Paraíso Sombrio

27 Pra quem sabe rimar amor e dor


Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Autora-san postando capítulo rapidinho :3 Olhaí como sou boazinha quando estou de folga. Kkkkkkkkkkk Fiquei imensamente feliz pela receptividade positiva do capítulo especial SaiDeidariano *0* Que bom que gostaram! Afinal, é a opinião de vocês que me norteia e me diz se estou no rumo certo. xD Sobre o capítulo de hoje... hum... pra quem estava com saudade NaruHiniana, tem emoções fortes vindo por ai! FORTES! Ainda não é nesse, mas muito em breve. Este capítulo é o começo das tretas tretadas que envolverão o amado casal, e acontece muita coisa nele, inclusive, a primeira aparição de um personagem muito esperado, então... espero que gostem! Boa leitura, e nos vemos nas notas finais! P.s.: Eu fiz uma nota pequena! :O Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk



Os dois caminhavam por entre as pessoas, apressados, o olhar atento. A movimentação não parecia suspeita, o ambiente permanecia inalterado, e, para eles, aquilo era um mau sinal. Como iriam encontrar Jiraya e Shikamaru se não havia nenhum vestígio que pudessem seguir?

Com as mentes livres da interferência do jutsu de Ino, Hinata e Gaara andavam pela boate, precariamente iluminada pelas luzes que piscavam incessantemente. Era difícil concentrar-se em alguma coisa quando mal podiam enxergar um palmo a sua frente. Vez por outra, Gaara esbarrava em alguém e, tenso demais para parar e pedir desculpas, ele continuava seu caminho, preocupando-se também em não perder Hinata de vista.

Alguns seguranças se deslocavam de um lado para outro da boate, e Gaara notou que um deles fitava sua movimentação com os olhos estreitos de desconfiança.

Ele desviou o olhar do capanga, estancando de repente, puxando Hinata pela mão. A morena o fitou, confusa, quando Gaara a arrastou para si, movendo-se para lá e para cá.

–Dance comigo, Hinatinha. – ele pediu, obrigando-a a se mover junto a si, virando-a de costas para onde o segurança estava. Seria um problema se eles marcassem o rosto da Hyuuga.

–Mas nós temos que procurar...

–É apenas uma dança. Você está muito tensa... relaxe! – Gaara recomendou, sorrindo, fingindo-se descontraído.

Sem compreender o que o ruivo queria com aquela atitude repentina, Hinata estreitou os olhos perolados, desconfiada, deixando-se guiar pelos passos habilidosos de Gaara. Enquanto as batidas soavam fortes e animadas, os dois dançavam como se uma suave trilha sonora os embalasse.

–Nunca frequentei boates em minha vida, também não entendo muito de dança, mas tenho certeza de que estamos fazendo isso errado. – ela comentou, fitando-o com atenção. Tinha plena certeza de que o Sabaku estava escondendo algo, mas, estranhamente, ele era a pessoa em quem mais confiava ali e, por esse motivo, ela aceitara parar para “dançar”. Depois de Naruto, Gaara havia se tornado uma pessoa importante em sua vida, mesmo que ela não entendesse direito como ou porquê.

–Não tem problema. – ele novamente sorriu, dando um passo para trás, fazendo Hinata girar sobre si mesma. Ela cambaleou, desajeitada – A propósito, você dança muito mal.

–Obrigada. – a morena ironizou, sem conseguir deixar de sorrir – Quando vai me contar o motivo de termos parado em meio ao covil do inimigo, em uma situação de tensão, para dançarmos?

Sem parar de se mover, foi a vez de Gaara estreitar os olhos verdes para Hinata. O sorriso malicioso de quem faz coisa errada e é pego em flagrante se alargou em seu rosto.

–Você é sagaz. – ele comentou, divertindo-se com a expressão desconfiada que a garota lhe exibia – Acho que estamos sendo uma má influência para você. – ponderou – Você está com bafo de uísque.

Ela piscou, envergonhada.

–E-e-eu... eu só...

–Aí está a Hinatinha que eu conheço. Gaguejando e tudo mais. – Gaara comentou, habilmente desviando-se da desconfiança da morena – Ah, ia esquecendo de dizer, Naruto me contou o que houve entre vocês, quando você saiu para ir ao banheiro. – falou, esperando para ver os impactos de suas palavras.

