Paraíso Sombrio

42 Vestígios do futuro


Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Todo mundo emocionado com o capítulo passado... A carta do Jiraya foi abaladora de estruturas, e o bar da Tayuya fez o MAIOR SUCESSO DE TODOS OS TEMPOS. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk E deixa eu ver se entendi... Quer dizer que eu mal falei aqui sobre o aniversário da Hinata e já estou sendo pressionada por essa festa? T.T kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Gente, acho que esse é o último capítulo gigante... Vou tentar voltar a fazer capítulos com o mesmo tamanho de antes. O capítulo de hoje tá um pouco... chato. T.T Mas também está muito revelador. A maioria dos nós da fic serão desatados, muita coisa virá a tona. E eu PRECISO dizer que no capítulo de hoje tem uma coisa que vai matar vocês de fofura. SasuSakus piram :3 Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Ah, as lembranças citadas são do capítulo 4. Bom... agora chega de enrolação. Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!



Já era tarde da noite quando Sasuke pegou a estrada, encaminhando-se de volta para a mansão. Havia acabado de sair do bar onde encontrara Naruto, Gaara, Deidara e Shikamaru, e a lembrança daquela noite maluca o fez sorrir por um instante. Pelo menos Naruto não havia passado o aniversário sozinho.

Foi quando, pela terceira vez desde que começara a dirigir, seu celular tocou.

Sasuke bufou. O identificador de chamada acusava o número de Gaara, e o moreno não sabia por que diabos ele estava insistindo tanto em ligar. Não haviam acabado de se encontrar? O que ele queria?

Percebendo que o Sabaku não desistiria, a contragosto, Sasuke levou o telefone à orelha.

–Fala. – o moreno resmungou, emburrado.

–Sasuke, por que você não atende a porra desse telefone?! – Gaara berrou do outro lado da linha, estressado.

–Você acabou de me ver. – o Uchiha respondeu, entediado – Larga do meu pé.

–Você ainda tá na estrada? – Gaara questionou.

–Eu não acabei de sair da porra do bar? – Sasuke resmungou, começando a se irritar – Claro que ainda estou na estrada! A mansão dos Hyuugas fica do outro lado da cidade!

–Por que você está indo pra mansão dos Hyuugas a essa hora? – o ruivo perguntou, curioso.

Sasuke suspirou, os olhos negros se estreitando para a movimentação da avenida.

–O que você quer, Gaara?

–Cara, você tem que voltar. Agora. – o Sabaku informou.

–Quê? Por quê?

–Aconteceram umas coisas aqui e o Shikamaru quer reunir todo mundo. – Gaara explicou minimamente, nervoso, sem querer se estender no assunto, afinal, nem ele mesmo sabia direito o que estava acontecendo.

–Coisas? Que coisas? – Sasuke perguntou, desconfiado.

–Apenas coisas, tá legal?! – o ruivo se impacientou – Volta logo porque a coisa tá feia e do jeito que o Shikamaru tá nervoso, é capaz de ele comer o rim de alguém hoje. A reunião vai ser na casa do Naruto.

O Uchiha suspirou novamente, revirando os olhos para todo aquele estardalhaço.

–Espero que isso seja importante. – Sasuke resmungou, ouvindo Gaara bufar do outro lado da linha, para em seguida desligar o telefone.

Com um meio sorriso, o moreno guardou o celular no bolso e girou o volante, a fim de dar a volta na avenida e encaminhar-se para a casa de Naruto.

–Finalmente... – ele murmurou, percebendo que tudo estava caminhando de acordo com o planejado.

Sasuke foi o último a chegar, deparando-se com Ino, Gaara, Naruto, Deidara, Sai, Shikamaru e Temari. O silêncio era aterrador e confuso; era possível perceber o turbilhão de emoções que estampavam as expressões de todos ali. Era cedo para sentirem-se felizes, pois ninguém sabia o que havia causado tudo aquilo, mas ao mesmo tempo era impossível não sentir certo alívio ao lembrarem-se dos corpos que lhes foram entregues. De uma maneira ou de outra, Shikamaru e Ino se sentiam vingados, embora a Yamanaka tivesse mais dificuldades em admitir aquilo. Ela não parecia muito feliz em ter recebido o corpo de Hidan – para falar a verdade, ela ficaria muito contente em nunca conhecer o rosto do assassino de seu mestre. Assim, não corria o risco de ceder ao ódio que lhe espreitava o coração e ao qual ela recusava com veemência, tentando se manter distante de sentimentos que não fizessem jus à memória de Asuma.

Percebendo que todos se mantinham em um silêncio carregado de tensão, Sasuke apenas encaminhou-se na direção do sofá, jogando-se preguiçosa e tediosamente no estofado. Por um instante, seus olhos pousaram na figura de Temari, que desviou o olhar dele, parecendo desconfortável em tê-lo ali – reação que ela rapidamente tratou de disfarçar.

–Não há truques ou jutsus escondidos nos corpos. – a voz de Sakura soou vinda da varanda, se aproximando da sala. Logo a rosada pôde ser vista por todos, enquanto tirava as luvas e se aproximava do grupo que a aguardava ansiosamente – Eles estão realmente mortos. – anunciou, a expressão oscilando entre aliviada, curiosa e confusa. Ela também não sabia exatamente como se sentir a respeito de tudo aquilo mas, de certa forma, ficava feliz em saber que, pelo que lhe parecia, todo aquele pesadelo talvez estivesse perto do fim.

Obviamente, ela ficou muito surpresa – e até um pouco assustada – quando recebeu um telefonema de Shikamaru pedindo que ela fosse com urgência até a casa de Naruto. Chegando lá, ficou mais chocada ainda ao deparar-se com os corpos de Hidan e do ruivo de piercings, ambos parecendo estarem mortos. Apenas por uma questão de precaução, o Nara lhe pediu que examinasse os corpos e tentasse descobrir se aquilo era algum tipo de truque ou armadilha, que verificasse a circulação de chakra, que averiguasse se aqueles dois estavam, realmente, mortos.

E assim Sakura fez, mas a conclusão a qual chegou parecia ainda não ter atingido seus sentidos. Enquanto examinava os corpos, ela se sentia um pouco dormente, sem conseguir acreditar no que via. Mas ali estava a prova: os assassinos de Asuma e Jiraya estavam mortos. Ao mesmo tempo, ela se perguntava se Sasuke estava sabendo de tudo aquilo, ou até mesmo se ele tinha alguma coisa a ver com aquelas mortes. Talvez sim, talvez não... Sakura não tinha certeza.

Antes de se afastar dos corpos e de ir dar a noticia aos seus amigos, a rosada olhou para o céu que podia ser visto da varanda, esperando que, onde quer que estivessem, os corações de Asuma e Jiraya pudessem descansar em paz.

Ao chegar na sala, Sakura reparou na presença de Sasuke, mas aquela não era, nem de longe, a sua maior preocupação. Receosa, ela fitou o rosto de Naruto, que mantinha uma expressão paralisada, o olhar frio e distante. Talvez ele também estivesse tendo problemas para assimilar que o assassino de seu mestre estava morto.

–Conseguiu identificar a causa da morte? – Shikamaru perguntou, vendo a rosada se aproximar.

–Não há muitos sinais de luta ou resistência, o que significa que, quem quer que os tenha matado, é alguém muito forte e habilidoso, pois sequer deu tempo para que eles revidassem o ataque. – Sakura respondeu, sentando-se ao lado de Ino, que também tinha uma expressão distante e ao mesmo tempo confusa, como se estivesse ali apenas de corpo presente – As vias de chakra estão totalmente obstruídas, o que significa que eles tiveram os poderes selados antes de serem mortos.

Shikamaru suspirou, fechando os olhos enquanto apoiava os cotovelos nos joelhos. Com a ponta dos dedos ele massageou as têmporas, tentando ordenar os pensamentos e se concentrar. Por que diabos sempre ficava faltando uma peça naquele quebra-cabeça sem fim?

