Paraíso Sombrio

30 O deserto de uma alma que se entrega em sacrifício


Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Antes de qualquer coisa, um super Special Thanks à leitoras mais que divosas hinadiva e Lunnynha, pelas lindas recomendações de PS. Duplo Special Thanks para a lindeza de leitora-san, blackHeart, que além de fazer uma recomendação fofurosa, ainda me presenteou com imagens de capas personalizadas por ela para PS. Vocês fazem a festa do coração dessa autora-san! MUITO OBRIGADA! Sei que dessa vez demorei mais que o habitual para postar. (Quando entrei no Spirit e no Nyah!, tinha tanta mensagem de cobrança acumulada que achei que não fosse conseguir responder à todas elas, rsrsrsrs) Sei que vocês estavam preocupados, por isso, explico: Em decorrência de algumas complicações, tive que ser internada às pressas. Saibam que jamais irei abandonar a fic. Espero que vocês não me abandonem também. xD E anuncio: Estou em casa e bem, e PS continuará a todo vapor, com um capítulo por semana, (pois meu recesso acabou) dependendo do tempo e da inspiração, até dois xD Enfim... desculpem a demora! Senti uma saudade danada de vocês. Como todos estavam ansiosos pelo encontro de um certo casal, tive que adiantar um pouco as coisas. Babado NaruHiniano no próximo capítulo! hihihihihihii E espero que não me matem por causa do Gaara! MUWAHAHAHAHA! Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!



Do lado de fora da boate, Deidara, Sakura, Kiba e Sai – cuja expressão retorcida e um tanto carrancuda revelava seu desconforto com aquela situação misteriosa – aguardavam por algo que não sabiam exatamente o que era. O clima de tensão e confusão se instalava entre todos os presentes, e ninguém parecia exatamente feliz pelo rumo que os acontecimentos estavam tomando. Sai era o mais preocupado.

“Por que Ino e Naruto tem que ficar afastados daqui? Onde estão Jiraya e Shikamaru? Onde está Sasuke? Por que não estamos procurando pelo Gaara e pela Hinata?”

Essas eram as perguntas que Sai fizera para Sakura, mas a rosada havia ignorado todas elas. Parecia mais preocupada que o habitual. Tudo se resumia a expressão tensa que ela exibia a todos os presentes. Nada mais.

–Sakura, não me leva a mal, eu tô muito feliz por finalmente poder explodir alguma coisa, mas por que é que a gente tá fazendo isso, hein? – Deidara perguntou, posicionando-se perto do muro do lado de fora da boate. As marcas de seu jutsu haviam sido deixadas nos quatro cantos do térreo.

–Você consegue mesmo explodir um lugar desse tamanho? – Sakura perguntou, incerta, analisando a estrutura da boate de Hidan. Será que o jutsu de Deidara seria suficiente para colocar aquele prédio enorme abaixo?

–Tá de brincadeira, garota? – indignou-se Deidara – Esperei a noite toda por isso.

–Pois muito bem. Prepare-se.

–Me preparar pra quê? – o loiro questionou.

Novamente Sakura ficou em silêncio, os olhos verdes fixos no topo do prédio. Não sabia por quanto tempo mais conseguiria se esquivar dos questionamentos dos amigos.

–Hein, Sakura? – foi a vez de Sai intrometer-se na conversa, pressionando-a.

Mas novamente ele só obteve o silêncio como resposta.

–Sakura, o que está acontecendo? – Sai insistiu, mas a rosada apenas suspirou – Sakura! Isso tem a ver com o Sasuke?

–Confie em mim, tá legal? Sei o que estou fazendo. – ela finalmente respondeu.

–Ah, sabe? Então por que não NOS CONTA? – Sai questionou.

–Galera, foco. – Kiba chamou, querendo apaziguar a situação – Já que não sabemos direito o que está acontecendo, ao menos vamos tentar fazer as coisas darem certo, tá legal?

Sai bufou, revirando os olhos de frustração. Era inadmissível que ninguém fosse lhe esclarecer o que estava acontecendo ali.

Mas a discussão foi interrompida pela chegada de Jiraya e Shikamaru, que saiam da boate a passos apressados. Os dois já estavam parcialmente cientes da situação – Sakura havia informado tudo por telefone, assim como eles haviam informado o que acontecera com Asuma. Mesmo assim, o grupo que já aguardava do lado de fora não pôde evitar a tristeza que os invadiu ao verem o corpo de Asuma desfalecido sobre os ombros fortes de Jiraya.

–O que estamos esperando? – perguntou o sennin, a expressão vincada de seriedade. O clima de tensão apenas piorava a cada minuto que passava.

Os olhos de Sakura voltaram-se novamente para o topo do prédio.

–Um sinal. É isso que estamos esperando.

–Eu não vou conseguir fazer isso. – disse Hinata, a expressão de quem estava prestes a chorar.

O Uchiha suspirou.

“Paciência, Sasuke.”, ele lembrou a si mesmo. “Você não pode mata-la ou deixa-la para trás. Paciência.”

–Bom, Hyuuga, você vai ter que arranjar um jeito de conseguir. Quer que Gaara morra? – ele perguntou, mantendo a expressão impassível.

