Paraíso Sombrio

15 Passado sempre presente


Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Viesh, Kiba chegando... sinto que estruturas serão abaladas! MUWAHAHAHAHA! Kiba, cara, você mal chegou e o galarê já tá te ameaçando, óh. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Sasuke está se mostrando o personagem mais controverso da fic. Alguns o amam, outros o odeiam, e ainda tem aqueles que estão indecisos e preferem se manter neutros, apostando que existe algo oculto nos motivos que movem as ações do Uchiha. Será, minha gente? Outro ponto interessante é o fato de que saber que Sasuke nutre sentimentos pela Sakura, mesmo que doentios, deixou todos os leitores empolgados. Bem... vamos ver como isso se desenrola. Tenho grandes planos para o Uchiha, lê-se: Sasuke, vou fazer você sofrer até esgotar a última gota de esperança restante nessa sua alma condenada u.u BRINCADEIRINHA, SASUKE, VOCÊ SABE QUE EU JAMAIS FARIA ISSO! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Muita gente deu seus palpites sobre o passado entre Kiba e Hinata, e foi ótimo ver vocês fazendo suas apostas. Nem acredito que consegui fazer mistério com vocês sobre isso. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk EU NUNCA CONSIGO! kkkkkkkkkkkkkkkkkkk Bom, como eu disse nas notas finais do capítulo passado, chegou a hora da safadeza :3 Estou começando a me empolgar pra fazer essas cenas mais quentes, e ver a reação positiva de vocês sobre elas me deixa muito feliz. Bom... Jiraya chegou, né? Vamos conhecer um pouco mais da personalidade desse mestre! E... Viesh, será que o Kiba chegou pra embaçar o romance NaruHiniano que mal começou? Kkkkkkkkkkkk OMG, Kiba, cara, não faça isso! (autora do mal, não nego. Tomo jeito quando puder!) kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!



O loiro encarou Hinata com uma expressão irritada e confusa. Ela parecia surpresa, seus sentimentos oscilando entre alegria e confusão. Aquela situação deixava Naruto cada vez mais impaciente, até que ele resolveu virar-se para Jiraya, na intenção de saber o que acontecia. Mas percebeu que a expressão de seu mestre era tranquila, como se ele soubesse exatamente do que se tratava o olhar surpreso de Hinata.

Observando que o rapaz recém-chegado encarava a Hyuuga com uma expressão divertida, Naruto resolveu intervir.

–Ei! – chamou, fazendo Kiba e Hinata piscarem e desviarem o olhar um do outro, como se despertassem de um sonho – O que há com vocês dois? Por acaso se conhecem? – ele questionou, achando que aquilo era impossível.

–Be-bem... – Hinata tentou começar, mas estava confusa demais para organizar suas palavras. Não sabia exatamente se devia se sentir feliz ou chocada ao ver aquele garoto ali.

Kiba não respondeu. Em vez disso, ele caminhou até Hinata e, sem dizer nada, a abraçou.

E para surpresa de Naruto, ela abraçou o garoto de volta, enquanto ele a levantava do chão e rodopiava com ela em seus braços, um sorriso imenso estampado em seu rosto.

Ao ser colocada de volta no chão, Hinata sorriu. Naruto sentiu uma onda de calor invadi-lo, sem saber distinguir o que aquilo significava.

–Sabe, quando Jiraya me contou que tinham resgatado você, eu nem acreditei! — Kiba falou para ela, de uma distância que Naruto julgou ser perto demais. O loiro voltou seu olhar para o mestre, encarando-o com uma expressão enfurecida. Sem saber exatamente por que, sentia-se traído.

–Eu sei... está tudo uma confusão! – a morena respondeu, ainda sorrindo.

O garoto sorriu também, prestes a abraçar Hinata novamente, quando sentiu uma mão agarrando-lhe o ombro com ferocidade. Olhou para trás, vendo Naruto encará-lo com certa raiva no olhar.

–Eu perguntei o que há com vocês dois. – o loiro sibilou para o recém-chegado.

–Nós já nos conhecemos. – Kiba respondeu. Sempre soube que Naruto era um cara nervoso, mas não entendia o motivo de toda aquela irritação.

–De onde? – ele perguntou, dessa vez olhando para Hinata.

A garota se encolheu com o tom daquelas palavras, que pareciam uma acusação. Além disso, aquela pergunta iria obriga-la a tocar em um assunto nada agradável.

–Do sanatório. – ela respondeu baixinho, sua expressão esvaziando-se por um momento.

–Jiraya me contou sobre ela enquanto estávamos na ORDEM, então eu resolvi vir com ele para poder revê-la. – Kiba explicou, olhando para a garota, sem perder o sorriso. Mas sua expressão foi ficando menos alegre na medida em que percebia que havia algo de errado com a morena.

