Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Siiiiimmm, é isso mesmo. Este é o último capítulo de PS, e prometi a mim mesma que não ficaria triste, e bem, não estou. Muito pelo contrário, sinto-me muito feliz por ter chegado até aqui. Acho que não existe trilha sonora mais apropriada do que Stairway To Heaven, do Led Zeppelin, para encerrar esta história. É uma música que fala muito dos sentimentos dos personagens, além de ser a cara do nosso querido Ero-sennin. Então, sejam os leitores bonzinhos que eu sei que vocês são e, por favor, não deixem de ouvir essa música. (www.youtube.com/watch?v=8pPvNqOb6RA) Bom... Agora vamos ao meu discurso. Kkkkkkkkkkkkkkkkk PS não foi apenas um grande projeto; foi, também, minha grande aposta. Apesar dos tropeços, me orgulho dessa história. Esta não é uma fic perfeita, porque ela é um reflexo de mim, e eu também não sou perfeita. Em cada linha que tracei no decorrer desta história, deixei um pouco de mim, de minhas manias, imperfeições, loucuras, entusiasmos, paixões. Paraiso Sombrio surgiu do meu desejo – nada pequeno – de satisfazer as pessoas que, gentilmente, dedicavam um pouco de seu tempo para deixarem suas opiniões aqui e me fazerem mais que feliz. Eu me orgulhava dos capítulos que postava, não por achar que eles eram bons, mas pelos comentários e elogios que eu recebia. Tudo o que consegui produzir de bom nessa fic é resultado do incentivo, gentileza, entusiasmo que vocês compartilharam comigo. No desenrolar de PS, muitas foram as vezes em que eu ri e me emocionei. Me envolvi apaixonadamente nesse projeto, e me empenhei de coração à tarefa de concluir esta fic e fazer com que todos pudessem se divertir e se emocionar ao lê-la. Vendo os comentários que consegui até aqui, vejo que alcancei meu objetivo, e fico muito feliz por isso. Por todos esses motivos, tenho muito a agradecer, pois com certeza não cheguei até aqui sozinha. Agradeço, primeiramente, ao titio Kishi, por ter criado uma história tão sensacional, e que nos permite imaginar, reimaginar e sonhar com possibilidades que não existem no mundo real. Em uma realidade dura como a que vivenciamos hoje, sonhar com esses personagens torna a vida muito mais bonita. Por isso, Kishimoto-sama, muito obrigada. Agradeço aos cantores e bandas que serviram de inspiração para o desenrolar desta trama, que eu não poderia listar aqui, pois foram muitos, alguns deles cheguei até a compartilhar com vocês nas notas. Música é algo que faz parte de minha vida, de meu cotidiano, e de mim. Sem música, para mim, não há emoção. E sem emoção, não há vida. Sem música, nenhum dos capítulos desta fic poderiam ter sido escritos. E, por fim, mas principalmente, agradeço à todo o galerê-san aqui presente. A tooooodo mundo. Todo mundo mesmo, sem exceção. Obrigada pelas mensagens, pelas dicas de trilha sonora, pelos desenhos que me mandaram, e que guardo com todo o carinho. Obrigada pelos comentários que me fizeram rir, chorar, crescer, amadurecer, florescer. Obrigada pelo apoio, pelo incentivo. Obrigada por dedicarem um tempinho para ler o que escrevi com tanto empenho, por terem paciência comigo, por não desistirem de mim. Obrigada aos que se registraram no site só pra poder acompanhar melhor o que eu escrevia, vocês me deixam toda boba com essas coisas, rsrs. Obrigada ao pessoal que dizia que esta era a melhor fic que tinham lido na vida! Vocês já chegam deixando essa autora-san toda convencida, kkkkk Obrigada aos leitores e leitoras que se dedicaram em compreender esta história de uma maneira profunda e densa, interpretando minhas intenções, vibrando com os acontecimentos, me ajudando a poetizar a vida. Obrigada aos leitores fiéis, que não deixaram de comentar nenhum capítulo! E obrigada aos leitores fantasmas também! Estou de olho em vocês! Kkkkkkkk Obrigada por me ensinarem mais sobre mim mesma. Obrigada, obrigada, obrigada! Eu não sei mais como posso agradecer, porque não existem palavras para explicar o que eu vivi e experimentei ao escrever essa história e dividi-la com vocês. Serei eternamente grata a todos que passaram por aqui e deixaram seus rastros de amor em mim. É extremamente difícil para mim dar adeus a esta história. Por isso, seguirei o conselho do nosso querido Jiraya, e considerarei essas notas um recomeço. Afinal... O que não é recomeço nessa vida? Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!



