Pecados

25 Capítulo 25 - Final, parte 2


Notas iniciais
Bom pessoal, ai está o fim de Pecados! Boa leitura!

Subitamente, a vida de Hinata passara como um filme acelerado diante dos seus olhos. Um filme opaco e queimado que ganhava cor e forma após anos de esquecimento, lá estavam os anos difíceis da reabilitação, as cansativas e dolorosas seções de fisioterapia, o longo tratamento psicológico que a ajudou a readequar-se no mundo. Passou por ela a relação complicada e indispensável com a irmã caçula, a ausência dos pais mortos e todos os dilemas que envolviam a sua situação.

Naquele curto momento de silêncio, ela não estava em uma situação sem volta, perdidamente desesperada. Naquele pequeno momento de paz, ela se concentrou em tudo que não pudera fazer, tudo que lhe fora roubado. E também, de tudo que ela abria mão por uma vingança estúpida. Por algum motivo, ela soubera que tudo aquilo era fútil no momento em que pisou em Vladivostok. Poderia simplesmente ter se isolado por um tempo, poderia ter retornado quando descobriu que Naruto implodiria a Vongola. Ela poderia ter entrado em um avião e seguido para a Escócia, Gaara deixara dinheiro, documentos e um passaporte para ela, seria fácil. Seria o caminho correto a seguir.

Não apenas por ela, ou por Naruto, mas pelo pequeno motivo que crescia no seu ventre.

O período atrasado, os hormônios bagunçados mexendo com seu humor, o enjoo e a náusea, ela sabia o que acontecia a ela. Ela estava grávida, passava por um momento que sempre teve curiosidade para presenciar, não importava o quão deturpada e estranha fosse a relação dela com Naruto, não importava nem mesmo as pendências que tinham um com o outro, aquele bebê poderia mudar tudo, poderia salvar a relação deles.

E mesmo assim, ela correu. Haviam muito mais nuances entre ela e Naruto do que gostaria de admitir. Uma delas, era o irrefutável sentimento de medo e desconfiança. Quem garantiria que Madara não bateria na porta deles? Ela sabia que Naruto uma hora, não conseguiria mais simplesmente viver sem ter a certeza que o inimigo estava morto. E ela não queria que ele carregasse mais essa morte, não depois de Hanabi, não depois dele perder o controle para o anel do céu. Hinata percebeu os sintomas quando estava com ele em Vladivostok, algo mudara nele, parte da alma de Naruto tornara-se perigosamente volátil.

Ela entendeu melhor aquele mundo quando observava a rotina da Vongola. Grande parte daquelas pessoas, principalmente as que portavam os anéis, sabiam se proteger, proteger seu íntimo, sua mente. Isso mantinha seus ideais intactos, garantia uma trava de segurança em seus corpos, impedindo que eles se tornassem meros açougueiros. Como Naruto a dissera uma vez, ele aprendeu a trancar sua alma bem fundo na sua mente, separar o coração da mente era crucial para não ceder sob a pressão. Só que as paredes construídas por ele, desabaram quando Hanabi morreu, E ela sabia bem que essas paredes eram impossíveis de serem reerguidas. A dificuldade dele em se concentrar, a falta de foco e força de vontade para subjugar o anel ficou clara quando ele matou os homens da Bratva.

Permitir que ele matasse alguém era algo fora de questão. Fizera Sasuke prometer, ele manteria o amigo longe de tudo até que fosse seguro.

O único problema, era a insistência do destino em complicar sua vida. Tudo isso pelo único pequeno detalhe que ela jamais esperaria acontecer.

Todo seu plano correra como planejado, ela conseguiu se infiltrar na agência de segurança contratada por Madara, foi até fácil levando em conta a passividade dos seguranças, aqueles homens já estavam tão acostumados com o rodízio de pessoas que não estranharam a presença de Hinata no lugar de um dos novatos. Entrar no apartamento de Madara fora o mais difícil, precisou se esgueirar na troca de turno e entrar pela janela, pulando as varandas do exterior. Foi ali que os seus medos começaram a ganhar forma. A falta de vidros blindados e trancas de primeira na janela fizeram seu receio aumentar. Tudo parecia, afinal, um simples chamariz.

Tudo conspirava para isso, a pouca segurança, as janelas com o mínimo de segurança. Tirando o reforço acústico que o vidro recebera, não havia nada demais naquele lugar. Poucos segundos foram suficientes para ela arrebentar a tranca e abrir a porta de correr da varanda. Foi ai que tudo veio a tona.