–Alguém suspeita de quem possa ser o responsável por tudo isso? – Gaara perguntou, parecendo nervoso.

–Precisamos pensar... – o Nara murmurou, ainda massageando as têmporas. Ficar cara a cara com o corpo de Hidan o deixara tão abalado que agora ele tentava, a todo custo, controlar o tremor que fazia seu corpo se agitar em nervosismo, ao mesmo tempo em que sentia uma tremenda dor de cabeça atingir-lhe com o peso de uma bola de canhão.

–Ainda não sabemos quem matou Sasori. – Gaara disse, deixando claro para todos o motivo de seu nervosismo – Sabemos que não foi Hidan e nem o ruivo de piercings. Ainda há muitos suspeitos e devemos....

–Orochimaru matou Sasori. – Naruto interrompeu, sua voz fazendo-se soar pela primeira vez desde que todos chegaram até sua casa – Shino encontrou evidencias que comprovam que o próprio Orochimaru se responsabilizou pela morte do seu mestre, Gaara. – disse, pegando o pacote que estava na mesinha de centro, o mesmo que Shikamaru o entregara no bar, a pedido de Shino. Displicentemente, Naruto jogou o embrulho para o ruivo.

Gaara abriu o pacote, deparando-se com os relatórios e fotos enviadas por Shino, que contavam o que havia sido encontrado no antigo sanatório onde Orochimaru trabalhava quando ainda era membro da ORDEM. Além de Jiraya, Sasori foi o único mestre que chegou muito perto de pôr um fim em tudo aquilo e fazer cair por terra os planos de Orochimaru. Arriscando-se mais do que deveria, Sasori acabou sendo pego pelo homem dos olhos de cobra, que mandou alguns dos capangas de Hidan tortura-lo a fim de obter informações, já que os adeptos do Jashinismo eram profissionais nesse tipo de situação. Como Sasori se recusou a revelar qualquer coisa, — e era forte demais para ser morto pelos homens de Hidan – o próprio Orochimaru teve que se responsabilizar pela morte do rosado.

No meio de suas investigações, Shino encontrou os laudos feitos pelo padrasto de Hinata, que relatavam as investigações que ele havia feito no corpo de Sasori quando enfim conseguiu mata-lo. Em seus relatórios, Orochimaru detalhou de forma doentia seu confronto com o mestre de Gaara, afirmando que Sasori havia sido uma das barreiras mais difíceis de ser ultrapassada, já que o rosado deu muito trabalho para morrer.

No final das anotações de Orochimaru estavam escritas as seguintes palavras sobre Sasori:

“Um homem de grande poder, mas que preferiu morrer para salvar seu discípulo bastardo do que viver e se livrar da responsabilidade de tutelar um jinchuuriki.”

Os olhos de Gaara estavam arregalados e fixos no papel em suas mãos, os dedos apertando o documento com tanta força que estava prestes a despedaça-lo. Ele até já podia sentir a energia negra e incontrolável de Shukaku embaçando sua mente e entorpecendo seus sentidos.

Mas antes que perdesse totalmente o controle de si, o ruivo sentiu as mãos de Ino, que estava sentada ao seu lado, tocarem as suas com delicadeza, os dedos dela entrelaçando-se nos seus a fim de tirar o papel de suas mãos.

–Está tudo bem. – ela sussurrou, para que somente Gaara pudesse ouvir – Vamos resolver isso.

Meramente ciente das palavras que a loira lhe dizia, já que o ódio tingia seus sentidos, o Sabaku se limitou a deixar que Ino tirasse o papel de suas mãos e afastasse dele o pacote enviado por Shino.

–Precisamos unir informações e traçar estratégias. – Sai falou, tentando ser o mais prático possível — Não podemos ir à festa na casa da Hinata sem saber exatamente o que nos espera caso esse tal de Orochimaru apareça mesmo por lá.

–Certo. – Shikamaru concordou, sem deixar de massagear as têmporas. Queria fazer aquela maldita dor de cabeça passar, mas só de pensar no corpo de Hidan e em Asuma... – Vamos tentar organizar os dados que conseguimos até agora. – disse, enfim abrindo os olhos – Vou contar a vocês tudo o que sei.

Todos os rostos se voltaram para Shikamaru, exceto os de Sasuke e Temari, que antes de prestarem atenção nas palavras que o Nara estava prestes a dizer, trocaram um olhar cauteloso entre si.

–Quando viajei com Temari, – Shikamaru começou – eu estava na cola de uma pista que poderia me levar até Kakuzo, que foi quem assassinou Yahiko. Acabei descobrindo isso por conta do relato de alguns frades da igreja onde eu estava disfarçado, que contaram sobre um homem suspeito que apareceu do nada perguntando aos fiéis coisas sobre Yahiko e frequentando a missa todos os domingos. Misteriosamente, depois que Yahiko foi encontrado morto, o homem parou de aparecer na igreja e nunca mais foi visto por ninguém de lá. É claro que, com o passar do tempo, acabei encontrando as coisas que pertenciam a Yahiko quando ele ainda se instalava nos aposentos da igreja. No meio dessas coisas estavam todas as evidências que ele conseguiu juntar e que comprovavam que Kakuzo era membro da Akatsuki, o que significa que Yahiko estava na cola dele já há algum tempo. Infelizmente, Kakuzo acabou vencendo o confronto que resultou na morte de Yahiko.

Shikamaru fez uma pausa, sentindo a pressão de todos os olhares fixos em seu rosto. Massageou novamente as têmporas. Que situação mais problemática!

–Quando contei tudo o que descobri ao Asuma, ele agiu de forma estranha... – o Nara continuou – Disse que eu interrompesse minhas investigações e viajasse imediatamente para uma cidadezinha não muito distante daqui, pois ele jurava que tinha evidências de que Kakuzo estava por lá. Asuma também pediu que eu mantivesse segredo sobre minha viagem e que não partisse sozinho. Por isso acabei chamando Temari para ir comigo. – ele explicou, e suspirou em seguida. Ainda não se sentia muito confortável com as lembranças problemáticas daquela viagem – O problema é que depois que viajei, Asuma ficou incomunicável. O celular estava desligado, então eu tentei ligar para Kurenai, mas quando ela disse que não tinha noticias dele há alguns dias, preferi não falar mais nada, para não preocupa-la. Continuei tentando ligar para o celular dele, sem sucesso. Outro fator estranho era que minha viagem parecia estar sendo inútil. Não havia nenhuma evidência que comprovasse a presença de Kakuzo naquela cidade. Logo comecei a considerar a possibilidade de que Asuma tivesse me dado uma pista falsa... Mas por que ele faria isso? – Shikamaru questionou, amargurado, como se estivesse perguntando aquilo a si mesmo.

O silêncio ao seu redor era aterrador, o que só aumentava a angústia que se instalava no peito do Nara. Lembrar de todas aquelas coisas não era nada fácil.

–Quando eu já estava a beira de um colapso de tão confuso e preocupado – ele prosseguiu – tentei me concentrar e ordenar os pensamentos. Havia algo passando despercebido aos meus sentidos, eu tinha certeza. Mas o quê? – questionou novamente – Foi quando me lembrei de algo que Asuma havia me dito muito tempo atrás, e que me ajudou a perceber que as teorias que Deidara levantou sobre a ORDEM e a Akatsuki estavam erradas.

–Como assim? – Deidara perguntou, confuso.

–Alguns anos atrás, enquanto jogávamos uma partida de xadrez, Asuma me questionou sobre a maneira como eu via a ORDEM. Fazendo uma analogia com o xadrez, eu disse que a ORDEM poderia ser considerada o Rei do jogo, afinal, não era pela ORDEM que todos nós lutávamos? – Shikamaru perguntou – Mas Asuma disse que eu estava errado.

–Não estou entendendo. – Gaara falou – O que isso tem a ver com...

