Parfaite

15 Capítulo 15 - Do you want?


Notas iniciais
Bem, eu sei que atrasei horrores, mas ou eu estudava, ou reprovava de ano por causa de matemática... E eu realmente não podia me dar a esse luxo no terceiro ano, então, mil desculpas ;;
Espero que possam me perdoar.

[ Uruha’s POV ]

O silencio que se formou no quarto após a declaração levemente inoportuna de Yuu parecia se tornar palpável, real, com braços que me sufocavam, apertando minha traquéia.

De repente senti vontade de xingar o moreno, gritar com ele que esse definitivamente não era o momento. Senti-me inseguro mesmo sabendo que não eram meus pais. Fui transportado para nove anos no passado, como se estivesse novamente de pé na sala da minha antiga casa, dizendo que gostava de meninos para a minha família. Por algum motivo, esperei um soco na cara, encolhido, amuado.

Não era a primeira vez que isso acontecia. Foi a mesma coisa quando vi Reita se assumindo, e nas três outras vezes que observei outros amigos fazendo o mesmo. Eu voltava sempre ao mesmo ponto. O ponto onde parecia que era comigo.

Era uma lembrança traumática, por mais que eu tentasse esquecê-La. Ainda me lembrava de cada palavra que tive de ouvir, de cada “eu preferia ter um filho morto do que um filho viado”, dentre outras coisas que, por mais que eu já tivesse perdoado, iriam me seguir como fantasmas pro resto da minha vida.

E, quando consegui colocar minha cabeça no momento presente, senti medo que Yuu ouvisse as mesmas coisas.

Quer dizer, deveria ser ainda mais estranho para os pais dele, certo? Foi heterossexual a vida toda, teve um filho com quinze anos, foi casado, perdeu a esposa e resolve começar a namorar o enfermeiro do filho quando ele está com uma doença mais do que potencialmente letal.

Definitivamente, eu entenderia se os pais dele se surtassem.

Mas eles não surtaram e isso me assustou ainda mais.

A mãe de Yuu estava de mão frouxamente dada com Touya, ambos com uma expressão de choque idêntica nos rostos bonitos. A boca da senhora Shiroyama tinha ficado sutilmente aberta e ela parecia ter se esquecido de como se respira e se pisca. Só rezava para, pelos céus, seu coração não ter esquecido de bater, porque um enfarto não ia ser a melhor coisa a se acontecer no momento.

- Vamos conversar lá fora, Yuu. — Foi a voz do pai que quebrou o silêncio de duração indefinida, saindo em seguida do quarto, seguido, em silêncio, por Yuu e, finalmente, por sua mãe.

A porta do quarto se fechou e eu fiquei sozinho com Touya. Certo... Ficar sozinho com ele não estava me acalmando no momento. O que diabos deveria estar se passando naquela cabecinha?

- Esqueceu como se fala? — O Shiroyama mais novo me perguntou, com um sorrisinho de deboche brincando nos lábios pálidos.

- Eu... Ahm... — Não soube exatamente como se formular uma frase.

- Sério mesmo que vocês achavam que eu não sabia? Só não esperava por uma declaração dessas na frente dos meus avós, mas, mesmo assim... — Ele deu de ombros, parecendo perfeitamente confortável com o assunto.

- Não tinha certeza do que você poderia pensar sobre isso. – Admiti, ainda tentando me adaptar ao desconforto.

- Eu penso que meu pai gosta de você. Que eu gosto de você. E que você pode sim completar o vazio que a morte da minha mãe deixou nessa família. Não estou dizendo que seja a coisa mais normal do mundo, apenas estou afirmando que eu espero que tudo dê certo. Que vocês tem todo meu apoio, incondicionalmente. – Ele disse isso da maneira mais natural possível...

E eu só faltei cair em lágrimas na frente dele.

Foi aquele calor no peito e aquela ardência nos olhos... Foi o sentimento se ser amado, de ter carinho incondicional vindo de alguém. Foi lindo. Eu não sabia explicar como.

- Obrigado, Touya. Foi a coisa mais bonita que alguém já me disse. – Falei, levantando-me e depositando um beijo em sua testa, com um sorriso que não cabia no meu rosto.

Nesse momento, a porta se abriu e apenas Yuu voltou ao quarto, com uma expressão levemente cansada, que significava claramente que nem tudo havia sido um mar de rosas.

- O que aconteceu, Yuu? – Perguntei, com temor na voz.

- Minha mãe... Surtou, pode-se dizer assim. Mas irá se acostumar a idéia. Meu pai só pediu para que eu fosse discreto. Senti como se tivesse a idade de Touya, mas tirando isso... Está tudo bem. Minha mãe só precisa de água com açúcar antes de voltar para o quarto. – Ele então olhou para o filho. – E uma enfermeira que estava passando por perto disse que os exames de Yutaka ficam prontos hoje. Se todos estiverem sem alterações, o transplante vai ser feito até o final da semana.

O alívio estampado na expressão de Touya foi a cena mais bonita do dia todo, sem comparação.

Saí de perto de Touya, dando mais um beijo nele, antes de puxar Yuu novamente para fora. As coisas estavam relativamente bem, pelo que o moreno havia contado, mas eu sabia que sua cabeça deveria estar um tumulto.

- Não precisa nem começar, Kouyou. Realmente não foi nada demais. Eu já sou velho demais para ficar ouvindo sermões e papinhos sobre preconceitos baratos. Meu pai fez minha mãe se calar antes mesmo de começar e agradeço-o por isso. Ele sempre me entende melhor do que ela. – Limitei-me a dar um selinho leve em seus lábios.

- Eu sei, mas quero que tenha certeza de que eu estou aqui se precisar, ok? E Touya também. – Minha cintura foi laçada por seus braços, num gesto carente. Abracei-me a ele. – E o que você quis dizer com “ser discreto”?

- Sou uma imagem pública, Kouyou. Meu pai é um empresário extremamente conhecido e, querendo ou não, eu também sou. Ele pediu que nossa relação não saia da privacidade. Seria um escândalo que ele e eu queremos evitar. Infelizmente, não é tão fácil de fazer quanto de falar. Se vier a público, vamos receber bem mais merda na cabeça do que você já acostumado a receber quando namora alguém.

“Vamos ser criticados na mídia. Pessoas retardadas vão falar sobre nossa relação...

“O que eu quero saber... O que está me incomodando é... Você está disposto a passar por isso, Kou?”

Notas finais
##
Ficou pequeno, mas a minha imaginação minguou na hora de escrever esse chappie.
O próximo será bem melhor, eu juro.
Mesmo com essa lástima que eu escrevi, mereço comentários? Podem ser me xingando, eu não ligo e...
*socos*
Beijos e muito obrigada por me acompanharem até aqui ♥