Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Sobre o capítulo passado, será que hoje vocês descobrem pra quem o Narutim ligou? hihihihihihi Ah, e vocês ficarão muito felizes em saber que, no capítulo de hoje, poderão decidir se vale a pena odiar ou não a Yugito xD A trilha sonora do capítulo estará disponível em links nas notas finais. Queria só dizer pro galerê-san que escuta as músicas que eu coloco aqui: amo vocês, meu povo. A primeira música é do Oasis, e se chama Stop Crying Your Heart Out. Muitos devem conhece-la, quem conhece sabe que é linda, e diz muito sobre a cena em que irei utilizá-la. A segunda música é do Slipknot, se chama Snuff. A canção diz muito sobre como Hinata vai se sentir a partir desse capítulo e me ajudou muito a escrever uma cena tão difícil. A terceira música é do Otto, se chama Lágrimas Negras, e ele canta em parceria com a Julieta Venegas. O ritmo que se encaixa perfeitamente à personalidade da Yugito e é um pouco melancólica, o que se adequa à tristeza da cena que irei retratar. Deixarei os links nas notas finais e as indicações estarão no decorrer do capítulo, como sempre. Espero que gostem xD Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!



Ao contrário do enterro de Asuma, havia muita gente no cemitério, naquele fim de tarde. Dois dias haviam se passado depois do ocorrido com Jiraya, tempo em que Gaara e os outros trataram de comunicar a morte do mestre aos amigos e membros da ORDEM. A noticia havia se espalhado como a brasa que desencadeia um incêndio, alcançando pessoas nos cantos mais isolados do planeta. Jiraya era um homem viajado, conhecia gente em todos os lugares do mundo. Era também um homem valoroso e, portanto, fizera laços inquebráveis por onde passara.

O céu estava rosado e bonito, tingido com os últimos raios de sol daquele dia. Ao seu redor, Hinata podia enxergar as feições tristes das pessoas que se amontoavam ao redor do caixão: loiros, morenos, asiáticos, europeus, americanos, gente bem vestida, gente simples, gente rica, gente pobre, homens, mulheres e até mesmo crianças que se faziam presentes para prestarem suas homenagens àquele que havia representado algo importante em suas vidas. Jiraya deixaria um grande legado para trás.

Porém, o único rosto que Hinata não conseguia distinguir na multidão era o que ela mais ansiava por ver. Naruto não apareceu ou deu noticias uma vez sequer nesses dois dias que haviam se passado. Não atendia ao telefone, não deixara recado com ninguém. Não havia vestígios dele em lugar algum. Gaara lidava com as pessoas que, em várias línguas, perguntavam por noticias do loiro. Afinal, Naruto também viajara muito ao lado de seu mestre, e mesmo quando estava nos lugares sozinho, Jiraya não perdia a oportunidade de contar à todos sobre seu afilhado. Em resposta aos questionamentos das pessoas, o Sabaku ria amarelo e dizia que aquele era um momento muito difícil para todos, e deveria estar sendo ainda mais difícil para Naruto. Dizia também que era necessário deixa-lo descansar e refletir, embora, internamente, amaldiçoasse Naruto por ter sumido sem dar noticias, deixando todos preocupados daquela maneira. Daria um murro nele quando o visse.

Ninguém sabia direito o que havia se passado no matagal – exceto por Gaara e Yugito, que por serem jinchuurikis, tinham uma ideia do que poderia ter acontecido. As únicas pistas que tinham eram as palavras que Naruto dissera a Hinata quando acordara do transe.

“Não quero ninguém procurando por mim. Não se preocupe comigo. Está tudo bem.”

Aquilo, porém, não era nada animador. E, tendo em vista que já fazia dois dias desde que Naruto havia sumido, todos achavam que havia muitos motivos pelos quais deveriam se preocupar.

Ao lado da extremidade lateral do caixão, Sasuke fitava a movimentação ao seu redor, quieto e apático, como sempre. Depois do que acontecera, apenas ele não se embrenhara no matagal, à procura de Naruto. O moreno ocupara-se em vasculhar toda a extensão do cemitério atrás do ruivo de piercings que havia atacado Jiraya, mas o desgraçado desaparecera como fumaça. “Um filho da puta de sorte”, era isso que Sasuke pensava.

O Uchiha tinha certeza de que, se o tivesse encontrado, não iria sobrar nada do bastardo para contar a história.

A expressão de tristeza e saudade marcava todos os rostos presentes, inclusive o de Hinata. Não era nada fácil para ela lidar com tudo aquilo. Era engraçado – e incrível – o que Jiraya representava na vida da Hyuuga, mesmo tendo estado presente ali por tão pouco tempo. O sennin era a única figura paterna que ela havia conhecido, e Hinata já estava começando a se acostumar com aquilo. Com a ideia de ter um pai, alguém que se importava e cuidava dela com tanto amor quanto fazia com qualquer outro membro da família. Jiraya havia sido um grande mestre – não só para Naruto, mas para todos ali. Afinal, até mesmo os recém-chegados àquela família haviam aprendido alguma coisa com o grande sennin.

Enquanto os outros mantinham os olhos na figura do caixão, Sakura olhava em volta, também ansiando por ver um rosto conhecido, mas que, não importava para onde ela olhasse, não conseguia enxergar.

Sua mestra não estava ali.

A rosada havia ligado para ela no mesmo dia em que tudo ocorrera e, no fundo, ficara aliviada quando foi Shizune, secretária e discípula de sua mestra, quem a atendeu. Sakura tinha a voz trêmula pelo choro que estava segurando desde que tudo acontecera, e não tinha tanta certeza se conseguiria dar aquela noticia a Tsunade. Obviamente, a reação de Shizune também não foi das melhores, mas era o coração em frangalhos de sua mestra que mais lhe preocupava. Afinal, Sakura conhecia um pouco da história de Jiraya e Tsunade. Aquela morte não seria nada fácil de ser superada. Nem por ela, nem por ninguém.

E por falar nisso...

Onde diabos estava Naruto?

Depois de muito aguardar, Shikamaru deu o sinal para que descessem o caixão. Já estavam ali há cinco horas e gente de todo lugar havia aparecido – menos Naruto.

–Espere! – Hinata pediu, dando um passo a frente, fitando o Nara com uma expressão aflita.

Shikamaru manteve-se impassível, sem dar atenção ao pedido da morena. Naruto não viria. E ele entendia muito bem o porquê.

O Nara esperava, do fundo de seu coração, que Hinata compreendesse sua atitude.

A Hyuuga estava prestes a protestar quando sentiu Gaara enlaçar um braço no seu, impedindo-a de avançar.

–Ele não vem. É melhor que isso termine logo. – o ruivo sussurrou gentilmente.

–Não... ele não iria perder o enterro do Jiraya... – Hinata murmurou, preocupada.

Gaara limitou-se a tentar sorrir e trazer Hinata para si, envolvendo-a em um abraço. Ele bem sabia que se tinha uma parte de tudo aquilo que Naruto não merecia ver, era o corpo do mestre sendo selado em baixo da terra para sempre. Já bastava tudo o que o loiro havia presenciado. Já era demais.

Ainda inconformada com aquilo – como, no fundo, todos estavam, embora procurassem manter-se firmes diante daquela gigantesca perda – as pessoas ali presentes jogaram suas flores sobre o caixão que já descia. As lágrimas de todos rolavam, o coração de todos latejava.

