Paraíso Sombrio

43 O começo do fim


Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Sentiram saudades? Eu também! Desculpem por não postar semana passada, estive extremamente ocupada com meus estudos, mas já estou voltando à ativa! Adorei ver o galerê-san todo orgulhoso da Hinata, que voltou divando. E por falar nisso, obrigada por todos os comentários! Eu fico pulando de felicidade com cada palavra que vocês deixam por aqui, então, por favor, não se esqueçam de dar uma passadinha nos comentários e dizer o que acharam do capítulo de hoje. A opinião de vocês é muito importante pra mim. E meus planos de fazer um capítulo pequeno foram por água abaixo. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Fiz esse capítulo com muito carinho e cuidado, principalmente na escolha da trilha sonora. A primeira música é do The Smiths, e se chama Asleep. Porque The Smiths é vida *O* https://www.youtube.com/watch?v=vy0NySCmuFU A segunda música é Stay, interpretada pela Rihanna e com participação de Mikky Ekko. https://www.youtube.com/watch?v=wS4InT7Ycdk A terceira é I Need You, do Lynyrd Skynyrd. https://www.youtube.com/watch?v=raVMb0xhRsI Tentei encaixar as canções direitinho nas cenas, espero que tenha dado certo, hihihihihi Depois do capítulo de hoje, vamos direto para a festa da Hinata e para as tretas finais. Pois é. Tá acabando, gente. Espero que gostem! Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!



Naquela manhã, quando Hinata acordou, ela não abriu os olhos de imediato. Ficou algum tempo parada, respirando profundamente, preparando-se para lidar com aquele dia que mal começara e ela já tinha certeza de que seria muito difícil. Talvez, só talvez, ela pudesse apenas ficar mais algum tempo deitada, aproveitando a quietude de sua mente ainda entorpecida pelo sono e pelos sonhos, fingindo que nada mais existia além da calma que emanava de seu coração...

Sim, seu coração estava, de uma maneira estranha e desconhecida, em paz. Não que toda a confusão que se desenrolava em sua vida tivesse perdido a importância mas, aos poucos, Hinata se acostumava ao caos, ao movimento, à tempestade. Ela já não se importava com os raios que a atingiam, com o constante barulho de chuva arranhando as janelas de seu pensamento. A vida a havia tornado forte o suficiente para enfrentar e não temer as tempestades. Para Hinata, ainda havia a esperança de ver o sol brilhando forte em sua existência, e era isso que acalmava seu coração nos dias de tempestade, como naquele dia que se estendia à sua frente, cheio de possibilidades, começos e finais.

Ainda de olhos fechados, os lábios da morena se curvaram em um pequeno sorriso. Sim, seu coração estava em paz. Em paz pelas descobertas que fizera, pelas alegrias e tristezas que vivera, pelas emoções, pelas confusões, pelos amores, desamores, pela vida, pela morte. Seu coração estava em paz por tudo isso mas, principalmente, pelas mudanças que agora já não a assustavam tanto. Seu coração se fortalecia enquanto ela deixava de ser uma menina indefesa para se tornar uma grande guerreira. Hinata era, agora, dona de seu destino.

Seu coração estava em paz porque, de forma anônima e silenciosa, ela cumpria a promessa que havia feito à Jiraya. Ainda que se mantivesse distante, Hinata cuidava do menino redemoinho, como havia dito que faria, honrando o juramento que fizera.

“Cante pra mim

Eu não quero mais acordar sozinho

Não se sinta mal por mim

Eu quero que você saiba

Do fundo do meu coração

Eu realmente quero ir

Há um outro mundo

Há um mundo melhor

Bem, deve haver...”

Asleep – The Smiths

Quando enfim resolveu abrir os olhos, ela olhou para o lado, fitando o relógio na pequena cômoda ao lado de sua cama, vendo que ainda era muito cedo. O dia mal começara a nascer, e o quarto ainda estava um pouco escuro, precariamente iluminado pelos primeiros raios de sol que mandavam a madrugada embora. Suspirou. Olhou para o outro lado, onde Sasuke estava sentado no chão, as costas apoiadas na parede.

Os olhos dele se fixaram nos seus por um instante.

–Bom dia. – Hinata cumprimentou tranquilamente, como se já esperasse ver o mestre ali quando acordasse.

Sasuke apenas assentiu com um leve movimento de cabeça. A expressão dele era séria, mais séria que o normal.

Preguiçosamente, Hinata se ergueu, sentando-se na cama e ficando de frente para o Uchiha. Ela sorriu para ele, parecendo calma, como se nada muito importante estivesse prestes a acontecer.

–Você não vai ficar com essa cara no dia do meu aniversário, vai? – a morena perguntou, mantendo a voz baixa e tranquila.

O mestre suspirou de forma desanimada, vendo Hinata se levantar da cama e se aproximar de onde ele estava. A morena se abaixou, tentando fazer com que ele a encarasse.

–Vai ficar tudo bem. – a Hyuuga murmurou, apoiando as mãos nos ombros de Sasuke a fim de transmitir para ele a confiança de suas palavras – Eu prometo que tudo acabará bem.

Ele revirou os olhos, debochando da tentativa de sua discípula de tranquiliza-lo, mas permaneceu em silêncio como se, de alguma maneira, duvidasse das palavras que lhe estavam sendo ditas.

–Sasuke? – a morena insistiu.

O Uchiha suspirou novamente. Inferno. Não gostava daquele tipo de situação, mas precisava dizer aquilo a ela antes de enfrentar a possibilidade de tudo dar errado.

–Hinata... – ele murmurou, o rosto levemente contorcido em uma careta que evidenciava seu desconforto – Tem algo... Tem algo que preciso dizer a você.

Ela ficou em silêncio, os grandes olhos perolados fixos nos de Sasuke, esperando que ele continuasse.

–Primeiro, preciso dizer que você está terrivelmente descabelada. – o Uchiha implicou, ouvindo a garota bufar – Bom... Quero que saiba que, se algo der errado... – ele começou.

–Nada vai dar errado. – Hinata interrompeu.

–Mas se der... – Sasuke insistiu – Quero dizer que você foi uma grande discípula, e que sou grato por você ter me transformado em mestre. – disse, vendo os olhos da garota se arregalarem de surpresa – Aprendi a amar você como irmã, como parte de minha família, mesmo você sendo um saco.

–O quê? – Hinata grunhiu, a expressão embasbacada pelas palavras do Uchiha.

–Não me faça repetir isso. – ele resmungou, enfezado – Então, se algo der errado... Quero apenas dizer... Obrigado. Por sua causa, eu pude continuar sentindo que ainda tenho uma família pela qual lutar. Espero... Espero não desapontar você.

–Sei que não vai. – ela garantiu, sorrindo para o moreno.

