Paraíso Sombrio

5 Eu vejo luz em você


Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Nem acredito que o Nyah! voltou! Eu já estava agoniada, com um peso enoooorrrmeee na consciência por vocês estarem sem capítulo. Porém, com esse problema que houve no site, tudo o que pude fazer foi sentar e esperar que as coisas se resolvessem logo, e fico feliz que estejamos todos aqui, firmes e fortes, acompanhando a fic. Geeeente... obrigada por todos os comentários que tenho recebido! Você fazem a alegria desta autora mulambenta! Agradeço a todos que estão enchendo o saco dos amigos, para que eles leiam esta fic, e deixe um recadinho do coração aqui nos comentários... são as palavras de vocês que me incentivam a continuar! Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!



–Hinata! Hinata! – chamava Naruto, assustado pelos gritos da menina. Hinata tinha suas mãos na cabeça, os dedos cravados por entre os cabelos negros, sentada, de olhos fechados. Gritava insanamente, como se grande dor e desespero lhe atingissem. – Ino, o que há com ela?

–Eu... eu não... sei! – falava a loira, ainda tentando puxar o ar de seus pulmões. –Eu não consegui... ficar lá... De repente ficou tudo tão sombrio e algo... me expulsou da mente dela!

Os gritos desesperados de Hinata ainda soavam pela sala, deixando Naruto agoniado.

–Tire ela de lá, Ino! Ela está perdida dentro do transe!

–Tá maluco? Ela não vai voltar lá! – intrometeu-se Gaara, segurando a loira firmemente pelos ombros.

–Mas a garota está presa lá! E o que quer que esteja por trás daquela porta, está machucando ela! – falou Naruto.

Hinata arqueou o corpo, gritando mais alto, e todos da sala sentiram que o ar ao seu redor ficava cada vez mais denso. A Hyuuga liberava de seus pesadelos uma energia sombria que fez os pelos de Naruto se eriçarem. A garota se contorcia de maneira enlouquecida, e o loiro logo viu um filete de sangue escorrer do nariz e da boca de Hinata. Ele, de alguma maneira, sentia-se contagiado por aquele desespero.

–Se não a tirarmos de lá agora, a alma dela não vai aguentar. Conseguem sentir? Ela não está controlando o chakra direito, e ele está saindo de dentro dela numa densidade anormal. E... é um chakra monstruoso. – explicou Sai, e a expressão do rapaz também era preocupada.

–Hinata! Hinata, abra os olhos! Olhe pra mim, Hinata! – gritou Naruto. Percebendo que ela não conseguia ouvi-lo, ele segurou a garota pelos ombros, a fim de sacudi-la, esperando que ela voltasse a si.

Mas não foi isso que aconteceu.

Ao tocá-la, Naruto foi atingido por uma descarga de chakra, que rapidamente o fez desligar-se de seu corpo. Ino tentava se largar das mãos de Gaara, desesperada por ver o loiro revirando os olhos, sendo empurrado para a inconsciência.

–Naruto! Naruto, solte a Hinata! Naruto! Me solte, Gaara! Eu preciso tirá-los de lá!

–Ino, não! Não vou deixar você voltar lá!

–Me solte! Me larga, Gaara! Naruto não pode entrar na mente dela! Tem algo de errado lá!

Mas o ruivo não soltava. Enquanto o azul dos olhos de Naruto desaparecia sob as pálpebras, viram o chakra de Hinata ferindo-o de dentro para fora; O sangue escorria farto por seu nariz e sua boca.

–NARUTO! NARUTO, VOLTE! VOLTE! – Ino gritava, desesperada.

Mas Naruto agora estava distante demais para ouvi-la. A última coisa que pôde perceber antes de perder os sentidos foi o uivo de dor que Kyuubi fez soar em sua mente.

Ele acordou em um lugar estranho. Era escuro, e o ar era tão denso que precisou de um pouco de esforço para se levantar. Havia uma certa neblina que deixava o local ainda mais sombrio, e tudo parecia empoeirado, como se ninguém viesse ali há um bom tempo.

Sentia-se tonto, e fraco, a vertigem provocando-lhe um leve enjoo. Com dificuldade, caminhava naquela escuridão, tentando tatear algo que lhe indicasse a saída.

Depois de alguns minutos andando sem nada encontrar, percebeu que não havia como sair dali de uma maneira convencional.

–Onde diabos eu estou? – perguntou a si mesmo, impaciente.

“Naruto, você não devia estar aqui. Volte para o seu corpo agora.”

–Kyuubi? – perguntou, surpreso. – Onde eu estou? Por que não deveria estar aqui?