Ainda presa no abraço solidário de Gaara, Hinata se virou um pouco para ver o caixão descer, e sentiu um aperto acochar-lhe o peito. Algumas lágrimas silenciosas rolaram por seu rosto, e ela sentiu o ruivo apoiar a testa em seu ombro, provavelmente escondendo o choro que também descia pelo rosto dele. E também porque não queria ver o corpo daquele que havia sido seu segundo pai ser lacrado sob a terra para sempre.

Vendo a terra sendo colocada sobre o caixão, Hinata lançou sua flor. Era um lírio de pétalas tão brancas quanto Jiraya havia deixado o que antes era seu negro coração. Com tristeza, ela fitou sua flor sendo manchada pela areia, assim como tinha certeza que seu branco coração agora era manchado pela mágoa daquela perda.

E quando viu a última pá de terra cobrir por completo o túmulo do grande mestre, Hinata compreendeu um pouco porque Naruto preferira não estar ali.

Antes de desvencilhar-se do abraço Gaara, a morena fitou a lápide do sennin por um instante.

“Hinata, o que você acha de sexo a três?”, ela podia ouvir claramente a voz de trovão de Jiraya perguntar. “Então, Hinata... Você já leu o Kama Sutra?”

Hinata riu baixinho, sentindo mais lágrimas rolarem. Ela também se lembrava de como Naruto sorria diferente quando estava perto do sennin. E em como havia ficado feliz em poder ser capaz de fazê-lo sorrir para ela daquele jeito também, na madrugada em que ficaram juntos no jardim da floricultura de Ino.

–Do que está rindo? – Gaara perguntou, sorrindo para ela.

–De nada, não... – a garota respondeu.

Hinata então deu as costas ao túmulo de Jiraya, afastando-se rapidamente daquele aglomerado de pessoas que se amontoavam a fim de ter um último vislumbre do mestre. E, enquanto se afastava, ela sentiu um vento frio soprar. Mas Hinata não tremeu, não se arrepiou. Aquele vento lhe parecia acolhedor. Lhe envolvia como um... abraço. Como um último abraço.

“Bem-vinda à família, Hinata.”, a voz do sennin soou novamente em sua mente, nítida, trazendo de volta as palavras que ele havia lhe dito na primeira vez em que se encontraram.

“Obrigada...”, ela pensou, antes de desabar perto de uma árvore isolada e deixar rolar o pranto dolorido que estava tentando conter durante todo o enterro.



Já havia anoitecido há alguns instantes e não restava muita gente no cemitério. As presenças mais aguardadas haviam sido as de Naruto e Tsunade, mas todos sabiam que eles seriam os únicos que não compareceriam. O cemitério estava quase vazio, exceto pelas presenças que ainda vagavam ao redor do túmulo de Jiraya. O único que se afastava para longe era Gaara, mas ele ainda podia ouvir a conversa que se desenrolava perto de onde o sennin estava enterrado.

–Lembro da primeira vez em que vi minha mestra esmurrando ele. – Sakura dizia, enquanto virava um gole da garrafa de vinho e passava o vidro adiante – Eu fiquei tão assustada, mas Tsunade achou aquilo tão natural... Claro que só depois eu fui entender que ele estava tentando espiá-la enquanto ela tomava banho...

Todos riram.

–Um brinde à perversão. – Deidara propôs, virando um gole do vinho também.

Todos concordaram e brindaram.

–Lembro de quando ele me ajudou a controlar o Akamaru dentro de mim, porque a Kurenai estava com medo de me machucar enquanto tentava. – Kiba falou, e virou um gole da bebida.

–E eu lembro de quando ele me ajudou a trazer Asuma de volta. – Shikamaru falou.

–Um brinde à generosidade. – Kiba propôs, e todos, mais uma vez, concordaram e brindaram.

A garrafa parou nas mãos de Hinata, que fitava o vidro com incerteza.

–Lembro de quando ele me acolheu como alguém desta família. E transformou minha vida. Para sempre. – ela disse, enfim virando um gole do vinho também.

Os outros ficaram em silêncio dessa vez. O sentimento de gratidão de Hinata era o mesmo que aquecia o coração de todos ali.

A garrafa parou nas mãos de Sasuke, que revirou os olhos.

–Todo mundo está falando alguma coisa, Uchiha. Apenas faça. – Sai bronqueou.

Sasuke bufou e encarou o vidro em suas mãos, que já estava pela metade. Fazia uma meia hora que estavam contando as virtudes e vícios de Jiraya, e quase tudo já havia sido dito. O que restava para ele dizer?

–Eu... Eu lembro que ele nunca deixou de acreditar em mim. Não importava a besteira que eu fizesse. – Sasuke falou, percebendo todos os olhos ao seu redor se arregalarem para ele. Ignorando aquela reação, o moreno prosseguiu – Um brinde à persistência generosa que somente os sábios ou os estúpidos possuem. – disse, para em seguida virar um grande gole de vinho.

Os outros concordaram e brindaram, e a garrafa continuou sendo passada de mão em mão, até que todos pudessem externar as lembranças que tinham de Jiraya.

“Porque todas as estrelas

Estão desaparecendo

Apenas tente não se preocupar

Você as verá algum dia

Pegue o que você precisa

E siga seu caminho

E faça seu coração parar de chorar”

Stop Crying Your Heart Out, Oasis

Gaara ouvia as vozes dos amigos sendo abafadas pelo vento frio que soprava no cemitério. O ruivo se afastava de onde todos estavam e se aproximava de um local específico entre os túmulos onde, durante todo aquele tempo, ele havia tido todo o cuidado de nunca pisar.

Exceto naquele dia.

Depois de tudo o que havia acontecido, Gaara achava que estava na hora de resolver alguns assuntos pendentes em sua vida.

Quando enfim chegou ao local que estava procurando, ele se sentou no chão de terra sem se incomodar em sujar a calça limpa que usava. Seu corpo, ainda ferido e dolorido, protestou com o movimento, fazendo-o arfar um pouco com a dor. Mas aquilo não era nada. Nada comparado ao que ele imaginava que Naruto deveria estar sentindo naquele momento.

Ele jogou as muletas de lado, e suspirou, encarando a lápide a sua frente.

O nome de seu mestre gravado na superfície de metal reluzia sob a luz da lua.

–Sei que se você pudesse provavelmente me bateria por eu estar atrasado. – Gaara disse, rindo – Me desculpe por não ter vindo no dia do seu enterro. Preferi me manter distante e não ver... – se interrompeu, a garganta se fechando por um momento com as lembranças dolorosas. Mas era preciso continuar. Precisava fazer aquilo – Não ver o seu corpo sendo selado pra sempre em baixo da terra. Achei que seria doloroso demais. É claro que eu ainda não tinha ideia de que os dias que eu passaria sem você seriam ainda mais dolorosos. – riu novamente, sem ânimo algum – Mas pelo menos você preso em um caixão não é a última lembrança que eu tenho sua. Por isso eu entendo o porquê de o Naruto não ter aparecido, hoje. Acho que ele pensa como eu. Então, se você encontrar o Jiraya perambulando por ai com alguma gatinha do além, diga a ele que não fique bravo com o Naruto. Ele é idiota, mas o amava. Assim como eu amei você.

