Paraíso Sombrio

49 Pirulito azul


Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? E este é o penúltimo capítulo de PS! Antes de qualquer coisa, preciso dizer que os casais NejiTen, SaiDei, KibaHana e ShikaTema serão citados no último capítulo, mas a história não terá mais enfoque neles. PS está chegando ao fim, e prolongar a fic por conta destes casais é desnecessário, uma vez que todos eles tiveram seu momento. Vocês ficarão sabendo o que aconteceu com o futuro de todos eles, mas de forma bem sucinta, já que o próximo capítulo, o último, terá enfoque nos personagens principais. Quero também ressaltar que eu não estava muito inspirada ao escrever o capítulo de hoje, então não tenho certeza se ele está bom, mas espero que gostem xD (Sei que o título está meio bobo, mas bem, não consegui pensar em outra coisa, kkkkkkkkkkkkkk) Como vocês estão se sentindo? Eu estou sentindo uma mistura de ansiedade, alegria, tristeza, nostalgia... Para falar a verdade, não sei bem o que sentir. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk Poxa, faz um tempinho que caminhamos juntos com essa história! Não me despedirei dela hoje, mas existem coisas que quero dividir com vocês antes de postar o último capítulo – já que as notas da próxima postagem serão dedicadas a outros esclarecimentos e agradecimentos – e não existe ocasião melhor do que essa. Olhando para trás, percebo o quanto os personagens que desenvolvi evoluíram junto comigo. E não pensem que apenas eu cresci com esta história... Vocês também! Vi gente deixar de ser leitor fantasma e comentar porque sabia que as opiniões de vocês são minha principal motivação para escrever. Vi gente que começou aqui com comentários pequenininhos e tímidos, e que agora me escrevem verdadeiras cartas, o que eu adoro! Vi gente que deixou de lado a timidez e veio me mandar uma mensagem dizendo que adorava o que eu escrevia, vi gente me mandando músicas, desenhos, vi fics surgindo em minha homenagem, o que me enchia de orgulho e emoção. Acreditem, estou sendo sincera quando digo que me sinto verdadeiramente honrada em saber que pude inspirar e cativar o coração e a imaginação de tanta gente bacana. Me empenhei muito em poder concluir esta história, mas os principais responsáveis por isso são vocês, que nunca me deixaram desistir. A cada mensagem, comentário que eu recebia, me sentia mais motivada a continuar, a escrever, a colocar a mente para funcionar. Se PS é um reflexo dos meus esforços, existe também nesta história rastros da dedicação de vocês em motivarem esta autora-san. Paraíso Sombrio sou eu, e são vocês. Estamos todos juntos, caminhando em direção ao fim desta etapa. E, por último, quero falar um pouco sobre a Hinata de PS. O que dizer dela? Hinata não foi uma personagem aleatória, que eu construí de forma a simplesmente encaixá-la no enredo. Ela foi o reflexo de uma personalidade que trás características de todos nós. Ela sofreu, teve medo, foi abandonada, esteve sozinha por muito, muito tempo... Quantos de nós já não se sentiu assim? Todos precisam de um motivo para continuar a viver... Qual é o seu? A Hyuuga com certeza achou o dela em um certo par de olhos azuis e em um coração tão fechado quanto o dela mesma. Na medida em que ela abria o coração de Naruto, ele também abria o dela. Por isso os dois se completam de forma tão intensa; Não por causa de uma profecia, mas porque os dois fizeram um pelo outro aquilo que ninguém mais conseguiu: eles se libertaram. Hinata foi a mais forte das personagens, porque apesar de toda a dor, ela foi capaz de encontrar um motivo pelo qual valia a pena seguir em frente. Assim como ela conseguiu, espero que todos vocês consigam encontrar algo que desperte um sorriso tão grande e sincero quanto o que ela tem no rosto, agora. E espero que encontrem alguém que olhe para vocês com o mesmo fascínio com o qual Minato olhava para Kushina... Com o mesmo brilho com o qual Naruto olha para Hinata. Foi uma lindeza viver essa aventura com vocês. Muito obrigada, por tudo! Deixarei meu discurso de despedida e agradecimentos formais para o último capítulo, que deve sair logo, loguinho xD Espero que gostem! Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!



