Parfaite

4 Capítulo 4 - I'm sorry, but I love you.


Notas iniciais
Bem, agora vai começar a chuva de pedras em cima de mim, tenho certeza ;; Não deu tempo de responder todos os reviews, porque ou eu respondia, ou eu escrevia, mas pretendo terminar de responder ainda hoje. A linda da Mei betou, então, estou repostando ♥ A capa da fanfic mudou, já que a linda da mikappy fez uma nova pra mim. Obrigada flor ♥ Obrigado pelo carinho de todas vocês, são umas lindas *-* Mais lá embaixo.

[Uruha’s POV ]

"Just One more moment, thats all thats needed.
Like wounded soldiers in need of healing.
Time to be honest, this time I'm bleeding.
Please don't dwell on it, cause I didn't mean it"

[ I'd come for you ]

Depois de Yuu ir embora, eu acabei voltando para o hospital, mesmo que meu horário já tivesse acabado. Não queria deixar Touya-san sozinho, principalmente por algo me dizer que aquela história de pai e filho tinha muito mais do que aparentava.

Na verdade, tinha quase certeza de que o único que detinha a resposta para todas as perguntas que poderiam resolver aquela relação era o Shiroyama mais novo.

Isso me preocupava... Ele me preocupava.

Era um bom menino, eu tinha certeza, porém estava se sacrificando demais por uma coisa que provavelmente, apenas ele tinha conhecimento. Touya tinha razões para estar tratando Yuu daquela forma, eu só não conseguia pensar em quais.

Infelizmente, quando cheguei, ele já estava dormindo e eu achei melhor deixá-lo assim mesmo, indo procurar um lugar qualquer para que eu mesmo pudesse tirar um cochilo antes do horário de pico da manhã começar.

Pouco antes de pegar no sono, o assunto ainda rondava minha cabeça. Não conseguia pensar num motivo por mais que me esforçasse.

Não sei se foi por pensar demais, ou por estar delirando de tanto cansaço, porém, acabei sonhando com Touya. A imagem dele veio tão nítida nesse meu sonho que parecia uma foto. Os olhos acinzentados, a pele pálida, o corpo magro demais apesar da inegável beleza que puxou de ambos os pais.

E pode não fazer o mínimo sentido para o restante do mundo, porém, quando acordei, estava alarmado. Ainda não sabia exatamente com o quê eu estava lidando, entretanto, algo me dizia que eu tinha uma boa idéia.

É aquela história sem muito sentido de que quando se passa muito tempo pensando em algo, a resposta acaba surgindo na sua frente a partir do seu subconsciente, que é mais consciente que a sua consciência. Faz sentido?

Olhei no relógio, passa um pouco das nove e os primeiros resultados dos exames de ontem já deveriam ter sido liberados pelo laboratório.

Coloquei o uniforme, prendendo os cabelos de qualquer forma antes de sair correndo para o primeiro andar. O laboratório não era parte do hospital Aiiku. Eles tinham uma parceria, então a parte laboratorial abria no horário deles, que era depois do restante, às 09h00min.

A atendente ainda estava com cara de sono quando cheguei, quase correndo.

- Os exames de Shiroyama Touya já ficaram prontos? – Perguntei, afobado e ela se alarmou um pouco, parecendo acordar de vez. Pediu-me um minuto com um gesto rápido e foi procurar entre os papeis, voltando com uma pasta de exames, entregando-me.

- Ainda faltam alguns, apenas esses já saíram. – Ela alertou, porém eu já não a ouvia, abrindo a pasta e passando os olhos pela folha, sentindo meu coração falhar algumas batidas conforme eu agradecia voltando a correr.

Estava passando pelo hall principal quando encontrei Akira. Ele entrava, carregando um copo de café e o jaleco, de qualquer forma, com uma inegável preguiça. Deveria ter ficado até tarde transando com o nanico açougueiro¹, de novo. Não me importava.

Ele era médico hematologista² e eu não tinha tempo de procurar outro. Além disso, era meu melhor amigo, não iria negar um pedido.

