Paraíso Sombrio

8 Perdendo-se no vazio


Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Antes de qualquer coisa, quero pedir MIL DESCULPAS pela demora. Todos os leitores que me acompanham, principalmente os que estão comigo desde a fic Laços, sabem do compromisso que eu sempre tive com todos os que dedicam um tempinho às minhas estórias. E que eu nunca, jamais iria deixar vocês sem capítulos por tanto tempo sem nenhum motivo plausível. Alguns aqui sabem dos problemas que estou enfrentando, e agradeço as mensagens de apoio e incentivo que recebi. Minha rotina é um pouco maluca, mas nas últimas semanas, as coisas estão realmente complicadas. Por isso, peço que me perdoem pela demora, e que não percam a paciência com essa autora- san... Eu já estava com um peso enoooooorrrmeee na consciência por ficar tantos dias sem postar nada. Mas eu também não fiquei esses dias todos sem escrever... sempre que tinha um tempinho, eu ia tentar rabiscar um capítulo. Com tudo o que tem acontecido na minha vida, as coisas tomaram um rumo inesperado, e acabei tendo que me estender um pouco mais no desfecho da cena entre Sasuke e Gaara. Sei que alguns estavam esperando que o Gaara ACABASSE COM A RAÇA DO FILHO DA PUTA DO SASUKE, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk E mesmo que as coisas tenham seguido um rumo um pouco diferente, espero que gostem. Eu já escrevi o capítulo que seria um Especial, e que teria o hentai. Sim... o TÃO ESPERADO HENTAI, TCHANANANAAAAAAMMMMM! Achei que, pela minha demora, vocês mereciam que ele fosse postado logo. Então sim, ele já está escrito, mas o capitulo ficou gigante. Então eu vou posta-lo amanhã, pois ainda vou decidir se irei dividir esse Especial ou não. Ah, Galerê, eu fiz uma pequena alteração na fic. Lembram de uma cena no primeiro capítulo, quando Sasuke entra sem camiseta na sala do Naruto, e a Sakura vê no pescoço dele o símbolo da Akatsuki? Inicialmente, eu havia decidido que o símbolo iria ser o Ouroboros, a figura da serpente que engole a própria cauda, e que representa o ciclo natural da vida, de construção e destruição, vida e morte. Mas logo percebi que algumas pessoas associaram tal símbolo ao anime FullMetal Alchemist, e percebi que essa foi uma falha minha. Então, o símbolo no pescoço do Sasuke será o selo amaldiçoado mesmo, lembram-se dele no anime Naruto? Mas aqui na fic, aquele selo amaldiçoado será a marca de todos os membros da Akatsuki. Nos próximos capítulos vocês irão perceber porque estou esclarecendo isso. É uma mudança mínima, não vai mudar o curso dos acontecimentos, é só lembrarem: “Sasuke largou a toalha sobre a cara de Naruto, que bufou de raiva e a jogou de volta no moreno com força. Ele pegou sua camisa, mas antes que pudesse vesti-la, Sakura pôde ver a pequena marca em seu pescoço. A figura do Selo Amaldiçoado. O símbolo da Akatsuki” Peço desculpas por essa troca, mas como uma medida para não me distanciar demais do enredo originalmente traçado e de não trazer elementos confusos para a estória, ela foi necessária. Me perdoem por essa nota gigante, mas entendam... a autora-san estava morrendo de saudades de vocês! Espero que gostem do capítulo. Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!



Sasuke sorriu. Tudo o que ele queria era despertar Gaara para a dor que o choque sufocara. A dor de perder a pessoa mais importante de sua vida, o único vestígio de esperança, de confiança. Sabia o que o ruivo experimentava agora – ele também havia provado daquele veneno.

O chakra emanava de Gaara com tamanha densidade que uma aura negra começou a se formar ao seu redor. Ele rosnava, a voz soando animalesca, dual, o Bijuu desperto dentro dele tomando o controle.