Cinco meses depois

Com o jaleco branco aberto sobre o corpo, – já que havia se tornado impossível fechá-lo devido o tamanho da barriga – Sakura entrou em seu consultório, deparando-se com a figura de Sasuke, que estava sentado no pequeno sofá perto da parede. Ela estreitou os olhos, suspirando profundamente.

–Eu já comi, Sasuke. – Sakura garantiu, caminhando pelo consultório e sentando sobre a mesa, ficando de frente para o moreno – Pare de ficar me controlando, pelo amor de Deus!

–A culpa é sua por ser tão obcecada pelo trabalho que acaba esquecendo até de comer. – Sasuke rebateu, a expressão apática. Mas algo no corpo da rosada lhe chamou atenção – Está usando minha camisa de novo?

Ela tentou fechar o jaleco, a fim de esconder o tecido azul marinho da camisa que pegara emprestada pela manhã no guarda-roupa de Sasuke, mas claro, não conseguiu. Havia saído de fininho para ir ao trabalho, tentando não acordar o moreno, mas não importava o quanto ela se esforçasse, o marido acabava por lhe azucrinar o juízo de qualquer maneira. “Cuide de sua alimentação, Sakura”, “Não se esforce tanto, Sakura”, “Você parece cansada, Sakura”, “Por que não descansa um pouco, Sakura”, a voz irritante do rapaz soava em sua mente, fazendo-a bufar. Quando foi que ela virou uma boneca de cristal?

Nos últimos meses, a Haruno quase havia enlouquecido ao tentar convencer Sasuke a deixa-la voltar a trabalhar no hospital durante a gravidez, conseguindo faze-lo concordar com muito sacrifício. Era difícil morar com ele, mas ela estava atada ao Uchiha pela maldita aliança que brilhava em seu dedo, indicando que agora ela era uma mulher casada. Suspirou. Sim, era difícil viver com ele... Mas seria mais difícil ainda viver sem ele.

Sasuke era um bom marido. Era controlador demais, adjetivo que ele sempre substituía por “cuidadoso”, mas Sakura sabia que ele era controlador, mesmo. Desde que anunciara a gravidez, o moreno parecia ter despertado dentro de si algum tipo de loucura que o fazia ficar atento a qualquer movimento que ela fizesse. Sasuke ficava nervoso quando via a rosada vomitar, perguntando o que podia fazer para ajudar, segurando o cabelo de Sakura enquanto a pequena pessoa dentro dela a obrigava a colocar tudo o que comia para fora. Nas noites em que a Haruno sofria de insônia, ele cantarolava para suas mulheres, acariciando a barriga e o rosto da esposa, que acabava por adormecer, tranquila, em seus braços. Muitas foram as madrugadas em que ele ficou de pé, preparando na cozinha alguma maluquice que Sakura dizia querer comer. As vezes ela nem queria nada, mas acabava inventando alguma coisa só para ver até onde iria a boa vontade e preocupação de Sasuke. Ele era irritante, mas a rosada o amava, fazer o quê?

Querendo se livrar daqueles pensamentos, Sakura piscou, voltando ao momento presente. Os orbes negros de Sasuke a encaravam, esperando por uma resposta.

–Minhas roupas não cabem mais em mim! Estou gorda! – ela alarmou, exibindo ao marido uma expressão desolada – Suas camisas são frouxas, servem perfeitamente em mim. Preciso usá-las porque minhas roupas não cabem mais! Estou gorda!

–Eu já disse a você que comprasse roupas para usar durante a gravidez. – Sasuke alisou a testa, sem entender aquele surto repentino.

–Estou gorda, Sasuke! Estou gorda e a culpa é sua! – Sakura acusou, se dirigindo para frente do grande espelho que havia em sua sala. Sua expressão não era nada boa.

