Paraíso Sombrio

7 ESPECIAL: O direito de ser quem você é


Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Mais uma vez, agradeço à todos que favoritaram, comentaram, espalharam aos quatro ventos noticias sobre essa fic. A autora-san queria poder dar um abraço apertado e uma beijoca estalada na bochecha de todos vocês. Não sei se vocês conhecem uma banda chamada Arcade Fire, que eu adoro desde a minha adolescência. Quem não ama Arcade Fire tem que ir correndo amar agora, é sério. -.- No álbum Reflektor, de 2013, existem duas músicas que eu particularmente amo. Uma se chama Reflektor, mesmo título do álbum, e a outra se chama We Exist. Esta segunda fala sobre um garoto que conversa com seu pai, perguntando o por quê de as pessoas o tratarem mal, pelo simples fato de ele ser diferente. De ele existir da maneira como é, de exercer o direito de ser ele mesmo. Na música em questão, o garoto é gay, e relata como é difícil se sentir invisível, quando tudo o que ele quer é viver e ser livre. Infelizmente, vivemos em uma realidade em que o diferente é tratado como anormal, em que o amor é visto como alvo de ódio e repúdio, em que todos aqueles que ousam desafiar os padrões que são estabelecidos por essa sociedade hipócrita são tachados como um perigo. Infelizmente, existem pessoas que concordam com essas práticas de intolerância, sendo esta uma conduta cada vez mais frequente no mundo todo. Este é um capítulo especial. Nele, eu falo sobre essa liberdade, calada para muitos, que são privados do direito de se mostrarem como são, sufocados pela intolerância, pelo preconceito. Por isso, ofereço essas palavras aos meus amigos, que mesmo sob os olhares pesados da sociedade, escolheram aceitar quem são, e serem felizes. Dedico esse especial à todos aqueles que ousam ser quem são, apesar de tudo. Vocês são os meus heróis. Intolerantes Não Passarão! Preconceituosos Não Passarão! Um beijo pela liberdade de expressão! E pelo direito de sermos quem somos! Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!



“[...] É uma das tendências mais sombrias da humanidade essa de todos terem que se encaixar em um molde.” Win Butler

Memórias de um passado distante



Ino andava pelos corredores do orfanato com uma expressão aborrecida. Seus dias naquele lugar não eram nada fáceis, e mesmo estando acostumada aos maus tratos, à fome e aos castigos, ainda não conseguia lidar com a implicância das crianças maiores. Ela encontrava a alegria no cultivo das plantas no jardim da instituição, porém, os garotos mais velhos sempre pisavam nas flores, chutavam as mudas, tudo na tentativa de sufocar o único raio de felicidade que ela tinha.

A duras pisadas, ela caminhava a procura de seu amigo, o único, com quem havia crescido abandonada naquele lugar. Dividia-se entre a vontade de chorar e de matar alguém, lembrando-se de suas belas flores destruídas, pisoteadas, o único rastro de alegria e delicadeza que ela cultivara sendo estraçalhado por aquelas crianças implicantes. Procurava pelo amigo na intenção de desabafar.

Mas não o encontrava em lugar algum.

Andou pelos corredores, abriu as portas dos dormitórios. Procurou perto dos banheiros, nas salas nos fundos do orfanato, mas não havia nem sinal dele.

Andou um pouco mais, cada vez mais irritada. Onde ele havia se metido?

Passou pela dispensa, na intensão de se dirigir ao quintal. Provavelmente ele estava lá, desenhando paisagens esquisitas.

Mas antes de sair dali, ouviu um fraco arquejar de dor. Ino parou, confusa e surpresa, tentando localizar de onde vinha aquele som. Olhou para os lados, atentando-se à uma presença que encolhia-se atrás da porta da despensa, escondendo-se nas sombras.

Ela se aproximou a passos incertos e receosos, com medo de ver o que havia ali. Mas não podia ignorar aquela respiração fraca e aquele ofegar de dor. Afastou a porta, para ver quem estava atrás dela.

Encolhido no canto da parede, um garotinho estava sentado numa pequena poça do sangue que escorria de seu nariz, cabeça, boca. Havia ferimentos por toda a extensão de seu corpo, os olhos inchados e arroxeados, a boca cortada tingindo seus dentes de vermelho.

Ino deu um passo involuntário para trás, tapando a boca com as mãos, reprimindo um grito de susto e pavor.

–Sai! – alarmou, abaixando-se na direção do amigo, sem saber se devia tocar nele. – Sai, o que aconteceu com você?! – perguntou, aflita.

–Eles... me... bateram... – ele falava, encarando o chão, sem olhar para ela. – De novo...

–Eles quem, Sai?! Te bateram por que?!

–Eu... não... sei... eu só... queria... brincar... – tentou dizer, ofegante. Sai tremia, fraco, a dor latejando por todo o seu corpo pelas pancadas que levara. Os chutes que levara no estômago pareciam ter aberto um buraco em seu abdômen, tamanha era a dor no local. Ele tossiu um pouco, e uma rajada de sangue saiu de sua boca.

–Sai! – apavorou-se Ino, vendo o estado do amigo.

–Por que... eles... me tratam assim... Ino? – perguntou, tentando compreender por que faziam aquilo com ele, por que o rejeitavam.

–Não é culpa sua, Sai! Você sabe que não é culpa sua, nunca foi! Você é diferente deles, só isso! – ela disse, tentando consolá-lo.

–Não quero... ser diferente, Ino... Não quero! – ele respondeu, escondendo o rosto, as lágrimas descendo por seus olhos inchados.

A loira o abraçou, num embalo caloroso e consolador. Os dois cuidavam um do outro desde muito pequenos, abandonados naquele lugar, tendo de se esquivar dos perigos, e Ino se sentia culpada por ver o amigo naquele estado. Vez por outra aquilo acontecia, e sua vontade era de matar quem quer que tivesse feito aquela atrocidade.

Mas logo se afastou dele, dando um cascudo certeiro na cabeça já dolorida de Sai.

–Ai! Mas... o que você...?

–Nunca mais diga isso, idiota! A culpa não é sua! Você não precisa ser igual a ninguém! Você tem direito de ser quem você é!

