Notas iniciais
Oi gente! Mais um projeto aqui! *pula* espero que gostem e deixem reviews.
Boa leitura.

Era uma manhã fria de domingo, eu caminhava pelo cemitério tranquilamente, levando um pequeno ramalhete de flores em minhas mãos, eram as mesmas rosas vermelhas de todas as manhãs de domingos. Sentia falta da única pessoa que era importante para mim, minha única companheira, que cuidou de mim até esse momento; sentia falta da minha avó.

Eu coloquei as flores sobre o túmulo, suspirei segurando as lágrimas que queriam escorrer de meus olhos. Fazia exatamente duas semanas que ela tinha ido embora, me deixado nesse mundo cruel basicamente sozinho... Sozinho como meu pai achava que o filho bastardo deveria estar.

A partir de agora eu iria morar na casa onde minha avó se criou, casa que eu não sabia que existia até ler o meu testamento... Era estranho saber que a vovó tinha um imóvel gigante e que nunca me contou nada sobre ele, mais estranho ainda é ele ter ficado para mim, já que meu pai vivia a atormentando, pedindo para que ela me deixasse morrer a míngua.

Eu tive uma infância muito solitária, acho que é por conta dela que escolhi esta profissão que tenho hoje, sou um cientista não muito conhecido por aqui, faço pesquisas sobre mutações de células e coisas parecidas. Ganho dinheiro suficiente para sustentar apenas a mim e ao meu cachorro, Koron.

De repente eu senti um par de mãos se colocarem nas minhas costas, virei-me para trás, vendo um garoto meio receoso do que estava fazendo. As vestes que ele usava me pareceram bem antigas, nas cores branca e preta, era apenas uma yukata simples, com rasgos grandes na parte superior, um pouco suja de terra.

Seus cabelos tinham uma coloração ruiva, estes chegavam até os seus ombros, os olhos tinham uma cor meio dourada meio azul... Uma coisa muito rara e bonita de se ver, sua pele era branquinha como a de uma boneca, impecável! Se não fosse por algumas partes sujas de areia, isso lhe dava um ar bastante sexy.

Lindo.

Era assim que ele era: lindo e baixinho, e eu era um belo seme! Não ia perder essa oportunidade.

Sim, ele estava vestido como alguém que acabara de sair do caixão, mas eu não me importaria muito com isso, se não tivesse escutado isso, depois:

– Meu xogum... — Murmurou próximo ao meu ouvido, causando-me arrepios.- Eu esperei tanto por sua volta...- Continuou murmurando, desta vez, passando uma das mãos delicadas sobre o meu rosto.

– Como?- Indaguei em surpresa.

– Aki-chan... Não está me reconhecendo?!- Ele perguntou perplexo.

– Iie. Agente se conhece...?- Respondi com essa pergunta, ele sabia o meu nome! Mas, como ele sabia o meu nome?

– Mas... Eu era seu kagema favorito... Você disse que me amava... Que vinha me buscar... Que me faria seu... — Ditou tristemente, abaixando a cabecinha, deixando que uma lágrima escorresse por seu rosto. — Meu xogum não me quer mais não?

Hai.

Eu estava ficando louco, deveria imaginar que um baixinho lindo daquele não apareceria do nada sem me causar problemas. Há quanto tempo mesmo não existiam kagemas e xoguns nesse país...? Eu nunca gostei muito de história, era uma matéria que eu sempre quis distância quando era pequeno, eu gostava da história da biologia, da física e da química... Não da vida do pessoal que morreu a não sei quanto tempo atrás.

– Chibi... Quantos anos você tem?

– Eu tinha vinte quando você me matou. Agente conta o tempo que se passa morto?- Curioso ele perguntou, era um garotinho muito inocente, tão lindo, tão andrógeno...

– Eu te matei?

– Matou, quando você pegou aquela briga com aquele clã de samurais que tinha na frente da nossa casa... Aí você enfiou sua espada em mim, e disse que viria me buscar. — Contou normalmente, como se acabasse de me contar quando ele andou de bicicleta pela primeira vez.

– Você morreu... — Afirmei com a cabeça.- E eu te matei...- Continuei assentindo positivamente, para dar um jeito de processar essas informações.

– Aishiteru. — Ele praticamente gritou isso, enquanto jogava-se sobre o meu corpo, abraçando-me com força.

Se alguém me matasse eu provavelmente não diria ''eu te amo'' a essa pessoa.

Talvez isso fosse uma pegadinha.

– Muito engraçado. — Cortei-o, o tirando de mim, fazendo com que ele caísse de bunda no chão.- Essa foi a brincadeira mais sem graça que você já fez, não sei quem você é, agora se for do centro de pesquisas vá para o inferno, e se o Aoi te mandou aqui, diga que eu terei revanche.- Grunhi.- Não se deve brincar com uma coisas dessas!

Eu virei às costas, começando a andar rapidamente, quem aquele baixinho pensava que era para me dar um susto desses? Atrevi-me a olhar para trás, e me arrependi em seguida, o baixinho estava sentado sobre o chão, as pernas encolhidas e a cabeça mergulhada entre elas... Tão bonitinho... E eu estava tanto tempo sozinho...

– Ei, por que está chorando?- Tentei ser gentil, aproximei-me dele sorrindo cautelosamente.

