Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Autora-san com crise de enxaqueca postando capítulo! Desculpem pela demora, minha rotina está muito complicada... E minha saúde também. Meu povo, vocês tem noção do quanto os comentários de vocês fazem essa autora feliz? Cada um mais lindo que eu outro, eu fico toda prosa e convencida! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Não deixem de comentar, analisar, e de recomendar a leitura dessa fic aos amigos... Encham o saco deles, cantem a música do elefantinho que incomoda muita gente... A autora-san, agradece! (Eu sempre fico com a impressão de estar esquecendo de alguma coisa nas notas, e não consigo me ligar do que é.) A música tema da cena NaruHina, no final do capitulo, é Blinding, da Florence And The Machine... Porque tudo o que a Florence toca, vira ouro! O link está no final do capítulo, espero que todos possam ouvi-la enquanto leem. Ah, sobre o hentai... sejam pacientes, vai sair! Mas algumas coisas tem que acontecer antes de chegarmos lá. E para os que estão ansiosos pelo hentai NaruHiniano, ele não vai ser o primeiro, tá? Naruto e Hinata acabaram de se conhecer, e não faria sentido colocar os dois nessa situação agora. O primeiro hentai será de outro casal, e prometo, a hora está chegando! Apenas aguardem! (A autora-san, neste momento, se sente insegura com toda essa responsabilidade de fazer hentai. Tá todo mundo tão ansioso que tá me dando medo, sério. Se não ficar bom, acho que serei linchada aqui no Nyah!. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk) Chega de enrolação, né? Espero que gostem do capítulo! Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!



A sala onde Sakura entrava agora era iluminada apenas por uma única lâmpada, que ficava acima da mesa de ferro no centro do local. Ela caminhava atrás de Sasuke, que não havia dito muitas coisas ao encontra-la aquela tarde. Os dois andavam em silêncio, e o moreno se afastava a qualquer menção de que ela fosse tocá-lo.

Ele se posicionou em uma das laterais da mesa, e Sakura dirigiu-se para a outra. Fitavam o corpo inerte sobre a mesa com os olhos carregados de pesar e apatia. Sakura ainda não conseguia acreditar no que via, e ao mesmo tempo, não conseguia reagir ao corpo à sua frente.

Sobre a mesa, o corpo quase totalmente artificial, o coração repleto de perfurações, de onde jorrava o sangue já seco. Os olhos fechados no rosto jovem, emoldurado pelos cabelos rosados, deram à Sakura a sensação de ter sua garganta fechada. A rosada desviou os olhos daquele rosto, e fitou Sasuke.

–Quando iremos contar pra ele?

Sasuke suspirou.

–Precisamos primeiro tentar entender o que aconteceu. Depois nos preocupamos com isso.

Foi a vez de Sakura soltar um pesado suspiro. Nunca era fácil lidar com Sasuke, naquele tipo de situação, então, ele se tornava impossível.

Ela fitou novamente o corpo à sua frente, sentindo as lágrimas se acumularem. Mas conteve-se.

–Tudo bem. – falou, concentrando-se em sua habilidade como curadora e médica. – Conte-me tudo o que você sabe.

Naruto estava sentado em sua cama, procurando se concentrar. Seu lugar de meditação estava completamente sujo de sangue, e sabia que se tentasse sair do quarto, Ino ou Hinata iriam arrastá-lo de volta.

Mas agora ele tentava mergulhar profundamente na própria consciência. Não conseguia tirar da cabeça os grunhidos de dor de Kyuubi que ouvira, e o silêncio em sua mente desde então o estava deixando preocupado. Depois de alguns minutos, viu a si mesmo, num corpo imaterial, caminhando por sua mente. Procurou ansiosamente pelo portão que selava o Bijuu, percebendo um silêncio anormal.

–Kyuubi? – chamou, preocupado.

Mas não houve resposta.

–Kyuubi, está tudo bem? – insistiu, recebendo silêncio como resposta novamente. – Kyuubi! – gritou, sua voz rouca ecoando por todo o lugar.

Viu então um brilho destacar-se na escuridão por detrás do portão. Um rosnar impaciente chamou a atenção do loiro, que respirou aliviado. Ela estava lá.