–Nesse caso, — o Nara interrompeu – o mais lógico seria considerar os mestres como as peças mais importantes da estrutura de toda a ORDEM, afinal, são eles que sustentam o poder e mantem o equilíbrio do mundo resgatando aqueles que precisam aprender a controlar seus Dons... Considerando os mestres como a peça mais importante de tudo isso, as suspeitas de Deidara estariam corretas. A Akatsuki teria como alvo principal os mestres, que seriam perseguidos até serem completamente liquidados e, dessa forma, a Akatsuki poderia manipular a ORDEM de acordo com sua vontade.

–Exato. – Deidara se intrometeu, cada vez mais confuso com o rumo daquela conversa — Foi mais ou menos isso que eu disse pro Naruto.

–Mas considerar as suas suspeitas sem analisar direito a situação foi um erro. – Shikamaru declarou – Não é nossa culpa, já que estávamos totalmente desnorteados no meio de toda essa confusão, mas ainda assim... – ele se lamentou, amargurado – O que fez com que eu percebesse que estávamos enganados foi minha conversa com Asuma. Quando eu disse a ele sobre a ORDEM ou os mestres serem as peças mais importantes do tabuleiro, ele disse que eu estava errado. Asuma deixou claro que os mestres eram meros peões que lutavam para proteger o verdadeiro Rei, a peça que é, realmente, a mais importante de todas. E foi quando entendi o que ele queria dizer com isso que consegui ver que estivemos analisando as coisas sob a perspectiva errada durante todo esse tempo.

–Vá direto ao ponto, Shikamaru. – Naruto exigiu, impaciente.

O Nara suspirou. Talvez sua cabeça fosse explodir aquela noite.

–Pensem... Se os mestres são peões cuja função é proteger algo de grande importância, o que seria isso? O que nossos mestres se empenharam em proteger durante toda a vida? – Shikamaru questionou, vendo todos os olhos à sua frente se arregalarem.

–Os discípulos! – Ino falou, compreendendo.

–Exato. – Shikamaru confirmou – E levando em consideração a história de Orochimaru que Naruto me contou, tudo faz sentido. Os mestres não são o principal alvo da Akatsuki. Os mestres foram mortos porque eles eram a única coisa que impedia Orochimaru de alcançar o que ele queria de verdade: nosso poder. Nós somos o verdadeiro Rei. Nós somos o alvo de Orochimaru. É ele quem está no comando da Akatsuki, e está atrás da Hinata porque, segundo o que Shino descobriu, ela pode selar nosso poder para sempre, e aumentar significativamente a força de Naruto, que supostamente é o mais poderoso entre nós. Sendo assim, Hinata se tornou o principal alvo de Orochimaru, já que ela pode manipular nossos poderes. Porém, Hinata havia se perdido no mundo, sendo mantida sob a tutela de Tenten, que a protegia e a mantinha distante da mira de Orochimaru... Até que Naruto a encontrou e a resgatou. Antes de Hinata chegar até nós, nossos mestres já estavam morrendo, já que Orochimaru queria nosso poder e a única maneira de nos alcançar era tirando nossa maior proteção do caminho: os mestres. Quando a Akatsuki soube que Hinata estava entre nós, ela voltou a ser o principal alvo de Orochimaru, já que, dentre nós, são ela e Naruto quem detém os maiores poderes. Dessa forma, Orochimaru continua atrás de nossos Dons, mas obtendo os de Hinata e Naruto, será muito mais fácil nos derrotar, já que a Hyuuga pode selar nossos poderes. E se ele puser as mãos em Kyuubi, a coisa pode ficar realmente feia pro nosso lado. Afinal, todos nós sabemos que não podemos derrotar o Bijuu de Nove Caudas. A única pessoa que pode fazer isso é a Hinata.

Naruto ficou em silêncio, assimilando tudo aquilo. Os mestres foram mortos porque quiseram, a todo custo, proteger seus discípulos. Hinata e Naruto eram os principais alvos de Orochimaru, que por sua vez estava no controle da Akatsuki. O principal objetivo daquele maluco era se apropriar do poder de todos os discípulos, e para isso, seria necessário obter o poder de Hinata e de Naruto, já que os dois juntos podem aumentar significativamente a força um do outro – ou se destruírem, é claro.

Era muito para uma só cabeça assimilar, em um só dia.

–Mas como Orochimaru ficou sabendo que a Hinata estava com a gente? – Sai perguntou.

–Meu primeiro palpite é de que Sasuke ou Gaara possam ter deixado essa informação vazar, ou... – Shikamaru falou, estreitando os olhos para o Uchiha – Ou talvez tenham dito a eles propositalmente.

–Eu jamais faria isso. – Gaara afirmou, sentindo-se ofendido – Meu objetivo na Akatsuki era encontrar informações que pudessem me levar ao assassino de Sasori, todos sabem disso. Não cheguei a entrar em contato com muitos dos membros de lá... Fui à duas ou três reuniões, onde não descobri absolutamente nada. Percebi que aquilo era inútil, e depois que descobrimos que Hidan foi responsável pela morte de Asuma, resolvi me afastar de vez daquele lugar, já que era contra eles que iriamos lutar. Na época, eu não sabia que a Akatsuki estava por trás das mortes dos mestres.

–Por que está tagarelando como uma matraca? – Shikamaru perguntou ao ruivo, revirando os olhos – Não estou acusando você de ter dito nada a eles. Como você esteve envolvido com a Akatsuki durante algum tempo, precisei considerar a possibilidade de que talvez você tivesse deixado a informação sobre Hinata vazar. Minha principal desconfiança é de que Sasuke tenha dito a eles sobre a Hyuuga. – sentenciou, vendo todos os olhares se voltarem para o Uchiha.

Sasuke exibiu aos amigos um sorriso torto, mantendo-se em silêncio. Shikamaru revirou os olhos novamente. Aquele Uchiha era uma incógnita; Era impossível deduzir de que lado ele estava realmente.

–Desse mato não sai coelho. – Deidara falou, percebendo que Sasuke não revelaria se Shikamaru estava certo ou errado em suas suspeitas – Mas como foi que você soube que Asuma estava em perigo? – perguntou ao Nara.

–Quando compreendi que o verdadeiro alvo não eram os mestres e sim os discípulos, percebi que Asuma poderia ter me dado uma pista falsa pelo fato de alguém já estar atrás de mim, ou de Temari, o que era mais provável já que Sasori estava morto. Logo, ela e Gaara seriam os primeiros alvos a serem atacados, ou seja, talvez já estivéssemos sendo seguidos. Asuma parecia muito ansioso para que eu saísse da cidade... Então eu entendi que, se me atacassem, era sinal de que meu mestre havia sido pego, porque não haveria nada que os impedissem de tentar por as mãos em meu poder, já que minha principal proteção, ou seja, Asuma, estaria... fora do caminho.

–E por que inferno você não nos contou isso assim que descobriu?! – Naruto rosnou, os olhos azuis ardendo em chamas de revolta.

–Por causa do Jiraya. – Shikamaru esclareceu – Quando soube que eu havia descoberto parte do que estava acontecendo, ele pediu que eu mantivesse tudo em segredo. Jiraya temia pela sua vida, Naruto.

–Ele não tinha o direito de esconder isso de nós! – o loiro sibilou, enraivecido – Poderíamos ajudar, poderíamos...

–Eu disse isso a ele. – o Nara interrompeu, mantendo a expressão tranquila – Na época, fiquei um pouco revoltado com o fato de que todos os mestres sabiam o que estava acontecendo e não nos disseram nada... Mas agora, acho que entendo um pouco o porquê de eles agirem assim. Principalmente o Jiraya.

–Por quê?! – Naruto perguntou, tentando manter o controle de si. Já havia sido invadido pelas mais diversas emoções naquele dia, e não sabia por quanto tempo mais seu coração aguentaria tudo aquilo.

–Você e Hinata eram responsabilidade dele... – Shikamaru justificou – Vocês eram o principal alvo da Akatsuki, do Orochimaru. Caso se aprofundassem demais na investigação, vocês poderiam ser pegos e mortos. Jiraya fez tudo o que foi possível para proteger a todos nós. Ele queria que nossa família ficasse unida, pois unidos, somos mais fortes. Mas tudo estava um caos, nós estávamos divididos, nossa família estava devastada... Desse jeito não conseguiríamos vencer. Jiraya se empenhou em nos manter unidos, porque ele sabia que iria morrer, e estava disposto a isso se fosse para proteger você, Naruto.