Ele alisou a testa, nervoso, visivelmente desconfortável com aquela situação. Hinata riu baixinho enquanto se sentava ao lado do mestre, também apoiando as costas na parede. A luz branca do dia que nascia começava a entrar pelo quarto, iluminando o rosto pálido e sério de Sasuke.

–Quando tudo isso acabar, se sobrevivermos, — Hinata falou, sua voz soando baixa e tranquila – nós vamos comprar uma casa maior do que essa, onde toda a nossa família possa se reunir. Vamos decorar um quarto especial pra sua rosadinha, e fazer o Deidara cuidar dela.

O Uchiha riu, desanimado.

–Não sabemos se a rosada vai mesmo vir... Eu disse, é apenas uma possibilidade. – ele esclareceu — Mas se isso acontecer, você acha que vou deixar minha filha nas mãos do Deidara? E se ele resolver brincar de explodir criancinhas? Aquele cara é doido.

–Não fale assim dele, Deidara tem um bom coração. – Hinata riu, enquanto sua mente involuntariamente traçava planos para o futuro – A casa pode ter um jardim grande, e um balanço onde a menina Uchiha possa brincar... – ela continuou, distraída – Aposto que Naruto vai mimar essa garota mais do que tudo nessa vida. Me pergunto como ele irá reagir quando souber que existe a possibilidade de ele virar titio.

–Me pergunto se ele irá mesmo fazer parte do meu futuro, depois de tudo o que fiz no passado e continuo fazendo no presente. – Sasuke resmungou, e seu tom era carregado de mágoa.

–Claro que vai. Vamos todos fazer parte do mesmo futuro. Eu acredito nisso. Você precisa acreditar também. – a discípula insistiu.

–Você acredita porque é insuportavelmente otimista. – o moreno bronqueou, sem perceber que Hinata estreitava os olhos em sua direção.

–Sabe, Sasuke, eu espero que essa rosadinha puxe à Sakura, porque se ela herdar alguma característica sua, estamos todos perdidos. – ela implicou.

O mestre riu, debochado, e os dois logo voltaram a fitar o vazio do quarto, distraídos com os planos para o futuro.

–Está perto do fim, não é? – Hinata murmurou, apoiando a cabeça no ombro de Sasuke.

–Sim... – ele respondeu.

–Quando esse pesadelo finalmente acabar, poderemos começar a viver nossos sonhos. Ainda existe esperança pra você, Sasuke. Ainda existe esperança para todos nós. – a morena disse.

Sasuke soltou um longo e pesado suspiro, como se quisesse assimilar as palavras de Hinata.

–Amo você, Hyuuga insuportável. – ele resmungou, o cenho franzido de desconforto. Achava melhor admitir aquilo enquanto ainda tinha tempo, enquanto ainda estava vivo.

–Também amo você, Uchiha idiota. – Hinata disse, os olhos fixos na luz que, aos poucos, invadia o quarto.

Algumas horas mais tarde

Já estava perto do entardecer quando Sasuke chegou à casa de Naruto, surpreendendo-se com a movimentação ali. Na sala estava Temari, confortavelmente acomodada no sofá, com um copo de uísque na mão, trajando um vestido preto, longo e tomara que caia, com uma grande abertura na lateral esquerda que deixava à mostra uma das pernas. Os lábios vermelhos se deliciavam com a bebida, e sua expressão era de tédio. Ela usava sandálias de saltos finíssimos e muito altos, o que fazia com que Sasuke se questionasse a respeito de como ela se manteria de pé sobre aqueles troços. Os cabelos loiros estavam presos em um coque, a franja arrumada de lado, caindo delicadamente sobre os olhos. A Sabaku exibiu à Sasuke um sorriso torto, vendo-o sorrir de volta. Temari também estava feliz em saber que tudo aquilo estava chegando ao fim.

Sai e Deidara também já estavam elegantemente arrumados, sentados no grande sofá da sala, cada um em uma ponta, olhando nervosamente para todos os cantos, como se fossem levar um choque caso encostassem um no outro. Sasuke revirou os olhos. Deidara ainda não havia resolvido aquilo?

–Cadê o Naruto? – o Uchiha perguntou.

–Está trancado no quarto, emburrado por todos nós estarmos nos arrumando aqui. – a voz de Sakura se fez soar, vinda do corredor dos quartos. Não demorou até que ela aparecesse na sala, segurando um cabide coberto por um tecido preto – Finalmente você chegou. Consegui uma roupa para você usar.

Mas Sasuke não conseguiu responder ou esboçar qualquer reação a respeito. Seus olhos se fixaram na figura da Haruno, que trajava um vestido verde-escuro, como esmeraldas, como os olhos dela. O vestido era longo, o busto sustentado por alças finas, a saia um pouco frouxa e rodada, fazendo com que o tecido deslizasse pela pele das pernas da Haruno a cada passo que ela dava, o barulho dos saltos martelando nos ouvidos de Sasuke.

A rosada parou diante do Uchiha, os cabelos soltos emoldurando o rosto que fazia o coração dele acelerar de forma involuntária.

–Sasuke? – ela chamou, vendo a expressão embasbacada do rapaz – Você não está querendo me impedir de ir à festa, está? Porque se você for começar com isso de novo, eu...

–Você é a curadora, Sakura. Se você se ferir, estamos todos fodidos. – Sasuke tentou argumentar, finalmente voltando à si, mas a rosada não parecia interessada em ouvir suas justificativas.

–Ah, Sasuke, não enche. – ela resmungou, revirando os olhos.

–Não vai adiantar eu tentar te amarrar, vai? – o moreno perguntou, resignado.

–Claro que não. – Sakura debochou, agarrando a mão do Uchiha – Agora venha, vou ajudar você a se vestir. – ela disse, arrastando-o na direção do corredor dos quartos.

Memórias de um passado distante

Sentado na cama, o corpo miúdo de Sasuke se debatia, enquanto Itachi tentava, a todo custo, ajeitar a gravata no pescoço do pequeno. Havia chegado o grande dia do casamento de Kurenai, e nenhum dos dois irmãos estava muito contente com aquilo. Nem Sasuke nem Itachi queriam que aquela cerimônia acontecesse, mas o Uchiha mais velho já havia dito ao irmão que esquecesse aquilo. Era melhor tentar ver o lado positivo daquele casamento: Asuma faria Kurenai feliz, e isso era tudo o que importava.

Enquanto Itachi tentava se lembrar de como se fazia a droga do nó de uma gravata, ele tentava vencer as mãos pequenas de Sasuke, que se recusava a usar aquela roupa sufocante. Emburrado, o pequeno tentava tirar o tecido do pescoço a todo custo.

–Você tem que usar isso! – Itachi falou, impacientando-se.

–Isso o quê? Esse treco que você chama de nó? Não é assim que se amarra uma gravata! – Sasuke protestou.