Cinco anos depois


O dia estava ensolarado quando eles chegaram ao cemitério. Não demorou até que todos se espalhassem em busca dos vestígios de felicidade que a vida, em algum momento, lhes tirou, mas não havia tristeza nos corações ali presentes. Com as expressões serenas, cada um seguiu seu rumo, guiados pelo chamado de um passado feliz ao lado das pessoas mais importantes de suas vidas.

Temari foi uma das primeiras que chegou ao túmulo que fez seu coração apertar. Shikamaru caminhava silencioso ao seu lado, os dedos entrelaçados firmemente aos seus, como se quisesse passar-lhe segurança. Era a primeira vez que ela ousava se postar diante da lápide de seu mestre, e aquilo a deixava um pouco nervosa.

Os dois pararam diante do túmulo e encararam o nome gravado ali.

–Vou ver o Asuma... – Shikamaru falou, apertando os ombros de Temari — Você vai ficar bem? – perguntou, encarando-a com preocupação.

Com a garganta fechada, a loira não conseguiu responder, limitando-se a assentir. Shikamaru depositou um beijo em seu rosto, mas Temari não desviou os olhos da lápide para encará-lo. Tinha a impressão de que se movesse um músculo sequer, acabaria desabando por inteiro, e não queria ter de fazer isso na frente de ninguém.

Ela era Sabaku No Temari, afinal.

–Amo você. – ele sussurrou antes de se afastar na direção da lápide de Asuma, que ficava um pouco distante dali.

Ouvindo o Nara ir embora, Temari sorriu. O vento estava um pouco forte e fazia seus cabelos balançarem, a luz do sol se espalhava por todo o local. Mas Temari não se importava com o vento ou com o sol porque, naquele momento, ela sorria. E não havia ironia ou sarcasmo naquele sorriso. Era estranho que ela se sentisse assim, como se não merecesse sorrir, mesmo que Shikamaru tenha lhe dito exatamente o contrário nesses cinco anos que passaram juntos. Ele dizia sempre que Temari já havia sofrido demais, e que o rosto dela ficava bem mais bonito quando ela sorria. Ele dizia que não importava o que havia acontecido no passado, pois era hora de seguir em frente. Mas, apesar de tudo, Temari não queria esquecer o passado. Afinal, mesmo tendo sofrido, mesmo tendo de pagar um preço alto, ela havia se tornado uma pessoa mais forte.

Porém, ela também sabia que Shikamaru estava certo. Era tempo de deixar o passado para trás, e sorrir.

Olhando para o túmulo diante de si, Temari suspirou.

O que deveria dizer? O que deveria sentir? Ela não fazia ideia. Sem saber exatamente o que fazer, a loira cerrou os punhos, fixando os olhos embaçados pelas lágrimas no túmulo à sua frente. Droga... Iria mesmo chorar?

Ela se aproximou, tocando a lápide. Seus dedos deslizaram pelo nome de Sasori, e a loira sentiu as lágrimas finalmente rolando por seu rosto.

–Voltei pra casa, pai... – foi tudo o que ela conseguiu dizer.

E como uma criança acolhida pelos braços do pai depois de muito tempo longe da família, ela caiu de joelhos diante de Sasori, e chorou. Seus soluços reverberavam pelas árvores, mas ela já não ligava. Suas lágrimas eram de emoção e alegria.

Shikamaru tinha razão. Era tempo de deixar o passado para trás e ser feliz.

Sim... Temari havia voltado para casa.

Com um cesto cheio de girassóis nas mãos, Hinata caminhava por entre os muitos túmulos, sentindo a pequena menina ao seu lado esquerdo segurar a barra de seu vestido, a fim de equilibrar-se e acompanhar os passos da mãe. Do seu lado direito estava um garotinho loiro, um pouco mais alto que a menina que ainda aprendia a caminhar.

Uzumaki Boruto e Uzumaki Himawari.

–Mãe... O que são essas coisas? – Boruto perguntou, os olhos fixos nos túmulos ao seu redor.

–São as casinhas onde moram as pessoas queridas que não podem mais estar com a gente. – Hinata explicou ao filho.

–Não podem por quê? – o loirinho insistiu.

