Pecaminoso
4 Bonney e o namoro
Notas iniciais
- Então... Vou ter que te aguentar, não?
- Quem mais está sofrendo com isso não é você, pode apostar nisso. — Nami disse e sentou-se na cadeira ao lado dele.
- E como pretende começar a sua missão?
- Boa pergunta... Acho que seria uma boa ideia a gente dar uma caminhada por aí, conhecer outras pessoas e...
- Não. — Law interrompeu frio.
- Heh?
- Você não vai sair dessa casa.
- Como é?
- O que acha que vai acontecer se me virem andando com uma mulher como você?
- Como assim uma mulher como eu? — A ruiva já estava se irritando. Como aquele homem ousava...?
- Fora do comum. Tenho uma reputação a zelar.
- Pensei que não se importava com a opinião dos outros.
- E eu não me importo.
- Então onde está o problema?
- Escute, se algum repórter idiota resolver subir na vida e fofocar sobre um dos melhores médicos existentes, tudo o que eu fiz até agora vai ir por água a baixo, isso sem falar de como é difícil calar a boca da mídia. E se vamos ter que conviver, consequentemente você também vai ser atingida.
- Ouvindo isso, até parece que você se importa comigo...
- Eu não ligo para você, desde que eu não me dê mal no final... — A anja abriu a boca para retrucar, mas uma voz na entrada da mansão a interrompeu.
- TRAFALGAR LAW! — A voz de uma Bonney furiosa ecoou — COMO ASSIM VOCÊ CHUTOU A KATIE?! QUERO UMA EXPLICAÇÃO PLAUSÍVEL! AGORA!
- Era só o que me faltava... — Law resmungou e se levantou — Fique aqui, eu vou resolver um assunto. — Ordenou para a anja e saiu da cozinha.
- Fique aqui, eu vou resolver... — Nami o imitou contrariada — Eu vou resolver é se devo dar um soco de direita em cima do galo antigo ou se faço um outro... Eu é que não fico aqui... – Saiu da cadeira ainda remoendo as falas do moreno e foi em direção à entrada do casarão, ouvindo as vozes cada vez mais perto.
- Bonney, quando você vai entender que não é da sua conta minha vida amorosa? – Traffy pôde ser ouvido dizendo com tédio e um tanto de desgosto.
- Vida amorosa inexistente, né? – Jewelry retorquiu com ironia – Law, você precisa de alguém...
- Para ficar do meu lado, me amar e me ajudar...? E vai achar esse alguém antes ou depois do Coelho Branco chegar atrasado ao chá da Rainha? – Sorriu cínico, porém seus olhos mostravam o quanto ele já estava irritado com aquilo. Maldita cabeça de chiclete.
- E você pretende morrer solitário e sem nunca ter sorrido na vida?
- Ou você é vidente, ou foi um chute certeiro...
- Tem que ter alguém nesse mundo enorme que consiga te fazer mudar! Tem que ter!
- Espera deitava, pois sentada vai doer o traseiro...
- Então eu vou procurar outra.
- Bonney, você não vai desistir nunca?
- NÃO! Não até você se contentar com uma e... – Se interrompeu ao notar a presença de uma mulher de cabelo laranja – Quem é você? – Trafalgar se virou e fitou reprovador a ruiva.
- Eu não disse para ficar na cozinha...?
- Era chato lá. – Nami deu de ombros, andou até a rosada, estendeu a mão e sorriu – Você é a Bonney, não é? – A outra apenas assentiu e segurou a mão que lhe fora oferecida – Law me contou muito sobre você. Eu me chamo Nami e vou ficar por aqui um tempinho, então espero que sejamos boas amigas!
- Law, algum motivo para ter uma garota aqui? – A mulher questionou curiosa. O moreno abriu a boca para responder, mas foi cortado – Já sei, ela é o motivo para você ter chutado a Katie! Ah, seu malandro! – Puxou Nami para si e a abraçou bem forte – Nami-chan, espero que você consiga mudar esse idiota! Eu te desejo toda a sorte do mundo!
- Obrigada, vou precisar... – A ruiva respondeu sorrindo e devolveu o abraço. Era tão bom sentir o calor humano depois de tanto tempo!
- E Law, seja bonzinho com a Nami, ouviu? – Jewelry soltou a ruiva, andou até ele e deu um tapa no braço do homem – Se fizer alguma coisa que ela não queira, eu te mato! – Ameaçou, voltou-se para a mulher que agora era a suposta namorada do médico, e sorriu – Até, Nami! Não deixe esse idiota te fazer algum mal, okay? Não hesite em bater nele quando esse sádico te irritar. Sério, isso acalma que é uma beleza, parece com aquele calmante... Qual era o nome? Aquele com gosto de maracujá?
- Maracujina...? – Law respondeu lentamente, ainda processando tudo que acontecera até aquele momento.
- É, é, essa aí... Ou alguma coisa assim. Ah, tanto faz, o importante é que você finalmente achou uma namorada e por conta própria. O Kid precisa saber disso! – Disse e correu para a porta de saída, gritando uma despedida no processo.
Nami e Law ficaram parados e entreolhando-se. O que diabo acontecera? Alguns segundos em silêncio foram o suficiente para a ficha cair.
- Você dizia o que sobre as pessoas não saberem que eu sou? – Nami perguntou debochada.
- Maldição... O que infernos você estava pensando? – Law bronqueou – Eu não acabei de dizer que não seria bom se os outros descobrissem sobre você?
- Assim fica mais fácil me introduzir na sua vidinha sem graça e a missão se simplifica! Aí quando eu for embora, você já vai ter alguém para amar... Nossa, isso soou romântico demais para mim... – Franziu o nariz.
- Pois muito bem, mas por um acaso você sabe o que um casal de namorados faz, sua anja louca? — Sorriu malicioso
- Um casal de namorados...? – Ela corou como um pimentão, finalmente se tocando.
- Se pensou em beijos, abraços e caminhadas de mãos dadas, então devo lhe dizer que está completamente certa. Enquanto estamos sozinhos, podemos ficar o mais longe possível, mas nas frentes dos outros...
- E... Eu não posso! Sou um anjo! Anjos não mentem nem enganam!
- Você não é meio humana? Humanos mentem pra caramba.
- Mesmo assim... – Suspirou – Ah, por que fui aceitar essa missão idiota?
- Então vou ter que te deixar apresentável.
- Pois você tem uma reputação a zelar e blá, blá, blá. E como assim apresentável?
- Você não vai poder sair por aí sempre com esse vestido, Nami-ya. Isso seria ridículo e anti-higiênico.
- Traduzindo: Nós vamos às compras! Ah, que sorte que eu dei em pegar alguém rico! Sempre quis saber como eu ficaria com uma roupa daqui da Terra! – Comentou com os olhos brilhando.
- Só falta essa maluca ser uma consumidora compulsiva... – Law murmurou bem baixinho, porém a jovem ouviu mesmo assim.
- Disse alguma coisa, Law?
- Nada, nada.
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