Dado alguns passos para frente, mostrando-se sob a precária iluminação da mente de Naruto, Kyuubi apareceu. Tinha ferimentos por toda a extensão de seu corpo, e aquela visão fez os olhos azuis que a encaravam se arregalarem.

–O que... o que aconteceu com você?

“Nada com o que você deva se preocupar.”, respondeu ela.

–Como não vou me preocupar, idiota?! Você está assim por culpa minha!

“Não diga bobagens. Você fez o que tinha de fazer. Não é culpa sua.”

–Claro que é! Você me avisou pra sair de lá, mas não te dei ouvidos! – agoniou-se, a culpa fazendo o ar de sua consciência ficar mais denso.

“Não seja tão escandaloso. Logo estarei bem. Mas seja cauteloso.”

–Cauteloso com o quê?

“Existe algo naquela garota que pode lhe causar uma dor maior do que a que experimentamos hoje.”, alertou ela. “Tome cuidado.”

–Como assim? Não fale desse jeito complicado, você sabe que eu não entendo!

Kyuubi suspirou.

“O tempo mostrará a você. Agora vá... preciso descansar.”

–Droga, raposa, explica isso melhor!

Ela deu alguns passos para trás, desaparecendo sob a escuridão. Naruto ainda não compreendia que seu destino estava entrelaçado ao de Hinata, e talvez alertá-lo para aquilo fosse um erro. Mas precisava prepara-lo para o que estava por vir.

–Kyuubi! Volta aqui! Explica essa história direito! – gritou, impaciente. Mas ela não voltou.

–Naruto! Naruto!

O loiro abriu os olhos, encarando furiosamente o dono da voz que o tirava repentinamente do transe sem que tivesse as respostas que desejava.

–Que é, Sai? A Ino não tá aqui! Já é a terceira vez que te digo isso! – impacientou-se.

–Já procurei pela casa toda. – justificou-se.

–Já experimentou dar uma olhada no quarto do Gaara? – provocou Naruto, erguendo uma sobrancelha.

Sai estreitou seu olhar para o loiro.

–Ela não faria isso... ela sabe que não pode...

–Então volta pro seu quarto antes que eu te expulse da minha casa.

–Volto mais tarde pra saber se ela passou por aqui. – avisou.

Naruto pegou um copo que estava na cômoda ao lado de sua cama, e atirou na direção de Sai, que fechou a porta rapidamente. O vidro se estilhaçou na madeira, caindo na entrada do quarto em mil pedaços.

–Mas que droga... – praguejou, impaciente.

Shikamaru estava sentado do lado de fora da Igreja. Atrás daquele lugar, havia um terreno baldio, que ele agora contemplava, perdido em pensamentos. Apreciava esses momentos em que podia apenas deixar sua mente divagar a esmo. Ultimamente, não tinha muito tempo para ficar sozinho, e Asuma lhe mandava cada vez mais trabalho. Seu tempo era consumido pelas investigações e pela farsa que representava naquela Igreja.

Ele tinha consciência de que algumas pessoas daquele lugar já o consideravam um “preguiçoso”, e aquilo o fazia sorrir. Aonde quer que fosse, não conseguia esconder aquela característica. Apenas gostava de passar pelos dias aproveitando a paz, sem se estressar por coisas desnecessárias. Tinha certeza de que, se todos pensassem como ele, a expectativa de vida da humanidade aumentaria significativamente, já que o stress acabava por matar muita gente.

Obviamente, aquilo era apenas uma desculpa para justificar sua preguiça. Bocejou, admirando a calmaria daquela tarde. Uma brisa suave se alastrava pelo local, evidenciando o clima ameno daquele dia. Shikamaru sorriu, e fechou os olhos, aproveitando aquela calmaria.

A brisa então se transformou uma forte rajada de vento que o derrubou da cadeira em segundos. Ele olhou para os lados, atônito, seus pelos se eriçando. Por um momento, estreitou os olhos, vasculhando o local, mas não encontrou ninguém. Um pensamento atravessou sua mente, mas preferiu ignorar aquela hipótese.

