Past and Future with a little bit of Present
2 Um Parente do Futuro
Notas iniciais
Tudo parecia calmo neste momento. A vegetação movimenta-se com a leve brisa de verão, os pássaros e grilos comunicam entre si, a fumaça desaparecera e os dois jovens inventores permaneciam dentro do armazém.
No entanto a calmaria não dura muito sendo rompida pelo ruído de passos rápidos por entre as árvores que rodeavam aquela grande clareira pisando alguns galhos secos pelo calor. Juntamente a isto estavam vozes. Vozes agitadas.
– Nunca mais confio no sentido de orientação do Francis! – resmunga Tanya, com os cabelos negros sujos com folhas e os braços pálidos levemente arranhados, saindo primeiro de entre duas árvores enquanto chutava os arbustos nervosa.
– Pensava que fosse mais perto! – o loiro tenta defender-se – Eu nem sabia que isto fazia parte do nosso terreno! – resmunga, saindo logo depois do meio das folhas largas de uma planta; ao avistar o edifício à sua frente aponta para este indignado – E eu muito menos sabia que tínhamos ISTO aqui!
– Eu disse que deviam telefonar-lhes – comenta um rapaz moreno de cabelo pela nuca e olhos caramelo com uma expressão de superioridade fingida.
– Não sejas mentiroso, Danilo! Eu é que me fartei de avisá-los, mas como nunca ninguém me ouve... – diz uma jovem ruiva e alta saindo logo depois do outro.
– Vá, vá... sem brigas! – exclama o jovem mais alto do grupo, de olhos azuis-cinza, colocando-se entre os dois e levantando uma mão para afagar a cabeleira ruiva da amiga; depois vira-se para trás à procura de alguém – Onde é que eles disseram que estariam, Carlo?
O moreno em questão aparece depois de levantar um ramo baixo para poder passar, sendo seguido de Arielle e uma morena um pouco mais alta que a de óculos.
– Sinceramente, a mim, não disseram nada que desse para perceber! – comenta com um suspiro resignado.
– Ah! A entrada Norte vai estar aberta para nós! – exclama Arielle chamando as atenções para si.
– Como sabes isso? – pergunta a morena ao seu lado.
– A Chiara acabou de me enviar uma mensagem, Marina – diz com um tom de “óbvio, não?”.
– Então vamos lá! Despachem-se! – exclama Joe rompendo por entre o grupo em direção ao armazém, aparentemente, abandonado.
O grupo segue o mesmo caminho sem reclamar ou sequer dizer algo. O silêncio apenas permitia que a atmosfera pesada de mistério se alastrasse mais e mais. A tensão fornecida pela expectativa era quase palpável e por isso cada um deles permanecia no seu pequeno embaralhar de pensamentos e especulações. Neste momento só lhes importava ter certezas do que lhes fora dito.
Mas no final de contas, ao atravessarem os enormes portões da entrada Norte... mesmo que sem entender completamente bem... conseguiram perceber que o estranho discurso de Carlo sempre tinha fundo de razões. Aquele local permanecia abarrotado com maquinaria, cada qual mais complexa e estranha que a outra, mas bem no centro, quase completamente por de baixo do grande buraco no teto que quase atraiu a atenção de muitos, estava uma máquina peculiarmente “normal” em cujo redor estavam os dois jovens cientistas.
– Então sempre era verdade... – murmura um ou outro abismado.
Os dois jovens de batas brancas assustam-se um pouco com as vozes repentinas mas depois parecem conseguir recuperar a voz.
– Nunca duvidem das nossas capacidades... – diz a loira com um sorriso de lado e a voz rouca pela emoção de ver o seu projeto finalmente dar frutos.
– E funciona mesmo...?! – murmura Lara ligeiramente receosa.
– É claro que sim! – exclama Richard orgulhoso, levando as mãos sujas de óleo à cintura branca da bata de laboratório.
– Então vocês conseguiram. Vocês construíram mesmo...
O baixinho ruivo com uma careta de dúvida é interrompido pelo amigo inventor.
– Se nós conseguimos criar uma máquina do tempo? Claro que sim!
