Pecados

24 Capítulo 24 - Final, parte 1


Notas iniciais
Olha a surpresa :D, boa leitura e atenção as notas finais!

Cinco anos depois, Inverness, Escócia

Mal o sol começara a aparecer no horizonte, e o frio do inverno escocês tinha que ser deixado de lado. Haviam aparelhos a serem checados, toda uma linha de produção a ser mantida, além de uma loja para ser tocada durante a tarde. Atualmente, sua vida envolvia uma rotina longa e cansativa, mas ajudava a manter a mente ocupada e desperta. Afinal, não haviam mais viagens mundo afora, o peso frequente das mais variadas armas, nem a necessidade de manter os seus sentidos sempre no limite. Não havia mais a necessidade de ser um assassino.

A nova vida trouxe novos e interessantes prazeres para Naruto, coisas que antes ele não tinha o luxo de cogitar. Agora ele tinha tempo e interesse em acompanhar um esporte, ver filmes ou qualquer programa que viesse na cabeça. Academia e exercícios físicos tiveram a intensidade diminuída, agora ele conseguia encontrar prazer em uma corrida. De vez em quando, se entregava ao novo vício: pôquer. E de uns meses pra cá, vinha cogitando criar um cachorro.

Pela primeira vez, tudo que ele fazia era exclusivamente por querer ou gostar. Isso era o que o animava quando pensava no fim da Vongola. Afinal, a família não trouxe apenas desgraça para a sua vida.

Vladivostok, Rússia, alguns anos atrás

Chegar até ali, fora um verdadeiro desafio para Hinata. Se não fosse a ajuda de Sasuke, ela não teria fundos para arquitetar tudo aquilo e uma hora ou outra, teria que soltar a informação que colhera sobre Madara. Felizmente, o dinheiro e os equipamentos que ela conseguiu surrupiar antes da partida para Ecaterimburgo, dariam a ela um bom tempo para buscas. Afinal, em pouco tempo o círculo fecharia absurdamente para o ex chefe da Varia.

Faziam exatas duas semanas desde que ela deixou Ecaterimburgo e seguiu para Vladivostok a bordo de um trem da transiberiana, uma vez instalada, teve o último contato com a Vongola. Uma cortesia de Shikamaru que a avisou dos planos de Naruto: em poucos meses, ele divulgaria toda informação que a Vongola continha e destruiria a família. E isso era extremamente benéfico para os planos dela.

Como Shikamaru dissera, a movimentação da família em relação a dissolução já começava a movimentar o mundo da máfia e isso mudaria todo o cenário. Qualquer mafioso com o mínimo de poder e dinheiro, saberia que seu nome estaria nos documentos que a Vongola viesse a divulgar, se ele não fosse morto pela nova liderança da máfia, seria morto ou preso por algum governo. Isso na prática, diminuía o número de pessoas que Madara poderia contratar para sua segurança, assim como o número de esconderijos que ele poderia criar. Ela destruiria Madara com as próprias mãos.

O pequeno apartamento que ela alugou, era as margens da baia de Zolotoy Rog, daquele ponto em diante, ela varreria cada metro daquela cidade se preciso. Aquela era a vendeta dela, não de Naruto. Por mais sufocante que a morte de Hanabi ainda fosse, ela não conseguira culpar Naruto por aquilo. Tentara de todas as formas empurrar a culpa e a dor para cima dele, mas nunca conseguiu de fato. Ela sabia bem o quão obstinada Hanabi era, mesmo com a pouca idade que tinha, a mente dela sempre foi forte. Naruto jamais a impediria de seguir o que julgava certo, ele poderia ser culpado por ter ignorado o desenrolar das ações de Madara naquele dia, mas a culpa por tudo aquilo caia no peito da própria irmã, Hanabi trilhara o próprio caminho e traçara seu destino.

Ela sabia que enquanto estivesse ao lado dele, Naruto ficaria preso naquele ciclo de autopunição até destruir a si mesmo. Para ele, era impossível deixar de amá-la, mas também era impossível se perdoar pela morte de Hanabi. Isso abalava o senso dele, ficou claro para ela. Afinal, ela achou a pista de Madara na primeira semana, Naruto levou várias para achar simples capangas da Bratva.

Aquela caçada seria executada por ela, Madara seria a exclusão quanto aos seus ideais. Era a única pessoa que ela estava verdadeiramente disposta a matar.