- Reita, vem aqui, preciso de uma opinião especializada. – Puxei-o pelo braço até uma sala qualquer, fechando a porta atrás de nós e lhe entregando os primeiros resultados do hemograma. – Diz pra mim que não é o que eu estou pensando.

Ele colocou o copo de café em cima da mesa, seus olhos ficando concentrados, mesmo que suas reclamações fossem quase audíveis em relação a minha maneira delicada de pedir as coisas aos outros.

- Anemia... Alteração gritante na proliferação de células imaturas... Sim, com quase 90% de certeza, você está certo. Mas eu precisaria de alguns exames mais específicos para ter certeza. Só não crie esperanças. Eu aposto dinheiro em cima desse seu chute. Quem é? Quantos anos tem?

- O nome dele é Shiroyama Touya, tem 15 anos e eu... Tenho a leve impressão de que não vou precisar fazer exames para ter certeza. Só preciso perguntar. Vem comigo? – Indaguei, voltando a pegar os exames das mãos dele.

O loiro franziu o cenho, desgostoso, desistindo do café, jogando-o quase cheio no lixo, já que, obviamente, eu não o deixaria terminá-lo.

- Tenho escolha? – Resmungou.

- Não. – Finalizei, voltando a puxá-lo pela mão até a frente do leito de Touya, mandando-o ficar na porta. Essa conversa eu precisava ter em particular. Não achava que ele se sentiria bem na presença de mais alguém.

Entrei no quarto, ainda escuro pelas cortinas fechadas, mesmo que um par de olhos seguisse todos os meus movimentos.

Voltei a me sentar na mesma poltrona da ultima vez, passando a ponta dos dedos pelo rosto do pequeno, que se virou de lado, facilitando sua visão de mim.

- Tenho um assunto sério para falar com você... E sei que não vou precisar fazer maiores exames para ter as respostas que preciso. – Seus olhos perderam o brilho e aquilo foi mais do que resposta para a minha pergunta.

- Não conte pro meu pai. Por favor. – Sua voz tinha perdido a firmeza, tinha ganhado o tom de alguém muito cansado... Cansado demais. Cansado de viver e de tentar.

- Eu não posso te garantir isso... Desculpe. – E assim, a primeira lágrima dele rolou. – Acho que você sabe dos detalhes... Pode me contar? O exame é doloroso. Creio que não quer refazê-lo à toa.

- Eu tenho leucemia linfocítica aguda³. – Não passou de um sussurro, mas foi o suficiente para que meu peito se apertasse. – Você... Não faz idéia de como foi... Ver minha mãe morrendo. Não estava lá pra ver meu pai morrer junto com ela, dia após dia. Perder a vontade, perder os sorrisos, perder o sono e os sonhos.

“Minha mãe morreu de leucemia. Eu era muito novo, não lembro qual era o tipo, mas... Tentaram de tudo, todos os tratamentos... Meu pai, que sempre teve dinheiro de sobra, conseguiu se meter em dívidas pagando mil coisas só para dar uma sobrevida à minha mãe.”

“E ela fez de tudo... Ela forçava o coração a bater para não abandonar ele. Todo mundo achava que meu pai cuidava dela... Ninguém nunca esteve próximo o suficiente para ver a verdade.”

“O pilar de tudo era minha mãe. Mesmo doente, presa numa cama, sem cabelos, sem forças... Ela já tinha desistido. No segundo mês depois de descoberta a doença, minha mãe estava conformada com a morte. Ela sempre me dizia para ser forte e que continuaria olhando por mim depois que fosse embora. Eu tenho plena certeza de que ela teria morrido muito antes, sem passar por tantos problemas, por tanta dor, se não fosse por meu pai.”

“Ele nunca soube viver sem ela. Ele se agarrava nela... Como se a vida dele dependesse disso. Ela tinha medo de morrer... Ela só começou a odiar a morte, quando passou a duvidar que ele conseguisse seguir em frente sem ela.”