Mesmo sob a precária iluminação, ele pôde perceber, claramente, que as bochechas de Hinata tingiram-se repentinamente com um tom vermelho que revelava seu constrangimento. Os olhos perolados arregalaram-se, em pânico.

–O-o q-que ele fa-falou? Nós não... não aconteceu nada! – ela apressou-se em esclarecer, estancando no meio do salão, paralisada de vergonha. O que Naruto foi fazer?

–E isso desapontou você? – Gaara questionou, sorrindo descaradamente para ela, obrigando-a a mover-se novamente.

Hinata baixou os olhos, encarando seus pés, que davam passos atrapalhados juntos aos pés habilidosos do ruivo.

–Então a resposta é “sim”. – ele deduziu, divertindo-se – Acho que você está encrencada.

A garota levantou o rosto, fitando-o confusa.

–Estou? Por quê?

–Você também ainda não se deu conta? Qual é, Hinatinha, eu esperava essa lerdeza do Naruto, mas de você, não.

–Do que está falando? – ela questionou, sem compreender aonde o ruivo queria chegar com aquela conversa. Àquela altura, Hinata havia se esquecido totalmente de que, provavelmente, ele estava tentando distraí-la do perigo em que se encontravam.

–De nada, não. Não sou bom com essas coisas... – ele olhou para o alto, a expressão marcada pelo cansaço – Afinal, quem sou eu para aconselhar alguém?

–Não estou entendendo nada. – a garota murmurou, franzindo o cenho.

–Acho que você nunca se apaixonou antes, não é?

–Nã-não... Nunca.

–Até agora, eu presumo. – ele novamente a fez rodopiar.

–Ahn?! – Hinata grunhiu, novamente estancando.

Gaara suspirou cansativamente, como se já tivesse visto aquela expressão de surpresa e indignação antes.

–Não me faça ter o trabalho de convencer você também, Hinatinha. Será cansativo, irritante e eu já tive que fazer isso hoje.

–Do-do-do que vo-você está fa-falando?! – ela alarmou, os olhos arregalados em sinal de negação.

–Você está ficando teimosa igual ao Naruto. – Gaara estreitou os olhos, impaciente – Por favor, não me diga que você ainda não se deu conta de que está apaixonada por ele.

–E-eu nã...

–E me poupe dessa história de “eu não estou apaixonada”, — ele disse, agudizando a voz, como uma criança implicante — porque eu já ouvi isso hoje e não colou.

Hinata novamente baixou os olhos, sem saber como responder àquilo. Um turbilhão de pensamentos atravessava sua mente, deixando-a desnorteada. Do que Gaara estava falando, afinal? Ele devia saber que ela não era capaz de sentir aquele tipo de coisa. Não, Hinata não podia sentir aquilo, não aquilo. Estava acostumada a passar pela vida de forma entorpecida, sem dor, sem amor, sem qualquer migalha de sentimento que pudesse colocar em risco a muralha que havia construído em volta de si. Aquela era a vida que ela levava, aquele era o reflexo de sua alma desolada. Não havia nada para ser despertado, nada para ser sentido. Havia apenas o vazio imensurável que ela sufocava dentro de si, na esperança de que aquele latejar incessante um dia a deixasse e o vazio a engolisse num enlace doce e fatal. Não havia nada ali que pudesse ser salvo.

Mas aquilo havia sido antes de conhecer Naruto. Aquele loiro havia mudado tudo em sua vida – inclusive ela mesma. Hinata já não podia dizer que era feita de nada, ou seguir protegida por seu escudo de torpor. Naruto a despertara para a vida, a verdadeira vida, cheia de dor, de agonia, de desilusões e de... alegria.

Pela primeira vez em toda a sua existência, Hinata se sentia feliz por estar viva. Se sentia grata por poder sentir tristeza, por ter laços pelos quais zelar. Grata por poder experimentar a dor de errar, de crescer, de viver. E tudo aquilo só havia sido possível porque, em um dia que parecia ser como qualquer outro, Naruto aparecera em sua vida, desarrumando tudo, freando o carro quando estava em altíssima velocidade, estilhaçando todas as vidraças de sua segurança, derrubando todos os muros, ultrapassando todos os limites, arriscando sua sanidade, sequestrando-a do inferno em que ela se encontrava.