–Porque eles tiveram uma vida difícil... E agora precisam descansar. – a Hyuuga respondeu, enfim parando em frente ao túmulo que procurava.

–Quem mora nessa casinha, mamãe? – Himawari perguntou, o dedinho miúdo apontando para a lápide à sua frente.

–Este é Jiraya. – Hinata contou, vendo os olhos dos filhos brilharem em sua direção – Ele foi meu padrinho, e padrinho do pai de vocês também... Na verdade... Ele foi nosso pai. – falou, fingindo não notar o olhar confuso das crianças – Então acho que isso faz dele seu... Vovô? – perguntou, mais para si mesma do que para Himawari.

–Sério? Ele era legal? – a menina perguntou, contente.

–Muito. – A Hyuuga sorriu, sua mente sendo rapidamente tomada pelas lembranças do sennin.

“Hinata, você já leu o Kama Sutra?”, a voz de Jiraya ecoou em sua consciência, alargando seu sorriso.

–Do que está rindo, mamãe? – Himawari perguntou, curiosa.

–Já conheceram o avô de vocês? – a voz de Naruto soou um pouco distante dali, fazendo Hinata, Boruto e Himawari olharem para trás.

A luz do sol bateu nos cabelos do Uzumaki enquanto ele se aproximava, fazendo-os refletir o brilho dourado dos fios loiros. O sol voltava a nascer naquele cemitério, como Jiraya provavelmente gostaria que fosse.

–Aposto que o tio Sasuke é mais legal do que o tal de Jiraya... – Boruto resmungou, cruzando os braços – E que tipo de nome é “Jiraya”? Isso é nome de velho! – falou, sentindo Naruto levantá-lo do chão e coloca-lo sobre os ombros.

Himawari estendeu os braços para o pai. Era ela quem gostava de ficar sobre os ombros dele.

–Um de cada vez, pestinha. – o Uzumaki se desculpou, vendo a filha fazer um beicinho emburrado – E Boruto, você não tem ideia do quanto está enganado. Sasuke é um...

–Ei, por que está tentando colocar meu afilhado contra mim? – Sasuke apareceu, interrompendo as palavras de Naruto.

O Uchiha se aproximou do túmulo de Jiraya, segurando a mão de uma menina de cabelos rosa, que logo tratou de sorrir na direção do filho de Hinata.

–Oi, Boruto! – ela alarmou, e em seguida olhou para Naruto – Oi, padrinho!

–Oi, pestinha! — Naruto sorriu para a afilhada e em seguida recolocou o menino chão. Boruto logo correu na direção da rosadinha para abraça-la, os braços miúdos dos dois envolvendo um ao outro.

–Oi, Sarada! – Boruto cumprimentou, alegre pela chegada da amiga.

Sasuke estreitou os olhos.

–Seu filho vai ter problemas comigo, no futuro. – o Uchiha resmungou para Naruto, ciumento, e o loiro riu. Sasuke se virou para Himawari e Boruto – Sarada e eu estamos indo visitar o túmulo do Itachi... Querem vir com a gente?

–Quem é Itachi? – Boruto perguntou.

–É uma longa história... – a voz de Gaara soou pelo lugar. Ele se aproximou rapidamente, uma das mãos entrelaçada à de Ino, que caminhava cuidadosamente, a mão livre apoiada na grande barriga da loira – Quero levar minha afilhada para conhecer o Sasori antes que o Sasuke roube ela de mim, que nem ele fez com o Boruto. – o ruivo resmungou, estreitando os olhos para o Uchiha.

Sasuke bufou, vendo Himawari correr na direção de Gaara de braços estendidos e dando pulinhos de contentamento.

–Padrinho! – a menina gritou, jogando-se nos braços do Sabaku. Com um enorme sorriso nos lábios, Gaara a pegou no colo, inclinando a menina na direção de Ino. Himawari depositou um beijo na bochecha da loira – Madrinha!

–Olá, florzinha! – a Yamanaka cumprimentou, sorrindo. Suas mãos acariciavam a barriga por cima do tecido do vestido, como se ver Himawari a deixasse ainda mais ansiosa para segurar o próprio filho nos braços. Com a afilhada no colo, Gaara olhou para Ino, como se pensasse o mesmo. Ele também queria conhecer seu menino.