–Não! – Hinata alarmou, assustada. Pelo visto, Sasuke não fazia o tipo apegado à delicadezas.

–Então trate de se concentrar. – disse o moreno – Vamos, você já fez isso uma vez, lembra? Quando me jogou pra longe, na casa do Naruto. Mas, dessa vez, tente mirar nos capangas, e não em mim. – ironizou.

Hinata estreitou os olhos, indignada. Da outra vez, ele quase havia fritado seu cérebro, e seu poder havia se manifestado como uma defesa involuntária. O que ele estava exigindo dela naquele momento era algo simplesmente impossível.

–Não é tão simples assim, Sasuke. – a garota insistiu, começando a se desesperar. A cada minuto que passava, ela podia sentir que a tortura na sala ao lado ficava mais violenta. E a cada pancada que ouvia, Hinata estremecia, como se a dor de seu amigo fosse a sua também.

Gaara permanecia em silêncio de modo que, apesar do interrogatório feito pelo inimigo, era impossível dizer se o ruivo estava consciente.

–Tem razão. Talvez não seja tão simples. – disse Sasuke, aproximando-se um pouco da morena – Talvez você precise de um incentivo maior do que a vida de seu amigo em risco. – falou, ácido, segurando-a pelos ombros, fitando-a nos olhos – Talvez devêssemos deixa-lo morrer.

Hinata o fitou com uma expressão feroz. Como aquele homem podia ser tão insensível?

–Ou talvez – Sasuke prosseguiu, percebendo as alterações na atmosfera provocadas pela reação da Hyuuga – eu devesse procurar o Naruto e trazê-lo direto para as mãos do...

Mas o Uchiha não conseguiu concluir sua frase. Antes que as palavras saíssem de sua boca, Hinata o havia encostado na parede, com uma das mãos em sua garganta, comprimindo suas vias de chakra. A garota tinha as veias ao redor dos olhos um pouco ressaltadas, a expressão enfurecida.

–Ó... Ótimo. – ele murmurou com dificuldade, esforçando-se para falar, tarefa difícil quando Hinata apertava sua garganta com tanta força e precisão — Agora você só precisa aprender a atacar o INIMIGO. – enfatizou, irônico.

A morena retirou a mão do pescoço de Sasuke, ainda fitando-o com fúria. Era bom que ele aprendesse que não podia falar o que quisesse, quando quisesse, e ainda por cima, ousar ameaçar seus amigos. Ao mesmo tempo, ela sabia que aquela atitude não era necessária em se tratando do Uchiha; ele estava empenhado em salvar Gaara tanto quanto ela, e se utilizava de palavras cruéis para inflar suas emoções e despertar seu poder. Mesmo assim, era impossível não se enfurecer ao ouvi-lo falar aquelas coisas.

Enquanto colocava as ideias no lugar, as veias em seu rosto desapareceram, o poder se dissipando na medida em que ela perdia a concentração.

Sasuke alisou o pescoço, pigarreando. Hinata era mais poderosa do que ela mesma era capaz de imaginar. E ela o havia atacado. De novo.

–Pelo visto, o gatilho do seu poder são suas emoções. – ele disse, tentando manter-se inexpressivo.

Hinata novamente estreitou os olhos perolados na direção do moreno. Aquela atitude havia lhe deixado com um gosto de veneno na boca.

–Qual era mesmo o nome dele? – ela perguntou, repentinamente.

Sasuke a fitou, confuso.

–Dele quem?

–Do seu irmão mais velho. – Hinata respondeu, fitando o rapaz com atenção, tentando manter-se tão inexpressiva quanto ele.

Foi a vez de Sasuke estreitar os olhos. Sem saber exatamente aonde a garota queria chegar com aquela conversa, ele se deteve em responder ao que lhe fora perguntado.

–Itachi. Uchiha Itachi.

–Ele era bonito. Se parecia muito com você. – a garota comentou.

E, para a sua satisfação, ela viu quando os olhos negros de Sasuke ganharam o brilho avermelhado do poder desperto por alguns segundos, desaparecendo na medida em que ele tentava manter o controle de si.

–Já acabou? – ele perguntou, e sua expressão enfurecida revelava a perturbação de sua mente. Sasuke não era tão impenetrável e difícil de desvendar quanto imaginava.

–Pelo visto, o gatilho do seu poder são suas emoções. – ela falou, engrossando o tom, tentando imitar a voz e expressão sérias de Sasuke.

O Uchiha revirou os olhos.

–Naruto e Gaara são uma péssima influência para você. – Sasuke comentou displicentemente, repetindo, sem saber, as palavras de um certo ruivo – Estão te ensinando a ser manipuladora.

–Ah, sim, porque você não é nem um pouco manipulador.

–Foco, Hyuuga. Gaara está morrendo. – ele alfinetou, sem dó.

A estratégia funcionou. Hinata esqueceu-se totalmente da arrogância de Sasuke para se lembrar de Gaara.

–Eu não vou conseguir. – ela repetiu, mais para si mesma do que para o Uchiha.