Um odor pungente quase a sufocou. Havia algo podre ali dentro, o cheiro veio tão forte e intenso que a fez vomitar na mesma hora. Uma nuvem de moscas se movia lá dentro.

Apenas morte habitava aquele apartamento, Hinata sentira o toque frio e inerte na pele. Ela precisava sair dali o mais rápido possível, mas antes ela precisava confirmar se Madara estava lá, por mais que seus sentidos berrassem o nível elevado de perigo. Pela primeira vez ela sentiu falta do anel da chuva, geralmente a joia lhe exigia tanta concentração para ficar sobre controle, que não restava tempo para sentir receio ou medo demasiado. Nem mesmo o toque frio da pistola em sua mão conseguia apaziguar o medo.

Seis corpos se revelaram quando ela cruzou a sala de jantar e deslizou a porta de divisão para a sala de estar. Pelo fedor, a quantidade de insetos e o avançado estado de decomposição, aqueles homens estavam mortos a semanas. E bem na ponta, próxima a lareira alimentada a gás, lá estava o corpo de Uchiha Madara.

Por mais que nunca tivesse visto o homem pessoalmente, ela vira tantas fotos dele que conseguiria dizer cada aspecto daquela face nos mais simples detalhes. O tiro na testa denunciava que alguém chegara bem antes dela, ou que talvez, o próprio Madara tirara sua vida, as armas próximas aos corpos indicavam a possibilidade.

Foi a tontura que chamou a atenção de Hinata. Algo ali estava errado, não era só o fedor impregnado no ambiente, havia algo mais, algo leve o suficiente para passar despercebido em meio a podridão dos corpos. Algo que tremulava com intensidade perto da lareira.

O gás!

Segurando a respiração de imediato, ela atravessou a sala com pressa, não havia como os seguranças não terem sentido o cheiro do gás. E mesmo que eles ainda estivessem de guarda, não importava, qualquer mínimo contato naquele corredor e tudo iria pelos ares.

Ela percebeu que a situação era pior quando saiu do apartamento. Várias pessoas corriam em direção as escadas, o cheiro do gás era ainda mais forte no corredor. Alguém havia armado aquilo, era uma armadilha para quem viesse atrás de Madara. Hinata não tinha tempo para pensar naquilo ou considerar qualquer plano, tudo que ela fez foi seguir o pequeno fluxo de pessoas que evacuavam o andar pelas escadas.

Ela mal descera dois andares quando escutou um assobio, como o estalo de um chicote. E então o prédio tremeu, a onda de choque a atirou contra a parede, fazendo com que ela rolasse três lances de escada. Os flashes de consciência ainda a permitiram enxergar o fogo devorando tudo nos andares superiores. Com todo o esforço que conseguiu fazer, ela tentou se arrastar pelos degraus, as pernas não respondiam, grande parte do corpo não respondia. O sangue correndo pela testa indicava que ela batera a cabeça mais forte que o imaginado.

Hinata apagou completamente quando conseguiu chegar próxima a porta do décimo sétimo andar, o quarto abaixo da cobertura.

Inverness, Escócia, um ano depois

A carta que Hinata deixara para ele em Ecaterimburgo estava ali, esticada na sua mão faziam duas longas horas. Naruto abrira o envelope, mas ainda não tivera coragem para puxar a carta. O desconhecido conteúdo presente naquele papel fazia algo dentro dele se agitar, um sentimento pesado e amedrontado se contorcia no seu peito, haviam dezenas de possibilidades para aquela carta. E ele só conseguia imaginar as piores. Não haviam motivos para imaginar o contrário.

Após virar metade de uma garrafa de uísque garganta abaixo, em um único gole, ele puxou a carta. O papel era único, uma pequena folha dobrada e meio amarelada no canto. No centro, uma única linha. Um endereço na cidade de Vladivostok.

Vladivostok, Rússia, um ano atrás

A consciência de Hinata voltou como uma pequena onda. Diferentes intensidades de dor emanavam pelo seu corpo, sua perna esquerda parecia prestes a explodir, seu braço direito queimava, a pele pulsava com uma dor insuportável. Ela sentiu um solavanco jogar o seu corpo alguns centímetros para cima, e então dois pares de mãos a empurraram e a seguraram contra o chão. Ela abriu os olhos com dificuldade, armários, um teto de chapas de alumínio e dois homens claramente preocupados a encaravam. A sirene da ambulância ecoava na sua mente de tempos em tempos, como se algo tapasse seus ouvidos por longos períodos.