O Uzumaki suspirou e passou as mãos pelo rosto e pelos cabelos, angustiado. Sua cabeça começava a latejar, seu coração estava apertado como se fosse explodir. Estava a beira de um colapso. Tudo aquilo era demais para ele.

–Mas Hidan e o cara dos piercings estão mortos. – Sakura falou, tentando desviar a atenção de Naruto dos pensamentos que pareciam estar atormentando-o – Foi Orochimaru quem os matou?

–Não sabemos. – Shikamaru falou, coçando a cabeça, visivelmente incomodado por, mais uma vez, estar analisando fatos soltos no escuro – Se pensarmos bem, uma vez que Jiraya e Asuma estão mortos, Hidan e o ruivo de piercings poderiam ter se tornado inúteis para Orochimaru, pois já cumpriram seus papéis no plano dele. Por outro lado, não acho que faça muito sentido que Orochimaru esteja se livrando de seus aliados... Afinal, ele pretende enfrentar a todos nós sozinho? Esse cara é tão poderoso assim, ou é somente um maluco? Não acredito que ele tenha sido responsável pela morte de Hidan e do ruivo. Não é muito coerente.

–Então estamos agindo às cegas novamente? – Gaara perguntou, desanimado.

–Acho que sim. Mas, pelo menos, estamos mais cientes da situação em que nos encontramos. – o Nara respondeu.

Os outros suspiraram. Era difícil assimilar tantos acontecimentos e a preocupação continuava sendo o sentimento dominante no coração de todos.

–Não quero descartar a possibilidade de Orochimaru ter se livrado dos membros da Akatsuki, mas há algo que está me incomodando desde antes de ontem. – Shikamaru falou — Enquanto Naruto e eu investigávamos e seguíamos o ruivo de piercings, nos deparamos com uma terceira pessoa que parecia estar atrás dele também.

–Quê?! – Deidara grunhiu, sua indagação seguida pelo murmúrio de surpresa de todos os presentes – Já não basta tudo com o que temos que lidar, ainda precisamos nos preocupar com uma terceira pessoa?!

Sasuke se remexeu no sofá, parecendo desconfortável com o rumo das conclusões de Shikamaru.

–Quem é essa terceira pessoa? – Sakura perguntou.

–Não sei. – o Nara respondeu – Segundo Naruto, o cara estava usando uma máscara... Mas sabemos que o tal mascarado é forte o suficiente para nocautear o poder da Kyuubi. – Shikamaru disse, coçando a cabeça. Ele sabia muito bem que Naruto apenas fora pego com tanta facilidade porque, apesar de não querer conversar sobre isso, o loiro andava abatido e distraído, os pensamentos voltados de forma obsessiva para a ausência de Hinata em sua vida – É importante termos em mente a possibilidade de esse cara mascarado ser o responsável pelas mortes de Kakuzo, Hidan e do ruivo. Se seguirmos a linha de raciocínio de que os membros da Akatsuki se tornaram inúteis quando concluíram seu papel como assassinos, seria lógico dizer que Orochimaru era o mascarado... Mas... – ele se interrompeu, parecendo incerto.

–Mas o quê? – Sakura insistiu.

–Se Orochimaru está atrás do Naruto, então por que o deixou para trás quando o encontrou enquanto seguíamos o ruivo? – Shikamaru questionou – Não acho que o mascarado seja Orochimaru... Não há como sabermos ainda se o responsável por essas mortes é ele ou o mascarado, mas acho que, se Orochimaru fosse aparecer para matar algum membro da Akatsuki, ele não precisaria usar uma máscara. Levando em consideração o que ele tem feito até agora, está claro que se esconder não é a intenção dele.

Deidara esfregou as mãos no rosto, impaciente e confuso. Estava começando a se perder no raciocínio de Shikamaru.

–Por enquanto, essas são as informações que temos. – o Nara falou – É importante considerarmos a possibilidade de haver um outro inimigo além de Orochimaru... ou um aliado... – ele murmurou, confuso. Suspirou, parecendo cansado – Ainda não sei dizer quais são os objetivos desse cara mascarado mas, de qualquer maneira, precisamos ter muito cuidado. Quero que todos estejam cientes de que, se decidirem ir ao aniversário de Hinata, existe uma grande possibilidade de que não saiam de lá vivos. Se Orochimaru aparecer, estejam preparados, tanto para a vitória, quanto para o fracasso. – ele explicou, olhando para sua família, a expressão séria.

Todos assentiram. Estavam cientes dos riscos que corriam desde o começo; Não havia nada que pudesse faze-los dar para trás na missão de solucionar aquela história.

Dando a reunião por encerrada, Shikamaru se levantou da poltrona onde estava sentado, caminhando para a adega de Naruto. Ele se serviu de bebida, vendo Sai, Deidara, Gaara e Ino se despedirem e irem embora. Sasuke saiu da casa de Naruto sem dizer nada, sendo seguido por Sakura, que logo se apressou em acompanha-lo até a porta. Temari também se despediu, fitando nervosamente o Nara por um instante. Sem entender o que aquele olhar preocupado significava, ele limitou-se em sorrir para a loira antes de vê-la partir.

Na casa de Naruto permaneceram apenas o Uzumaki e Shikamaru.

Com uma expressão exausta, Naruto também se ergueu do sofá, prestes a dirigir-se até o corredor dos quartos.

–Fique a vontade para beber, só não acabe com tudo, tá legal? – o loiro recomendou a Shikamaru – Quando for embora, tranque a porta e...

–Naruto, fique. – o Nara interrompeu — Preciso falar com você.

–O que foi?

–Precisamos nos preparar para a possibilidade de Sasuke ser um traidor. – Shikamaru avisou, vendo a expressão de Naruto mudar de sonolenta para lívida e preocupada.

–Como assim? – o loiro perguntou, confuso.

Shikamaru suspirou, sentindo-se desconfortável e decepcionado. Era difícil para ele expressar suas suspeitas; apesar de tudo, Sasuke era membro de sua família, seu irmão. Duvidar da integridade do Uchiha era algo doloroso, mas que sua mente insistia em destacar como imprescindível para solucionar toda aquela situação complicada.

–Pelas provas levantadas por Shino, nós sabemos que foi o próprio Orochimaru quem matou o mestre do Gaara, não é? – o Nara perguntou, vendo Naruto assentir – Mas quando vocês foram visitar a boate de Deidara, não foi Sasuke quem apareceu com o corpo do Sasori?

Naruto arregalou os olhos, compreendendo o que Shikamaru queria dizer. Ele abriu a boca para protestar, mas as evidencias estavam ali. A surpresa e a verdade calaram suas palavras; não havia nada a ser dito em favor de Sasuke. Era impossível defender seu amigo, seu irmão, impossível não acreditar na lógica infalível de Shikamaru.

Era impossível para Naruto não sentir o coração apertando-se em decepção por causa de Sasuke. Mais uma vez.

–Existe alguma ligação entre Sasuke e Orochimaru, de outra forma Sasuke não poderia ter acesso ao corpo de Sasori com tanta facilidade. – Shikamaru prosseguiu, vendo as sombras da tristeza aprofundarem-se nos olhos de Naruto – Se Orochimaru tinha interesse na morte dos mestres, ele pode ter instruído Sasuke a matar Itachi. Posso estar errado, mas tudo nos leva a crer que Sasuke está agindo por baixo dos panos. Apenas não consigo entender aonde ele quer chegar com tudo isso... Se eu estiver certo e Sasuke estiver, de fato, ajudando Orochimaru, qual o objetivo dele?

Naruto balançou a cabeça, contrariado. Ele não tinha as respostas para aqueles questionamentos, e se recusava a acreditar na possibilidade de Sasuke estar envolvido com Orochimaru.