“Volte agora, Naruto”, — falou Kyuubi, em um tom autoritário. Mas o loiro logo atentou-se à outra sensação estranha. O Bijuu não parecia estar dentro dele. A voz de Kyuubi vinha de um ponto desconhecido, e ele ouviu um baixo arquejar de dor.

–Kyuubi, o que está acontecendo? Você está bem? Onde nós estamos?

“Você está em uma parte da consciência da garota Hyuuga.”, explicou Kyuubi, sem responder à todas as perguntas de Naruto. Ele não precisava saber do que havia acontecido com ela quando tocou a garota; aquilo só iria deixa-lo preocupado.

–O quê?! Como eu vim parar aqui?!

“Volte, Naruto!”

–E como é que eu faço isso?! – estressou-se. Sabia que não deveria estar ali; era proibido pisar em território mental alheio sem autorização, e apenas feiticeiras faziam aquilo. Ino possuía uma habilidade especial que lhe permitia algumas manipulações, dentre outras coisas, mas ela era uma feiticeira talentosa. Nem todos conseguiam controlar as armadilhas da consciência de outra pessoa como a loira.

Na medida em que o loiro avançava, sentia o ar pressionando-o cada vez mais. A névoa ali se tornava cada vez mais densa, deixando Naruto ainda mais desnorteado. Ouviu Kyuubi arquejar novamente, e começou a ficar preocupado.

–O que há com você, Kyuubi? – perguntou, agoniado.

“Naruto. Volte. Agora.”, sibilou o Bijuu.

E quando o loiro estava prestes a gritar com ela, explicando que se soubesse como sair dali já o teria feito, deparou-se com uma porta entreaberta. Olhou para ela, confuso.

“Não faça isso. Você sabe que é proibido!”

Mas àquela altura, Naruto já não dava ouvidos à Kyuubi. Aproximou-se da porta sem hesitar, abrindo-a completamente.

E todo o cenário ao seu redor mudou: a escuridão agora cedia lugar à uma sala precariamente iluminada, onde algumas pessoas usando jalecos brancos e máscaras hospitalares ligavam alguns aparelhos. Naruto já não conseguia mais ouvir Kyuubi, como se ela estivesse perdida no espaço indefinido entre aquela sala estranha e a escuridão onde se encontrava há alguns instantes.

Confuso, sem entender onde estava, ele deu um passo para dentro da sala. Queria perguntar àquelas pessoas como saia dali, mas algo o fez parar.

Em uma cadeira, amordaçada, amarrada, estava uma garota de longos cabelos negros, e olhos perolados arregalados de pavor. Algumas lágrimas acumulavam-se em seu olhar, enquanto ela observava um dos médicos colocar um pequeno aparelho em suas têmporas.

Os olhos azuis de Naruto também se arregalavam na medida em que ele compreendia o que estava acontecendo. Os médicos agiam como se ele não estivesse ali, pois realmente ele não estava. Apenas a dona daquela lembrança poderia identificar a presença do loiro, mas ela estava apavorada demais para notar qualquer coisa além dos médicos e do aparelho ligado às suas têmporas.

Naruto observava a tudo sem conseguir dar mais um passo sequer. Estava horrorizado, e o olhar de Hinata fez com que uma nova onda vertiginosa e enjoativa lhe atingisse.

–Me solta! Seu Areinha retardado! Me solta! – Ino se debatia nos braços de Gaara.

–Fica quieta, Ino! É perigoso voltar lá!

–Você não está vendo que eles não vão aguentar? Não está sentindo? As vias de chakra deles estão se rompendo! Me solta, seu Ketchup maldito!

–Naruto sabe se cuidar! Não vou deixar você voltar lá de jeito nenhum!

–Gaara!

–Não! – insistiu ele, segurando firmemente os pulsos de Ino.

–Seu... – começou Ino. Mas foi interrompida pela mão firme de Sai em sua nuca. O golpe do rapaz induziu a loira ao desmaio instantaneamente.

–Seu idiota! Você bateu com força demais! – gritou Gaara.

–Era a única maneira de fazer ela calar a boca. – respondeu Sai, dando de ombros.

Os dois fitaram a loira desmaiada, e Gaara suspirou.

–Como não pensei nisso antes? – falou, a expressão desolada.

Os dois trocaram um meio sorriso, e logo voltaram-se para os outros dois inconscientes. Esperava que eles voltassem antes de terem que tomar medidas drásticas.

Gaara respirou profundamente. Mesmo se esforçando, não conseguia conter o ciúme que o invadia pela proximidade e intimidade que sabia existir entre Sai e Ino.