O silêncio ao seu redor fazia com que suas palavras baixas ecoassem levemente por entre as árvores do cemitério. Mas Gaara sabia que ninguém o ouviria.

–Depois que você se foi, eu fiz muita besteira em nome daquilo que achei ser o certo. E, pra falar a verdade, não me arrependo. Mas fico feliz em estar de volta à minha família. Mesmo que... Mesmo que as coisas tenham tomado um rumo que eu não esperava. Que ninguém esperava. – falou, lembrando-se de Jiraya.

O ruivo suspirou novamente. Achou que aquilo seria mais fácil com o passar do tempo, mas não estava sendo nada, nada fácil estar ali.

–Me desculpe por não ter vindo antes. – pediu novamente – Mas eu sabia que me despedir de você seria a coisa mais difícil que eu teria que fazer na vida. Por isso adiei o quanto pude, mas só nessa semana estive duas vezes nesse cemitério, e tenho certeza de que isso é um sinal de que você continua enchendo o meu saco pelos atrasos, mesmo depois de morto. Por isso, estou aqui.

O silêncio ainda era a única resposta às suas palavras.

–Você lembra da Ino? Claro que deve lembrar. Então... ela me disse uma coisa que acho que faz sentido, mesmo que eu não queira aceitar. Ela falou que, não adianta o que eu faça... nunca vou poder ter você de volta. No fundo, é claro, eu sempre soube que era verdade. Mas admitir isso é difícil, Sasori. É muito difícil.

O brilho da lua ainda se fazia refletir sobre a superfície de metal, fazendo o nome do mestre brilhar de forma estranha. De alguma maneira inexplicável, Gaara acreditava que aquilo era um sinal de que talvez o mestre o estivesse ouvindo. Talvez.

–Hoje, enquanto eu via o corpo de Jiraya sendo lacrado no túmulo sem o Naruto ali, acho que entendi o que Ino queria dizer com aquilo. É só que... isso dói, cara. Dói mais do que eu posso suportar. E essa dor não passa nunca, não diminui. A diferença é que acho que estou me acostumando a conviver com ela, assim como aprendi a conviver com as dores do meu passado. Só que eu não tenho mais você aqui pra me ajudar com isso. – ele falou, sem conseguir reprimir o aperto que se instalava em seu coração. Mesmo assim, resolveu prosseguir — Felizmente, Ino é o tipo de psicopata que, não importa o que eu faça, ela não desiste de mim. Nisso, acho que ela é um pouco como você. Vocês foram as únicas pessoas que nunca desistiram de mim. E o Naruto também. Mesmo quando eu não queria, ele estava sempre no meu pé, querendo me fazer acordar pra realidade. Talvez seja hora de retribuir o favor que ele me fez.

Gaara ficou em silêncio por um instante, apenas fitando o túmulo de Sasori. Conversar estava sendo bom. De alguma maneira, ele se sentia um pouco mais aliviado.

–Ainda não desisti de encontrar quem fez isso com você. Esse desgraçado precisa pagar. Mas... Eu já consigo ver um futuro pra mim, depois que tudo isso acabar. Talvez eu quebre o juramento que fiz de ficar longe daquela loira psicopata. Eu nunca fui muito bom com promessas, mesmo. – sorriu, displicente — Mas só depois que tudo isso acabar. – falou, decidido.

O sino da igreja ali perto dobrou fortemente sete vezes, anunciando a completude de uma nova hora. O som fez com que uma veia saltasse na testa de Gaara.

–Sei que estou atrasado, pare de me amolar. Será que nem depois de morto você sossega com essa sua mania de pontualidade? – perguntou, estressado, para logo em seguida soltar uma risada.

O ruivo enfim pegou as muletas e levantou. Seus olhos ainda estavam fixos na lápide, mas seu objetivo ali já havia sido cumprido. Ele se despedira de seu mestre, e sentia seu coração mais leve.

–Sinto sua falta, pai... – murmurou, deslizando os dedos sobre a lápide fria que continha o nome de Sasori gravado. Seus olhos estavam embaçados pelas lágrimas que não caiam, mas seus lábios se curvavam em um sorriso mínimo. Pela primeira vez desde a morte de seu mestre, ele sentia que poderia haver um futuro depois de tudo aquilo, que sobreviveria à dor, que poderia superar o passado e seguir em frente ao lado daqueles a quem amava. Pela primeira vez desde que aquele inferno começara, Gaara sentia que havia esperança. E que, estando com sua família, ele poderia vencer.

Imerso em pensamentos, o ruivo não notou a presença que o observava carinhosamente, mantendo uma pequena distância. Cansada de apenas observar, Ino se aproximou, tocando levemente o ombro de Gaara.

Ele se virou para fita-la, e seu sorriso se alargou. Ino sorriu de volta, contente pelo brilho de esperança que se fazia notar no olhar do ruivo.

–Está tudo bem? – ela perguntou.

–Vai ficar. – Gaara respondeu, sorrindo – Vim apenas me despedir.

–Parece que todos nós voltamos a ser órfãos, não é? – a loira comentou, deixando transparecer certa tristeza.

–Sim... – ele suspirou, olhando para o céu escuro. As estrelas brilhavam com mais intensidade aquela noite, enfeitadas com as almas que, mesmo distantes, mantinham vigília e proteção sobre aqueles a quem amavam – Mas não estamos mais sozinhos como antes. Temos uns aos outros. E... acho que nossos mestres continuam nos protegendo, de uma maneira ou de outra.

Ino ficou em silêncio, fitando a expressão de Gaara, que parecia perdido em pensamentos. Era difícil ver o ruivo falar daquele tipo de coisa com tanta naturalidade, mas, de certa fora, era bom saber que as perdas estavam sendo, aos poucos, superadas.

Ele continuava a observar o céu escuro sem se dar conta dos olhos azuis que o miravam com admiração.

–Espero que ainda tenha um lugar pra mim nessa família. – ele falou, sem tirar os olhos do céu noturno.

A loira piscou, atônita.

–Você... você vai voltar? Vai voltar pra nós? De vez? – Ino perguntou, a voz soando agudizada pela surpresa.

–Ainda quero descobrir quem está fazendo isso com nossos mestres e fazê-los pagar. – Gaara esclareceu – Mas não quero mais procurar sozinho. Não quero mais saber de Akatsuki, não depois de tudo o que aconteceu com Asuma. Eu nunca entendi direito o que acontecia naquele lugar, ou qual era a daquela gente. Não quero mais ficar longe da minha família. E, definitivamente, não quero mais ficar longe de você.

Ino sentiu as pernas fraquejarem com as palavras de Gaara. Ele falava sério?

Sem parar para pensar no que fazia, a loira se aproximou e o abraçou, sentindo Gaara aspirar o cheiro que emanava de seus cabelos. Ele a apertou em seus braços, mas em seguida, afastou-a um pouco de si, apoiando a testa na dela, fitando-a nos olhos.

–Não posso lidar com isso agora. – Gaara murmurou – Não vou conseguir ficar em paz com você enquanto não resolver tudo. Enquanto isso, preciso que você faça o que sabe fazer de melhor. Seja irritantemente insistente e não desista de mim. Por favor.

Ino suspirou e, sem conseguir se conter, grudou os lábios nos dele num demorado selinho. E quando enfim a loira se afastou, Gaara pôde ver que ela sorria.