Sai olhou para ela, seus rosto arrebentado assumindo uma expressão surpresa.

–Mas... eles... me acham esquisito...

Ela suspirou, seus olhos azuis pesando de tristeza.

Iria triturar em mil pedaços quem havia feito aquilo com Sai.

–Vem, idiota. Vamos ser esquisitos juntos. – falou, ajudando o amigo a se levantar, para que pudesse cuidar de seus ferimentos.

***



A loira entrou na cozinha de Naruto, ignorando o olhar acusador de Sai, que já estava sentado à mesa. Pegou uma jarra de suco da geladeira sem nada dizer, enquanto o amigo apenas a observava em silêncio.

Bebeu um gole, e o encarou.

–Vai, começa. – falou ela, por fim.

–Onde você estava noite passada?

–Você sabe onde eu estava. No quarto onde Gaara ficou. E depois fui para o quarto que Naruto cedeu pra mim.

–O que estava fazendo no quarto do Ketchup?

–Tentei ajuda-lo a dormir, mas ele não deixou.

Sai estreitou os olhos para ela, desconfiado.

–Não aconteceu nada demais! Já disse! Você se preocupa demais. – reclamou ela.

–É porque você não tem juízo nessa sua cabeça loira e oca.

–Não começa. –falou ela, estreitando seus olhos azuis em sinal de ameaça.

Foi quando Naruto entrou na cozinha, vendo os dois discutindo. Revirou os olhos para aquela cena, impaciente.

–Vocês ainda estão aqui. Ótimo. – reclamou, pegando a jarra de suco das mãos de Ino. Depois de despejar o líquido em um copo, andou até a adega, adicionando vodka ao suco.

–O que pensa que está fazendo logo cedo? – perguntou Ino, numa clara censura.

–Não enche. – resmungou Naruto, provando um pouco da mistura. – Falta mais vodka. – concluiu, despejando mais da bebida no copo.

–Seu idiota, quer morrer quando, bebendo desse jeito? Amanhã? Ou quer que a Sakura te mate, quando souber? – intrometeu-se Gaara, entrando no local também.

Naruto revirou os olhos.

–Vão embora, cambada de folgados. – respondeu o loiro, fingindo desinteresse naquela discussão. Aquilo mais parecia um pesadelo. Voltou-se então para Gaara — E olha quem fala! Eu vi você virar uma garrafa de uísque de café da manhã semana passada, Areinha.

Gaara arregalou os olhos com a acusação.

–Estamos falando de você agora, idiota, não de mim. — falou, tentando se justificar antes que Ino lhe socasse. As mulheres na vida daqueles homens tinha uma certa tendência a serem super protetoras.

Eles então se dirigiram à mesa, onde Ino colocava o café da manhã. Todos se sentaram e começaram a se servir, enquanto Sai apenas os observava em silêncio.

Depois de alguns minutos vendo os amigos comendo, ele resolveu falar.

–Vocês não estão se esquecendo de nada, não?

–Não. – Gaara e Naruto responderam em coro, e logo voltaram a comer.

Sai respirou profundamente. Foi quando Ino bateu as mãos espalmadas na mesa, arregalando os olhos para Naruto.

–A Hinata! Você vai matar a garota de fome, seu idiota! – exclamou, dando um tapa na cabeça do loiro.

–Ai! Eu não sou babá dessa menina, não! Ela pode vir até aqui e comer sozinha.

Ino estreitou os olhos para ele.

–Eu vou contar tudo pro Jiraya, Naruto. Vou contar pra ele que você está maltratando a preciosa garota Hyuuga que ele te pediu pra tratar com tanto zelo. EU VOU CONTAR PRA ELE.

Os dois se encararam por um minuto, até que o loiro se levantou, com a expressão enfezada.

–Saco! Você consegue ser pior que a Sakura! – falou, saindo da cozinha e andando em direção ao corredor dos quartos.

Ino exibiu aos dois amigos que ficaram na mesa um sorriso de triunfo, enquanto via Naruto indo buscar Hinata.

O loiro bateu na porta, impaciente e de mau humor. Não esperou nem cinco segundos por uma resposta, e logo começou a socar a madeira, ouvindo um baque surdo de dentro do quarto.

Em pouco tempo, viu Hinata abrir a porta, toda descabelada, esfregando os olhos perolados.

–Que diabos...

–Que barulho foi esse? Você caiu? – ele perguntou, um sorriso de divertimento se espalhando por seu rosto.

–Você começou a esmurrar a porta feito um desesperado, achei que a casa estivesse pegando fogo. – explicou ela, encarando-o sem humor algum.

–Ino me obrigou a vir te chamar pra tomar café da manhã. – explicou ele, sem ligar para a acusação nas palavras dela.

–Tudo bem... vou apenas escovar os dentes e trocar de roupa... – falou ela, dando as costas ao loiro.

Ele olhou para Hinata dos pés a cabeça, sorrindo de forma maliciosa ao encarar as pernas a mostra da moça, que usava uma camisola relativamente curta.

Puxou-a pelo braço, arrastando-a pelo corredor em direção à cozinha.

–Não, você pode vir desse jeito mesmo, é mais divertido assim. – falou ele, sem se importar com os protestos dela.

–Na-Naruto! Me solte! Me deixe ao menos escovar os dentes!

–Se você voltar, Ino vai me dedurar pro meu mestre, dizendo que estou te tratando mal. Diz ai pra essa loira abusada que você está sendo bem tratada, Hyuuga. – instigou ele, chegando à cozinha, onde todos encaravam os dois.

–Eu... – ela começou, desnorteada.

Gaara olhava para a garota, sorrindo abertamente.

–Se ele estiver te tratando mal, vai lá pra casa que eu te trato muito bem por lá. – falou, olhando fixamente para as pernas de Hinata.

Naruto caminhou calmamente na direção da mesa, sentando-se ao lado de Gaara, que sentiu um leve arrepio correr por sua espinha. Naruto era sempre estourado, e vê-lo agir de forma calma era algo suspeito e perigoso.

–Nem pense nisso, cabeça de tomate. – falou para ele, sorrindo ameaçadoramente. – Se você tocar nela, o Ero-sennin arranca meu couro. Fica na sua.

