Parfaite

5 Capítulo 5 - Fear.


Notas iniciais
Oi de novo suas lindas *-*

Bem, eu demorei um pouquinho e esse capítulo saiu curto, mas é porque estou morrendo de gripe aqui depois do Anime Friends.

Capítulo betado pela Meei, brigada flor.

Boa leitura.

[ Uruha’s POV ]

Depois de todas as lágrimas terem caído, dolorosamente, consegui me recompor e recompor o menino. Comecei a pensar e trilhar um caminho, uma maneira de agir e lidar com aquilo.

Para isso, trouxe Akira quarto adentro, finalmente. Touya estava notavelmente desconfortável com a presença de um médico, porém, eu realmente não podia me arriscar a tratar de uma doença daquele nível sem ter um profissional especializado para me guiar.

Por que sim, eu estava perdido.

- Antes de eu começar, queria saber uma coisa: como um menor de idade conseguiu fazer uma punção lombar sem que o pai ou responsável ficasse sabendo? – Akira estava sério, como costumava ser normalmente. Não me intimidava, porém senti Touya quase se encolher contra a cama.

- Tive de fazer um trabalho de escola sobre leucemia ano passado. Na época, eu estava apresentando os primeiros sintomas da doença, que pra mim, era só uma virose ou uma gripe. O problema é que conforme eu pesquisava para poder concluir a tarefa, fui vendo todos os meus sintomas baterem. Até descobrir que a doença pode ser transmitida geneticamente.

“Me desesperei, pensando no que ia acontecer com o meu pai se ele tivesse que lidar de novo com a doença da mamãe. Então eu falsifiquei meu RG e paguei uma mulher para que ela se passasse pela minha mãe durante os exames e os resultados. Assim, meu pai nunca ficou sabendo.”

Não tinha parado para pensar sobre o assunto, entretanto, agora, parecia bem óbvio. Yuu morava em Ginza, um dos bairros mais caros e luxuosos de Tóquio, não deveria ser difícil para Touya, um filho único, conseguir dinheiro facilmente, apenas pedindo para o pai, ou até mesmo economizando a “mesada”.

- Certo. Se eu fosse mais mal-educado, diria que você é um retardado mental, mas como sou um profissional, vou apenas dizer que você é desprovido de faculdades mentais, ok? – Reita estava notavelmente nervoso com a falta de bom-senso do menino.

Entendia que ele tinha tentado proteger o pai, no entanto, contando pelo fato de foi uma atitude desesperada, de um adolescente desesperado, por conseqüência, ela também se tornava ingênua e perigosa.

Segurei a mão do pequeno, tocando cuidado para não tocar na agulha em cima de sua palma.

- Fez algum tratamento nesse tempo? – Akira voltou à pose, respirando fundo.

- Não. Eu apenas... Tento aguentar as coisas e fazer meu pai não notar. – Senti que meu melhor amigo ia levantar e meter a prancheta na cabeça de Touya, então, resolvi me meter no assunto.

- Como vamos começar o tratamento, então?

- Eu preciso de uma pilha de exames para ter certeza absoluta. Um ano, com uma leucemia aguda. Pelo amor de Deus, eu estou impressionado por ele ainda estar vivo. A anemia está tão obvia que ele está amarelo. – O médico fechou os olhos, provavelmente implorando por uma paciência que ele não tinha.

“Bem, você precisa contar para o pai. Um transplante de medula pode salvar a vida dele e a pessoa com a maior probabilidade de ser compatível é o pai, por falta da mãe e de um irmão. Depois dos exames, eu o coloco na lista do banco mundial de doadores, creio que para uma pessoa que mora em Ginza, trazer um doador de fora do país não será grande problema.”

“E agora, estou indo almoçar. Não tem nada de imediato que possa ser feito.”

Dizendo isso, Akira se levantou e eu o segui, pedindo um minuto para o Shiroyama mais novo com um aceno de mão. Fechei a porta do quarto depois de sairmos, afastando-o o suficiente para que não fossemos ouvidos.

- Ele tem boas chances de ficar bem, não tem? – Estava mais nervoso do que deveria com aquele assunto. Com aquele paciente.

- Um ano, Uruha. Um ano com essa doença sem nenhum tipo de tratamento. Tem noção de como esse moleque tem sorte de ainda estar vivo? Eu não faço idéia de que milagre está mantendo o corpo dele, só espero que seja forte o suficiente para esperar um doador ou aguentar o tratamento. Caso contrário... Ruki vai ter mais trabalho. – Apesar da frieza com que ele falava... Não consegui sentir raiva, nem ficar bravo.

