Paraíso Sombrio

45 Mais que a minha própria vida


Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Antes de qualquer, preciso dizer: obrigada, galerê-san! Poxa, eu fiquei muito feliz com o retorno que tive sobre o capítulo passado. Havia mesmo muita pressão a respeito do reencontro NaruHiniano, e saber que todos gostaram me deixa muito feliz. Muito obrigada, mesmo! Como vou tagarelar muito nas notas finais de hoje, não vou me estender muito por aqui. Vamos para a trilha sonora! A primeira canção é uma das minhas músicas preferidas do Radiohead. Porque Radiohead é vida. kkkkkkk Ela se chama Karma Police, e é uma música relativamente curta, então vocês terão que repeti-la algumas vezes na cena em que ela será utilizada, se quiserem. http://www.youtube.com/watch?v=lZHoci2Wjs0 A segunda música é o verdadeiro foco do capítulo de hoje, e peço, por favor, por favorzinho, que ouçam. É da Agnes Obel, uma artista cuja musicalidade está além do que as palavras podem descrever. A música se chama Aventine, e dá o contexto exato na cena (fofíssima) em que irei utilizá-la, e tentei adequá-la ao tempo certo, então façam essa autora-san feliz e escutem, tá? https://www.youtube.com/watch?v=VBLCqJNPoBw Bom... tenho coisas importantes a dizer nas notas finais, então peço que leiam com atenção. Dedico este capítulo aos corações NaruHinianos e aos SaiDeidarianos também (“ALELUIA, HEIN, AUTORA-SAN!”) Pois é! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!



–Droga de casa grande... – Kiba resmungava enquanto caminhava a passos apressados pelos corredores da mansão Hyuuga. Onde inferno Hinata havia se metido? Por que aquela casa tinha que ser tão imensa? Ele sempre acabava se perdendo ali dentro...

–Tá procurando alguém? – a voz fininha soou pelo corredor, fazendo o Inuzuka pular de susto.

Ele olhou para trás, vendo a cabeça de Hanabi inclinada para fora do quarto pelo qual o rapaz passara em frente sem ousar pensar em bater na porta. Nas últimas semanas, Kiba se esforçara ao máximo para manter os pensamentos distantes daquela garota, mas seus planos não funcionaram como ele imaginara, principalmente porque Hanabi vivia aparecendo do nada, fazendo seu coração acelerar de maneira involuntária.

Kiba tentava, a todo custo, se convencer de que o martelar em seus ouvidos se devia ao susto que levava a cada vez em que a Hyuuga mais nova aparecia, e não aos sentimentos que ele sentia esgueirando-se dentro de seu peito.

–Você vai me matar qualquer dia desses, Hanabi... – o moreno resmungou, estreitando os olhos na direção do sorriso sapeca da garota. – Viu a Hinata por ai?

–Acho que ela deve ter descido para o salão. – a Hyuuga respondeu.

O Inuzuka assentiu, prestes a dar meia volta e apressar-se em sair dali antes que acabasse fazendo alguma estupidez. Não gostaria nem de imaginar as provocações de Hinata se ela soubesse de um terço dos pensamentos que andava tendo a respeito de Hanabi. Kiba achava que já tinha problemas demais – não precisava arranjar mais sarna para se coçar.

–Ei, espera. – a garota pediu, vendo o moreno virar-se novamente para ela e suspirar, impaciente – Será que você pode me ajudar com uma coisa?

Kiba estreitou os olhos. Os dias que passou na mansão acabaram por ensinar-lhe que Hanabi era uma pestinha traiçoeira, e não era bom ficar sozinho com ela, pois a garota acabava convencendo-o a fazer tudo o que ela queria.

–Ajudar com o quê? – ele perguntou, desconfiado.

–Vem aqui e eu mostro pra você. – ela pediu, e Kiba viu a cabeça da garota sumir para dentro do quarto.

Ele continuou parado no corredor. Não iria entrar no quarto de Hanabi.

–Você não vem? – o grito da garota ecoou pelo corredor.

O rapaz bufou.

–É melhor eu ficar por aqui mesmo... – ele resmungou, coçando a cabeça, começando a sentir a aflição dominar seus pensamentos.

–Kiba! – Hanabi gritou, indignada – Eu não mordo, não! Só quero que me ajude com uma coisa!

O Inuzuka esfregou as mãos no rosto, percebendo que a única solução era aproveitar que a Hyuuga estava dentro do quarto e sair dali de fininho. Hanabi havia colocado apenas a cabeça para fora do quarto, e do jeito que aquela garota era maluca, Kiba não estranharia se ela estivesse nua e quisesse pregar-lhe uma peça apenas para se divertir com a expressão embasbacada que com certeza estamparia seu rosto.

Sem conseguir controlar aqueles pensamentos, ele balançou a cabeça, reprimindo-se mentalmente.

–Kiiibaaaa... – Hanabi choramingou dentro do quarto.

Oh, céus. Como aquela garota acabava sempre convencendo-o a fazer o que ela queria?

Praguejando mentalmente sobre aquela situação, o rapaz entrou no quarto, fechando a porta atrás de si. Olhou para Hanabi, suspirando aliviado – e um pouco decepcionado – ao vê-la vestida.

–Por que demorou tanto? – ela o fitou com os olhos perolados estreitos, a voz soando como uma acusação.

–O que você quer, Hanabi? – Kiba questionou, sem responder à pergunta da morena. Seus olhos estavam fixos na figura da garota, que usava um vestido branco que ia até os joelhos, a saia um pouco rodada e decorada com detalhes dourados. Os cabelos soltos caiam em cascatas negras sobre os ombros, e o rapaz coçou a cabeça novamente, sentindo algo em seu peito se agitar de maneira desconfortável.

Ela suspirou, exibindo ao Inuzuka uma expressão desolada.

–Não consigo subir a droga desse zíper! – Hanabi alarmou, virando as costas para Kiba. Afastou os cabelos e os ajeitou sobre um dos ombros, deixando o zíper aberto à mostra – Talvez eu esteja gorda. – resmungou, parecendo triste.

Paralisado ao ver a pele das costas de Hanabi totalmente exposta pelo zíper aberto, o rapaz não conseguiu se mover um milímetro sequer. Mentalmente, Kiba xingou a si mesmo por ter entrado ali.

–E então? – a morena perguntou, ainda de costas.

Tentando se concentrar no momento presente, o rapaz se aproximou de Hanabi, os dedos tateando o zíper com cuidado. Esforçou-se para não fixar seus olhos na pele pálida da garota e logo tratou de fechar o vestido. Devagar, suas mãos conduziram o zíper para cima.

–Esse é o momento em que você diz que não estou gorda. – ela resmungou, ainda parecendo desolada.

Kiba riu.

–Você não está gorda. – ele murmurou – Está perfeita. – disse, percebendo a pele da garota se arrepiar sob seu toque quando enfim terminou de fechar o zíper.

Constrangido, Kiba deu um passo para trás, vendo-a virar-se para ele.

–Obrigada. – Hanabi sorriu, percebendo o leve rubor que tingia as bochechas do Inuzuka. Resolveu mudar de assunto – Bom... Parece que estamos prestes a enfrentar um inimigo perigoso, não é?

A expressão de Kiba mudou de constrangida para confusa.

–Como assim, “estamos”? Você não está pensando que vai ficar no meio da confusão, está? – ele questionou, chocado.

–Claro que vou. – Hanabi rebateu, colocando as mãos na cintura. Sua expressão era estampada pela indignação – Hinata vai precisar de toda a ajuda possível, e eu estarei lá para lutar ao lado dela. Por que está me olhando assim?

–Você enlouqueceu, garota. – Kiba falou, incrédulo – Sem chance de você arriscar sua vida no meio da batalha.

A fúria se fez presente no rosto de Hanabi quando ela respondeu.

–Com quem pensa que está falando?! – ela perguntou, contendo-se para não gritar – Eu sou uma herdeira do clã Hyuuga!

–E daí? – Kiba rebateu – Tô nem ai pro seu clã, tô nem ai que você tem o byakugan, você não vai!

–Quem vai me impedir? Você? – Hanabi questionou, erguendo uma sobrancelha. Estava prestes a soltar uma risada de deboche quando sentiu sua nuca ser atingida por um baque surdo e viu tudo ao seu redor virar borrão.

–Eu mesmo. – Kiba murmurou, segurando o corpo desmaiado da Hyuuga – Desculpe, Hanabi... – pediu, sentindo seu coração se encher de remorso por ter golpeado a garota – Mas preciso de um motivo para voltar vivo dessa luta e não posso correr o risco de perder você, pestinha.

Certo de que havia tomado uma atitude egoísta e que se não morresse no meio da batalha, Hanabi o mataria quando ele voltasse, Kiba depositou o corpo da morena na cama e apressou-se em sair do quarto. Trancou a porta, descendo as escadas correndo.