Ino sorriu para Hinata, querendo se desvencilhar da conversa dos dois idiotas à sua frente. Pegou a garota pelas mãos, e indicou que ela se sentasse ao lado de Sai, que estava na cabeceira da mesa. A loira sentou-se do outro lado do amigo, e ouviu Gaara bufar, indignado.

O ruivo encarava Sai de forma ameaçadora, os olhos verdes fixos nos do outro.

Sai mantinha-se neutro, sem dar a mínima importância à reação de Gaara. Já estava acostumado com o fato de que o ruivo não gostava dele, e sabia bem o por quê. Embora já tivessem dito milhares de vezes que ele e Ino eram apenas amigos de longa data, Gaara não acreditava.

–Que é? – perguntou Ino, vendo que o ruivo fitava Sai de forma estranha. – Vai encarar, Areinha?

–Se toca, bruxa loira. – respondeu ele, desviando os olhos do rapaz e fitando a comida à sua frente. Começou a se servir, ouvindo um pesado suspiro de irritação vindo de Ino.

–Zumbi retardado. – provocou ela, vendo que ele pegava um pouco de café para beber. Manter-se acordado era algo crucial para ele, afinal de contas.

Gaara revirou os olhos, sem responder ao insulto.

Em meio àquela discussão, Hinata viu Naruto esfregar as mãos no rosto e suspirar profundamente, impacientando-se com aquela situação.

–Calem a boca, seus infelizes. – ele resmungou baixinho.

–Que cheiro de... bebida... – A Hyuuga comentou, sem saber de onde vinha aquele odor.

–Ah, você não sabia, não? O pessoal aqui é meio alcóolatra. – falou Gaara, sorrindo para Hinata. A morena voltou seu olhar para Naruto, que fitava Gaara como se estivesse prestes a soca-lo. Mas o ruivo fingiu não notar. – E por falar em alcóolatra, Naruto, hoje inaugura a boate do Deidara, né? A gente podia dar uma passada por lá...

–Não tô com saco pra isso. – falou Naruto, bebendo mais um gole de sua mistura imprópria para um café da manhã.

–Qual é, vai ser foda! Desde que você começou a procurar a Hinatinha – falou, piscando para a morena – nunca mais a gente saiu pra aprontar. Deixa de ser prego e admite que tá doido pra ver a boate daquele maluco!

–Eu não posso deixar a garota sozinha. – falou Naruto, e pelo tom de voz do loiro, Gaara percebeu que ele realmente sentia falta das noitadas.

–Leva ela! Qual é, raposinha, vai ser divertido. Aposto que a Hinatinha vai gostar.

Naruto olhou para Hinata, que observava aquela discussão em silêncio. Ponderou um pouco sobre aquela situação, considerando que não o mataria sair um pouco, depois de tanta confusão e trabalho. Desde que Jiraya lhe confiara a missão de encontrar a garota, ele não havia feito outra coisa que não fosse procura-la. Não era do tipo que costumava passar as noites em casa, sozinho, e sentia falta da diversão com os amigos.

–Você quer ir? – o loiro perguntou à Hinata.

Ela permaneceu em silêncio, sem saber como responder àquela pergunta. Gaara deu um suspiro de desgosto.

–Pelo amor de Deus, Hinatinha, facilita a minha vida, eu tô tentando levar esse desgraçado pra se divertir um pouco.

–Tu... tudo bem. – falou ela, cedendo à pressão de Gaara. Mas logo se voltou para a loira sentada à sua frente. – Vou se a Ino também for.

–O quê?! Por que essa bruxa psicopata tem que ir junto? – indignou-se o ruivo.

–Eu não vou à lugar algum sozinha com vocês dois. – respondeu Hinata, estreitando os olhos para ele. Naruto soltou uma risada alta, vendo a indignação de Gaara.

–Eu não vou. – falou Ino, olhando para Hinata. – Não me dou bem com o Deidara.

–Por que não? – questionou a Hyuuga.

–Porque os dois são esquentados e irritantes. – explicou Sai, com uma expressão apática em seu rosto. – É um inferno ficar no mesmo ambiente que eles.

–Acho que você perdeu essa, Areinha. – debochou Naruto. – Eu não posso deixar a garota sozinha, e ela só vai se a Ino for. Perfeito. – falou, sorrindo.

–Loira estraga prazeres. – resmungou Gaara, bebendo mais um gole de café.

Ino olhou para Sai, que como sempre se mantinha quieto, sem querer se envolver naquelas discussões idiotas. O amigo chegara de viagem há pouco tempo, e eles sequer tinham tido tempo de se divertirem juntos.

A loira suspirou pesadamente, para logo em seguida segurar delicadamente a mão de Hinata.

–Quer saber? Nós vamos à essa boate.

Os três garotos olharam para ela, de olhos arregalados.

–Isso significa que nós vamos sair todos juntos, como nos velhos tempos de farra? – falou Gaara, um sorriso involuntário se formando em seus lábios.

Ino riu da empolgação do ruivo.

–Sim... e como diria aquele idiota do Deidara... vai ser uma noite explosiva! KATSU!

Ino investiu boa parte da tarde tentando arrumar Hinata. A Hyuuga se deixava manipular pela loira como se fosse uma boneca, sem se importar muito com aquilo. Mas quando Ino colocou um espelho na frente da garota, teve a satisfação de ver aqueles olhos perolados arregalarem-se de surpresa.

Hinata usava um vestido preto, e uma maquiagem escura que contrastava com a sua pele clara e olhos perolados. O batom vermelho reluzia em seus lábios, e logo ela se virou para encarar Ino, que também estava deslumbrante: a franja caída casualmente sobre o rosto, os olhos azuis emoldurados pelos belos cílios e maquiagem escura como a de Hinata. Seu vestido era um pouco mais colado que o da morena, de um tom lilás escuro, os saltos elegantes deixando o visual provocante.

–Isso tudo é mesmo... – começou Hinata.

–O quê? Necessário? Claro que é. Não se intrometa no meu processo de criação. Sua única função agora é amar o que eu fiz em você. – falou a loira, esperando pelos elogios. Encarava Hinata de forma a pressioná-la. A morena suspirou.