Ele deu um passo a frente, fazendo o chão da calçada ganhar leves rachaduras. Gaara ergueu a mão esquerda, o chakra se solidificando em areia, pronto para atacar.

–Gaara, não! – gritou Naruto, querendo se aproximar. Mas tinha certeza de que se tentasse impedi-lo, iria morrer.

O ruivo agia como se não escutasse nada a seu redor. Os olhos fixos em Sasuke, a consciência enchendo-se com as imagens do corpo de Sasori, os ouvidos sendo invadidos pela lembrança dos gritos de Ino. Tudo o que conseguia enxergar era Sasuke, tudo o que conseguia sentir era o desejo de exterminar quem quer que se pusesse em seu caminho.

–Gaara! – o loiro chamou novamente. Quando viu que o ruivo estava prestes a desferir a areia na direção de Sasuke, Naruto não se conteve. Aproximou-se por trás, prendendo os braços do amigo, sentindo uma rajada de energia negra atingi-lo com força. –GA-GAARA!

–Solte ele, Naruto. – Sasuke pediu, tranquilamente.

–Pirou, Sasuke?! Que porra você pensa que tá fazendo?! – o loiro gritou para o Uchiha. Ele também não aguentaria segurar Gaara por muito tempo. Vendo que o chakra negro do ruivo começava a queimá-lo, passou a se defender com o seu próprio chakra sombrio. Agora, os olhos de Naruto ganhavam um tom avermelhado, que denunciava a atuação de Kyuubi dentro dele.

–Deixe-o sentir a dor da perda. Deixe-o acordar para a realidade. Você não percebe que o Gaara está fingindo ser quem ele não é desde que Sasori o encontrou?

–Do que você tá falando, idiota?! – rosnou Naruto. Gaara a todo momento ameaçava soltar-se, e o loiro sabia que Sasuke talvez não sobrevivesse caso ele o atingisse.

–Você, sendo um Jinchuuriki, sabe exatamente do que estou falando. Gaara tem sede de vingança, e se ele tiver que me espancar para conseguir acordar, que seja. Mas ele TEM QUE SENTIR. Ele tem que sentir essa dor.

Naruto não entendia as palavras de Sasuke. Obviamente, o loiro sentia muito a perda de Sasori. Apesar de ser um mestre que se utilizava de métodos nada tradicionais para ensinar seus discípulos, Sasori era uma boa pessoa. Naruto sabia o quanto Gaara havia mudado ao conhece-lo, sabia quanto do ruivo havia sido salvo por aquele homem. Não conseguia sequer conceber a dor que Gaara devia estar sentindo naquele momento, mas iria mostra-lo que ele não ficaria sozinho após a perda do mestre. Afinal, havia sido graças a ele que Gaara pôde encontrar todos os amigos que agora faziam parte de sua vida; Naruto mostraria isso a ele. Faria Gaara compreender que não precisava mais viver no inferno de sua infância, que não precisava mais ser daquela maneira.

–Sai, leva as garotas daqui! – gritou Naruto, vendo que Hinata, Sakura e Ino não resistiriam à pressão do chakra de Gaara. O ruivo se tornava um monstro quando se enfurecia, se esquecendo de tudo ao seu redor, voltando a ser o que era quando Naruto o conheceu.

Sai olhou para Naruto, as mãos repletas de chakra concentrado, pronto para acertar Gaara, ou até mesmo Sasuke.

–Vai, Sai! – mandou Naruto, a voz repleta de agonia. Hinata o fitava com os olhos arregalados, como se quisesse gritar, pedir por socorro. –Agora! – o loiro apressou o rapaz ferido à sua frente, que, há segundos antes, estava pronto para entrar em combate.

Sai olhou para Ino, e viu que a energia que emanava de Gaara fazia com que um filete de sangue escorresse por seu nariz. A garota estava desmaiada no chão da calçada, a energia negra queimando um pouco a pele de seu rosto.