Precisava achar Hinata.

Perguntando a si mesmo como deveriam estar seguindo as coisas para Naruto e Hinata, Gaara mal percebeu Ino chegar e cutucar seu ombro. Surpreso, ele se virou para ela, encarando-a com uma expressão contente.

–Onde você tava, Ino? – Gaara perguntou, percebendo a expressão cansada da loira – Você conseguiu! O Naruto veio!

–O quê? – ela se controlou para não gritar de indignação – Quando foi que ele chegou? Não acredito que eu perdi isso! Cadê a Hinata? Ela já viu ele?

–Pelas pancadas que eu ouvi vindo de dentro da mansão, provavelmente o Naruto derrubou tudo até achar ela. – o ruivo comentou, desgostoso – Mas onde é que você tava?

–Procurando o maldito Uchiha! Onde inferno ele se meteu? E a Sakura também sumiu!

–Se acalma, tá legal? – Gaara pediu, agarrando a Yamanaka pelos ombros com firmeza – Ei... – murmurou, repentinamente se lembrando de algo — Cadê o Sai? – perguntou, reparando o sumiço do rapaz – Também não vi o Deidara... Eles não podem sumir agora, precisamos deles para...

Ino arregalou os olhos, o rosto ficando lívido por um instante.

–NÃO! – ela gritou, fazendo Gaara tapar os ouvidos – NÃO PODE SER! O SAI NÃO FARIA UMA COISA DESSAS!

–Não faria o quê? – Gaara perguntou, confuso, encarando a expressão pasma da loira – Ino?

A loira esfregou as mãos no rosto, a fim de se livrar daqueles pensamentos. Talvez estivesse errada, talvez Sai e Deidara tivessem sumido apenas para organizar o plano, conforme o que Shikamaru havia instruído.

Sem responder à pergunta de Gaara, Ino agarrou a mão do ruivo, arrastando-o para o outro lado do salão.

–Vamos achar esse Uchiha maldito! – ela decidiu, obrigando Gaara a acompanha-la – Está quase na hora!

“Por um minuto

Eu me perdi... eu me perdi...”

Karma Police — Radiohead

Paraíso.

Naruto estava certo de que estava no paraíso, pois nada terreno poderia se comparar à maciez dos lábios que o beijavam, ou ao toque delicado que sentia em sua pele. E embora ele quisesse fixar os olhos no rosto de Hinata, maravilhado pela visão de tê-la tão perto de si, suas pálpebras se fecharam de maneira involuntária, permitindo-o aproveitar a sede que tinha da boca daquela que havia se transformado em uma grande mulher.

A sua mulher.

Com aquela certeza, ele não demorou a agarra-la pela cintura, dando um passo a frente, fazendo Hinata cambalear para trás. Sentiu os dedos dela se entrelaçarem com firmeza em seus cabelos, e forçou a boca um pouco mais na dela, seu coração se agitando dentro do peito ao perceber que ela também o queria, que a saudade fazia com que a morena tivesse tanta necessidade dele quanto ele tinha dela.

O loiro afastou os lábios dos dela, apoiando a testa na de Hinata. Seus olhos se fixaram na luz da lua refletida nos orbes perolados à sua frente.

–Estou sonhando... – ele murmurou, respirando com dificuldade.

–Estou aqui. – Hinata garantiu, pegando as mãos de Naruto e conduzindo-as até seu rosto – Não é um sonho, é real. Estou aqui.

O loiro tocou o rosto da Hyuuga, certo de que não poderia existir nada mais perfeito do que ela, do que aqueles olhos que o fitavam com doçura, do que os lábios que se curvavam em um pequeno sorriso. Como ela podia parecer tão frágil e ao mesmo tempo ser tão forte?

–Você é linda demais pra ser real... – Naruto falou, sentindo a pele sob seus dedos esquentarem. A morena baixou um pouco o rosto, corando – Algumas coisas nunca mudam, não é? – perguntou, sorrindo ao ver as bochechas de Hinata serem tingidas por um leve rubor.

Ela apertou os dedos no tecido da jaqueta de Naruto, puxando-o ainda mais para perto, e o loiro roçou os lábios nos dela, para em seguida morder a pele pálida do queixo de Hinata, ouvindo-a suspirar.

–Se-senti sua falta... – ela murmurou, sentindo a boca de Naruto descer por seu pescoço, dificultando sua concentração, desordenando seus pensamentos.

Naruto não conseguiu responder. Tinha certeza de que estava sonhando.

Ele arrastou a língua pelo pescoço de Hinata, sentindo o sabor e o cheiro daquela pele pálida lhe embriagarem os sentidos. Enlaçou a cintura da Hyuuga, apertando-a ainda mais contra si.

–Diga. – o loiro pediu, os lábios colados na orelha da garota, fazendo-a estremecer – Diga outra vez.

Hinata vasculhou sua mente em busca da última coisa que falara, tentando se lembrar também de como respirar.

–Senti sua falta... – ela murmurou debilmente.

–Isso não. – Naruto insistiu, tirando a fivela que prendia os cabelos de Hinata, deixando-os soltos. Os fios negros caíram sobre os ombros da garota, balançando com o vento que entrava pela janela quebrada – Você sabe o que eu quero ouvir. Diga para mim outra vez.

Repentinamente, Hinata se lembrou. Suspirou, sentindo as mãos de Naruto baixarem as alças de seu vestido, tocando seus ombros com delicadeza, como se ela fosse algo muito precioso. Sua mente a alertou vagamente para a fivela de diamantes que o loiro havia jogado para longe, mas ela não conseguia se importar com aquilo quando sentia a respiração de Naruto sobre sua pele daquela maneira.

–Eu... – ela tentou, sentindo o vestido deslizar por seu corpo e cair aos seus pés – Eu amo você. Mais que minha própria vida. – enfim conseguiu dizer.

Naruto ergueu o rosto para encará-la, enquanto se livrava da jaqueta.

–Dessa vez você não me chamou de “loiro bastardo”. – ele falou, exibindo um sorriso torto.

–Ah, desculpe. – a morena pediu, sorrindo de volta, fechando os olhos ao sentir as mãos dele tocando seus seios com delicadeza – A-amo vo-você, loiro bastardo.

O Uzumaki riu, deslizando as mãos pelas costas da garota, trazendo-a novamente para si. Apertou a cintura nua de Hinata, fitando-a com carinho.

–Isso era tudo o que eu precisava saber... – ele murmurou, afundando o rosto no pescoço da morena — Precisava ter certeza de que você estava aqui pensando em mim, e não tentando me esquecer, e era isso que me enlouquecia...

–Idiota... – Hinata riu fracamente dos devaneios de Naruto. Como ele podia duvidar do que ela sentia?

Mas antes que pudesse argumentar a respeito, a morena sentiu Naruto tomar seus lábios em um beijo intenso, sua língua sendo sugada com força, e ela gemeu contra a boca de Naruto ao perceber as mãos dele apertarem-lhe os seios. Parecia que cada terminação nervosa de seu corpo estava desperta, ansiando tanto pelo toque do loiro que chegava a doer que ele demorasse tanto a abraça-la.

Sem hesitar, os dedos da Hyuuga agarraram a barra da camisa de Naruto, puxando-a para cima. Ele se afastou dela por um segundo, abrindo caminho para que a roupa fosse tirada de si, arremessando-a para longe, sem demorar a grudar novamente os lábios nos de Hinata. Sem parar para pensar no que fazia, ele ergueu a morena pelas coxas, encaixando as pernas dela em seu quadril, chocando as costas de Hinata com força de encontro à parede. Sedenta, sua boca descia pelo pescoço da garota até chegar aos seios, que ele sugou com vontade, sentindo-a puxar seus cabelos novamente. A Hyuuga arqueou as costas, oferecendo o busto para que Naruto se satisfizesse, ansiando que a boca dele explorasse todo o seu corpo, desejando que os lábios dele jamais deixassem sua pele. Apertando os lábios, reprimindo um gemido, ela fechou os olhos, sentindo a própria mente ser enevoada pelo desejo, enquanto a boca de Naruto continuava a sugar seus seios, enquanto as mãos fortes do loiro continuavam a apertar seu quadril de encontro ao dele, como se pudessem fundir-se um ao outro ao se tocarem, como se não houvesse mais nada além deles dois, naquele quarto, nada mais além da lua que brilhava para iluminar os corpos que mais uma vez se abraçavam, como se finalmente pudessem retornar para o lugar de onde nunca deveriam ter saído.

A mente de Naruto também era tomada por aquelas certezas. Nos braços de Hinata era o seu lugar.