Hinata começava a se perder nas lembranças dolorosas daquela época, e sem ter consciência do pavor que sua expressão demonstrava, ela baixou a cabeça e deu um passo involuntário para trás.

Nesse momento, ouviu-se um alto pigarrear, que desviou Hinata de seus pensamentos sombrios, e fez com que a atenção de todos se voltassem para o mestre. Sem deixar que Kiba explicasse mais nada, Jiraya se pronunciou.

–Naruto, chegue um pouco mais perto. – ele chamou, olhando paternalmente para o loiro.

O discípulo se aproximou, na esperança de que Jiraya pretendesse lhe dar mais explicações acerca da presença de Kiba ali. Mas tudo o que sentiu foi sua cabeça sendo atingida por um forte cascudo.

–AAAIIIII! PIROU, VELHO?!

–Você não aprendeu nada sobre bons modos no tempo em que convivemos juntos? Sequer me apresentou à bela moça Hyuuga! – bronqueou, sorrindo para Hinata.

A morena sentiu um calafrio pesaroso percorrer sua espinha ao lembrar-se das palavras de Naruto e Ino sobre o mestre.

Pervertido. Sem noção. Gosta de coisas eróticas.

O loiro revirou os olhos para o jeito nada sutil de seu mestre. Talvez aquela fosse outra característica que herdara dele.

–Ero-sennin... essa é Hyuuga Hinata. A pentelha que você tanto me encheu o saco pra achar. Hinata, este é meu mestre. – Naruto falou tediosamente, fazendo as apresentações.

–Yo, Hinata! É um prazer finalmente conhece-la! – Jiraya sorriu, estendendo a mão para ela.

A garota aceitou o cumprimento, sorrindo timidamente. Reparou bem na figura do grande homem à sua frente. Jiraya tinha cabelos brancos, embora não parecesse ser tão velho; possuía o físico de quem pratica exercícios, alto e forte, o sorriso travesso em seu rosto lhe fazia parecer mais jovem. Tinha a alegria de um menino estampada em sua expressão, e apesar do jeito exagerado, movia-se de forma imponente e majestosa. Mesmo receosa, Hinata não podia deixar de sentir respeito pela maneira como o mestre impunha sua presença.

Mas o mais curioso sobre aquele homem eram as marcas que ele possuía — duas cicatrizes vermelhas que riscavam seu rosto, indo de cada um dos olhos até o queixo. Hinata se perguntava como ele havia conseguido marcas como aquela.

–O que está achando da nova vida? Naruto está cuidando direito de você? Ele está se comportando? Se ele tiver se aproveitado da sua ingenuidade, pode me dizer que eu dou uns cascudos nele! – o mestre falou, soltando uma alta gargalhada – Ele já tentou pegar nos seus belos e grandes...

–ERO-SENNIN! – Naruto alarmou, percebendo que o mestre estava prestes a falar besteira.

–O quê? Eu ia dizer cabelos! Seu pervertido, achou que eu fosse falar dos pei...

–CHEGA, VELHO! – o loiro exclamou novamente, já se contendo para não soltar uma gargalhada. Que falta aquele pervertido fazia em sua vida!

–Ele... está se comportando, sim. – Hinata falou, olhando rapidamente para Naruto, e novamente voltando seus olhos para o mestre, tentando tirar de sua mente o que havia acontecido no carro.

–Ótimo! – Jiraya falou — Sabe, garota, estou muito feliz por termos conseguido resgatar você. Tenho certeza de que deve ter passado por maus bocados... mas agora... chega de sofrimento, não é? – o mestre sorriu ternamente para a morena, e ela não pôde deixar de se sentir acolhida por aquelas palavras.

–Si-sim... – ela respondeu, baixinho. Era verdade, afinal. Já bastava de sofrimento.

Desde que havia sido resgatada, tudo mudara. Hinata passou a se importar com outras pessoas, passou a ter vontade de viver quando tudo o que desejou por anos de sua vida foi que a morte lhe viesse rápida. Passou a sentir, e mesmo que aquilo fosse amedrontador, também era bom. Passou a sentir-se viva, a desejar viver. Tudo aquilo porque num dia que deveria ter sido como qualquer outro, Naruto apareceu, a mando de Jiraya, e revirou sua alma de cabeça para baixo.

O mestre deu um passo a frente, envolvendo Hinata em um forte, caloroso e repentino abraço. A morena arregalou os olhos ao sentir-se embalada por aquele homem. Sentia como se...

Como se estivesse sendo abraçada por um pai. Então aquela era a sensação de ter alguém cuidando de você?