“Devo estar imaginando coisas... foi só uma ventania mesmo.”, pensou, levantando-se, ainda desconfiado.

–Padre Nara! Padre Nara! – chamou Udon, correndo da direção de Shikamaru.

–Que foi? – perguntou, vendo que o garoto tinha os olhos arregalados, e estava completamente corado.

–Padre... Lá fora... tem uma moça procurando pelo senhor...

–Moça? Que moça?

–Ela... disse que é a freira Temari, mas... – o garoto hesitou, corando ainda mais. Shikamaru arregalou os olhos, passando por Udon e entrando na Igreja. Em se tratando de Temari, todo cuidado era pouco.

Ao chegar no salão principal, viu alguns frades formando um círculo suspeito em volta de alguém. Shikamaru se aproximou, praguejando mentalmente sobre aquela situação, e ao abrir caminho por entre eles, pôde enfim identificar o motivo pelo qual Udon estava tão vermelho.

Temari havia chegado. E não parecia nada com uma freira.

Vestia uma saia preta, curta e colada, e uma blusa lilás com um decote que ressaltava os seios. O cabelo loiro preso em quatro coques deixava algumas mexas caírem casualmente sobre os olhos e pescoço, os lábios de um vermelho vivo. Ela estava sentada em um dos bancos da Igreja, as pernas cruzadas, esperando que o famoso Padre Nara fosse recebê-la.

Alguns frades estavam do outro lado do salão, distantes de Temari. Shikamaru pôde ouvir o que eles falavam enquanto dirigia-se até onde a loira estava.

–Isso é um ultraje!

–Que freira é essa?

–É o demônio querendo nos tentar!

Padre Nara suspirou pesadamente. Não sabia onde estava com a cabeça quando pediu pela ajuda daquela mulher.

–Padre Nara! – alarmou ela, sorrindo descaradamente para ele. – Que bênção poder revê-lo! – brincou, piscando um olho para Shikamaru.

Sem responder, ele apenas agarrou um dos pulsos de Temari, e arrastou-a até os fundos da Igreja, na sacristia, abrindo caminho por entre os frades que olhavam suspeitamente para ela.

Ele empurrou-a para dentro da pequena sala, e trancou a porta atrás de si, olhando para ela com uma expressão indignada.

–Droga, você não sabe o que é disfarce, não?

–Rá! Você não achou mesmo que eu fosse me fazer de irmã, né? Por favor!

–Temari, não seja o pé no saco que você sempre é. – pediu ele, respirando profundamente para não perder a paciência. A paz daquele dia parecia uma lembrança distante, agora que ela havia chegado. – Estamos em uma missão, e se você for me ajudar, precisa cooperar. –ele tentou argumentar.

Ela revirou os olhos.

–Que seja. E aí, quem precisamos matar pra conseguir bebida por aqui? O garoto coroinha? Um dos frades?

–Não comece a querer matar as pessoas... Que saco, você mal chegou e já está me causando problemas!

–Qual é! Aqui é uma Igreja, deve ter vinho em algum lugar!

Ele suspirou. Pegou uma garrafa de vinho que mantinha debaixo da mesa das hóstias e entregou para Temari, que sorriu, satisfeita, virando a garrafa na boca.

–Agora sim. – sorriu.

Os dois ouviram uma leve batida na porta.

–Padre Nara... – chamou Udon, hesitante. – Está tudo bem por ai?

–Ai, Padre Nara, assim! – gritou Temari, olhando para o alto. – Mais forte, Padre Nara! Ai, que delícia...

–O que você pensa que está fazendo?! – sussurrou Shikamaru, entrando em pânico.

–Padre Nara?! – alarmou Udon, do lado de fora da sacristia.

–Oh, Padre Nara... estou quase lá... mais forte... – continuava ela, com um sorriso debochado nos lábios. Começou a bater sua bota no chão, fazendo soar um barulho ritmado, que se intensificava na medida em que uma expressão maliciosa se estampava em seu rosto.

Shikamaru empurrou Temari de encontro a parede, tapando a boca dela, que apenas ria descaradamente daquela situação.

–Mas que porra, Temari! – sussurrava – Para com isso! Quer foder com meu disfarce?