Mas como ele poderia argumentar contra a lógica de Shikamaru?

Os fatos apontavam para o Uchiha como um grande suspeito. Naruto suspirou; Precisava aceitar que Sasuke talvez tivesse envolvimento com o padrasto de Hinata.

Shikamaru bebeu um último gole da bebida, depositando o copo vazio no balcão.

–Você vai à mansão Hyuuga com a gente? – o Nara perguntou, vendo Naruto fita-lo com uma expressão vazia.

O loiro pensou um pouco antes de responder. Ainda não estava preparado para se decidir sobre aquilo.

–Acho que vocês não vão precisar de mim, lá. – Naruto falou, enfim – Talvez Orochimaru perceba que planejamos uma emboscada para ele e sequer apareça.

O moreno apenas assentiu, sem querer se estender muito naquela conversa. Ele sabia que aquele não era o motivo pelo qual Naruto estava relutante em ir à mansão Hyuuga. Shikamaru tinha certeza de que, no fundo, o Uzumaki tinha medo de reencontrar Hinata.

–Tudo bem. – o Nara deu de ombros – Apenas pense no assunto e me avise se mudar de ideia.

–Certo. – Naruto respondeu, a expressão apática.

Em silêncio, os dois caminharam até a porta da saída. Shikamaru olhou para o amigo novamente.

–Pense no assunto. – o moreno insistiu, ouvindo Naruto bufar.

–Tchau, Shikamaru! – o Uzumaki empurrou o amigo para fora da casa.

Shikamaru revirou os olhos enquanto era expulso, olhando para Naruto uma última vez antes de partir. Franziu o cenho. O loiro parecia devastado, e Shikamaru sabia que tudo que estava acontecendo deveria estar sendo demais para uma só mente, para um só coração.

O moreno então se lembrou das palavras de Asuma, durante a partida de xadrez que jogaram juntos.

“É uma pena que a peça mais importante seja também a mais frágil e a mais difícil de ser protegida...”, o mestre dissera, e na época, Shikamaru não sabia o por quê de Asuma parecer tão angustiado.

Naruto parecia ainda não estar totalmente consciente de quão poderoso e importante ele era, e do quanto Hinata poderia ser letal...

Antes de ir embora, enquanto fitava Naruto, Shikamaru não pôde evitar pensar que seu mestre estava certo. A peça mais importante era, realmente, a mais difícil de ser protegida.

Caminhando sozinho, perdido em pensamentos, Sasuke mal se deu conta de que Sakura vinha logo atrás, alcançando-o assim que chegaram até onde o carro estava estacionado.

–Sasuke! – a rosada chamou, se aproximando e fitando-o com uma expressão preocupada – Está tudo bem?

O Uchiha se encostou no carro, tentando manter a expressão neutra. Por um instante, a simples visão do rosto de Sakura quase o fez sorrir. Era sempre tão bom vê-la usando a pulseira com a qual a presenteara, e que simbolizava a promessa de que ela o esperaria... Mas, ao mesmo tempo, havia muita coisa na cabeça de Sasuke para que ele se detivesse na presença de Sakura ali.

–Por que não estaria? – ele falou tranquilamente, colocando as mãos nos bolsos da calça.

Sakura teve que se esforçar para não revirar os olhos com a expressão aparentemente despreocupada de Sasuke. Pelo visto ele não queria falar sobre as acusações que Shikamaru fizera contra ele. Se bem que não foram bem acusações... As conclusões as quais o Nara chegara eram mais um palpite do que uma acusação. E todos sabiam que ele não só considerava a possibilidade de estar enganado; Shikamaru queria descobrir que estava errado. Era muito difícil para o Nara ter que suspeitar de alguém de sua família.

–Por nada... Mas... – a rosada divagou, hesitante. Sua expressão ainda estampava a preocupação que sentia – Sasuke, precisamos conversar.

–Sim, precisamos. – ele concordou, para a surpresa da Haruno – Não quero que você se junte a nós no dia do aniversário de Hinata.

–Não é sobre isso que eu quero conver... Peraí, o quê? – Sakura grunhiu, perplexa – Por quê?

–Será perigoso demais. – o moreno explicou, esforçando-se para manter-se impassível. Era extremamente difícil para ele demonstrar aquele tipo de preocupação, mas conhecendo Sakura, ela seria a primeira a se atirar no meio da possível confusão que aconteceria na mansão Hyuuga.

A rosada estreitou os olhos verdes para Sasuke, os punhos cerrados ao lado do corpo.

–Eu vou para o aniversário da Hinata. – ela avisou, vendo o Uchiha suspirar, frustrado – Estarei lá pela minha família, quer você queira ou não.

Sasuke passou as mãos pelo rosto, impacientando-se.

–Será que você pode, só dessa vez, deixar de ser teimosa e me ouvir? – ele pediu, enquanto Sakura erguia uma sobrancelha, exibindo a ele uma expressão irônica.

–Estou ouvindo, mas não deixarei de ser teimosa. – a Haruno sentenciou, cruzando os braços.

–Não me faça ter que amarrar você, Sakura. – Sasuke sibilou em ameaça.

–Tente, Uchiha! – Sakura berrou, irada, esquecendo completamente dos motivos que a levaram até ali. O que ela queria conversar com Sasuke mesmo? Não lembrava mais – Tente e eu vou esmagar seus ossos com um murro só.

–Tsunade é uma péssima influência para você! – o moreno reclamou, dando dois passos para frente, se aproximando de onde Sakura estava – Não vou deixar você no meio do fogo cruzado, entendeu?

–Sasuke... – ela sibilou, irritada – Você não manda em mim. Quantas vezes vou ter que dizer que não preciso da sua proteção?

–Quantas vezes vou ter que dizer que não vou deixar você no meio do perigo? – o Uchiha rebateu, nervoso.

Sakura suspirou. Depois ele dizia que ela que era a teimosa da situação.

Tentando manter a calma, a rosada deu um passo a frente, encurtando ainda mais a distância entre ela e Sasuke.

–Você vai estar lá, não vai? – Sakura falou baixinho, vendo-o fita-la com os olhos embaçados de desejo. Aquela proximidade era mais do que Sasuke poderia resistir – Não vai faltar oportunidade pra você dar uma de herói e cuidar e mim. Apesar de que estou achando mais fácil que eu precise salvar o seu lindo traseiro dessa vez.

O moreno revirou os olhos, sem conseguir segurar o riso. Sakura riu também, distraída pelo raro brilho de bom humor na expressão de Sasuke.

–Mas você disse que queria conversar... – o Uchiha lembrou – Aconteceu alguma coisa?

A rosada parou imediatamente de sorrir, e foi a vez dela de desviar os olhos de Sasuke. Subitamente nervosa, Sakura remexeu os dedos, sem saber se aquele era o momento certo de dizer o que queria.

–Não, não aconteceu nada. – ela mentiu, vendo Sasuke encará-la com desconfiança – Acho melhor você voltar logo para a mansão dos Hyuugas e contar à Hinata o que está acontecendo.

–Tudo bem... – o Uchiha murmurou, os olhos ainda fixos na expressão hesitante de Sakura. Ele sabia que a rosada queria falar alguma coisa, mas parecia insegura demais para isso. Com a cabeça já abarrotada de problemas, Sasuke resolveu não insistir – Se precisar de alguma coisa, ligue para mim.

Ela assentiu, vendo o moreno se afastar e entrar no carro.

–Sasuke. – a Haruno chamou, colocando o rosto na janela do veículo antes que o Uchiha se afastasse – O que você acha que seria um bom presente para Hinata? – perguntou, irônica, divertindo-se com a expressão irritada de Sasuke.

–Eu vou amarrar você, Sakura. Estou falando sério. – ele avisou, os olhos preocupados fixos na Haruno.

Sakura riu, afastando-se da janela, ouvindo Sasuke murmurar um palavrão antes de acelerar o carro para distante dali.