A verdade — e ela tinha que admitir – é que, apesar de, no começo, odiá-lo por ele tê-la tratado como uma missão irritante dada por seu mestre, por ele ser totalmente imprudente, por beber todo santo dia, por ser impaciente, estúpido e totalmente problemático, impulsivo e descuidado, aquelas também eram as coisas que faziam Hinata gostar da companhia dele. Era impossível não sentir um calor no peito toda vez em que ela o via sorrir, um arrepio em todo o corpo quando ele lhe tocava, ou as pernas fraquejarem toda vez em que ele sussurrava algo em seu ouvido. A verdade é que ela jamais poderia experimentar tudo isso se ele não tivesse aparecido. Se Naruto não a tivesse encontrado, ela ainda veria a si mesma como uma aberração.

Ele a levara aos extremos de viver, de sentir, de...

De amar?

–Hinatinha? — Gaara chamou, arrancando-a de seus devaneios – Você está em choque? Vou ter que dar um tapa em você?

A morena piscou, perplexa. Como não havia percebido isso antes? Como pôde deixar que aqueles sentimentos se instalassem em seu coração sem que percebesse? Era tão óbvio... Como não poderia amar aquele que ela considerava seu libertador? Aquele que lhe devolveu a vida e a vontade de viver? Como...

Como não amar aquele idiota, irresponsável, vadio e imprudente, que fazia qualquer coisa por aqueles a quem amava, que se arriscava pelos amigos, que sofria com a dor de sua família...

Como não amar quem lhe ensinou a rimar amor e dor?

Como não amar Naruto?

“Ah, meu Deus...”, ela murmurou mentalmente, sem conseguir falar uma palavra sequer.

–Hinata? – o ruivo novamente a chamou, dessa vez realmente preocupado que ela tivesse entrado em estado de choque.

“Eu... eu amo...”, as palavras se embaralhavam na mente da garota sem que ela pudesse distinguir os chamados de Gaara.

–HINATA! HINATA!

Agora os gritos de agonia lhe soavam nítidos e ela novamente piscou, como se despertasse de um transe. Sentia algo descontrolando-se em seu corpo, mas não sabia exatamente o que era.

Mas, quando pouso seus olhos em Gaara, Hinata compreendeu o que se passava.

Os olhos verdes do ruivo agora brilhavam com a luz prateada da corrente de chakra que Hinata deixava fluir, involuntariamente, por suas mãos, que tocavam a pele de Gaara enquanto dançavam. O rosto do rapaz se contorcia na tentativa vã que ele fazia de esconder a dor.

Parado, como se não estivesse sentindo nada, o Sabaku a fitava com o cenho franzido.

–Ai. – ele murmurou.

Percebendo o que estava fazendo, Hinata deu um passo para trás, interrompendo a corrente de poder que machucava o corpo resistente de Gaara.

Os dois pararam imediatamente de dançar.

–Me desculpe! – ela pediu, colocando as mãos no rosto, horrorizada.

–Tu- tudo bem. – foi a vez de Gaara gaguejar. Não tanto pelo latejar que se espalhava por seu corpo, mas pelo grandioso poder que ele sentira. Aquilo havia mesmo doído.

–A culpa é sua! – Hinata gritou, dando um tapa no ombro do ruivo.

–AI. – Gaara reclamou mais enfaticamente – Como isso é culpa minha?

–Você não pode me dar uma noticia dessas desse jeito!

Ele sorriu.

–Você está ficando tão parecida com ele... – murmurou o ruivo – Teimosa e manipuladora. A culpa não é minha. – ele novamente a puxou para voltarem a dançar, percebendo que o segurança ainda os observava.

Hinata suspirou, apoiando uma das mãos e o rosto no ombro de Gaara, enquanto ele segurava sua outra mão, conduzindo-a em uma dança lenta e sem sentido, tendo em vista a música eletrônica que soava pelo ambiente.

–Fique calma, respire fundo. – ele instruiu, vendo os ombros da garota se contraírem – E se prepare, ele ficará insuportável nos próximos dias. – ele resmungou, lembrando-se da teimosia de Naruto em não admitir estar apaixonado por Hinata. Era bem típico daquele loiro idiota sentir-se contrariado por ter que reconhecer seus sentimentos.

–O quê? Mais? – ela questionou.

Gaara soltou uma risada.

–Você não viu nada. Lembro da época em que ele teve uma queda pela Sakura...

Hinata ergueu a cabeça, fitando o ruivo.

–Sa... Sakura?