Quando sua cabeça começou a latejar, a sensação de que algo ali estava prestes a explodir a fez gritar de dor. Respirar era difícil, o oxigênio empurrado pela máscara no seu rosto parecia insuficiente. Por um segundo, ela sentiu toda a extensão dos seus machucados e então, a consciência desapareceu, um dos paramédicos enfiou uma agulha no seu braço e a apagou antes que Hinata tivesse a chance de rasgar a própria garganta com um grito.

Uma quantidade desconhecida de tempo correu enquanto Hinata permaneceu inerte, mergulhada na própria mente graças aos remédios induzidos nela. Quando uma onda química diferente correu nas suas veias, ela sentiu algo puxar sua mente. Levou poucos segundos até seu corpo responder os estímulos e ela conseguir abrir os olhos. A medida que seus sentidos retornavam ao estado normal, a dor cresceu de forma semelhante. Sua perna esquerda estava completamente imobilizada, o braço direito pulsava, a cada segundo a dor mudava de intensidade. Ela percebeu que quebrara a perna, provavelmente em vários lugares diferentes, o braço fora queimado gravemente, a faixa queimada ia desde as costas da mão, serpenteando até o ombro. A ferida era vermelha e escamosa, embora a dor ainda fosse pior que a aparência.

— Senhorita.

Ela percebeu um dos médicos chamar sua atenção. Hinata tentou fixar o olhar, mas sentiu algo incomodar quando mexeu a cabeça, haviam curativos na lateral do seu crânio, seu cabelo fora raspado quase que todo na área ao redor da orelha.

— Tente não se mover, sua condição ainda é crítica. – o inglês carregado do médico russo era complicado de entender – Senhorita, preciso que você entenda a sua situação.

— O que eu tenho?

— Você sofreu múltiplas fraturas na explosão. Seu braço está queimado e você também o quebrou. Sua perna esquerda tem a tíbia fraturada em dois lugares, seu joelho direito precisa ser reparado. Você corre o risco de perder os pulmões, sua laringe e traqueia estão prestes a ruir. E ainda precisei furar o seu crânio para aliviar a pressão no seu cérebro, você teve uma lesão feia. O problema... É que você precisa de múltiplas cirurgias. As chances de você sobreviver sem uma cirurgia no trato respiratório são medianas. Você está grávida. Isso só me permitiu aplicar uma fração de medicação que precisa, principalmente os antibióticos pesados para a queimadura. Você precisa considerar interromper a gravidez, as chances –

— Não.

A negativa veio forte e decidida, o médico a encarou pessimista, já ciente de qual seria a conduta da mulher. Não havia margem para discussão, não importando o argumento que fosse usado.

— Vou manter você nessa unidade hermética, dessa forma, diminui as chances de você ter uma infecção na queimadura. Mas não poderei fazer nada quanto aos seus pulmões, se eles falharem, você e a criança vão morrer.

— Quais as chances de dar errado?

— Cinquenta por cento.

Viver ou morrer. Era o veredito, a menos que encerrasse a gravidez, tudo dependeria de uma sorte que nunca sorria para ela.

Pouco a pouco, cada segundo tornou-se excruciante para Hinata. A dor frequente no braço, a dor intermitente nas pernas e nas costas, além de todo o sofrimento que era respirar. Cada vez que seus pulmões inflavam, pareciam cheios de brasa, ela tinha a sensação de que algo arrebentava a cada vez que expirava.

As primeiras horas foram um desafio, o primeiro dia, um teste. O segundo dia, tornou-se cansativo e punitivo, ela mal conseguia manter-se desperta, o corpo começava a desistir. Ela começava a desistir. Sentia seu coração diminuir as batidas, quanto menor o ritmo no seu peito, menor o esforço para respirar e menor a dor. Na metade do segundo dia, por duas vezes seus batimentos chegaram a quase parar, como o médico cochichara duas vezes, ela ia e voltava pela própria força. E ela entendeu que queria viver, na mesma intensidade que precisava desistir. Os sentimentos e a pequena vida no seu ventre eram as finas cordas que amarravam ela no mundo. Toda a dor e sofrimento que segurava, era um oceano que tentava arrastá-la para longe.

No final do segundo dia, as cordas finalmente pareceram romper, na medida em que finalmente, ela sentia a dor desaparecer.