Ela se sentia quente, mas era uma sensação diferente daquela que denunciava o rubor em seu rosto. O calor que se alastrava por seu corpo vinha dos lábios e das mãos de Naruto, que a exploravam com maestria, como se ele, de fato, se lembrasse perfeitamente de cada curva sua, de cada centímetro de sua pele. Quando sentiu os dedos dele puxarem, com força, a renda da única peça de roupa que ela ainda usava, fazendo o eco do tecido sendo rasgado ecoar pelo quarto, a morena não reclamou. Pelo contrário, ela achava até que Naruto havia demorado demais a livrá-la da calcinha incômoda...

Hinata desprendeu as pernas da cintura dele, fixando os pés no chão, alcançando novamente a boca de Naruto, sentindo as mãos do loiro apertarem seu quadril com força de encontro ao dele. Repentinamente, Hinata empurrou os ombros do loiro para baixo, obrigando-o a sentar no chão, e ela não demorou a se acomodar sobre ele, os cabelos compridos caindo sobre o rosto de Naruto como cortinas negras enquanto ela o beijava e rebolava sobre o jeans que ele ainda usava. Os dedos ansiosos de Hinata moveram-se até a calça, desabotoando-a e puxando-a para baixo junto com a cueca.

Enfim livres de todas as peças de roupas, os dois se abraçaram, sentindo os corpos modelarem-se com perfeição nas curvas um do outro, as bocas sem se desgrudar uma da outra por um instante sequer. Tendo um ao outro, para que precisariam de oxigênio?

Ela logo o empurrou pelos ombros novamente, obrigando-o a deitar sobre o piso gelado. Naruto sorriu ao sentir os lábios dela acariciarem seu peito, enquanto entrelaçava os dedos nos cabelos negros da Hyuuga. Quando ela havia ficado tão decidida, tão maliciosa? Quando foi que Hinata aprendeu a dominá-lo daquela maneira?

Ela ficou de joelhos, inclinando-se sobre o corpo do loiro, procurando a boca dele, mas Naruto logo a puxou de volta, obrigando-a a se sentar sobre seu quadril, as mãos apertando com força as coxas pálidas até que seus dedos ficassem marcados na pele da garota em manchas avermelhadas. Ela novamente rebolou, cravando as unhas nos ombros de Naruto e gemendo alto de encontro aos lábios do Uzumaki quando ele tocou sua intimidade encharcada.

Sem conseguir mais se conter, o loiro rolou o corpo sobre Hinata, fazendo com que ela se deitasse no chão. Os cabelos negros da morena se estenderam pelo piso, e fascinado com tanta beleza, ele os tocou.

–Você é tão linda... – ele murmurou, os olhos fixos no rosto de Hinata – Tão linda que é difícil acreditar que não estou sonhando. – disse, os lábios alcançando o pescoço da garota enquanto suas mãos apertavam as coxas dela, encaixando-as em seu quadril. Roçou o membro rígido pela intimidade de Hinata, apertando os lábios para não gemer.

A Hyuuga deslizou os dedos pelo peito de Naruto, sentindo-o estremecer sob seu toque. Como ele podia falar que ela era linda quando parecia ter sido esculpido através das formas mais perfeitas do mundo?

–Estamos acordados. – ela insistiu – Se eu estivesse sonhando, provavelmente você já teria dito que me am...

–Mais que minha própria vida. – Naruto a interrompeu, calando-a com um beijo e estocando-a de uma só vez, sentindo a morena se contorcer sob seu corpo.

As coxas de Hinata apertaram o quadril do loiro, a intimidade latejando ao redor do membro que a estocava com força ritmada, uma, duas, dez, cem vezes, embaçando os sentidos de ambos. As mãos de Hinata desceram até a cintura de Naruto, e ela o apertou ainda mais contra si, ansiando que ele entrasse nela com ainda mais força, porque sua saudade parecia nunca ser sanada, porque o corpo dele parecia ter sido feito para entrelaçar-se ao seu, porque ela tinha certeza de que não havia ninguém, no mundo todo, capaz de tocar seu corpo, seu coração e sua alma daquela maneira.

Naruto tocou o rosto da morena com carinho, sem nunca parar de estoca-la com força, sem nunca separar os lábios dos dela. Sentia os seios de Hinata espremidos contra seu peito, o quadril da garota movendo-se de forma ritmada de encontro ao seu, subindo e descendo, implorando que ele nunca saísse de dentro dela, ansiando por cada toque, cada estocada, cada beijo que ele depositava no corpo que agora era mais seu do que nunca. E quando os dois foram atingidos pelo orgasmo violento que fez o corpo de ambos se agitarem, suas bocas unidas abafaram o som dos gemidos, enquanto Naruto e Hinata se abraçavam, iluminados pela luz da lua que iluminava o chão do quarto onde eles finalmente reencontravam o próprio destino.

Quando enfim desgrudaram os lábios um do outro, Naruto fitou os olhos embaçados da morena, passando os dedos na testa da garota, a fim de apanhar a gota de suor que descia. Respirando com dificuldade, ele sorriu para ela, vendo-a sorrir de volta, a expressão cansada, mas feliz e satisfeita.

Ela tinha razão... Naruto estava acordado. Era real.

E como a realidade era linda...

–Será... – Hinata murmurou, tentando recuperar o fôlego — Será que algum dia vamos fazer isso em uma cama? – ela perguntou, rindo – Primeiro no jardim, e agora... – ela não concluiu a frase, sentindo-se corar.

–Pra mim não interessa “onde”. – Naruto respondeu, sorrindo – Desde que seja com você. Pra sempre.

O sorriso da morena se alargou, e ela enlaçou o pescoço do Uzumaki, puxando o rosto dele para perto.

–Podemos começar o “pra sempre” agora? – Hinata perguntou, roçando as coxas no quadril do loiro, vendo-o morder o lábio inferior.

Naruto novamente a beijou, e quando sentiu os dedos da morena descendo sobre suas costas, ele gemeu baixinho, prestes a perder o controle sob o mero toque de Hinata. Apenas a visão do corpo dela sob o seu já era enlouquecedora o suficiente, mas perceber o quanto ela o queria lhe dava uma sensação de felicidade desconhecida.

–Feliz aniversário, amor... – ele murmurou de encontro aos lábios de Hinata, vendo-a fechar os olhos – Eu te amo... – disse, enfim, dando à sua morena o melhor presente que ela poderia receber àquela noite.

Sem perder mais tempo, os dois entrelaçaram-se novamente um ao outro.

No céu, a lua brilhava intensamente, como se iluminasse o mundo só para eles.

–Para onde está me levando, Sasuke? – Sakura questionou pela milésima vez, sentindo-se ser arrastada pelo moreno para longe do salão.

Os dois se embrenhavam na vegetação espessa do grande jardim, e a Haruno via a mansão distanciar-se cada vez mais de onde ela estava, até sumir completamente de seu campo de visão.

–Quero te contar sobre o plano. – Sasuke respondeu vagamente, sem se importar com a relutância da rosada.

Os dois enfim pararam sob uma árvore enorme, e Sakura encolheu os braços, defendendo-se do frio que se alastrava pelo jardim, sentindo o vento gelado daquela noite balançar as folhas ao seu redor.

–Pra que precisava me arrastar pra cá? – ela questionou, desconfiada – Qual a droga do plano?

–O plano é o seguinte. – Sasuke começou, encarando a rosada sob as luzes da festa que piscavam um pouco distantes dali – Você vai ficar aqui quietinha enquanto eu vou pra lá e resolvo tudo.

–COMO É?! – Sakura gritou, indignada.

O Uchiha suspirou, impaciente.

–Sakura, tenta entender que você é a curadora e...

–Eu não quero saber desse seu papo furado de que eu não posso me ferir! – ela interrompeu, fitando o moreno com uma expressão irritada – Eu não sou uma simples curadora, Sasuke! Eu posso lutar!

–Eu sei que você pode. – o Uchiha falou, e seu tom era entediado – O que estou querendo dizer, é que você não vai.

A rosada estreitou os olhos para Sasuke.

–E quem é que vai me impedir? – ela questionou, o sarcasmo estampado em sua expressão.

O moreno ergueu a mão, alisando a testa de Sakura, desfazendo a ruga que vincava a pele do rosto dela em ironia.

–Esse sarcasmo não fica bem em você. – ele disse, vendo a expressão da rosada suavizar sob seu toque – Por favor, não seja tão teimosa, está bem? Preciso de você. Não posso correr o risco de te perder.

Ela tocou a mão que acariciava seu rosto, sentindo a garganta se fechar.

–Eu também não posso perder você. – Sakura murmurou, tristonha – Ainda mais agora...

A mão de Sasuke ficou paralisada no rosto da rosada, sua mente ficando repentinamente alerta pelas palavras que ela acabara de dizer.

–Por que diz isso? – ele questionou, desconfiado.

Os olhos verdes da Haruno se arregalaram.

“Epa!”, ela pensou, entrando em pânico.

