Paraíso Sombrio

28 Mentes sombrias pensam igual


Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Olhaí, autora-san voltando a postar rapidão... ouço gritos de alegria! Kkkkkkkkkkkkkkkk Tava todo mundo revoltz por conta do que houve com o Gaara e com a Hinata... mas vocês ainda não viram nada! MUWAHAHAHAHAHAHA! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Aviso: tem surpresa NaruHiniana vindo por ai... se não for no próximo, será no outro! Fiquem espertos ;) Acho que as coisas estão ficando cada vez mais claras, espero que estejam gostando! Um xero e um abraço para todos que estão comentando e recomendando essa fic aos amigos... a autora-san pira no entusiasmo de vocês! Muito obrigada, galerê-san! Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!



E o corpo de Deidara voou de encontro à grade de ferro, amaçando a proteção do terraço, fazendo-a ceder levemente. Parte do metal caiu sobre o loiro que, por sua vez, fitava o responsável pelo sangue que escorria de sua testa, tingindo-lhe o rosto de vermelho.

Todos os olhos presentes fitavam Naruto, que respirava pesadamente, os olhos escurecidos pela fúria que se espalhava por seu corpo, o punho cerrado e erguido na direção em que ele havia atirado Deidara.

–O... QUE... VOCÊ... DISSE?! – o Uzumaki sibilou, a vontade latente de matar alguém tomando controle de si.

–E-E-E-E-EU NÃO PUDE FAZER NADA, TÁ LEGAL?! – Deidara tentava se explicar, mas seus pensamentos estavam embaralhados pela pancada. O líquido quente e viscoso que ele sentia escorrendo de sua testa também não ajudava em nada – ERAM DOIS BRUTAMONTES, CARA! EU NÃO IA PODER COM ELES SOZINHO!

Naruto se aproximou de onde Deidara havia caído, para então arrastá-lo pela gola da camisa, aproximando-o de si.

–NÃO INTERESSA! VOCÊ DEVERIA TÊ-LOS TRAZIDO DE VOLTA, MESMO QUE MORRESSE! – rosnou.

–EU NÃO IA CONSEGUIR, NARUTO! – Deidara tentava argumentar, mas era impossível conversar com o Uzumaki quando ele estava furioso daquela maneira.

Percebendo a culpa e a preocupação estampadas no rosto de Deidara, Naruto largou o amigo no chão, passando as mãos pelo rosto.

–Eu deveria ser o responsável por ela... – ele murmurou, sentindo o desespero atingir seu peito em rajadas fortes de dor e culpa – Eu deveria protegê-la... Essa era minha única missão! Eu sou um idiota!

–Gaara está com ela... – Sai disse, vendo o sofrimento de Naruto – Ele não vai deixar que nada aconteça. Apesar de tudo, ele ainda é um dos nossos.

–Nós precisamos ir salvá-los! – Ino alarmou, trêmula – Precisamos ir atrás deles, precisamos... – ela tentou argumentar, mas suas palavras foram interrompidas pelo toque gentil de Kiba em seus ombros.

–Se acalme, Ino. Gaara é forte e Hinata também, embora ainda esteja descobrindo seu próprio poder. Tenho certeza de que eles ficarão bem. Nós vamos encontra-los. – disse o Inuzuka.

Ino assentiu, sem saber exatamente o que dizer. Sentia como se fossem baratas desnorteadas, tentando fugir para não serem pisoteadas, mas aquilo não estava funcionando. Um por um, ela sentia os seus mais preciosos laços escapando por entre seus dedos sem que pudesse fazer nada a respeito. Um desses laços, especificamente, ela não estava disposta a perder novamente.

A loira se ergueu, decidida. Quando iriam começar a agir?

–O que estamos esperando?! – Naruto rosnou novamente.

–Precisamos traçar um plano e nos adequarmos a uma nova estratégia. – Sai tentou argumentar, mesmo sabendo que, naquele momento, Naruto não estava pensando com muita coerência.

–Foda-se o plano, foda-se a estratégia! Tudo o que precisamos fazer é trazê-los de volta e matar quem quer que os tenha levado, não é?! Posso fazer isso sozinho! – o loiro gritou, furioso.