O ruivo tentou afastar aquele pensamento, e concentrar-se em Naruto.

O que será que estava acontecendo?

Um dos médicos ligou o aparelho, e o loiro viu a garota fechar os olhos, os dentes se cravando na mordaça. Ela se debatia convulsivamente, os gritos soando abafados. O outro médico apenas observava e anotava. Ainda sem conseguir reagir à nada, Naruto observou os médicos com um pouco mais de atenção. Todos usavam máscaras, e apenas os olhos se destacavam em seus rostos. Um deles tinha olhos negros e usava um par de óculos redondos, outro tinha olhos dourados, apresentando ainda um certo tom esverdeado. Pareciam os olhos de uma serpente.

–O método de tortura com tratamento de choque mostrou-se eficaz na cobaia número 21. — falou o dos olhos de cobra. E logo se virou para o que usava óculos. – Aumente a carga.

–Não! – gritou o loiro, finalmente apressando-se na direção de onde eles estavam. Obviamente, nenhum dos homens presentes naquela sala atentou-se à presença de Naruto ali.

Mas Hinata continuava se debatendo, os gritos abafados pela mordaça. Correndo em socorro à garota, viu os corpos imaterias dos médicos se desfazerem em fumaça na medida em que atravessava a sala. Os aparelhos também desapareciam, ficando apenas Hinata, deitada sobre a cama. Ele desamarrou-a, e afastou a mordaça. Mas ela continuava em convulsão, os gritos de dor ecoando pela sala.

–Hinata! Acorde! Hinata, eu estou aqui com você! É apenas uma lembrança ruim! Por favor, acorde! Volte pra mim! Hinata! – chamava, desesperado. Mas ela não ouvia.

Aquela situação lhe era, de alguma forma, familiar. Aquele pavor na expressão dela, o medo... toda aquela mágoa, aquele desespero.

Num ato impensado, de empatia e vontade de protege-la daquela dor, ele a puxou para os seus braços. Abraçou-a fortemente, os lábios próximos à orelha de Hinata, roçando carinhosamente nos cabelos negros.

–Estou aqui, Hinata! Abra os olhos, por favor! Isso não é real... – mas Naruto logo foi interrompido por uma nova descarga de chakra que o atingiu como um raio. Ele gritou de dor, e de um lugar distante, ouviu um novo arquejo de Kyuubi.

As ondas de chakra o atingiam com tal força que ele achou que fosse ser partido ao meio. Sabia que não suportaria aquilo por muito tempo, e logo perderia a consciência novamente. Sabia que deveria se soltar dela, ou sofreria sérios danos com aquilo.

Mas não se afastou.

Continuou a abraça-la, sendo atingido pela mesma dor que ela experimentava. Não compreendia como uma lembranças poderia estar marcada na memória de uma pessoa de forma a tornar-se tão real. Mas ele continuou ali, a envolve-la, como se pudesse mesmo protege-la.

O calor protetor de Naruto aos poucos despertava Hinata daquele pesadelo. Ela foi abrindo os olhos, devagar, na medida em que a dor cessava. Ela então voltou seu olhar para o rapaz que a abraçava, trêmulo, ofegante.

–Na... Naruto...?

–E... e aí? – arquejou, tentando sorrir. Mas ele tossiu, e uma rajada de sangue saiu de sua boca.

–Naruto! O que você tem? O que... o que está fazendo aqui? – ela perguntou, desnorteada. Olhou mais atentamente para ele, percebendo que o loiro respirava com dificuldade, e tinha os olhos cansados e pesados, como se estivesse prestes a desmaiar.

Mesmo assim, ele tentava sorrir.

–Vim... tirar... você daqui...! O que mais seria? – questionou, sarcástico.

Hinata bufou. Nem naquele estado ele perdia aquele ar de superioridade.

–Por que você veio, idiota? – perguntou, aflita.

Naruto deu uma risada debochada. Ela estava nervosa, e irritada por vê-lo ali, embora sua expressão fosse de alívio. As bochechas levemente coradas denunciavam o constrangimento que sentia por estar nos braços dele.

O sangue que jorrava de sua boca o fez tossir, engasgado. Hinata estreitou os olhos perolados para ele.

–Bem feito. – falou ela.

–Eu vim te salvar, e é assim que você me agradece? Você é mesmo um saco, hein? – reclamou ele. Mas logo Hinata viu os olhos azuis de Naruto revirarem-se, e ele despencou de seus braços. Hinata o segurou com dificuldade, apoiando um dos braços de Naruto sobre seus ombros.

–Naruto!

O loiro riu novamente.