Itachi se afastou um pouco do irmão, e suspirou, sentando-se na cama, parecendo desanimado. Passou a mão na testa, limpando o suor. Criar uma criança era difícil.

–Desculpe. – Itachi pediu, vendo os olhos de Sasuke fitarem-no com atenção — Sei que não estou fazendo direito. Mas não temos mais a mamãe para atar ou desatar nossos nós, está bem?

A expressão do Uchiha mais novo entristeceu com a lembrança da mãe, e ele baixou a cabeça, fitando o chão. Itachi estava se esforçando, e aquele era um dia difícil para ele, Sasuke sabia que o irmão mais velho estava fazendo o melhor que podia. O pequeno decidiu facilitar as coisas.

–Eu sei... Desculpe. – Sasuke murmurou, sentindo Itachi bagunçar seus cabelos. O mais novo ergueu a cabeça, vendo o irmão sorrir.

–Tudo bem, pestinha. – Itachi falou, levantando-se da cama — Agora fique quieto pra que eu possa tentar fazer a droga desse nó.

–Não, Itachi, não, por favor! Gravata não! Eu odeio usar esse negócio! – o pequeno pediu, ouvindo o irmão mais velho soltar uma risada alta, divertindo-se com a expressão desesperada de Sasuke.

***

Já vestido com o terno que Sakura arranjara para ele, Sasuke desmanchava, pela décima vez, o nó da gravata que a rosada fizera. Sentado na cama, ele via Ino arrumar o nó da gravata de Gaara, enquanto o ruivo a fitava como se estivesse diante de uma aparição do além. E não era para menos, afinal.

Ino trajava um vestido lilás de tom escuro que ia até os pés, totalmente colado no corpo, que evidenciava as curvas da loira. As alças eram grossas e se cruzavam sobre o busto, enlaçando o pescoço da Yamanaka, deixando à vista um decote discreto, mas suficiente para que Gaara arregalasse os olhos naquela direção. Os cabelos loiros estavam soltos, indo até a base da cintura, balançando a cada movimento que ela fazia.

Sakura, que havia ido até a cozinha beber um pouco de água, estreitou os olhos ao voltar para o quarto e perceber que Sasuke havia desfeito, de novo, o nó que ela refizera tantas vezes. Querendo vencer a teimosia do Uchiha, ela se aproximou, refazendo o nó, deixando-o tão acochado que Sasuke tossiu um pouco.

–Está querendo me enforcar? – ele perguntou, sentindo Sakura afastar delicadamente os fios pretos e compridos que caiam sobre seus olhos.

–Você precisa cortar esse cabelo. – a rosada disse, para em seguida acochar o nó da gravata do Uchiha um pouco mais.

–Eu odeio gravatas. Você sabe disso. – Sasuke argumentou.

–Não seja irritante. – ela murmurou enquanto se afastava, novamente saindo do quarto, deixando Sasuke sozinho com Ino e Gaara.

O moreno puxou a gravata para baixo com força, tentando desfazer, mais uma vez, o nó que Sakura deixara em seu pescoço.

–Confortável? – Gaara debochou do desespero de Sasuke, enquanto Ino se afastava para admirar o belo nó que fizera na gravata do ruivo.

–Não enche. – o Uchiha resmungou – Cadê o Naruto? Ele não vai, mesmo?

–Ino vai ficar e tentar convencê-lo a ir. – Gaara falou – E você? Recebeu convite ou vai de penetra? – implicou.

–Tá brincando? Eu sou o convidado de honra. – Sasuke ironizou, vendo o ruivo encará-lo com um olhar estreito.

–Certo, já chega. – Ino resolveu se meter antes que os dois começassem uma discussão – Sasuke, você não tem que chegar nessa festa um pouco mais cedo? Não é bom deixar a Hinata sozinha.

O Uchiha revirou os olhos. Hinata não precisava tanto assim de sua proteção, não mais. Porém, não era hora de falar sobre aquilo. Em silêncio, ele saiu do quarto, planejando alcançar Sakura e levá-la até a mansão Hyuuga.

Livre da presença de Sasuke, Ino voltou o olhar para Gaara.

Como ele estava lindo! O terno caíra como uma luva no ruivo, e Ino sentia seu coração falhar uma batida a cada movimento que ele fazia. Talvez Gaara não estivesse ciente de todo o charme que possuía, ou de quanta influência ele tinha sobre a Yamanaka, ou talvez soubesse de tudo aquilo mas, para o bem de ambos, resolvera ignorar a vontade de ceder aos próprios instintos.

Tentando se concentrar no que estava prestes a acontecer, Ino sacudiu levemente a cabeça. Aproximou-se do ruivo, fitando-o com uma expressão preocupada.

–Por que está com essa cara? – ele perguntou, tocando levemente o rosto da loira – Vai ficar tudo bem.

–Mas e se... – a Yamanaka tentou começar, mas logo foi interrompida.

–Vai ficar tudo bem. – Gaara insistiu – Mas, antes de irmos, preciso que você me prometa uma coisa.

–O quê?

–Se as coisas ficarem arriscadas demais, e eu pedir que você vá embora da mansão, por favor... Por favor, obedeça. – ele pediu, vendo os olhos azuis da Yamanaka fitarem-no com indignação.

–Não! – ela rebateu, incrédula, dando um passo para trás a fim de se afastar do rapaz.

–Por favor, Ino. – Gaara disse, segurando-a firmemente pelo braço para evitar que ela se afastasse, e sua expressão era de súplica – Por favor, não me faça ir à essa festa sabendo que existe a possibilidade de eu te perder. Por favor, se eu pedir que você deixe a mansão, vá embora sem olhar para trás.

–Eu não vou fazer isso! – Ino sibilou, controlando-se para não gritar – Se quer que eu acredite que vai ficar tudo bem, não deveria me pedir algo assim!

–Céus, você é tão teimosa... – o ruivo murmurou, impacientando-se.

–Teimoso é você! – ela rebateu – Vamos lutar juntos, entendeu?! – Ino perguntou, as duas mãos agarrando firmemente o rosto do Sabaku – Juntos até o fim!

Gaara piscou, tentando distinguir se estava apavorado por saber que Ino estaria no campo de batalha, ou se estava fascinado com a coragem e firmeza que ela demonstrava ter. Sem conseguir se decidir, ele fez a única coisa que poderia fazer: agarrou-a bruscamente pela cintura e a envolveu em um abraço apertado, angustiado, desesperado. Um abraço que poderia ser o último, ou o primeiro de muitos.

Em silêncio, os dois ficaram abraçados pelo que pareceu ser uma eternidade, apenas aproveitando um pouco do outro antes que a roda de acontecimentos daquela noite começasse a girar. Foi Gaara quem se afastou primeiro, esfregando as mãos no rosto, querendo voltar a si.