–Be-bem... – Sakura gaguejou, percebendo que cometera um grande deslize – Porque mesmo você sendo um idiota, eu te amo, Sasuke. É por isso. – falou, esperando que aquilo fosse suficiente para enganá-lo.

Os olhos negros do rapaz se estreitaram.

–O que você está escondendo, Sakura? – Sasuke perguntou, dando um passo à frente, aproximando o rosto do da rosada.

Ela deu um passo involuntário para trás, acuada pelo tom de voz acusador do Uchiha.

–Na-nada! – a Haruno respondeu, sentindo Sasuke arrastá-la para si pela cintura, colando seu corpo ao dele em um aperto sufocante.

–Vou perguntar mais uma vez. – ele falou, e agora seus rostos estavam tão perto um do outro que ele podia sentir a respiração acelerada da rosada contra seu rosto – O que está escondendo de mim? – sibilou.

–Não estou escondendo nada! – Sakura teimou em negar.

Sasuke apertou com força a cintura da Haruno, forçando-a ainda mais contra si.

–Pare com isso! Vai machuca-la! – ela protestou contra o aperto do moreno, tentando se desvencilhar dos braços que a agarravam.

–“Machuca-la”? – Sasuke repetiu, confuso – Do que está falando?

OPS!

–E-e-e-e-eu... Be-bem... Nã-não é nada... – ela tentava, debilmente, reverter a situação em que sua língua grande a colocara. Droga!

Sasuke respirou profundamente, sentindo o coração apertar dentro do peito. Algo em seu interior se agitou, mas ele não quis se deter àquilo. A pulsação acelerada martelava em seus ouvidos, e o moreno novamente puxou Sakura para si, encarando-a nos olhos.

–Fale de uma vez, Sakura! – ele pediu, agoniado. Não sabia se ela podia perceber a súplica em seus olhos, mas tinha certeza de que havia algo dentro de si prestes a explodir.

–Eu estou grávida! – Sakura enfim revelou, fechando os olhos e esperando pelo surto escandaloso que viria em seguida.

Mas nada aconteceu.

Sentindo os braços imóveis que ainda a envolviam, ela resolveu abrir os olhos e ver o que se passava, e seu olhar pairou sobre a expressão paralisada de Sasuke, que a fitava de olhos arregalados.

Silêncio.

–Sasuke? – ela chamou baixinho, mas o moreno não se moveu um milímetro sequer.

Ótimo. Será que ele iria desmaiar? Enfartar? Ter um derrame?

–Sasuke, você está em estado de choque? – Sakura questionou, mas o Uchiha ainda assim não se moveu. Ela balançou as mãos na frente do rosto do rapaz, na esperança de faze-lo ao menos piscar — Sasuke? – chamou novamente, preocupada.

“Meu Deus! Desmantelei um Uchiha!”, a rosada alarmou em pensamento, começando a ficar aflita. Se ele não lhe respondesse logo, acabaria se impacientando e enchendo aquela cara bonita de tabefes.

–Sasuke, me desculp... – ela tentou começar, mas não pôde concluir a frase. Logo sentiu suas costas batendo no tronco da grande árvore em um baque surdo, e em seguida, os lábios de Sasuke calaram suas palavras, selando em sua boca o amor que explodia forte no coração de ambos.

E depois disso, tudo virou borrão para ela.

Com carinho, Sasuke desgrudou os lábios dos de Sakura, sentindo-a desfalecer em seus braços pelo golpe com o qual a atingira na nuca. Deitou-a na grama, tocando o ventre da rosada com delicadeza. Mentalmente, ele se perguntou se a pequena pessoa dentro de Sakura podia sentir o tamanho do amor que crescia em seu peito sem que ele soubesse como. Seria possível amar alguém que até aquele momento só existira em seus sonhos, como amava aquela menina? Será que alguém poderia amar uma mulher da maneira como ele amava Sakura?

Sasuke não sabia. A única certeza que tinha é que poderia arriscar tudo, perder tudo, até mesmo sua vida, mas não poderia admitir a possibilidade de ver Sakura ferida, sofrendo, ainda mais depois de saber que a possibilidade de seu futuro ao lado dela se tornava uma realidade cada vez mais próxima de se tornar verdade.

Se ele sobrevivesse àquela noite, é claro.

Em silencio, o Uchiha se afastou de onde havia deitado o corpo de Sakura, encaminhando-se para o grande salão.

Ao seu redor, o jardim inteiro foi tomado pelo brilho dos fogos de artificio que explodiam do lado de fora da mansão.

–Começou... – ele murmurou para si mesmo, apressando os passos.

Era hora de agitar um pouco aquela festa.

Abotoando a calça jeans, Naruto se virou para onde Hinata tentava achar o vestido que não sabia onde havia ido parar. O loiro sorriu, admirando o corpo nu que se movimentava pelo quarto.

Hinata parou por um instante, sentindo o rosto esquentar novamente ao perceber os olhos de Naruto sobre si. Mas o que lhe chamou atenção foi que ele mantinha uma das mãos escondida nas costas, como se segurasse alguma coisa.

–Você não escondeu meu vestido, escondeu? – a Hyuuga perguntou, desconfiada. Por que Naruto ainda não havia vestido a maldita camisa? Era tentador demais para ela vê-lo parcialmente despido...

–Eu nunca faria isso. – o loiro piscou inocentemente, percebendo os olhos estreitos de Hinata em sua direção – Tudo bem, tudo bem... – ele revirou os olhos azuis, exibindo à garota um sorriso travesso e revelando o vestido em sua mão – Vem buscar.

A Hyuuga caminhou na direção de Naruto, estendendo a mão a fim de receber o vestido, mas em vez de entregar a roupa, o loiro a puxou pelo braço, trazendo-a para si.

–É que você fica melhor sem isso... – ele murmurou, grudando os lábios nos de Hinata mais uma vez naquela noite.

Sem se conter, a morena entrelaçou os dedos na nuca de Naruto, beijando-o com vontade, mas logo se afastou dele, respirando profundamente e tentando convencer a si mesma de que era hora de sair dali.

–Precisamos ir! – Hinata falou, vendo uma sombra de tristeza atravessar os olhos do loiro – Você me prometeu o “pra sempre”, lembra? – perguntou, tocando o rosto de Naruto com carinho – Isso significa que, se sobrevivermos, teremos todo o tempo do mundo para... – mas não pôde concluir a frase, pois Naruto a beijava novamente – Para isso! – disse, enfim afastando-se do rapaz e pegando seu vestido de volta.

–Vamos sobreviver. – o Uzumaki garantiu, vestindo a camisa – Você disse que tinha um plano, não disse? Vamos lutar juntos e acabar logo com isso.

Já vestida, a Hyuuga se virou para ele, sem conseguir evitar o sorriso que se espalhava em seus lábios.

–Sério? – ela perguntou, feliz – Vamos lutar juntos?

–Já sofri o suficiente pra perceber que sem você sou fraco demais, Hinata. – Naruto respondeu, vendo a garota se aproximar de onde ele estava – E está fora de cogitação deixar você sozinha quando não sabemos a localização do inimigo.

–Então você me quer por perto pra ficar de olho em mim, seu loiro bastardo? – Hinata questionou, batendo no peito do Uzumaki e encarando-o com uma expressão indignada.

Naruto riu.

–Também. – ele admitiu – Mas com você, sou mais forte... Não foi isso que disseram? Nossos poderes se destroem ou se completam. Hoje é o dia de descobrir qual a verdade sobre isso. Além do mais, – falou, colocando uma mexa do cabelo negro da garota para trás da orelha dela – eu confio na sua força. Mas estarei ao seu lado. Não vou deixar você lutar sozinha de jeito nenhum. Entendeu? – perguntou, a expressão vincada de seriedade.

Hinata sorriu e assentiu, pegando a mão de Naruto arrastando-o para fora do quarto.

–Agora vem, eu te conto o plano no caminho, o Sasuke vai pirar mas... – ela falou, mas sentiu que o loiro havia parado de acompanha-la, e olhou para trás, a fim de saber o que acontecia.

Ele estancou na porta, sentindo seus sentidos falharem, como se mil agulhas atravessassem sua mente. Os dedos do loiro se desprenderam involuntariamente da mão de Hinata, percebendo a realidade ao seu redor desaparecer em um borrão repentino.

Naruto fechou os olhos, sentindo a cabeça latejar de forma enlouquecedora, e levou as mãos até o rosto, reprimindo o grito de dor. Estendeu os braços para frente a fim de apoiar-se em Hinata, mas o toque dela não chegava até seus sentidos, como se a morena não estivesse mais ali. Como se caísse em espiral, Naruto sentiu a mente rodar, e uma forte vertigem o atingiu. Que diabos estava acontecendo?

O loiro enfim resolveu abrir os olhos, na intenção de se equilibrar melhor, mas o que viu em seguida fez com que seus movimentos fossem paralisados pela surpresa.