Foram precisos três longos meses para ela conseguir determinar em qual área da cidade Madara se escondia, e para a surpresa dela, era mais perto que o imaginado. Ele estava a pouco mais de quinze minutos do apartamento dela, refugiado em uma luxuosa cobertura.

Foi fácil para ela reunir informações. Nada que um corte de cabelo diferente e um pequeno disfarce não resolvesse. Em pouco mais de uma semana, ela conseguiu seguir dois dos seguranças e determinar a rotina dos homens. Desde então, ela conseguira reunir boas notícias com base na rotina dos seguranças. Aprendeu que eles não eram mafiosos, nem criminosos ao que parecia, Madara fora obrigado a recorrer a uma firma de segurança privada. Gastava rios de dinheiro para manter seis homens basicamente treinados mantendo a segurança.

Na terceira semana, descobriu o quão mal treinados os homens eram, tomaram uma surra em uma briga de bar. Ela não teria problemas em subjuga-los se fosse necessário. A informação mais preocupante veio logo em seguida, aparentemente, nenhum dos seguranças tinha acesso ao interior do apartamento ou ao próprio Madara. Os seis homens se revezavam em duplas ou trios, tudo dependia do movimento no prédio.

Se Madara não dava acesso a própria segurança, isso significava que ou ele estaria extremamente cauteloso quanto a quem contrata, ou que ele poderia ter feito todo aquele esquema como uma distração para não revelar o verdadeiro esconderijo.

De qualquer forma, ela precisaria invadir aquele lugar.

— Sua segurança é horrível, sabia disso?

Por um momento, Hinata congelou. Mal havia entrado no próprio apartamento e havia alguém lá. Um homem ruivo, de olhos verdes e um sorriso terrivelmente satisfeito em quase tê-la matado do coração.

— Gaara?! – ela soltou a respiração, jogou-se no sofá e guardou a arma, o coração parecia prestes a explodir – Por Deus, homem! Podia ao menos ter avisado.

— Se eu avisasse você provavelmente fugiria.

Ela passou um olhar nervoso pelo apartamento, teria Gaara informado a alguém sobre ela?

— Relaxe. Não disse a Naruto onde você está, muito menos que te encontraria. E sim, eu sei que Madara está aqui. Ao contrário do meu antigo chefe, minha cabeça ainda funciona corretamente, não estou ruim a ponto de não conseguir rastrear o projeto de mercenária que você vem se tornando.

— Então, se você não trouxe Naruto aqui, o que veio fazer?

— Checar se você ainda está viva.

Embora nenhum dos guardiões tenha efetivamente maltratado ela, Gaara era um dos mais prestativos em relação a ela.

— Por enquanto, ainda respiro. Desde que não vire moda você me dar esses sustos.

— Não se preocupe. – ele levantou da cadeira onde estava e apontou uma mala próxima a porta – Trouxe alguns equipamentos, pro caso de ser necessário. Agora... Estou a três horas te esperando nesse apartamento, sem comida.

— Desculpe, raramente fico um dia inteiro aqui. Acabo nunca estocando nada! Tem um ótimo restaurante aqui embaixo. Eu poderia ter uma conversa, para variar.

Não demorou até eles chegarem ao restaurante, muito menos até Gaara começar a beber.

— Como ficaram as coisas em relação aos membros da Vongola? E as famílias associadas?

— Foi uma situação complicada, para dizer o mínimo. Grande parte dos membros conseguiram sumir no mundo, alguns conseguiram acordos e estão trabalhando para agências de inteligência mundo afora. Como a máfia em geral foi implodida com o dossiê, as famílias que estão de pé, se uniram a Giglio Nero. Eles costuraram um acordo “extra oficial” com a ONU, serão pagos pelos governos para manter o trabalho de limpeza iniciado pela Vongola. Muitos dos membros da nossa família, provavelmente faram o mesmo e irão para a Giglio em algum momento. Não são todos que vão conseguir sustentar uma vida calma.

— E você, o que fará? E os outros guardiões?