–Não podemos agir com imprudência ou vamos acabar colocando a vida deles em risco, Naruto... – Kiba intrometeu-se, mas suas palavras foram caladas pelo olhar negro que o Uzumaki lhe lançou.

–Naruto tem razão, nós temos que agir! A vida deles está em risco AGORA. – Ino apoiou, sentindo seu peito martelar em ondas de pressentimento violentas. Aquilo não era um bom sinal e, a cada minuto que passava, ela temia estarem mais próximos a uma grande tragédia – Precisamos resgatá-los enquanto há tempo, caso contrário pode ser tarde demais!

Decidido a não esperar mais nem um minuto sequer, Naruto avançou o primeiro passo na direção da escada de incêndio, querendo sair dali. Não queria nem pensar na possibilidade de que não conseguiria reaver seus amigos com vida. O único pensamento que lhe tomava a mente era o de que ele precisava ver o rosto de Hinata sorrir para ele mais uma vez, como ela sempre fazia quando ele falava alguma coisa estúpida, ou quando o via perto de sua família. Ou vê-la corar quando ele se aproximava, ou até senti-la negar-lhe mais um beijo. Tudo o que ele queria era ver Hinata novamente, com vida. Nada mais importava.

Mas, para sua surpresa, assim como para a de todos os outros, Naruto não pôde avançar um segundo passo. Logo sua mente foi atacada com violentas rajadas de charka negro, a dor latejando tão fortemente que o fez estancar e revirar os olhos devido ao ardor que tomava conta de todo o seu corpo.

“Fique onde está.”, Kyuubi ordenou, impondo sua presença de forma imponente na consciência do loiro. Seu chakra sombrio circulava pelo corpo de Naruto sem que ele pudesse sequer se mexer.

–O QUE ESTÁ FAZENDO, KYUUBI?! – Naruto gritou, transtornado de ódio e de dor.

“Estou impedindo você de caminhar em direção à sua morte. FIQUE. ONDE. ESTÁ.”, o Bijuu sibilou.

Um grito de dor soou por todo o terraço, sem que ninguém compreendesse o que estava acontecendo.

–Naruto?! – Ino chamou, preocupada, tentando tocá-lo. Mas o chakra que rodeava o corpo dele era tão quente que a loira não teve como manter-se por perto. Assustada, ela deu um passo para trás – A Kyuubi não quer deixa-lo ir! – Ino compreendeu, desesperando-se.

Todos fitavam a cena que se desenrolava entre Naruto e Kyuubi com uma expressão apavorada, exceto uma pessoa. Havia um par de olhos esmeraldinos que observava a tudo com uma expressão impassível, como se pudesse enxergar além do que qualquer pessoa ali presente.

–EU VOU SALVÁ-LA! – Naruto rosnou novamente, teimoso. As imagens do rosto de Hinata se confundiam em sua cabeça, o sorriso dela transformando-se em sua dor, misturando-se aos sentimentos sombrios de Kyuubi. Se o Bijuu forçasse sua mente um pouco mais, ele não aguentaria.

Porém, repentinamente, tudo cessou. A dor, o ódio, a fúria, o chakra negro de Kyuubi. Não havia mais nada.

A última coisa que Naruto viu antes de desmaiar foi a lembrança do rosto de Hinata, corando para ele pela primeira vez.

E a última coisa que ele ouviu foi o sussurro fraco de Kyuubi dizendo...

“Obrigado...”

Quatro pares de olhos arregalados fitavam Sakura, surpresos e confusos. O golpe que a rosada havia desferido na nuca de Naruto, deixando-o inconsciente, havia pegado a todos desprevenidos. O corpo do loiro desabou no chão, bem aos seus pés. Ela o fitou, tristonha.

“Desculpe, Naruto...”, Sakura pensou, sem querer dividir aquele sentimento de culpa com mais ninguém, “Mas isso é para o seu próprio bem...”

Ela então ergueu os olhos para fitar todos os outros. Sem se deixar intimidar pela expressão acusadora que eles lhe exibiam, ela anunciou:

–Estou tomando o controle da situação.

–O quê?! – Kiba guinchou, sem entender nada.