–Vamos, vamos! – Himawari se agitou nos braços do padrinho, fazendo-o rir. Aquela menina era igual ao Naruto: queria mandar em todo mundo. E o pior é que todos acabavam fazendo as vontades dela. Boruto e Sarada riram da ansiedade da menina.

Naruto suspirou. Aqueles padrinhos babões...

–Podem ir... – o loiro se rendeu, e Gaara arrastou Ino e Himawari dali antes que Naruto mudasse de ideia.

Boruto e Sarada correram na direção do túmulo de Itachi. De onde estavam, eles podiam ver Sakura parada em frente à lápide, esperando por eles.

Antes de se afastar, Sasuke olhou para o túmulo de Jiraya. Suspirou.

“Eu também consegui voltar pra casa, velho...”, ele murmurou em pensamento. Não precisava se despedir do sennin mais uma vez. Seu coração estava leve. Cumprira sua missão.

Resmungando algo sobre estar “rodeado de pestinhas”, Sasuke se afastou, caminhando na direção do túmulo do irmão, onde Sakura o aguardava.

Hinata fitou a lápide de Jiraya com carinho, os olhos perolados iluminados pela luz que fazia o nome do sennin brilhar.

Com cuidado, ela depositou um girassol sobre o túmulo.

–Espero que esteja se comportando por ai, pai. – a Hyuuga murmurou, sorrindo. Em seguida, ela se virou para Naruto. Ele fitava a lápide com uma expressão séria, os olhos azuis fixos no nome de Jiraya – Quer um minuto sozinho?

O loiro assentiu, vendo Hinata se afastar, mas antes que ela fosse, a agarrou pelo braço, trazendo-a para perto.

–Amo você. – ele murmurou, fitando-a seriamente.

Hinata sorriu, tocando a expressão carrancuda do Uzumaki. Ele fechou os olhos sob os dedos da morena.

–Também amo você... Mais que minha própria vida, lembra? – ela perguntou, vendo-o assentir – Acho melhor eu ir ver Boruto antes que Sasuke mate meu filho. – ela suspirou e revirou os olhos, lembrando-se de como o mestre era ciumento em se tratando de Sarada. Mentalmente, Hinata se perguntava quando Sasuke iria se conformar com a amizade bonita e inocente entre a rosadinha e o loirinho.

A Hyuuga se afastou alguns passos de onde Naruto estava, vendo, de longe, Sasuke parado em frente ao túmulo de Itachi, rodeado por Sarada e Boruto, provavelmente explicando quem era o Uchiha mais velho. Do outro lado estavam Gaara e Himawari, que cumprimentavam Temari em frente ao túmulo de Sasori. Mesmo distante, era possível ouvir a risada das crianças, e Hinata sentiu seu coração se encher de ternura. Alguns podiam achar aquilo mórbido ou inapropriado, mas, para aquela família, era uma maneira de mostrar aos seus mestres que todos haviam conseguido voltar para casa, que eles estavam bem e felizes. Era uma forma de mostrar à nova geração que, apesar da dor, também havia beleza e amor no passado.

–Naruto. – ela chamou, já alguns passos distante do loiro. O Uzumaki se virou para ela, encarando-a com curiosidade – Obrigada por essa vida maravilhosa. – Hinata falou, e antes que Naruto pudesse esboçar qualquer reação, ela seguiu para onde os filhos estavam.

Sozinho, o loiro fitou a lápide com o nome de seu mestre gravado, e sorriu. A luz do sol fazia com que o nome de Jiraya brilhasse, e, de uma maneira estranha, aquilo deixava Naruto extremamente feliz. Ele achava que aquele brilho combinava com o sennin – Jiraya nunca gostou muito de dias nublados. Era bom saber que a luz do sol continuava a acompanha-lo.

“A canção chegará até você, finalmente

Quando todos formos um e um for todos, sim

Ser uma rocha e não rolar

E ela está comprando uma escadaria para o paraíso”

Stairway To Heaven – Led Zeppelin

–Oi, padrinho... – Naruto murmurou, os olhos azuis fixos no brilho da lápide de seu mestre – Desculpe a demora. – sorriu, displicente – Você deve saber o quanto é difícil para mim estar aqui... Mas você sempre esteve presente por mim, então... Acho que eu precisava desse momento.

Ele suspirou, colocando as mãos nos bolsos. Parecia poder ouvir a risada do sennin trovoando por sua mente, mas tentou não de deter àquilo. Não queria chorar.

