Parfaite
18 Capítulo 18 - Past.
Notas iniciais
Ignorem meu surto, a dor tá me deixando paranóica. Beem, eu só consegui finalizar esse chappie agora e oficialmente sou uma pessoa sem beta, já que a Meei me abandonou, aparentemente.
Então, ignorem as aberrações que acharem na leitura.
E muito abrigada a todas as lindas que comentaram no chappie passado. É para cada uma de vocês que eu dedico esse chappie.
Ah, recomendo que vocês escutem duas músicas do Three Days Grace enquanto estiverem lendo, foram elas que me deram vontade de escrever de novo. As músicas são: "Someone Who Cares" e "I Don't Care". Meio controversas, né? Mas são lindas *-* Leiam a tradução se não conseguirem pegar a letra de ouvido, porque, honestamente, são lindas.
Mais lá embaixo.
Capítulo18.
“It's so hard to find someone
who cares about you,
but it's easy enough to find someone
who looks down on you”
[ Three Days Grace – Someone Who Cares ]
[ Uruha's POV ]
•7 anos atrás•
Perto das minhas incertezas, haviam poucas coisas que eu considerava concretas; uma delas, era que, definitivamente, o que eu estava fazendo não era certo. Era mesquinho, era ridículo, mas ao menos, eu estava prejudicando fisicamente apenas a mim mesmo.
Olhei para o céu pela milésima vez, gritando mentalmente para ver se o cara lá de cima me dava uma maldita resposta.
“Vamos seu filho da puta, fez a merda, agora responde: POR QUE DIABOS VOCÊ ME FEZ UMA ABERRAÇÃO DA NATUREZA QUE GOSTA DE HOMENS?!”
Como se alguém fosse responder.
Girei o cigarro entre os dedos, o cheiro forte da maconha parecia ter se impregnado em mim nos últimos dias... Agora, eu mal o sentia, mas aparentemente, todas as pessoas que cruzavam meu caminho na rua tinham um olfato bem mais aguçado do que o meu.
Expulso de casa logo depois de completar o último ano de colegial... Tudo que eu precisava, de fato.
Quer dizer... Não foi exatamente uma expulsão, mas eu não tinha muito estômago para ficar recebendo os olhares de “aberração” e “anormal” da minha família, dentro de casa.
Sempre foi mais fácil fugir dos próprios problemas do que encará-los... Mas eles bem que poderiam me entender... Entender que não era minha culpa... Que era culpa da criança desgraçada lá em cima que ficava brincando de jogar sal em cima de uma lesma, só para ver o que acontecia.
Eu deveria ganhar um prêmio de auto-piedade e de pior final de ano possível: sentado no chão de uma beco imundo na periferia da cidade, fumando um beck.
Certo, onde está o apocalipse zumbi mais próximo quando se precisa de um? A sociedade despedaçada por ela mesma deve ser um show divertido de se ver... Além de um fim digno pra essa merda toda. Depois as pessoas não entendem porque sou um zombienerd: a sociedade se desintegra pelas próprias bocas, pela própria estupidez, pelas próprias pessoas que ditam as regras. Entram em colapso tentando fugir de si mesmos. Chegam à extinção da maneira mais estúpida e mais natural do mundo: matando uns aos outros. *
Senti o cigarro sendo tirado dos meus dedos e o transe do meu dó de mim mesmo chega ao fim.
Vejo um vulto sentando ao meu lado, tragando o cigarro que roubou de mim, soltando a fumaça espessa para cima, com uma naturalidade de quem já faz isso há muito tempo.
- Te achei. — Foi tudo que Reita disse, sem olhar para cima.
Fechei os olhos, exausto de repente.
- Estava me procurando?
- Não, não... Eu costumo andar na periferia da cidade a essa hora da noite de uma quarta-feira, duas semanas antes do meu vestibular, normalmente. — O tom dele foi tão natural como se ele estivesse falando do tempo, mas eu sabia que era assim que ele demonstrava cinismo.
Vestibular... Akira estava prestando para medicina na Universidade de Kyoto, uma das 100 melhores do mundo nessa área... E a realidade é que todo mundo sabia que ele iria passar, porque o desgraçado era inteligente pra porra.
- Não precisava ter se dado ao trabalho. Vá para casa estudar, você não quer passar na segunda chamada. Seus pais ficariam decepcionados. — Estúpido, seco, só porque os pais dele aceitaram-no como gay e os meus não. A que ponto eu estou chegando?
- Ser estúpido comigo faz você se sentir melhor? Se esse for o caso, comece a gritar comigo agora e quem sabe até o final da noite estará se sentindo bem o suficiente para ir pra casa comigo.
- Não vou pra minha casa. Pode perder as esperanças. — Afirmei, convicto.
- E quem disse que eu vou te levar pra sua casa? Você vai pra minha, meus pais já estão te esperando. — E pela primeira vez eu o encarei, como se ele tivesse uma doença mental.
- O que seus pais tem a ver com isso?