Ele levantou-se do carro onde estava descansando antes de toda aquela confusão começar, e com dificuldade, por conta de seus ferimentos, levantou Ino em seus braços, jogando-a no banco traseiro de seu carro, estacionado na frente do de Sasuke.

Com muito esforço, Sakura conseguiu ficar de pé, cambaleando. Seus olhos pesavam, mas ainda assim, ela tentou se concentrar. Apoiou-se na lataria do carro, pronta para acertar o Uchiha com o pouco chakra de que dispunha.

–QUE PORRA VOCÊS AINDA ESTÃO FAZENDO AQUI, HUM?! – gritou Deidara, saindo da boate.

Ele arregalou os olhos, estancando, sentindo a pressão emanada pelo chakra de Gaara.

–Deidara, ajuda o Sai! Leva as garotas daqui! – pediu Naruto.

–TÁ LOUCO, NARUTO?! QUER QUE EU CHEGUE PERTO DESSA TRETA?! POR ACASO VOCÊ ACHA QUE EU TENHO CARA DE IDIOTA, HUM?!

–Quer mesmo que eu responda à isso agora?! – rosnou Naruto.

Deidara pensou um pouco sobre aquilo.

–Tsc. Caralho, você só me arruma problema! – falou, andando rapidamente na direção de Sakura. – Desculpa, gatinha, mas o Jinchuuriki da raposinha disse pra eu levar você daqui. – falou, piscando.

–Nã... Não! – falou Sakura, a beira de um desmaio.

–Facilita, gatinha! – pediu Deidara. Vendo que a rosada tentava se desvencilhar dele, a única solução que encontrou foi golpear a nuca de Sakura, forçando-a a desmaiar. Jogou-a por sobre o ombro, caminhando rapidamente para o carro onde Sai acomodava o corpo de Ino.

Uma forte rajada de chakra negro atingiu as costas de Deidara, fazendo-o cair de joelhos, esforçando-se para não derrubar o corpo de Sakura.

–PORRA, NARUTO, DÁ UM JEITO NESSE KETCHUP ANTES QUE ELE MATE TODO MUNDO! HUM!

–EU TÔ TENTANDO! – o outro grunhiu em resposta.

Deidara se levantou, colocando rapidamente o corpo da rosada no carro. Vendo Ino desmaiada, olhou para Sai.

–Mas que porra tá acontecendo?!

O rapaz suspirou antes de responder.

–Sasori... morreu.

O loiro arregalou os olhos, virando-se para Gaara, vendo a areia escorrer da boca e do canto de um dos olhos do ruivo, percebendo que Sasuke segurava o corpo do mestre morto pelos cabelos.

–Caralho... – resmungou Deidara. Não sabia como Naruto estava aguentando segurar Gaara. A simples pressão que sentia apenas observando de longe já era suficiente para sentir sua pele arder como se estivesse em chamas, não queria nem imaginar o que Naruto estava sentindo.

Sai voltou, andando com a maior rapidez de que era capaz, com todos aqueles machucados, tentando levantar Hinata, que estava caída de joelhos, apavorada, fitando Naruto.

–Vamos, Hinata... – falou, passando o braço da garota em seu pescoço. Mas ela se agitou fracamente, querendo se soltar.

–Nã... não... o Naruto! Tire ele de lá! – falou, os olhos embaçados com algumas lágrimas que se acumulavam.

–Naruto sabe se cuidar, Hinata. Ele precisa ficar.

–O Gaara vai mata-lo! – falou ela, o desespero evidente em sua expressão.

–Naruto é forte. Ele sabe se cuidar. Além disso, ele nunca, jamais abandonaria um amigo, mesmo tendo que arriscar a sua vida.

–Mas...

–Não subestime a força dele. – interrompeu Sai, erguendo-a. – Vamos.

Ela não conseguiu mais argumentar, o pavor sendo emudecido pelo chakra de Gaara. Deixou-se ser rebocada até o carro, sentando-se ao lado de Sakura e Ino, no banco de trás.