“Você carregou meu coração no meio da noite

Para a onda com a maré

Você me levou para os campos

Você carregou meu coração no meio da noite”

Aventine – Agnes Obel

O cenário ao seu redor mudara completamente. Sua expressão confusa se fixava na realidade embaçada que via estender-se a sua frente, sentindo sua boca se abrir levemente de surpresa ao perceber que, em vez da noite escura que emoldurava o aniversário de Hinata, a paisagem que agora o envolvia era iluminada por um sol que brilhava forte, atravessando as folhas das grandes árvores que sombreavam parte da grama verde e brilhante. Naruto piscou, confuso, mentalmente perguntando a si mesmo onde havia ido parar, mas, de repente, percebeu que não estava sozinho.

Havia uma pessoa sentada em baixo de uma árvore, de costas para onde ele estava, fitando o horizonte. Uma mulher. Ela tinha cabelos negros, que balançavam com o vento, e Naruto esfregou os olhos, tentando compreender o que estava acontecendo, mas a cena que via ainda parecia estar velada por um véu transparente, mas suficiente para embaçar sua visão.

Querendo distinguir melhor as feições da mulher sentada em baixo da arvore, Naruto se aproximou de onde ela estava, percebendo que a morena lhe era muito familiar. Querendo confirmar suas suspeitas, ele parou do lado da mulher, estancando ao perceber que era Hinata quem estava sentada sob a árvore. Ele tocou o ombro dela, esperando que a morena olhasse para ele e lhe explicasse o que estava acontecendo.

A expressão de Naruto vincou-se ainda mais em confusão quando viu seus dedos atravessando a pele da Hyuuga sem que ela notasse sua presença. Ele olhou para as próprias mãos, enfim dando-se conta de que aquele corpo era imaterial. Estava em transe.

O que estava acontecendo?

–Hinata... – o loiro chamou, os olhos fixos na expressão feliz da mulher.

Sem se dar conta da presença de Naruto, a morena organizava alguns alimentos em cima de um pano xadrez estendido sobre a grama, olhando de vez em quando para algo um pouco mais a frente de onde estavam e que o Uzumaki não conseguia enxergar. E antes que ele gritasse para tentar fazer com que ela o escutasse, Naruto ouviu uma risada alta e infantil vinda de longe. Ele desviou os olhos de Hinata, olhando na mesma direção que ela, e enfim, conseguiu ver o que a morena fitava tão atentamente.

A risada ecoava pelo lugar cada vez mais alta e empolgada, as silhuetas se distinguindo cada vez mais na medida em que se aproximavam da árvore sob a qual Hinata esperava. De olhos arregalados, Naruto viu a si mesmo, em outro corpo imaterial, mais velho e amadurecido, segurando o guidom de uma bicicleta pequena, a qual um loirinho pedalava com empenho, confiando nas mãos que o guiavam. Sobre os ombros do Uzumaki estava uma menininha de cabelos negros e curtos que se segurava nos cabelos de Naruto e ria, empolgada, enquanto era carregada.

E de repente, Naruto soltou a bicicleta, vendo o menino loiro pedalar, sozinho, para onde Hinata o esperava. A menina morena e o Uzumaki ficaram parados, olhando, admirados, o pequeno garoto se afastar.

–Isso, filho! – Naruto gritou, fazendo com que o Naruto imaterial arregalasse os olhos.

Boiuto conseguiu, papai! – a menina morena bateu palmas, rindo, feliz, pronunciando o nome do irmão errado.

–Sim, princesa, ele conseguiu. – Naruto concordou, orgulhoso, e em seguida tirou a menina de seus ombros, rodopiando com ela em seus braços – Que tal voltarmos para a mamãe? – sugeriu, prestes a colocar a pequena no chão.

–Quero cavalinho! Cavalinho! – a menina sacudiu as pernas gordinhas e cheias de dobrinhas, recusando-se a ir para o chão.

Naruto riu, percebendo que havia colocado a filha em mal costume. Mas o que poderia fazer? Ela derretia seu coração quando projetava o lábio para frente daquela maneira, a expressão encolhendo-se em um beicinho chantagista.

–Venha, princesa! – o loiro murmurou, recolocando a menina sobre os ombros e encaixando as pernas dela ao redor de seu pescoço.

Ela novamente fechou os pequenos dedos nos cabelos do pai, e em seguida, puxou os fios para trás, fazendo com que Naruto a encarasse.

–Que foi, amor? – ele perguntou.

A menina o fitou com uma expressão sapeca.

–Papai tem doce. – ela disse, fazendo Naruto rir. Não era uma pergunta, ela sabia que o pai sempre tinha algum doce nos bolsos.

–Certo, mas não conte para a mamãe, está bem? – o Uzumaki pediu, erguendo o dedo mindinho e entrelaçando-o ao dedo miúdo da filha, selando uma promessa, e em seguida, entregou à ela um pirulito azul.

Com o doce na mão, a menina beijou a testa de Naruto, fazendo-o encará-la com ternura.

Devagar, os dois caminharam até a árvore e a pequena atirou o palito do pirulito para longe, antes que a mãe visse. Naruto suspirou, reprimindo uma risada. Que menina sapeca!

Ele se sentou sobre o tecido xadrez, depositando um selinho rápido nos lábios de Hinata, que o aguardava. O garotinho loiro já estava lá, com a cabeça deitada sobre o colo da Hyuuga, que o acariciava com doçura.

–Mamãe! – a garotinha morena se jogou nos braços de Hinata, fazendo-a abraça-la.

A morena fitou a filha por um instante, para logo em seguida olhar para o Uzumaki, que já acomodava a cabeça em seu colo também.

–Naruto, — Hinata chamou, calmamente, vendo os olhos se Naruto se erguerem para fita-la – Por que a língua de Himawari está azul?

Naruto ficou lívido, e em seguida olhou para a moreninha, que lhe sorriu, sapeca.

–Traidora! – ele acusou a pequena, ouvindo a risada da menina ecoar por todo o lugar.

–Você anda dando doces para ela de novo? – Hinata falou, baixo, tentando, a todo custo, não rir – Sakura recomendou que Himawari ficasse sem comer essas coisas por um tempo, não se lembra?

–Eu... Bem... Ela me obrigou, amor! – Naruto se defendeu — Essa garotinha é uma manipuladora, fica me dando beijinhos em troca de doces! Eu não tive culpa!

O Naruto imaterial sorriu involuntariamente, sentindo seu coração encher-se de ternura com a cena que via se desenrolar à sua frente. Estaria sonhando? Se estivesse, aquele era o sonho mais bonito que já tivera durante toda a sua vida.

Porém, tão rápido quanto viera, repentinamente, a visão à sua frente se desfez, e as vozes de Hinata e das crianças se distanciavam enquanto tudo virava borrão novamente. Sem saber como, Naruto voltara para o quarto onde estava minutos antes, sentindo as pernas fraquejarem.

Ele caiu de joelhos, apoiando as mãos no chão, respirando profundamente.

O que havia acabado de acontecer, afinal?

–Naruto! – a voz aflita da morena ecoou pelo quarto, e ela logo se atirou no chão junto ao loiro – O que houve?

“Se acalme. Não fale nada, ainda. Escute o que tenho a dizer.”, o loiro ouviu a voz de Kyuubi ecoar em sua mente. Obediente, ele permaneceu em silêncio, sentindo as mãos nervosas de Hinata segurarem seus ombros. “Você passou por muita coisa nos últimos meses... Sua mente estava enfraquecida e os selos de proteção estavam se desfazendo. O que você viu agora é consequência de um selo rompido. Essa é uma das muitas possibilidades do seu futuro.”

Controlando-se para não falar nada, Naruto ergueu o rosto, encarando Hinata. A dor em sua cabeça passava, mas ele se sentia enjoado, como se tivesse acabado de descer de uma montanha russa.

–Naruto? – Hinata chamou, cada vez mais preocupada – O que foi?

“Isso vai acontecer?”, o loiro perguntou mentalmente, lembrando-se do garoto loiro aprendendo a andar de bicicleta e da menina que ele carregara nos ombros.

“É impossível saber. Como eu disse, é apenas uma possibilidade que sua mente traçou quando você conheceu Hinata. É importante manter isso em segredo, pois mexer com o futuro é algo perigoso e proibido, e raramente um selo como esse se rompe... Não podemos saber se a possibilidade que você viu se transformará em realidade.”

Naruto suspirou. As imagens que acabara de ver ainda estampavam sua mente, e quando ele fitou os olhos preocupados de Hinata a encará-lo, um sorriso feliz e involuntário se espalhou por seus lábios.

–Nada... Não foi nada. – Naruto respondeu, se levantando. Teria sido um sonho? Seria, aquela cena feliz, um vestígio de seu futuro?

Preocupada, Hinata também se levantou e o agarrou pelo braço, fazendo-o virar-se para ela.