–Nunca vou desistir de você. – Ino afirmou, convicta.

Gaara sorriu de volta.

–Obrigado, amor. – ele murmurou, abraçando-a novamente.

***

Lugar ensolarado, luz do amanhã... – a mulher cantarolou baixinho de encontro ao ouvido da menina, sem deixar de embalar o corpo pequeno que se encolhia ainda mais em seus braços – o amor irá brilhar pra você... Lugar ensolarado, a luz do amanhã... Vai despertar seu...

***

Um novo dia raiava, e Hinata acordava no sofá de Ino com o mesmo sentimento de frustração que a invadia toda vez em que sonhava com o passado. Para falar a verdade, ela começava a achar que estava enlouquecendo. Não era possível que aquelas lembranças tivessem alguma ligação com seu poder. Talvez, os acontecimentos recentes estivessem mexendo com sua cabeça.

Sim, talvez fosse isso.

–Finalmente. – alguém murmurou, fazendo Hinata pular de susto, erguendo-se subitamente. Seus olhos embaçados pelo sono se fixaram na figura do homem moreno que lhe estendia uma xícara de café – Você dorme demais, Hyuuga.

–Sasuke?! – Hinata grunhiu, confusa, esfregando os olhos na tentativa de distinguir se ainda estava dormindo.

–A propósito, adorei seu novo penteado. – ele debochou, exibindo à garota um sorriso torto.

Hinata estreitou os olhos perolados para Sasuke, passando as mãos pelos cabelos desgrenhados. Em seguida, pegou a xícara que ele estendia em sua direção e tomou um gole do café quente, mas imediatamente se arrependeu da atitude. Cuspiu o café de volta na xícara, olhando para o Uchiha com uma expressão desconfiada.

–Isso aqui tá envenenado? – ela perguntou, receosa.

–Que tipo de pergunta é essa? – Sasuke questionou, parecendo indignado – Você acha que se estivesse envenenado, eu iria te dizer? – debochou.

A morena fitou Sasuke com uma expressão de puro ódio.

–Se eu fosse você, não fazia tanta piada quando estou com uma xícara de café quente na mão. Quem sabe o que pode acontecer se, acidentalmente, eu jogar esse café no seu rostinho bonito? – ela ameaçou, fazendo o Uchiha bufar com desdém.

–Apenas beba o café, Hyuuga. – ele falou.

Sem descartar a possibilidade de Sasuke estar querendo se livrar dela só para não ter que se dar ao trabalho de treiná-la, Hinata levou a xícara aos lábios, fingindo beber o líquido.

Percebendo o truque, Sasuke revirou os olhos. Aquela garota era louca.

–Aonde estão os outros? – ela perguntou, colocando a xícara no chão.

–Lá em cima. – o moreno respondeu – Estão tentando decidir qual será o próximo passo. Apenas Yugito não está aqui. Ela foi para a casa do Naruto, para dar noticias caso ele apareça por lá.

–E... o Naruto... ele...?

–Ainda não apareceu. – Sasuke falou, vendo os ombros de Hinata arriarem de desânimo.

–Bom... – Hinata divagou, tentando disfarçar sua decepção – Então acho melhor nos juntarmos aos outros e tentarmos traçar um plano para... – falou, já se levantando, mas o Uchiha não deixou que ela continuasse.

–Antes de qualquer coisa, — Sasuke interrompeu, agarrando-a pelo pulso – preciso ter uma conversa com você.

–Sobre o quê?

–Aqui não. – ele falou, andando em direção à saída da floricultura – Vamos lá para fora.

Percebendo que Hinata continuava parada perto do sofá, fitando-o com uma expressão confusa, Sasuke parou na soleira da porta e virou-se para ela.

–Primeira lição: quando seu mestre gentilmente lhe oferecer café envenenado, beba sem questionar. – ele falou, e novamente exibiu à Hinata o sorriso torto carregado de ironia que ela tanto detestava – Segunda lição: Não estou pedindo que você me acompanhe e escute o que tenho a dizer. Estou mandando.

–Você é meu mestre ou meu patrão? – Hinata revirou os olhos, marchando na direção do Uchiha, indignada.

–Foi você quem me escolheu como mestre. Eu lhe disse que não seria fácil me aturar.

–E eu lhe disse que você não vai conseguir se livrar de mim. – ela falou, estreitando os olhos ao sair da floricultura e se deparar com a luz do sol da tarde. Havia mesmo dormido por tanto tempo? – Ai... minha cabeça. – murmurou, massageando as têmporas.

–Você é fraca para bebida. – ele resmungou, lembrando-se da rodada de vinho no cemitério, na noite anterior. Por um instante, Hinata pensou ter visto um lampejo de preocupação nos olhos negros de Sasuke, mas ele logo tratou de disfarçar o que quer que aquilo fosse. Pigarreando, o moreno voltou à sua habitual frieza – Bom... Agora que, depois de você encher muito o meu saco, resolvi aceita-la como discípula, espero que minhas condições tenham ficado claras. Você me deve fidelidade. Fidelidade incondicional.

A garota continuou olhando para Sasuke, em silêncio, preocupada com o rumo daquela conversa.

–Você sabe o motivo de eu estar na Akatsuki. – ele prosseguiu, sem rodeios, vendo Hinata assentir – E espero que esteja ciente de que vou continuar lá, até conseguir o que quero. E que você irá me ajudar.

–O quê?! – Hinata grunhiu, incrédula.

–Você ainda não conhece toda a história, Hyuuga. As coisas são muito mais complicadas do que você pensa.

–Sakura e Temari já estão envolvidas nisso. Por que você precisa de mim também?

Sasuke suspirou. Aquilo estava sendo mais difícil do que ele imaginara.

–Não vou me juntar à Akatsuki. – Hinata insistiu, esperando soar o mais clara possível. Nem conseguia acreditar que Sasuke estava lhe pedindo aquilo.

–Não é um pedido. Estou dizendo que você irá me ajudar a acertar as coisas. – ele esclareceu, fitando-a seriamente – Quero acabar logo com isso. Preciso acabar logo com isso.

Foi a vez de Hinata suspirar, tomando fôlego para o que estava prestes a dizer.

–Eu não poderia fazer uma coisa dessas, Sasuke. Não depois de tudo o que Naruto sofreu por causa da Akatsuki. Não depois do que houve com o mestre da Ino. Não depois de saber que você está envolvido nisso mais do que eu pensava. – ela falou.

–Então você não está nem um pouco curiosa para saber o que eles querem de verdade? Não quer saber por que estão matando nossos mestres? Não quer saber por que eu matei meu irmão?

–Eu já sei porque você matou o Itachi. – Hinata respondeu, tocando o rosto de Sasuke com delicadeza – E sinto muito por aquilo. Sei que deve ter sido muito difícil pra você, sei que não foi sua culpa. Estou disposta a obedecer às suas ordens como mestre. Mas, infelizmente, esta será minha primeira desobediência. Não posso me envolver com nada relacionado a Akatsuki. Simplesmente não posso. – falou, para em seguida dar as costas ao Uchiha e entrar na floricultura.

Vendo a garota se afastar, Sasuke sorriu. Sim, ele sorriu com desdém, seus olhos brilhando de satisfação.