–Obrigada, Ino. Ficou muito... bonito.

A loira sorriu.

–Agora vá para a sala e faça aqueles idiotas caírem da cadeira com a minha obra prima. Anda, vai! – apressou-se, empurrando Hinata para fora do quarto.

Ao chegarem à sala, três pares de olhos arregalaram-se ao encararem as garotas. Ino sorriu, satisfeita com aquela reação.

Mas quando seus olhos encontraram os de Gaara, ela virou-se rapidamente para Sai, ignorando a expressão sombria que o ruivo lançava a ela.

–Vamos? – falou a loira, enlaçando o pescoço do amigo. Sai sorriu para ela.

–Por favor, não comece uma confusão quando encontrar o Deidara, tá legal? — pediu ele.

–Isso eu não vou garantir. – falou ela, exibindo ao amigo um sorriso sapeca.

Enquanto todos caminharam em direção aos carros que estavam do lado de fora, Hinata permaneceu parada, encarando os olhos azuis que a fitavam com uma expressão maliciosa.

Naruto sorriu para ela, e Hinata não pôde deixar de perceber um brilho escuro naquele olhar. Um calafrio percorreu todo o seu corpo.

Ele estendeu a mão para ela, sem deixar de sorrir, seus olhos se estreitando, a vontade latente de fazer algo que não podia, o desejo e a cobiça fazendo sua voz soar de forma sedutora.

–Vem. Vamos nos divertir essa noite.

Mesmo temerosa, ela pegou na mão dele, e os dois caminharam até onde os outros os esperavam.

Mais uma experiência nova.

Não iria doer, iria?

Os cinco pararam em frente à boate. A noite já se estendia sobre toda a cidade, e as luzes chamativas do lugar piscavam incessantemente. Ouvia-se o barulho abafado das batidas que caracterizavam a música que soava dentro do local, enquanto várias pessoas se organizavam para entrar.

Na fachada, as luzes de neon do letreiro iluminavam a rua escura.

–Que originalidade. – comentou Gaara, com ironia.

–Ei, idiotas! – ouviram alguém gritar. Viram um homem loiro surgir de dentro do estabelecimento, sorrindo. Ele tinha o cabelo comprido, que escondia parte de seu rosto. Trazia uma garrafa de uísque na mão. — Quando o Gaara ligou dizendo que vocês vinham, eu não acreditei... mas aqui estão vocês! – disse, soltando uma gargalhada alta enquanto abraçava Naruto e Gaara.

–Sério, Deidara, KATSU!? Não tinha um nome melhor pra colocar nessa joça, não? – perguntou Naruto.

–Claro que não! Essa boate é outra de minhas obras de arte explosiva! Você vai ver, é bombástica!

Naruto revirou os olhos para aquela empolgação. Depois de cumprimentar os velhos amigos, os olhos de Deidara voltaram-se para o rosto desconhecido que os acompanhava.

–E você, gatinha? Tá perdida, ou esses caras te sequestraram? – perguntou à Hinata, enlaçando a cintura da garota com malícia.

Naruto deu um discreto soco em Deidara, fazendo-o se afastar de Hinata instantaneamente.

–Não se atreva. – avisou. Deidara encarou Naruto por um instante, confuso, sentindo uma aura pesada lhe rodear.

–Deixa de ser irritante. – resmungou para Naruto, afastando-se de Hinata.

Deidara então ouviu a voz de alguém que não havia se pronunciado até então, e que soou como cacos de vidro arranhando seus ouvidos.

–Tarado ridículo. – Ino provocou.

Ele olhou para Ino, indignado, e logo depois para Gaara e Naruto.

–Quem disse que vocês podiam trazer ela?! – questionou.

–Supera isso, cara. – falou Gaara, debochado.

Ino e Deidara se encararam por um segundo, um ódio mortal ardendo nos olhos um do outro. Sai apertou forte o braço da loira, querendo impedi-la de avançar no pescoço do loiro, como sempre acontecia quando aqueles dois se encontravam.

–Que seja! – falou Deidara, mau humorado. –Vamos entrar logo. Aproveitem a festa! Vai ser uma explosão! – disse, entrando na boate, sem olhar para trás.



Boate lotada, corpos se esfregando na pista de dança, luzes frenéticas, as bebidas descendo fartas, as drogas também. Por todos os lados, Hinata observava a pseudo-felicidade estourando forte naquele lugar, jovens exibindo uns aos outros sorrisos vazios, inconscientes, embriagados, a música eletrônica que nada dizia fazendo seus tímpanos arderem.

Ino tentava fazer Sai se mover na pista de dança, enquanto dispensava homens que insistiam em levá-la “para um lugar mais reservado”, na intenção de “se conhecerem melhor”. Mas a loira não tinha interesse naquilo, e continuava tentando contagiar o amigo com sua empolgação.

Gaara estava em algum lugar da boate, e na última vez em que foi visto, se atracava com uma garota que nunca havia visto na vida.

Naruto e Hinata estavam sentados perto do bar, apenas observando o movimento do local. Obviamente, o loiro já tinha uma bebida forte nas mãos, e já havia dispensado algumas mulheres naquela noite. Era incrível como ele atraía olhares cheios de desejo de todas as direções da boate. E quando uma moça caminhou na direção dele, ignorando o fato de que Hinata estava bem ao lado, a Hyuuga começou a se enfezar com aquela situação.

–Vem dançar, loirinho. – chamou ela, de forma sedutora, já arrastando Naruto delicadamente pela gola da jaqueta preta que ele vestia sobre uma camiseta branca. Ele sorriu maliciosamente, se deixando levar por ela.

Mas de repente, o loiro sentiu uma mão puxando-o de volta.

–Você não vai me deixar aqui sozinha, vai? – perguntou Hinata.

Ele olhou para ela por um minuto, e delicadamente, sem perder o sorriso, olhou para a garota que o arrastava.

–Desculpe, amorzinho. Fica pra próxima.

A moça ficou decepcionada, mas enfiou um cartão no bolso da calça de Naruto, sua mão se demorando demais ali, enquanto ele continuava com um sorriso descarado nos lábios. Ela então deu as costas, voltando para a pista de dança e Naruto virou-se novamente para o bar.