Temari começou a soltar gemidos abafados pela mão de Shikamaru em sua boca, fazendo o Padre Nara entrar em desespero.

–Udon... está tudo bem... irmã Temari não está se sentindo muito bem, e precisa repousar. Por favor, dispense todos, hoje não teremos reunião com a paróquia.

–Mas... Padre...

–Vai, Udon! – desesperou-se Shikamaru, ouvindo Temari gemendo cada vez mais alto sob sua mão.

Percebendo que o garoto correra para longe dali, ele se afastou de Temari, e seu olhar era de indignação.

–Mas que saco... por que é que você tem que ser tão problemática?

Ela sorriu, e virou mais um gole de vinho na boca.

Shikamaru suspirou. Definitivamente, não confiava em Temari, mas ela era sua melhor opção naquele momento. Não podia continuar aquelas investigações sozinho.

Mas depois de tudo o que viveram juntos, sabia que ela era forte, e poderosa. Sabia que a ORDEM não confiava nela, assim como não confiava em nenhuma feiticeira. Sabia que Temari era imprevisível, e perigosa.

Depois de tudo o que viveram juntos no passado, ela ainda conseguia tirá-lo do sério.

A loira estendeu a garrafa de vinho para ele, que também virou um grande gole. Ela então se aproximou um passo de Shikamaru, e os dois fitaram-se por um minuto em silêncio.

–Ainda não confio em você. – ele finalmente falou.

–Você NÃO DEVE confiar em mim, Padre Nara. – falou ela, depositando um leve selinho nos lábios de Shikamaru.

Pegou a garrafa de volta, passando por ele, sentando-se na cadeira. Cruzou as pernas, fitando-o seriamente.

–Diz aí, Padre Nara. – falou, virando mais um gole de vinho. – O que descobriu até agora?

Cegueira



A passos tímidos e incertos, Hinata se aproximou do quarto de Naruto. Havia entrado ali à tarde, com Ino, mas não prestara atenção em nada; o corpo fraco do loiro era tudo o que conseguia ver, não se atentara a mais nenhum detalhe. Mas ele logo expulsou as duas do quarto com sua típica impaciência, dizendo que elas estavam tratando-o como uma criança. Ino deu uns três tapas na cabeça de Naruto, fazendo-o irritar-se ainda mais.

Ele parecia estar sentindo tanta dor naquela hora... tudo porque ela guardava aquelas lembranças, que a atormentavam desde a infância. E o pior de tudo, é que aquilo não era nem o começo do horror que havia em sua mente.

Depois de encarar a porta do quarto pelo que pareceu ser uma eternidade, ela resolveu bater.

–PUTA QUE PARIU SAI, EU JÁ DISSE QUE NÃO SEI ONDE A INO SE METEU, PORRA! – estressou-se ele, de dentro do quarto. Hinata fitou a porta sem entender nada. Pelo visto, Sai já havia estado lá por várias vezes, em busca da loira.

–Na... Naruto... Sou eu, Hinata. Posso entrar? – perguntou ela, sem saber se devia ou não estar ali.

Por um minuto, ela só ouvia o silêncio.

–Ah, é você. – ele finalmente respondeu. – Entra.

Ela girou a maçaneta, abrindo a porta. O loiro sentou-se na cama, apoiando as costas na cabeceira, fitando-a confuso. Ele vestia apenas uma calça de moleton preta, mesmo que estivesse fazendo um pouco de frio. Seu rosto tinha uma expressão exaurida.

Ela fitou por um minuto os cacos de vidro no chão do quarto, mas conhecendo um pouco da personalidade impaciente de Naruto, resolveu ignorar aquilo.

–Vim... ver se você está bem.

–Já disse que não tem nada com o que se preocupar. – falou ele, revirando os olhos. – Eu me curo rápido.

–Mas mesmo assim...

–Já disse que estou bem. – interrompeu ele, encarando-a com impaciência.

Ela se aproximou lentamente de onde ele estava, ficando de pé ao lado da cama. Mordeu o lábio inferior, querendo calar a pergunta que se formava em sua mente.