–Você não tem escolha. Se não conseguir, ele morre.

–Você é poderoso, poderia salvá-lo sozinho num piscar de olhos... Ou poderíamos chamar alguém, talvez...

–Hinata, – Sasuke interrompeu – não podemos chamar ninguém, ou colocaremos mais pessoas envolvidas em um problema sério. Teremos que fazer isso sozinhos, então, por favor, trate de se concentrar. Você só precisa conhecer o seu poder e controla-lo.

–Eis a questão. Eu não conheço meu poder, muito menos consigo controla-lo.

–Só precisa invoca-lo, e ele aparecerá. O controle virá com a prática e com o tempo.

–Invocá-lo? Como assim?

Sasuke a fitou, confuso. Será que não haviam explicado nada àquela garota?

–Sim... invocar seu poder. Chamá-lo pelo nome. Você é uma Hyuuga, deve conhecer a tradição de poder do seu clã.

–O quê? – Hinata grunhiu, sem entender nada.

O Uchiha a fitou, impacientando-se. Não tinha tempo para explicar aquilo a ela.

–Se Jiraya ou Naruto não explicaram isso, é porque você precisa descobrir sozinha, como um jinchuuriki descobre o nome de seu Bijuu. Ou talvez... – ele divagou, mais consigo mesmo do que com Hinata – Talvez, você só precise se lembrar.

–Me lembrar? Me lembrar de quê?

–Não sei. Pense bem... não há nenhum vestígio em sua memória que a faça lembrar de seu poder? Não há nenhuma lembrança insistente que tenha reaparecido em sua mente desde quando Naruto a resgatou?

Hinata vasculhou sua memória em busca de alguma resposta para as perguntas de Sasuke.

Nada.

–Pense bem, Hyuuga. – o Uchiha incentivou – Pense na sua infância, pense nas pessoas de sua família. Deve haver alguma coisa.

A morena desviou os olhos dele, tentando se concentrar. De certa forma, as perguntas de Sasuke fizeram com que Hinata se lembrasse de algo que a estava perturbando há alguns dias. Uma memória insistente que se pintava todas as noites em seus sonhos, uma canção de ninar, uma voz suave e maternal que insistia em cantarolar seu nome... Desde que conhecera Naruto, Hinata sonhava com sua mãe quase todas as noites, lembranças que ela fazia questão de enterrar em um lugar bem fundo de sua memória, juntamente ao restante de seu passado. Para ela, a vida começara no instante em que seus olhos encontraram os de Naruto pela primeira vez.

–Talvez... mas são lembranças incompletas. – ela murmurou, sem querer se deter àquilo. Provavelmente, não era nada. Mentalmente, Hinata tentava se convencer de que suas lembranças nada tinham a ver com os questionamentos de Sasuke.

–Tudo bem, tudo bem, não temos tempo para isso. – o moreno resmungou, impaciente – Se você não consegue se lembrar, teremos que fazer isso do meu jeito.

–E como é o seu jeito? – perguntou Hinata, receosa.

O Uchiha lhe exibiu um sorriso torto.

–Assim. – ele respondeu, para em seguida empurrar a garota em direção à porta.

O corpo da morena atingiu a superfície de madeira, fazendo-a ceder. Assustada e um pouco desengonçada, Hinata se virou na direção dos três seguranças que guardavam a sala de tortura.

Eles sorriram. A presa estava de volta.

Gritos.

Pancada.

Sangue.

Silêncio.

Gaara tentava se concentrar na cadência dos acontecimentos para permanecer consciente. “Eu preciso ficar aqui”, ele tentava, mentalmente, se convencer. “Preciso aguentar tudo isso calado”, sua consciência argumentava. Mas, na medida em que a tortura avançava, seu raciocínio perdia o rumo, e ele sequer conseguia se lembrar o por quê de estar ali, sendo espancado e questionado. Tudo o que ele sabia era que, se ficasse, aqueles a quem amava teriam tempo de deixar o local e ficarem livres. Rezava para que Hinata tivesse conseguido alcançar os outros e levá-los embora dali. Dessa forma, seu sacrifício seria válido.

Ele quase sorriu com aquele pensamento. Pelo menos, morreria por aqueles a quem amava. Sacrificar-se, de certa forma, não era a pior forma de morrer.

Um dos capangas passou a mão na testa, limpando o suor que escorria. Suspirou, impaciente e desanimado.

–Ele não vai falar nada, cara. – murmurou, cansado.

Gaara estava pouco consciente do que se passava ao seu redor, mas, se tivesse forças, teria suspirado. Estava sendo torturado há horas, desde o momento em que havia sido pego junto com Hinata. Ali dentro, ele perdera a noção do tempo, – não sabia se ainda era noite, madrugada, ou se já havia amanhecido – mas sabia que os capangas já deveriam ter deduzido que ele não iria abrir o bico. Por que não o matavam de uma vez?

Seu corpo já não doía mais, não respondia às pancadas, e aquilo era, para ele, um bom sinal. Enquanto sentisse dor, significava que seu corpo estava resistindo. Quando já não fosse capaz de sentir mais nada, a morte chegaria naturalmente, mesmo que os capangas não o matassem. Afinal, havia limites que nem mesmo o corpo de um jinchuuriki poderia suportar.