–Eu já dispensei um monte de mulheres por sua causa essa noite. Você deveria pelo menos tentar ser mais legal. – ele falou, virando outra dose de bebida.

–O que quer que eu faça? – perguntou ela, a expressão apática de sempre.

Ele pensou um pouco, e logo se virou para o barman, pedindo que ele servisse uma bebida de nome estranho que Hinata não conseguiu compreender. Logo três doses estavam diante dela, e Naruto a encarava de forma desafiadora.

–Comece bebendo isso. – falou ele.

Ela olhou para as bebidas, incerta, a expressão incrédula.

–Não tenho certeza se isso é uma boa ideia.

–Ou você bebe, ou me deixa ir transar, garota. Eu não vou ficar aqui com você a noite inteira sem me divertir. – ele disse, impaciente.

Ela suspirou profundamente com aquelas palavras. Após refletir um pouco, ela percebeu que ele começava a ficar... irritado com aquela demora. Como sempre.

–Ah, foda-se. – falou ela, virando o primeiro copo de uma vez. O líquido desceu quente, rasgando a garganta, fazendo-a se sentir repentinamente desperta e quente.

Naruto soltou uma risada alta.

–É disso que tô falando. – disse, entregando a ela o próximo copo.

Sai observava atentamente uma certa pessoa que dançava na pista de dança a poucos metros de onde ele e Ino estavam. De vez em quando, seu olhar se voltava para Ino, que dançava sensualmente na sua frente, o sorriso estampado nos lábios, tentando contagiá-lo com sua alegria. Ela atraía os olhares de praticamente todos os homens daquela boate.

Percebendo que o amigo estava completamente disperso, dando passinhos robotizados pra lá e pra cá, ela seguiu o olhar de Sai. Sorriu percebendo para onde ele olhava, e colou seu corpo no do rapaz, sussurrando em seu ouvido.

–Você pode ir até lá, se quiser.

Ele olhou para ela, a expressão incerta.

–Não acho que seja uma boa ideia. – falou ele – Você sabe como as pessoas reagem à isso.

–Deixa de ser idiota. Vai ser feliz, aproveita a noite. Você tem esse direito.

Ele a encarou por um instante, suspirando. Sorriu para a loira, beijando-a na bochecha.

–Você vai ficar bem se eu te deixar sozinha?

–Vai logo! – ela disse, empurrando o amigo.

Sai deu as costas para ela, andando na direção da pessoa que antes ele observava.

Ino sorriu, vendo o amigo caminhando rumo ao direito de ser quem ele era.

Livre.

Sem companhia, a loira começou a mover o corpo naquela pista de dança. Ela gostava da música que soava na boate naquele momento. Não era apenas a batida eletrônica irritante. Alguém cantava ao fundo, e a letra era suave e reflexiva.

Ela fechou os olhos sentindo-se livre, alegre. Alegre por seu amigo estar se dando a oportunidade de aceitar a si mesmo do jeito que ele era, sem ligar para o que os outros iriam pensar. Depois de tudo o que os dois viveram juntos, nada mais justo do que deixa-lo experimentar um pouco de felicidade e liberdade também.

De repente, Ino sentiu uma mão enlaçando sua cintura. Abriu os olhos, pronta para socar a cara de quem quer que tivesse tido aquela audácia. Mas deparou-se com olhos verdes visivelmente alterados a encará-la.

Gaara, evidentemente alcoolizado, mantinha seu corpo colado ao da loira, e seu olhar era vazio. Ele exibiu um sorriso irônico para ela.

–O que está fazendo? Cadê a vadia com quem você tava se agarrando?

–Aquilo já acabou. – ele falou, e Ino se arrepiou com a maneira fria e distante com a qual os olhos do ruivo a encaravam. – Onde está seu fiel escudeiro?

Ino suspirou.

–Se tudo der certo, ele deve estar se agarrando com alguém nesse exato momento. – falou, tentando sorrir. – Vamos, Gaara, me solte.

–E se eu não quiser soltar? — falou, aproximando seu rosto do dela, para o pânico da loira. Ela tentou dar um passo para trás, mas ele a puxou de volta para si, o olhar ainda distante. As olheiras contrastavam com os olhos claros do ruivo de forma hipnótica, e Ino teve que piscar para não se deixar envolver por aquela situação. – E se nós esquecêssemos essa palhaçada de promessa só por essa noite? – ele propôs.

Ino percebia que a voz de Gaara ardia com um sentimento de agonia que a fez encará-lo de olhos arregalados. Agora ela compreendia que a distância no olhar dele se devia ao fato de que o ruivo provavelmente estava fora de si, por conta do álcool, e tudo o que ele reprimia diariamente estava começando a vir a tona.

–Você está bêbado, não sabe o que está dizendo. – falou ela, se desvencilhando dos braços dele. – E está com essa história do Sasori na cabeça, por isso está agindo desse jeito irresponsável. Vem, vou te ajudar a lavar o rosto. – falou, puxando-o pela mão.

Mas ele novamente forçou-a a voltar-se para ele, e sua mão enlaçou-se a nuca de Ino, os dedos entrelaçando-se à raiz dos cabelos loiros.

–Não quero ir a lugar algum. Quero você. Agora.

Ino sentiu todo o seu sangue parar de circular.

–Você está bêbado! Esqueça isso, pelo amor de Deus. Sei que se estivesse sóbrio, não estaria falando isso... você... você prometeu... – tentou argumentar, perdendo o foco ao ver o rosto do ruivo se aproximar.

–BRIIIIIIIGAAAAAAA! – ouviram alguém gritar, e logo algumas pessoas estavam aproximando-se de um dos cantos da boate. Os dois se afastaram instantaneamente, o olhar da Gaara ganhando brilho, como se despertasse de um sonho, voltando a si.

Ele pigarreou, dando um passo para trás, fitando o chão.

–Desculpe por isso. – falou ele.

Mas Ino não ouvia. Seus olhos azuis fitavam agora a pequena aglomeração que se formava em torno de quem quer que estivesse brigando.

Aquela era a direção para onde Sai havia se dirigido antes.