–Ino, leve o Naruto daqui. – a rosada falou, sem dar atenção à indignação de Kiba.

–Não! – Ino se manifestou, tão confusa quanto todos os outros – Não podemos deixar nossos amigos aqui...

–Eu já disse que estou tomando o controle da situação. – Sakura interrompeu, fitando seriamente a amiga – Nós vamos trazer Gaara e Hinata de volta. Mas vocês tem que confiar em mim.

–O que está acontecendo, afinal? – Sai questionou, a desconfiança evidente em seu tom de voz. Uma possibilidade lhe passou pela cabeça, mas ele não queria acreditar em nada daquilo. Era loucura demais.

Fingindo não ouvir aquela pergunta, Sakura se virou para um certo loiro que ainda estava caído perto dos ferros, com um vestígio de sangue que ia da testa até o queixo, e pingava na blusa e no chão.

–Deidara? – a rosada chamou e o loiro se pôs de pé, fitando-a de forma tão confusa quanto todos os seus amigos.

–Sim? – ele respondeu, receoso.

Sakura sorriu, os olhos verdes brilhando de maneira estranha.

–Vamos explodir esse lugar.

Devagar, Hinata abriu os olhos.

A consciência a invadia lentamente, e na medida em que ficava mais desperta, ela sentia a cabeça latejar. Tonta. Sua visão estava embaçada e o corpo entorpecido, as narinas ardiam um pouco. Ela apertou os olhos, tentando livrar-se na fina cortina que embaçava sua percepção, mas era difícil focar-se em algo. Seus pensamentos estavam embaralhados, e sentia-se levemente nauseada.

Ela então tentou se mexer, e foi nesse momento em que seus olhos se arregalaram. Dando-se conta de que suas mãos estavam atadas às costas, ela tentou se erguer, mas seu corpo tombou um pouco para o lado, no chão frio; as pernas também estavam envoltas por grossas e pesadas correntes. Um grito de pavor quis explodir de sua garganta, mas logo foi abafado pelo pano amarrado em sua boca.

Mas aquele não era, nem de longe, o motivo de seu desespero.

O verdadeiro horror se instalou em seu peito quando seus olhos finalmente se focaram na figura à sua frente.

Amarrado à uma cadeira, a cabeça baixa, Gaara respirava com dificuldade, semiconsciente, o corpo completamente manchado com vestígios de feridas, sangue e resistência.

Hinata piscou, querendo se livrar das lágrimas que se acumulavam em seus olhos, embaçando ainda mais sua visão. O que haviam feito com Gaara enquanto ela estava desacordada? Porque aquilo estava acontecendo? Aonde estavam os outros?

Seus gemidos abafados novamente soaram pelo cômodo minúsculo, e ela tentou se pôr de joelhos, equilibrando-se para não tombar de encontro ao chão. A garota arrastou-se o máximo que pôde para junto de Gaara, mas não conseguiu chegar muito perto. Desesperada, ela chamava pelo nome do ruivo, mas suas palavras soavam ininteligíveis pelo pano que lhe tapava a voz.

Mesmo assim, Gaara ergueu um pouco a cabeça, devagar e com muita dificuldade. Seus olhos verdes tiveram dificuldades de discernir a figura de Hinata, que jazia de joelhos, mãos e pés atados, mas sem nenhum arranhão. Ele suspirou, aliviado. Ao menos não haviam feito nada com ela. Ainda.

–Oi... Hinatinha... – ele balbuciou fracamente, exibindo à garota um sorriso manchado de sangue.

Foi a vez dela de quase suspirar de alívio também. Gaara estava vivo, afinal. Mesmo todo ferido daquele jeito, ele ainda respirava e a chamava de “Hinatinha”, daquela maneira implicante que só ele era capaz. Ela arregalou os olhos para o ruivo, em um questionamento mudo.

–Não se preocupe... Não vou deixar que te façam mal... – ele prometeu, tentando se manter consciente – Eu devo isso... a ele...

Hinata sacudiu a cabeça em negação. Não era aquilo que ela queria perguntar mas, com aquela estúpida mordaça, era impossível falar qualquer coisa.