Pelo rumo que as coisas estavam tomando, ele sabia que não iria demorar até que Hinata mudasse de ideia.

Hinata se sentou no sofá, olhando para a xícara de café que havia deixado no chão. Já estava frio, mas mesmo assim, ela bebeu. E, para sua surpresa, não sentiu nada. Não havia veneno na bebida.

Ela sorriu. Ainda estava aprendendo a lidar com Sasuke, mas ainda não entendia o por quê de ele lhe pedir para acompanha-lo naquela loucura de investigar a Akatsuki. Aquelas pessoas eram perigosas, e Hinata jamais seria capaz de se filiar à elas, não depois de todo o sofrimento que infligiram em sua família. Talvez, Sasuke a estivesse testando. Bem, ela estava disposta a obedecê-lo disciplinadamente, mas Akatsuki era, terminantemente, um assunto no qual ela não se envolveria. Não depois do que havia visto na mente do Uchiha.

–Finalmente acordou. – a voz feminina se fez soar na sala, chamando a atenção de Hinata.

Ino descia às escadas, sorrindo.

–Como está se sentindo? – a Yamanaka perguntou, sentando-se ao lado de Hinata.

–Quero ir pra casa. – a morena pediu.

–Você está em casa, Hinata. – Ino disse, confusa – Aqui também é a sua casa, e a casa de todos que quiserem ficar.

–Eu sei. E agradeço por isso. Mas já está na hora de voltar para a minha casa. Eu não moro aqui. Moro com o Naruto.

Ino suspirou. Como poderia convencer Hinata de que aquele não era o melhor momento para lidar com Naruto?

–Além do mais, – a morena prosseguiu – vai ser bom voltar para lá, talvez ele já tenha voltado. Ele pode estar me esperando.

Ino fitava Hinata com uma expressão que demonstrava tristeza. A loira achava difícil que Naruto já tivesse voltado. Conhecia o Uzumaki o suficiente para saber que se ele já não era uma pessoa muito fácil de lidar antes, com a morte de Jiraya, as coisas se complicariam ainda mais.

–Ele precisa de mim, Ino. – Hinata insistiu.

Depois de alguns instantes de silêncio, a loira se levantou do sofá.

–Tudo bem. Vou chamar um táxi. – Ino falou, afastando-se de onde Hinata estava.

Não demorou muito até que o táxi chegasse. Quando Ino e Hinata saíram da floricultura, a Hyuuga ficou surpresa em ver que Sasuke ainda estava lá fora, sentado na calçada de maneira desleixada. Ele parecia tranquilo.

–Estou indo para casa. – Hinata anunciou para o Uchiha – Não demore a entrar em contato.

Sasuke bufou, sem olhar para a morena.

–Você prometeu. Não se esqueça. – Hinata insistiu.

–Já sei, Hyuuga. Apenas vá de uma vez. – ele rebateu, impaciente.

Ino olhou para Sasuke e depois para Hinata, parecendo confusa.

–Do que vocês estão falando? – a loira perguntou, abrindo a porta do táxi, que já estava parado em frente à floricultura.

–Estou apenas dizendo a ele que não suma e não faça nenhuma idiotice. – Hinata respondeu, vendo o Uchiha sorrir descaradamente.

–Idiotice eu fiz quando aceitei ser seu mestre, Hyuuga. – ele anunciou, sorrindo ainda mais ao ver a expressão de fúria com a qual Hinata o fitava.

–Você... você o quê?! – Ino grunhiu, surpresa.

A risada de Sasuke agora soava alta, o que fazia com que Hinata o fitasse com cada vez mais indignação. O bastardo estava se divertindo demais com tudo aquilo.

–Não é tão problemático quanto você deve estar pensando, Ino... – a Hyuuga tentou explicar.

–Ah, não, aposto que é MUITO mais problemático do que estou pensando! – a loira rebateu, preocupada – Onde você estava com a cabeça quando teve uma ideia dessas, Hinata? Logo o Sasuke? – perguntou, incrédula.

–Ei. – o Uchiha chamou – Estou bem aqui. Pare de falar de mim como se eu não estivesse presente.

–Não enche, Sasuke! – as duas garotas gritaram, em coro.

O moreno revirou os olhos.

–Sei o que estou fazendo, então não se preocupe, está bem? – Hinata pediu, percebendo que a preocupação ainda marcava a expressão e Ino.

–Sabe mesmo, Hinata? – a loira perguntou.

Hinata apenas suspirou e abraçou a amiga, beijando-a no rosto.

–Preciso ir. Não se preocupe. – repetiu – Ligo quando tiver noticias do Naruto. – falou, entrando no táxi.

Quando o carro se afastou, Ino colocou as mãos na cintura e voltou o olhar para Sasuke.

–O que você está tramando? – ela perguntou, acusadora.

O Uchiha sorriu.

–Nada, ué. Nunca estou tramando nada. – respondeu, debochado.

Ino estreitou os olhos.

–Você sabe que o Naruto vai arrancar sua cabeça se a Hinata se meter em encrenca por sua causa, não sabe? – a loira questionou.

Sasuke se levantou, sem deixar de sorrir.

–Será que ele vai, mesmo? – ironizou, caminhando na direção de seu próprio carro, deixando Ino sozinha com uma expressão preocupada.

Muito preocupada.

Hinata girou a maçaneta, percebendo que a porta estava aberta. Seus sentidos ficaram em alerta, como se aquilo fosse sinal de perigo, mas logo se lembrou de que provavelmente Yugito havia se esquecido de trancar a porta. E por falar em Yugito, Hinata não conseguia evitar a sensação enjoativa que sentia toda vez em que ouvia alguém se referindo àquela mulher. E ela tentava a todo custo não se deixar levar pelos pressentimentos estranhos que tinha ao ouvir o nome da loira, pois não queria bancar a idiota, tola e ciumenta. Não era o momento para se fixar em detalhes desnecessários. Havia muito com o que lidar, muito o que resolver.

Afastando aqueles pensamentos, Hinata entrou na casa, distraída e muito, muito cansada. Atirou-se no sofá, passando as mãos pelo rosto, afastando a franja da testa suada. Não havia descansado ou dormido muito naqueles dias – desde que saíra da boate de Hidan, sua vida parecia ter se convertido em uma espécie de labirinto que não permitia recuos ou passos em falso. E ela estava perdida e com medo, medo de prosseguir sem o único pai que havia conhecido, medo de não ter mais noticias de Naruto, medo de que ele pirasse como os outros e sumisse ou se filiasse à tal da Akatsuki, medo de ter Sasuke como seu mestre, medo de não se conter e bater nele com todas as suas forças, medo de ficar sozinha novamente. Agora que ela sabia como era ter uma família, não estava preparada para perde-la. E agora que descobria – mais ou menos – como funcionava seu poder, lutaria para manter todos unidos. Na paz, ou na guerra.

Exausta, ela fechou os olhos, tendo a certeza de que seu rosto deveria estar marcado por olheiras, vestígios das noites mal dormidas. Por um momento irônico, Hinata chegou até mesmo a agradecer mentalmente por Naruto não estar ali. Não queria que ele a visse naquele estado; sua pele pálida fazia com quem as olheiras em seu rosto se destacassem ainda mais. Devia estar parecida com Gaara, mas no ruivo, as olheiras davam um ar charmoso e destacavam os olhos verdes que ele tinha. Em Hinata, as olheiras apenas destacavam ainda mais a palidez de seu rosto e de seus olhos, deixando-a com um aspecto de doente.