–Está mesmo tudo bem? – ela perguntou, receosa.

–Sim... Foi só uma tontura. Gastei muito chakra hoje, destruindo as portas dessa mansão. Por falar nisso, talvez Hiashi tenha uma bela surpresa quando voltar.

Hinata riu, lembrando-se de que o pai havia sido convocado para ir à ORDEM com urgência. Não queria nem pensar na expressão horrorizada de Hiashi quando visse no que Naruto havia transformado sua mansão.

O loiro agarrou a mão de Hinata, entrelaçando os dedos nos dela, e os dois caminharam na direção da porta, a fim de sair dali.

–Hinata... – Naruto chamou, e em seguida se calou. Não sabia bem o que dizer, mas seu peito estava prestes a explodir de emoção.

–Sim? – a morena perguntou, percebendo a hesitação na expressão do Uzumaki.

–Você pensa no futuro? – ele questionou, vendo-a encará-lo com uma expressão confusa.

–Como assim?

–Não sei... – ele coçou a cabeça, sem saber como continuar aquela conversa – Se vamos continuar juntos, se um dia teremos filhos... — falou, percebendo a morena estancar, paralisada pelas palavras que acabara de ouvir – Se tivermos filhos, posso escolher os nomes?

–Po-por que está falando sobre isso agora? – ela grunhiu, os olhos arregalados na direção do Uzumaki.

–Você nunca pensou sobre isso? – o loiro perguntou, sorrindo.

–Si-sim... Pensei... Mas...

–Mas...? – ele pressionou.

–Não somos muito jovens para ficar pensando nessas coisas? — Hinata perguntou, mais para si mesma do que para o Uzumaki – Quero ficar com você, é só isso que sei. – falou. No íntimo, ela tinha medo de deixar seus sonhos dominarem sua mente, só para vê-los destruídos aquela noite. E se não sobrevivessem?

–Bom... Eu sei o que eu quero. – Naruto murmurou – Quero você. Quero construir minha própria família, dar à nossa família despedaçada uma chance de se reerguer em uma nova geração.

–E-eu não sabia que você pensava nessas coisas... – a morena corou. Sempre imaginara a si mesma rodeada de filhos, no futuro, dando a eles o carinho e a atenção que ela nunca recebera, mas saber que Naruto também imaginava aquele tipo de coisa fazia com que um arrepio lhe percorresse a espinha. Oh, céus... Será que conseguiriam ter um mínimo vislumbre dos sonhos que ambos traçaram juntos, sem saber?

–Bom... Nunca tive uma família muito tradicional, sabe? – ele explicou – Ero-sennin foi um bom pai, mas viajava bastante, e em um certo momento isso começou a me cansar, e eu parei de ir com ele, então ficávamos muito tempo longe um o outro... Meus irmãos são todos meio loucos... E eu não estou reclamando da vida que tive. Fui muito feliz com minha família, mas... Gostaria de tentar levar uma vida tranquila ao lado da mulher que amo, dar a ela segurança, faze-la feliz. Acho que seria bom fazer as coisas de um jeito diferente. Descansar um pouco de toda essa confusão e simplesmente sentar em baixo de uma árvore, aproveitar um dia ensolarado, vendo nossos filhos brincar, com você ao meu lado.

Hinata sentiu as bochechas queimarem com mais intensidade.

–Parece um futuro muito lindo... – ela murmurou, aproximando-se de Naruto. Os olhos dela brilhavam pelas possibilidades das palavras de Naruto.

–E é. Posso garantir à você. – o loiro afirmou, confiante.

A Hyuuga enlaçou os braços no pescoço de Naruto, aproximando o rosto do dele.

–Mas vamos nos preocupar em sobreviver à essa noite, primeiro, está bem? Depois pensamos no futuro. – ela pediu.

Naruto coçou a cabeça, rindo do nervosismo de Hinata. Não deixaria que nada estragasse a possibilidade de ter uma vida feliz ao lado dela, e agora que sabia que isso era possível, ele lutaria com todas as forças e esperaria o tempo que fosse necessário pelos dois pestinhas que seriam o sol a iluminar seus dias, no futuro.

Ele roçou o nariz no dela e fechou os olhos, sentindo-a estremecer em seus braços.

–Eu te amo. – Naruto falou, os lábios quase colados aos de Hinata. Foi quando ouviu o Bijuu bufar em sua mente. Quando foi mesmo que a deixou sair do selo? – Kyuubi também te ama. – falou, vendo Hinata dar um passo para trás e encará-lo com uma expressão confusa.

“Eu nunca disse isso.” O Bijuu resmungou, mau humorado.

–Seja uma raposa boazinha e diga que a ama. – Naruto ordenou.

–O-oi, Kyuubi... – A morena cumprimentou, envergonhada, sem saber ao certo como lidar com aquela situação. Há quanto tempo o Bijuu estava observando tudo?

Sem ligar para as reclamações do Bijuu, Naruto selou Kyuubi em sua mente, certificando-se de que ele não voltaria a resmungar em seus ouvidos.

–Ele já foi. – o loiro garantiu, vendo Hinata se aproximar dele novamente – Onde estávamos?

A Hyuuga sorriu.

–Você estava dizendo que me amava. – ela lembrou.

–Ah, sim. – Naruto riu, entrelaçando os dedos nos cabelos negros de Hinata – Amo você, minha morena... Minha mulher...

Hinata ergueu o rosto, encarando o homem de sua vida. Nos olhos de Naruto, ela conseguia ver o lindo futuro que a esperava.

Se sobrevivessem.

–Também amo você, meu Naruto... – ela murmurou, novamente aproximando os lábios dos dele.

Mas os passos apressados de alguém que se aproximava dali interrompeu a ação de Hinata, e ela logo ouviu o loiro suspirar de impaciência.

Não demorou até que Kiba aparecesse no corredor, aproximando-se de onde eles estavam.

–Hinata, onde você tava? Te procurei por toda parte! – o Inuzuka alarmou, nervoso — E o que foi que aconteceu com a sua casa, cara? Os dois primeiros corredores estão destruídos!

Hinata estreitou o olhar para Naruto, que piscou, encarando-a com uma expressão inocente.

–Que é? Alguém destrói alguma coisa e vocês já acham que fui eu? – o loiro perguntou, parecendo ofendido.

–Foi você! – Hinata afirmou, indignada.

Naruto revirou os olhos, sem se importar nem um pouco com a mansão dos Hyuugas.

–O que você quer, Kiba? – Hinata perguntou ao amigo, curiosa.

O moreno estava prestes a abrir a boca, quando os três ouviram uma explosão vinda do lado de fora. Eles se apressaram até a janela mais próxima, vendo fogos de artifício colorindo o céu noturno.

–Já? – Kiba murmurou.

Naruto e Hinata ficaram em silêncio. Todos ali sabiam o que aquele sinal significava.

Os três caminharam pelo corredor, dirigindo-se para o salão. Kiba se apressou, indo um pouco mais a frente, deixando Naruto e Hinata alguns passos atrás.

O loiro segurou com firmeza a mão da Hyuuga, entrelaçando os dedos nos dela, sentindo-a apertar sua mão também.

O fim estava próximo.

Tenten piscou, confusa, quase pulando de susto ao ouvir uma grande explosão de fogos de artifício colorindo o céu. Seu coração disparou, como se aquilo fosse um sinal para que ela ficasse alerta. Aquilo não fazia parte da festa.

–Lindo, não é? – a voz de Neji se fez soar pelo salão, e quando a Mitashi olhou para o lado, viu o rapaz de aproximando com um sorriso nos lábios.

–Sim... – ela murmurou, virando-se para o Hyuuga – O que está acontecendo?

–Parece que os amigos da Hinata tem um plano. – Neji contou, despreocupado.

–Devemos interferir? – a garota questionou, incerta.

O moreno se aproximou, tocando o rosto de Tenten, que tentou se afastar, mas Neji não deixou. Ele a segurou pelo braço, mantendo a expressão impassível.

–Ainda não. – ele respondeu, encarando-a seriamente – Primeiro, tem algo que precisamos resolver.

–O quê? – a morena perguntou, entrando em pânico. Iria acabar esmurrando Neji se ele não a soltasse.

–Sua dívida comigo, Tenten. – o Hyuuga falou, sorrindo – Você me deve um beijo.

–Ne-Neji... – ela choramingou, sentindo o rosto esquentar. Mas que droga! Por que sempre acabava tendo reações estranhas quando aquele Hyuuga idiota a encurralava daquela maneira?

Mas antes que sua mente trabalhasse em busca de uma resposta, Tenten sentiu-se agarrada pela cintura, os lábios tomados pelos de Neji em um beijo caloroso. O toque dele em seu rosto se tornou mais firme, até que os dedos do rapaz deslizaram de suas bochechas para as suas têmporas, apertando-as com força.