- Preciso que me ajude. Não diga isso. – Minha voz adquiriu um tom implorativo inconscientemente. Estava ficando sem ideias.

- Eu vou ajudar, Uru. Só não se apegue, ok? – Sua mão veio para meu rosto, passando a ponta dos dedos em minha bochecha num carinho leve. – O menino foi inconseqüente por tempo demais, não sei se vai sair tão bem quanto entrou... Se sair.

Reita estava sendo sincero, como qualquer médico. Agradecia por isso, só não estava pronto para começar a pensar no “se der errado”. Ia fazer de tudo para que desse certo.

- Alguma idéia de como começar? – Perguntei, querendo mudar o foco da conversa novamente.

- Quimioterapia. Enquanto não achamos um doador, para o caso da linfocítica, pelo menos retardamos um pouco o desenvolvimento da doença. Com alguma sorte, dá até pra regredir um pouco atacando o ponto de desenvolvimento das células deficientes. – Rei respondeu, sensatamente. – Tenho mesmo que ir. Vou deixar o pedido dos exames pronto antes de almoçar. Quando voltar, já começamos.

Assim ele se afastou. E eu fiquei sem norte.

Precisava contar para Yuu, isso estava mais do que claro, porém, não fazia ideia de como abordar um assunto que provavelmente ocupava os piores pesadelos de sua vida.

Voltei para o quarto, ficando ao lado de Touya, afagando novamente seus cabelos enquanto pensava. O menino apenas ficou em silêncio, provavelmente esperando que eu falasse alguma coisa. Afinal, o adulto ali era eu.

- Tenho que contar para seu pai. Sei que vai ser difícil e que vai machucar os dois, mas... É ilegal e totalmente antiético manter segredo, Tou-chan... E... Vocês precisam ficar juntos agora. – Falei, tentando parecer mais centrado do que realmente estava. Não sei se consegui, sinceramente.

Ele não falou nada, porém seus olhos exibiam uma grande negativa, que não consegui simplesmente ignorar.

- Eu não vou deixar ele cair. Prometo. Não importa o que aconteça daqui pra frente. Você não está mais sozinho e seu pai vai conseguir passar por isso. Confia em mim? – Não podia garantir muita coisa, no entanto, conseguiria, se quisesse, ser forte o suficiente por mim e pelo pai daquele menino caso... Caso Ruki realmente fosse ter mais trabalho.

- Confio. – Foi um fio de voz...

- Assim que Reita chegar, vamos começar os exames. Descanse. Eu preciso começar a preparar o terreno para o seu pai. – Beijei seu rosto, saindo novamente do quarto e pegando o celular.

Peguei o número na agenda, ligando para o moreno que provavelmente estava de plantão ao lado do celular, atendendo na segunda chamada.

- Kouyou? Como ele está? – Soltei uma risada sem humor pela maneira como Yuu se preocupava com o filho. Inevitavelmente pensei em quanto ele iria se machucar.

- Yuu, vamos falar sobre isso pessoalmente? Estou livre hoje, não quer se encontrar comigo num restaurante? – Mantive minha voz bem mais firme do que achei possível na situação. Era um enfermeiro, definitivamente não deveria estar me apegando a pacientes, mas... Acho que já estava ferrado.

- Ahm... – Só depois dessa hesitada eu percebi o que meu convite tinha parecido.

- Não estou dando em cima de você, nem te chamando pra um encontro, eu juro. Não precisa me levar flores. Só quero conversar longe do hospital. – Me expliquei, tentando ignorar o constrangimento.

- Tudo bem. Qual restaurante? – Passei o endereço rapidamente. – Hoje, às 19:00 h?

- Sem problemas. Te encontro lá. Obrigado pela atenção, Yuu.

- Obrigado você, por ser quase um anjo. – Ouvi o som da linha caindo e pensei que ele não acharia isso quando eu contasse o que sabia.

Notas finais
##

Ainda não respondi os reviews, mas minha gripe não está cooperando. Eu tento responder todos entre hoje e amanhã.

Pra quem não entendeu a citação sobre o Ruki ter "mais trabalho", isso quer dizer "se o Touya morrer", já que o Ruki é legista. Entenderam? QQ

Bem, eu estou com 20 leitores, então, não posto com menos de 14 reviews. Acho justo, e vocês? ;;

Obrigada pelo apoio e pelo carinho de todas vocês.

Beijos, até o proximo :*