Parfaite

11 Capítulo 11 - Heart Beat.


Notas iniciais
Eu juro que tentei postar antes, mas essa minha rotina está comendo minha imaginação de garfo e faca. Porém, acho que vocês vão me perdoar depois de ver os acontecimentos do chappie Q Betado pela linda da Meei ♥ Boa leitura :*

[ Uruha’s POV ]

“And he's got my name
Tattooed on his arm , his lucky charm
So I guess it's okay
He's with me
And we hear people talk (people talk)
Trying to make remarks, keep us apart
But I don't even hear
I don't care”

[ Criminal ]

Depois de ter, simplesmente, atacado Yuu no terraço, eu fui embora com o coração na mão e a certeza de que tinha acabado de perder o meu jantar com ele.

E perdido a fome também, porque meu estômago parecia dar cambalhotas dentro de mim fortemente. A vergonha corroia meu rosto de uma forma impossível, fazendo-o queimar como se eu estivesse com uma febre que passasse dos quarenta graus.

Quando estava indo para o estacionamento, fui preso pelo braço de Reita, que segurou minha cintura, obrigando-me a aparar.

- O que aconteceu, Uru? – Ele perguntou logo depois de certificar-se que eu estava bem preso no seu “abraço”.

- Eu... Eu o beijei, eu estou em choque, Rei, me deixa ir embora antes que ele consiga me achar, por favor. – Pedi, perdido em mim mesmo e nas minhas palavras. Só sabia que não podia dar de cara com Yuu agora. Eu não tinha coragem o suficiente para isso no momento.

- Certo... Não vou nem perguntar quem foi. Bem, vai logo, eu enrolo ele até ter certeza de que você saiu. Só não se esqueça que mais hora, menos hora, você terá de encará-lo. – O loiro me deu um beijo na testa, soltando minha cintura em seguida, para que eu pudesse ir.

- Obrigado. Até amanhã, Rei-koi. – Sério, o que seria de mim sem ele?

Sem maiores interrupções, eu consegui sair do hospital e chegar em casa. Desci do carro, pegando minhas coisas, trancando-o em seguida. Precisava de um banho, precisava colocar as ideias no lugar desesperadamente, até amanhã, onde eu teria ver o moreno novamente.

Tinha de parar de ser tão impulsivo, isso definitivamente, ainda ia me ferrar. Se é que já não tinha ferrado, quer dizer, se eu fosse um cara hétero e um gay me beijasse, acho que não ficaria muito feliz.

Principalmente se esse gay fosse o enfermeiro que cuidasse do meu filho com leucemia em estado terminal.

Sim, Touya já tinha chego ao que nós chamamos de estado terminal. Normalmente, é nessa época em que seus parentes começam a aparecer para se despedir. Claro que eu ainda não tive coragem de falar para Yuu. Apenas eu, Akira e o próprio Shiroyama mais novo tínhamos ciência da situação.

Tou-chan nos pediu que mantivéssemos Yuu na ignorância sobre o assunto. O tratamento não estava mais surtindo efeito, então, abrimos mão da quimioterapia, que só estava deixando seu sistema mais deficiente, sem ter retorno positivo.

Até tentamos outros tratamentos nas últimas duas semanas, porém eles também não surtiam efeito algum para a doença que já havia destruído o corpo do pequeno.

Sinceramente, se um doador não caísse do céu em pouco tempo, tudo que podíamos fazer agora, era esperar. Esperar a morte vir buscar o menino de quinze anos para que ele parasse de sofrer.

E mesmo sem saber de nada sobre a situação, fiquei sabendo que Yuu ligou para os pais — que até então, não faziam ideia de que seu único neto estava doente -, pedindo para que eles voltassem da Inglaterra.

Deveria ser o famoso sexto sentido de pai, avisando-o que seria a última chance de deixar que se despedissem.

Os avós de Touya chegariam na madrugada seguinte.

Tomei banho calmamente, colocando meu pijama, tentando desesperadamente não me lembrar do que tinha feito. Amanhã eu já seria lembrado o suficiente.