- Falei pra eles que você é meu namorado e que seus pais te expulsaram de casa. Eles querem você lá, não na rua. Eles querem te dar o que seus pais são incapazes de oferecer por quanto tempo você quiser, ou por quanto tempo seus pais forem estúpidos. — Mentiras... Montes de mentiras. Reita nunca foi meu namorado, ele sempre fora apenas meu amigo, nada além disso. — À proposito... Eu só me assumi pra eles depois que seus pais descobriram sobre você. Eu sabia que você ia fazer alguma merda e precisava de uma desculpa pra enfiar você dentro da minha casa.
Minha cabeça entrou em transe...
Ele arriscou a relação familiar por minha causa? Eu entendi certo? Era ele que poderia acabar sendo expulso... Expulso de verdade, não um idiota como eu que escolheu sair de casa.
O loiro deu outro trago. Era apenas três anos mais velho do que eu, mas agora eu me sentia uma criança perto dele.
- E tem mais uma coisa... Eu inscrevi você em enfermagem, na Kyoto. Seu vestibular é no mesmo dia que o meu, então eu vou te obrigar a estudar muito essas duas semanas. Mas é só um comentário.
- Por que fez isso? — Perguntei, sentindo meus olhos arderem com as lágrimas que eu não queria deixar escaparem.
- Porque eu tive um sonho umas duas semanas atrás... E nesse sonho você era um ótimo enfermeiro. Dessa forma ainda posso trabalhar com você depois de nos formarmos. E já que você não decide o que quer fazer da vida, estou decidindo por você Se não gostar, é só trancar o curso e escolher qualquer outra coisa, eu te perdoo se me abandonar.
“I try to make it through my life
In my way
There's you”
[ Three Days Grace – I Don't Care ]
O silêncio que se formou após essa frase era algo como reconfortante... Um pacto, algo que estávamos selando sem que nenhum dos dois precisasse falar absolutamente. Mas, em algum ponto impreciso, ele o quebrou novamente.
- Mas tem uma coisa... Eu menti uma vez atrás da outra durante todo o dia para levar você pra casa, então, eu queria transformar algumas coisas... Em verdade. — Eu sabia o que iria acontecer: eu previ o beijo, previ os braços dele me envolvendo e nossas línguas se entrelaçando. A verdade... Naquele momento era que eu queria... Queria mais que tudo ser o namorado de Suzuki Akira.
•••
E aquela foi a minha realidade pelo ano seguinte. Eu fui namorado do meu melhor amigo, eu morei com ele, na casa dele e tomei a família dele como minha.
Entretanto, como o esperado, não deu certo pelo simples motivo de que ele era meu melhor amigo, pura e simplesmente isso, nada a mais.
Assim, eu voltei para a minha casa depois de algum tempo de conversas com meus pais, à distância e, de algum modo, acabei passando na Kyoto, junto com Reita, na enfermagem, que, por fim, eu nunca mais larguei, fazendo o sonho do loiro virar realidade... Segundo ele... Agora, eu era exatamente igual ao que ele tinha visto naquele sonho.
Tudo isso passou pela minha cabeça tão absurdamente rápido após a pergunta de Yuu que eu me senti meio zonzo. E mesmo a lembrança não tendo nenhuma ligação com o convite, eu descobri imediatamente o que iria responder.
- Não, Yuu... Não agora. — Falei da maneira mais mansa possível, deslizando meus dedos por seu rosto e seus cabelos, delicadamente. — Um dia, eu pretendo aceitar esse convite, mas não agora. Vamos dar... Tempo ao tempo. Eu sei que você se considera velho demais para construir um relacionamento longo e essas coisas, no entanto... É muito cedo.
“Só que... Eu quero que me prometa que irá repetir esse convite, um dia, independentemente das circunstancias.”
E tudo que ele fez foi me beijar, cálido, carinhoso, compreensivo.
Notas finais
Bem, só pra constar, a Kyoto University existe e é uma das cem melhores em medicina do mundo.
*E a autora que vos fala é zombienerd, que atualmente está lendo The Walking Dead - A ascenção do governador e que passou o ano passado todo lendo coisas como Apocalipse Z e Sangue Quente, coisas saudáveis sobre humanos comendo humanos, literalmente. E eu precisava extravasar meu fangirlism aqui Q Srry.
Hum... Todo mundo conhece o passado do Aoi e do Touya, mas eu quase não falei nada sobre o passado do Uruha, então vim aqui compensar minha falta, espero conseguir agradá-las.
Estou pensando também em dar uma aprofundada no romance RxR antes de guiar a história para a reta final, mas aí é com vocês.
A proposito, hoje me veio um final na cabeça e eu espero que vocês não me matem por ele e eu pretendo contar a UMA das minhas leitoras. Qualquer uma, mas só a primeira que me quiser saber e que fizer o MELHOR comentário nesse capítulo, para saber o que ela acha dele. Essa leitora vai ter um espacinho no último chappie também, da maneira que preferir. Não precisa ser um comentário APENAS sobre esse capítulo, me dêem críticas,eu quero saber o que vocês pensam, onde eu erro e onde eu acerto, quero conhecer integralmente a opinião de vocês. Não quero só elogios, eu quero, literalmente, a sinceridade de vocês.
Essa é a minha maneira de conseguir interagir o máximo possível com vocês, que são minha inspiração, os interessados nisso, deixem seus msns no próprio review ou por DM.
Muito, muito obrigada por me acompanharem até aqui.
Beijos, até o próximo ♥
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