–E aí, moças? Prontas para dar uma voltinha? – perguntou Deidara, no banco do motorista, enquanto Sai se sentava no banco do carona. –Mas antes... um presentinho pra esse Uchiha filho da puta, HUM! – sorriu, seus dedos concentrando chakra. – KATSU! – gritou, pisando no acelerador. Antes de partirem, Hinata pôde ver uma grande explosão atingir o Uchiha, a cortina de fumaça impedindo-a de discernir qualquer outra coisa. Seu coração apertou, pensando que talvez Naruto e Gaara também tivessem sido atingidos.

Mas estava fraca demais para argumentar contra Deidara, e deixou-se ser arrastada para a inconsciência.

Sai olhou para trás, onde Ino estava desmaiada. Não pôde evitar o sentimento de pesar que o invadiu.

“Sinto muito, Ino...”, pensou, antes de se virar para frente, encarando a estrada escura, pela qual Deidara dirigia velozmente.

Naruto ainda tentava conter Gaara, seus olhos se estreitando, tentando ver por entre a nuvem de fumaça que a explosão de Deidara causara.

–Desgraçado, pra quê a merda dessa bomba? – grunhiu.

Mas quando a fumaça baixou, Naruto pôde ver que Sasuke sequer havia se mexido. Ele permanecia no mesmo local, o corpo de Sasori erguido à sua frente.

Ele utilizara o corpo morto como escudo.

–Deixa ele se lembrar. Deixa a mente dele se entorpecer pelas lembranças de quando Sasori o encontrou. – Sasuke falou para Naruto. – Quem era você, Gaara? Um monstro sem nada nem ninguém, um corpo vazio, sem alma, sem vida. Um vestígio da morte e da desesperança. Você se lembra? – instigou Sasuke.

Gaara rosnou, fora de si, enquanto Naruto tentava segurá-lo. Ele tentava avançar, cegamente transtornado, o fogo do ódio e do desejo de morte queimando suas veias, seu coração. Uma outra rajada de chakra, ainda mais forte, lhe subiu a cabeça, fazendo parte de seu rosto rachar.

–Cala a porra dessa boca, Sasuke! – berrou Naruto, vendo que a defesa absoluta de Gaara estava se desfazendo. O ruivo se protegia com uma segunda camada de pele em todo o corpo feita de chakra que, quando atingida, se materializava em areia, elemento de controle de seu Bijuu.

–Ele precisa lembrar! Precisa acordar para o que ele realmente é, precisa lembrar de tudo o que viveu! A morte de alguém tão importante em nossas vidas não pode passar em vão!

Naruto estava prestes a soltar Gaara, já não aguentava mais a pressão daquele chakra, e sentia que aquela aura deixava rastros ardentes em sua pele.

–Olhe, aqui está a sua única esperança. –falou Sasuke, erguendo o corpo de Sasori. – Você está sozinho de novo. Se não acordar para essa realidade, irá se perder novamente no monstro que você é.

Gaara conseguiu soltar um braço, lançando uma rajada de sua areia embebecida em chakra na direção de Sasuke, que se desviou. O golpe atingiu o carro, despedaçando a lataria, o barulho do metal sendo destruído abafado pelo rugido apavorante que o ruivo fazia soar.

–Gaara, você não está sozinho! Acorda, seu cabeça de tomate estúpido! Você tem a mim! Tem ao Ero-sennin, tem à Ino! Nós somos a sua família, Gaara! Você não está sozinho! Você precisa acreditar nisso! -Naruto tentava chamar o amigo para a realidade.

Mas o ruivo já estava fora de si. Uma nova onda de chakra, mais forte e sombria, atingiu Naruto, que tentava desesperadamente conter o amigo. Sem conseguir mais segurá-lo, Naruto soltou Gaara, seus braços exalando fumaça pelos rastros da energia ardente do ruivo.

Antes que pudesse reagir, Gaara desapareceu de sua frente, posicionando-se diante de Sasuke, apertado o pescoço do Uchiha. Sasuke sequer se movia, sua expressão mantinha-se tranquila, inalterada, sua mão agarrando-se aos cabelos de Sasori firmemente.