O selo em sua mente estava totalmente enfraquecido, porém, Gaara não conseguia ouvir nada mais que o suspiro pesado de Ichibi. Estranhamente, o Bijuu não parecia estar em seu mau-humor habitual. Sua consciência estava tranquila. Em paz.

“Desculpe, companheiro.”, o ruivo murmurou, mentalmente. “Parece que chegamos ao fim da estrada. Sinto muito por levar você junto comigo.”

O Bijuu se agitou, enfraquecido pela rendição de Gaara. Suspirou pesadamente antes de responder.

“Você foi um grande guerreiro, menino. Seu mestre ficaria orgulhoso. E eu também estou. Acho que já ensinei tudo o que você precisava saber...”

"Como assim?", Gaara perguntou, confuso.

“Você entregará seu corpo ao inimigo e, dessa forma, salvará seus amigos. Seu sacrifício não será em vão. Aquela menina loira irá sofrer, seus irmãos irão sofrer. Mas sua alma estará em paz. Isso também é amor, Gaara.”

O ruivo suspirou. Não queria chorar naquele momento – de nada adiantaria derramar lágrimas. De qualquer forma, não se arrependia. Sua família iria sofrer, porém, a dor passaria. O caso da chacina dos mestres seria solucionado, ele acreditava nisso, e todos viveriam em paz. Era o que importava. Seu Bijuu tinha razão. Aquilo era amor.

“Obrigado, Shukaku. Por tudo. Você foi um grande mestre. Obrigado por ajudar a me salvar de mim mesmo. Obrigado por ter me ensinado sobre o Amor e sobre a vida. Me desculpe por ter sido um péssimo jinchuuriki.”

O Bijuu novamente suspirou. Não era muito dado a sentimentalismos, mas aquele parecia mesmo ser o fim. A consciência de seu hospedeiro estava cada vez mais enevoada. Gaara não aguentaria por muito tempo.

Era hora de dar adeus.

“Você foi um excelente jinchuuriki, garoto. Obrigado por me libertar do deserto... e da solidão...”, disse Shukaku, fechando os olhos, preparando-se para descansar por toda a eternidade. Cumprira sua missão, afinal. Gaara havia se tornado um grande homem. Mas, para ele – assim como para Sasori, o Bijuu tinha certeza – o ruivo jamais deixaria de ser o menino de rua que havia sido encontrado há muitos anos atrás, com quem convivera desde o nascimento, mesmo quando ele ainda não era capaz de reconhecer a sua voz. Gaara era, sem dúvida, um grande jinchuuriki. Era a areia que alimentava o deserto de sua alma, agora, não tão solitária assim. A areia que alimentou a existência de Sasori e a sua. Shukaku sabia que não existia ninguém como aquele garoto.

E ele o amava, com todo o seu poder.

O coração de Gaara falhou uma batida.

E depois outra.

Ele sorriu fracamente. Será que encontraria seu mestre, depois que se fosse? Nunca havia acreditado nesse tipo de coisa mas, naquele momento, esperava que sim. Esperava que seu mestre o esbofeteasse e reclamasse de sua demora, e em seguida, o abraçasse. Gaara pediria desculpas pelo atraso, só para ser acertado com outro cascudo certeiro. Esperava poder ver aquele sorriso franco e acolhedor recebendo-o mais uma vez, de braços abertos.

Seria como voltar para casa. E ele estava pronto.

Sua mente, já enevoada, começou a ser tomada por imagens da areia que o envolvia de forma cálida e familiar. A vida e a morte nas areais do deserto. Nada mais apropriado.

“Adeus, Ichibi...”, despediu-se o ruivo, aceitando, de bom grado, o torpor que o abraçava como um alento.

Não havia mais areia para alimentar o deserto da alma que se entregava em sacrifício.

–Ele é teimoso igual aquele mestre filho de uma puta. – cuspiu um dos seguranças – Aquele tal do cabelo rosa, como era mesmo o nome dele?

–O do coração esquisito? – o outro tentava se lembrar — Sas... Sus... Sos...

–Sasori! Era esse o nome do desgraçado. E como ele demorou pra morrer! – o primeiro parecia nostálgico com a recordação.

–E também não soltou a língua, igualzinho a esse daqui... que raça teimosa!

Os olhos de Gaara, que já estavam fechados, prontos para entregar-se à escuridão, se abriram repentinamente. Ele ergueu a cabeça, sentindo o Bijuu fazer o mesmo. Os olhos vidrados fitaram os dois seguranças como se ele estivesse tomado por alguma força desconhecida.

“Desculpe, Ichibi... não é hora de dar adeus ainda.”, o ruivo avisou, sentindo, pouco a pouco, a fúria fazê-lo recobrar os sentidos e a consciência.

O Bijuu se agitou.

“Imaginei.”, Shukaku respondeu, feroz.

Os seguranças continuaram a tagarelar, distraídos.