–Sim. Argh, ele ficou insuportável. Sakura pra cá, Sakura pra lá... eu tava pra explodir e mandar a Sakura se foder. – Gaara estreitou os olhos, lembrando-se das lamentações de Naruto quando eram adolescentes – Eu ainda não tinha, sabe... despertado pra vida... Então esse negocio todo de amor me estressava profundamente. E você conhece o Naruto. Sabe o quanto ele pode ser irritante, quando quer.

Hinata estava vagamente consciente do que Gaara dizia. Tudo o que conseguia assimilar era que, um dia, Naruto havia sido apaixonado por Sakura, que era uma das mulheres mais bonitas que ela já conhecera em sua vida. Uma pessoa que havia convivido com o loiro durante toda a vida, com quem havia dividido as alegrias e tristezas, um laço inquebrável...

–Eles... eles... – ela tentou perguntar, mas as palavras não saiam.

–Não, não. – Gaara balançou a cabeça, negando, apressando-se em esclarecer as coisas – Naruto logo se deu conta de que o que ele sentia pela Sakura era um amor de... irmão. Ele estava confundindo as coisas. Sakura sempre foi... apaixonada pelo... Sasuke. Não demorou muito pra que Naruto percebesse que o que ele sentia pela Sakura era um amor só de amizade. Ele a considera como uma irmã. – repetiu, esperando que ela compreendesse e não pensasse nada de errado.

A morena suspirou, aliviada. Novamente pousou a cabeça no ombro de Gaara, deixando-se embalar pelo aconchego amigável do rapaz. Em tão pouco tempo, sua vida mudara drasticamente, e aquilo era desnorteador. Ela se sentia diferente, muito diferente. Como uma nova pessoa, que acreditava na vida, na felicidade, no amor...

Hinata agora tinha amigos, uma família, um motivo para alegrar-se e entristecer-se ao mesmo tempo, e ela não tinha palavras para expressar o quanto aquilo era bom. Contraditoriamente bom. Insanamente bom. Maravilhosamente bom.

–Você acha que... isso é ruim? – ela perguntou, tímida — Que eu talvez esteja...

–Talvez? – Gaara interrompeu, dando uma risada, o corpo contraindo-se ao sentir o beliscão que Hinata lhe dava na cintura – Ai! Desculpe. Continue.

Mas ela não conseguia continuar. Sua pergunta pairava no ar enquanto o ruivo pensava a respeito.

–Naruto é bom para você. – “E você é boa para o Naruto”, ele pensou, sem querer dizer aquilo para ela. Gaara sentia que havia algo sobre Hinata que Jiraya mantinha em segredo, e tinha certeza de que o motivo daquilo, era Naruto – Quando eu... parti, acho que foi a você a quem ele se agarrou para não... fazer nenhuma bobagem, como ele sempre faz. E, quando eu... voltei, fiquei feliz em saber que você cuidou dele, enquanto estive fora. E que ele cuidou de você.

Hinata novamente ergueu a cabeça, fitando-o com uma expressão confusa.

–Olha pra você! Nem parece aquela Hinatinha muda, indefesa, que vivia com uma cara sempre igual. Você fala, abraça, belisca... – ele brincou, estreitando os olhos, fingindo-se indignado – Até dança! – disse, novamente fazendo-a girar.

Hinata novamente cambaleou para o lado, desajeitada, sendo segurada por Gaara.

–Quanto a isso, não acho que eu esteja fazendo um bom trabalho. – ela resmungou, segurando o riso.

–Realmente... Você tem sérios problemas de coordenação motora, Hinatinha.

Os dois riram e novamente Gaara a obrigou a mover-se de forma ritmada e incoerente com a música. Ele tentava, a todo custo, livrar-se do olhar curioso do homem que os encarava, mas não conseguia. E tinha um péssimo pressentimento sobre aquilo.

–E você? – Hinata perguntou, de repente, olhando para o ruivo.

–Eu o quê?

–Você sabe que eu sei sobre a Ino, não sabe? – ela questionou, sorrindo, travessa.

–O... O quê?! – Gaara grunhiu, automaticamente esquecendo-se de que estavam sob o olhar suspeito de um dos capangas de Hidan – Do que você tá falando?

–Me poupe. – a morena revirou os olhos – Quando vai parar de ser idiota e vai voltar pra ela?

–Realmente, Naruto está sendo uma péssima influência pra você... – Gaara resmungou, estreitando os olhos.