Sem parar para pensar, ela pegou na mão de Gaara, arrastando-o a passos largos e apressados.

–Vem, bebum, acho que vou precisar da sua ajuda.

Ele apenas se deixou ser arrastado por ela, sem sequer revidar à provocação naquela frase.

A loira abria caminho por entre as pessoas, um mau pressentimento pesando em seu peito.

Algo estava errado. Naruto sentia isso, e Hinata também. Os dois não deveriam estar dançando daquela maneira, tão juntos, se encarando tão intensamente. De alguma forma, ela sentia que havia sido transportada para um universo paralelo, onde conseguia sentir suas vontades explodindo fortemente dentro de si. Se deixava levar pelo embalo do corpo de Naruto, que a encarava com desejo.

Ele não ligava para o fato de aquilo ser uma novidade para ela. Não ligava para o fato de que muito provavelmente ela se arrependeria daquilo pela manhã, quando teria de lidar pela primeira vez com sua nova amiga ressaca. Apenas mantinha seu corpo junto ao dela, satisfeito pelo álcool tê-la libertado um pouco das prisões que a realidade lhe impunha.

Suas mãos deslizavam ousadas pela cintura de Hinata, enquanto ela fechava os olhos. A garota parecia não estar ali, dançava como se estivesse vendo a si mesma em outra dimensão. Naruto não tinha certeza sequer se ela tinha consciência de que ele estava ali, tão próximo a ela.

Uma das mãos do loiro moveu-se até a nuca de Hinata, puxando-a um pouco mais para si, colando sua testa na dela. Mas a Hyuuga parecia não se importar, parecia não sentir. Ela apenas movia seu corpo junto ao dele como se aquilo fosse natural, a embriaguez lhe afastando da sanidade. Sentia-se desnorteada, e não havia tido tempo de aprender a lidar com aquilo. Sentir as mãos de Naruto em seu corpo era estranho, quente, confortável, fácil... Não se lembrava de seu passado, não conseguia enxergar o momento presente, não pensava no futuro. Apenas se deixava ruir naquela pista de dança, sem querer ser a pessoa que sempre era, desejando se esquecer de tudo, ser livre apenas por uma noite...

Ele sorriu. Que mal faria se aproveitar um pouco daquela situação? Hinata era uma garota muito bonita, e Naruto era um homem que sabia apreciar a beleza de uma mulher. Era acostumado a ter em seus braços todas as mulheres alvos de seu desejo, e por sua cama, muitos corpos já passaram. Que mal faria dar a ela uma noite em que poderia esquecer de todo o terror que havia presenciado em sua mente, e libertá-la um pouco daquele mar de torpor no qual ela parecia estar sempre mergulhada?

–Se eu soubesse que você ficaria divertida assim com um pouco de álcool... – sussurrou na orelha de Hinata – Eu teria sabotado o seu suco hoje pela manhã. – falou, sorrindo, os lábios roçando o pescoço da morena.

Sentir a respiração de Naruto contra a sua pele despertou Hinata da nuvem de embriaguez na qual se encontrava antes. Ela deu um passo para trás, desvencilhando-se com violência dos braços dele. Seus olhos encaravam os de Naruto, mas ela não conseguia se fixar no rosto dele. Uma vertigem violenta a atingiu, e Hinata sentiu tudo ao seu redor girar.

Ela cambaleou, e logo sentiu os braços de Naruto envolve-la, impedindo-a de cair.

–Me solta! – ela falou, as palavras saindo arrastadas pela embriaguez.

Ele suspirou, revirando os olhos para aquela reação.

–Tava bom demais pra ser verdade. – reclamou. – Você tá bêbada, vem, deixa eu te levar até o carro. – falou, tentando se aproximar dela.

–Não! – ela falou, a voz tomada pelo pavor. Naruto ergueu uma sobrancelha. Por que ela sempre reagia daquela forma quando ele tentava chegar perto? Tudo bem que ele sempre dava um jeito de deixa-la apavorada, mas achava que já estava na hora de ela superar aquilo.

Seus pensamentos foram interrompidos pelo grito de um homem que passava correndo, arrastando os amigos até um canto da boate.

–TEM UMA LOIRA GOSTOSA METENDO A PORRADA EM UM CARA PERTO DO BANHEIRO MASCULINO! VOCÊS TEM QUE VER ISSO! – gritava o rapaz.

Naruto e Hinata se entreolharam, percebendo o tumulto que se formava na casa noturna.

–Ino. – os dois disseram em coro.

Caminharam apressadamente, dirigindo-se até o local onde a confusão acontecia.

O que a loira havia aprontado daquela vez?

Ao chegarem ao local do tumulto, Ino e Gaara se deparam com uma cena assustadora.

Sai estava no chão, encolhido, enquanto um homem o atingia com chutes por todo o seu corpo. O rapaz não reagia, apenas recebia os golpes em silêncio, algumas vezes soltando um baixo gemido de dor. Um dos chutes atingiu seu rosto, fazendo uma rajada de sangue sair pelo nariz, e se espalhar pela boca e pelo chão. Um rapaz estava perto, encurralado na parede por outros três grandalhões, olhando para Sai no chão com a expressão apavorada. Queria poder ajudar o rapaz caído, mas caso se movesse, os grandalhões também o linchariam.

Ino arregalou os olhos para a cena, uma desagradável sensação de déjà vu lhe atingindo.

–Sai! — ela gritou, apavorada, ao ver o amigo no chão — Para com isso, seu desgraçado! – rosnou, subindo nas costas do homem que espancava Sai, puxando os cabelos do agressor.

Gaara olhava tudo aquilo confuso, quando percebeu que os três grandalhões que encurralavam o outro rapaz se viraram na intenção de agarrar Ino e tirá-la das costas do companheiro.

O ruivo se interpôs no caminho dos grandalhões, encarando-os com uma expressão tranquila. Assustadoramente calmo.

–Olá, amigos. Para onde pensam que estão indo? – perguntou, exibindo aos brutamontes um sorriso torto.

A aura que emanava do rapaz fez os agressores darem um passo para trás. Mas Gaara não deixou que eles se afastassem demais. Caminhou até eles, sua expressão ainda muito tranquila.