–Bom... Acredite ou não, sou um homem casado, agora. – Naruto continuou – Sou... pai. – contou, sabendo que se Jiraya estivesse ali, provavelmente zombaria dele, dizendo algo como “Você não tem juízo o suficiente para criar uma criança, seu moleque!”. Seu sorriso se alargou – Pai de dois pestinhas. Boruto e Himawari tem me feito mais feliz do que jamais imaginei que poderia ser, o que me faz ter um pouco de medo, as vezes. Afinal, parece que consegui tudo o que eu queria... Consegui o amor da única mulher capaz de me fazer feliz, consegui reunir minha família e meu coração as vezes parece que vai explodir de amor toda vez em que olho para meus filhos. Acho que eles me ensinaram um pouco do sentimento que você tinha por mim. Isso me deixa feliz e triste ao mesmo tempo, porque... Bem... Não é nada fácil ver o futuro acontecendo sem você aqui. Tenho medo de que minha felicidade possa desaparecer bem diante dos meus olhos, medo de não conseguir proteger minha família... Será que posso mesmo ter tudo isso? Será que sou merecedor dessa felicidade?

Naruto se interrompeu, suspirando novamente. Dentro dos bolsos, suas mãos tremiam um pouco. Resolveu mudar o curso daquela conversa.

–Ino e Gaara também estão juntos, agora. Finalmente. Devidamente casados. Ela está grávida, com uma barriga de nove meses imensa, e o Gaara está apavorado porque a qualquer momento ela pode dar a luz. – o loiro soltou uma risada, debochando do desespero do irmão. Logo lembrou que não podia zombar de Gaara, já que também havia entrado em pânico quando Hinata estava grávida de Boruto e a bolsa dela estourou – Então não vai demorar muito para vermos ruivinhos malucos e loirinhas tagarelas por ai, porque pelo que eu sei, o Gaara quer uma casa cheia de filhos. Meu irmão está feliz, pai. Gaara pode, finalmente, desfrutar a vida que ele merece. Meu irmão se transformou em um grande homem... Aposto que Sasori ficaria muito orgulhoso dele se estivesse aqui. Tão orgulhoso e feliz quanto eu estou.

O loiro fez uma pausa, erguendo um pouco o rosto para fitar o céu azul. Sentia seu coração leve como nunca antes. Estava até se acostumando com o fato de que podia ser tão feliz quanto sempre sonhou. A verdade é que Hinata fazia com que a felicidade em sua vida fosse muito fácil. Olhou novamente para a lápide.

–Sai e Deidara mantém um relacionamento muito bacana... É ótimo ver nossos amigos felizes, livres para ser quem são. Os dois acabaram comprando o orfanato onde Sai e Ino cresceram, e agora cuidam de todas aquelas crianças... Boa sorte pra eles. – resmungou, o cenho franzido – Tenho duas crianças em casa e as vezes acho que vou perder o juízo, imagina como deve ser tomar conta de todos aqueles pestinhas!

Naruto balançou a cabeça, vendo que estava novamente se desviando da conversa. Precisava deixar seu mestre a par de tudo o que estava acontecendo, afinal, Jiraya havia sido um grande pai, não só para ele, mas para toda a família.

–Kiba acabou se rendendo aos encantos de Hanabi, irmã da Hinata... Os dois namoram há algum tempo. É bom ver aquele cachorro com o coração ocupado... Não ia demorar muito até que um de nós o matasse caso ele não tratasse de se atirar pra cima de alguma garota que não fosse Hinata, Ino ou Sakura. – prosseguiu, tentando organizar mentalmente os acontecimentos dos últimos cinco anos – Aquela guardiã maluca e esquentada, a Tenten, acabou casando com o primo da Hinata, o Hyuuga Neji. Os dois agora cuidam dos negócios de Hiashi, já que o velho resolveu se mudar de vez pra ORDEM... Hiashi e Tsunade agora administram as coisas por lá. Os dois brigam o tempo todo. – ele coçou a cabeça, lembrando-se dos buracos que Tsunade fazia na parede quando tentava esmurrar Hiashi – Bom, você sabe como ela é... – riu, sem jeito – Ela sente sua falta, pai. Sei que sente. Ela só admitiu isso uma única vez, quando veio visitar meus filhos e estava bêbada demais para lembrar do que disse... Tsunade leva uma boa vida, mas as coisas são difíceis para ela sem você aqui. É difícil para todos nós, sem você aqui. – Naruto parou por um momento, pigarreando – Mas ela está bem e feliz. Mandando e desmandando em todo mundo da ORDEM, do jeito que ela gosta. – riu novamente, debochado – Achei que você gostaria de saber disso.