–Você está parecendo um panda. – alguém murmurou.

Hinata arregalou os olhos, sentindo o choque atravessar sua expressão ao deparar-se com a figura de Naruto, de costas para ela, do outro lado da sala, perto da estante de bebidas. Pelo vidro que protegia as garrafas, ele encarava o reflexo da morena, que o fitava, boquiaberta.

–Naruto! – ela arfou, erguendo-se subitamente do sofá.

Tranquilamente, ele se virou para fita-la. Sua expressão não transparecia nada, nenhuma dor, sofrimento, hesitação, alegria, raiva, nada. Seus olhos eram de um azul escurecido, como o céu noturno que se estendia pela rua lá fora.

Naruto balançou levemente o copo que tinha em uma das mãos, fazendo o gelo tilintar de encontro ao vidro, agitando o líquido marrom. Tomou um gole da bebida, sentindo o álcool lhe despertar os sentidos. Estava fazendo frio naquela noite, e pelo barulho que podia ouvir, já estava começando a chover lá fora. Uma tempestade se aproximava, Naruto podia sentir isso. Sentia pelo frio que lhe arrepiava a pele, e pelo aperto que acochava seu peito.

–Onde você... – Hinata começou, mas se interrompeu. Não importava realmente por onde ele estivera; o importante era que ele estava de volta, e a morena ansiava por cumprir a promessa que havia feito a Jiraya. Cuidaria de Naruto, não importava o que acontecesse. Aquela era a missão que o sennin lhe confiara, e ela honraria seu juramento – Que bom que você voltou e... que está bem. – ela falou, sorrindo para Naruto, aliviada, dando um passo a frente – Fiquei preocupada.

Em silêncio e parecendo distraído, Naruto levou o corpo à boca, a fim de tomar outro gole da bebida. Esperava que não precisasse fazer ou falar muita coisa para que Hinata se desse conta de que as palavras que ela lhe dirigia naquele momento eram todas em vão.

“Então se quebre contra as minhas pedras

E cuspa sua pena na minha alma

Você nunca precisou da ajuda de ninguém

Você me vendeu para se salvar

E eu não ouvirei a tua vergonha

Você fugiu — vocês são todos iguais

Anjos mentem para manter o controle

Meu amor foi punido há muito tempo atrás

Se você ainda se importa, não me avise

Se você ainda se importa, não me avise”

Snuff, Slipknot

–Senti sua falta... – a morena murmurou, pronta para se aproximar de Naruto e confortá-lo, mas seu pé esbarrou em algo pesado que lhe impedia a passagem. Seus olhos dispararam involuntariamente para o chão — De quem são essas malas? – Hinata perguntou, confusa – São da Yugito? – questionou, mas não havia nenhuma mágoa em sua pergunta. Já estava ciente de que a Nii se hospedaria na casa de Naruto, mas estranhava que ela tivesse deixado a bagagem no meio da sala.

–Não. – o loiro respondeu, tranquilamente virando outro gole da bebida – São suas.

Hinata franziu o cenho, cada vez mais confusa.

–Minhas? – perguntou, se abaixando e abrindo o zíper de uma das malas. Ali estavam as coisas que adquirira depois de ser resgatada por Naruto, roupas e sapatos que Ino havia comprado para ela, tudo o que lhe pertencia desde que chegara àquela casa – O que está acontecendo, Naruto?

–Você vai embora. – ele anunciou, calmamente – Hoje. Agora.

–Eu... O quê?! – a morena grunhiu, sentindo o pânico tomar conta de seus sentidos – Naruto, você enlouqueceu?! Do que está falando?!

–Não tenho mais nenhuma obrigação com você. – o Uzumaki respondeu, mantendo a expressão impassível – Meu mestre morreu, e ele era a única coisa que me obrigava a manter você sob proteção. As razões que nos mantinha juntos agora são inválidas.

–Mas você... Naruto, você perdeu o juízo?! – Hinata alarmou, achando que aquilo só podia ser uma brincadeira de mau gosto. De muito mau gosto – Está querendo me testar, ou algo do tipo? Porque se for isso, é melhor você me falar agora, antes que eu pense que você está mesmo maluco.

–Não estou testando você. Quero você fora da minha casa. E fora da minha vida. – ele decretou, fitando-a com uma expressão entediada.

Aos poucos, a confusão na mente de Hinata cedia lugar ao medo e à irritação. Naruto só podia estar brincando com ela, pois era impossível que ele quisesse, de fato, expulsa-la de sua vida. Não depois de tudo o que viveram, depois de tudo o que ela aprendeu, depois de ela finalmente se abrir para a possibilidade de ter uma família e encontrar a felicidade. Não depois de ela achar que, finalmente, tinha encontrado seu lugar no mundo.

A morte de Jiraya havia mexido com a mente do loiro, para Hinata, aquela era a única explicação. Não havia nenhuma outra razão que justificasse aquela atitude repentina. Ela conseguia enxergar através das palavras frias que Naruto lhe dirigia; era impossível que ele estivesse falando sério. Simplesmente impossível.

Naruto, por sua vez, começava a se impacientar com a expressão paralisada e incrédula que Hinata lhe exibia. Será que ela ainda não havia entendido? Ele a queria fora dali. O mais rápido possível.

Dando aquela conversa inútil por encerrada, o loiro novamente voltou-se para a estante de bebidas, dando as costas à Hinata.

Aquela expressão de desprezo, aquele olhar frio, aquelas palavras repletas de desdém... Tudo aquilo despertou Hinata para uma raiva que ela nem sabia ser capaz de sentir, tamanho era o sentimento de rejeição que a invadia. Começando a se dar conta de que Naruto falava realmente sério, e sem compreender o motivo daquela atitude, Hinata se aproximou de onde ele estava, puxando-o pelo braço, tentando fazer com que ele se voltasse para ela.

–Ei! – ela chamou, mas tudo o que ele fez foi olhar para trás por cima do ombro – Por que está fazendo tudo isso?!

Naruto revirou os olhos, impaciente. Teria que tirar aquela garota de sua casa a força?

Sem parar para pensar no que fazia, Hinata agarrou o rosto do loiro, obrigando-o a fita-la.

–Naruto, olha pra mim! – ela pediu, angustiada – Sei que tudo o que aconteceu mexeu com a sua cabeça, mas nós podemos resolver isso juntos, tá legal? Não é hora de surtar! Me diga qual o problema e nós vamos...

–O problema é você. – o loiro interrompeu, agarrando os pulsos de Hinata e afastando as mãos dela de seu rosto – Sempre foi você. Você é a culpada de toda essa desgraça. Você é a praga que meu mestre me obrigou a trazer pra dentro dessa casa. Desde que você chegou aqui, os problemas não pararam de aparecer, um atrás do outro.

–Desde que eu “cheguei” aqui?! – ela falou mais alto, sentindo o controle de suas emoções se esvaindo – Você quer dizer desde que eu fui arrastada para cá, não?! – ironizou, nervosa – Foi você quem me trouxe pra a sua vida, foi você quem quis que eu ficasse, mesmo quando eu não queria! E depois de tudo o que aconteceu, depois de tudo o que eu vivi nessa casa, você quer mesmo que eu acredite que isso é sério?!