Também tentava não lembrar da menina que morreu hoje de manhã, e do estado de Touya. Eram coisas demais para se tentar esquecer ao mesmo tempo. Estava com sérias dúvidas se conseguiria.

Deitei no sofá, ligando a televisão para me distrair, colocar minha cabeça em outro lugar, era o que eu precisava.

O problema é que, mal deitei por cinco minutos, a campainha tocou. Bufei, levantando-me, abrindo a porta e...

- Yuu! – Deus do céu! O que ele estava fazendo ali? Ia me bater, no mínimo, ele...

- Eu falei que vinha te buscar pra jantar as oito, lembra? Por que colocou pijama? – Ele parecia realmente curioso e eu não conseguia enxergar nenhuma outra emoção além disso.

Será que ele tinha batido a cabeça e ficado com amnésia leve? Tipo... Esquecido do beijo que eu tinha dado nele?

Se fosse o caso, não seria eu a lembrá-lo.

- Ahm... Desculpa, eu tinha esquecido e... Estou indo me trocar. Entra, fico pronto rapidinho. – Larguei a porta aberta, correndo para o quarto, onde comecei a revirar meu guarda roupa, procurando as peças que queria. – Yuu, pra onde você vai me levar?

- Um restaurante em Ginza, se chama Ginza Lobby. Eu ia te levar para um em Shinjuku, mas não consegui fazer reservas em cima da hora, mil perdões. – Ele respondeu, meio que gritando, da sala.

Entrei em pânico. Ele ia me levar pra um restaurante onde, se eu passasse mal com a comida, vomitaria muita grana.

Peguei meu celular, discando um número correndo, enquanto fechava a porta do quarto para que Yuu não ouvisse.

- Alô? – A voz de Touya, rouca e fraquinha, atendeu.

- Touya, é uma emergência. Seu pai está querendo me levar para um restaurante chamado Ginza Lobby. O que eu faço? Eu nunca fui num lugar assim. – É, eu estava entrando em pani.

Touya riu, achando muita graça na minha dor.

- Ei, calma, Kou. Seguinte, eles não deixam você entrar se não estiver vestido de acordo. Vá de paletó e calça social. Lá é um restaurante que serve comida típica japonesa, então, fique tranqüilo, os talheres e a maneira de comer são as mesmas. Meu pai sempre pede vinho para acompanhar a comida, o que eu acho estranho, porque fica melhor com chá verde, mas, de qualquer forma, se não for acostumado com vinho na refeição, é só pedir outra coisa. Não deixe meu pai escolher o prato por você, garanto que vai ser fácil achar um prato que goste.

Ah, meu pai é viciado em doces, então, nem pense em não acompanhá-lo na sobremesa. E não ouse tentar pagar a conta, por dois motivos: primeiro que, pra tudo que você come, ia ter que vender seu carro para pagar a conta, e segundo, que ele iria se sentir muito ofendido. Agora, para de falar comigo, e vai lá se arrumar. Bom jantar.

Assim, ele desligou o celular.

Ok, se uma criança consegue, eu também consigo. Digo... Eu suponho que Touya vá em restaurantes desse nível desde pequeno.

Me arrumei o mais rápido de pude, colocando uma camiseta branca, com decote em U, junto a um blaser, uma calça social e uma espécie de cachecol fino, enrolado precariamente no pescoço. Realcei os olhos com uma maquiagem discreta e fui até a sala.

- Muito bonito. – Yuu comentou, com um sorriso, levantando-se.

Agradeci-o com um sorriso, antes de segui-lo em direção ao carro. A viagem foi tranqüila, falamos sobre nada em especial e, principalmente, nenhum dos dois passou nem perto de comentar sobre o beijo que eu tinha cometido à besteira de roubar dele.

Será que Yuu tinha mesmo esquecido sobre aquilo?

Na minha cabeça, eu já estava criando teorias da conspiração, e isso não era muito bom.

Porque, mesmo durante o jantar — onde, admito, dei uma ou duas gafes, mesmo que fosse adaptado à comida e aos talheres – esse assunto continuou não estando em pauta.