O tremor em suas mãos aos poucos passava. Era quase como nos velhos tempos, quando conversava com Jiraya na cozinha apertada do antigo apartamento do mestre, ou no casarão para o qual ele se mudara quando os negócios começaram a prosperar. Poderiam até mesmo estar na varanda de sua casa, com uma garrafa de uísque e dois copos de vidro, vendo o entardecer e falando bobagens, como sempre fizeram. Por mais triste que aquilo fosse, Naruto estava feliz por finalmente ter coragem de estar ali. E foi por isso que ele resolveu prosseguir.

–Hinata e Hiashi fizeram as pazes. – contou, franzindo o cenho – Bom, eles ainda não são exatamente pai e filha, mas acho que Hinata conseguiu perdoá-lo e os dois mantem uma relação bacana. Ele vem visitar as crianças as vezes, e sempre reclama sobre Tsunade estar querendo mata-lo. – riu novamente – Hinata e Hiashi estão conseguindo construir uma boa relação... Ela tem um bom coração. Foi o coração bondoso dela que me salvou, afinal. As vezes me lembro daquela garota irritante que você me mandou resgatar, e rio sozinho. Quem diria que eu iria acabar me apaixonando tão perdidamente por ela? Se bem que você sabia de tudo, não é, seu velho safado? – estreitou os olhos para a lápide, vendo a superfície brilhar mais intensamente com a luz do sol.

Onde quer que Jiraya estivesse, Naruto tinha certeza de que ele estava rindo de sua cara.

–Shikamaru e Temari estão casados e mantém o relacionamento mais problemático que já vi na minha vida. Cara, o coitado do Shikamaru e a doida da Temari são o casal mais estranho e mais feliz que já conheci. – falou, suspirando cansativamente – Dois malucos. Ela está grávida, sabia? De três meses. Os dois viviam brigando porque Shikamaru queria ter filhos, mas a Temari não queria. Então ele fez greve de sexo por um mês e ela acabou cedendo. Só que... Bem... Temari não é exatamente a pessoa mais doce do mundo, e os hormônios da gravidez a deixam louca. – suspirou, desanimado — Prevejo muitos barracos e alguns hematomas no pobre do Shikamaru até essa criança nascer.

Olhou para o lado, vendo, distante dali, Sasuke, Boruto, Sarada e Sakura sentados sob uma árvore. Shikamaru, Temari, Sai, Deidara, Kiba, Hanabi, Gaara, Ino, Neji, Tenten e Himawari se aproximavam de onde eles estavam e conversavam animadamente. Somente Hinata parecia distraída, sentada um pouco distante de todos, os olhos fixos em Naruto. Ela esperava por ele.

Naruto encarou o túmulo novamente. Olhar para Hinata fazia seu coração bater mais forte, e ele não podia se distrair naquele momento.

–Sasuke também casou... Com a Sakura, é claro. – continuou, sentindo o vento bagunçar seus cabelos – Ele também já é pai de uma menininha linda chamada Sarada. E por falar nisso, fui escolhido para ser o padrinho dela, acredita? Nunca achei que o Sasuke fosse me escolher para algo tão importante... Eu tenho começado a treinar Sarada, também. Sakura disse que quer que eu seja mestre da rosadinha, mas... Não sei se estou pronto para esse tipo de responsabilidade. Se bem que Sarada parece já estar ciente disso, porque a garota azucrina meu juízo todo santo dia para que eu a ensine a despertar o sharingan. Como diabos se desperta um sharingan? Eu não sei! – suspirou, cansado – Mas, bem, eu ensinei a menina a dar um soco, só que ela acabou socando a cara do Boruto. – riu com a lembrança – Sarada irá me dar um pouco de trabalho... Talvez eu possa dar conta de ser padrinho e mestre, já que tenho um grande exemplo a seguir... Você foi mais que um padrinho, mais que um mestre, Ero-sennin. Foi o pai mais maluco e mais dedicado que eu poderia ter. Himawari também tem um bom padrinho e mestre... Gaara disse que se eu não deixasse ele ser padrinho dela, iria me socar até a morte, então não tive muita escolha. – deu de ombros, rindo – Fico feliz por saber que meus filhos estão em boas mãos... Afinal, confio plenamente em meus irmãos, e sei que eles serão bons mestres, bons padrinhos. Talvez eu possa fazer por Sarada pelo menos um terço do que você fez por mim.