–E então? – ela perguntou, esperando por uma resposta.

–As vezes sinto saudade do tempo em que você mal falava. – ele disse, sem querer responder àquela pergunta, novamente puxando-a para si. Mas seus passos agora estavam tão desajeitados quanto os de Hinata.

–De repente você desaprendeu a dançar, Areinha? – a garota perguntou, divertida.

–Definitivamente, Naruto é uma péssima influência. – ele murmurou, impacientando-se.

–Por que não volta pra ela? – Hinata perguntou, e dessa vez, ela o fitava seriamente.

Gaara parou de dançar, alisando a testa, sem querer encarar a amiga.

–Olha, isso é... É complicado.

–O que é tão complicado? – a garota questionou.

Ele piscou, atordoado. Provocar Hinata não havia sido uma boa ideia.

–Tudo... tudo é muito complicado.

–Complicado deve ser acordar todo dia com essa tatuagem esquisita na testa. Sua situação com ela não é nada complicada. Você volta, fica com ela, todo mundo fica feliz. Inclusive o Naruto. – a morena bronqueou.

–Ei, quando foi que o assunto veio parar em mim? Não estávamos falando sobre você estar caidinha pelo Naruto? – Gaara rebateu.

–Como é?! – ela grunhiu, corando – Eu não estou caidinha por ninguém!

–Ah, por favor, Hinatinha... – o ruivo já estava pronto para continuar com as implicâncias infantis quando viu os olhos de Hinata se arregalarem para algo atrás de si. Ele se virou e viu um dos seguranças vindo em sua direção. E ele estava armado.

Gaara colou as costas no corpo de Hinata atrás de si, percebendo que o homem não estava para brincadeiras.

–Hinata, saia daqui e vá procurar os outros.

–Mas Gaara... – ela começou.

–Vá! – o ruivo ordenou, mas a garota não se moveu – Hinata!

–Esse era o homem que Naruto viu me seguindo... – ela sussurrou, assustada.

O Sabaku assentiu, compreendendo. Pelo visto, as loucuras de Naruto não eram tão infundadas assim.

–Saia daqui agora, Hinata. – Gaara novamente ordenou, vendo que o homem se aproximava com a arma apontada na sua direção.

–Não vou deixar você sozinho.

–Mas que droga... Por que você tem que ser tão parecida com o Naruto? – ele grunhiu, e Hinata sorriu com a comparação – Eu já disse que ele é uma péssima influência pra você?

–Umas mil vezes. – Hinata respondeu, mas suas palavras logo foram caladas por um outro homem, que havia chegado por trás sem ser percebido. Ele segurou a garota pelos braços, tapando o rosto dela com um tecido úmido. O cheiro era enjoativo, e ardia nas narinas, empurrando-a para a inconsciência.

Gaara se virou e viu os olhos da garota apagarem, e, logo em seguida, ela desfaleceu nos braços do segurança que os observava antes. Agora o ruivo entendia porque ele havia se mantido longe. Estava esperando reforços.

Mas a preocupação com Hinata foi seu pior erro. Ao virar-se para ver o que acontecia com ela, Gaara esqueceu-se que havia outro segurança, com uma arma na mão, atrás dele.

Num baque surdo, algo atingiu sua nuca e, em seguida, tudo virou borrão.

Quando finalmente se encontraram, Kiba, Sai e Deidara suspiraram, aliviados. Era bom encontrar um amigo em meio a toda aquela confusão, e saber que pelos menos alguns deles estavam a salvo era motivo de esperança. Mesmo que tudo estivesse desmoronando, mesmo que estivessem perdendo, pouco a pouco, o controle da situação. Não poderiam desesperar-se. Deveriam se manter unidos para que conseguissem vencer quem quer que fosse o inimigo que os estava encurralando daquela maneira.

–Até que enfim! Achei que não tinham ouvido as instruções da Ino e... – Kiba reclamou, mas logo se interrompeu quando viu Sai se aproximando e pôde enxerga-lo mais claramente — Cara, o que aconteceu com você? – perguntou, encarando o rapaz com uma expressão confusa.

–Como assim? – Sai perguntou, piscando, inocente.

–Que tanta marca de batom é essa? Você foi atacado ou o quê? – o Inuzuka questionou.