–Quer me matar? Quer descontar seu sentimento de ódio em mim? Vá em frente. – falou Sasuke.

–Gaara! Não faça isso! Você não precisa de vingança! Lembre-se do que Sasori te ensinou!

Mas o ruivo agora estava distante, isolado pelo rancor e pelas lembranças.

Percebendo que o amigo não o escutava, Naruto correu, aproximando-se dos dois, atingindo Gaara com um murro certeiro no estômago, que o fez voar na direção contrária, chocando-se com o portão da boate de Deidara. Naruto tinha certeza de que ele o loiro o mataria quando visse aquilo, mas a conta iria para a sua casa, afinal.

Naruto então levou sua mão espalmada ao rosto de Sasuke, batendo a nuca do rapaz na lataria destruída do carro. O baque fez o Uchiha largar o corpo de Sasori, mas ele logo reagiu. Sua perna atingiu os joelhos de Naruto, fazendo-o cair, e logo Sasuke estava novamente correndo na direção de Gaara.

Mas o ruivo foi mais rápido.

Antes que Sasuke percebesse, estava envolto por uma cortina de areia. A mão erguida de Gaara manipulava o chakra maligno em torno do Uchiha pronto para esmaga-lo.

O ruivo cerrou o punho erguido, pronto para matar.

–Sabaku... Sousou! – rugiu, pronto para fazer da sua areia o funeral do Uchiha. Mas antes que conseguisse atingir Sasuke, um chute acertou sua garganta.

Gaara caiu sentado com Naruto ajoelhado a sua frente. O loiro o atingiu novamente com um murro certeiro, fazendo um pouco de sangue jorrar da boca do ruivo juntamente à areia que já escorria.

–Você... – falou Naruto, acertando-o novamente – Não vai... – disse, o punho movendo-se para o rosto de Gaara – Voltar a ser o que era! Acorda! Você não está sozinho!

Sasuke caiu no chão, tentando se erguer.

Os golpes de Naruto fizeram o negror dos olhos de Gaara desaparecer. Pouco a pouco, seu olhar ganhou um brilho esverdeado, algumas lágrimas se acumulando.

–Eu estou ao seu lado! Não só eu, como todos! Nós somos uma família! Não se esqueça do que seu mestre lhe ensinou!

O ruivo encarava Naruto, as lágrimas rolando por seu rosto, silenciosas, sofridas.

Naruto largou o amigo, voltando-se para Sasuke. Sua expressão era de fúria, revolta, aspereza.

–Se você quiser brincar de matança com o pessoal da Akatsuki, fique a vontade. Você já deu às costas para nós, mas não tente levar o Gaara junto! Ele fica!

Sasuke se levantou. Fitou Gaara caído no chão, seus olhos frios e distantes.

–Não fale de uma dor que você não conhece. – o Uchiha falou para Naruto.

Logo em seguida, deu às costas para os dois amigos, e deixando o corpo de Sasori ali, desapareceu na escuridão, deixando apenas os vestígios sombrios de sua presença.

Naruto sentou-se no meio fio, limpando alguns rastros de sangue de suas mãos e braços. Geralmente, seus ferimentos se curavam rapidamente, mas quando eram provocados por um chakra tão denso, demoravam a cicatrizar. Gaara ainda estava deitado no chão da calçada, onde minutos antes o loiro o esmurrava, tentando fazê-lo voltar a si.

De costas para o amigo, Naruto fitou a rua escura à sua frente, suspirando pesadamente. O corpo de Sasori jogado ao seu lado dava àquela cena um tom ainda mais sombrio.

–Sei o que você quer fazer. – o loiro falou, baixinho, sem se virar.

Gaara ergueu o tronco, sentando-se para encarar as costas de Naruto.