–Eu vou tirar você daqui... Eu prometo... – Gaara continuou a murmurar debilmente, prestes a desmaiar novamente pela dor que latejava em todo o seu corpo. Mas seus devaneios foram interrompidos pelo barulho da porta sendo aberta bruscamente, dois homens entrando no minúsculo quarto onde estavam confinados.

Hinata cambaleou, sentando-se de uma vez no chão, arrastando-se de volta até a parede, esperneando, tentando se soltar. Mas era inútil.

Antes que a cabeça de Gaara tombasse novamente, ela viu os lábios dele se moverem em um pedido sem voz.

“Feche os olhos”.

Ela obedeceu.

–Boa noite, quase dia! – um dos homens bradou, a voz soando como um trovão aos ouvidos assustados de Hinata. Ela podia discernir claramente os passos pesados do mais forte, e os mais leves –porém habilidosos – passos do mais magro, que cercavam a cadeira de Gaara – E então, traidor... Já se lembrou de onde seu amiguinho Nove Caudas está?

Hinata tremia de medo, porém, as palavras dos homens ascenderam algo em sua mente.

Ela lembrava-se vagamente de quando Naruto havia lhe explicado algo sobre aquilo. Aquelas memórias lhe pareciam um passado tão, tão distante agora...

“–Ky... Kyuubi? – questionou Hinata, confusa.

–Sim. Significa “Nove Caldas”. É uma raposa que tem nove caldas. –falou, sorrindo, vendo o espanto da morena. – Ao todo, espalhados pelo mundo, existem nove Jinchuurikis, todos com Bijuus selados dentro de si. Cada Bijuu possui uma quantidade de caldas. Gaara também é um. – explicou.

–E ela mora... dentro de vocês?

–Sim... – assentiu Naruto.”


A mente de Hinata foi atingida por uma onda de dor e pesar. O que estava acontecendo ali, afinal? Por que eles queriam Naruto?

A resposta de Gaara ao questionamento do capanga foi o silêncio. E a pancada que ele levou como punição fez Hinata estremecer. Agora ela entendia o por quê de ele tê-la mandado fechar os olhos.

–Sabe, Uma Cauda... O chefe até ficou um pouco decepcionado por nós termos perdido você de vista, junto com aquele Uchiha babaca. De repente, vocês sumiram... Afinal, ter você do nosso lado era o plano perfeito, e o tal do Sasuke desempenhou bem o papel dele, atraindo você pra Akatsuki. Estava tudo nos conformes. Com você sob os nossos olhos, nós poderíamos executar o plano a qualquer momento... e você seria o primeiro... Mas vocês sempre arranjam um jeito de escapulir, né? Seus discipuluzinhos de merda! – uma outra pancada soou, fazendo a morena estremecer novamente.

–Mas agora nós temos você de volta... e não vamos cometer o mesmo erro de deixar você escapar... Jinchuuriki. – o outro disse, e uma nova pancada atingiu Gaara. Dessa vez Hinata ouviu o ruivo gemer. Havia também o barulho de um líquido pingando.

Sangue.

–E nós vamos fazer você dizer aonde diabos está aquele garoto que carrega a Nove Caudas dentro dele... e aonde estão todos os seus outros amiguinhos...

Dessa vez Hinata ouviu Gaara soltar um riso fraco e irônico.

–Será mais fácil... me matarem... do que me fazer... entregar meus companheiros... – o ruivo murmurou.

Outra pancada. E dessa vez foi tão forte que a cadeira pendeu um pouco para o lado, sendo aparada por um dos capangas para que não virasse.

O outro segurança se abaixou um pouco diante do ruivo, aproximando-se do rosto machucado, exibindo um sorriso maquiavélico.

–Tudo bem se não quiser dizer... É só uma questão de tempo até o Nove Caudas vir até nós. – falou, olhando sugestivamente para Hinata – Afinal, ele não vai gostar nada de saber que nós estamos com o brinquedinho dele.

Ainda de olhos fechados, a morena se encolheu. Eles sabiam que ela estava com Naruto. Um dos seguranças os havia visto juntos.

Gaara novamente riu.

–Do que está rindo, moleque?! – o capanga questionou, desferindo outro golpe no rosto do ruivo.