–Aquele cara foi mesmo osso duro de roer... ele matou dezoito homens sozinho e de uma só vez com aquele poder esquisito! E deixou uns dez aleijados!

–Ele me deixou uma cicatriz. – o outro segurança exibiu a marca no pescoço – Escapei por pouco daquele merdinha...

–Enfim. – o outro interrompeu os devaneios odiosos do capanga – Já que esse daqui não vai soltar nada, é inútil. Vamos acabar logo com ele antes que o chefe fique com problemas.

–Certo, certo... – o segurança respondeu, apontando a arma na têmpora de Gaara, que ainda estava com os olhos vidrados. – Te vejo no inferno, jinchuuriki de mer...

Porém, antes que pudesse terminar a frase, o outro segurança gritou, colocando as mãos na cabeça, como se estivesse prestes a ter um ataque. Em convulsões, o homem se atirou no chão, a espuma em sua boca misturando-se a uma areia esquisita que parecia ter vida própria e saia por todos os poros do capanga. O que estava com a arma na mão se afastou de Gaara, aproximando-se do outro, confuso. Chamou pelo companheiro, mas ele não ouvia. Não tardou até que o sangue fizesse parte da mistura de areia e baba, e logo o homem parou convulsionar. O corpo inerte estirado no chão deixou o cenário ainda mais macabro do que já era.

Quando o outro capanga voltou os olhos para o prisioneiro, ele já não estava mais lá. As correntes estavam despedaçadas e retorcidas. Assustado, o homem vasculhou o quarto com os olhos. Quase morreu de susto quando, repentinamente, uma mão – que ainda carregava pedaços de corrente presas no pulso – agarrou-lhe o pescoço com força contra a parede.

–Mas o que você...

Gaara apertou ainda mais o pescoço do homem, seus olhos vidrados revelando o descontrole que explodia em sua mente.

Com dificuldade, o homem tentou balbuciar o que poderiam ser as suas últimas palavras.

–O que... é... você... afinal?

–Eu? – respondeu o ruivo, sem conseguir nortear os pensamentos. Sua mente já havia suportado coisas demais. Estava chegando perto dos limites de sua sanidade, e aquilo seria um perigo, tanto para ele, quanto para quem quer que estivesse por perto — Eu sou o discípulo do filho da puta que te fez essa cicatriz. O nome dele era Sasori, lembra? Vim terminar o serviço que ele deixou incompleto.

O capanga arregalou os olhos, prestes a suplicar pela própria vida, mas a mão de Gaara o estrangulava devagar, sufocando-o lentamente como um castigo meticulosamente planejado.

Shukaku arranhava as grades de sua mente, rugindo forte e alto, querendo se libertar. Sasori era uma de suas lembranças mais bonitas. Foi aquele mestre que o libertara das sombras da mente de Gaara. O Bijuu também sentia raiva.

Gaara exibiu ao capanga um sorriso insano, concordando, silenciosamente, com Shukaku.

Agora ele sabia por onde começar sua vingança.

Sem saber direito o que fazer, Hinata ergueu os punhos cerrados na frente do corpo. Não tinha ideia do que viria em seguida. Tentava se lembrar de como engatilhar seu poder, mas sua mente parecia ter se esvaziado com a tensão. Arriscou olhar, de soslaio, para trás, mas Sasuke não havia entrado junto com ela.

Maldito Uchiha. Ele seria o primeiro a quem Hinata esbofetearia quando, enfim, controlasse seu poder. Ela o mataria, com certeza. Aquele inútil, traidor. Como ele poderia tê-la deixado sozinha, entregue aos tubarões?

Tentando esquecer-se das frustrações causadas por Sasuke, a garota fixou os olhos nos capangas que se aproximavam lentamente e com um sorriso nos lábios. As pérolas de seu olhar disparavam de um para outro sem que ela tivesse nenhum pingo de inspiração sobre o que deveria fazer.

Naquele momento, Hinata jurou que Sasuke pagaria por aquilo.

Desnorteada pelo medo, ela deu um passo para trás, depois outro, depois outro. Suas costas esbarraram na porta por onde havia entrado, que agora estava fechada. Quem a havia trancado ali?

Ótimo, ela iria morrer. Se não morresse pelas mãos dos seguranças, morreria de um ataque de nervos, ou do coração. Sua pulsação disparava como louca, martelando em seus ouvidos. Sim, iria morrer. Com certeza iria.

O primeiro capanga avançou na direção de Hinata, encurralando-a na porta. Seus dedos tocaram o rosto da morena que, paralisada pelo medo, não conseguiu reagir de forma alguma.

–Você é tão linda, menina... Acho que, antes de entregar você pro chefe, a gente pode se divertir um pouco... né, rapaziada? – disse o homem, enquanto os outros concordavam e riam como hienas retardadas.

Os olhos da Hyuuga, já arregalados de pavor, agora quase saltaram de seu rosto.

–Primeiro eu! – gritou o capanga, vendo que os outros já se aproximavam de sua presa – Quero ver um pouco mais dessa pele alva... – murmurou, as mãos alcançando as coxas de Hinata. As unhas se arrastaram pela pele branca, deixando marcas vermelhas, subindo um pouco a saia que ela usava.