Naruto e Kiba sorriram com aquela cena. Ambos sabiam que a chegada de Hinata era mais uma etapa vencida. Mais alguém que, assim como eles, havia sofrido muito pelo simples fato de ser diferente. De possuir um dom. De ser alguém capaz de ver além do que a maioria conseguia.

–Bem-vinda à família, Hinata. – Jiraya enfim falou novamente – Todos nós esperávamos ansiosamente por você. Estou feliz que finalmente este dia tenha chegado. – ele disse, afastando-se da garota. Ela o fitava com um olhar confuso.

–Estavam... esperando por mim? – ela perguntou.

–Sim. Assim como estamos esperando por todos aqueles que, como você, sofrem por serem diferentes. Esperamos até o momento de encontra-los, e ensiná-los que aquilo que os faz diferentes não é uma maldição. É um Dom. E torcemos para que chegue o tempo em que nenhum de nós precise mais sofrer.

Hinata assentiu, sentindo seus olhos marejarem. Ela sentia a verdade naquelas palavras. Sentia-se, realmente, parte de uma família.

Naruto franziu o cenho. Ele sabia dos ideais de Jiraya, e sabia também que era aquele tipo de pensamento que levava os mestres a se rebelarem contra alguns princípios da ORDEM. E pelo que Shikamaru lhe contara, todos que haviam morrido até agora tinham esse mesmo ideal.

–Mas agora, eu realmente preciso de um banho e de uma bebida! – Jiraya espreguiçou-se, fazendo Hinata piscar, confusa com a súbita mudança de assunto e corte de clima. Aquilo quase a fez sorrir. Naruto era exatamente como seu mestre, só que mais irritado, impaciente e teimoso. Mas tinha o mesmo humor volátil, a mesma tendência a atitudes nada sutis.

Kiba voltou sua atenção para Hinata, andando ao lado dela, enquanto todos se encaminhavam para fora do aeroporto. Aquela situação não havia sido esclarecida, e isso incomodava Naruto. Afinal, por que aqueles dois se conheciam? Por que pareciam ser tão próximos? Por que ela sorria para ele daquele jeito?

Os dois caminharam até o carro ouvindo o blá, blá, blá infinito de Naruto e Jiraya.

–Por que demorou tanto a dar noticias, velho? O que você tinha de tão importante pra resolver que não podia nem fazer uma ligação pra avisar onde diabos estava metido? – Naruto questionou.

–Ah, você sabe... apenas coisas! Mas preciso contar pra você sobre as pesquisas que fiz no decorrer das viagens! – o mestre sorriu maliciosamente, prosseguindo com sua narrativa, e Naruto percebeu que ele mudara de assunto. Nas vezes em que haviam se falado por telefone, em que trocaram e-mails, e em que o havia visto, entre as viagens, o loiro sentia que seu mestre estava investigando algo que não queria que ele soubesse. E ele temia pela segurança daquele que considerava como o único pai que conhecera. Afinal, para que todo aquele mistério fosse necessário, Jiraya devia estar tentando proteger Naruto de alguma coisa, e isso fazia o loiro se lembrar de Sasori e Gaara.

Naruto sentiu um aperto no peito, mas resolveu não insistir no assunto naquele momento. Agora que seu mestre estava de volta, ele tinha esperanças de que teriam muito tempo para conversar, e matar a saudade da família.

Alheio aos pensamentos preocupados de Naruto, Jiraya prosseguia com suas histórias:

–Então eu levei as duas mulheres para o quarto do hotel e... Hinata, o que você acha de sexo a três? – Jiraya perguntou.

–O quê?! – a garota grunhiu.

Kiba e Naruto riram.

–Só estou perguntando porque tenho uma história pra contar de quando estive em Paris, mas caso você não se sinta a vontade... mas... você já experimentou sexo a três, Hinata? Podíamos tentar...

A morena parou de andar, ficando paralisada no meio do caminho, sentindo seu sangue sumir dentro do corpo.

–Ero-sennin! – Naruto interviu, ainda rindo.

–O que é? Só estou brincando! Você sabe que eu só estou brincando, não sabe, Hinata?

Ela engoliu em seco, assentindo, e suspirando de alivio. Mas, para seu total desespero, antes de entrarem no carro, viu o mestre virar-se para ela e dizer:

–Caso mude de ideia sobre isso, é só me falar. – ele disse, piscando para a morena. Hinata novamente ficou paralisada próximo a porta do carro, sem conseguir mover um músculo sequer. Ela ouviu Naruto e Jiraya darem uma risada alta, enquanto o mestre continuava a falar sem pudor – Mas essa menina é muito tensa! Não se preocupe, Hyuuga, vamos fazer você se soltar pra vida rapidinho!

