Parfaite

7 Capítulo 7 - Special.


Notas iniciais
Desculpem não deu pra postar ontem porque finalmente fui assistir Harry Potter Q Estou respondendo os reviews direitinho. Betado pela Meei ♥ E, ah, vocês são umas lindas ♥

Capítulo 07.

[ Uruha’s POV ]

O tratamento de Touya tinha começado há duas semanas.

Provavelmente as duas semanas mais difíceis da vida dele. O tratamento estava acabando com o restante da saúde dele ao mesmo tempo em que seu estresse chegou a níveis impossivelmente altos por causa de seu pai, que, em poucos dias, foi descartado como doador de medula, trazendo um baque forte demais para uma relação que mal tinha começado a dar os primeiros passos para o lugar certo.

Yuu estava tentando ser forte, obviamente, mas Touya era perfeitamente acostumado a ver a verdade por trás dos olhos do pai.

O resultado disso?

Os efeitos colaterais da quimioterapia se acentuaram fortemente num tempo curto demais.

Em duas semanas seu cabelo já tinha caído tanto que ele decidiu raspá-los, já que as falhas tinham ficado perfeitamente visíveis. Seus enjôos e dores de cabeça tinham de ser medicados o tempo todo, pois ele não conseguia agüentá-los.

Nesse tempo também ele – que já era extremamente magro – tinha perdido mais cinco quilos, por mais que tentássemos fazê-lo ingerir calorias o suficiente.

Era um estado preocupante. Não tinha como mentir.

Até Reita já estava começando a dar sinais de que as coisas não iam bem. Vez ou outra ele soltava frases obscuras, para preparar o pai e o menino sobre o que estava acontecendo.

O tratamento tinha começado tarde demais.

Mas ele estava agüentando. Yuu estava agüentando. Eu estava tendo que agüentar também, porque já tinha me apegado aos dois bem mais do que deveria.

Estava no quarto, ajudando Touya a terminar de se limpar depois de mais uma crise de vômitos, quando uma menina, de não mais do que três ou quatro anos entrou andando pela porta, quieta, olhando para nada em especial.

- Sati, o que você está fazendo aqui? – Perguntei, mesmo sabendo que a menina não responderia.

Os olhinhos escuros rodaram o quarto, até pararem no Shiroyama mais novo, que a encarou de volta, abrindo um sorriso fraco. Resolvi ficar em silencio, vendo no que iria dar.

A moreninha andou calmamente até a cama, esticando as mãozinhas e segurando os dedos de Touya, sem que seus olhos desviassem dos dele.

- Dodói? – Ela perguntou e o sorriso dele se abriu mais.

- Um pouquinho. – A menina inclinou a cabeça para o lado, soltando as mãos dele e esticando os braçinhos, como se pedisse colo, sendo prontamente atendida pelo adolescente, que apesar de fraco, conseguiu colocá-la sentada na cama, ao lado dele.

Ela engatinhou ao lado do Shiroyama, até conseguir depositar um beijinho na bochecha do mais velho.

- Papai fala que sara. Sara? – Indagou, comendo palavras, porém Touya pareceu entender perfeitamente, passando os dedos pelos cabelos lisos dela, num carinho leve.

- Sim... Já me sinto melhor. – E o sorriso dele parecia dar toda a certeza de sua veracidade. Ela deu uma risada gostosa, feliz por ter ajudado.

No segundo seguinte, um Ruki preocupado entrou no quarto, começando um “Você viu a Sati por aí?” quando seus olhos focaram na criança sentada na cama e ele pôde respirar aliviado.

- Perdendo a filha do namorado, Ru-chan? – Takanori rodou os olhos, segurando um “vai se foder” na garganta, para não dar mal exemplo na frente dos mais novos. Além de que, ele estava dentro do local de trabalho, profissionalismo em primeiro lugar.

- Reita me pediu para ficar de olho porque recebeu um BIP, mas eu nem tive tempo de colocar os olhos em cima dela, antes da Sati sair correndo pelo hospital. – O ruivinho tentou se explicar e eu acabei rindo.

- Parece que ela achou alguém pra brincar. – Comentei, encarando os dois em cima da cama, entretidos numa conversa, totalmente alheios a nós. – Por que ele a trouxe pra cá hoje?

- Porque não teve santo que a fizesse ficar dentro de casa hoje. Começou a gritar, teve um ataque de pânico. Não acontecia há um bom tempo, então, Akira resolveu trazê-la pra cá, rezando pra que você pudesse cuidar dela até o expediente dele acabar. Tecnicamente hoje é seu dia de folga, não é?

- Nem sei porque perguntei. Sempre sobra pra mim. – Reclamei rindo. Na verdade não me importava.