Hinata se inclinou um pouco sobre o batente da janela de seu quarto, observando o grande jardim que se estendia em torno de toda a mansão. Dali era impossível ver o que havia além das árvores, pois os grandes muros e portões do lugar lhe protegiam dos perigos e das maravilhas lá fora. As luzes ali estavam apagadas, pois Hinata queria que todos pensassem que ela já estava dormindo. Não queria ser incomodada, não naquele momento. Ela suspirou, frustrada. Estava se sentindo mais solitária que o normal naquela noite.

E não importava que Hanabi estivesse se esforçando para ser a melhor irmã mais nova do mundo, ou que Neji lhe oferecesse toda a gentileza de que era capaz. Não adiantava que Tenten lhe oferecesse o ombro amigo, pois Hinata não estava disposta a aceitar nenhum consolo vindo da Mitsashi. Não adiantava que Hiashi lhe pedisse perdão, ou que se esforçasse para ser um bom pai; Hinata tampouco se interessava por aquilo.

Ela ergueu um pouco o rosto, fazendo a luz da lua cheia refletir nas pérolas de seus olhos. Não havia uma única estrela no céu, pois a lua brilhava forte, ofuscando qualquer outro astro que ousasse se pronunciar. A noite estava fria, e uma brisa gelada se alastrava por ali, fazendo seus cabelos balançarem. Hinata sorriu para o céu, sentindo uma outra luz brilhando forte em seu coração, ofuscando qualquer tristeza, qualquer frustração, qualquer mágoa. Um brilho azul, que iluminava seu interior, acendendo dentro dela a chama da esperança. Um brilho azul como os olhos dele.

Em contradição à grande euforia que a invadia, Hinata sentia seu coração tranquilo. Lembrar dos olhos dele era suficiente para lhe acalmar os sentidos, para lhe reafirmar a certeza de que havia algo pelo que lutar, algo que ela precisava reaver. Sua mente estava agitada, os sentimentos se misturando de forma confusa dentro dela. Hinata sabia que o Uzumaki estava completando mais um ano de vida, e não poder celebrar aquela data ao lado dele a entristecia profundamente.

Ela esperava, ao menos, que Naruto tivesse recebido seu presente.

Hinata ainda estava um pouco nervosa por tudo o que havia acontecido na noite anterior. Lembrar-se dos olhos de Naruto era reencontrar naquelas memórias a parte de si que ela achou que tivesse perdido para sempre quando saiu da casa dele e se afastou de sua verdadeira família. Mas vê-lo, tocá-lo, era mais do que ela imaginava que poderia ter durante muito tempo, ainda. Tudo estava acontecendo muito rápido naqueles últimos meses, e encontrar Naruto enquanto perseguia o ruivo de piercings não estava em seus planos.

Na noite anterior, escondida entre as folhas da árvore, quando viu que Naruto mirava o mesmo alvo que ela, Hinata quase entrou em pânico. Quase. Tê-lo ali, tão perto, vê-lo, ouvi-lo... aquilo não estava nos seus planos. Ao mesmo tempo, ela agora podia dizer, com toda a certeza, que Naruto estava diferente, não só na aparência, mas na maneira como o chakra circulava desordenado dentro dele. Hinata agora podia ver claramente que o poder de Kyuubi se manifestava de forma maciça e intensa em Naruto, mas ele parecia distraído, abatido, sem se importar em controlar sua nova força. A morena se perguntou o motivo daquilo, lembrando-se vagamente das coisas que Kiba lhe dissera, sobre Naruto estar completamente devastado com a sua partida.

As palavras do Inuzuka a atingiram novamente como balas, perfurando seu coração, sua mente. Era possível que Naruto estivesse sofrendo com aquela distância tanto quanto ela?

Durante todo aquele tempo, houve muitos momentos em que Hinata se perguntou se o loiro sentia sua falta. Ela não queria vê-lo sofrer, não queria que ele sentisse a mesma dor que ela sentia, mas apesar de saber das reais intenções de Naruto, as palavras ditas por ele na última noite em que ela o viu ainda conseguiam deixar o coração da morena em frangalhos. Ela precisava vê-lo, precisava saber noticias dele... E não adiantava que Kiba lhe dissesse que Naruto estava sofrendo, porque saber que o coração dele sangrava tanto quanto o seu apenas contribuía para tirar a paz de Hinata e faze-la ansiar ainda mais por reencontrá-lo.

Mas revê-lo era perigoso demais.

“Orochimaru está atrás de vocês.”, Sasuke dissera. “Manter distância de Naruto é a melhor maneira de desacelerar e confundir os planos de Orochimaru.”, ele dissera. E Hinata entendia que, por enquanto, aquela era a única solução, mas seu coração relutava em aceitar o que sua cabeça tanto insistia em destacar como sendo a coisa certa a fazer. O peito de Hinata ardia em saudade da única pessoa que ela queria ter de volta em seus braços, e da única pessoa a quem não poderia ver.

E enquanto Hinata aprendia a conviver com a dor da distância, o poder do clã Hyuuga amadurecia dentro dela, deixando-a mais forte a cada dia. E quando ela conseguiu, pela primeira vez, selar o sharingan de Sasuke durante o treinamento, deixando-o sem reação, ele decidiu que estava na hora de começarem a agir.

E assim eles fizeram.

Na noite em que Hinata perseguia o ruivo de piercings, quando Naruto percebeu que havia alguém escondido na árvore, ela não teve escolha a não ser ataca-lo. Não foi muito difícil derrubar Naruto, pois ela agora sabia para quê servia o seu poder, e sabia também como usá-lo. Nem mesmo o sharingan de Sasuke funcionava mais com Hinata, uma vez que ela conseguia ver além de qualquer jutsu, de qualquer habilidade. Em pouco tempo, o poder de Hinata evoluiu para o que o Uchiha chamava de “nível insuportável de convencimento”, e sempre que ele dizia aquilo, a Hyuuga ria, pois sabia que, no fundo, Sasuke estava orgulhoso dela.

O plano de seu mestre havia funcionado, afinal. Hinata conseguira, sozinha, liquidar com grande parte da Akatsuki. Ela chegava até mesmo a se surpreender um pouco com a facilidade com a qual estava lidando com tudo aquilo – exceto, é claro, pela sua primeira experiência em combate. Quando conseguiu matar Kakuzo, Hinata teve uma crise de pânico, ficando aterrorizada pelo sangue que manchava suas mãos. Sasuke a acompanhou e tentou acalmá-la, mas a Hyuuga estava aflita demais para prestar atenção no que ele dizia. Durante as três noites que se seguiram depois da morte de Kakuzo, Hinata não conseguiu dormir, apavorada pela lembrança persistente da vida que ela ceifou.

Com o passar do tempo, porém, ela ficou boa nisso. Quando a vez de Hidan e do ruivo chegou, Hinata já havia se tornado tão habilidosa naquilo que não precisou derramar uma gota de sangue sequer. Sua consciência não pesou ao tirar a vida dos homens que despedaçaram sua família. Suas mãos não tremeram ao sugarem até o último vestígio de chakra do corpo deles. A lembrança das lágrimas de Ino ao perder Asuma e do corpo ensanguentado de Jiraya fizeram com que Hinata não sentisse nenhuma culpa ao livrar-se das vidas daqueles assassinos.

Foi tão fácil acabar com eles que a Hyuuga se sentia até mesmo entediada por ter que esperar pelas próximas instruções de Sasuke.

Mas ver Naruto a deixou tão abalada que era impossível tirar de sua mente a lembrança do olhar vazio com o qual ele a fitara. Ela chegou até mesmo a rir da facilidade com a qual conseguira derrubá-lo. Hinata achou que, quando enfim reencontrasse o loiro, as circunstâncias seriam diferentes. Ela achou que seu coração não bateria mais tão rápido com a simples visão do rosto dele, que não sentiria mais seu rosto queimar pelo rubor que a invadia, que suas pernas não iriam mais bambear ao aproximar-se dele. Hinata achou que a mágoa pelas palavras que ele dissera para faze-la partir seria mais forte que a emoção de reencontrá-lo.

Ah, como ela estava enganada...