–É... Parece que você só... reage... quando... – mas não conseguiu concluir a frase. A exaustão o levou ao desmaio, a dor latejando forte por todo o seu corpo. Sabia que, quando acordasse, seu estado não seria nada legal.

–NARUTO! – gritou Hinata.

–NARUTO! – gritou Hinata, abrindo os olhos. Gaara e Sai se sobressaltaram, esperando que Naruto acordasse do transe também.

O loiro, que estava sentado na frente e Hinata, caiu sobre o colo dela, ofegando, respirando com dificuldade, cuspindo um jorro de sangue na blusa da garota.

Ela o agarrou, a expressão tomada pela preocupação.

–Na-Naruto! Naruto, fale comigo! – implorou, sacudindo levemente o rapaz que respirava precariamente sobre seu colo. Ele ainda estava de olhos fechados, mas logo começou a balbuciar algo.

–Hi... na... ta... Você... está... bem...?

–Que tipo de pergunta é essa, seu loiro bastardo?! – ela perguntou, completamente descontrolada. – Você está quase morrendo, e pergunta se eu estou bem?!

Ele riu fracamente, e ela sentiu vontade de esmurra-lo.

–O que aconteceu com vocês? – perguntou Gaara, os olhos verdes estreitando-se de preocupação. Olhava para a garota Hyuuga, desconfiado, mas não externou suas outras dúvidas. Ela estava trêmula de nervosismo, enquanto Naruto jazia semiconsciente em seu colo, o sangue tingindo a roupa da garota de um vermelho vivo.

–Ele... eu acho que... ele... eu... – Hinata tentava contar. Mas como saberia explicar aquilo?

Gaara fitava os dois, suas profundas olheiras encobrindo as perguntas que tinha em sua mente. Preferiu guarda-las para quando estivesse sozinho com Naruto.

–É possível que alguém tome para si as dores dos outros? – perguntou Hinata.

O ruivo pensou um pouco sobre aquela situação.

–Sim. É possível.

Hinata olhou novamente para Naruto. Seus olhos perolados agora estavam carregados com a culpa, sua garganta se fechando ao ver o estado em que ele se encontrava por sua causa.

–Por que fez isso, idiota? – sussurrou, contendo as lágrimas que ameaçavam rolar.

Sai pegou o celular, discando um número.

Depois de algum tempo, ouviu uma voz arrastada e sonolenta do outro lado da linha.

–Alô, Sakura? Precisamos da sua ajuda. É o Naruto. Por favor, venha o mais rápido que puder.

Quando Sakura chegou, Ino já estava acordada. Sai havia levado uns bons cascudos por tê-la golpeado, e agora tanto ele quanto Gaara observavam, preocupados, Naruto inconsciente no sofá, respirando com dificuldade, a boca, o pescoço e boa parte de sua roupa sujos do sangue que ele cuspira. Hinata estava encolhida no outro sofá, abraçando os joelhos, os olhos perolados aflitos. Não entendia direito o que havia acontecido, mas sabia que ele estava naquele estado por sua causa.

Ino estava ao lado dela, para passar-lhe segurança e tentar acalmá-la.

–O que houve aqui?! – Sakura perguntou, os olhos verdes se arregalando de espanto. – O que aconteceu com o Naruto?! – alarmou, aproximando-se do loiro.

–Nós não... sabemos. Aconteceram alguns imprevistos enquanto tentávamos entrar na mente da garota Hyuuga. – explicou Ino, deixando a rosada ainda mais confusa.

Sakura voltou seus olhos para Hinata, que por sua vez, não desgrudava os olhos de Naruto.

–Então ele conseguiu resgatar você. – falou Sakura. A morena apenas se encolheu ainda mais. –Bom, teremos tempo para apresentações mais formais. Agora, me deixem ver o que posso fazer... – disse ela, colocando suas mãos espalmadas sobre o tórax de Naruto. Suas palmas ganharam uma tonalidade esverdeada enquanto ela se concentrava, sentindo a extensão dos danos. Seus olhos verdes arregalaram-se ainda mais. – O que você andou fazendo, idiota?! – perguntou, como se Naruto pudesse ouvi-la. Para a sua surpresa, ele deu um riso baixo, fraco e cansado.

A rosada então começou a trabalhar. Fechou os olhos, concentrando-se nas vias de chakra desordenadas do loiro. Tudo ali parecia devastado, e dentro dele corriam ondas nocivas de uma névoa avermelhada, intrusa, que envenenava a circulação. Ela apertou seus olhos fechados, tentando tirar aquilo de dentro dele. Mas a névoa era como um ácido, corroendo seu chakra sempre que tentava avançar.