–Quê? – ele grunhiu, confuso.

–Foi você quem colocou essa pestinha dentro de mim, que não para de chutar e de crescer! – ela acusou novamente, tocando a barriga.

A cada mês que se aproximava, seu medo aumentava. Obviamente, Sakura já havia visto vários partos acontecerem no hospital onde trabalhava – ela nunca havia feito um parto, mas já assistira enquanto seus colegas de trabalho traziam crianças ao mundo. E apesar de ser médica, apesar de saber como tudo aquilo funcionava... Ela também se lembrava de toda a gritaria das mulheres, da dor que elas pareciam sentir.

Óh, céus. Ela estava com medo. Sim, com muito medo. Era médica, mas também era humana. E embora mal pudesse esperar para ver o rosto de sua filha pela primeira vez, também tinha medo do processo necessário para realizar seu desejo.

Sasuke riu, se levantando e abraçando a rosada por trás, pousando as mãos na grande barriga de Sakura. Seus olhos fitaram o espelho, onde ele podia ver o reflexo do casal abraçado. Sasuke gostava daquela imagem.

–Você não está gorda. Está linda. – ele falou, vendo os olhos de Sakura encherem-se de lágrimas. Ela estava meio bipolar com a gravidez, os nervos a flor da pele.

–Mesmo? – ela murmurou, quase chorando.

Ele depositou um beijo na bochecha da esposa, e sorriu para o espelho.

–Mesmo. – Sasuke garantiu, vendo-a sorrir também.

Sakura se virou, enlaçando o pescoço do marido e trazendo-o- para perto, depositando nos lábios dele um beijo demorado. Ele era um idiota. Seu idiota. E como ela o amava...

De repente, os dois ouviram um barulho vindo da porta, e desviaram o olhar para aquela direção, vendo Ino entrar no consultório sem bater ou pedir licença, arrastando Hinata pelo braço.

–Sakura, amiga, você tá enorme! – a loira gritou, com um grande sorriso no rosto.

A Haruno suspirou tristemente, e Sasuke lançou à Ino um olhar mortal.

–Muito obrigado, Yamanaka. – ele resmungou, mau humorado – Valeu mesmo.

–Ah, ela sabe que é um elogio! – Ino rebateu, abraçando a rosada – Você está enormemente linda, amiga. Sua barriga tá um arraso!

Involuntariamente, Sakura começou a rir da empolgação de Ino. Abraçou-a de volta, enquanto via Sasuke se sentar novamente no sofá.

–Ino tem razão, você está linda, Sakura. – Hinata falou, os olhos fixos na grande barriga da rosada. Bem que ela queria carregar um barrigão como aquele...

A empolgação de todos a respeito da gravidez de Sakura não passava despercebida à Hinata. Ela podia sentir como Naruto ficava com um olhar perdido sempre que Sasuke falava sobre como estava ansioso para segurar a filha nos braços, para ver o sorriso da pequena rosadinha pela primeira vez, para presenciar os primeiros passinhos dela... Naruto sorria com a felicidade do irmão, mas mantinha a mesma expressão de quem tentava esconder a ansiedade que queimava dentro de si, como se seus olhos azuis estivessem fixos em algo que ninguém mais além dele conseguisse enxergar. Como se esperasse...

–Obrigada, Hinata. – a Haruno sorriu e abraçou a morena, para em seguida segurá-la pelos ombros – Veio pegar o resultado dos exames?

–Bem... – a morena murmurou, suspirando cansativamente.

–Ela não queria vir! – Ino se intrometeu, indignada – Mas eu a convenci. – sorriu abertamente, e todos ali sabiam que a Hyuuga havia sido arrastada até o consultório à força.