Os outros homens continuavam a rir, como se aquele fosse algum tipo de espetáculo do qual estavam acostumados a participar.

O homem continuou subindo a saia da morena, devagar, prestes a arrancar completamente a peça do corpo trêmulo de Hinata. Seu corpo colado ao dela revelava quanto desejo sentia de tomar o corpo bonito da garota.

Aterrorizada, tudo o que Hinata conseguia fazer era arregalar os olhos. De medo, de pavor. De nojo.

–Você vai ser minha, garotinha. – ele anunciou.

E foi quando aconteceu.

A cabeçada atingiu a testa do homem como uma bola de canhão. Os cabelos negros e compridos que se balançavam com o movimento brusco quase o cegaram, mas ele ainda pôde ver quando a garota girou com os braços em forma de hélice, atingindo-o de baixo para cima, num golpe certeiro que o arremessou para longe.

Desesperado, o homem tentava recuperar o ar, mas ele não vinha. Suas vias de chakra haviam sido obstruídas. O oxigênio não estava circulando dentro de seu corpo.

Agonizando, ele ainda pôde ver quando o corpo da jovem deslizou pelo chão imundo rumo aos outros capangas. A pele do rosto da garota parecia enrugada, como se as veias atravessassem os limites naturais. Os lábios curvados para baixo, em sinal de fúria, era a expressão que completava o quadro macabro que a prisioneira pintava naquele quarto isolado.

Hinata podia ver tudo. A energia correndo pelo corpo dos capangas que a cercavam, que sentimentos eles traziam, se estavam com medo dela, ou se a enfrentariam sem qualquer problema. Os sentimentos expostos eram a fraqueza daqueles homens, pois ela sabia que eles a temiam. Sem sequer parar para raciocinar direito, seus olhos revelavam que ponto atacar, as mãos habilmente atingindo o corpo do inimigo. Sem receio. Sem hesitação.

Sem piedade.

Um dos capangas segurou seus braços, puxando-os para trás, mas aquilo não a prendeu por muito tempo. Hinata jogou a cabeça para trás, ouvindo o nariz do homem estralar com o baque. Livre, ela se virou, apoiando o pé direito na coxa do capanga e, em seguida, o joelho esquerdo no ombro do inimigo. Novamente sem hesitar, suas mãos hábeis atingiram o pescoço do homem sem que ele pudesse sequer gritar por socorro. A garota saltou de cima dele para observá-lo cair, desmaiado.

Faltava um.

Mas, pelo poder que circulava livremente em seu corpo, Hinata achava que aquele homem não seria um grande problema.

Involuntariamente, seus pés se moveram, posicionando-se em forma de defesa. E quando achou que o capanga investiria em sua direção, preparou-se para atacar.

Porém, para a sua surpresa, tudo o que o segurança fez foi correr do lugar, escancarando a porta para fugir o mais rápido que conseguia. Que tipo de aberração era aquela? De onde havia saído todo aquele poder?

Vendo o homem correr, a Hyuuga não se moveu. O mundo a sua volta ficava completamente diferente quando seus olhos estavam daquela maneira. ELA ficava totalmente diferente quando seus olhos estavam daquela maneira. O poder vivo revelava a essência das coisas, das pessoas, de tudo. Seu Dom fazia com que ela se sentisse invencível. Inacreditavelmente invencível.

Afinal, ela havia acabado de enfrentar três homens sozinha. Aquilo era alguma coisa, não era? Ela estava mesmo diferente. Podia sentir isso.

Mas não pôde se concentrar nesses pensamentos por muito tempo. Duas batidas leves na porta chamaram sua atenção, fazendo com que olhasse para trás.

–Toc, toc. – disse Sasuke, sorrindo tranquilamente, arrastando o homem que havia fugido de Hinata pelos cabelos. O capanga estava inconsciente – E ai?

–“E ai”?! “E AI”?! Você me joga na jaula dos leões e pergunta “E AÍ”?! – Hinata se controlava para não gritar, temendo chamar a atenção de mais inimigos.

–Ah, não faça drama. Eu sabia que você iria conseguir. Estava aqui do lado de fora, de olho. – o moreno comentou, distraido.

A Hyuuga estreitou os olhos.

–Eu vou esbofetear você, Sasuke. Juro que vou.

–Foco, Hinata. Gaara está na outra sala. – respondeu o Uchiha, a fim de desviar-se da fúria da garota.

Ela bufou e, a duras pisadas, dirigiu-se para a outra porta, na intenção de resgatar seu amigo. Esperava, do fundo de seu coração, que não fosse tarde demais.

E não era.

Ao abrir a porta, Sasuke e Hinata se depararam com o pavoroso cenário dentro da sala de tortura. As ferramentas que haviam sido utilizadas em Gaara estavam todas ali, tingidas com o sangue do ruivo. A precária iluminação das lâmpadas das salas vizinhas que entrava pelas frestas de ventilação iluminava os corpos de dois homens estendidos no chão.

Escondido nas sombras, um terceiro corpo jazia sentado, encostado na parede, os olhos vidrados, fixos no vazio.