A tarde transcorreu tensa, enquanto Sakura utilizava suas habilidades o máximo que podia. Estava completamente suada, o esforço a levando aos limites da exaustão. A certa altura, sentiu uma mão sobre seu ombro, e logo depois ouviu a voz de Ino retirando-a do transe.

–Não se esforce demais. Você já fez o suficiente. Ele irá se curar sozinho agora.

Sakura afastou as mãos do corpo do loiro, que agora já respirava normalmente. Caiu sentada no chão, enxugando o suor da testa com a mão.

–Sério, o que foi que aconteceu com ele?

–Não sabemos. – Ino repetiu.

–Sa... Sakura? – as duas se viraram para fitar o dono da voz. Naruto sorria para elas, os olhos azuis abertos, procurando por... – Onde ela está?

–Pedi que ela fosse se trocar. Estava toda suja com o seu sangue. – Ino explicou. O loiro olhou para suas roupas, e entendeu o que ela queria dizer. – O que aconteceu com vocês dois?

Naruto desviou o olhar. Não queria falar sobre aquilo, e achava que não era da sua conta; as lembranças que presenciou não eram dele. Estava ali como um intruso.

Já se sentia melhor, e ficou feliz que suas habilidades curativas ainda surtissem rápido efeito. Mesmo assim, ainda sentia alguma dor, e o silêncio em sua consciência o incomodava.

Foi quando ouviram o celular de Sakura tocar. A rosada se levantou, e ao fitar a tela do aparelho, revirou os olhos. Atendeu com a voz arrastada, e monótona.

–Alô?

Silêncio.

Sakura praguejou mentalmente. Aquele Número Restrito ligava insistentemente, mas quando atendia, ninguém falava nada. Iria acabar perdendo a paciência e dizendo poucas e boas pelo telefone a qualquer momento.

–Não diga meu nome. Apenas responda ao que eu lhe perguntar. – ela finalmente ouviu a voz masculina dizer, do outro lado da linha.

Sakura estremeceu, sua expressão sendo tomada pela surpresa. Tentou seguir aquela instrução, mas o choque em seu rosto denunciaria a identidade da pessoa com quem falava. Virou-se rapidamente para a porta, ficando de costas para Naruto, Ino, Gaara e Sai.

–Você está na casa do Naruto?

–Si-Sim. – respondeu a rosada.

–Gaara e Ino estão ai?

–Sim.

Ela ouviu o dono da voz suspirar.

–Arranje uma desculpa qualquer e saia da casa. Preciso falar com você.

–Aconteceu alguma coisa? – perguntou ela, preocupada. Óbvio que algo havia acontecido, ou aquela pessoa não estaria ligando.

–Apenas saia da casa, Sakura. – falou, impaciente.

Ela então virou seu rosto para os amigos na sala. Eles a encaravam curiosos, reparando no repentino nervosismo da rosada. Ela mordeu o lábio inferior, sem ter certeza de que desculpa poderia usar.

–Eu... preciso... algo aconteceu no hospital... preciso falar com meu assistente em particular... com licença. – falou, saindo dali correndo, com medo de falar algo que a comprometesse.

Ao sair da casa, ela coloca novamente o telefone junto ao ouvido.

–Sasuke?

–Está sozinha?

–Sim...

–Preciso que você venha me encontrar.

–Encontrar... você? Por quê?

Ele respirou fundo. Não seria nada fácil falar sobre aquilo – especialmente com Sakura.

–Akatsuki encontrou um novo corpo.

Sakura estremeceu novamente, seus olhos verdes se estreitando. A suspeita pulsando nítida em sua mente fazia com que suas pernas fraquejassem um pouco.

–É um de nós? – perguntou, sem querer ouvir a resposta.

As palavras de Sasuke perfuraram seus ouvidos como garras afiadas.

–Sim. – respondeu, o pesar nítido em sua voz. Apesar de tudo, aquela situação também deixava os olhos do Uchiha carregados de tristeza. E imaginar os impactos daquela notícia apenas piorava tudo.

–Quem... quem foi, dessa vez? – perguntou Sakura, a garganta se fechando. Já não aguentava mais passar por aquilo. Quanta dor ainda estava por vir, quantas perdas teria que enfrentar... quantas vidas ainda seriam levadas?

–Quero que você venha examinar o corpo. Qualquer informação que pudermos obter será valiosa para descobrirmos quem está fazendo isso. – falou ele, e Sakura notou certa ferocidade em sua voz. Sasuke, apesar de seu habitual escudo de frieza, também sentia muito a morte dos amigos. E agora, mais um...

–Onde posso encontrar você?

–Irei buscar você no seu apartamento, hoje a tarde. Esteja pronta.