Há alguns meses, Hinata estava se sentindo estranha de uma maneira inexplicável. Enjoos, tonturas, chegara até mesmo a desmaiar uma ou duas vezes. Ela tentava ao máximo esconder aqueles sintomas de Naruto, mas o loiro sempre a via escorada em algum móvel esperando a tontura passar. Quando vomitava, Hinata dizia que a comida a havia feito mal, vendo Naruto fita-la com um olhar preocupado, como se não soubesse o que fazer para ajudar, mas já estivesse desconfiando de que havia alguma coisa errada com ela. Por muitas vezes, Ino sugeriu que Hinata procurasse um médico, (a loira era a única pessoa para quem Hinata contava que estava constantemente passando mal) mas ela se recusava, dizendo que não era nada demais.

E essa desculpa funcionou apenas até o dia em que Ino perdeu a paciência e a obrigou a procurar Sakura, ameaçando enfiar as agulhas na pele da Hyuuga ela mesma caso a morena não fosse logo fazer, pelo menos, alguns malditos exames de sangue.

–Que bom que veio, Hinata. – Sakura sorriu, percebendo que a morena a encarava com uma expressão preocupada. Estava ciente de que a Hyuuga tinha medo de acabar descobrindo uma doença grave ou algo do tipo – Já estou com os resultados dos seus exames, sente-se ali, por favor. – apontou para uma das cadeiras que rodeava sua mesa. Em seguida, olhou para Sasuke – Pode nos dar licença? – pediu ao marido.

Ele estreitou os olhos.

–Não. – Sasuke respondeu, cruzando os braços e se acomodando confortavelmente no sofá – Hinata é minha discípula, se tem algo errado com ela, eu quero saber. – olhou para a Hyuuga — Aliás, o Naruto sabe que você tá aqui?

–Não. – Hinata respondeu — E você não vai contar pra ele, ou eu te mato, entendeu? – ameaçou.

–É sério, Sasuke, preciso ter uma conversa com a Hinata. Sai logo. – Sakura pediu mais uma vez.

–Eu não vou sair... – ele começou a argumentar, mas logo foi interrompido pelo grito histérico de Ino.

–É PAPO DE MULHER, VAZA DAQUI, UCHIHA! – a loira berrou, puxando Sasuke pelo braço e empurrando-o para fora do consultório.

–Mas eu... – o rapaz tentou novamente, já do lado de fora da sala.

–Tchau, Sasuke! – Ino se despediu, batendo a porta com força na cara do Uchiha – Pronto, e aí, o que é que ela tem? – a loira perguntou à Sakura, voltando para perto da mesa como se nada demais tivesse acabado de acontecer.

Sakura e Hinata piscaram, atônitas. Ino era louca.

–Be-bem... – a rosada gaguejou, tentando retomar o raciocínio. Sentou-se em sua cadeira e olhou para Hinata, que já estava sentada à sua frente, encarando-a com uma expressão preocupada – Como eu dizia, já estou com os resultados de seus exames em mãos.

–É... É algo grave? – a Hyuuga perguntou, a voz soando trêmula de nervosismo. Sentiu Ino atrás de si, segurando seus ombros com firmeza a fim de transmitir-lhe confiança.

A Haruno suspirou.

–Sim. – Sakura respondeu, abrindo o grande envelope que continha os exames da morena – É algo muito grave. – afirmou, vendo a Yamanaka apertar os lábios, reprimindo o riso. Claro que Ino já sabia do que se tratavam os sintomas de Hinata.

–E-e o q-que é? – a morena questionou, quase entrando em pânico.

Foi quando ela viu Sakura abrir um enorme sorriso, enquanto lhe entregava os papéis de seus exames.

–Parabéns, Hinata. Você está grávida. – a doutora anunciou.

E a próxima coisa que a Hyuuga ouviu foi o grito histérico de Ino ecoando por toda a sala, ferindo seus tímpanos.

–AAHHHH, MEU DEUS, POR FAVOR, ME DEIXE ESTAR LÁ QUANDO VOCÊ FOR CONTAR AO NARUTO, POR FAVOR, EU FICO QUIETINHA, PROMETO! – a loira pediu, aos berros.