– Porque você não me quer mais... Eu esperei tanto tempo, meu xogum, apareceu alguém melhor que eu? Eu sei que não sou muito legal com seus amigos, mas eu faço tudo que você quiser... Só para ter o seu amor de novo. — Disse entre soluços.

Aquela cena me partiu o coração, observei o quanto ele parecia aflito e desesperado, a história que ele me contou estava ficando cada vez mais real na minha mente... Eu, o pesquisador Suzuki estava realmente acreditando que um garoto que morreu há anos atrás ainda estava vivo?

Não. Eu era um cientista, não um fanático ou coisa do gênero, eu tinha que descobrir como ele continua vivo... Ou talvez ele tenha simplesmente perdido a memória, ou tenha enlouquecido! E agora ele está achando que eu sou um xogum e que ele é meu kagema! Faz todo o sentido agora.

– Escuta... Chibi... Por que você não vem para o meu apartamento? Então agente conversa melhor e você me conta mais sobre como era sua vida... — Convidei.

Ele enxugou as lágrimas com as mãos, fitou-me curioso, abrindo a boquinha rosadinha em forma de ''o'' como se fosse perguntar alguma coisa.

– O que é um apartamento? É uma coisa que agente come?- Questionou.

– Iie. Apartamento é como um palácio, só que menor. — Respondi calmamente, tomando cuidado para não falar uma besteira e assustar o pequenino.

– Hai. Aishiteru, Suzuki-kun!- Exclamou levantando-se, abrindo um largo sorriso para mim.

– Você sabe o meu nome, mas eu não sei o seu. — Afirmei, esperando para ver sua reação.

– Sou o que você quiser: seu chibi, seu neko, seu akuma, seu tenshi... — Falou tranquilamente.

– Como você se chama? É que com o tempo agente esquece...

– Takanori. — Resmungou.- Me chama de Taka-chan, como você fazia!- Pediu infantilmente.

– Taka-chan... — Sussurrei enquanto afagava os seus cabelos, conduzindo-o para fora do cemitério.

–--

– Eba! Esse troço se meche!- Ele gritou feliz, assustando a senhora que estava nos observando.

Deixa-me explicar o que estava acontecendo, eu tinha tirado o Taka do cemitério e o levado para a casa — depois de uma novela para fazê-lo subir na minha moto — e agora estávamos no elevador do meu prédio, onde a senhora que morava no andar abaixo do meu nos observava como se tivesse visto um alienígena.

– Que garoto energético. — Ela comentou antes de sair do elevador.

– Tenha um bom dia, Takashima-san.

– Igualmente, Suzuki-san.

– Subindo!- Ele voltou a gritar assim que as portas se fecharam por trás da senhora de idade. — Podemos passear mais nessa coisa depois?

– Não. Tem mais coisas legais para você ver no meu apartamento... — Neguei.

A sorte era que o estúpido do meu melhor e único amigo, Aoi, já tinha dois anos de namoro com o neto da Takashima-san, isso tinha me aproximado bastante da senhora, que era uma química aposentada, então sempre tínhamos uma palavrinha para trocar; digo, ela fazia chá e conversávamos sobre assuntos científicos.

Abri a porta do meu apartamento, Takanori correu para dentro dele, dando de cara com Koron, que estava latindo e avançando na direção dele. O baixinho abriu um sorriso para o meu cachorro e ajoelhou-se na frente do pequeno animal, este veio latindo e fazendo festa para o garoto... Isso era estranho já que Koron não era muito sociável.

– Ouji! Eu senti saudades de você também. — Ele completou, passando as mãos sobre a pelagem escura de Koron.

– Gosta de cachorros?

– Hai, não se lembra de que eu tinha vários pelo jardim? E que o Ouji era o único que dormia em casa? Lembra? Ele ficava latindo quando agente transava...

– Agente transava?!

– Toda noite, já que o apetite do Aki-chan sempre foi enorme... Pena que o Akira júnior...

– Tudo bem! Já entendi!- Cortei-o furioso.

Ah é, o Akira júnior não é aquela coisa enorme de vinte centímetros... Não vou dizer quanto ele mede! Morram de curiosidade! Humpf... Até isso o baixinho sabia! Que droga, que droga!

– Aki-chan nunca gostou que eu falasse de tamanho... Mas eu nunca me importei com o tamanho!- Consolou-me, eu ainda o fuzilava com os olhos. — Você fica lindo quando fica bravo. — Elogiou, apertando uma de minhas bochechas com força...

Eu me sentia um passivo pronto para a primeira vez.

E isso me deixava furioso.

– Posso perguntar uma coisa? É que eu tenho dificuldade de lembrar como era antigamente. — Menti.- Como nos conhecemos?

– Você comprou meu contrato, e disse que desde a primeira vez que me viu me desejava... Só te conheci quando você me tomou pela primeira vez, mas você disse que já tinha me visto antes... — Parou, grelou os olhos e virou-se para mim.- Não quero me lembrar disso.

– Tudo bem.

– Ótimo. — Sussurrou abrindo aquele sorriso lindo, novamente.

Lindo.

Era assim que eu o definia: lindo, baixinho e... Morto.


Notas finais
E então? Gostaram? Deixem reviews, onegaiii