Ferrovia Transiberiana, Rússia, um ano depois

O compasso suave e constante do trem, era ao mesmo confortante e irritante. Graças as tempestades do inverno russo, chegar em Vladivostok de trem seria mais rápido que esperar uma boa condição para voar. Faziam exatos seis dias desde que Naruto abrira a carta. Seis dias desde que entrara no primeiro voo para Moscou. Atravessar a Rússia foi mais complicado que o previsto, conseguira chegar até metade do país por avião, no entanto, depois de dois dias com voos desmarcados pelo mal tempo, ir de trem até Vladivostok acabou sendo a opção mais viável.

Naruto não tinha a mínima ideia do que encontraria lá, do que aconteceria. Nos últimos meses, ficara difícil manter contato com os antigos guardiões, apenas Sasuke permanecera por perto. Sem a antiga rede de informação, as pistas sobre Madara sumiram completamente, uma mensagem de Gaara datada de meses atrás, sugeria que o antigo inimigo morrera em uma explosão, justamente em Vladivostok. Essa pequena informação, era como uma adaga cravada no peito. Ele buscou informações na internet sobre tal explosão. Oficialmente, um vazamento de gás que explodiu a cobertura de um prédio, que fora devorado pelas chamas após dois incessantes dias de trabalho dos bombeiros para conter os danos. Cento e sessenta e duas pessoas morreram no acidente, trinta corpos foram encontrados nos destroços do prédio, setenta e três morreram antes mesmo de chegar ao hospital. O restante, morreu nos dias após internação, todos os óbitos decorrentes de complicações por intoxicação e ferimentos mais graves.

Não havia uma singela pessoa que sobrevivera ao acidente, que internamente era tratado como terrorismo pelo governo russo. Algo pinicava na nuca de Naruto sempre que ele pensava nesse acidente. Depois das informações desconexas e hesitantes que recebera de Gaara, ele não conseguira tirar da cabeça que Hinata conseguira rastrear Madara e que, de alguma forma, ela estava relacionada a esse desastre. Ler a carta, apenas trouxe uma pesada confirmação.

Depois de três dias inteiros dentro daquele trem, finalmente Vladivostok chegara. Mesmo assim, a nevasca ainda manteve Naruto nos arredores da estação por mais algumas horas. Assim que as ruas começaram a serem limpas e os táxis começaram a rodar, ele entregou o endereço para o taxista e seguiu em uma lenta e conturbada corrida.

Quando finalmente chegou, o prédio indicado pelo próprio taxista, era simples e não se destacava em meio aos prédios vizinhos. A rua à beira mar roubava todo o destaque do lugar, principalmente naquela época nevada. Assim que entrou no prédio e saiu do elevador no sexto andar, o nervosismo tomou conta dele. Pela primeira vez em muitos anos, o medo o dominou de uma maneira tão intensa, longos minutos correram enquanto ele arrastava os pés até a porta indicada no endereço. Ele tocou a campainha uma, duas, dez vezes. Insistiu no toque até um senhor, vizinho dali, aparecer e berrar em russo que “não tem ninguém ai fazem semanas”. Ele apenas agradeceu o aviso e tirou uma pequena chave do bolso. Poucos segundos depois, ele destrancou a fechadura com os grampos e a chave mestra e abriu a porta.

Uma pequena camada de poeira havia se alojado nos móveis da casa. Havia algo ali, um estranho sentimento no ar. Tudo parecia sem uso há muito tempo, não haviam fotos em lugar nenhum, nem qualquer sinal aparente de que alguém viveu ali. Tirando algumas peças de roupa no armário, e algumas louças por guardar, Naruto poderia dizer que o apartamento estivera fechado por anos.

Por um momento, ele esperou, esperou por alguém que não chegaria. Não haveria uma mulher de beleza incomum se esgueirando nas pontas dos pés tentando não fazer barulho enquanto se aproximava. Não haveria o toque macio das suas mãos ou o calor dos seus beijos.

Não havia nada ali para ele.

E ao mesmo tempo, havia tudo. Bem ali, parada na porta com um olhar atônito e aliviado.

— Naruto?

A voz soou rouca, como se a muito não fosse usada. E pelo estado dela, ele poderia jurar que esse era o caso. Haviam algumas cicatrizes na altura do pescoço, o cabelo mais curto, bem rente a nuca, não escondia totalmente as cicatrizes da sua cabeça, assim como o andar manco e inseguro indicava que ela não havia se recuperado totalmente.

Mas do que? Por que ela chorava mais do que ele? Durante todo esse tempo, Naruto imaginou que seria ele a chorar. Era justamente ao contrário, tudo que ele conseguiu fazer, foi dar um sorriso verdadeiro enquanto buscava anular a distância entre eles. Ele se preocupou quando encarou o rosto cansado dela de perto, a aparência cansada e debilitada dela constratavam com o olhar radiante e alegre, assim como o ar irremediavelmente feliz.