Mas Hinata não conseguia responder. Seu olhar incrédulo estava fixo nos papéis que tinha em mãos, e novamente ela fitou Sakura, sentindo os olhos embaçados pelas lágrimas que se acumulavam nas pálpebras.

–Isso é... é verdade? – a morena perguntou, a voz trêmula, mas dessa vez, de emoção – Eu... eu vou ter um filho? Um filho do Naruto?

O sorriso de Sakura se alargou.

–Sim, você vai ter um filho daquele maluco. – a Haruno confirmou, e em seguida se levantou da cadeira – Quer vê-lo? – perguntou, estendendo a mão para Hinata, que não conseguiu responder.

Com a garganta fechada, a morena apenas se levantou, acompanhando Sakura para fora do consultório, seguida de Ino, que a acompanhava logo atrás dando pulinhos de felicidade. A mente barulhenta da Hyuuga ainda tentava assimilar a noticia que acabara de receber, embora seu coração batesse apressadamente, como se, inconscientemente, ela já estivesse preparada para aquilo. Como se seu corpo ansiasse para que aquilo acontecesse. Como se ela precisasse ter certeza de que carregava dentro de si um pouco da felicidade com a qual Naruto a presenteara.

Alguns poderiam dizer que era loucura ter um filho aos dezoito anos, e talvez até fosse, mas Hinata não se importava. Ela queria dar ao homem a quem amava a oportunidade de construir um futuro feliz. Ver a vida crescendo dentro de si faria com que fosse muito mais fácil aceitar as mudanças do lado de fora.

No corredor, Sasuke ainda aguardava, escorado na parede. Seus olhos se arregalaram quando viu o rosto coberto de lágrimas de Hinata.

–Por que ela tá chorando?! – ele perguntou à Sakura, em pânico – O que ela tem?!

–Você ainda tá aqui? – a rosada resmungou tediosamente, desvencilhando-se das perguntas de Sasuke – Vai pra casa.

–Não vou até me dizerem o que ela tem. – o Uchiha rebateu, seguindo as três mulheres que caminhavam para uma sala no final do corredor – Hinata? – ele chamou, aflito – Você não vai morrer, não, né? Eu não tive todo aquele trabalho pra salvar a sua pele pra você morrer de alguma doença, não, né? – perguntou, nervoso.

–Cala a boca, Sasuke. – Ino resmungou, enquanto acompanhava as amigas. As três entraram na sala, e quando o moreno fez menção de entrar também, ela lhe barrou a entrada – Você fica aí fora.

–De jeito nenhum! Eu quero saber o que ela tem! – Sasuke alarmou, impedindo Ino de fechar a porta.

A loira estava prestes a argumentar, quando ouviu a voz histérica e conhecida ecoar pelo corredor.

–HINATA!

Ino olhou para a Hyuuga, que àquela altura já estava deitada em uma cama, erguendo um pouco a blusa para fazer o ultrassom. Hinata arregalou os olhos ao reconhecer a voz desesperada de Naruto.

–É... Bem... Eu liguei pra ele quando sai da sala de vocês. – Sasuke confessou, coçando a cabeça e rindo, sem jeito.

–HINATINHA! – outro berro soou pelo corredor, fazendo Ino estreitar os olhos para o Uchiha ao reconhecer a voz de um certo ruivo.

–Bom, quando eu liguei pro Naruto, o Gaara tava perto dele e... – Sasuke tentava se justificar, cada vez mais envergonhado.

Um baque surdo atingiu a porta que Ino segurava, fazendo a maçaneta escapar de suas mãos. Ela se afastou, dando passagem aos dois homens que entravam no consultório com expressões aflitas.

–Cadê a Hinata?! – Naruto perguntou, nervoso – O que ela tem?!

Ino se pôs diante do loiro, barrando a passagem.

–Calma, Naruto... – ela pediu, tentando empurrá-lo para fora da sala.

–Como “calma”?! – Gaara berrou, aparecendo logo atrás do Uzumaki – Como é que a Hinatinha tá doente e ninguém conta nada pra gente?!