–O que quer perguntar? – questionou ele. Ela arregalou um pouco os olhos de surpresa. Pelo visto, Naruto não era do tipo que fazia rodeios.

–Eu... bem... – gaguejou, sem saber por onde começar — Por que você fez aquilo?

–Aquilo o quê?

–Você sabe... você entrou lá e... – Hinata tentou, mas apenas a mera lembrança do ocorrido a deixava nervosa, a fazia perder o foco. E agora, com Naruto sabendo de parte do que estava em sua mente, não podia deixar de se sentir envergonhada.

Aquele pensamento quase a fez sorrir. Não fazia muito tempo que conhecia Naruto, mas desde o primeiro dia, ele havia despertado muitas de suas emoções adormecidas. Não sabia ao certo se tinha medo dele, ou se ficava grata por ele tê-la tirado de lá.

–Não precisamos conversar sobre isso. – falou ele, mas parecia mais um pedido. Hinata percebeu que ele também se sentia desconfortável com aquilo, e que, de certa forma, ele também não conseguia lidar com certas situações, assim como ela.

–Eu só... gostaria... de dizer “Obrigada”. – falou, sentindo-se um pouco trêmula. – E de dizer que você é um grande idiota por ter ficado lá. – disse, alterando-se. — Em que estava pensando? Por que tomou aquelas dores pra si?

–Está brigando comigo por ter te salvado? Você é estranha, garota. – falou, estreitando os olhos azuis para Hinata.

–Você não devia ter ido lá! – falou, perdendo a calma. Estava completamente envergonhada pelo que ele havia visto, e atordoada por ele ter se ferido daquela maneira por sua causa.

–Quer se acalmar? Já disse que está tudo bem!

Foi a vez dela de impacientar-se. Estava pronta para virar-se e sair do quarto, mas viu Naruto se afastar um pouco da cama, dando espaço para que ela se sentasse ao lado dele. Seus olhos fitaram aquela cena, a incredulidade estampando sua expressão.

–Senta logo, Hinata. – falou ele, revirando os olhos mais uma vez.

Ela caminhou na direção da cama, sentando-se bem na ponta do lugar que Naruto indicava, pronta para correr dali a qualquer momento. O loiro ainda lhe causava medo, e Hinata estava perfeitamente ciente de que não o conhecia direito, de que ele a havia arrastado até aquela casa, machucado sua amiga – de quem não pôde ter noticias, pois ele a proibira de sair sozinha e de fazer ligações – e, acima de tudo, estava perfeitamente ciente de que ele fazia com que ela se sentisse... viva. De uma maneira aterradora, real, ela se sentia humana novamente. Percebia a si mesma saindo de seu mundo de torpor, como se pudesse ter uma vida de verdade, como se não precisasse mais fingir estar nesse mundo.

E isso a assustava mais do que tudo.

Naruto olhava para frente, sem querer encarar a garota sentada ao seu lado. Respirou pesadamente antes de falar.

–Sinto muito pelo que você teve que passar. Não imaginava que tivesse sido tão... difícil. – falou ele, pigarreando de constrangimento. Não era dado à momentos de sentimentalismo, mas não conseguia tirar a cena de Hinata no sanatório de sua cabeça.

Ela permaneceu em silêncio, surpresa pelas palavras do loiro.

–Acho que todos nós temos uma história triste pra contar, no final das contas. Que merda. – comentou ele, rindo sem humor algum. – Mas acho que você precisa entender que não está mais sozinha. Nós somos iguais a você, Hinata. Cada um de nós tem uma coleção de tragédias e cicatrizes pra mostrar. Mas encontramos pessoas que nos ajudaram a seguir em frente. E sinto muito não ter explicado isso... antes. – falou, ainda sem olhar para ela. – Você pode confiar em nós. Não precisa mais ser daquele jeito.

A menina olhava para Naruto, estática, paralisada por aquelas palavras. Ele então se virou para ela, sorrindo maliciosamente.

–Não estou dizendo pra você confiar EM MIM. Eu não sou tão bonzinho mesmo. – falou, o sorriso quase desaparecendo da sua face – Mas eu entendo a sua dor... entendo a solidão que senti quando estava na sua mente.