–Você vai falar com o Naruto? – ele perguntou, dando um passo para trás, evitando encarar os olhos da Yamanaka. Como era difícil estar tão próximo a ela sem poder toma-la em seus braços, principalmente quando estava ciente do perigo que os aguardava...

–Sim... Vou tentar enfiar algum juízo naquela cabeça loira oca. – Ino debochou, vendo Gaara sorrir para ela.

–Então vou na frente com os outros. Estou ansioso para ver a Hinatinha. – o ruivo disse, caminhando em direção a porta – A proposito, — ele falou, parando perto da saída – você está muito linda, loira psicopata.

–Você também não está nada mal, Ketchup. – a Yamanaka rebateu, ouvindo a risada de Gaara ecoar novamente pelo quarto – Ei. – ela chamou, antes que ele fosse embora – Vamos resolver isso juntos, não é? – perguntou, receosa.

Os olhos do ruivo se fixaram no rosto de Ino, enquanto ele exibia a ela um sorriso esperançoso.

–Juntos até o fim. – Gaara repetiu as palavras da Yamanaka, vendo-a suspirar aliviada.

Sem olhar para trás, o Sabaku se apressou em sair dali, tentando se concentrar na grande festa que o aguardava.

“Oh, o motivo pelo qual me mantenho firme

Oh, porque preciso fazer este buraco desaparecer

É engraçado, você é quem está em ruínas, mas eu era a única que precisava ser salva

Porque quando você nunca vê as luzes é difícil saber quem de nós está desabando

Não tenho muita certeza de como me sentir quanto a isso

Algo no seu jeito de se mexer

Faz com que eu acredite não ser possível viver sem você

Isso me leva do começo ao fim

Quero que você fique”

Stay – Rihanna feat. Mikky Ekko

Sentada de frente para a penteadeira, quando terminou de colocar o enfeite encrustado de diamantes azuis no cabelo – presente que seu pai havia deixado sobre sua cama antes de sair, provavelmente sentindo-se desconfortável demais para entrega-lo pessoalmente – Hinata se olhou no espelho, admirando-se por um instante.

A maquiagem impecável que Hanabi fizera em seu rosto, o vestido longo, azul marinho, com aberturas nas duas laterais que deixavam suas pernas um pouco à mostra, o busto sustentado por alças finas, o grande decote na parte de trás que revelava muito de suas costas, os saltos que apertavam seus tornozelos, os brincos que, segundo Neji, haviam sido de sua mãe... Nada daquilo havia chegado aos seus sentidos ainda. Enquanto fitava o próprio reflexo no espelho, admirando o cabelo preso em um rabo de cavalo pelo enfeite elegante que o pai deixara para ela, Hinata parecia não crer nas mudanças que podia ver em seu rosto. Os olhos perolados, protegidos pela cortina de sua franja, que caia delicadamente sobre as pálpebras, analisavam cada traço de amargura, felicidade, tristeza, dor, alegria, cada vestígio de emoção que, de alguma forma, houvesse deixado marcas em sua alma.

Naquele dia, Hinata completava 18 anos.

Parecia fazer uma eternidade desde que ela saiu da casa de Naruto. Embora Hinata tivesse passado mais tempo na mansão Hyuuga do que na casa do Uzumaki, as semanas passadas com sua verdadeira família foram tão intensas e lhe provocaram mudanças tão drásticas que pareciam ser muito mais tempo do que os longos e aborrecidos meses em que foi obrigada a conviver com Hiashi. O passar dos dias e o amadurecimento das mágoas, porém, tornaram tudo um pouco mais fácil; Hinata não odiava o pai, embora os ressentimentos pelo abandono ainda se fizessem presentes em seu coração. Já não se importava tanto com Tenten, e em algumas ocasiões, Hinata conseguiu deixar a raiva de lado e dar boas risadas ao lado da Mitsashi e de Hanabi. A irmã mais nova e o primo Neji haviam se tornado grandes amigos com os quais a Hyuuga podia sempre contar. Hanabi era sempre tão entusiasmada, sempre tão disposta a fazer com que Hinata se sentisse bem-vinda àquela família, e Neji era sempre tão gentil e cuidadoso com ela... Todos, a sua maneira, se esforçavam para deixar Hinata o mais confortável possível na nova vida que ela levava.

Mas nada, nada era capaz de aplacar a dor de estar distante da única pessoa que, dia e noite, ocupava os pensamentos e o coração da Hyuuga.

Ela achava que o tempo tornaria tudo mais fácil, e que não tardaria até que a saudade que sentia de Naruto passasse. Seu coração estava em paz por ter sido capaz de cumprir, pelo menos um pouco, a promessa que fizera à Jiraya, porém, o maior de todos os perigos ainda estava a solta, à espreita, aguardando o momento certo de esgueirar-se de volta para a sua vida, ameaçando sua família, seus amigos, todos a quem Hinata amava. Ela seria capaz de vencer aquela batalha?

Seria capaz de proteger a todos?

E se tudo chegasse ao fim, se ela perdesse a vida... Seria capaz de dizer adeus à Naruto mais uma vez?

Não. Hinata tinha certeza de que seria impossível dizer adeus à ele novamente; já havia sido difícil demais encontra-lo na noite em que ela perseguia o ruivo de piercings e não poder abraça-lo, dizer o quanto sentia falta das implicâncias, das provocações, do sorriso malicioso que ele lhe exibia sempre que se aproximava. Era difícil, difícil demais admitir a possibilidade de que ele não viesse à sua festa, porque se tudo desse errado, talvez ela perdesse a vida sem poder vê-lo mais uma vez, sem poder dizer a ele tudo o que sentia.

A morena piscou, tentando voltar a si, vendo seu reflexo fazer o mesmo. Não podia pensar naquelas coisas. Nada daquilo importava. Ela tinha uma missão a cumprir, e se proteger sua família lhe custasse a vida, que fosse, então. Hinata sabia que poderia enfrentar os riscos daquela festa, que poderia lutar, que poderia morrer, mas também sabia que não poderia suportar a ideia de ver a vida de um dos seus se esvaindo como viu a de Jiraya, como viu a de sua mãe.

Ela se levantou, fitando-se no espelho mais uma vez. Tocou os brincos, que também eram de diamantes azuis, e a lembrança da mãe ficou mais nítida em sua mente. Como gostaria que ela estivesse ali para vê-la completar dezoito anos...

Hinata suspirou, passando as mãos pelo comprido rabo de cavalo. Sentiu seu coração bater acelerado – não de medo, mas de empolgação. Finalmente todo aquele pesadelo estava perto do fim. Como ela dissera mais cedo para Sasuke, quando tudo acabasse, eles poderiam, enfim, começar a viver seus sonhos e a transformá-los em realidade.