Um barulho no quarto de Hinata interrompeu seus pensamentos, mas ela não precisou se virar para ver quem entrava. O chakra de seu mestre era agora tão familiar que a Hyuuga conseguia discerni-lo com muita facilidade.

Em silêncio, Sasuke se aproximou de onde Hinata estava, parando ao lado dela, inclinando-se um pouco sobre o batente da janela. Seus olhos se fixaram no céu, onde a lua cheia e solitária ainda brilhava.

Desde que Hinata reencontrara Naruto, ela andava mais calada que o normal, e aquilo começava a preocupa-lo. A Hyuuga geralmente passava os dias empenhando-se em atormentá-lo, mas desde a noite anterior, ela estava quieta demais. Obviamente, Sasuke sabia exatamente o porquê de sua discípula estar assim, mas ele estava evitando tocar naquele assunto. Onde estava com a cabeça quando achou que pudesse ser um bom mestre? Sasuke não via a si mesmo como alguém que estivesse pronto para lidar com aquele tipo de situação. O Uchiha sabia como partir corações, mas não tinha ideia do que fazer para ajudar a consertar um.

Embora ele jamais admitisse isso para Hinata, ela era uma discípula muito talentosa. A morena aprendia com facilidade, e tinha um grande e maciço poder. A força dos Hyuugas brilhava com intensidade nos olhos dela, e sem perceber, Hinata se tornava uma das pessoas mais poderosas que Sasuke já conhecera.

–Você está preocupado com alguma coisa? – a morena perguntou repentinamente, sem tirar os olhos do céu, interrompendo as especulações silenciosas de Sasuke.

–Não... Quer dizer... – ele murmurou, vasculhando sua mente em busca de uma desculpa que desviasse a atenção de Hinata. Não seria bom que ela pensasse que ele estava preocupado com ela. Ele estava, mas jamais a deixaria saber disso – Sakura quer vir para o seu aniversário, custe o que custar. – resmungou, relembrando as palavras da rosada – Céus, como ela é teimosa...

Hinata olhou para seu mestre pela primeira vez naquela noite, exibindo um sorriso mínimo.

–Com quem será que ela aprendeu a ser teimosa desse jeito? – a morena ironizou, vendo Sasuke estreitar os olhos em sua direção.

–Não enche, Hyuuga. – ele resmungou, emburrado.

–Ah, fala sério, Sasuke. A Sakura é forte, ela sabe se cuidar. Deixa de ser idiota.

–Eu já não proibi você de falar desse jeito comigo? Sou seu mestre, você precisa me respeitar.

–E eu já não disse que você é meu mestre e não meu patrão? Sou sua discípula, sua função é me ensinar. Você não manda em mim. – Hinata rebateu, repetindo, sem saber, as palavras que Sakura dissera algumas horas atrás.

Sasuke bufou. Pelo visto, ele teria que aceitar que estava fadado a lidar com mulheres teimosas.

Os dois ficaram em silêncio novamente, os olhos se fixando no céu mais uma vez.

Ele vem? – Hinata perguntou, sem olhar para Sasuke.

O mestre suspirou.

–Não sei. – ele respondeu, sabendo que a Hyuuga se referia à Naruto – Mas todos os outros estão muito animados com a ideia... Gaara principalmente. Talvez ele tenha um derrame até o dia do seu aniversário.

Hinata riu com a lembrança de seu melhor amigo. Que saudade enorme ela sentia daquele ruivo desmiolado!

–Você viu a Ino e o Shikamaru? – a morena perguntou, ainda sem olhar para Sasuke.

–Sim. Eles ainda estão assimilando a morte de Hidan. Você deixou todo mundo confuso... Ninguém sabe quem é o culpado. – o Uchiha respondeu, rindo.

Os olhos preocupados de Hinata continuavam fixos no céu.

–Será que estamos fazendo a coisa certa, Sasuke? – ela perguntou, parecendo insegura.

–Está arrependida? – o moreno perguntou, testando sua discípula.

–Não. – Hinata respondeu, firme – Mas não tenho certeza se estou pronta para enfrentar as consequências de tudo isso...

–Não há como ter certeza. – Sasuke advertiu – Precisamos esperar para ver o que vai acontecer.

–Você fez muita coisa errada, também, sabe? – Hinata provocou — Acho que você não se arriscaria assim se não tivesse um jeito de ter certeza de que tudo vai acabar bem, de uma maneira ou de outra.

Sasuke suspirou, impacientando-se, e Hinata já o conhecia o suficiente para saber que quando ele se inquietava daquela maneira, era sinal de que havia algo importante para ser dito, e sobre qual o Uchiha não gostaria de conversar.

–Você tem um jeito de ter certeza, não tem? – ela perguntou, e seu tom era curioso e acusador – O que é que você ainda está escondendo, Sasuke?

–Pare de me amolar, Hyuuga. – Sasuke falou, virando-se na direção da porta, prestes a sair dali. Aquele, realmente, não era um assunto sobre o qual ele gostaria de falar.

Sem a menor intenção de desistir, Hinata rapidamente se sentou no chão, apoiando as costas na parede, e esticou uma das pernas, arrastando-a pelo chão, na direção de onde Sasuke estava de pé, tentando derrubá-lo com uma rasteira.

Ele levantou um pé, mas antes que pudesse desviar o outro, a perna de Hinata o atingiu, fazendo-o desequilibrar-se e cair sentado no chão ao lado da morena.

Sasuke bufou de ódio enquanto Hinata lhe sorria, fazendo uma cara de inocente.

–Eu já te disse hoje que você é um mestre muito bom, Sasuke? – ela apressou-se em adular o Uchiha, com medo do ataque que ele estava prestes a ter – Agora conta ai, o que você sabe que eu ainda não sei?

A experiência dos meses que passou ao lado de Hinata ensinaram a Sasuke que era impossível controlar a garota quando ela queria alguma coisa. A insistência e implicância da Hyuuga sempre venciam a antipatia muda de Sasuke, já que ele acabava tendo que escolher entre mata-la ou contar o que ela queria saber.

Mais uma vez, a opção de simplesmente se livrar da Hyuuga lhe parecia extremamente tentadora.

–Sasuke! – ela sibilou, cutucando o braço do mestre, tentando tira-lo dos devaneios nos quais ele parecia absorto – Conta logo!

Suspirando de frustração, o moreno encostou a cabeça na parede, fechando os olhos por um momento. Quando os abriu, fitou o vazio escuro à sua frente, tentando se concentrar em não arrancar a cabeça de Hinata.

–É sobre o futuro. – ele murmurou, derrotado.

–O quê? – Hinata perguntou, confusa.

–É sobre algo que vi, no futuro. – Sasuke resmungou vagamente.

–Não estou entendendo. – a morena disse, fitando-o com o cenho franzido.

O Uchiha novamente suspirou, alisando a testa, impaciente.

–O que você viu em sua mente, na primeira vez em que entrou em transe? – Sasuke perguntou.

–O que isso tem a ver com... – Hinata começou, mas o mestre logo a interrompeu.

–Apenas responda. – ele resmungou, impaciente.

Hinata vasculhou sua mente em busca das memórias que poderiam responder à pergunta de Sasuke, enfim lembrando-se de quando Ino entrou em sua mente, quando ainda estava na casa de Naruto.

–Portas. Vi muitas portas. – Hinata respondeu, encolhendo-se com aquela lembrança.

–Você olhou o que havia por trás de todas elas?

–Não. Ino não deixou. Ela ficava repetindo que estávamos ali apenas em busca de pistas sobre o meu poder, mas eu acabei me distraindo das instruções dela e... – Hinata se interrompeu, sem querer continuar.

–Havia alguma porta que ela proibiu você de abrir? – Sasuke perguntou.

A Hyuuga suspirou. As lembranças invadiram sua mente, vívidas, como se tudo tivesse acontecido ontem.

“Depois de muito andar pela superfície imaterial de sua mente, Hinata enfim deparou-se com uma porta. Era grande, e parecia pesada. E velha. Havia um selo nela, com um símbolo que não sabia identificar.