Suas mãos atingiram o abdômen dos homens, que estavam lado a lado, os dedos cravando fundo na pele dos grandalhões.

Os dois caíram no chão, vomitando areia e sangue, as veias do pescoço ressaltadas e negras, enquanto eles sufocavam, os olhos arregalados e o terror mudo estampado em suas expressões. Gaara assistia a cena com o mesmo sorriso torto, o rosto sereno de uma forma apavorante.

Mas não dedicou muita atenção àqueles dois. Logo se virou para o rapaz que estava encurralado na parede.

–Você está bem? – perguntou, a voz apática.

–Si-Sim! – respondeu, encarando o ruivo de olhos arregalados.

–O que diabos aconteceu aqui? – questionou Gaara.

Mas o rapaz não respondia. Apenas fitava os agressores agonizando no chão, seus olhos alternando entre os homens e Gaara. O ruivo revirou os olhos.

–Sai logo daqui. – falou.

O rapaz correu para fora da boate, sem nada dizer.

Gaara então voltou-se para Ino, e a cena que viu o fez sorrir ainda mais.

Ela aplicava um chute no meio das pernas do homem, fazendo-o cair de joelhos, arfando de dor. A perna da loira girou no ar, enlaçando-se ao pescoço do grandalhão, torcendo a garganta, arrastando-o para o chão.

Os movimentos de Ino arrancavam suspiros de admiração da “pequena” plateia que assistia à briga.

O ódio nos olhos azuis da loira refletiam o desejo de matar que ela sentia. Mas o homem não tardou a reagir. Ainda no chão, moveu o punho fechado rumo ao estômago da adversária, arremessando-a à três metro de distância.

Gaara preparou-se para mata-lo, mas antes que pudesse agir, um murro certeiro atingiu o agressor, atirando-o contra a porta do banheiro masculino, atravessando o armário que havia ali. O homem cuspiu uma enorme quantidade de sangue, sentindo suas costelas e órgãos internos esmagados pelo golpe.

O ruivo encarou o dono daquele murro, para logo em seguida revirar os olhos.

Naruto olhou para o amigo, satisfeito pelo golpe que acabara de aplicar.

–Exibido. – resmungou Gaara.

Hinata ajudou Ino a se levantar, vendo que a plateia agora estava em completo silêncio. Muito provavelmente, já haviam percebido que aquelas pessoas não eram normais.

A loira se desvencilhou dos braços de Hinata, e correu para onde Sai estava caído, ajoelhando-se ao lado dele.

Ouviram um fraco arquejar vindo do homem atingido, que provavelmente não resistiria ao golpe que havia recebido.

–Tudo isso por causa de um viad...

–Seu homofóbico desgraçado, eu vou matar você! – Ino gritou, levantando-se, pronta para correr. Suas mãos concentravam chakra, decididas a sugar o fio de vida que ainda prendia aquele infeliz à Terra.

–Ino! Não! – ouviu Sai gritar.

A mão firme de Gaara no pulso de Ino impediu que ela prosseguisse. Ele olhou para Sai, surpreso.

Naruto e Hinata também olhavam para o rapaz caído, o silêncio desagradável pairando sobre o local.

Vendo o homem dar seu último suspiro, Ino voltou a si, para logo em seguida desvencilhar-se da mão de Gaara e correr novamente ao encontro de Sai. Ajudou-o a se levantar, e logo Hinata se prontificou a ajudar também, segurando o rapaz do outro lado, apoiando um dos braços sobre seus ombros.

–MAS QUE PORRA É ESSA QUE TÁ ACONTECENDO AQUI?! – ouviram Deidara gritar, chutando a porta caída, a expressão indignada de quem iria matar alguém. Viu os homens mortos no chão da boate, e logo seus olhos pairaram sobre as únicas pessoas capazes de fazer algo como aquilo. –CARALHO, NARUTO, É A SEGUNDA BOATE MINHA QUE VOCÊ DESTRÓI, CACETE!

–Quêêêêê?! Eu cheguei aqui agora! A confusão já tava rolando antes de eu sequer notar! – defendeu-se Naruto.

–ATÉ PARECE! – Deidara gritou em resposta. – PENSA QUE EU NÃO TE CONHEÇO, RAPOSA DO INFERNO?!

Naruto revirou os olhos. Deidara conseguia ser mais impaciente e estourado do que ele, e aquilo era, de certa forma, divertido de se ver.

–PELO MENOS MATARAM OS INFELIZES! MAS QUE MERDA DE ESTRAGO VOCÊS FIZERAM! – falou. Àquela altura, os seguranças já haviam esvaziado o lugar.

–Depois manda a conta que a gente se acerta. – falou Gaara, ainda encarando Ino e Sai.

–CLARO QUE EU VOU MANDAR A CONTA, IDIOTA! – retrucou Deidara. –AH, IA ESQUECENDO DE FALAR, O SASUKE TÁ LÁ FORA ESPERANDO PRA FALAR COM VOCÊS. TÁ COM AQUELA CURADORA GOSTOSA!

–Para de gritar, retardado! – impacientou-se Naruto.

–COMO QUEREM QUE EU PARE DE GRITAR COM ESSE PREJUIZO, SEU BASTARDO?! QUER MORRER?! KATSU! – falou, jogando uma pequena bomba de chakra, que explodiu perto de Naruto.

O loiro revirou os olhos.

–Cala a boca, idiota. – resmungou Naruto.

–Vamos, pessoal. O Sasuke quer falar com a gente. Deve ser importante. – falou Gaara, saindo dali sem olhar para trás.

Os outros logo começaram a andar atrás dele, em direção à saída da boate.



Deidara olhou para os corpos no chão, sem conseguir impedir o sorriso que se formava em seus lábios.

–Eita, caralho... vocês não tiveram sorte, hein? – falou, como se os mortos pudessem ouvi-lo. – Foram mexer logo com aquele grupo de malucos. – disse, soltando uma risada de satisfação.

A estreia de seu estabelecimento havia sido, de fato, uma explosão.

Sasuke aguardava do lado de fora, encostado no carro, as mãos no bolso. Mantinha uma expressão impassível, quando viu o grupo de amigos saindo da boate.