“Eu tinha dez anos... Só dez anos e mesmo assim conseguia enxergar isso. Dois dias antes de morrer... Nós nos despedimos, eu e minha mãe. Ela me fez prometer que... Que eu cuidaria do meu pai. Prometi que seria forte por nós dois e que nunca deixaria ele cair de novo.”

“Só que agora... De um ano pra cá... Desde que eu descobri... Yuu não vai saber lidar com isso. Ele vai cair de novo e se eu morrer, não vai ter mais ninguém pra colocar ele de pé.”

“Eu prometi pra minha mãe. Prometi que ia cuidar dele... Eu não sei mais como. Eu estava desesperado então... Eu resolvi me afastar. Resolvi fazer ele me odiar. Pra não sentir minha falta se eu morresse. Queria que ele tivesse se casado de novo, que amasse alguém, que tivesse outro filho... Tentei empurrar mulheres pra cima dele... Fiz tudo que podia e nada adiantou. Queria que ele tivesse outro foco na vida... Queria não ser importante.”

“Dói tanto... Usar uma máscara vinte e quatro horas por dia. Pior do que isso é ver que não dá certo. Que ele continua me amando, que continua ali, tentando. Eu amo ele... Amo mais do que qualquer coisa. Ele é meu pai, ele é tudo que eu tenho... Por que, qualquer caminho que eu tomo, acaba machucando ele?”

As palavras eram tecidas como um mantra, lento e penetrante. A primeira lágrimas que Touya soltou veio acompanhada de mais uma chuva delas, molhando seus cabelos, seu rosto, o travesseiro...

Junto das dele, vieram as minhas, em menor quantidade, silenciosas... Sua dor era tão intensa, que eu conseguia senti-la.

Como um menino de quinze anos conseguia lidar com tudo aquilo?

- ... Por isso, por favor... Não conte pra ele. Não conte. Eu prometo que começo qualquer tratamento, eu dou um jeito de pagar... Desde que ele não saiba... – Não deixei ele terminar. Sentei em sua cama, arrumando parte de seu corpo em minhas pernas, abraçando-o.

Ele se agarrou em mim como se agarrasse o último fio de sanidade.

- Está tudo bem... Vamos lidar com isso... Vou cuidar de você. De você e do seu pai, mas vamos ter de fazer isso do jeito certo... Da maneira mais indolor possível. – Eu só não sabia se tinha uma maneira indolor de lidar com aquilo.

"No matter what gets in my way
As long as there's still life in me
No matter what, remember you know I'll always come for you"

[ I'd come for you]



Notas finais
##¹ - Açougueiro é a maneira "carinhosa" usada pelos próprios médicos/enfermeiros para se referir a um médico legista. Ou seja, o Ruki cuida de gente morta, basicamente Q ² - Hematologista é um médico especializado em doenças do sangue, desde anemias até leucemias, que é um câncer de sangue. ³ - Leucemia linfocítica aguda - As leucemias são divididas em dois grupos principais: a aguda e crônica. A agura é a mais rápida e mais destruídora, ela leva ao óbito mais rapidamente. A crônica pode demorar meses ou anos para se desenvolver. Leucemia também pode ser linfocítica ou mielóide. Escolhi a linfocítica aguda porque é a que mais tem ocorrências entre jovens da idade dele e ela tem cura, principalmente por transplante de medula. É... Eu tô tendo que engolir informações sobre essa doença para não decepcionar na escrita. Bem, eu falei que as coisas começavam a desandar a partir daqui. Mas não me matem, por favor ;;Como eu disse, o Touya é meu personagem preferido e eu amo ele e ♥ Obrigada pelos comentários de todas vocês, tive 16 reviews nesse chappie até agora e espero continuar vendo todas vocês aqui, me falando onde eu acerto e onde eu erro. Fiz uma menção de Reituki, mas ainda estou pensando se desenvolvo ou não o casal, o que vocês acham? Não se preocupem, eu não esqueci do Yuu e do Kou, o romance deles vai ser desenvolvido junto com o assunto Touya, fiquem calmas q E então, mereço reviews? Beijinhos :*