O Sabaku cuspiu o sangue, erguendo a cabeça para encarar o agressor.

–Toquem num fio de cabelo dela, e vocês verão do que um Bijuu é capaz. – disse Gaara.

Os seguranças estremeceram involuntariamente. Já haviam ouvido falar do poder de um Bijuu e eles bem sabiam que a Nove Caudas era um especialmente forte. Porém, achavam que seus líderes eram mais.

–Que venham até nós os tolos que acham que podem salvá-los. – o capanga rebateu – Estaremos esperando. Enquanto isso... aproveite o silêncio do isolamento, Jinchuuriki. – disse, batendo em Gaara novamente, dessa vez, com uma corrente.

O ruivo revirou os olhos de dor, apertando os lábios para não exprimir um único som.

Os seguranças riram e saíram do quarto, trancando a porta.

Hinata novamente arrastou-se para perto da cadeira onde Gaara estava, seus gritos abafados chamando por ele. Dessa vez ela não podia conter as lágrimas que rolavam, fartas, pela dor que ela sabia estar latejando no corpo ferido do amigo. Doía-lhe ainda mais não poder fazer nada a respeito.

Gaara novamente ergueu o rosto. Os hematomas se amontoavam em sua pele, confundindo-se em vários tons de vermelho, azul e roxo. Havia cortes em seus lábios, sua camisa, ele não sabia onde havia ido parar. Era como se tivessem jogado sal em suas feridas – elas ardiam, novamente abertas pelos golpes dos agressores. E ele não podia reagir.

Por enquanto.

–Hinatinha... Não chore... vou tirar você daqui... – ele murmurou.

Hinata piscou, mais lágrimas rolando. De joelhos, na frente de Gaara, ela apenas conseguia chorar.

–Escute... quero que... faça uma coisa para mim. – Gaara disse, e Hinata o fitou com atenção, esperando – Quero que se concentre em seu próprio chakra... e condense-o para fora de você.... Pode fazer isso?

Em meio ao desespero, Hinata ergueu uma sobrancelha para ele, sem entender o que ele queria.

–É fácil... – ele falou, olhando para o alto, tentando esquecer-se da dor – Feche os olhos e... se concentre no fluxo que corre em suas veias. Faça-o... expandir... saindo de seu corpo...

Hinata balançou a cabeça em negação. É claro que ela não conseguiria fazer aquilo, no que Gaara estava pensando? Ela não acabara de machuca-lo, enquanto ainda estavam dançando na boate, porque não controlava direito seu poder?

–Vamos lá, Hinatinha... você consegue... Apenas... Apenas tente...

Ela suspirou. Seu desespero era maior que sua lógica e estava decidida a obedecer as instruções de Gaara. Fechando os olhos, Hinata tentou se concentrar no chakra desperto que corria livre em seu corpo, reprimido apenas pelo medo.

O medo. Sempre seu fiel companheiro, presente em todos os momentos de sua vida.

–Deixe o medo sair de você em forma de lâmina... Deixe ele cortar... a fraqueza, a hesitação... deixe-o sair, Hinata... – Gaara falou, tentando encorajá-la.

E no momento em que ela sentiu o chakra – branco, brilhante, puro e denso – correndo por suas veias, sem qualquer esforço, ele expandiu-se para fora, turvando sua vista. Não havia nada que ela conseguisse ver ou sentir além da força que a invadia, espalhando-se pelos braços, pernas, cabeça, todo o corpo.

Todas as lembranças se misturaram na mente de Hinata como cartas de um baralho bagunçado sobre uma mesa. Mas, em todas elas, a morena podia distinguir claramente um só rosto, um único brilho azul.

O olhar de Naruto, esperando por ela, ansiando por tocá-la, por abraça-la...

E, quando abriu os olhos, a Hyuuga assustou-se ao perceber que as paredes do quarto estavam marcadas pelos rastros de grandes lâminas, seus pulsos e pernas estavam livres, assim como sua boca; as correntes que a prendiam haviam virado pó, os pedaços do pano que antes a calavam estavam espalhados pelo chão. Seus olhos, de um brilho perolado distinto e energizado, fitaram Gaara, confusos.