Seus pensamentos novamente se fixaram em Naruto, as lembranças da noite em que fizeram amor invadindo-lhe os pensamentos.

Talvez eu seja um caso perdido. Caso eu me perca em um precipício, não quero levar você junto.”, ele dissera.

O sorriso de Hinata se alargou, e ela fitou o espelho, parecendo feliz. Sentiu seus olhos arderem, mas decidiu não chorar, não podia chorar. Seria forte, forte como Naruto lhe ensinara a ser.

Ela também se lembrava de qual havia sido a sua resposta às palavras do loiro.

Me leve junto com você. Eu não me importo de cair.”

Com aquilo em mente, Hinata respirou profunda e pesadamente, a decisão que tomara fazendo com que ela voltasse ao momento presente. Caminhando com a elegância e a imponência características de uma verdadeira e poderosa Hyuuga, ela se dirigiu até a porta, girando a maçaneta, preparando-se para o que estava por vir.

Se fosse por ele, Hinata realmente não se importava em cair.

Quando Hinata começou a descer as escadas, pôde ouvir a discussão que se desenrolava no andar de baixo. Sem querer se envolver naquilo, ela se manteve em silêncio, esperando que a briga entre Neji e Tenten acabasse.

–Você não precisa fazer isso. – Neji bufou, sentindo as mãos de Tenten acocharem o tecido que envolvia seu pescoço e que ela o obrigara a usar.

–Apenas cale a boca e me deixe ajeitar a droga dessa gravata. – ela esbravejou, concentrada, sem perceber o olhar fulminante do moreno em sua direção.

Neji suspirou.

–Se você pudesse, simplesmente, ser uma garota normal, e não uma segurança paranoica, só por essa noite... – o Hyuuga murmurou, esperançoso.

–Se você não fosse tão imprudente, eu até poderia pensar em relaxar e aproveitar a festa, mas do jeito que você é idiota, vai acabar atraindo o perigo se eu não estiver por perto. – Tenten rebateu, sentindo Neji agarrar seus pulsos com firmeza, afastando as mãos dela da gravata – Eu ainda não terminei! – protestou.

–Não vai me dar um beijo? – ele pediu baixinho, sem perceber que, no topo da escada, sua prima arregalava os olhos, o rosto ruborizando de forma automática ao presenciar algo que não deveria.

–Pare com isso, Neji! – a Mitsashi sibilou, ficando vermelha também – Aquilo só aconteceu uma vez e...

–Três vezes. – o moreno interrompeu, corrigindo-a – Nós transamos três vezes, e não me venha com essa história de que você é uma guardiã e que por isso não podemos ficar juntos... Não preciso de proteção, você sabe disso.

–Não podemos! – Tenten insistiu, tentando, a todo custo, se desfazer das mãos de Neji, mas era impossível.

–Tenten. – ele falou seriamente – Eu não preciso de proteção. Eu preciso é de você. Então deixe de ser tão teimosa e me beije.

–Mas o seu tio...

–Meu tio não tem nada a ver com isso. Ele mesmo se casou com uma guardiã, não foi? Se pensar bem, estou apenas seguindo o exemplo dele. – Neji comentou, sorrindo de forma debochada.

–Neji! – Tenten bronqueou – Isso não é motivo de riso! – falou, envergonhada. Já há alguns meses o Hyuuga a atormentava com aquela insistência, mas o que ela podia fazer? Já se sentia culpada demais só em ter cedido ao próprio desejo das outras vezes. O que mais ele queria dela? – Pare com isso! Não podemos...

–Tenten. – ele interrompeu novamente, parando de rir e encarando-a com uma expressão impaciente – Se não me beijar, vou tirar essa sua roupa e transar com você nessa sala. E nós dois sabemos que você não é capaz de resistir à ideia de estarmos juntos.

A Mitsashi ficou em silêncio, engolindo em seco. Neji parecia estar falando sério, e céus! Por que ele tinha que ser tão sério, charmoso e insuportável?

Querendo salvar Tenten de uma enrascada, Hinata começou a descer os degraus, os passos firmes fazendo o barulho dos saltos que usava ecoarem pela casa.

Neji e Tenten se afastaram, ainda fitando-se como se fossem dar um tiro um no outro a qualquer momento.

O Hyuuga estava prestes a cumprimentar a prima quando seus olhos se fixaram na figura de Hinata, que ainda descia a escada.

–Você... Você está linda. – ele elogiou, boquiaberto.

A morena sorriu, finalmente chegando até onde Neji e Tenten estavam.

–Obrigada. – ela agradeceu – Neji, será que posso ficar sozinha com Tenten por um instante? – Hinata pediu.

Ele fitou seriamente a Mitsashi por um momento, antes de assentir.

–Claro. Nos vemos na festa. – Neji falou, mantendo a expressão impassível, para em seguida se afastar.

Quando o Hyuuga se foi, Hinata olhou para Tenten.

–Você e Neji estão namorando? – ela perguntou, vendo os olhos da guardiã arregalarem-se de surpresa e desespero.

–O QUÊ?! NÃO! – ela gritou em resposta.

–Fala baixo, Tenten! Quer que todo mundo saiba? – Hinata advertiu.

–N-NÃO HÁ NADA PARA SABEREM! NEJI E EU NÃO...

–Vou poupar o seu tempo e dizer que ouvi a conversa de vocês. – a Hyuuga revelou, vendo Tenten ficar completamente vermelha.

Sem saber como rebater as palavras de Hinata, a guardiã se manteve em silêncio.

–Você gosta dele? – Hinata perguntou, percebendo que a Mitsashi estava completamente paralisada de vergonha – Acorda, Tenten! – estalou os dedos na frente do rosto da garota, fazendo-a piscar – Estou te fazendo uma pergunta!

Emudecida pelo constrangimento, tudo o que Tenten conseguiu fazer foi assentir. Se Hinata sabia, o que mais lhe restava fazer? Negar? Como podia negar algo que parecia estar estampado em sua expressão? Qual o sentido de negar algo que a Hyuuga já descobrira?

–E por que não fica com ele de uma vez? – Hinata perguntou – Ele parece estar bem bravo por você não querer assumir o que sente.

–Eu sou a guardiã! – Tenten argumentou – Preciso proteger o seu primo irresponsável!

–Neji já é bem grandinho, não precisa de proteção. Você deveria tentar fazer as coisas darem certo com ele.

A Mitsashi não respondeu. Apenas ficou em silêncio, repentinamente dando-se conta de que Hinata estava sozinha com ela, conversando como nos tempos em que elas eram amigas, quando Tenten fingia estudar na mesma escola que a Hyuuga frequentava.