— Só tenho notícias minhas, de Shikamaru e de Naruto. Ficarei com Shikamaru na Giglio por um tempo, ajudaremos eles a se acostumarem com o sistema que criamos para as incursões. Depois, digamos que eu já tenho muitas mortes nas minhas costas. É hora de parar. Shikamaru também vai parar. Naruto foi para a Escócia. É bem provável que Sasuke esteja por lá também, agora que Sakura pode viver sem o medo da sombra da Bratva, a vida dele vai ser mais fácil.

— É mesmo! A Bratva! Alguém conseguiu terminar com eles?

— Eu matei o último cabeça uma semana depois de você partir de Ecaterimburgo. Os peixes pequenos foram todos presos pela Interpol.

— Entendo. – ela fez uma pausa, esvaziando um copo de vodka – Como ele está?

— Naruto? Na última vez que o vi, a exatos quinze dias, tão mal quanto você possa imaginar, mais ele vai se recuperar um dia. Se vai ser uma pequena parte, ou quase que completamente, vai depender de quem estiver ao lado dele. Naruto sempre foi diferente de nós, a mente dele vai se recuperar e se adaptar a vida fora da Vongola. Só espero que você não faça nenhuma besteira e invente de morrer.

— Eu vou tentar ficar viva, não se preocupe.

Após a partida de Gaara, Hinata decidira que finalmente era hora de agir, já havia juntado o máximo de informações possíveis e já possuía meios mais que suficientes de entrar naquele prédio. Era hora de finalmente terminar aquilo tudo.

Alguns anos mais tarde, Inverness, Escócia

O fim daquele dia, marcava também o fim do inverno e para o alívio de Naruto, não ouve neve naquele fim de tarde. Circular pela propriedade já era cansativo sem neve ao fim de um dia puxado, quando a camada de neve ficava espessa, era ainda mais desanimador terminar o dia. Afinal, era raro o dia em que ele não subia a colina para gastar algum tempo lá.

Fora naquele mesmo lugar, anos antes, que ele contara para Hinata sobre o Agogê e sobre diversas outras coisas acerca do passado deles. Naquela época, as memórias eram frescas e intensas, hoje em dia, tudo era saudosamente calmo na cabeça dele, como se as emoções estivessem enfim, trancadas e controladas. A clareira na colina mudara um pouco, ele expandiu a trilha entre as árvores e criou uma pequena estrada cercada, afinal, não era apenas ele que costumava ir ali. No topo, uma pequena cerca demarcava até onde era seguro ir. No final da caminhada, ele sentou ao lado da lápide colocada no centro da clareira e encarou as montanhas no horizonte, tudo era lentamente mergulhado na escuridão.

— Quase que não venho aqui hoje. – ele encarou a lápide e pegou a garrafa de uísque que ficava ali – Dia complicado, a droga da caldeira deu problema outra vez, falei que precisaríamos trocar. Mas você sabe como Sasuke é. Amanhã ele que se vire com a destilaria, eu vou dormir até não aguentar mais!

Depois de uma rápida bebericada na bebida, ele tampou a garrafa e a colocou ao lado da lápide outra vez. Era um monumento de mármore branco com letras douradas, nada complicado, era simples e belo.

— É estranho ficar tantos dias sem vir aqui. Culpe o Sasuke por isso, a teimosia dele nos fez ter vários problemas essa semana, cheguei em casa tão cansado que mal tive ânimo para um banho.

Ele só levantou do gramado e começou a voltar o caminho para fora da colina quando a lua começou a iluminar o lugar. A hora correra com pressa enquanto ele tagarelava sozinho lá em cima. Aos poucos, o belo santuário foi ficando para trás, depois de alguns minutos, a lápide já não mais visível, e as letras douradas que estampavam o nome “H. Hyuuga” ficou em fim, imerso na solidão daquele lugar.

Notas finais
Bom pessoal, optei por postar hoje, a madrugada foi produtiva e o capítulo 25 está pela metade. Eu pretendia postar apenas mais um capítulo, só que ficaria grande demais, então acabei postando uma pequena parte hoje. Tentarei postar o restante até domingo! PS: novamente, desculpem pelos prováveis erros, não tenho mais olhos para revisar e não consigo dormir enquanto não postar, manias... fazer o que. PS²: Sim, essa parte foi retirada do capítulo original e postada aqui de forma proposital. muahahahaha, vou deixar vocês no mistério quanto a qual final eu escolhi para Pecados. PS³: Sim, eu já terminei fics com bad end! No mais, só lendo o 25 para saber! :D