Sem saber como responder àquilo, Hinata entrou no carro, sentando-se no banco de trás, ao lado de Kiba. Pelo espelho do retrovisor, ela viu Naruto franzir o cenho para aquela cena, enquanto se acomodava no banco do motorista. Ao lado dele, Jiraya colocava o cinto de segurança.

A garota suspirou. Pelo visto, as pessoas daquela tal ORDEM tinham o poder de abalar as estruturas da sua vida.



A chegada na casa de Naruto foi barulhenta. Jiraya era tão expansivo que deixava Hinata constrangida a cada quinze minutos, e mesmo assim, ela não conseguia deixar de rir e se sentir acolhida por ele. Com o mestre ali, ela de fato se sentia parte da família, e aquilo lhe dava uma sensação desconhecida e agradável. Como se ele estivesse cuidando dela, mesmo de longe. Como se ela fosse importante.

Aquele pensamento a fez sorrir.

–Eu fiz uma reserva para você no hotel do centro da cidade. – Naruto resmungou, enquanto arrastava as malas do mestre – Por que não vai pra lá, velho?

–Por que eu ficaria num hotel se posso me hospedar comodamente na casa de meu discípulo? Afinal, aqui tem tantos quartos! Ou você quer mais tempo sozinho com a Hyuuga? Hein?

Naruto estreitou os olhos para o mestre.

–Estou achando que é você quem anda querendo um tempo sozinho com ela, pervertido.

–Se ela quiser... – ele falou, e sorriu para Hinata.

A morena piscou, atônita. Logo quando começava a pensar coisas boas de Jiraya, ele soltava uma dessas.

–Sai da frente, velho tarado! – Kiba empurrou o mestre, que estava parado na porta. Jiraya cambaleou para dentro da casa, indo direto para a adega, servindo-se de uísque.

Hinata estreitou os olhos. Realmente, Naruto era muito parecido com seu mestre.

–Então, Hinata... aposto que está sendo divertido morar com o Naruto. – Kiba falou, jogando-se confortavelmente no sofá – Esse cara é maluco, mas é gente boa. Espero que ele não tenha tentado nenhuma gracinha com você... – falou, olhando de lado para o loiro.

–Por que não vai cuidar da sua vida, cachorro? – Naruto grunhiu para Kiba. O moreno riu daquela reação.

–Naruto tem sido um bom tutor. – Hinata respondeu, a expressão neutra — Embora eu... gostaria de ter avançado um pouco mais com o que vocês chamam de Dom. Ino tentou ajudar mas não conseguimos nada até agora. – comentou, visivelmente decepcionada.

–Ino? A loira parente do cara das explosões? — o moreno perguntou.

–Não diga isso pra ela. – Naruto avisou – Ino não gosta de ver as pessoas comentando que Deidara é parente dela.

–Ele não é? – Kiba surpreendeu-se – Achei que eles fossem irmãos.

Naruto bufou.

–Nunca, jamais diga isso na frente dela, se quiser continuar vivendo. – o loiro falou.

Kiba apenas riu, enquanto estendia a mão para receber o copo cheio que Jiraya estendia para ele.

–Falaremos sobre seu Dom depois. Quero festejar minha chegada! Onde estão os outros?

–Todos estavam achando que você chegaria cansado, e que iria descansar na primeira noite em que estivesse aqui. – Hinata respondeu.

–Como eles são inocentes... – Kiba debochou.

–Bem, comemoramos amanhã, então. Sentem aqui, e bebam um pouco comigo!

Naruto se aproximou.

–Hinata não bebe. – ele falou, lembrando-se da última vez em que a obrigara a ingerir álcool. Ela havia se soltado e ele havia se aproximado dela... A morena era fraca para a bebida. E ele guardaria aquela informação para uma ocasião mais interessante – E nós temos assuntos para colocar em dia.

O mestre bagunçou o cabelo loiro do discípulo como se Naruto fosse uma criança.

–Hoje não quero falar sobre coisas sérias! – Jiraya exclamou, evidentemente desviando-se daquele assunto. De novo.

Naruto estava começando a pensar que o mestre estava escondendo algo dele, e aquilo não lhe agradava em nada.

–Tudo bem. Estou indo tomar um banho, e deitar. Hinata, você deveria fazer o mesmo. – ele falou, olhando para ela de forma mais intensa que o normal. Também não lhe agradava a ideia de deixar Hinata a sós com Jiraya e... Kiba. Aquilo ainda não estava claro o suficiente para ele.

A morena o encarou, confusa com aquele olhar, mas resolveu se levantar.