Sakura ficou em silêncio. Já imaginava quem era a vítima, mas não queria acreditar. Não queria pensar nas consequências disso, nem em quanta dor seus amigos sentiriam com aquela notícia. Antes de desligar, ouviu Sasuke respirar fundo novamente. Ele parecia um pouco tristonho também, embora tentasse a todo custo esconder isso dela.

–Não conte nada ao Gaara. – ele falou.

Sakura assentiu, deixando duas pesadas lágrimas escorrerem de seus olhos.

Sentia a paz daqueles dias sumir pouco a pouco de suas lembranças, a dor e o pesar consumindo todo e qualquer vestígio de esperança que pudesse ter.

Ao abrir a porta da casa de Naruto, a rosada deparou-se com a cena que sempre acontecia quando deixava aqueles três sozinhos.

Ino agarrava um abajur, ameaçando jogá-lo na cabeça de Gaara.

–Soooollltaaaa! – gritava o loiro, agarrando-se à Ino. – Esse abajur é meeeeuuu! Vocês não vão destruir a minha casa de novo!

–Sua loira psicopata! – gritava Gaara, escondendo-se atrás de Naruto enquanto o loiro tentava tirar o abajur das mãos de Ino. – Bruxa revoltada! Tá querendo me matar?!

–Você ainda tem dúvidas quanto a isso?! – ela gritou de volta.

Sakura suspirou pesadamente. Caminhou na direção dos três, concentrou um pouco de chakra no punho direito e acertou Naruto com tudo.

Os três se separaram com o baque, caindo no chão.

–AAAAIIIII! POR QUE ME BATEU?! ERAM ELES QUE DEVIAM APANHAR! EU SÓ ESTAVA TENTANDO SEPARAR ESSA BRIGA IDIOTA! – reclamava o loiro, dando seu habitual escândalo.

–Você estava no meio dos dois. Te acertar era a maneira mais rápida de apartar a briga. – falou, como se aquilo fosse algo óbvio.

Naruto estreitou os olhos.

–Sei... Pra uma curadora, você bate mais do que cuida. – resmungou.

–Que é, Naruto?! – gritou, uma veia saltando de sua testa.

–Nada, nada... – respondeu, levantando-se do chão.

Percebendo que deveria sair logo dali antes que seus olhos denunciassem aos amigos que havia algo errado, Sakura avisou a Naruto que comesse alguma coisa e descansasse, e logo se despediu de todos, dizendo que tinha que voltar ao hospital. Pegou sua bolsa, e caminhou até a saída.

Ao ver a rosada preparando-se para partir, Ino esqueceu-se de Gaara, e acompanhou a rosada.

–Sakura, posso falar com você? – perguntou. A rosada encarou Ino por um minuto.

–Claro. – respondeu, ignorando o olhar preocupado com que Ino a fitava. As duas então dirigiram-se até a porta.

Ao saírem da casa de Naruto, a loira puxou o braço de Sakura.

–Ei, Sakura. – chamou. Seus olhos azuis tinham uma expressão estranha.

–Estou atrasada, Ino. Não posso parar pra conversar agora. – respondeu, desvencilhando-se da mão de sua amiga.

–Só quero te pedir uma coisa. – falou, e seu tom de voz fez com que a rosada se virasse para encará-la com mais atenção. –Por favor, esqueça o Sasuke, tá legal? Ele não é mais um de nós. Não me entenda mal, eu ainda o considero um amigo, mas ele é perigoso, Sakura. Principalmente para você. – avisou. Ela percebera a expressão abatida de Sakura no minuto em que ela havia atendido ao celular. Ino sabia que Sasuke era o único que podia deixar a rosada daquele jeito.

Sakura piscou, atônita pelas palavras repentinas da amiga.

–Ele ainda é um de nós, Ino. No fundo, sei que ele ainda é.

–Não, Sakura. – disse Ino, balançando a cabeça. – Ele está na Akatsuki agora. Segue valores diferentes. Você é uma curadora. Não deixe que seus sentimentos por ele te desviem do seu dom. Com uma testa tão grande, você deve ter um cérebro grande também. Use-o para pensar a respeito, está bem?

Uma veia saltou da testa de Sakura, mas ela sorriu.

–Vai, entra, Ino Porca. Você precisa cuidar do Naruto enquanto eu estiver fora. – falou, mudando de assunto.

–Prometa. – insistiu Ino.

A rosada suspirou.

–Não posso, Ino. Não posso prometer isso. Você sabe.

A loira fitou a amiga com carinho e um pouco de pena. Pelo visto, era tarde demais para que ela pudesse voltar atrás.