–Sei o que você quer fazer, mas estou te pedindo, como amigo, como um irmão: não faça. Não jogue nossa família fora, não jogue tudo o que seu mestre lhe ensinou pela janela. Não abandone o que você construiu até agora.

Gaara permanecia em silêncio, o vazio instalado em seus olhos verdes. Um pouco de sangue escorria de sua boca, mas ele parecia não se importar. Ele se levantou, sem se preocupar em olhar para o estrago que havia provocado na boate de Deidara. Naruto então se virou para encará-lo, tentando encontrar na expressão do amigo algum rastro de esperança ou hesitação.

Não conseguiu. No olhar de Gaara, havia apenas a profundidade vazia que aqueles olhos verdes emanavam.

Naruto suspirou, fechando os olhos por um momento. E quando voltou a abri-los, eles estavam novamente vermelhos, o chakra do Bijuu circulando em suas veias.

–Eu vou atrás de você Gaara. – rosnou ele, a mágoa explodindo forte em seu peito. – Eu vou atrás de você, nem que seja no inferno. Não vou perder outro de meus irmãos. Nós somos a sua família. Não se esqueça disso.

Sem sequer olhar para Naruto, Gaara parou perto de onde o corpo de seu mestre estava jogado.

A imensidão verde de seus olhos não dizia nada. Não reagia à nada. Não havia vida ali.

Olhou pela última vez o rosto do homem que mudara a sua vida, antes de entrar em seu carro, e sumir.

Naruto apenas baixou a cabeça, sem querer olhar o carro que se distanciava.

Perdia agora mais um amigo. Mais um irmão.

As palavras de despedida não pronunciadas fechavam a sua garganta, enquanto ele esperava pelas lágrimas que não desciam.

Havia ali apenas o vazio.



Ao chegar em casa naquela madrugada, Naruto deparou-se com Ino e Hinata, que esperavam por ele acordadas, ansiando por noticias. Sakura continuava desacordada, repousando em um dos quartos. Naruto pediu que Sai cuidasse do corpo de Sasori, e desse a ele um fim apropriado. Deidara, que ainda estava lá, percebendo a revolta instalada na expressão de Naruto, resolveu ajudar Sai sem fazer nenhum comentário.

Sem dizer uma única palavra, Naruto passou direto para seu quarto, mas parou quando Ino se colocou em seu caminho, barrando-lhe a passagem.

–Onde está o Gaara? – perguntou. A loira tinha um minúsculo curativo na testa, escondido sob a franja, provavelmente por conta da leve queimadura provocada pelo chakra do ruivo.

–Eu não sei. – respondeu Naruto, passando por ela. Trancou-se em seu quarto, sem querer falar com ninguém.

Ino sentou-se no chão do corredor dos quartos da casa, encostada na parede, supondo o pior. Mas logo Hinata sentou-se ao seu lado, querendo, de alguma forma, confortar a loira. Só não sabia como fazer isso.

Elas suspiraram, ainda em silêncio, e subitamente, Hinata sentiu a mão de Ino na sua, buscando por consolo.

A Hyuuga apertou a mão da amiga. Refletindo sobre aquilo, era estranho se sentir daquela forma.

Se antes, Hinata estava sozinha, sem se preocupar sequer consigo mesma, agora ela parecia ter muitas pessoas por quem perder o sono.

Nos minutos que se seguiram, Hinata e Ino ouviram apenas os barulhos de coisas sendo quebradas no quarto do loiro. Metais sendo amassados, vidros se espatifando. As duas se encolhiam a cada murro que ele dava na parede, a cada móvel arremessado.

Depois de meia hora ouvindo apenas a destruição que o loiro provocava no próprio quarto, o barulho cessou. Por alguns instantes, ouviu-se apenas o silêncio.

Hinata se levantou, andando em direção à porta de Naruto.

–Onde você está indo? – perguntou Ino, segurando-a pelo braço.

–Vou ver o Naruto. – falou ela.

–É melhor deixar ele sozinho agora, Hinata. Naruto está descontrolado.