–Foi um prazer conhecer você... Jiraya. – ela falou para o homem.

O mestre sorriu.

–Igualmente. Espero que acorde disposta para o dia de amanhã... vamos nos divertir muito!

Hinata riu, e virou-se para Kiba.

–Espero que possamos conversar mais depois. – ela disse para o moreno, fazendo-o exibir um grande sorriso para ela.

–Pode apostar que sim. Temos muito papo pra colocar em dia.

–Pois muito bem, vamos! – Naruto chamou, incomodado com aquela troca de sorrisos entre os dois.

Jiraya passou o braço pelo pescoço do discípulo, obrigando-o a se abaixar. O loiro tentou se desvencilhar, mas rendeu-se após perceber o quão firmemente o mestre o envolvera.

–Senti sua falta, moleque!

Hinata sentiu um alívio no peito ao ver o sorriso grande e sincero de Naruto, quando ele respondeu.

–Também senti sua falta, padrinho!

Naruto saiu do banho com um sorriso nos lábios. Seu mestre, sua família, estava de volta. Era um alívio ver Jiraya são e salvo em sua casa. Mesmo que o sennin fosse completamente maluco, era a ele que devia sua vida, sua fidelidade. Sentia-se feliz em tê-lo por perto, e sabia que Jiraya não se daria por satisfeito até que saíssem para alguma farra, na intenção de conhecer mulheres e encher a cara.

Aquele pensamento lhe despertou para o fato de que Jiraya estava escondendo algo dele, e aquela ideia o perturbava. Pensou também no fato de que fazia tempo que não saia com seu mestre, e desde que Hinata chegara, não havia procurado nenhuma outra mulher. Ele se enrolou na toalha e sentou na cama.

Só então pensou com clareza em seu comportamento até então. Seu telefone tocava a cada quinze minutos, e a cada ligação, um nome diferente de mulher se estampava no visor do aparelho. Ele estava ignorando aquelas chamadas. Por quê?

Por que não procurara mais nenhuma mulher, quando o normal era estar com um corpo diferente em sua cama todas as noites?

Com aquilo em mente, o loiro caminhou até a porta, sem se dar conta de que estava apenas de toalha. Atravessando o corredor, girou a maçaneta da outra porta, e devagar, a abriu. Viu Hinata, que também estava enrolada apenas em uma toalha, revirando as roupas na gaveta da cômoda.

Andando devagar, silencioso como uma serpente, ele se aproximou. E se qualquer aviso, agarrou o braço de Hinata, fazendo-a virar-se. Seu corpo colou-se ao dela, e a força com a qual ele a pressionou fez a gaveta se fechar num baque surdo.

A morena arregalou os olhos de surpresa, e se reprimiu para não gritar ao ver que era Naruto.

Sem pedir permissão ou esperar por qualquer outra reação, o loiro moveu seus lábios para a orelha de Hinata.

–Eu pedi pra você ter paciência comigo, lembra? – Hinata arfou, tentando arranjar uma maneira de sair dali – Precisamos ir... devagar...

–Eu estou indo devagar. – Naruto sorriu, os lábios roçando o pescoço da Hyuuga – Se eu estivesse indo rápido, a essa altura, você já estaria nua na minha cama. Já seria minha.

Hinata sentiu um arrepio percorrer todo o seu corpo com aquelas palavras. O peito nu do rapaz contra seu corpo ameaçava fazer a toalha despencar a qualquer minuto.

As mãos do loiro alcançaram os seios de Hinata, e sob o tecido, ele os apertou. A morena sentiu o pavor começando a tomar conta de sua mente. Queria se deixar sentir, mas também queria correr dali. Queria dar uma chance a si mesma, e de alguma maneira, mostrar a Naruto que ela também o queria, bastava que ele fosse paciente. Mas também queria se afastar e impedi-lo de tocá-la. Entre aquele paradoxo, sem saber o que fazer, suas mãos seguraram as de Naruto quando os dedos do loiro começaram a querer arrancar a toalha de seu corpo.

Ignorando a resistência da garota, os lábios de Naruto moveram-se do pescoço à boca de Hinata. Ela abaixou o rosto, apoiando a testa no ombro do rapaz.

Naruto suspirou de frustração.

–Não quer me beijar, Hinata?

Ela não respondeu de imediato. Vasculhou sua mente, em busca de uma resposta plausível.

O loiro tocou o queixo da morena, erguendo o rosto dela para que pudesse fita-la nos olhos.

–Por que não quer me beijar?

–E-eu quero, ma-mas... – ela tentou, mas não conseguiu concluir a resposta.

–Mas? – Naruto insistiu.

–Seu mestre... e Kiba...

–O que tem o Kiba? – ele perguntou, irritado.