Era Gaara.

Hinata apressou-se em se aproximar do amigo, preocupada e confusa. Sasuke continuou na porta, a expressão séria e lívida diante da cena à sua frente. Seus dedos ainda arrastavam o corpo desfalecido do segurança que havia tentado fugir da Hyuuga.

–Gaara! Gaara! Está tudo bem? – a morena perguntou, aproximando-se do amigo com cuidado. Receosa, ela tocou o rosto do ruivo, querendo que ele a encarasse – Gaara, está me ouvindo? O que houve?

O Sabaku piscou, engolindo em seco. Seu rosto estava cheio de feridas e hematomas, suas roupas esfarrapadas, seu sangue espalhado por toda parte. Estava fraco demais para pensar, para falar. Apenas tentava se deter no pensamento que salvava o pouco da sanidade que lhe restava.

Tudo o que conseguiu fazer foi fitar a garota de forma acusadora.

–Você não está tentando reclamar porque eu não fui embora, está? – questionou Hinata, incrédula – Você sabe que eu não te deixaria aqui para morrer. – afirmou, sentindo os olhos marejarem.

A cabeça de Gaara pendeu para trás, encostando na parede. Não conseguia responder.

–Você... você os matou? – Hinata perguntou baixinho, sem querer acreditar no que estava vendo.

Gaara fechou os olhos, tentando lembrar-se de como mover os lábios. De como raciocinar. De como falar.

–N... Nã...o...

A garota suspirou de alivio, dando graças silenciosas pelo fato de que os homens não estavam mortos. Era estranho pensar que, um minuto atrás, era ela quem desejava mata-los, como vingança à tudo que haviam feito com Gaara. Mas ainda havia uma pequena parte dela que desejava manter-se longe dessas situações arriscadas. E as vezes, essa pequena parte falava mais alto do que todas as outras. Já bastava de tanta violência, tanta morte, tanta carnificina.

Porém, ela também sabia que era impossível negar o fato de que estava se habituando à guerra. A sensação da adrenalina correndo nas veias, do coração martelando forte, do perigo iminente. Hinata sabia bem que, quando seu poder despertava, ela se sentia diferente. Mais ousada, mais valente, mais corajosa. Mais ela mesma, de um jeito que não havia sido até então. Mais viva.

–Vamos... Vou tirar você daqui. – a Hyuuga disse, colocando um dos braços de Gaara sobre seus ombros, a fim de ajuda-lo a levantar e a andar.

Gaara arrastava-se apoiado em Hinata, sentindo cada músculo, cada nervo, cada célula em seu corpo doer como o inferno. Aquelas pessoas sabiam bem como torturar um jinchuuriki. Não era a primeira vez que faziam isso.

Hinata e Gaara passaram por Sasuke, que continuava na porta fitando o corpo dos dois homens desmaiados naquele quarto imundo. Sua expressão era de pura fúria e desprezo.

–Vamos, Sasuke. – a morena chamou, percebendo a raiva que emanava do corpo do Uchiha — Já foi derramado sangue demais. Já chega.

Mas o moreno não se moveu.

–Eu sei o que você está sentindo. Eu também... – Hinata se interrompeu, mas achou melhor prosseguir. Seria bom admitir para si mesma o que estava sentindo – Eu também tenho vontade de mata-los. Muita vontade. Mas não vou fazer isso. NÓS não vamos fazer isso.

A cabeça de Gaara tombou para frente, o corpo se agitando nos braços de Hinata. Uma lufada de sangue escapou de sua boca, as pernas fraquejando por um momento.

Mentalmente, o ruivo tentava se manter consciente. Só mais um pouco. Já estava chegando ao fim. Tudo ficaria bem.

–Vamos, Sasuke. – a garota chamou mais uma vez.

O Uchiha estreitou os olhos, contrariado. Raio de Hyuuga irritante. Como é que Naruto aguentava aquela garota?

Revoltado, o moreno se virou na direção de Hinata, novamente trazendo o corpo do segurança junto de si.

Ao chegarem no corredor, a garota parou um instante.

–Pra quê você está arrastando esse cara? – ela perguntou, confusa.

–Porque ele é nosso sinal pra sairmos daqui. – Sasuke respondeu, vagamente.

–Sinal? Como assim? – Hinata insistiu.

Mas o moreno não respondeu.

Apenas atirou o corpo desmaiado na direção da única janela que havia ali.

O barulho de vidro sendo estilhaçado foi o suficiente para atrair a atenção do grupo que aguardava nervosa e ansiosamente do lado de fora. Quando o corpo de um homem desconhecido e inconsciente foi jogado para fora do prédio, mergulhando rapidamente de encontro ao asfalto, Sakura fitou Deidara com uma expressão sugestiva.

–Agora! – gritou a rosada.

–Finalmente! – alegrou-se Deidara, os olhos azuis brilhando de empolgação — Hora do show, galera... Vejam! Minha arte é uma explosão! KATSU!

Ouviram então a primeira explosão. A primeira viga, na parte de trás do prédio, despedaçou-se, cedendo. Os primeiros gritos começavam a soar, nítidos, vindo de dentro da boate.