* * * Time * * * Minutes Later * * *
– Então… — começa Ivan, com uma pose pensativa desviando o olhar do chão para retorná-lo a todos ao seu redor – Com isto vocês querem dizer que saiu uma coisa-voadora-vermelha-não-indentificada pelo teto... – termina o seu raciocínio com um tom de “ainda não terminei!”.
– Sim – o rapaz de branco responde simplesmente, com um encolher de ombros.
– Então... – continua o jovem de olhos azuis-tempestade – Isso também quer dizer que estão aqui dentro desde esse momento, certo? – pergunta arqueando uma das sobrancelhas escuras.
– Exato! – esclarece a loira ao lado do parceiro.
– Um último ponto... – o mais alto recomeça com um suspiro pesado e cansado – Algum de vocês se preocupou em descobrir o que era aquela coisa? Sei lá... se é perigosa para a humanidade? Ou, pelo menos, de onde veio, ou melhor, que época? – comenta com simplicidade mas em tom de sermão, enquanto massaja as têmporas comprimidas de nervos.
Chiara e Richard entre olham-se nervosos e com as orbes chocolate arregaladas. Estava claro neste momento que nenhum dos dois tinha se quer pensado nesse pormenor. No entanto, como se fosse um ato de perdão, os jovens inventores apressam-se a alcançar tal Máquina do Tempo para verificar painéis e comandos que nenhum dos outros percebeu.
– Segundo o cronograma da máquina... – murmura a loira deslizando os dedos por um ecrã tátil acoplado a uma das paredes metálicas do invento – Aquela coisa, seja lá o que for, recuou cerca de 30 anos no tempo!
– E o pior... é que não é uma coisa qualquer... – murmura Richard de olhos arregalados.
A agitação geral pelo fato de terem uma Máquina do Tempo mesmo ali ficou ainda maior nos momentos seguintes de espera. O incrível fato de cada um estar antónito à real situação não parece grande coisa quando confrontados com o novidade que o moreno lhes mostrava. Dentro da máquina estivera nada mais nada menos... do que um ser humano. Não, não... nada de época medieval ou pós-dinossauros. Um ser humano normal. Na foto do interior da máquina dava para perceber cabelos morenos, pele bronzeada, olhos cor de caramelo meio esverdeados, roupas negras e uma estatura masculina. Um jovem ainda mas com idades de adulto já.
– Quem é este?! – pergunta Danilo curioso, que acabara de pegar na folha com a foto.
– Não sabemos mas... – Richard ergue o olhar chocado para o grupo – A análise do computador diz que essa pessoa partilha genes com Carlo... – anuncia ainda sem saber ao certo o que dizer.
Nesse momento um silêncio assustador devasta todo o armazém.
– Isso quer dizer que... – murmura o moreno em questão com as sobrancelhas franzidas em confusão.
– Quer dizer que, pelos cálculos, o homem que saiu daqui disparado pode muito bem ser teu sobrinho... ou filho – a loira esclarece com um sorriso de lado travesso.
– Para ti é muito fácil falar... – murmura Carlo de olhos semicerrados, como que para dar ênfase na sua frase.
– Claro que é! O filho não é meu! – exclama divertida, encolhendo os ombros descontraída.
A foto agora passava de mão em mão. Todos com a mesma curiosidade de conhecer alguém vindo do futuro e, para além de tudo, descendente de um dos membros da pequena “família de amizades”.
– Isto é demasiado estranho... – diz Lara, passando a folha para o próximo.
– Mas até que são parecidos...! – comenta Elinor tentando melhorar a situação.
– Só se for na cara feia! – exclama Pierre divertido.
A folha volta então para o moreno de branco que volta ao normal com um salto, determinado na sua decisão.
– Precisamos de descobrir onde é que ele foi parar! – avisa, sério – Ele tem que voltar para a sua época antes que mude algo aqui.
– Isto parece mesmo coisa de filmes! – exclama Tanya com uma risada.
– Têm mesmo a certeza que ele é assim tão... perigoso aqui? – pergunta Ivan, ainda sem acreditar bem na situação.
Arielle que permanecera calada até ao momento decide então apoiar.
– É a primeira vez que alguma invenção funciona... mas, sinceramente... nunca tive tanta certeza do que eles dizem como agora.
Novamente o silêncio enche a sala. Os pensamentos voam e saltam de hipótese em hipótese. É agora que o destino muda...
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