Ignorou o fato de que as garotas ajudavam Sai a caminhar, ferido e ensanguentado, e encarou Gaara e Naruto.

Mas Sakura, que estava ao seu lado, não pôde deixar de arregalar os olhos de surpresa.

–Sai! O que aconteceu?! – perguntou, aflita, ajudando as garotas a carrega-lo. Abriu a porta do carro, colocando o rapaz sentado no banco do carona, as pernas para fora, apoiadas na calçada. Ele encostou a cabeça no acolchoado, fechando os olhos, sem querer escutar aquela conversa.

Ino estava prestes a falar, quando a voz fria de Sasuke soou pela rua escura e vazia, iluminada precariamente pelas luzes da boate.

–Trago notícias do Sasori. – falou ele.

Todos, até mesmo Sai, arregalaram os olhos para o Uchiha. Gaara deu um passo a frente, ansioso por respostas.

–Onde ele está? – perguntou o ruivo.

Sakura olhava para Sasuke com censura. Tinha uma vaga ideia do que ele pretendia, e não queria fazer parte daquilo, mas não havia como convencê-lo do contrário. Ela se virou para Sai, concentrando chakra nas mãos, tentando curá-lo de seus ferimentos.

Sasuke não respondeu. Em vez disso, ele se virou para o carro, abrindo o porta-malas.

Com apenas uma das mãos, ele arrastou o corpo que trazia ali, segurando-o pelos cabelos, estendendo-o para Gaara.

O ruivo arregalou os olhos, estancando onde estava.

–Aqui. – falou friamente o Uchiha, erguendo o corpo de Sasori.

–Isso só pode ser uma brincadeira de mau gosto! – gritou Naruto, sem entender nada do que acontecia.

–Você acha mesmo que eu brincaria com algo assim? Eles estão agindo, e agindo rápido. Precisamos nos concentrar em uma investida própria, não podemos esperar pela ORDEM. – ele falou, seu tom de voz inflexível. Voltou-se novamente para Gaara. – Sua força será bem-vinda na Akatsuki, se desejar vingar seu mestre. – propôs.

Mas o ruivo não reagia. Seus olhos arregalados encaravam o corpo erguido à sua frente, sua expressão congelada. Não ouvia nada, não sentia nada.

Nada.

–O que você pretende com isso, Sasuke? – perguntou Naruto, aflito e confuso. Sua garganta se fechava pelo pesar que o invadia. As recordações que tinha do jovem mestre morto à sua frente prendiam-se à melhor época de sua vida, e não podia impedir a tristeza que o preenchia.

–Não sabemos quem está por trás disso. Mas sabemos que a ORDEM, até agora, não moveu um dedo sequer para impedir o que quer que esteja acontecendo. Nem quando mataram meu mestre, meu irmão. – falou, e mesmo com a tristeza daquela lembrança, sua voz e expressão se mantiveram firmes, inflexíveis. – Tenho motivos para acreditar que eles podem estar envolvidos nisso.

–Isso é um absurdo! Você só pode estar ficando louco, Sasuke! – rebateu Naruto, seus gritos rompendo ferozmente o silêncio da rua. – Você não pode estar falando sério! Será que a Akatsuki fez uma lavagem cerebral em você?! Será que você esqueceu dos métodos que ele usam, das coisas que esse pessoal da Akatsuki já fez?!

–Ações necessárias em prol de um objetivo maior. – justificou Sasuke. Naruto serrou os punhos, contrariado, percebendo que o amigo estava cada vez mais distante dos ensinamentos que Itachi havia lhe passado. – E então, Gaara? Deixará a morte de seu mestre, a pessoa mais importante de sua vida, passar em vão? – questionou o Uchiha.

Gaara permanecia de olhos arregalados, a expressão ainda congelada em choque. Sequer parecia respirar. Não se movia um milímetro sequer.

Sasuke suspirou.

–Pelo visto você precisa de um incentivo maior do que a perda de seu mestre. – falou ele, para logo em seguida focar seus olhos em Ino. A habilidade visual do Uchiha logo surtiu efeito na garota; Ela caiu de joelhos, gritando enlouquecidamente pela dor que a atingia. Em convulsão, seu corpo atingiu o chão, os olhos azuis arregalados pela hipnose causada pelos olhos vermelhos de Sasuke.

Aquele grito despertou Gaara para a realidade.

Uma aura sombria pairou sobre o local, de forma tão pesada e densa que fez Sakura e Hinata caírem de joelhos também, tentando puxar o ar dos pulmões. A pressão da energia maligna que emanava do ruivo esmagava seus órgãos internos, sem que elas conseguissem se mover ou falar.

Sasuke sorriu para aquela reação.

–Ga... Gaara... não... faça... isso... – Ino tentou pedir, um fio de voz sumindo a medida em que seus olhos se fechavam, sendo arrastada para o desmaio.

O ruivo focalizou seus olhos em Sasuke, as pupilas amarelas emolduradas pelo negror que denunciava o Bijuu desperto dentro dele.

–SEU FILHO DE QUATROCENTAS PUTAS! EU VOU MATAR VOCÊ!

Notas finais
Oi! E aí? Gostaram? Sei que esse capítulo ficou imenso, mas achei melhor não dividí-lo. Aguardo ansiosamente pelo comentário de vocês! Sobre a relação ShikaTemariana, deem seus palpites! Por que será que o Shikamaru não confia na Temari? Ah, boas notícias sobre o hentai: ele deve sair no próximo capítulo ou no outro. Aguardem! Segue abaixo o link com a tradução das músicas do Arcade Fire que citei nas notas iniciais: http://letras.mus.br/the-arcade-fire/we-exist/traducao.html http://letras.mus.br/the-arcade-fire/reflektor/traducao.html Espero que tenham gostado do capítulo, e que não deixem de comentar, recomendar a leitura dessa fic aos amigos, enfim... a autora-san, como sempre, agradece. O próximo capítulo deve demorar um pouquinho, pois tenho muitas pendências a resolver com relação aos meus estudos, trabalhos sem fim me esperam, e prevejo uma semana turbulenta diante de mim. Vou me esforçar para disponibilizar algo logo, mas peço paciência, tá? Bjks!