–Eles estão aqui. Podem acabar desconfiando que...

–O quê? Kiba não pode saber? – o loiro questionou, afastando-se de Hinata. Para sua própria surpresa, ela lamentou mentalmente que ele se afastasse, ao mesmo tempo em que não compreendia o tom irritado com o qual ele se referia à Kiba.

–Nã-não é isso que quero dizer. – ela se defendeu – O que há com você?

Naruto desviou os olhos dos dela, fazendo a si a mesma pergunta. O que estava acontecendo com ele?

Sem conseguir dar uma resposta coerente, o loiro se virou na direção da saída, deixando Hinata com uma expressão confusa. Ele parou ao chegar na porta, e ainda de costas, falou:

–Estou esperando você no meu quarto essa noite, depois que todos estiverem dormindo.

–O quê?! Pra quê?! – ela perguntou, de olhos arregalados.

Naruto virou-se de lado, olhando para a morena com um sorriso malicioso nos lábios.

–Para irmos devagar. Esteja lá. – falou, antes de sair do quarto.

Antes do que esperava, Naruto ouviu alguém bater em sua porta. Abriu e viu a morena parada, a expressão incerta a encará-lo com timidez. Ela usava uma camisola lilás, quase da cor dos olhos dela. O loiro vestia apenas uma calça de moleton cinza. Ele exibiu um sorriso torto.

Hinata não sabia ao certo o que estava fazendo ali, e tinha medo de descobrir. Porém, as sensações que Naruto despertava nela sempre que se aproximava a instigava a ir adiante. Não sabia até onde estaria disposta a ir – mas gostaria de conhecer seus limites. E algo lhe dizia que estar com ele era a solução para isso.

Sem esperar que ela dissesse qualquer coisa, ele a puxou pela mão para dentro do quarto, trancando a porta. Levou-a até a cama, mas ela puxou a braço dele de volta, estancando.

–O que... o que vamos...

–Quero apenas ficar com você. – ele falou, e parecia sincero – Por favor. – ele pediu.

Hinata suspirou com aquelas palavras. Assentiu, deixando o loiro lhe conduzir sobre o colchão macio. Ele se deitou, a puxou-a para seu peito nu, enquanto Hinata cerrava os punhos ao lado do corpo. O calor da pele de Naruto em seu rosto fazia com que sua mente tivesse reações estranhas e desconhecidas. Ele era quente e macio, e tinha um cheiro maravilhoso.

Ficaram em silêncio durante alguns longos minutos.

Os dedos de Naruto acariciavam carinhosamente o braço de Hinata, enquanto ela repousava sobre seu peito. Ir devagar. Ele se sentia um adolescente agindo daquela maneira. Mas sentia-se cada vez mais dependente da presença dela ao seu lado, e sabia que, se continuasse avançando daquela maneira ansiosa, ela continuaria fugindo.

–Hinata? – chamou, baixinho.

–Sim?

–Quando vai me contar o por quê de você sempre... me rejeitar?

Ela se encolheu um pouco com aquela pergunta. Não queria ter que tocar naquele assunto, ainda mais com Naruto.

–O problema não é... com você. É comigo.

O loiro bufou.

–Essa é a desculpa mais velha do mundo. – ele reclamou – Por que não me fala a verdade?

–Estou falando a verdade. – ela respondeu, erguendo a cabeça para fita-lo nos olhos.

–Então me beije.

Ela piscou, atônita com aquele pedido. Naruto viu a garota mudar de cor, o nervosismo começando a deixa-la em pânico. Ele tocou o rosto de Hinata.

–Então me deixe beijar você.

Ela baixou a cabeça, sem saber o que responder. Novamente o loiro se sentiu rejeitado, mas naquela noite, ele não desistiria.

–Tudo bem. Ir devagar, não é? – ele disse, e sorriu para ela.

Ela apenas assentiu, sem conseguir dizer uma única palavra. Até que sentiu Naruto rolar o corpo por cima do seu, obrigando-a a deitar em sua cama.

–O... o que...

–Vamos apenas tentar, está bem? Quando você quiser, eu paro. Eu disse que iriamos devagar, e que seria paciente. Você tem a minha palavra.

–O que... o que você quer tentar? – ela perguntou, sem confiar totalmente nas intenções de Naruto.

Ele sorriu, afundando o rosto no pescoço de Hinata. Os lábios roçaram a clavícula da morena, indo em direção ao colo. O loiro pegou as mãos da garota, induzindo-as a abraça-lo, enquanto sua boca se moveu para a dela. Mas Hinata novamente desviou. Sem se deixar abalar, os lábios dele arrastaram-se pela pele do pescoço, indo para o ombro, os dentes abaixando a alça da camisola. Naruto sentiu o corpo de Hinata enrijecer sob o seu, mas não se importou. Suas mãos desceram até as coxas da garota, acariciando a parte interna, enquanto sua língua movia-se pelo colo, quase chegando aos seios.