–Neji, o que voc... – ela tentou murmurar sob os lábios do Hyuuga, mas ele foi mais rápido.

–Desculpe, Tenten. – Neji pediu baixinho, os lábios ainda grudados nos dela. Em seguida, atingiu os pontos de chakra que levariam a garota à inconsciência, sentindo-a desmaiar em seus braços – Mas hoje é minha vez de proteger você.

Os convidados começaram a se levantar, atraídos pela explosão repentina de fogos de artifício que acontecia do lado de fora da mansão. Todos achavam que aquilo fazia parte da festa, e logo se apressaram em esvaziar o salão, sem perceber que, na medida em que saiam das dependências dos Hyuugas, uma feiticeira loira e um jinchuuriki ruivo selavam os portões, impedindo a entrada de qualquer um ali.

–O que tá acontecendo?! – Ino perguntou, aflita e exausta por ter sido obrigada a gastar uma grande quantidade de chakra no selo que isolava toda a mansão – Ainda não está na hora dos fogos de artifício! O que aqueles idiotas pensam que estão fazendo?!

–A culpa é do Shikamaru, que colocou aquela “dupla dinâmica” pra ficar responsável pelos fogos! – Gaara respondeu – Todo mundo sabe que o Deidara é louco e que o Sai é um lesado! Eles só poderiam ter ativado a explosão de fogos quando um de nós visse o tal do Orochimaru!

–Você não disse pro Deidara ficar longe dos fogos?! – ela sibilou, furiosa.

–E você acha que ele iria conseguir ficar longe de qualquer coisa que exploda?! – Gaara rebateu, impaciente.

A loira suspirou, frustrada.

–Idiotas! – ela resmungou, irritada. Sai e Deidara lhe pagariam por aquilo.

Alguns instantes atrás, em um dos quartos da mansão Hyuuga



Sai já estava em um cômodo estratégico, enquanto organizava, sobre uma mesa que havia arrastado até a janela, o material providenciado para a queima de fogos daquela noite. O equipamento apontava para o portão, de modo a explodir fora da mansão, quando enfim fosse ativado. Já estava quase terminando quando ouviu o barulho da porta sendo aberta, mas não se virou imediatamente. Olhou novamente para o equipamento, analisando se estava apontado para o lugar certo. Quando enfim se certificou de que tudo estava arrumado, Sai ergueu o rosto para ver quem se aproximava, mas sua expressão não demonstrou nenhuma emoção ao fitar Deidara.

O moreno logo voltou sua atenção ao equipamento que liberaria os fogos de artifício aquela noite, anunciando à todos que alguém o havia ligado para avisar que Orochimaru chegara à festa. Obviamente, a explosão de fogos também tinha o objetivo de atrair a atenção dos convidados para fora da mansão, e aquela seria a oportunidade que Ino teria de selar o lugar, impedindo a entrada de qualquer um ali. Aquele era um material sensível e portanto, requeria manuseio cuidadoso, ou seja: não podia deixar que Deidara chegasse um centímetro sequer perto daquilo, ou um desastre poderia acontecer.

–Naruto não tá aqui, não. – Sai falou, querendo se livrar o mais rápido possível da presença desastrada do loiro.

–Eu sei. Não vim atrás dele. – Deidara respondeu, colocando as mãos trêmulas nos bolsos. O que ele havia ido fazer ali mesmo? Já não se lembrava mais. Apenas sentia algo em seu cérebro agitar-se de forma desagradável. Estaria tendo um derrame? A julgar pelo seu nervosismo, aquilo era bem provável.

Confuso pelo súbito silêncio de Deidara, Sai desviou a atenção do equipamento para o rosto do amigo. O loiro suava, os olhos azuis disparando por todos os cantos da sala, procurando algo em que fixar seu pensamento. Ele sacudia as mãos nos bolsos levemente, sem conseguir manter-se quieto. Aquilo era uma má ideia. Uma péssima, péssima ideia.

–Ino disse pra você ficar longe dos fogos de artifício. – Sai avisou, sabendo que seria inútil discutir com Deidara. Afinal, se algo fosse explodir ali, o loiro achava que deveria participar.

Mas Deidara permaneceu em silêncio, como se não estivesse escutando o que o amigo lhe dizia.

–Deidara? – Sai chamou, fitando o loiro com uma expressão preocupada – Você tá bem, cara?

–Ah... Ahn? – Deidara murmurou, distraído pelo turbilhão que confundia sua mente – Ah, tô, tô legal, de boa, normal, tudo sussa.

Sai ergueu uma sobrancelha, confuso com aquela reação do loiro que, como sempre, era exagerada.

–Tem certeza de que você tá legal? – o moreno insistiu.

–Aham. – Deidara respondeu, sentindo a aflição tomar conta de si.

Sai estreitou os olhos, desconfiado, mas resolveu que a melhor forma de lidar com aquilo era não dar atenção a todo aquele nervosismo. Ele conhecia o loiro o suficiente para saber o quanto Deidara era previsível e que não tardaria até que ele resolvesse falar de uma vez o que estava acontecendo.

–Tá certo, então. – disse o moreno, se virando novamente na direção do equipamento.

–NÃO, NÃO TÔ LEGAL! – Deidara explodiu, tirando as mãos dos bolsos e passando-as pelo rosto – NÃO TÔ NADA LEGAL!

O moreno suspirou. Tão previsível...

–VOCÊ... EU... NAQUELE DIA... E DEPOIS... AI VOCÊ... MAS AI... – Deidara resmungava palavras sem sentido, cada vez mais nervoso, perdendo o controle do que pensava e dizia – E ENTÃO VOCÊ FOI E... AI EU... PORQUE NÓS... NÃO SEI... NÃO POSSO!

–Deidara? – Sai chamou, sem entender nada do que estava acontecendo – Deidara, dá pra você se acalmar? Você tá falando muito rápido e embaralhado, não tô entendendo nada!

–QUEM NÃO TÁ ENTENDENDO NADA SOU EU! – o loiro alarmou, largando-se em uma cadeira, deslizando as mãos pelos cabelos em sinal de desespero.

Sai revirou os olhos para todo aquele escândalo, aproximando-se de onde Deidara havia se sentado. Se ajoelhou diante do loiro, tentando ver o rosto que ele escondia.

–O que é que tá acontecendo? Você explodiu alguma coisa que não deveria? – o moreno perguntou, desconfiado.

–Quê?! – Deidara guinchou, ainda mais confuso – Não! Foi você quem explodiu algo que não deveria!

–Eu?! – Sai se surpreendeu com a acusação – Eu não explodi nada!

–EXPLODIU MINHA CABEÇA!

–Deidara. – o moreno sibilou, impacientando-se – Para. De. Berrar!

–AAARRRGGHHHHH! NÃO CONSIGO! – Deidara grunhiu em resposta.

Sai suspirou novamente, tentando manter a calma. Como é que uma única pessoa conseguia tirá-lo do sério em tão pouco tempo? Aquela era uma proeza que somente Deidara era capaz de conseguir.

–Olha pra mim. – o moreno pediu, contendo-se para não esbofetear Deidara.

O loiro tirou as mãos do rosto, os olhos azuis fixando-se em Sai, que o fitava com uma expressão preocupada.

–O que foi que eu fiz? – Sai perguntou.

–Você confundiu a minha cabeça!

–Mas eu não fiz nada, Deidara.

–Exatamente! – o loiro berrou – Você confundiu minha cabeça e depois não fez mais nada!

Sai o fitou com olhos estreitos, finalmente compreendendo onde Deidara queria chegar.

–Está falando do dia em que nos beijamos? – o moreno perguntou, vendo Deidara bufar e esfregar as mãos no rosto em sinal de desespero – Você... Você quer me beijar de novo?

O loiro ergueu o rosto, piscando, atônito.

–Claro que não! – Deidara berrou, coçando a cabeça – De onde você tirou essa ideia?

Foi a vez de Sai bufar, levantando-se e voltando para onde o equipamento dos fogos de artifício estava. Olhou pela janela, esperando pelo sinal que o indicaria o momento de ativar a explosão.

Silêncio.

Mais silêncio.

Sai respirou profundamente, reprimindo o impulso de espancar Deidara. Quem aquele cara pensava que era? Obviamente, o loiro estava tendo problemas em se decidir quanto ao que queria, mas isso não dava a ele o direito de agir daquela maneira, como se Sai fosse o culpado pela crise interna que se desenrolava dentro daquela cabeça loira e oca. Afinal, quando Deidara iria assumir que o beijo na boate havia abalado as estruturas das certezas que ele tão meticulosamente construíra durante toda a vida?

O moreno coçou a cabeça, sabendo que iria se arrepender do que estava prestes a fazer, mas aquele silêncio já estava lhe dando nos nervos. Deidara fazendo bagunça e gritando era algo irritante, mas Deidara quieto e em silêncio era algo enlouquecedor. Sai enfim se virou, a cabeça cheia de acusações que estava prestes a desferir na direção do amigo.