O ruivo sorriu, admirado. Hinata era, realmente, uma garota muito interessante.

Livres das correntes, Jiraya e Shikamaru caminhavam por entre os vários corpos dos seguranças que eles havia abatido no meio do caminho. Nos ombros, o mestre carregava o corpo de Asuma, enquanto o Nara andava ao seu lado, silencioso. Jiraya sabia que o rapaz, naquele momento, era uma bomba relógio. Ninguém sabia o momento em que ele explodiria.

–Ligue para os outros e diga para recuarem. – o sennin ordenou, distraidamente desferindo um murro certeiro em outro segurança que tentara se aproximar para prendê-los.

Shikamaru não se mexeu.

Jiraya então parou de caminhar, parando na frente do rapaz.

–Nós vamos vingar seu mestre, Shikamaru. Eles não sairão impunes.

O Nara assentiu, sem nada responder. O corpo de seu mestre pendia, sem vida, dos ombros de Jiraya. O que lhe restava agora que Asuma partira?

–Shikamaru? – o sennin chamou, preocupado com o silêncio do moreno. Desde o momento em que vira o corpo do mestre, o Nara não havia falado nada, nem derramado uma lágrima sequer.

–Tudo bem... – Shikamaru respondeu, mantendo o rosto inexpressivo – Vamos. Eu ligo no caminho.

Os dois voltaram a caminhar em silêncio, deixando uma trilha de corpos por onde lhe tentavam barrar a passagem.

A boca muda do Nara calava a tempestade e a dor que lhe confundia o cérebro e lhe esmagava o coração. Porém, em meio àquele turbilhão que lhe embaralhava a mente, uma certeza permanecia intacta.

Hidan pagaria por aquilo.

Percebendo-se livre, Hinata apressou-se em levantar, ainda sem compreender como havia feito aquilo. Mas não era hora de tentar desvendar os mistérios de seu poder. Se tinham uma chance de fugir, deveriam aproveitá-la enquanto havia tempo.

Mas, antes que as mãos de Hinata pudessem tocar as correntes que prendiam Gaara, o ruivo a impediu.

–Você está livre... Agora... vá embora.... – ele balbuciou.

–O QUÊ?! – ela grunhiu, incrédula.

Percebendo que, talvez, Naruto a tivesse influenciado demais com sua teimosia – e aquele pensamento quase o fez sorrir – Gaara forçou o pouco chakra que lhe restava em seus pés, impulsionando-os na direção de Hinata.

O baque atingiu a morena no estômago, e ela chocou as costas de encontro à porta.

–Eu disse que ia proteger você... – ele falou – Agora vá...

–Por que está fazendo isso?! – Hinata esbravejou, assustada e confusa – Eles vão matar você!

–Não importa...

–É claro que importa! Eu não vou embora sem você!

–Hinata, – ele chamou, sério, fitando-a nos olhos – eu já decepcionei o Naruto demais. Não vou fazer isso de novo. Você acha mesmo que... – Gaara tossiu, uma lufada de sangue saindo de sua boca – Você acha mesmo que ele vai me deixar viver caso eu deixe algo acontecer a você?

A morena piscou, as lágrimas de pavor escorrendo por seu rosto. As palavras de Gaara a emudeceram. Como ela poderia argumentar contra aquilo?

–Agora vá... – o Sabaku prosseguiu – Encontre os outros e... – ele se interrompeu, o sangue novamente fazendo-o engasgar – diga que não tem noticias de mim. Diga que acordou sozinha e fugiu na primeira oportunidade que teve... Não deixe que venham me buscar.

–Do que você está falando?! – Hinata questionou, cada vez mais histérica.

–Mantenha Ino e Naruto longe daqui. Você entendeu? Não deixe que eles venham atrás de mim.

Paralisada, sem entender nada, Hinata encarava Gaara com os olhos arregalados.

Os dois ouviram o som de passos se aproximando do local.

–Vá! – Gaara ordenou, começando a se enfurecer.

Sem saber direito o que fazer, ela abriu a porta e correu para longe dalí, perdida, avançando na direção da primeira escada que apareceu na sua frente. Porém, se o ruivo achava que ela o deixaria para trás... ele estava enganado.