— Pensei que você jamais viria. Eu não sabia o que fazer!

— Eu nem mesmo sei o que pensar! – ele a abraçou, mas se afastou quando ela gemeu de dor pelo braço – O que aconteceu com você? O que aconteceu nesse tempo?

— Aconteceu muita coisa comigo, coisas que eu poderia ter evitado, mas fui teimosa demais para seguir minha razão. Só que isso tudo pode ficar para depois!

Ele havia percebido a preocupação dela com algo que estava no corredor. E a única coisa que a sua imaginação jamais havia considerado, era justamente o que estava a sua frente.

Em um pequeno cesto que ela trazia apoiado em um dos braços. Algo pequeno e rechonchudo se agitava ali dentro, esticando as mãozinhas para fora da coberta. Um par de olhos azuis, extremamente curiosos, encaravam ele com claro interesse.

— Hinata? – ela riu com a cara dele – Eu claramente perdi alguma coisa!

— Eu estava grávida quando nos separamos em Ecaterimburgo. Descobri umas semanas depois que cheguei aqui em Vladivostok. Essa é Himawari!

Inverness, alguns meses depois

Aos poucos, os meses de Hinata longe de Naruto foram sendo desvendados e revelados. Ela contara sobre Madara, sobre a tentativa de matá-lo e tudo que acontecera naquele prédio. Futuramente, Gaara e Shikamaru vieram informar que aquele era um atentado planejado para Naruto, fruto de alguns dos membros da Vongola contrários a decisão dele de destruir a família.

Pouco a pouco, ela revelou mais sobre os meses mais difíceis da sua vida. De alguma forma, ela conseguiu superar os dias na UTI e mesmo com o corpo quase arruinado, conseguiu levar a gestação de Himawari até o ponto onde a garota poderia sobreviver fora do útero da mãe. Nesse ponto, várias cirurgias foram feitas em Hinata para concertar o que fosse possível.

Quando Himawari completara seis meses, Hinata já havia recuperado o movimento normal das pernas, assim como as sequelas dos problemas no trato respiratório começavam a enfim, desaparecer. A única coisa que ela não recuperou de forma significativa, fora a sensibilidade e mobilidade do braço queimado. De vez em quando, ela ainda precisava de analgésicos para as dores que a fisioterapia causava. Antes que eles pudessem perceber, a pequena fonte de alegria e surpresas que era Himawari, já havia os feito esquecer o peso de uma arma ou até mesmo a sensação dos anéis Vongola. Era um caminho novo e totalmente desconhecido para ambos, mas cuja trilha vinha se mostrando perfeitamente empolgante.

Inverness, alguns anos depois.

É isso. Fora o último pensamento dele. Antes que percebesse, entrara novamente nos assuntos do passado. Tendia a se prolongar sempre que o assunto era a filha e a esposa, isso não havia mudado nos últimos tempos, pelo contrário, quanto mais histórias eles viviam, mais ele fazia questão de relembrar.

Por fim, já era tarde, a lua já havia atravessado para o outro lado da colina, se demorasse mais, daqui a pouco as duas estariam subindo a colina para saber o que diabos ele tanto fazia lá em cima. Logo, a lápide de Hanabi ficou para trás na colina.

— Até a próxima, minha velha Pioggia.

Notas finais
Bom pessoal, ai está o final de Pecados! Algumas considerações: Esse não é exatamente o final que eu planejei, originalmente, Hinata morreria nesse final, era o final que eu tinha em mente, mas acabou não ficando encaixado na história, não casou com o que eu pretendi passar nesses 25 capítulos. Por isso também eu optei por não dar tanto destaque ao bebê, acaba sendo + do mesmo, é um cenário que não tem como variar e acaba ficando repetitivo. Prefiro deixar os por menores acerca dessa família com a imaginação de vocês! Agradeço a todos que acompanharam Pecados e que tiveram paciência com esse autor indeciso! PS: Nos próximos dias eu estarei começando uma nova história, talvez seja a minha última fan fiction por um tempo, já que tem apenas mais uma ou duas ideias que pretendo adaptar, desse ponto em diante, provavelmente vou partir para um material 100% original. PS²: Perdão pelos erros. Esse humilde autor está indo dar uma leve morrida na cama, pois sim, eu não dormi essa noite pois o capítulo não deixou.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!