Parfaite

14 Capítulo 14 - Parents.


Notas iniciais
Antes de tudo: MUITO OBRIGADA PELOS 200 REVIEWS, VOCÊS SÃO UNS LINDOS ♥

E eu sou uma boba que não sabe nem agradecer, porque deixei vocês sem atualização fim de semana passado ;;

Mas realmente não tive tempo de escrever. Estou em provas até terça feira e passei o fim de semana estudando. Tirei só hoje para digitar o chappie.

Betado pela Meei ♥

Mais lá embaixo :*

[ Aoi’s POV ]

“I feel so much better
Now, that you're gone forever
I tell myself that I don't
Miss you at all”

[ Gone Forever ]

Entrar num relacionamento aos trinta anos, tem suas vantagens e desvantagens. Infelizmente, as duas são bem gritantes, não tem como deixá-las de lado.

A vantagem é que você não é mais um adolescente inseguro, que precisa ficar grudado com seu parceiro o tempo todo. Que se remói de ciúmes por qualquer coisa, que tem medo do que os pais vão pensar e insegurança para falar sobre mil assuntos que na verdade, não são nada demais.

A desvantagem é que, normalmente, seu parceiro também tem noção de tudo isso. Ou seja: uma briga pode ser algo que vá terminar na justiça, trazer alguém para dentro de casa pode se tornar um grande trauma caso as coisas não dêem certo e, normalmente, quando se sente ciúmes, a fumaça tem um foco de fogo.

Isso eu aprendi nos poucos relacionamentos que tive depois da morte da minha esposa. Nenhum deles durou o suficiente, sequer, para que Touya tivesse ciência da existência deles.

Além de que, como já diria meu pai “Quanto mais velho, mais exigente, mais chato, mais difícil de dar certo!”. Claro que no dia em que meu velho disse isso, foi apenas um empurrãozinho para que eu tomasse vergonha na cara e começasse a viver novamente, antes que ficasse velho demais para conseguir alguém.

Falando em pais, eu ainda não tinha muita certeza sobre como eles reagiriam quando, ao invés de uma nora, eu apresentasse um genro para eles. Não que me preocupasse muito — vejam bem, eu ganho muito mais do que o necessário para matar a fome de muita gente, em um mês, por mérito próprio, tenho casa, alguns carros, várias propriedades e mais vários outros luxos que independem completamente deles -, mas realmente não ia ser bom terminar o ano como um deserdado, cujos pais mudam de calçada se o encontram na rua.

Porém, admitia, que talvez meu pai reagisse melhor a notícia do que minha mãe.

Tinha noção disso porque, além de meu pai ter sido a pessoa que mais me ajudou quando engravidei Ayame, e ter sido quem acalmou minha mãe, que só faltava me jogar pela janela, ele também não tinha o desejo desesperado de ser avô novamente, como eu sabia que minha mãe tinha.

Porque, convenhamos, eu não entrei nessa, de cabeça, achando que ia ser um relacionamento curto. Touya o conhecia, eu estava expondo muita coisa por isso e esperava que não tivesse de ficar sozinho novamente. Estava colocando meus sentimentos e os sentimentos de meu filho na mão de uma pessoa de fora. Esperava sinceramente que isso trouxesse bons frutos.

O problema é que isso, inevitavelmente, queria dizer que eu não teria mais filhos de sangue, a não ser que alugasse uma barriga de aluguel, o que não era lá uma coisa que me incomodasse muito, mas eu não tinha nem ideia da opinião de Kouyou sobre o assunto. Mesmo porque, estávamos “juntos” a pouco mais de vinte e quatro horas e isso era assunto para mais de vinte e quatro meses.

Já tive a experiência de um filho surgir sem planejamento. Não quero passar por isso de novo, obrigado.

Sem contar que eu já não tinha mais muita confiança na minha genética, já que meu filho estava num hospital, com leucemia em estado terminal. Mesmo com o doador já iniciando os exames para a transfusão, isso ainda me corroia por dentro. Pais sempre acham que a culpa é deles, eu não era exceção.

Touya estava dormindo no quarto e Kouyou estava livre, então, aproveitei o início da madrugada para passar um tempo com ele, dentro de um leito vazio. As costas dele estavam apoiadas na parede e eu estava com as mãos em sua cintura, com os dedos entrando por seu uniforme azul.

Entre uma conversa e outra, trocávamos beijos e caricias.

Sim, a ordem está correta. Sinceramente, adolescentes mais se agarram do que conversam, relacionamentos são feitos de conversas, porque um dia, quando se for velho, o sexo deixa de existir e você tem de ter as palavras, a companhia, os carinhos e todo o resto.

Se sexo fosse sinal de relacionamento, as prostitutas iam ser as mulheres mais compromissadas do mundo. Só que, aparentemente, pouquíssimas pessoas entendem isso e acham que um casamento sobrevive só de beijos e transas selvagens.

Depois não sabem por que tudo termina em divórcio hoje em dia. Beleza não põe a mesa. Entretanto, se pusesse, eu estaria bem servido, porque Kouyou era indiscutivelmente lindo.

No meio de um beijo particularmente intenso, meu celular começou a tocar. E eu comecei a amaldiçoar a existência desse aparelho, até ver o número de meu pai brilhando na tela.

Atendi e ele disse, simples assim, que já estava no hall, junto com minha mãe. Ok, eu sabia que eles estavam para chegar, mas achei que iriam me ligar para que eu fosse buscá-los no aeroporto. E no caminho eu iria pensar em como falar sobre Kouyou para eles.