–Fica na sua, Gaara! – a loira mandou, ouvindo o Sabaku bufar.

–Deixa a gente entrar! – Sasuke gritou, angustiado.

–Não posso! – Ino falou, começando a entrar em pânico. Como é que ela ia conseguir segurar aqueles três malucos sozinha?

–Ino. – Naruto sibilou, encarando a loira com um olhar ameaçador – É a minha mulher quem está aí dentro, e eu quero vê-la. Saia da minha frente.

–Ma-Mas, Naruto... – a Yamanaka choramingou, desesperada.

–SAIA! – os três homens berraram, furiosos.

Os quatro começaram a discutir, as vozes ecoando pelo corredor, fazendo uma grande confusão. Quando Naruto estava prestes a passar por cima de Ino, viu Gaara puxar o ar dos pulmões a fim de soltar um grito.

–CALEM A BOCA! – o ruivo mandou, assustando Ino, Naruto e Sasuke, que pararam de brigar – Não estão ouvindo isso? – perguntou, atentando-se ao som estranho que ecoava baixinho pela sala.

Os outros ficaram em silêncio, entendendo do que Gaara estava falando. O som de fortes batidas reverberava pelas paredes brancas da sala, fazendo um arrepio percorrer a espinha de Naruto.

Aproveitando-se da distração de Ino, ele entrou no quarto, seguido de Sasuke e Gaara, deparando-se com a figura de Hinata deitada, com Sakura sentada ao lado dela, deslizando um pequeno e estranho aparelho pela barriga coberta de gel da morena. Ao lado da cama havia um pequeno monitor, que revelava a imagem do ser minúsculo que crescia, forte e saudável, dentro da Hyuuga.

–Parabéns, Naruto, seu idiota. Você vai ser papai! – Sakura anunciou, vendo o loiro estancar no meio da sala, os olhos arregalados e fixos no monitor.

Silêncio.

E mais silêncio.

–Eu sou o padrinho! – Sasuke gritou, interrompendo a quietude perplexa de Naruto.

–O QUÊ?! – Gaara berrou, indignado – Já não basta você ser o mestre dela? EU vou ser o padrinho.

–Justamente por ser o mestre dela, sou a escolha mais óbvia para apadrinhar essa criança. – o Uchiha justificou, suspirando cansativamente como se estivesse explicando algo muito simples.

Quando Gaara estava prestes a continuar com a discussão, todos dentro da sala puderam escutar o rosnado furioso de Naruto.

–SAIAM TODOS DAQUI! – o loiro berrou – AGORA!

Acuados pelo tom furioso do Uzumaki, todos saíram do consultório, deixando-o sozinho com Hinata. Ele se virou para ela, a raiva desaparecendo de seu rosto, cedendo lugar à uma expressão confusa.

–O que tá acontecendo, Hinata? – Naruto perguntou, os olhos fixos na morena – Isso que a Sakura disse... É verdade?

Sem conseguir proferir uma palavra sequer, ela baixou os olhos e fitou a barriga ainda lisinha, se limitando a assentir.

Naruto então olhou novamente para o pequeno monitor. O aparelho que Sakura antes segurava já não estava mais na barriga de Hinata, mas o loiro parecia ainda poder escutar os batimentos acelerados ecoarem por seus ouvidos.

–Esse... esse é ele? – o loiro questionou, deixando um sorriso abobalhado emoldurar seus lábios. Os olhos azuis brilhavam – Esse é o nosso menino?

Ao perceber o sorriso de Naruto, Hinata suspirou, aliviada. Os olhos dele ainda estavam fixos no monitor, observando o ser minúsculo que crescia dentro dela. Sem saber exatamente o motivo, Hinata sentiu seus olhos arderem e suas bochechas queimarem.

–Bom... Não sabemos se é um menino. – ela tentou falar, a voz soando um pouco trêmula — Sakura disse que ainda é muito cedo para poder ver.