–Bem... – Hinata suspirou, percebendo que Tenten não iria se render – Deixei um presente em seu quarto. É um... vestido. Hanabi me ajudou a escolher, ela disse que você adorava a cor rosa... Eu achei estranho, mas ela insistiu que comprássemos um vestido rosa... – comentou, confusa. Pelo que se lembrava de Tenten, Hinata sabia que a guardiã não gostava muito de cores claras, mas como estivera enganada sobre a Mitsashi durante todo aquele tempo, achou melhor ouvir a irmã — Bem, de qualquer modo, espero que você goste.

–Eu... Eu odeio rosa. – Tenten admitiu, cada vez mais envergonhada.

–Serio? Hanabi disse que era sua cor preferida!

–É porque sua irmã é uma peste, igual ao seu primo. – a Mitsahi falou, emburrada, fazendo a Hyuuga rir. Ela fitou a morena, admirada. Há quanto tempo Hinata não falava com ela daquele jeito! – Mas não se preocupe... deve ser lindo. Irei usá-lo com certeza. Obrigada.

Hinata assentiu, sem deixar de sorrir. As duas se fitaram por um instante, e quando Tenten já estava prestes a se virar para ir embora, a Hyuuga a puxou pelo braço com força, enlaçando-a em um forte e desajeitado abraço.

–Hi... Hinata!

–Não diga nada. – a morena sussurrou – Hoje pode ser o fim ou o começo de algo muito importante... De qualquer forma, não quero enfrentar tudo isso com meu peito carregado de mágoas. Vamos deixar tudo isso para trás, tá legal?

–Me... Me... descul...

–Já chega de pedir desculpas. – Hinata interrompeu – Já chega de mágoas. Já chega de dor.

As duas permaneceram abraçadas por um instante, até que a Hyuuga se desvencilhou dos braços de Tenten. Ambas se fitaram com os olhos embaçados pelas lágrimas que não poderiam deixar cair. Elas tinham certeza de que o tempo de chorar estava prestes a chegar ao fim.

–Agora vai se arrumar com o seu vestido rosa enquanto eu tento achar a Hanabi. – Hinata falou, pigarreando. Aquela situação lhe deixara tão desconfortável que ela pensava estar atraindo para si a insensibilidade de Sasuke. Ótimo. Tanta coisa para aprender com seu mestre, ela tinha que assimilar logo aquilo? – Vou dar umas broncas nela por essa história do vestido.

–Tudo bem... E... – Tenten hesitou, sem saber se deveria continuar.

–Que foi? – a Hyuuga insistiu.

–Bem... Eu só queria... Só queria te desejar um feliz aniversário. Tenho certeza de que vai dar tudo certo. – a Mitsashi falou, vendo Hinata sorrir para ela.

–Obrigada, Tenten... – a morena murmurou, vendo a guardiã se afastar a duras e atrapalhadas pisadas.

Quando viu os carros dos amigos se afastarem, Ino entrou novamente na casa de Naruto, e em seguida fechou a porta da frente. Caminhando pela sala, ela olhou ao redor, sentindo o peito apertado. Lembrou-se das palavras que dissera a Gaara, tentando dar forças a si mesma para continuar.

Juntos. Até o fim.

Se tudo desse errado, e todos acabassem morrendo, que morressem juntos, então. Que pudessem lutar unidos até o fim, como uma família, porque foi como uma família que eles conheceram a felicidade. Se tudo acabaria naquela noite, precisavam lutar como nunca lutaram antes, precisavam fazer com que os esforços de todos valessem a pena. Até mesmo Sasuke estaria naquela festa, Ino não deixaria que Naruto fingisse que nada de muito importante estava prestes a acontecer.

–Naruto? –a loira chamou, indo para o corredor dos quartos. Tudo estava em silêncio, e por um instante, ela se questionou se o Uzumaki estava mesmo em casa. Pensando bem, ela não o vira durante todo o dia.

Ino se dirigiu até o quarto do loiro, girando a maçaneta, vendo que a porta estava destrancada. Entrou.

Naruto não estava lá.

–Naruto? – ela chamou novamente. Abriu todas as portas de todos os quartos daquele corredor. Onde ele havia se metido?

A passos apressados, a Yamanaka dirigiu-se até a varanda, pois aquele era o único local onde ela ainda não havia procurado. Estancou na porta, vendo Naruto de costas, o corpo um pouco inclinado sobre a grade de proteção, os olhos azuis fixos na rua iluminada pelos últimos raios de sol daquele dia.

–Naruto... – ela murmurou baixinho, aproximando-se a passos cautelosos.

Ino o ouviu suspirar.

–Ainda está aqui? – o loiro perguntou – Pensei que já tivesse ido para a GRANDE FESTA. – ironizou.

–E eu achei que você já estivesse pronto para ir, mas pelo visto, ainda nem trocou de roupa.

–Por que eu trocaria de roupa? – Naruto perguntou, vendo Ino parar ao seu lado – Não vou à lugar algum essa noite.

–DO QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO, IDIOTA?! – ela berrou, irada – VOCÊ VAI!

–Me deixe em paz, Ino. – Naruto resmungou, e novamente voltou o rosto para a rua, sem dar atenção ao chilique da loira.

–Por que está sendo tão teimoso e retardado?! – ela esbravejou, perdendo de vez a paciência.

Naruto novamente suspirou, permanecendo em silêncio.

–Hein, Naruto?! – Ino insistiu, irritada – Fala! Por que está sendo tão idiota?!

O Uzumaki continuou com os olhos fixos na rua como se ninguém estivesse falando com ele.

–NARUTO! – Ino gritou mais alto ainda.

–Porque se eu for para essa festa, não sei se vou conseguir deixar ela lá. – ele finalmente respondeu, mantendo a expressão tranquila, os olhos ainda fixos na rua — Naquela maldita casa, com aqueles malditos e afetados Hyuugas, com aquela maldita Pucca dos infernos e com aquele cachorro e aquele Uchiha desgraçado no pé dela o tempo todo. Ela provavelmente nem lembra mais de mim, e é melhor assim.

Ino piscou, perplexa.

–Do que está falando, idiota? – a loira perguntou, chocada, mas ao mesmo tempo com dó de Naruto – Está com ciúme do Kiba? Ou está sentindo raiva porque Hinata escolheu Sasuke como mestre, em vez de ter escolhido você?

–Vá embora daqui, Ino. – Naruto pediu tranquilamente. A loira estava falando coisas que ele não queria ouvir, como se já não bastasse a dor com a qual tinha que lidar. Naruto não precisava que alguém ficasse lhe azucrinando o juízo ainda mais.

–Kiba está ao lado dela sempre porque eles são amigos e para ele é menos arriscado estar lá. –A Yamanaka prosseguiu, ignorando o pedido do loiro — Eu sei que você fez uma escolha difícil, mas você está sofrendo, está se despedaçando, e isso não tem te ajudado em nada. Com a Hinata, você é mais forte. Com ela do nosso lado, podemos vencer.