Desliguei meio abalado.

- Meus pais estão no hall do hospital. – Falei, vendo seu olhar indagador.

- Ah... – Ele pareceu desconcertado. – E você pretende falar sobre mim?

Eu não precisava pedi-lo em namoro para deixar claro que desde ontem, sim, eu o considerava meu namorado. Outra daquelas coisas sobre ter trinta anos, ou vinte e cinco, no caso dele.

- Pretendo, só não faço idéia sobre como. Não por mim, mas por não fazer ideia de como eles vão reagir. O foco da visita deles tem de ser o Touya, não eu e a minha vida amorosa. E até ontem, creio que eu era hetero, ou quase isso, então... – Fiz um gesto com as sobrancelhas, junto com um suspiro, em sinal de resignação.

- Na hora, por mais que você planeje, só vai acabar saindo da sua boca, sério. – Kou falou com uma experiência explicita em cada palavra.

- E como foi?

- Minha mãe desmaiou, meu pai me deu um soco no rosto. Nos primeiros meses foi horrível, eu tinha dezesseis anos e com todo o drama adolescente, as coisas pioraram muito, mas depois... Bem, meus pais não me deserdaram e eu ainda vou vê-los com frequência ou eles vêm me ver. Acho que pra tudo, precisa-se de tempo.

“Meus pais foram mais compreensivos do que os de Ruki e menos do que os de Reita. Os pais de Akira aceitaram tranquilamente e até disseram que já esperavam por isso. Takanori... Bem, Digamos apenas que Matsumoto não é seu sobrenome de nascença, ele pegou de um ex-namorado.”

O que ele queria dizer com isso era que não tinha como esperar por uma reação ou prever qual seria, porque as pessoas eram completamente diferentes.

- Bem, eu não estou nem um pouco empolgado para mudar de sobrenome. Vou dar um jeito mais tarde. Tenho que ir encontrá-los. Quer ir acordando Touya? – Kou assentiu, dando-me um selinho e saindo do encontro entre meu corpo e a parede, em direção ao corredor.

Desci, apressadamente pelas escadas até o hall, onde uma senhora, de seus cinquenta anos, cabelo castanho comprido e um corpo de uma menina de vinte com um rosto jovial, estava acompanhada de um homem que passava dos cinquenta e cinco, mas que ainda tinha toda a elegância e charme que se podia esperar de um homem que começava a ter fios brancos no cabelo castanho. Os dois, carinhosamente chamados por mim de mãe e pai.

Aproximei-me e minha mãe me abraçou da mesma maneira de quando eu tinha seis anos, resmungando que eu não parava de crescer. Pobre de mim, mal passei dos um e setenta.

- Yuu, meu amor! Como você está? Diga para mim, pelo amor de Deus, que não está trabalhando dezoito horas por dia, como da última vez que viemos. E Touya? O que aconteceu com meu neto? – É, eu não tinha falado o que meu filho tinha.

- Estou bem mãe e não ando tendo tempo nem para trabalhar oito horas por dia, o que dirá dezoito. Quanto a Touya... Vamos falar sobre isso lá em cima. – Em seguida dei um abraço em meu pai, que tinha adquirido um ar grave desde que me neguei a falar sobre seu neto. Ele sabia que era grave.

Paramos no corredor de Touya e eu percebi que não tinha mais como enrolar, eles notariam o que era assim que eu abrisse a porta, então, decidi contar.

Da melhor maneira que pude, controlando-me para eu mesmo não ter outra crise de choro. Ele tinha um doador agora, eu tinha que parar com esse sentimento negativista de que ainda podia perdê-lo.

Se eu consegui me controlar, minha mãe, definitivamente, não. Ela começou a chorar e meu pai teve de consolá-la por vários minutos antes de conseguirmos entrar.

Meu filho estava acordado, com Kou ao lado dele. Depois do fim da quimioterapia, agora ele parecia levemente menos anêmico, e o cabelo começava, sutilmente, a deixar sua cabeça com vários pontinhos negros.

Assim que viu os avós, abriu um sorriso enorme, abraçando-os com toda a empolgação que alguém na situação de saúde dele conseguia.

Deixei que conversassem, matassem a saudades, indo para o canto do quarto, com Uruha ao meu lado.

Só depois de vários minutos, foi meu pai que notou a presença do enfermeiro.

- E você é...?- O senhor Hatsuharu não estava sendo grosso, ele só era de poucas palavras, sempre foi. Minha mãe acabou olhando para o loiro também, que ficou impossivelmente vermelho.

- Takashima Kouyou, o enfermeiro de Touya e meu namorado. – De fato, acabou saindo, como uma crise de vômito, da minha boca.

E o silêncio reinou

Notas finais
##

Bem, a música é Gone Forever - Three Days Grace. Eu amo essa banda, caso alguém não tenha notado Q

Ahm, acho que tenho que falar sobre os pais do Yuu né? QQ Bem, o pai se chama Hstsuharu e a mãe se chama Shizuori. Eles moram no exterior e só aparecem quando precisam. Normalmente é o Yuu que vai vizitá-los, junto com Touya.

E eu terminei o capítulo numa parte em que... Bem, numa parte onde eu deixo vocês curiosos (?~ Então podem ir lá nos reviews brigar comigo tá? *-*

Não tem muito o que falar nesse chappie, ele é de transição para a transfusão do Touya.

Pretendo postar o mais rápido possível.

E muito obrigada a todos os reviews gente, sério, eu leio todos e estou tentando responder todos, mas anda dificil.

Beijos, até o próximo chappie :*