Porém, seus movimentos estancaram ao perceber que o loiro já estava à sua frente, perto demais. Os olhos azuis o fitavam com intensidade, a expressão de Deidara estampada com uma seriedade que Sai nunca vira.

–Deidara, o que você... – o moreno começou, mas Deidara foi mais rápido.

A mão do loiro alcançou a nuca de Sai, arrastando-o com força para si, enfim saciando a vontade que ocupava seus pensamentos e fazia seu corpo inteiro estremecer toda vez que se lembrava da noite na boate de Hidan.

Em vez de lutar contra a tormenta em sua mente, Deidara resolveu se render à ela. E foi quando aceitou o caos em que Sai transformara seu coração que o loiro conseguiu aceitar quem ele era de verdade.

Sai não lutou contra os lábios de Deidara, que vasculhava sua boca como se aquele território fosse um lugar do qual o loiro não conseguira se esquecer, portanto, sabia exatamente o que fazer ali. Sai sentia sua língua sendo sugada com força, e gemeu baixinho, de desejo e de dor, e só aquilo já foi suficiente pra ascender algo a mais dentro de Deidara. Ansioso, o loiro deu um passo a frente, empurrando com força o corpo de Sai na direção da mesa, pressionando o quadril do moreno contra o seu.

E foi quando os dois escutaram a primeira explosão.

Sai e Deidara se afastaram um do outro imediatamente, percebendo que haviam esbarrado no sensível equipamento que iria disparar os fogos de artifício na direção dos portões. Uma por uma, sem intervalo, as explosões coloriam o céu, fazendo com que os dois olhassem um para o outro com expressões desesperadas.

–DEIDARA! – Sai gritou, fazendo o loiro pular de susto – OLHA O QUE VOCÊ FEZ, IDIOTA!

–Calma, Sai... – Deidara pediu, reprimindo a vontade de rir do nervosismo de Sai.

–COMO, “CALMA”?! – o moreno não conseguia parar de berrar, mas sua expressão de fúria suavizou ao ouvir a risada alta de Deidara que ecoou por todo o quarto – Tá rindo de quê?

–Ah, bem... – o loiro começou, tentando parar de rir – Geralmente, eu que faço os escândalos aqui, não é? Mas parece que eu consigo mesmo te tirar do sério. – falou, exibindo ao rapaz um sorriso triunfante.

Sai revirou os olhos.

–Não seja tão convencido. – ele falou, ouvindo Deidara começar a rir novamente.

–Geralmente, eu que sou o teimoso, também. – o loiro debochou – Admite aí, eu mexo com você! Você gosta de mim, Sai! – Deidara não conseguia parar de rir – Você gosta de mim igual eu gosto de você! Acho que a gente se ama, cara! – alarmou, as gargalhadas reverberando pelas paredes do quarto, misturadas ao barulho das explosões lá fora.

Dessa vez, Sai também não conseguiu conter o riso, surpreendendo-se ao perceber que Deidara tinha razão.

–O que eu posso fazer? – o moreno deu de ombros – Acho que tenho uma queda por homens idiotas... – falou, mas teve suas palavras interrompidas pelos lábios de Deidara, que novamente se colavam aos seus.

O loiro se afastou, sorrindo. Seus olhos azuis brilhavam, revelando a essência de quem ele era de verdade.

Deidara se sentia, pela primeira vez em sua vida, verdadeiramente livre.

–Temos que sair daqui. – o loiro falou, os olhos fixos na expressão serena de Sai – Lembra da outra parte do plano?

–Precisamos sustentar o selo da Ino pra que ele não se rompa e alguém acabe conseguindo entrar aqui. – Sai lembrou, coçando a cabeça — Será que o tal do Orochimaru apareceu?

–Não se... – Deidara ia responder, mas suas palavras foram interrompidas pela escuridão que se alastrava lá fora.

Os dois se inclinaram na janela, vendo as luzes da festa, uma por uma, explodirem com o chrakra sombrio que pairava sobre o salão.

–Acho que isso responde à sua pergunta, Sai. – Deidara falou, os olhos preocupados fixos no salão, tentando desvendar, na escuridão, a silhueta dos amigos.

–Vamos, precisamos ir. Eles vão ficar bem. – Sai garantiu, puxando o braço do loiro, mas ele não se moveu – Deidara? – chamou, e o rapaz desviou os olhos do salão para encará-lo com uma expressão desolada – Eles vão ficar bem. – repetiu – Nossa família é forte. Precisamos confiar neles.

Deidara suspirou. Talvez Sai tivesse razão. Precisava acreditar nisso.

–Certo... – o loiro murmurou, suspirando profundamente antes de acompanhar Sai até a saída – Vamos lá!

Notas finais
Oi! E aí? Gostaram? O amor é uma explosão! Katsu! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Ok, parei. Aconteceu muita coisa nesse capítulo, né? Vamos por partes! Antes de mais nada... Hanabi, mlr, o Kiba tá tãããão na sua. Kkkkkkkkkk Eu ainda me sinto meio insegura nos capítulos em que faço hentai, então não tenho certeza se a cena NaruHiniana ficou boa, mas gente... Acho que as cenas do futuro do Narutim foram o ponto forte do capítulo. Será que isso vai acontecer mesmo? Será que o futuro é um pirulito azul? E para a felicidade geral da nação, Sakura finalmente deu ao Sasuke a certeza de que há um futuro lindo esperando por ele, depois que tudo isso acabar. Fala sério, eu sou uma autora-san muito boazinha. Kkkkkkkkkkkkkkk Não riam, é serio! Isso de me chamarem de malvada é tudo calúnia ‘-‘ sou um anjo, hihihihi E gente, o que acharam da cena SaiDeidariana? “FINALMENTE, AUTORA-SAN!” Kkkkkk A missão do Sai e do Deidara na Terra é de derrubar todos os forninhos da sociedade :3 Sei que muitos estavam ansiosos por alguma ação envolvendo esses dois, mas optei por não fazer hentai entre eles. Ok, não me matem, não foi por falta de vontade minha, acreditem, eu queria! Mas é que não me senti segura o suficiente para escrever uma cena yaoi. (é “yaoi” que chama, né, gente? ‘-‘ kkkk) SaiDara foi um dos casais que eu mais gostei de desenvolver, todos que me acompanham aqui sabem disso... Com eles dois, quis passar a mensagem de que o importante é ter o direito de ser quem você é, sem medo de ser feliz. Afinal, quem somos nós para julgar o que é certo e o que é errado? Nada, NADA justifica a violência de oprimir a verdadeira essência de uma pessoa. Sai e Deidara foram o retrato das discriminações sofridas por alguns de meus melhores amigos, e por tantas outras pessoas no mundo, e eu quis falar sobre isso porque não entendo o que tem de tão difícil em aprendermos a respeitar o ser humano, acima de tudo. Lembram do que a Tayuya disse pro Deidara? Pois é! Somos todos pessoas, seres humanos, somos todos gente. Somos o outro, e os outros são a gente. Que possamos aprender a respeitar as diferenças, porque são elas que fazem de nós o que somos! E como vocês imaginam que será o futuro do Sai e do Deidara? Eu já tenho planos pra isso, mas não vou contar, né? Certo, talvez eu seja um pouco malvada, mas só um pouquinho. Kiba e seus embaçamentos.Ele sempre chega em um momento nada propício, por isso o pescoço dele tá sempre por um triz. E pra quem tinha dúvidas, ele vai estar no meio da confusão também! Afinal, lembram do capítulo em que Hinata conta como o conheceu? A família do Kiba foi morta, ele tem um dom, ou seja, titio Orochimaru estava atrás dele também. O Inuzuka também tem contas a acertar! Agora, reparem bem: os homens dessa fic são uns bobões. Com exceção do Narutim, que foi um lindo dizendo que vai lutar ao lado da Hinata, (mesmo admitindo que estará com ela para protege-la também) os outros simplesmente nocautearam as garotas. Menos a Ino, que depois da Hinata, é a única que ainda tá consciente, mas por quando tempo? Fiquem de olho no Gaara! Qualquer aproximação estranha dele pode ser pra deixar a loira inconsciente. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Mas e ai? Vocês acham que as garotas vão deixar as coisas como estão? Quem acha que elas deveriam fazer uma tretagem muito maligna com esses homens idiotas levanta a mão O/ Por onde andarão Shikamaru e Temari, minha gente? hihihi Ok, acho que já tagarelei demais. Não esqueçam de dizer o que acharam do capítulo, tá? A opinião de vocês é minha principal inspiração, e eu espero que tenham gostado, então comentem e façam essa autora-san mais que feliz. Nos vemos no próximo capítulo! Bjks!