Hinata decidiu que não fugiria. Ele disse que iria devagar, não disse? Disse que pararia quando ela quisesse, não disse?

Reprimindo toda a sua vontade de sair correndo, tentando esvaziar sua mente de todo o temor, ela o abraçou mais forte.

Ao sentir os braços de Hinata estreitando-se em volta de seu corpo, Naruto sorriu de satisfação. Ao que parecia, pouco a pouco, ele estava conseguindo vencer o medo que ela sentia.

A mão que acariciava a parte interna da coxa moveu-se para o meio das pernas da garota. Ela estremeceu, sua mão agarrando a de Naruto, impedindo-o de avançar.

–Naruto, não... – sussurrou.

Ele obedeceu ao pedido. A mão novamente voltou para a pele da coxa, deslizando até a cintura, num movimento que arrastou um pouco o tecido da camisola, deixando à mostra a renda da calcinha que Hinata usava. A mão subiu para o seio, massageando-o sobre o tecido, e Naruto já esperava que ela novamente o impedisse, mas a viu fechar os olhos e cerrar os punhos, forçando-se a não para-lo. Ela estava tentando deixa-lo prosseguir. E entender aquela atitude apenas aumentou o desejo do loiro. Sua boca desejava a dela com ainda mais voracidade. E para conter sua vontade de beija-la, a boca afundou-se no seio que antes ele massageava, ainda sobre o tecido da camisola, que ele queria a todo custo arrancar do corpo dela, mas não faria aquilo.

A mão novamente moveu-se para o meio das penas de Hinata, e ela fechou os joelhos.

–Quer que eu pare? – ele perguntou baixinho.

Ela apenas o olhou, sem saber ao certo o que queria.

Sem resposta, a mão do loiro acariciou a intimidade de Hinata sobre a renda, sentindo-a molhada. Aquela sensação o fez morder o lábio inferior, reprimindo-se para não arrancar aquele pedaço de pano. Continuou com as caricias ali, sentindo, pouco a pouco, o corpo dela relaxar. Sua outra mão massageava um dos seios, ainda sobre o tecido, enquanto sua boca se movia do pescoço ao queixo de Hinata.

Sentindo o próprio corpo arder de desejo, ele resolveu não esperar mais. Decidiu beijá-la para que pudesse saciar parte de sua vontade de ter o corpo dela como seu. Sabia que ela não cederia naquela noite, mas precisava ao menos sentir os lábios dela nos seus.

Hinata mantinha os olhos fechados, reprimindo o impulso de rejeitar Naruto, ao mesmo tempo em que descobria novas sensações ao sentir as carícias do loiro em seu corpo. Ele aproximou o rosto do dela, e a morena abriu lentamente os olhos ao sentir o hálito quente do rapaz contra sua pele. As carícias sobre o tecido da calcinha se tornaram mais intensas na medida em que Naruto aproximava seus lábios dos dela.

–Naruto! – alguém chamou, batendo na porta do quarto.

O loiro piscou, sem querer acreditar que aquilo estava acontecendo. Por um momento, ficou paralisado sobre Hinata, que o fitava com uma expressão de decepção que dava à Naruto a certeza de que ela também queria beija-lo.

–Naruto! – o chamado soou mais alto.

Ele se ergueu, respirando pesadamente, tentando se acalmar. Hinata também se levantou da cama, preocupada com a possibilidade de alguém vê-la ali.

–Vem aqui. – o loiro a puxou pela mão, levando-a até a parede do lado da porta. Dessa forma, quando a abrisse, a pessoa que estivesse do lado de fora do quarto não a veria.

Mas ao encostar Hinata na parede, seus olhos novamente se encontraram com os dela. O desejo lhe subiu à cabeça, e Naruto colou seu corpo no da morena, as mãos descendo pela cintura dela, puxando-a para mais perto.

–Droga, Naruto, eu sei que você está aí! Abre logo essa porta, caramba!

O loiro socou a parede do lado da cabeça de Hinata, soltando um grunhido de frustração. Ela se encolheu um pouco com aquela atitude, mas continuou em silêncio, sem querer ser descoberta.

Naruto se afastou, abrindo a porta bruscamente.

–O QUE É, KIBA?!

–Você viu a Hinata? – o rapaz perguntou.

Naruto esfregou a testa, tentando manter a paciência.

–Não, eu não vi a Hinata. O que você quer com ela?