–Essa porta não! – falou Ino, e sua voz soava urgente na cabeça de Hinata.

A Hyuuga deu um passo para trás, assustada com o tom da loira.

–Volte a embrenhar-se na escuridão da sua mente, e procure por outra porta. Essa que encontramos agora não pode ser aberta por enquanto. Entendeu? – Ino instruiu.

Hinata assentiu e voltou a caminhar. Não conseguia mais sentir-se presa a um corpo. Parecia que estava cada vez mais fundo no transe forçado por Ino, e estava cansada. Aquilo era muito exaustivo.”

–Sim. – a morena respondeu – Por que está me perguntando essas coisas?

O mestre respirou profundamente. Uma hora ou outra, ele teria que ensinar aquilo à Hinata.

–Quando algo importante acontece na vida de alguém que possui um Dom, muitas portas, com inúmeras possibilidades, são abertas em nossa mente. – Sasuke começou a explicar, vendo o olhar confuso que Hinata lançava em sua direção – Nossa consciência se enche com os possíveis destinos que nós iremos percorrer, e isso acontece porque nossos dons estão entrelaçados a algo maior do que podemos imaginar. Todo poder vem de algum lugar. Ainda não sabemos de onde vem o nosso, mas estamos cientes de que nossos dons servem, ou pelos menos deveriam servir, para manter o equilíbrio do mundo. É por isso que a ORDEM existe. É para isso que nós existimos.

–Você está querendo me dizer que, atrás das portas que vemos no transe, está o nosso futuro? – Hinata perguntou, arregalando os olhos.

Sasuke esfregou as mãos no rosto, impaciente.

–Não é tão simples assim, Hyuuga. Não podemos abrir essas portas, elas estão seladas em nossa mente, porque mexer com o futuro é algo perigoso. Nossa consciência trabalha com possibilidades, apenas. Em se tratando do futuro, nada é certo, nada é permanente. De uma hora para outra, tudo pode mudar. Por isso, olhar o que há por trás dessas portas é proibido.

–Então como é que você viu algo sobre o futuro? – a morena questionou.

–Quando Itachi morreu, um dos selos em minha mente arrebentou. – Sasuke explicou, a expressão se transformando na máscara de frieza que ele assumia sempre que o assunto era o irmão – Então eu... Vi uma coisa.

–O que você viu? – Hinata perguntou, curiosa.

O Uchiha fez menção de se levantar, a fim de fugir de Hinata, mas ela o arrastou de volta para o chão pelo braço.

–Conta de uma vez! – a morena exigiu.

Sasuke bufou. Não devia ter contado nada a ela.

–Não quero. – ele resmungou emburrado.

–Conta logo! – Hinata sibilou, cutucando o mestre de forma irritante – Conta!

–Tá legal, tá legal! – o Uchiha grunhiu, rendendo-se – Eu vi... Eu vi...

–Viu o quê, Sasuke?! – ela gritou, impaciente.

O moreno suspirou, derrotado.

–Eu vi uma menininha. – Sasuke respondeu, por fim.

–Ahn?! – Hinata grunhiu, confusa.

–Ela devia ter um ano... talvez dois. – o Uchiha continuou, os olhos fixos no vazio do quarto de Hinata, absorto em lembranças – Ela andava na minha direção, dando passos atrapalhados, se equilibrando, tentando se manter de pé. Não consegui ver o rosto dela... Só vi... Só vi o cabelo rosa, curto, balançando com o vento. – ele disse, sorrindo sem perceber – Vi as mãos gordinhas dela agarrando o ar, como se ela quisesse me chamar, me alcançar... Ouvi ela murmurar baixinho pra mim... Ouvi... Ouvi ela me chamar de pai.

Hinata arregalou os olhos para seu mestre. Sasuke não parecia mais ciente de que a Hyuuga estava ao seu lado, tão mergulhado estava no sonho de seu possível destino.

–Meu... Meu Deus, Sasuke... – a morena conseguiu murmurar, perplexa – Você... Isso vai mesmo acontecer?

–Não sei. – ele respondeu – Como eu disse, o futuro é incerto... Essa é apenas uma das muitas possibilidades que existem por trás das portas da minha mente. Mas foi o suficiente para que eu pudesse ter esperança de que, no final, tudo vai dar certo.

A Hyuuga ficou em silêncio, e Sasuke sabia exatamente no que ela deveria estar pensando.

–Garanto que, quando você conheceu Naruto, muitas outras portas foram abertas em sua mente. – ele disse, atraindo a atenção de Hinata — Seu destino estava entrelaçado ao dele desde o inicio, o reencontro entre vocês tinha que acontecer.

–Eu posso ver o meu fu...

–Não. – Sasuke interrompeu – Eu já disse, é proibido. Acabei abrindo uma das portas sem querer, mas você não pode fazer isso. Mexer com o futuro é perigoso.

–Tudo bem... – Hinata murmurou, decepcionada – Mas peraí. Se você é meu mestre, e faz parte da minha família... E eu posso considerar você um irmão... Isso quer dizer que eu vou virar titia? – perguntou, debochada.

Para a surpresa da Hyuuga, Sasuke riu.

–Talvez... Quem sabe? – ele disse, se levantando – O futuro é algo tão incerto... Além do mais, não sei se quero minha rosadinha perto de você. Hyuugas são uma terrível influência.

–Como é que é?! – Hinata resmungou, estreitando os olhos para seu mestre – Eu vou ser uma ótima tia!

Ele novamente sorriu, estendendo a mão para a morena.

–Que venha a pestinha, então. – Sasuke falou, sem deixar de sorrir. Seu olhar parecia distante, fixo na possibilidade de um futuro feliz – Estou ansioso para conhece-la.

Depois de sair do quarto de Hinata, Sasuke se sentou no primeiro degrau da grande escada. Passou as mãos pelo rosto, tentando não se deixar iludir pelas possibilidades que sua mente lhe mostrara, tantos anos atrás. Era preciso que ele se fixasse no momento presente, e no plano que precisava executar.

Sasuke tateou o bolso da calça, pegando o celular e discando um número. Em seguida, colocou o aparelho no ouvido, esperando.

–Alô? – ele murmurou baixinho, para que ninguém pudesse ouvi-lo – Está tudo acertado para o aniversário da Hinata. Vou ajudar você a entrar na mansão. Não se preocupe, estarão todos aqui. – Sasuke se interrompeu por um instante, ouvindo as instruções que a pessoa do outro lado da linha dizia – Tudo bem. Preciso desligar agora. Nos vemos na festa, Orochimaru.

Notas finais
Oi! E aí? Gostaram? E lá se foi grande parte dos nós de PS. Ok, sei que foi muuuuita informação para um capítulo só, mas acho que, a partir do próximo, vou conseguir fazer capítulos menores, como antes xD Mas ainda tem muita treta pra desenrolar, né? Bom... Vamos por partes. Os mestres foram mortos porque eles protegiam os discípulos. Orochimaru quer o poder dos discípulos, mas para isso, precisa unir os poderes de Naruto e Hinata. Pois é, minha gente. O que vocês acham que a Sakura queria falar para o Sasuke? Hihihihihihihi *O* E o que vocês acharam da verdadeira identidade do mascarado? Hinatinha poderosa! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk E o queeeeeee vocês acharam do que o Sasuke falou sobre o futuro? AAWWWNNNN, minha gente, por favor *O* Vocês acham que aquilo vai acontecer mesmo? E quando a gente tá amando o Sasuke, ele vai e liga pro Orochimaru. Sasuke, tenha dó, meu filho. Assim não dá. @_@ Bom... espero que tenham gostado do capítulo, então, por favor, comentem! Fantasminhas, estou de olho em vocês. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Façam essa autora-san feliz e deixem a opinião de vocês por aqui... Eu agradeço de montão xD Obrigada ao galerê-san fiel que não deixa de comentar nenhum capítulo... Vocês me fazem mais que feliz *O* É isso... Até o próximo! Bjks!