Porém, esse passeio me serviu para notar o quanto eu e Yuu éramos de mundos diferentes.

Ele parecia perfeitamente adaptado a restaurantes onde os garçons tinham quase a mesma formação que eu e eram fluentes em inglês. Cumprimentou meia dúzia de pessoas que pareciam extremamente importantes e que por acaso, nós encontramos lá dentro. Não se assustou em nada com a conta que chegou a ter mais de três zeros depois da vírgula, em dólares.

Aquilo me assustou. Sério, eu queria fugir dali e nunca mais passar por aquilo.

Me sentia pobre e rebaixado.

Sendo que quando saímos do restaurante, eu olhava fixamente para os meus pés.

Assim que a porta do carro se fechou, Yuu me encarou.

- Me desculpe, deveria ter te levado para outro lugar. – Era uma afirmação.

- Não tem problema... É só que... Aquilo não faz parte do meu mundo, sabe? Eu como muito, mas nem querendo conseguiria gastar o que você gastou em um jantar, nos lugares que costumo ir. – Não sabia me expressar bem.

- Não é nada demais, digo, em relação à diferença de ambientes. É onde fui criado, porém, eu não deixo de ser como você. Adoro Mc Donald’s¹, por exemplo. – Acabei sorrindo. Ele sabia fazer com que eu me sentisse melhor.

- Então na próxima vez, vamos ao Mc Donald’s, ok? – Pedi.

- Tudo bem. – Yuu riu leve. – E, Kou, tem uma coisa que eu preciso te dar.

Inclinei a cabeça, em dúvida. O que será que ele tinha de me dar?

- O que, Yuu?

- Isso. – Ele respondeu, colocando as mãos em meu rosto, juntando seus lábios aos meus, num beijo de verdade.

Fogos de artifício explodiram dentro de mim, quando abri a boca para recebê-lo, sua língua tocando a minha, o movimento de seus lábios alisando os meus.

A temperatura subiu, senti-me febril. Nossas bocas já deveriam ter se separado, mas não o fizeram e a situação começou a exigir mais de nós.

As mãos fortes dele agarraram minha cintura com força, puxando-me. Mole como eu estava, só senti o que estava acontecendo quando, dentro do carro, fui puxado para seu colo, com uma pernas em cada lado de seus quadris.

O beijo tornou-se violento. Meus dedos automaticamente começaram a arranhar sua nuca. O ar me faltava, porém eu arranjava brechas entre eles, para conseguir recuperá-lo parcialmente. Era como gasolina pegando fogo.

Não era certo, causaria estragos, entretanto, era inevitavelmente quente.

Quando finalmente nossas bocas distanciaram-se, as mãos dele estavam espalmadas na minha bunda. Sua respiração se chocava contra a minha, seus olhos negros estavam nublados de desejo.

- Na minha casa ou na sua? – Foi a única coisa que consegui formular.

Notas finais
¹ - Mc Donalds, no Japão, é comida de gente pobre. Tipo, lá ninguém que tenha poder aquisitivo entra num Mc Donalds, só para nível de informação. A múisica, para quem se interessar é Criminal - Britney Spears. Sim, eu gosto de britoca, me condenem Q Agora, para quem ainda não entendeu, capítulo que vem temos o tão esperado lemon da fanfic. Vamos ver como o Yuu heterozinho lida com o sexo. E aviso desde já que sou péssima com lemons. Para quem já leu Koishiteru, sabe que não estou mentindo, porém, vou me esforçar. Em relação aos reviews... Eu juro que tá difícil. Vou tentar responder alguns ainda hoje. Mas eu leio todos e são eles que fazem a fanfic ir para frente. Não no próximo capítulo, no outro, Kai finalmente vai dar as caras Q E... Ahm, acho que é só isso q Obrigada a todas que lêem, sério, vocês são umas lindas. Ando meio mal por vários motivos, mas vocês sempre me animam com os reviews. Obrigada por tudo, mesmo. Todo o carinho, toda a atenção, todos os comentários e incentivos. De coração. Reviews? ♥ Beijos :*