–É um menino. – Naruto insistiu, confiante. Seus olhos ainda brilhavam na direção do monitor, fascinados. A visão que teve alguns meses atrás, sobre o futuro, invadiu seus pensamentos, trazendo a lembrança do dia ensolarado no qual ele havia ensinado um garotinho loiro a andar de bicicleta. Sim, aquele era o seu futuro, crescendo firme e forte dentro de Hinata, amadurecendo um coração valente e tão poderoso quanto os de seus pais. Naruto podia sentir isso, podia sentir o amor crescendo e explodindo em suas veias, como o pulsar daquele coração pequeno. Podia sentir o amor paterno ganhando forma e se apossando de todos os seus instintos naquele momento, e a esperança de que a vida seria muito mais bonita daquele dia em diante, porque seus sonhos e seu futuro iriam se realizar. O futuro que era o dia ensolarado com dois pestinhas atazanando o seu juízo e lhe fazendo mais feliz do qualquer homem jamais poderia ser.

Naruto finalmente conseguiu desviar os olhos do monitor para fitar Hinata, que o encarava com uma expressão cautelosa. Era possível que um homem conseguisse alcançar tamanha felicidade? Era possível que aquele garoto de rua, que um dia foi chamado de demônio, pudesse ser capaz de ter o paraíso ao seu alcance?

Olhando para as duas estrelas peroladas que o encaravam, Naruto, pela primeira vez em toda a sua vida, achou que sim. Talvez ele não merecesse ter tudo aquilo, ou talvez simplesmente estivesse tendo a oportunidade de recomeçar a viver, como seu padrinho gostaria que ele fizesse. O loiro achava que aquele tipo de felicidade não era real. Que aquele tipo de coisa não existia. Mas ali estava ele, de frente para o futuro, tendo tudo o que sempre quis.

–Levante daí, Hinata. – Naruto mandou, encarando a morena com uma expressão séria.

A Hyuuga engoliu em seco, preparando-se para o que estava por vir. Será que Naruto ficaria bravo com ela por ter ido até ali sem avisá-lo? Será que ele brigaria com ela?

A morena firmou os pés no chão, vendo Naruto se aproximar a passos pesados, mas apressados. Ele ansiava por encurtar a distância que os separava, porque mal podia esperar para começar a viver o futuro. Naquele momento, apesar de ter um coração carregado de cicatrizes, apesar de já ter sofrido muitas perdas e de já ter derramado tantas lágrimas... Apesar de tudo aquilo, Naruto se sentia o mais feliz dos homens.

E foi por isso que ele puxou Hinata para si, beijando-a com vontade, enquanto entrelaçava os dedos nos cabelos compridos que caiam em cascatas negras sobre os ombros pálidos e se estendiam até a base da cintura dela. Sob seus lábios, Naruto sentiu a Hyuuga rir, aliviada, para enfim corresponder-lhe, abraçando-o fortemente, buscando o conforto do corpo que se encaixava com perfeição ao seu.

Quando enfim desgrudaram os lábios, Naruto a fitou por um instante, os olhos fixos nos de Hinata, enquanto seus dedos acariciavam a bochecha vermelha e quente que sempre o fazia sorrir. Não importava quanto tempo passasse, ver que ainda era capaz de provocar aquele rubor bonito no rosto de Hinata sempre fazia com que o Uzumaki se sentisse o homem mais sortudo do mundo.

Devagar, ele se abaixou, ficando de joelhos na frente da morena. Seus dedos procuraram a pele por baixo da blusa que ela usava, erguendo um pouco o tecido, deixando exposta a barriga ainda molhada pelo gel usado para o ultrassom.

–Olá, menino. – Naruto murmurou, ouvindo Hinata rir, sentindo-a acariciar seus cabelos – Eu sou o cara que vai cuidar de você, e te amar mais do que qualquer pessoa nesse mundo. Vou ensinar você a andar de bicicleta e, quando você estiver grande, vou te mostrar uma bebida chamada Garganta Del Diablo e... – se interrompeu, sentindo Hinata puxar seus cabelos para trás com força.