Em silêncio, Naruto limitou-se a virar mais um gole da bebida.

–Escute... – Hinata suplicou – Vou ajudar você a superar isso, nós vamos...

–Ajudar? – Naruto novamente a interrompeu, rindo sem humor algum – Não seja ridícula, garota. Você não passa de um peso morto. Se já é fraca demais pra salvar a si mesma, como espera poder salvar alguém?

–Isso não é sério... – Hinata fechou os olhos, tentando fazer aquela realidade desaparecer – Você não pode estar falando sério. Isso é mentira, não é? Por favor, Naruto. – suplicou, abrindo os olhos – Por favor, me diga que você não está falando sério.

–Você não tem mais nenhuma utilidade aqui. – ele falou, fitando fixamente os olhos da garota, enfatizando cada palavra e esperando que não restasse mais nenhuma dúvida.

–Mas você... Nós.... – ela balbuciou, sentindo seu corpo fraquejar. Não era real. Aquilo não estava acontecendo.

–Não existe “nós”. – Naruto esclareceu, aproximando-se de Hinata, envolvendo-a em um abraço. Gentilmente, ele pousou os lábios no ouvido da garota — Já consegui tudo o que eu queria de você. – ele sussurrou, cruel, mordendo levemente a orelha da Hyuuga. Indignada, ela arfou, se desvencilhando dos braços que a envolviam, empurrando-o para longe. Olhou para Naruto, sentindo os olhos marejarem. Não havia nada que pudesse dizer naquele momento; as palavras lhe faltavam. Como ele podia ter brincado daquele jeito com ela? Como ele podia tê-la enganado daquela maneira, fingindo ser alguém com quem ela poderia contar, alguém em quem ela poderia confiar, o abrigo onde ela poderia se refugiar?

Naruto cambaleou para trás com o empurrão, e riu. Tomou mais um gole de sua bebida e riu como se o olhar magoado que Hinata lhe exibia naquele momento fosse algo muito engraçado de se ver. Ela o fitava com um misto de fúria e sofreguidão que poderia ter abalado seu coração, se ele permitisse.

Mas aquilo não aconteceria. Nem naquela noite, nem nunca mais.

Hinata queria perguntar o por quê de tudo aquilo. Por que ele a arrastou para aquele mundo, por que a ensinou a amar e a viver de verdade? Só para depois pisar nos sonhos que ela havia reerguido, nas esperanças que ela havia reconstruído? Tudo aquilo para depois apunhalar seu coração? Por quê?

Naquele momento, Hinata compreendeu que não havia ficado tão forte quanto imaginava. Naruto tinha razão. Ela continuava fraca.

Antes, ela achava que era Naruto quem a fazia mais forte. Mas agora Hinata sabia que havia cometido um grande erro; Naruto havia se transformado em sua maior fraqueza. Em seu maior desespero.

–Sua carona já está te esperando, lá fora. – ele falou, dando as costas para a morena, que ainda o fitava, paralisada e perplexa.

“Por quê?”, ela questionava mentalmente, sem conseguir dizer nada. Sua garganta estava fechada, a mágoa impedindo-lhe a fala. Por que ele havia brincado daquela maneira com ela? Por que ela se permitira viver daquela maneira? Por que, por qual maldita razão ela havia aberto seu coração e se permitido amar aquele homem? Por quê?

A mente barulhenta da Hyuuga, que já havia se entregado ao desespero, desmoronou quando Naruto sussurrou em seu ouvido que ele havia apenas brincado com seus sentimentos. Nem o desprezo, nem a frieza daquele olhar azul, nem a raiva que ele parecia sentir dela, nem ser chamada de “peso morto” doía tanto quanto a certeza de que ela havia sido usada. De que havia entregue seu corpo, sua alma e seu coração apenas para ver-se despedaçada novamente. Sozinha novamente.

Abandonada novamente.

Percebendo que ele sequer parecia mais estar ciente de sua presença, Hinata se deu conta de que, infelizmente, ela não poderia cumprir a promessa que fizera a Jiraya. Estaria muito ocupada tentando juntar seus próprios pedaços para se preocupar em ajudar Naruto a superar a morte do mestre.

Sem se importar com as malas prontas, sem se importar em dizer adeus, sem se importar com a promessa que havia feito à Jiraya, a única coisa que Hinata decidiu levar daquela casa foi seu coração. O coração que Naruto havia ensinado a bater novamente, o coração que ela havia lhe entregado na madrugada que passaram juntos, no jardim de Ino, o coração que ele havia ajudado a curar, e que agora estava em frangalhos, em pedaços novamente.

De punhos cerrados, Hinata deu as costas à Naruto, meramente ciente do barulho que indicava que uma forte chuva já caia lá fora. Antes de abrir a porta, ela olhou para Naruto mais uma vez, percebendo que ele continuava de costas para ela, desfrutando da bebida que tinha em mãos.

“Já consegui tudo o que eu queria de você.”

As palavras duras e irônicas do loiro ainda ecoavam em sua mente, fazendo seu corpo inteiro latejar em recusa. Ela esperava ouvir a voz dele pedindo que ela ficasse, que não o deixasse, mas Naruto permanecia calado, como se, de fato, Hinata fosse apenas um peso morto do qual ele se sentia aliviado em ter se livrado. Mesmo que Hinata não quisesse acreditar, mesmo que achasse impossível... Tudo de bom que ela havia conhecido naquela vida, todas as lembranças felizes, os risos, os medos, a adrenalina, a esperança, tudo... tudo acabava ali.

A morena então se virou, girando a maçaneta e saindo da casa onde, um dia, o sol nascera para ela.

O que Hinata não havia percebido é que, embora Naruto tenha levado várias vezes o copo à boca, o líquido marrom não diminuía em nada.

Suspirando, Naruto depositou o copo cheio no balcão da adega.

Estava acabado.

Hinata abriu a porta, furiosa, tentando segurar as lágrimas que se acumulavam em seus olhos, misturando-se à chuva que caia e embaçava sua visão. Ela mal percebia a tempestade que lhe encharcava completamente, tentando se concentrar somente em não chorar. Não podia chorar, não podia deixar seus olhos arderem daquela maneira. Naruto havia dito que uma carona já estava à sua espera, e ela envolveu os braços em volta de si mesma, sentindo os cabelos grudarem em sua testa. Seus olhos vasculharam a rua escura, procurando por Gaara ou Ino a sua espera, ou até mesmo Sasuke.

Mas ela logo avistou a luxuosa limusine que estava estacionada do outro lado da rua, com vidros escuros e fechados. De dentro dela, uma mulher saia e atravessava a pista molhada, caminhando na direção de Hinata.

A chuva forte impedia que a morena conseguisse enxergar quem se aproximava. Além do mais, o guarda-chuva que a mulher segurava cobria seu rosto, escondendo sua identidade. Tudo o que Hinata enxergava eram as luvas pretas e de couro que cobriam as mãos da recém-chegada, as botas pretas brilhantes que se molhavam com a água que caia do céu e se acumulava no asfalto, e o sobretudo elegante e também preto que protegia a pele da mulher contra o frio.

A estranha finalmente parou à frente de Hinata, que percebeu os ombros da mulher se encolherem, como se ela estivesse suspirando.