Ela piscou, atônita, e antes que aquelas lembranças a levassem novamente ao desespero, tentou mudar um pouco o rumo daquela conversa.

–Você... ontem, você disse que é um Jinchuuriki. Não entendi direito o que é isso.

–Tem um Bijuu selado dentro de mim. Kyuubi. – falou ele. Naruto sabia que a raposa estava revirando os olhos, mas não reclamaria. Esteve preocupado com Kyuubi desde o que acontecera na mente de Hinata, e sabia que ela estava tão ferida quanto ele, mas que não admitia. Talvez sua teimosia fosse uma característica que tivesse adquirido da convivência com ela.

Aquele pensamento fez o Bijuu intrometer-se na conversa.

“Não coloque em mim a culpa por seus defeitos. Você ser cabeça dura é responsabilidade sua.”

Naruto apenas sorriu. Ela continuava chata, mesmo ferida.

–Ky... Kyuubi? – questionou Hinata, confusa.

–Sim. Significa “Nove Caldas”. É uma raposa que tem nove caldas. –falou, sorrindo, vendo o espanto da morena. – Ao todo, espalhados pelo mundo, existem nove Jinchuurikis, todos com Bijuus selados dentro de si. Cada Bijuu possui uma quantidade de caldas. Gaara também é um. – explicou.

–E ela mora... dentro de vocês?

–Sim... – assentiu Naruto – Kyuubi é 60% do meu poder. É por causa dela que me curo tão rápido.

–Dela? É uma fêmea?

Naruto ouviu Kyuubi bufar em sua mente, contrariada.

–Bijuus não tem... sexo. Não existe essa distinção. E Kyuubi nem é o nome dela de verdade. – comentou ele, com desgosto.

–Ah, não? – perguntou Hinata, cada vez mais confusa.

–Não... – ele coçou a cabeça, estreitando os olhos. – Meu mestre me explicou que os Jinchuurikis só conseguem dominar o poder de seus Bijuus completamente quando eles lhe dizem seu verdadeiro nome. Mas Kyuubi, sendo um pé no saco, não me diz o nome dela de jeito nenhum. Então eu chamo ela assim mesmo.

Kyuubi cravou um pouco suas garras na consciência de Naruto, arrastando-as pelas grades do portão na mente dele, fazendo-o se encolher com o barulho irritante que ela fazia soar. Uma pequena punição pela malcriação do loiro.

–E por que ela não diz o nome pra você?

–Porque ela é uma inú... Ai! Que droga, para com isso!

Hinata pulou com o susto, sem entender nada.

–Desculpe... É só a droga da Kyuubi sendo irritante. – falou, esfregando os dedos em suas têmporas. Respirou profundamente, selando o Bijuu, ou ela o enlouqueceria com aquilo. – Quando ela enche demais o saco, eu selo ela dentro de minha mente... assim, não precisamos conviver um com o outro o tempo todo. – falou, suspirando de frustração.

–Mas porque ela não diz o nome pra você?

–Porque ela diz que ainda não estou maduro o suficiente. – ele bufou, lembrando-se que Jiraya lhe dizia a mesma coisa. Dois insuportáveis.

Ela fitava o vazio a sua frente, tentando assimilar tudo aquilo. Era informação demais, para tão pouco tempo.

–Aproveite que estou de cama e não posso fugir daqui. E que estou bonzinho hoje. – falou, sorrindo com ironia. – Pergunte o que quiser.

–Eu... – falou, incerta. Queria perguntar sobre a vida de Naruto, já que ele insistia tanto que entendia a dor e solidão que ela sentia. Mas achava que aquele era um terreno perigoso, e preferiu mudar de rumo – E aquela moça que veio cuidar de você?

–Sakura? Ela é uma curadora. O dom dela é voltado para curas, manipulação do chakra e... – parou, um riso debochado escapando de seus lábios.

–E...? – incentivou Hinata.

–E... curadores tem uma habilidade especial, além dos poderes curativos. Como ela manipula o chakra com facilidade, consegue concentra-lo em algumas partes do corpo, e isso faz com que ela tenha uma força do inferno! – explicou, rindo.