Hinata hesitou. Sua expressão, como sempre, era apática, mas assim como Naruto havia feito algo por ela, mostrando-a um pouco de vida, ela também gostaria de fazer algo por ele.

–Me pergunto se... ele não está descontrolado desse jeito justamente por se sentir sozinho. – falou Hinata, fitando Ino nos olhos.

A expressão sem vida da Hyuuga abateu a loira. Ino soltou o braço de Hinata, absorvendo o significado das palavras que acabara de ouvir.

A morena virou-se novamente, deixando Ino no chão, a expressão desolada.

Hinata encarou a porta à sua frente sentindo-se tremer levemente. Naruto ainda lhe causava medo, toda aquela nova vida lhe causava medo. Mas não podia deixar de admitir que, desde que ele a “encontrara”, tudo havia mudado. Mesmo com todas as coisas bizarras que aconteciam o tempo todo naquela nova realidade, ela se sentia... quente. Acolhida. Amparada.

Bateu uma vez, sem obter nenhuma resposta. Bateu novamente, escutando um rosnado impaciente de dentro do quarto.

Bateu mais uma vez, e viu a porta ser aberta abruptamente à sua frente.

Naruto a fitou com ferocidade, parecendo transtornado.

–O que você quer? – perguntou, ríspido.

Hinata podia ver parte da destruição espalhada pelo quarto. Voltou seus olhos para ele, tentando encontrar as palavras.

–Eu... que-queria saber se... você está...

–O quê?! Bem?! Estou ótimo! Agora me deixe em paz. – falou, fechando a porta.

A mão da garota barrou a madeira, sem se deixar abater por aquela resposta grosseira.

–Posso entrar?

O loiro fitou Hinata com uma expressão incrédula.

–Vai embora, garota. – rosnou, baixo.

–Não... posso fazer isso. – falou ela, escolhendo as palavras. – Quero ajudar... no que puder. – disse, incerta. Não tinha certeza se seria de grande ajuda, mas não queria deixa-lo sozinho.

Ele suspirou, puxando-a bruscamente pelo braço, colocando-a para dentro do quarto. Fechou a porta, e sem olhar para ela, pegou uma garrafa de bebida que estava na cabeceira da cama. Aquela parecia a única coisa intacta no quarto.

Abajur, portas do guarda-roupa, estante de livros, cômoda, armários, espelhos e mais algumas coisas... tudo despedaçado.

Naruto virou a garrafa na boca, bebendo vários golpes de uma só vez. Seus olhos estavam tingidos de um vermelho estranho. Não era o vermelho de quando o chakra da Kyuubi estava desperto dentro dele.

Era o vermelho do descontrole emocional, da dor, da perda. Era o vermelho de lágrimas contidas, de rancores, de mágoas.

Ele se sentou na cama, com a garrafa nas mãos. Hinata reparou que restava menos da metade do conteúdo marrom.

Ela caminhou cuidadosamente, temendo se ferir em meio aquela bagunça. Sentou-se ao lado dele, e por instantes fitou o vazio. Não sabia bem o que fazia ali, não sabia como ajudar. Sabia apenas que algo nele parecia doer, e ela sabia como era aquela sensação. Gostaria de poder retribuir o gesto dele quando estava em sua mente, libertando-o do sofrimento, tomando as dores dele para si, mas sabia que não era forte o suficiente para isso.

–Quer... conversar? – perguntou, incerta.

–Não. – ele respondeu, também fitando o vazio a sua frente, os olhos azuis perdidos, escuros de tristeza. Virou outro gole, querendo que o álcool apagasse aquilo da sua memória.

–Tem alguma coisa que eu possa fazer? – perguntou, sentindo a angústia tomar seu peito. Ainda se assustava um pouco com as reações que aquela nova vida lhe proporcionava, e se sentir preocupada com alguém era uma delas.

Ele virou-se para ela, sorrindo com escárnio.

–Você pode me dar um pouco de diversão. – propôs, aproximando o rosto do de Hinata. – Essa noite foi uma droga. Me faça esquecer.