–Cuidado, Sakura. Ele vai pisar nos seus sentimentos. Ele não tem mais coração.

Sakura virou-se e começou a andar até seu carro.

Ino suspirou.

Sim, era tarde demais para voltar atrás.

Hinata e Ino arrastaram Naruto até o quarto, ouvindo muitos gritos impacientes dele. O loiro era muito agitado, e embora insistisse que estava bem, as garotas não escutavam. Gaara apenas ria, e Sai se mantinha neutro.

Deixando Naruto aos cuidados de Hinata, que insistia em não sair do quarto do loiro, Ino caminhou até o quarto de hóspedes onde ficaria naquela noite. Sai já deveria estar deitado, e ela também estava cansada...

Parou no meio do corredor, fitando uma porta. Sem resistir à tentação de ver como certa pessoa estava, ela bateu levemente na madeira.

–Entre. — ela ouviu a voz masculina dizer.

Ino entrou no quarto, vendo Gaara sentado na cama, encostado na cabeceira. Ela se aproximou do ruivo, sentando-se na cama ao lado dele.

–Ainda tem problemas para dormir? – perguntou, sorrindo.

Ele desviou os olhos dela, sem responder nada.

–Suas olheiras... – falou ela, tocando o rosto dele delicadamente. – Estão ficando mais profundas. Você não está dormindo direito.

–Você sabe que eu tenho insônia. – falou ele, afastando friamente as mãos dela de seu rosto.

–Quer ajuda? – ofereceu, ainda sorrindo.

Ele respirou profundamente, ainda sem se permitir fitar aquele sorriso que ela lhe exibia.

–Faz muito tempo desde a última vez em que você me ajudou a dormir. – divagou ele, tentando distraí-la daquela proposta. Ela assentiu, fitando atentamente a expressão distante de Gaara.

O ruivo se perdeu em lembranças, voltando a um passado que não gostava de visitar...

Memórias de um passado não tão distante



Gaara se dirigia à varanda daquela enorme dependência. Aquela sede da ORDEM era grande demais, e lhe entediava ficar ali. Estava acostumado à movimentação das ruas, aos perigos e prazeres das esquinas escuras. Não entendia aquela insistência de Sasori em fazê-lo habituar-se a uma vida tranquila, em convencê-lo de que podia viver e ser reconhecido como humano.

Humanos sentiam coisas, não sentiam? Tinham amigos, família, vida.

Gaara não tinha nada daquilo. E não se importava. Destruiria tudo o que estivesse em seu caminho, conseguiria tudo o que desejasse. Defenderia seu mestre, o único homem que ousou acreditar e acolhê-lo do jeito que ele era. Mas não conseguia aceitar toda essa baboseira de Amor da qual Sasori tanto falava. Era difícil para ele compreender do que se tratava aquele sentimento.

Ele se sentou na cadeira de balanço, refletindo sobre aquilo. Mas aqueles pensamentos foram interrompidos pela presença que se aproximava. O ruivo rosnou na direção de quem quer que fosse, mas logo percebeu quem era: a bela discípula de Asuma, a quem ele rondava nos últimos dias. Gaara sorriu, os olhos brilhando de cobiça. Faltava muito pouco para que aquela garota caísse em seus braços. Ele queria usar aquele corpo perfeito, desfazer aquele sorriso irritante que ela exibia a todos de forma tão insistente. Queria pisar naqueles sonhos que ela alimentava, queria triturar mais um coração... Afinal, era para isso que ele servia. Era essa a única coisa que sabia fazer. O único sentimento que conhecia.

–Insônia? – perguntou ela.

Ele sorriu. Apontou para o braço da cadeira onde estava sentado, indicando que ela se sentasse ali. Ino aproximou-se, aconchegando-se junto ao ruivo.

–Eu raramente durmo.

–Como assim?

–Não consigo. – falou ele, dando de ombros.

–Por que?

–Porque toda vez que fecho meus olhos, eu vejo o tormento que existe dentro de mim. Minha mente não se cala nunca. Meu inferno particular não para de queimar. E meu Bijuu me ajuda a ficar acordado o máximo de tempo possível. — explicou, esperando que ela ficasse apavorada.

Mas ela sorriu ainda mais abertamente para ele.

–Posso ajudar. – falou Ino.

–Ah, pode? – perguntou, malicioso. Parecia que a conversa estava chegando em um ponto interessante.

–Sim. Posso tentar? – falou ela, estendendo as mãos hesitantes na direção do ruivo.

O sorriso de cobiça espalhou-se instantaneamente pelo rosto de Gaara.

