castanhos dela. A presença da ruiva lhe dava paz – Quanto tempo você tem até se tornar humana completamente?

- Três meses. Ah, mas as asas vão sumir daqui a alguns dias, o que também fará com que eu me machuque, pois aí minha última semelhança com um anjo sumirá.

-...

- Sim, Law, eu vou morar aqui com você. Não, não tenho dinheiro. Eu gosto da ideia tanto quanto você. Não, eu não leio mentes, seus olhos é que te deduram. Sim, eu só tenho essa roupa. E fique tranquilo, quanto mais rápido nós resolvermos seu problema inicial, mas rápido eu vou embora e mais rápido você volta à sua vidinha.

- Você é uma anja bem impaciente. – Comentou e segurou a mão dela, abaixando-a – E então, você disse que Bonney se tornaria um Incubus, certo? – Questionou sentando-se à mesa.

- Ah, sim. Quando a pessoa se liga muito ao mundo, ela vira um demônio ou uma alma penada. Se li direito sobre a Bonney, ela se tornaria um Inccubus.

- Não deveria ser um Succubus?

- Sei lá, nunca lembro a diferença entre eles. – Deu de ombros e colocou o café-da-manhã na mesa.

- Desinformada que nem você não tem.

- Quer ganhar outro galo?

- Já calei. – Sorriu de canto e pegou um bolinho de arroz – Ei, anja-ya.

- Meu nome é Nami.

- Nami-ya, você pode ser explosiva, mas até que consegue fazer um onigiri.

- Eu devo me sentir lisonjeada ou ofendida? – Law apenas soltou uma pequena risada, como se dissesse "Descubra sozinha, que eu não vou falar" e continuou com calma manducação* (*Mastigação).

Notas finais
Revieews?