–Deve ser bom ter alguém como ela por perto... pelo que percebi, vocês devem se meter em muitos problemas.

–É... mas até as habilidades de uma curadora tem limites. Sakura não consegue usar o dom em doenças “normais” com muita facilidade. Para isso, ela tem que recorrer à medicina tradicional. As habilidades dela são úteis de verdade em problemas causados por seres... como nós.

Hinata começava a compreender alguma coisa daquela realidade maluca, mesmo que muitas dúvidas ainda estivessem em sua mente.

–O cara ruivo também é um Jinchuuriki, então? – perguntou.

–Sim... mas Gaara é um pouco diferente de mim. Ele já conhece melhor o poder do Bijuu dentro dele, mas... as vezes ele perde o controle, e se torna um perigo! – falou, algumas lembranças fazendo um arrepio correr por sua espinha. Não gostava de se lembrar de Gaara quando o havia conhecido. Ele costumava ser muito apático, frio e violento, de uma maneira quase doentia.

–Ino é uma... feiticeira... – falou ela, incrédula.

–É... mas isso é ainda mais complicado.

–Aposto que não é mais complicado do que tudo o que vi desde que cheguei aqui.

Ele riu.

–Bem... Feiticeiras são criaturas perigosas. Tecnicamente, nós servimos aos nossos mestres, e eles servem à ORDEM, que é uma organização que cuida de seres como nós. Então, mesmo que de forma indireta, nós devemos lealdade à ORDEM... Mas as feiticeiras não pensam assim. Elas agem por conta própria, e a ORDEM não confia nelas. São voláteis, imprevisíveis, e seus serviços são requisitados apenas em casos urgentes. Elas são leais apenas a seus mestres, e são criaturas letais. – explicou, fazendo Hinata se arrepiar.

–Nunca iria imaginar que a Ino era tão... perigosa... Ela me pareceu tão...

–Ino é um pouco diferente. Ela é... uma boa pessoa. Uma das melhores que eu conheço. Apesar de gostar de bater que é uma beleza. – falou, com certo desgosto.

Hinata deu uma risada involuntária, o que a fez arregalar os olhos. Naruto também olhava para ela com uma expressão surpresa.

Os dois fitaram-se por um tempo, e um silêncio constrangedor instalou-se entre eles.

Hinata pigarreou, fitando o chão, querendo desviar os olhos dos dele. Sempre que encarava aquela imensidão azul, sentia-se inundada de um certo temor. Olhando para Naruto, sempre conseguia enxergar além do que desejava. Sendo arrastada de seu torpor para um novo tipo de cegueira, ela tentou tirar aquele olhar de sua cabeça, querendo raciocinar. Todos aqueles sentimentos e acontecimentos a deixavam confusa, como se tivesse sido acordada repentinamente enquanto dormia há anos.

Naruto, sem dúvida, lhe arrastava para um mundo de cegueira onde ela conseguia ver demais.

–De... Desculpe...

–Pelo quê? – perguntou ele, confuso.

–Por ter dito aquilo, ontem... Por... ter dito que você era um monstro.

Ele estreitou os olhos para ela, dando um riso debochado.

–Não começa com isso agora. Não faça eu me arrepender de ter deixado você entrar aqui. – avisou, com certo desgosto.

–Só estou tentando dizer que... Eu estava errada. Você não é um monstro.

Ele desviou os olhos dela, encarando novamente o vazio a sua frente. Não gostava do rumo daquela conversa. Sentia algo agitando-se estranhamente dentro de si, uma dor aguda atingindo seu peito. Um pressentimento sombrio assolou sua inconsciência, enquanto ele se lembrava das palavras de Kyuubi.

“Existe algo naquela garota que pode lhe causar uma dor maior do que a que experimentamos hoje.”

–Não sei que motivos você tem para me ajudar, mas... obrigada.

–Estou apenas cumprindo ordens. – rebateu ele.