Sai quase sorriu ao se lembrar das garotas do bar, mas se deteve para que Deidara não desconfiasse de como ele havia, realmente, vencido a aposta.

–Tem umas mulheres loucas nessa boate. – foi tudo o que conseguiu responder.

–É tudo louco por aqui! – Kiba concordou, impaciente.

Deidara pigarreou, interrompendo a agitação do rapaz.

–Sim, mas cadê a Sakura, hein? – perguntou, preocupado.

–Sei lá... – Kiba coçou a cabeça, sentindo-se culpado pelo sumiço da amiga – Ela tava com o Uchiha e...

–Espera. – Sai interrompeu – Sasuke está aqui?

–E-ele chegou de repente e a Sakura... – Kiba tentou justificar, sem saber exatamente o que dizer.

–Procurando por mim? – a voz feminina soou atrás dos rapazes, fazendo-os virar-se para ver quem era.

Sakura sorriu, sem deixar de notar que Kiba suspirava, aliviado.

–Onde você se meteu? Cadê o Sasuke? – Sai questionou, seus olhos se arregalando ao prestar mais atenção na rosada – Você está ferida? – perguntou, vendo rastros de sangue no pescoço, braços e roupa de Sakura.

–Eu estava procurando Jiraya e Shikamaru. – ela mentiu, olhando sugestivamente para Kiba, que, por sua vez, ficou quieto – Sasuke estava me ajudando, mas acabou se machucando num desses espelhos malucos do Hidan... Eu estava cuidando do ferimento, por isso estou suja de sangue.

–Ino perdeu contato com você. – Sai argumentou, estreitando os olhos escuros.

“Deve ter sido quando nós estávamos...”, Sakura pensou, corando, mas logo tratou de sacudir a cabeça, afastando aqueles pensamentos.

–Não sei o que aconteceu. Bem que achei estranho não conseguir me comunicar com ela pelo jutsu. – ela tentou justificar-se.

–Você podia ter ligado. – Deidara intrometeu-se.

–É... podia. – Sakura sorriu amarelo, sem saber como prosseguir com aquilo.

Sai e Deidara se entreolharam, sem acreditar no que a rosada dizia. Mas resolveram ficar quietos.

–E onde ele está? – Sai perguntou.

–Ele... Acho que ele foi atrás de alguma pista. – ela novamente mentiu.

–Que seja. Espero que ele não esbarre em Naruto. – disse Sai, encerrando aquele assunto — Agora temos que achar aqueles dois cabeças de para-raios.

–Ahn? – Sakura grunhiu, sem entender.

–Hinata e Gaara. – Sai suspirou — Ino não consegue utilizar o jutsu neles e o ketchup não atende ao celular. Precisamos encontra-los e, para isso, acho melhor nos separarmos de novo. Temos quinze minutos para vasculharmos o primeiro andar. Caso não os encontrem, subam para o terraço mesmo assim. Daremos um jeito. – disse, sem estar muito seguro – Quinze minutos. Nos encontramos lá em cima.

–Certo! – todos responderam, em coro, já virando-se rumo ao norte, sul, leste e oeste do salão.

Abriu os olhos pela terceira vez, a visão embaçada não lhe permitindo reconhecer onde estava de imediato. A cabeça latejava de forma quase insuportável, e era difícil organizar os pensamentos de forma coerente. Por quanto tempo estivera desacordado? Não deveria ser muito.

Pensou em olhar o relógio em seu pulso para verificar as horas, mas percebeu que suas mãos estavam atadas às costas. Tentou se levantar, mas os tornozelos amarrados lhe impediram o ato.

Lembrando-se de tudo, ele arregalou os olhos. Dando-se conta da situação em que se encontrava, suspirou, olhando em volta, vendo o cenário que o havia aterrorizado na primeira vez em que havia acordado ali.

Jiraya então encarou o mais novo, também preso a sua frente, que lentamente despertava. Já era hora, afinal, pelo tempo em que estavam ali, o sennin já havia sido induzido ao desmaio três vezes, e nada de Shikamaru acordar.

Ao abrir os olhos, erguendo a cabeça e percebendo que Jiraya estava a sua frente, o Nara sorriu.

O plano estava dando certo. Eles estavam dentro da toca do lobo.

Tudo havia sido meticulosamente planejado. Ao deixarem-se apanhar, eles sabiam que o impacto de um nocaute seria suficiente para quebrar o jutsu de Ino, deixando-os incomunicáveis. Dessa forma, eles não teriam pistas a seguir e se manteriam desnorteados no primeiro andar e no terraço, cumprindo as funções que lhes haviam sido confiadas.