A recém-chegada então levantou um pouco o guarda-chuva, deixando o rosto à mostra.

–Te-Tenten?! – Hinata alarmou, surpresa.

“Lágrimas negras caem,

Saem,

Doem...”

Lágrimas Negras, Otto

Yugito se aproximou da varanda, parando na porta. Encostou-se na parede, cruzando os braços, sentindo o vento frio da noite balançar-lhe a camisola preta de seda com renda no decote e na barra, assim como os cabelos loiros e compridos. Seus olhos estavam fixos na figura de Naruto, que estava de costas para ela, contemplando a rua silenciosa inundada pela tempestade que caia, uma garrafa de uísque aberta ao seu lado, o copo cheio em uma das mãos. A moça suspirou. Quando as coisas haviam ficado tão complicadas por ali?

–Por que mandou a moça Hyuuga embora? – ela perguntou, a voz melodiosa ecoando pela varanda.

Sem se virar, Naruto tomou mais um gole da bebida, mantendo o olhar fixo na paisagem à sua frente.

–Era melhor que ela fosse. – foi tudo o que ele respondeu.

Sabendo que não conseguiria mais conversar sobre aquilo com o loiro – parecia ser um assunto delicado para ele no momento – Yugito se aproximou, parando ao seu lado, apoiando-se na grade.

–Posso te acompanhar? – questionou, virando um gole da garrafa de uísque, já que não havia outro copo por perto.

Naruto continuou em silêncio, mantendo os olhos na rua.

–Está apaixonado, cariño? – a loira perguntou, vendo Naruto suspirar de impaciência.

Finalmente ele reagia de alguma maneira.

–Não. – o Uzumaki respondeu secamente, virando outro gole do uísque.

–Por que está mentindo para mim? – Yugito insistiu.

–Não estou mentindo. Não estou apaixonado por ninguém.

A Nii sorriu. Levou a mão para a nuca de Naruto, acariciando os cabelos loiros. A carícia fez com que ele fechasse os olhos e respirasse profundamente.

Aquela reação era tudo o que ela precisava. Yugito deu um passo para trás, colando o corpo nas costas de Naruto, passando os braços na cintura do loiro. Ele podia sentir a respiração dela batendo em sua nuca, provocando-lhe leves arrepios.

Naruto virou mais um gole, tentando desviar sua mente das provocações da Nii.

Yugito então colou os lábios na pele da nuca de Naruto, sussurrando baixinho.

–É muito bom saber disso...

Ele novamente fechou os olhos, a cabeça pendendo levemente para trás. Estava prestes a fazer uma grande besteira, e sabia disso. Podia sentir o corpo se agitar em reação ao contato com aquela mulher.

Mas ele não recuou.

–A noite está tão fria, cariño... – ela murmurou, comprimindo várias vezes os lábios na pele da nuca de Naruto, as mãos deslizando no peito do rapaz — Me deixe te aquecer um pouco...

Ele ainda podia resistir. Acordaria melhor no outro dia se resistisse, se apenas dissesse a ela que não podia, que os dois deveriam ir cada qual para seu quarto e dormirem. Poderia deixar claro que precisava de um tempo sozinho, e que tudo aquilo estava sendo demais para ele. Poderia apenas pedir que ela o deixasse, que fosse embora de sua casa... Podia dizer qualquer coisa para tirá-la dali.

–Eu te ajudo a esquecer a dor... – Yugito sussurrou.

Mas aquela era a única proposta que, naquele estado, Naruto jamais recusaria.

Afinal, esquecer a dor era o que ele mais queria naquele momento.

Sem pensar duas vezes, ele se virou um pouco, arrastando a Nii para si pela cintura, empurrando-a de encontro à grade de proteção da varanda, o corpo grudado ao dela.

A loira apertou os lábios, reprimindo um gemido. Era impossível esquecer o quanto o corpo de Naruto a despertava, impossível apagar os rastros que ele havia deixado em sua pele, um dia. O Uzumaki era o tipo de homem do qual nenhuma mulher era capaz de esquecer.

Ele a ergueu pelas coxas, enlaçando as pernas da loira em seu quadril.

E, sem qualquer aviso, grudou os lábios nos dela, beijando-a com a vontade que o impelia a esquecer qualquer vestígio de Jiraya e de Hinata em seus pensamentos.

Notas finais
Oi! E aí? Gostaram? Links das músicas: Oasis: www.youtube.com/watch?v=dhZUsNJ-LQU Slipknot: www.youtube.com/watch?v=tF22gFtopm4 Otto: www.youtube.com/watch?v=b1YMcpIOdFc Bom... Primeiro, Tsunade e Narutim não apareceram para o enterro do Jiraya... Mas acho que as palavras de Gaara esclareceram os motivos que justificavam a ausência dos dois lá. E por falar em Gaara, ah, gente, por favor... esse ruivo é muito fascínio *0* Uma salva de palmas pro Gaaritcho, por favor. ~clap, clap, clap~ Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Sasuke querendo arrastar a Hinata pro lado negro da vida... Será? Quais serão as reais intenções do Sasuke? Quais serão os reais motivos que justificam as ações dele? O que há por trás do sorriso irônico desse cara, meodeos? Siiimmm... Lembram do que a Hinata disse? “Sakura e Temari já estão envolvidas nisso.” EEEIIITAAAA, Temari-chan envolvida nas tretas no Sasuke? Quem esperava por essa, levanta a mão. Ninguém? Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Sei que fui cruel na cena do Naruto com a Hinata @_@ Não odeiem o Narutim, gente @_@ Mas, se não fosse daquele jeito, ela não aceitaria. Não recuaria, não iria embora. Tenteeeeeennnnnnnn, mlrrrrrrrrrrr! Era você, minha flor! Quem apostou na chegada da Tenten toca aqui o/ Vi muita gente apostando que era a Tsunade... e uma única leitora-san apostou na Kurenai - que eu achei um palpite muito mais provável do que a Tsunade. Fico feliz em ter conseguido surpreender alguns leitores xD ~cof, cof, menos, autora-san~ Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Bom... acho que agora vocês podem linchar a Yugito. kkkkkkkkkkkkkkk Agora fica a grande questão: Será que eles vão dormir juntos, minha gente? E vocês provavelmente me perguntam: “VOCÊ TÁ QUERENDO MORRER, AUTORA-SAN?!” Calma, gente @_@ Próximo capítulo tem a continuação da cena, então aguardem as safade... digo, a conclusão da treta. Hihihihiihihihi Quero deixar claro que o fato de Naruto ter feito aquilo com a Yugito não é algo relacionado à desejo ou vontade de dormir com ela. Naruto está envolto em tristeza, e foi o desespero que o levou a fazer isso. Infelizmente. Então, a cena entre ele e Yugito não é romântica... é triste. Muito triste. Estou me empenhando em concluir essa fic, por isso quero começar a unir as pontas soltas. Espero que esteja gostando, e peço desculpas por estar fazendo capítulos tão grandes. Bem... acho que é isso! Não se esqueçam de comentar e me contar o quanto estão indignados e indignadas (imagino que estejam muito, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk), mas vou ficar feliz em receber a opinião de todo mundo, como sempre! Então, façam essa autora-san feliz e deem uma passadinha nos comentários xD Até o próximo! Bjks!