–É melhor para ela ficar com a família.

–A família da Hinata somos nós. Você sabe que...

–O que eu sei é que estou tentando me convencer a cada dia de que foi melhor ter feito ela ir embora, porque se eu estiver errado, vou enlouquecer, entendeu?! – Naruto interrompeu, perdendo de vez a paciência, sua voz soando como o murmúrio agoniado de um animal ferido – Não adianta você, o Gaara, ou o caralho a quatro vir aqui e me dizer que eu tô enganado, que eu tô sofrendo, porque porra! Eu já sei disso! Mas é tarde, beleza? Ela foi embora, e eu não quero ter que ouvir que talvez ela sinta minha falta, porque eu vou acabar fazendo uma loucura e trazendo ela de volta a força. Vou acabar amarrando ela aqui e matando todos os Hyuugas que quiserem vir toma-la de mim, porque eu não tô aguentando mais!

Ela, ela, ela... – Ino imitou a voz do Uzumaki — Por que você não chama o nome dela, Naruto? Ela se chama Hinata. – falou, provocando – Hinata é a mulher por quem você se apaix...

–Ino. – Naruto rosnou, encarando-a furiosamente – Pare. Agora. – sibilou.

–Por quê? – ela questionou, querendo provoca-lo um pouco mais. Iria convence-lo a ir àquela festa, e se precisasse desperta-lo daquele torpor em que ele se encontrava, era isso que a loira faria – Hinata é a mulher que você ama!

–PARE COM ISSO, INFERNO! – Naruto gritou, transtornado. Sem perceber, ele apertava a grade com tanta força que o ferro já começava a se contorcer sob o aperto de seus dedos.

Ino deu um passo para trás, fitando o amigo com preocupação. Ela sabia o quanto o amor podia ser um sentimento perigoso, devastador... Só não imaginava que Naruto já estivesse completamente perdido daquela maneira.

Sem saber, Hinata conseguira deixar um grande buraco no coração do Uzumaki.

Compreendendo que tudo aquilo era mais complicado do que imaginara, Ino suspirou. De nada adiantaria tentar tirar as vendas de Naruto quando o que havia para ser visto era tão obscuro e incerto. Ela não o torturaria mais.

–Desculpe... – Ino pediu, aproximando-se novamente do loiro – Se decidir ir, estaremos esperando por você, para lutarmos juntos. Como uma família. Amo você. – falou, para em seguida depositar um beijo na bochecha de Naruto.

Ele fechou os olhos, sem querer ver a irmã se afastar. Merda... Por que aquilo estava acontecendo? Por que tudo tinha que ser tão difícil?

Antes de partir, Ino pôde ouvir o sussurro fraco de Naruto abafado pelo vento que soprava na varada.

–Também amo você, Ino... Amo todos vocês...

“Bem, você sabe que eu preciso de você

Mais do que do ar que respiro

E eu acho que estou tentando te dizer, mulher

O que você significa para mim

Eu estou tentando te dizer que te amo

De todas as formas

Eu estou tentando te dizer que preciso de você

Muito mais do que um pedaço da perna

Oh, baby, eu te amo

o que mais posso dizer?

Baby, preciso do seu doce amor

Sinto sua falta cada dia mais”

I Need You – Lynyrd Skynyrd


Sozinho em casa, Naruto olhou para a rua vazia uma última vez. Aquela varanda era o lugar para onde ele ia quando queria pensar, desanuviar a mente, mas tudo estava tão obscurecido em sua cabeça que era impossível raciocinar direito. Desistindo, ele voltou para dentro, dirigindo-se até a adega. Encheu um copo de vodka, lembrando-se da Garganta Del Diablo. Não havia bebida como aquela que experimentara no bar de Tayuya, mas por hora, a vodka era suficiente.

Com o copo cheio em uma das mãos, ele caminhou pela sala, ouvindo os próprios passos ecoarem pela casa vazia. Naruto se sentia solitário agora, mas sabia que mesmo que a casa estivesse cheia de gente, se ela não estivesse ali, ele se sentiria sozinho mesmo que fosse rodeado por uma multidão.

O loiro sorriu minimamente, a expressão amargurada, lembrando-se de tudo o que havia descoberto, das perdas que teve que suportar, do peso que carregava. Lembrou-se do poder de Hinata, e de como os dois estavam destinados a se destruírem. Repentinamente, ele se lembrou também das palavras que Kyuubi lhe dissera sobre a Hyuuga, muito tempo atrás.

“Existe algo naquela garota que pode lhe causar uma dor maior do que a que experimentamos hoje. Tome cuidado”, o Bijuu o havia alertado.

–Agora entendo o porquê de você me mandar ter cuidado com ela... – Naruto murmurou para Kurama.

O Bijuu bufou em sua mente, revirando os olhos.

“Quando eu disse isso, não estava me referindo ao poder de Hinata.”

–E do que você estava falando, afinal? – o loiro perguntou, confuso.

Kurama suspirou. Por que diabos Naruto tinha que ser tão lento?

“Quando eu disse que havia algo em Hinata que poderia lhe causar uma grande dor, me referi ao tipo de dor que você está sentindo agora.”, a Kyuubi esclareceu. “Meu pedido de que você tomasse cuidado era porque eu já podia sentir seu coração mudando... já sabia que você estava se apaixonando por ela.”

Foi a vez de Naruto revirar os olhos. Será que todos haviam resolvido lhe encher a paciência naquele dia? Ele já sabia que estava completamente fodido, não precisava que ficassem esfregando isso em sua cara.

O loiro tomou um gole da vodka e depositou o copo sobre a mesinha de centro, deixando-o pela metade. Passou as mãos pelo rosto, suspirando. Concentrou-se em selar Kurama em sua mente, pois não poderia suportá-la tagarelando em meio aos seus pensamentos, não naquela noite. Em seguida, dirigiu-se até o corredor dos quartos, a fim de ir para sua cama e tentar dormir. Já estava se habituando aos vários comprimidos que tomava para forçar o sono – eles não funcionavam direito por causa de Kurama, e também porque ele não parava de beber, então a solução era tomar vários de uma só vez, na esperança de que, mais cedo ou mais tarde, fizessem algum efeito. Apenas assim ele estava conseguindo dormir, mesmo que, quando acordasse, se sentisse tão cansado e abatido quanto estava quando fora deitar.

Porém, passar por aquele corredor era sempre algo terrível para Naruto. Para chegar até seu quarto, era necessário passar pela porta do quarto de Hinata, e aquilo sempre acabava se tornando um problema.