–Você não vai transformar meu filho em um alcóolatra! – ela protestou, encarando-o com olhos furiosos.

–Tô brincando! – Naruto disse, rindo, sentindo a morena soltar seus cabelos. Ele novamente olhou para a barriga – Sabe, filho, tem muitas coisas que eu preciso te ensinar sobre o mundo. A primeira delas é que sua mãe é muito brava e... – se interrompeu novamente quando os dedos de Hinata puxaram seus cabelos com força mais uma vez – Mas eu a amo muito. Mais do que minha própria vida. – falou, e os dedos da Hyuuga afrouxaram o aperto em seus fios – E também já te amo tanto, garoto...

Hinata suspirou, sentindo novas lágrimas descerem por seu rosto, mas o sorriso em seus lábios dizia que o pranto que caía era de felicidade e emoção. O loiro se levantou e limpou suas lágrimas, sorrindo também.

–Você sabe que seremos obrigados a ter outros filhos, não é? Precisamos dar um afilhado para Sasuke e outro para Gaara, ou os dois vão acabar começando uma guerra. – ele argumentou.

Hinata revirou os olhos, embora achasse que aquela não era uma má ideia. Depois que seus sentimentos por Naruto ficaram claros, ela não conseguia imaginar a si mesma em um futuro que não envolvesse o loiro ao seu lado, rodeado de pestinhas que os enlouqueceriam, mas que seriam a alegria de suas existências.

–Uma menina. – Naruto murmurou, grudando os lábios nos da Hyuuga – Uma menininha de cabelos como os seus... Linda como você...

–Talvez nosso menino seja moreno, como eu. – Hinata tentou dizer, mas suas palavras soavam quase ininteligíveis, pois Naruto se recusava a afastar os lábios dos seus, e as carícias dele em sua nuca estavam fazendo com que ela perdesse a linha do raciocínio.

–Acho que ele herdará meus cabelos. Será um belo menino... – Naruto murmurou, os olhos fechados e perdidos nas lembranças do futuro que guardava em sua mente com tanto carinho. Mas era melhor não demonstrar tanta certeza, ou Hinata acabaria lhe fazendo perguntas que ele não poderia responder – Mas ainda quero minha princesinha de cabelos negros.

Hinata sorriu com a empolgação de Naruto, sentindo a ternura e a alegria com a qual ele lhe beijava e abraçava. Ela achava que aquilo era mais do que poderia pedir, mais do que merecia ter... Mas, de repente, Naruto afastou os lábios dos seus, encarando-a com uma expressão divertida.

–O que foi? – a Hyuuga perguntou, confusa.

–Daqui a alguns anos, me lembre de comprar um saco grande de pirulitos azuis. – ele respondeu, soltando uma risada.

Hinata piscou, cada vez mais confusa. Que conversa repentina era aquela?

–Pra que você quer pirulitos azuis? – ela questionou, atônita.

–Para o futuro. – Naruto deu de ombros, como se aquela fosse a resposta mais natural do mundo. Quando percebeu que Hinata estava prestes a fazer mais perguntas, ele a calou com um beijo intenso, sentindo-a amolecer e se render em seus braços, se esquecendo do passado, do presente, mas sem perder de vista o lindo futuro que os aguardava.

O futuro que era um dia ensolarado, uma bicicleta e um pirulito azul.

Notas finais
Oi! E aí? Gostaram? Espero que sim, então, por favor, não deixem de passar por aqui para deixar suas opiniões, tá? Os comentários são muito importantes para esta autora-san, afinal, foi por causa de vocês que consegui chegar até aqui. Muito obrigada, gente, vocês são demais xD Ah, e para quem não lembra, o título "Pirulito azul" é uma referência à visão que Naruto teve do futuro, quando Himawari exibia à Hinata a língua azul por causa do doce que Naruto lhe dera :3 Bom... o capítulo que vem é o último, e estou muito empolgada e empenhada em escreve-lo, o que significa que não vai demorar a sair. Espero ver todos vocês por lá ;) Bjks!