As risadas de sua família ecoava pelo cemitério, e aquilo fez com que o sorriso de Naruto se alargasse. Seus olhos ainda estavam fixos na lápide, e mesmo estando feliz, seu coração ainda apertava de saudade. Saudade de seu mestre, padrinho... pai.

–Você disse que ia mostrar o mundo, lembra? – continuou, e dessa vez, sua expressão era um pouco mais séria – Acho que, de certa forma, eu conheci o mundo. Estive com muitas mulheres, mas estou feliz em ter conseguido manter ao meu lado a única mulher a quem consegui amar em toda a minha vida. Talvez eu tenha conseguido provar todas as bebidas... – riu, displicente – Não conheci todas as pessoas, mas minha família são as únicas pessoas que preciso ter ao meu lado. E agora tenho dois pestinhas pra agitar os meus dias... Então acho que talvez eu não tenha conhecido o mundo todo, mas consegui construir o meu mundo... o nosso mundo. E eu gostaria muito de ter você aqui, para ver tudo isso. – falou, sentindo os olhos arderem um pouco. Mas já decidira que não iria chorar. O tempo de derramar lágrimas já havia passado.

Suspirou, buscando dentro de si forças para continuar.

–Queria ver você azucrinando o juízo do Boruto... Acho que ele se parece um pouco comigo, quando tinha a idade dele. O menino é um pestinha. Mas é charmoso como o pai... – riu, sabendo que Jiraya reviraria os olhos ao ouvir aquilo – Sasuke está morrendo de medo de que Boruto acabe conquistando o coração da Sarada. – debochou – Himawari é uma flor... Ela é minha princesa. Não quero nem pensar na possibilidade de algum marmanjo de olho nela, nem hoje, nem nunca. – falou em um tom cansado – Eu sei que sempre fui meio ciumento, mas, meu Deus, depois que essa garota nasceu, virei um louco. Morro de medo de que alguém machuque o coração da minha princesinha, porque aí vou ser obrigado a matar o infeliz. Se ela já é tão linda agora, imagina quando crescer um pouco mais! Himawari me dará trabalho! – coçou a cabeça, percebendo que estava começando a perder o rumo da conversa novamente – Mas como ela não seria linda? Himawari é tão parecida com a Hinata...

Olhou para o lado novamente, vendo que, distante dali, a Hyuuga ainda o fitava. Seu coração acelerou novamente, e ele voltou os olhos para o túmulo.

–Queria muito que você estivesse aqui para ver tudo isso, velhote. Estou tentando ser para meus filhos pelo menos a metade do que você foi para mim, mas não acho que isso seja possível porque... Não há ninguém como você, Ero-sennin. Nem mesmo eu. – disse, a voz um pouco trêmula de emoção – Sempre achei que eu nunca iria conseguir amar uma mulher como amo Hinata, nem ter filhos... Mas também achei que, se um dia isso acontecesse, você estaria aqui sendo o avô mais pirado de todos os tempos, me ajudando a ser pai, ensinando Himawari a se livrar dos marmanjos e Boruto a ler... E que fique claro que, quando digo “ensinando a ler”, estou me referindo a qualquer livro, exceto o Kama Sutra. – avisou, estreitando os olhos na direção da lápide.

Suspirou. Era hora de se despedir.

–Me desculpe por ter demorado tanto a vir... – pediu, um pouco envergonhado – Eu tinha medo de ver essa lápide, lembrar de tudo, medo de não conseguir lidar com isso mais uma vez... Porque, acredite, não há um único dia em que eu não sinta a sua falta, ou que eu não me lembre de você me dando conselhos, me dizendo para ser paciente, me prometendo o mundo... – falou, percebendo que seus olhos já estavam embaçados pelas lágrimas que se acumulavam nas pálpebras – Acho que estou aprendendo a ser um bom pai, esposo, padrinho, amigo, irmão... Estou, finalmente, conseguindo ser tudo o que você sonhou que eu seria, estou construindo a vida que você sonhou ter. Só achei que, quando eu finalmente conseguisse, você estaria aqui para aproveitar comigo. – disse, sem conseguir mais conter as lágrimas que agora já rolavam por seu rosto.