–O-o-o q-que q-quer dizer co-com i-i-isso? – gaguejou Hinata, entrando em pânico. O hálito de Naruto exalava o cheiro do álcool que ele bebia, quente, forte, atingindo o rosto da garota, deixando-a ainda mais nervosa.

Naruto se aproximou um pouco mais, largando a garrafa no chão.

Seus olhos não se fixavam em nada, mal conseguia fitar Hinata de tão embriagado. Apoiou uma das mãos na nuca de Hinata, puxando-a para perto, os dedos se entrelaçando firmemente à raiz dos cabelos negros. Hinata arfou, contendo a vertigem que lhe atingia. O terror tingia sua mente em tons vermelhos de alerta e pânico, e seu corpo não respondia aos comandos que seu cérebro enviava, dizendo para correr dalí.

Uma onda de dor a invadiu, as lembranças lhe atingindo como facas. Seus olhos arregalados fitavam os do loiro, o pânico cada vez mais forte na medida em que ela percebia que não poderia se mover.

Mas fitando o azul dos olhos dele, o pânico cedeu lugar à um profundo pesar. As lembranças que a aterrorizavam e a adoeciam deram espaço para a pena que se instalava em sua mente. Naquele olhar não havia nada.

Apenas a imensidão vazia do céu noturno dos olhos dele.

Percebendo aquilo, num gesto impensado, ela o abraçou.

Seus braços envolviam o loiro, que estava paralisado de surpresa. Os olhos de Naruto estavam arregalados, as mãos pareciam dormentes. Ele não conseguia se mover.

–Eu sinto muito. – sussurrou ela, sem deixar de sentir um leve terror por estar tão próxima a ele. Mas resolveu ignorar aquilo, tentando confortá-lo o máximo que podia. Se desmaiasse ou tivesse uma crise de pânico, pelo menos haveria tentado. – Não entendo direito o que aconteceu, mas... sei que está sofrendo. E eu não sei como posso ajudar você, assim como você me ajudou. Tudo o que poso fazer é... não deixar você sozinho.

Os olhos de Naruto se arregalaram mais, enquanto ele tentava assimilar o que Hinata dizia, tentando se desvencilhar da nuvem de embriaguez que o envolvia.

–Não vou deixar você sozinho. – ela repetiu, sentindo o coração disparar. Seu ímpeto era de gritar de horror com aquela proximidade. Ela novamente reprimiu o desejo de sair dali correndo. – Eu sinto muito, Naruto... – sussurrou.

O loiro pareceu voltar um pouco a sí. Afundou o rosto no pescoço de Hinata, sem compreender como aquela pessoa estranha, alheia a tudo o que ele vivia, poderia entender e se importar com o que ele passava naquele momento.

Mas ela havia ido até ele, na intenção de confortá-lo.

Embaraçou-se nos cabelos dela, querendo esconder as lágrimas que desciam.

Naquela madrugada fria e turbulenta, ele adormeceu nos braços dela.

Notas finais
Oi! E aí, galerê? Gostaram? Não se esqueçam de comentar, dar as suas opiniões, recomendar a leitura dessa fic aos amigos... a autora-san, como sempre, agradece demais! Bom, é isso... próximo capítulo é o Especial Hentariano, que ainda não decidi se vou dividir ou não. Sabem, é que percebi que esses especiais imensos encurtam a vida da fic. Se quiserem, podem opinar sobre isso também. Ajudem a autora-san a decidir. Um forte abraço pra LuHiuga, flor que fez uma lindeza de recomendação das minhas duas fics *0* você é demais garota! Aos leitores novos, se quiserem, deem uma olhada na minha outra fic: http://fanfiction.com.br/historia/500126/Lacos/ Seria ótimo ter a opinião de vocês por lá também. Espero que tenham gostado do capítulo! E mais uma vez, desculpem a demora! Até o próximo, que vou disponibilizar amanhã! Bjks!