–Tenho uma coisa pra mostrar a ela. Mas bati na porta do quarto dela, e ninguém respondeu...

–Deve estar tomando banho. Deixe ela em paz. Foi um dia cansativo.

–Eu sei. Bom... Jiraya e eu estamos acabando com seu estoque de uísque.

–O quê?! – o loiro grunhiu, e viu Hinata estreitar os olhos para ele, como se o estivesse acusando de algo. Viu a garota mover os lábios, sem emitir som algum, e, de canto de olho, tentou entender o que ela dizia.

“Bando de alcóolatras.”

Involuntariamente, Naruto sorriu.

–Do que está rindo? – Kiba perguntou.

–Ahn? Ah... de nada. Podem beber a vontade. Só não acabem com tudo, tá legal? – ele respondeu, a contragosto.

–Beleza. Não quer vir beber com a gente?

–Não, obrigado. – o loiro respondeu de imediato.

–Você, recusando bebida? Está doente?

–Hora de dar tchau, Kiba! – o loiro se estressou, fechando a porta – Vaza!

O garoto estreitou os olhos, desconfiado com aquela atitude. Mas antes de fechar a porta, Naruto colocou a cabeça para fora do quarto.

–Ei, Kiba, espera. – ele chamou, e o garoto se virou para ele – O que é que você queria mostrar à Hinata?

–Ah... nada demais. Apenas uma lembrança de quando estivemos juntos no sanatório. Mas teremos tempo para falar sobre isso. – Kiba respondeu, já virando-se rumo à sala, onde Jiraya o esperava para continuarem bebendo e papeando – Boa noite, Naruto.

Foi a vez do loiro de estreitar os olhos, e sem responder ao cumprimento, ele fechou a porta bruscamente, trancando-a e virando-se para Hinata.

–O que houve entre você e esse cara enquanto estavam naquele hospício? – ele perguntou à garota.

A maneira como ele usou aquelas palavras fez Hinata fita-lo com uma expressão magoada.

–Nada. Éramos crianças, Naruto. E ele era meu único amigo lá, a única pessoa que me dizia que eu não era louca.

–Não estou entendendo, Hinata. – ele falou, impaciente – Explique direito.

A morena suspirou, escorregando pela parede e sentando no chão. Naruto sentou-se na frente dela, esperando por respostas.

–Bem... Ele foi o garoto que me ajudou a passar pelos dias difíceis no... hospício. – ela começou, usando a mesma palavra que Naruto – Kiba me dizia que eu não estava maluca, mesmo quando eu mesma duvidava disso. E depois de cada sessão de choque, depois de cada injeção que aplicavam em mim, ele segurou minha mão, mesmo quando eu estava drogada demais com os remédios pra sentir. Mesmo assim, eu sabia que ele estava lá comigo.

A maneira carinhosa com a qual Hinata contava as lembranças que tinha de Kiba apenas deixava Naruto cada vez mais incomodado. Ele a encarava seriamente, esperando que ela prosseguisse, enquanto decidia se deveria ou não arrancar a cabeça do garoto. Tudo dependeria do que Hinata iria lhe contar agora.

–As coisas já estavam muito ruins para mim quando entrei lá... mas pioraram depois que Kiba chegou. O menino do espírito de cachorro. – ela disse, e sorriu tristemente para o loiro.

Naruto assentiu, incentivando-a a continuar. Ele percebeu quando os olhos de Hinata perderam um pouco o brilho, as lembranças sombrias enevoando sua mente...

Notas finais
Oi! E aí? Gostaram? Sinto cheiro de flash back no próximo capítulo! Todos agora já sabem que Kiba e Hinata se conhecem do sanatório, mas o que aconteceu com eles por lá, pra terem ficado, aparentemente, amigos? Continuo dizendo: tem pista disso no primeiro capítulo! E vou fazer referência à ela no próximo, pra que isso fiquei mais claro. Ok, Jiraya chegou e já tá todo mal intencionado... querendo tocar o terror na cidade, Oh Lord! E as piadinhas? Sinto uma certa Hyuuga corando até os fios de cabelo! Kkkkkkkkkkkk O que acharam da personalidade do mestre-manjador-dos-pervertimentos? O que será que ele está tentando esconder do Naruto? e da relação dos dois? E o Kiba, meu povo? O que acharam da chegada dele? (Não seja maus com o Inuzuka! Kkkkkkkk) E, principalmente, o que acharam das cenas NaruHinianas? E da reação do Naruto à chegada do Kiba? Não se esqueçam de comentar, analisar, dar suas opiniões e de encher o saco dos amigos para que eles leiam a fic. A autora-san agradece! Até o próximo capítulo. Bjks!