Naruto já havia se impedido de entrar ali. Primeiro, através de pura determinação, mas aquele plano não deu muito certo. Ele era fraco em se tratando de Hinata. Tentou, então, trancar o quarto e jogar a chave fora. Claro que aquele plano também se tornou um fiasco na noite em que, desesperado, ele arrombou a porta do quarto apenas para torturar-se com a lembrança de Hinata ali. Por várias vezes Naruto mandara recolocar uma nova fechadura, ou uma nova porta naquele quarto, e por várias vezes ele acabava cedendo ao impulso de entrar no lugar que um dia pertenceu à Hyuuga. Chegou até mesmo a pensar em pedir a Ino que colocasse um selo especial naquele quarto que o impedisse de entrar, porém, ele não queria conversar sobre aquilo com ninguém – porque era algo doentio e Naruto bem sabia que estava começando a ficar obcecado com a lembrança da morena – e também porque ele daria um jeito de entrar, nem que aquilo o matasse. Como já o estava matando.

Ao passar pela porta, ele suspirou. Olhou para a fechadura esfolada – já havia desistido de mandar trancar o quarto, tantas foram as vezes em que forçara a entrada ali – e empurrou a porta levemente. Tudo estava intacto, como se Hinata fosse sair do banheiro a qualquer momento e ruborizar ao vê-lo encará-la descaradamente. Naruto relembrava, noite após noite – e aquilo já havia virado um hábito inconsciente – a voz da morena em sua mente, e desesperava-lhe perceber que as lembranças estavam começando a se perder. Porém, ele tentava se convencer de que seria melhor assim. Seria melhor esquecer-se de tudo aquilo, simplesmente fazer de conta que nada aconteceu.

Yugito dissera que ele tinha um coração forte. Naruto, por sua vez, via a si mesmo como o mais fraco dos homens.

Olhou para o quarto mais uma vez. Pensou em Sasuke, e em como ele estaria se saindo como mestre. Mestre. Naruto mal podia acreditar que Hinata escolhera o Uchiha para ensiná-la, mas era compreensível. Sasuke era habilidoso e poderoso, de uma forma ou de outra ele saberia conduzir a evolução da Hyuuga. Ino estava certa: Naruto se sentia um pouco enciumado, mas ele também sabia que não entendia nada de poderes oculares, de controle de poder, ou coisas do gênero. O Uzumaki praticara meditação por anos para aprender a controlar o chakra negro de Kyuubi e ainda não tinha certeza se dominava por completo o grande poder que circulava dentro de si. Ele não seria um bom mestre para Hinata, de qualquer forma.

Mas havia o cachorro.

O cachorro lhe preocupava de uma maneira que não havia explicação. Sim, Kiba havia se tornado um problema a mais desde que Naruto soube que o Inuzuka não saia da mansão dos Hyuugas. O que diabos ele tanto fazia lá? Por que Kiba simplesmente não era atingido por um raio? Dessa maneira, Naruto se pouparia do trabalho de ter que mata-lo.

O loiro sacudiu a cabeça, tentando espantar aqueles pensamentos. Kiba era um amigo. Não podia deixar-se levar pela fúria ou pelo ciúme. Não podia simplesmente mata-lo, mas se pudesse... Não, não podia. Naruto passou as mãos pelo rosto, tentando tirar aqueles pensamentos da cabeça.

–Estou ficando maluco... – murmurou consigo mesmo, entrando no quarto de Hinata.

O cheiro da Hyuuga já havia se esvaído quase que completamente daquele lugar, mas Naruto ainda se lembrava perfeitamente da essência embriagante que apenas ela emanava. Os lençóis ainda guardavam um pouco do perfume da morena, mas Naruto se proibira de tocá-los. Já era difícil o bastante estar naquele quarto, não precisava de mais tentações que o empurrassem na direção da insanidade. Naruto sentia que já estava próximo o suficiente de considerar-se louco.

Mas... Ele já estava ali, não é mesmo? E se ele nunca mais a visse? E se ele nunca mais pudesse tocá-la, se nunca mais pudesse sentir aquele cheiro que o enlouquecia, se nunca pudesse dizer a ela como se sentia de verdade?

E se Orochimaru comparecesse à festa? E se algo desse errado?

Ele já estava ali, não é mesmo? O que custava render-se à insanidade, só um pouco, só por um instante?

O loiro tocou os lençóis, vendo a si mesmo na beira do precipício onde ele sempre esteve.

As lembranças da noite em que teve Hinata em seus braços pela primeira vez invadiram a mente de Naruto, fazendo-o fechar os olhos, como se pudesse ouvir as palavras da morena ao pé de seu ouvido.

“Sei que você está sempre caminhando na beira de um precipício, mas se você pular, eu pulo com você. Então é melhor que me dê a mão e que me leve junto. Se não me levar, eu vou de qualquer maneira. Então... diga que me quer por perto. Me leve junto com você. Eu não me importo de cair”

Naruto abriu os olhos, sentindo um arrepio percorrer sua espinha, o coração apertado de forma sufocante. Passou novamente as mãos pelo rosto, como se quisesse organizar os pensamentos.

Rapidamente, ele saiu do quarto de Hinata, apressando-se na direção da sala. Pegou a mesma jaqueta preta que usara no dia de seu aniversário, jogando-a por cima do ombro. Parou em frente a porta, respirando profundamente, ponderando sobre o que estava prestes a fazer.

E se ela não quisesse vê-lo? E se ela o mandasse embora? E se ela o rejeitasse?

–Ah, que se foda. – ele falou, antes de pegar as chaves do carro e apressar-se em direção à saída.

Se fosse por ela, Naruto também não se importava em cair.

Notas finais
Oi! E ai? Gostaram? que acharam das músicas? Foi ótimo poder retratar um pouco dos sentimentos de quase todo mundo nesse capítulo, e dar um pouco mais de foco ao amadurecimento da Hinata e à como o Naruto está se sentindo. E o que podemos dizer do Sasuke, minha gente? Ele também amadureceu... O que esse Uchiha pretende fazer, afinal? Todos estão com medo, mas pretendem lutar juntos, e pelo jeito, até o Narutim vai dar uma passada na mansão Hyuuga xD Olha ai as palavras da Kyuubi finalmente ganhando sentido... xD Gaara está pra ter um infarto de ansiedade para ver a Hinata. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Neji, quê que é isso, meu filho! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Agora vocês puderam entender porque ele implica tanto com o fato de a Tenten ser a guardiã e estar sempre armada xD Tinha treta aí também! Os dois se pegam de vez em quando. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Hanabi sendo Hanabi. Pestinha que só ela xD Acho que os homens dessa fic não são muito chegados em gravata. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk E olha o Itachi aparecendo de novo! xD Prevejo corações batendo forte e com grandes expectativas para o reencontro NaruHina, hihihihihihi Bom... Espero que tenham gostado do capítulo, então não esqueçam de comentar, tá? E um Special Thanks do tamanho desse mundo todo para o galerê-san que não deixa de comentar em um capítulo sequer! Amo vocês! Até o próximo xD Bjks!