–Claro. – respondeu ele.

Mas as mãos de Ino moveram-se até as têmporas do ruivo.

–Feche os olhos, Areinha. – brincou ela.

Ele obedeceu, e sentiu uma onda repentina de paz invadi-lo. Sentia um calor que o embalava, pouco a pouco, induzindo-o à um lugar ensolarado, bonito, cheio de vida.

Ele arregalou os olhos, apavorado, agarrando com força os pulsos de Ino. A fitava com uma expressão feroz, como se fosse despedaça-la a qualquer momento.

–O que é isso?!

–Estou resgatando em você uma lembrança bonita.

–Não existem lembranças bonitas em minha mente.

–Está enganado. Eu vejo em você uma luz que ainda não se perdeu. Eu vi. – ela falou, tranquilamente.

O ruivo se calou, refletindo sobre aquelas palavras. A incerteza estava estampada em sua expressão.

–Pode... fazer de novo?

Ela sorriu para ele.

–Sim.

Ino colocou seus dedos nas têmporas de Gaara novamente, levando-o ao lugar bonito que ela sabia existir dentro dele. Embora o ruivo procurasse se esconder por debaixo daquela aspereza, Ino sabia que ele um dia encontraria a paz. Sasori havia dito a Asuma, mestre da loira, que Gaara era especial. Ele encontraria a felicidade e o amor, um dia.

Naquele lugar tranquilo, embalado pelo calor que vinha do toque dela, Gaara dormiu em paz pela primeira vez em sua vida.

Gaara finalmente olhou para Ino, que estendia as mãos na direção de seu rosto, pedindo permissão. Ele suspirou. Não adiantaria negar. As lembranças do passado ainda tingiam sua mente, dando àquele momento um tom nostálgico.

Ele fechou os olhos, esperando pelo toque carinhoso que não sentia há muito tempo. Quando as mãos de Ino o tocaram, Gaara sentiu um arrepio correr por sua espinha. Reprimiu o impulso de tocá-la, abraça-la, fazê-la sua. Não tinha mais esse direito.

Ele prometera ficar longe dela. Prometera para ela.

Ela se concentrou, fechando os olhos também. Gaara precisava ser cuidadoso quando Ino estava em sua mente daquela maneira. Ele selava seu Bijuu, e todas as portas que ela pudesse encontrar – um pequeno truque que Sasori havia ensinado a ele. Não gostaria de machuca-la com o que havia ali, nem que ela visse seus pensamentos e lembranças obscuras.

Mas não pôde evitar que ela descobrisse um pensamento em particular.

–Você ainda está preocupado com Sasori. E com Naruto.

Ele permaneceu em silêncio. Ela mergulhava cada vez mais fundo em sua mente, e logo encontrou uma lembrança. Aquele mesmo lugar tranquilo, para onde ela o levara da primeira vez em que entrou na mente dele. Gaara suspirou, deixando-se preencher pela paz que Ino lhe proporcionava.

Sentia-se relaxar, até que a proximidade de Ino começou a perturbá-lo. Gostaria de poder tocá-la, mas não poderia quebrar sua promessa.

Afastou as mãos de Ino de sua pele, tentando ser delicado, mas, acima de tudo, tentando esconder o descontrole que ganhava cada vez mais terreno em sua mente.

–Já chega. – falou ele.

Ela estreitou os olhos azuis.

–Lembra como você era na época em que nos conhecemos? Todo frio, distante, calculista e chato? Nem parece com o idiota que é hoje em dia.

–Prefere que eu volte a ser como antes?

–Não. – falou ela, com certo pesar. – Prefiro você sendo idiota. Você... mudou muito. – ela disse, sorrindo para ele.

–E você, Ino? – falou Gaara, desviando os olhos do sorriso dela. – Por que não mudou também? Por que... continua... Por que insiste em me levar à esse lugar, quando está em minha mente? – perguntou, levemente transtornado.

Ela o fitou, seu sorriso franco e carinhoso.

–Porque eu ainda vejo a luz em você. – respondeu ela, sabendo que um dia, ele a entenderia.



Notas finais
Oi! Gostaram? Lembro que os comentários de vocês são minha principal inspiração para continuar escrevendo! Aos leitores novos, se quiserem, deem uma olhada na minha outra fic: http://fanfiction.com.br/historia/500126/Lacos/ Seria ótimo ter a opinião de vocês por lá também. Por favor, não deixem de recomendar a leitura dessa fic aos amigos, de comentar, enfim... a autora-san ama vocês. Ah, e por favor, se notarem alguma irregularidade na fic, me avisem! NaruHina no próximo capitulo, hein? Bjks!