O que os outros não sabiam é que aquela boate, antigamente, era utilizada como “templo” onde Hidan praticava seus “rituais”, mas, depois de um problema com a policia, abafado por suborno, o “monge” havia transformado o lugar em uma “boate” para servir de fachada, escondendo suas práticas doentias. Hidan então investiu na construção de mais algumas boates na cidade. Logo, não haveria lugar melhor para começar a procurar do que o verdadeiro e antigo Templo Jashin.

Outra coisa que os outros não sabiam é que não havia como chegar até Hidan. Eles nunca o encontrariam, não importa o quanto procurassem. A única maneira de chegar até ele era se deixando emboscar. E assim eles fizeram.

Mesmo que, em sua cabeça, os planos estivessem correndo perfeitamente bem, Shikamaru não compreendia a expressão desolada que Jiraya o exibia. O que ele havia perdido? Por quanto tempo ficara desacordado?

Sem conseguir dizer nada, o mestre olhou para o lado, indicando ao Nara a direção.

Shikamaru seguiu o olhar de Jiraya, mirando a grande estátua do deus Jashin, banhada em ouro.

No colo da imagem jazia o corpo de Asuma, ensanguentado, os olhos fechados, revelando que, apesar de todos os esforços...

Era tarde demais.

De forma não muito atenta, Deidara caminhava a esmo pelo sul do salão, sozinho, refletindo sobre o que havia acontecido, mais cedo. Ele bem sabia que não era hora para pensar naquilo, mas não conseguia evitar. Estava confuso demais. E Sai era um bastardo desgraçado, na sua opinião. Iria explodi-lo na primeira oportunidade que tivesse.

Com todos aqueles pensamentos dando um nó em sua cabeça, ele quase não percebeu quando seus olhos azuis passaram, distraidamente, por um casal que dançava de forma terrivelmente desajeitada em um canto mais isolado.

O loiro sorriu, se dando conta da cabeleira ruiva inconfundível de Gaara. Ele os havia encontrado! Quando voltassem, sãos e salvos, para comemorar, ele explodiria todas as boates de Hidan. Enquanto caminhava na direção dos dois, Deidara não conseguiu deixar de sorrir ao imaginar a cara de desespero do monge ao ver suas boates indo pelos ares. Todas elas. Seria um espetáculo tão lindo de se ver...

Mas os pensamentos mirabolantes de Deidara foram interrompidos pela cena que se desenrolava a sua frente. O loiro estancou ao ver dois seguranças cercando Gaara e Hinata de forma hábil e discreta, deixando-os inconscientes e arrastando-os para as escadas, passando despercebidos aos olhos desatentos dos frequentadores da boate que, sob a luz que piscava fortemente no ambiente, não conseguiam enxergar direito.

Dois. Eles eram dois. Dois brutamontes do tamanho de uma muralha. A sorte deles foi terem pego Hinata primeiro, deixando Gaara distraído. Do contrário, Deidara sabia bem que o ruivo poderia ter acabado com eles num piscar de olhos. Porém, a distração foi um erro da parte do Sabaku e um acerto por parte dos capangas.

Não seria prudente ir atrás deles sozinho. Deidara apressou-se em correr, quase voando pela escada de incêndio, rumo ao terraço. Os outros já estavam lá, e suspiraram de alívio ao ver o loiro chegar.

Mal sabiam eles que Deidara não trazia boas noticias.

Ele fitou Naruto, respirando com dificuldade pelo cansaço de ter corrido até ali. O Uzumaki se levantou, aflito. Esperava que Deidara estivesse trazendo algum consolo para a angústia que ele sentia instalando-se em seu peito.

–NARUTO, FUDEU GERAL! ELES LEVARAM O GAARA E A HINATA!

Do outro lado do oceano, em outro país, enquanto a madrugada deveria estar transcorrendo em outros lugares, ali, onde ele fitava a paisagem, a luz do sol, já fraca pelo entardecer que não demoraria a chegar, estendia-se pela neve que se amontoava nas ruas. A varanda, elegantemente decorada em tons claros de bege e creme, era ocupada apenas por sua presença e pela de sua segurança, que postava-se, de pé, em um canto da parede, perto da grande janela, atrás de onde ele estava sentado.