–Eu sei. Mesmo assim... – suspirou, sem saber como reagir diante da frieza repentina dele. Num piscar de olhos, ele voltara a ser o Naruto de sempre. Distante, frio, sarcástico e impaciente. Extremamente irritante. – Estou voltando para o meu quarto. – avisou, levantando-se. Andando em direção à porta, ela ajeitou a alça de sua blusa, que caia de seu ombro, sem notar o olhar de Naruto sobre ela. Abriu a porta, mas em segundos, estava paralisada, sentindo a maçaneta escapar de suas mãos, a porta se fechando novamente. Olhou para trás, e viu o loiro perto demais, a mão espalmada sobre a madeira da porta atrás dela.

–Não quer ficar? – perguntou, o hálito quente soprando sobre o rosto de Hinata. A garota deu um passo para trás, encurralada entre Naruto e a madeira atrás de si. Por que ele sempre dava um jeito de cerca-la daquela maneira?

–Nã-não! Quero... quero voltar ao meu quarto... – falou ela, o pânico evidente em sua voz.

Ele sorriu com escárnio, seus olhos azuis ganhando a tonalidade de um céu noturno; um azul profundo, escuro, denso. Seu olhar descia pela pele do pescoço de Hinata, pairando no colo, admirando o restante do corpo. Ela começou a ofegar, os olhos se arregalando. Sentiu a garganta se fechando, o desespero instalando-se em sua consciência.

Mas notava também um sentimento novo ganhando espaço dentro de si. De alguma forma, ainda fracamente, silencioso, minúsculo, o desejo de ficar se fazia presente em seu coração.

Mas as lembranças ruins, o passado, o medo, os traumas, tudo falava mais alto, sempre. Não conseguia conter as imagens que rasgavam sua memória naquele momento de proximidade, e fechou os olhos, apavorada, como se pudesse afastar aqueles pensamentos. Nenhum desejo podia ser mais forte que todo aquele pavor.

Ele se afastou, ainda sorrindo. Deu um passo para trás, encarando-a, esperando a reação que ele sabia que viria.

Mas ela apenas abriu os olhos devagar, paralisada. O medo naquele olhar fez o sorriso de Naruto desaparecer.

–Não tenha tanta certeza de que não sou um monstro... Já disse que não sou tão bonzinho. Não confie tanto em mim.

–Boa... Boa noite, Naruto! – falou, saindo rapidamente dali, sem esperar que ele dissesse mais nada.

Ao fechar a porta, correu pelo corredor, entrando em seu quarto, trancando a porta. Sentou-se em um canto no chão do quarto, longe da cama, colocando a cabeça entre os joelhos, deixando que as lágrimas quentes escorressem de seus olhos.

A escuridão de uma cegueira sem sentido tingia seu raciocínio, impedindo-a de compreender o que se passava na mente de Naruto, fazendo-a enxergar a vida e a morte que ele trazia dentro de si.

Assim como ela, Naruto parecia enxergar demais. Percebia o medo dentro dela, e brincava com isso. E Hinata não conseguia lidar com aquilo.

Em seu quarto, Naruto afastou-se da porta, o mau pressentimento atingindo novamente seu interior. As palavras de Kyuubi martelavam insistentemente em sua mente, sem que ele conseguisse discernir o significado delas.

“Existe algo naquela garota que pode lhe causar uma dor maior do que a que experimentamos hoje. Tome cuidado.”

Notas finais
Oi! Gostaram? Acho que esse capítulo foi bem esclarecedor, né? O que acharam da cena ShikaTemariana? Não se esqueçam de comentar, dar suas opiniões, enfim... a autora-san agradece. A autora-san também pede, encarecidamente, que você escutem a trilha sonora que escolho para a fic... levo um tempão procurando as músicas que me ajudam a desenvolver as cenas, e adoraria compartilhar esses sentimentos com vocês! Abaixo, o link da música da musa Florence: http://letras.mus.br/florence-and-the-machine/1513080/traducao.html Acho que vocês vão gostar da tradução. Aos leitores novos, se quiserem, leiam a minha outra fic: http://fanfiction.com.br/historia/500126/Lacos/ Seria ótimo poder ter a opinião de vocês por lá também. Não se esqueçam de me dizer o que acharam do capítulo! Logo, loguinho todos irão descobrir qual o segredo do Sai, e um pouco mais sobre o passado GaaIno. Obrigada por tudo, pessoal! Bjks!