Sati, ou Satomi era filha de Akira. Adotiva, mas isso só o fazia amar mais a pequena. Ela era diagnosticada como autista leve. Tinha um mundo próprio, uma maneira própria de lidar com as coisas e principalmente um senso muito crítico para pessoas.

Raramente gostava de alguém. Normalmente tinha medo dos outros e crises de pânico. Era um parto se aproximar da baixinha, mas caso conseguisse, não tinha como não se apaixonar. Era a menina mais fofa do mundo.

Foi deixada no hospital pela mãe biológica que não queria uma filha “defeituosa” e Reita, com seu instinto paternal, simplesmente a levou para casa e cuidava da menina, sozinho, com todos os mimos que alguém poderia pedir.

Apesar da sinceridade excessiva e do jeito quase rude, meu melhor amigo era o que eu chamava de “paizão”. E não era novidade para ninguém que Ruki só conseguiu conquistar o coração de Akira porque primeiro conquistou o de Sati.

Suspirei, pensando em Yuu. Era um dos melhores pais que conhecia e agora tinha a vida do filho por um triz. Quase conseguia ouvir seu coração se quebrando todas as vezes que via o estado de Touya piorar.

Achava até bom que ele tivesse sido obrigado a ir ao trabalho hoje. Assim, quem sabe, não se distraia um pouco. Já bastava Touya ter de lidar com a doença sem paradas, sem folgas, o tempo todo, todos os dias.

Não precisava de Yuu exposto a tudo isso nessa intensidade. Ia acabar matando os dois.

- Acho que vou começar a jogar na loteria. Meus chutes andam cada vez melhores. – A voz grossa de Reita invadiu o cômodo enquanto ele se postava atrás do amante, depositando um beijo no pescoço do ruivo antes de andar até a filha, que ainda falava, toda empolgada, com o novo amigo.

- Sati, chega de incomodar o carequinha. – Ele falou, estendendo os braços para que ela viesse até ele. Tocar na pequena sem que ela tomasse o primeiro movimento, podia ser desastroso, mesmo que o ato viesse do pai dela.

- Eu incomoda? – Ela perguntou para Touya, sem fazer menção de querer ir para o colo de Akira.

- Claro que não. Pode deixar ela aqui, doutor. – Ele afirmou, parecendo plenamente confortável com a menininha quase empoleirada por cima dele.

Satomi soltou um grito alegre, abraçando o rosto de Touya e beijando o topo de sua cabeça, atualmente sem cabelos.

- Eu gosta assim, sem cabelo. – Não pude evitar de achar a cena adorável e, apesar da cara enciumada, Reita também desistiu de tirar a filha de lá, voltando para o lado de Ruki, passando a mão por sua cintura.

- Ok, então, volto mais tarde para buscá-la, ok? Cuida dos dois pra mim, Uru? – Confirmei com um sorriso e ele saiu, levando o ruivo junto.

Sentei-me na poltrona perto da janela do quarto, limitando-me a olhar enquanto os dois aproveitavam a companhia um do outro.

Não sei quanto tempo se passou, se foram alguns minutos, ou algumas horas. O ambiente criado por eles conseguia me tirar essa noção, de uma boa forma. Dava quase pra esquecer que ele estava lutando pela própria vida nesse exato momento.

- Kouyou? – Touya me chamou e fiz um leve meneio para que ele entendesse que eu estava ouvindo.

Uma leve hesitação se formou, deixando-o em silencio, provavelmente procurando as palavras certas para se expressar.

- Só diga... Não preciso de palavras bonitas para te entender. – Garanti, num tom ameno.

- Se eu morresse... Você cuidaria do meu pai por mim?

E eu não soube o que responder.

Notas finais
## É, o Reita tem uma filha autista. Desculpa, mas eu acho o Reita a coisa mais paternal e fofa do mundo ;; E eu queria quebrar mais um tabu nessa fanfic sobre pessoas com deficiencias, então, vamos ver no que dá Q O capítulo é de transição, mas pela primeira vez o Touya está tacando um pedido dessa magnitude em cima do Uruha. A partir do chappie que vem, começo a desenvolver, bem de leve, o aoiha. O Ruki finalmente deu as caras, mas ainda não consegui desenvolver bem a personalidade dele e nem sei se eu vou conseguir Q Estou com 30 leitores e só conheço 16... Preciso dizer mais alguma coisa? Mas tudo bem, espero que vocês gostem. Mereço reviews? *-* Sujestões, reclamações, receitas de bolo, é só me adicionarem no msn e eu vou ficar feliz em falar com vocês. Beijinhos :**