Olhou para o céu novamente. Para Naruto, Jiraya não morava naquela lápide. Ele estava naquele sol, sempre a brilhar sobre sua cabeça, protegendo-o do frio, aquecendo seu coração. Jiraya era a imensidão azul do céu, sempre presente onde quer que ele fosse.

–Estou seguindo o seu conselho. – contou, agitando as mãos dentro dos bolsos – Arrisquei tudo por amor, e não me arrependo. Estou recomeçando todos os dias a vida que escolhi passar ao lado de Hinata. Ela me faz o homem mais feliz do mundo... Me deu dois filhos lindos e a oportunidade de recomeçar. Estou tentando. Mas é difícil deixar o passado para trás, principalmente porque não há um único dia em que eu não sinta sua falta.

Naruto se aproximou um pouco mais da lápide, os dedos tocando a superfície agora quente pelo calor do sol, e sorriu, como se aquilo fosse um sinal de que estava certo. Jiraya estava naquela luz e naquele calor.

–Obrigado, velhote. Por tudo... – murmurou, os olhos ainda fixos na imensidão azul – Eu te amo, pai...

Alguns podem achar que este é o fim, mas a minha história, a história de minha família, não termina aqui. Todos os dias, escrevemos juntos mais um capítulo da maravilhosa vida que me foi apresentada pelo homem que amo. Ele e eu conseguimos conquistar o mundo, o nosso mundo. Ao lado dele, sou infinitamente feliz.

Quando vejo meus filhos dormindo ou brincando, ou quando me perco na imensidão azul dos olhos do meu amor, sinto que minha vida valeu e está valendo a pena. Carrego comigo a lembrança dos anos repletos de sofrimento, para que eles me ajudem a dar mais valor à felicidade que vivencio agora. Encontrei um motivo pelo qual vale a pena lutar e viver, e não me arrependo de nada. Não sou a mesma garota amedrontada que um dia foi resgatada por um loiro desconhecido. Sou uma mulher que não tem mais medo da vida, mas sei que aquela garotinha assustada ainda vive dentro de mim, e fico contente por ter dado a ela, a mim, uma chance de ser feliz.

Por isso, não acredito que este seja, de fato, o fim. Não acredito em finais. Acredito que esta seja apenas a nossa oportunidade de recomeçar. Então recomeçaremos hoje, amanhã, e todos os maravilhosos dias que ainda estão por vir.

Afinal, tudo nessa vida é recomeço, não é mesmo?

Assim me disse um grande e pervertido sábio que um dia conheci.

E por falar nisso, alguém aí já leu o Kama Sutra?

Uzumaki Hinata

Notas finais
Oi! E aí? Gostaram? Pra quem não lembra, no primeiro capítulo, o começo da narração é da Hinata, e ela assinava como “Hyuuga Hinata”. Nada mais justo do que ela encerrar a história xD Bom... Sei que esta é uma história cheia de defeitos, que sempre vai ficar faltando alguma coisa, que eu sempre poderia ter feito algo mais... Porém, como eu disse antes, minha intenção não foi de fazer uma história perfeita, pois eu não sou uma autora perfeita. Peço desculpas se não foi do jeito que vocês esperavam... Mas fico feliz por ter conseguido chegar a cinquenta capítulos! Outra fanfic concluída, outra etapa encerrada. Espero que todos vocês tenham se divertido e se emocionado ao ler esta história tanto quanto eu ao escrevê-la. Por isso, por favor, não deixem de passar por aqui e deixar um comentário dizendo o que acharam, contando como se sentiram ao longo de PS. Saber a opinião de vocês sobre esta história é muito importante para mim, pois me dediquei ao máximo ao escreve-la, e fico lisonjeada em poder ter cativado o coração e a imaginação de tanta gente bacana. Obrigada por tudo! Espero que tenham gostado. Agora, vamos às novidades! Alguns de vocês já devem ter visto que eu postei uma fanfic nova. Por favor, deem uma olhadinha, e se quiserem fazer essa autora-san feliz, deixem suas opiniões por lá! Dessa forma irei saber se a história tem futuro e se querem que eu continue :) Link da fic nova: http://fanfiction.com.br/historia/585712/Reflexo/ Bom... É isso! Chegamos ao fim de Paraíso Sombrio. Foi emocionante poder desenvolver esta história com vocês. Muito obrigada, galerê! A autora-san ama vocês xD Bjks!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!