–Vá e proteja minha família... – o sussurro quase inaudível de Gaara ecoou pelo quarto vazio.

–E aí, Jinchuuriki? – um capanga entrou no quarto – Pronto para uma nova sessão de tort... Cadê a morena?! – alarmou ao perceber que Hinata não estava mais ali.

–Bom... parece que vocês perderam seu único trunfo... – Gaara respondeu, sorrindo.

A fúria do segurança calou o ruivo com um único golpe.

Mas, para o Sabaku, não importava que lhe batessem. Não importava se lhe torturassem ou lhe matassem.

Sua família estaria a salvo. Era esse o sacrifício que ele estava disposto a fazer.

Naquele lugar, nas mãos daquelas pessoas, ele não sabia quanto tempo duraria. Mas sabia que Hinata era forte o suficiente para chegar até os outros e levá-los embora de lá.

Com um sorriso nos lábios, Gaara afundou na inconsciência, esperando que a morte lhe viesse rápida.

Havia, porém, uma luz perolada que insistia em brilhar pela fresta do pequeno buraco de ventilação do local onde Gaara permanecia se deixando torturar.

“Pense, Hinata, pense... como posso tira-lo desse lugar?”, a morena se questionava, tentando não entrar em desespero em meio ao medo, somado aos milhões de questionamentos que se instalavam em sua mente. Por que Gaara não reagia? Ela sabia que ele era suficientemente forte para dar contar de quantos capangas aparecessem... Será que ele estava disposto a se sacrificar? Ele achava mesmo que isso iria ajudar em alguma coisa? Por que os homens daquela família tinham que ser tão idiotas? O que aquelas pessoas perigosas queriam com Naruto? O que eles, de fato, pretendiam fazer com Gaara?

Todas aquelas dúvidas se empilhavam em sua cabeça, enquanto observava a tortura a qual submetiam seu amigo, estremecendo a cada gemido que ele deixava escapar.

–Para onde foi a garota?! – um dos capangas perguntava.

O ruivo permanecia em silêncio. Outra pancada.

–Aonde estão os outros?!

Silêncio.

Pancada.

Sozinha, desnorteada, com medo, o que Hinata poderia fazer para salva-lo?

–Precisando de uma ajudinha ai, Hyuuga?

A morena pulou de susto ao ouvir o timbre irônico inconfundível que a surpreendia. Seu coração quase explodiu de felicidade quando ela se virou para encarar o dono da voz.

–Sasuke! – ela novamente pulou, quase querendo abraça-lo. Quase.

–Shhhhh... Quer que nos peguem aqui? – ele questionou, tapando a boca de Hinata com a mão.

Ela sacudiu a cabeça, negando. O moreno então retirou a mão do rosto da garota e ela sorriu.

Sasuke sorriu de volta.

–Como você veio parar aqui? – Hinata perguntou, baixinho.

–Pura coincidência... Acho que mentes sombrias pensam igual. – o Uchiha mentiu, desviando-se do questionamento da morena.

Seus olhos negros logo se voltaram para a pequena fresta da ventilação, por onde podia ver, claramente, Gaara sendo torturado.

–Vamos salvar esse idiota. — ele disse, encarando atentamente o homem que espancava o ruivo.

Precisava marcar aquele rosto. Seria o primeiro que ele iria desfigurar.

Notas finais
Oi! E ai? Gostaram? EEIITAAAAA! PEGA QUE É TRETA! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Naruto quase infartando, Ino se desesperando, Sakura assumindo o controle da situação e manjando dos babados todos, (?) Gaara se lascando, Hinata querendo salvá-lo e, de quebra, pra quem queria saber o que o Sasuke tava fazendo... TCHARAM! E o Jiraya continua vivo... MUWAHAHAHAHAHA! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK Não se esqueçam de comentar e me dizer o que acharam, tá? Lembrem-se de que o comentário de vocês é meu principal incentivo para continuar a escrever! xD Ah, gente, quero ideias de par pro Kiba! Opinem ai! Lembrando que tem babado forte NaruHiniano chegando, galerê! Hihihihihi Até o próximo! Bjks!