Não tardou até que uma empregada pedisse licença para entrar na varanda. Silenciosa e habilidosa, a moça depositou as duas xícaras sobre o pires na mesa, junto a outros objetos de uma porcelana fina, rara e caríssima: uma pequena colher, um pequeno frasco com açúcar, um pote com algumas torradas, outro com manteiga, uma faca e, por fim, um outro frasco contendo o chá que fumegava de forma agradável, preenchendo o ambiente com um cheiro agradável e quente.

Tendo feito seu trabalho, ainda em silêncio, a empregada se retirou do local.

O rapaz suspirou. Não era necessária toda aquela afetação, mas as coisas haviam sido assim desde que nascera. A imponência exacerbada, dentre outros aspectos, positivos e negativos, era o preço que se pagava por ser um Hyuuga.

Um vento gelado fez os longos cabelos negros do rapaz balançarem, enquanto ele levava a xícara até os lábios, bebericando um pouco do líquido quente. Aquele era o inverno mais rigoroso e frio que ele já havia presenciado. Parecia bem com o perfil de sua família. Fria e rigorosa.

–Faz alguns dias que sinto meu chakra enfraquecer. – sua voz soou tranquila – Parece que a verdadeira herdeira do clã teve sua energia tocada. O poder dela finalmente despertou.

A segurança deu três passos a frente, aproximando-se de seu protegido. A delicadeza dos dois coques, um de cada lado de sua cabeça, que sustentavam seus cabelos, contrastava com o terno preto que ela usava, ou com a “mala executiva” cheia de armas que ela sempre carregava consigo.

–Irá avisar ao seu tio? – ela perguntou, ansiosa.

–Ainda não é hora. – o rapaz respondeu, estreitando os olhos perolados para a neve à sua frente – Esse poder precisa amadurecer. E tem aquele Jiraya... Acredito que ele a queira por perto por algum motivo especial. – ponderou, novamente provando o chá. Estava bom.

–Tem certeza de que é melhor deixa-la com aquelas pessoas? – a segurança questionou.

O rapaz sorriu.

–Pelo que você me contou, minha prima passou muitos anos em sofrimento. E quem melhor para ensiná-la a viver do que aquelas pessoas? – ele enfatizou, lembrando-se daquele bando de malucos. No fundo, ele os invejava um pouco. Aquelas pessoas tinham uma família como ele nunca tivera. Não seria justo poupar sua prima disso também – Não se preocupe tanto. Sente-se aqui e beba um pouco de chá comigo... – ele chamou, vendo a segurança se aproximar – A propósito, Tenten, você está muito bonita hoje. Como sempre.

A moça corou, desviando o olhar do rapaz. Arrastou a cadeira de forma desajeitada e barulhenta, sentando-se de uma vez, a expressão emburrada.

–Cala a boca, Neji. – Tenten resmungou, fazendo o Hyuuga sorrir para ela.

Notas finais
Oi! E aí? Gostaram? Muita coisa aconteceu nesse capítulo... acho que ele foi um pouco abalador de estruturas nesse final. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk Hinatinha acordando pra vida, percebendo que ama o Naruto... Só você não tinha percebido isso ainda, mlr -.- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Gaara e Hinata foram sequestrados, Asuma morreu mesmo (T^T a culpa não foi minha, tá? e fiquem felizes... Jiraya ainda tá vivo. Ainda. MUWAHAHAHAHAHA! CAAAAAALMA, GENTE, É BRINCADEIRA, É BRINCADEIRA!) Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Sasuke tá na área e ninguém sabe por onde ou fazendo o quê – só a Sakura, que, pelo visto, manja de todas as paradas e mente muito mal, por sinal. Kkkkkkkkkkk E geeeente... Olha o Neji ai! E a Tenten! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Tinha gente ansiosa pela aparição desses dois... se bem que a Tenten tá reaparecendo, ne? E de segurança do Neji... aiai, galerê-san... Kkkkkkkkkkkkk Digam ai o que acharam dessa tretagem toda. Já sabem que tô por aqui na ansiedade pra saber o que vocês acharam, né? Então não deixem de comentar, analisar, opinar, apostar, enfim... Façam essa autora-san feliz! Obrigada a todos que favoritaram minhas fics e que me acompanham, que comentam... vocês são uns amores! Bom... é isso. Até o próximo! Bjks!