Cinco segundos depois, a segunda explosão fez-se soar.

–Vamos... – Sakura murmurava para si mesma, os olhos fixos na construção que cedia, pouco a pouco, de encontro ao chão – Vamos... aonde vocês estão...

A terceira explosão.

Todos esperavam, ansiosos.

–Vamos... VAMOS... – Sakura resmungava, ansiosa.

A quarta explosão.

–Sakura, aonde estão os outros? – Sai perguntou, começando a se desesperar.

A rosada fitava a construção explodindo, sem querer acreditar que o plano havia falhado.

–Sakura! – Kiba gritou, nervoso – Sakura, por que eles não saem? O que deu errado?

Jiraya e Shikamaru permaneciam em silêncio, enquanto Deidara fitava, extasiado, as cores diversas que pintavam o céu da madrugada de fogo e fumaça.

–Eu... eu... – Sakura tentou balbuciar, incrédula – Eu...

–Querem nos matar?! Que diabo de tanta explosão é essa?!

Todos suspiraram de alívio ao ouvir a voz feminina indignada que irrompeu em meio às explosões.

Sob a cortina de fumaça, dois vultos se aproximavam, arrastando um terceiro. Sasuke, Hinata e... Gaara. Sãos e salvos. Bem, nem tão sãos e salvos assim, mas todos estavam felizes por finalmente terem saído daquele lugar estranho.

As explosões continuavam, e os gritos, pouco a pouco, eram silenciados.

–Vocês estão bem? – Kiba perguntou, aproximando-se de Hinata.

–Não é hora pra isso. – Shikamaru cortou secamente – Entrem no carro, vamos embora daqui.

Ninguém questionou a autoridade na voz do rapaz.

Jiraya colocou o corpo de Asuma no banco de trás de seu carro, junto à Sai e Deidara – que havia sido arrastado por Sai, porque queria ficar e observar a sua “arte”. Sai havia lhe dado um cascudo, chamando-o de volta para realidade. O moreno achava que Deidara era completamente insano, as vezes. Insanamente lindo.

Shikamaru foi no banco do carona, em silêncio. Mesmo que todos tivessem escapado, o preço pago havia sido muito caro. Todos sabiam disso.

No outro carro, Sasuke dirigia, Kiba estava sentado no banco do passageiro, enquanto Hinata ia no banco de trás, apoiando Gaara em seus braços. Sakura também estava no banco de trás, as mãos impostas sobre o corpo devastado do Sabaku, colocando suas habilidades curadoras em ação. O ruivo estava enfraquecido, um retrato pálido do rapaz forte e brincalhão que Hinata conhecia. Era difícil vê-lo daquela maneira, mais difícil ainda ter que imaginar a reação de Ino ao vê-lo naquele estado, e ainda ter que lidar com o fato de que seu mestre estava morto.

O silêncio prevalecia dentro do carro, mas a língua da Hyuuga coçava para externar a pergunta que martelava em sua mente. Sem resistir ao impulso de sua curiosidade, ela murmurou baixinho:

–Por que você não matou aqueles homens, Gaara?

O ruivo estava com os olhos fechados, mas ela sabia que ele não estava dormindo. Sentiu-o suspirar profundamente, buscando forças para responder. A energia de Sakura, de certa forma, estava começando a fazer efeito. A dor começava a atenuar um pouco. Só um pouco.

Gaara abriu os olhos.

–Eles... torturaram... o Sasori... – ele balbuciou.

Hinata permaneceu em silêncio, esperando que Gaara continuasse. E assim ele o fez:

–Mas não foram eles quem o mataram... São apenas... peões... peças de sacrifício, como Shikamaru diria... E eu queria mata-los. Queria muito... – o ruivo suspirou, tentando recuperar o fôlego. Falar era difícil – Mas... por incrível que pareça, nesse momento, lembrei-me de meu mestre. De como ele iria me bater e bronquear caso soubesse do que eu estava prestes a fazer, do que fiz até agora... Fiz tudo ao contrário do que ele me ensinou. Abandonei minha família, aqueles que me ensinaram o que é o amor. Abandonei tudo em busca de algo que Sasori repugnava: vingança. Meu mestre não queria isso... Acho que ele só queria que eu fosse feliz... Que aproveitasse a vida que ele salvou, pela qual ele se sacrificou. Sasori era surtado, mas ele era... ele era tudo pra mim. Foi ele quem me ensinou a não chegar atrasado aos compromissos... – o ruivo riu com a lembrança – A não magoar aqueles que se importam comigo de propósito... a ser humano, a cuidar daqueles que amo... Foi ele quem me ensinou a amar de verdade, e a viver. Me ensinou que a vida é curta e preciosa, e por isso, é necessário aproveitá-la ao máximo. Resolver as pendências, assumir as responsabilidades e... viver. Viver a vida que ele salvou.

–Então você não quer mais se vingar? – Hinata perguntou, sorrindo de contentamento.

–Eu nunca disse isso. – ele respondeu, e o sorriso no rosto de Hinata desapareceu – Não ouviu o que acabei de dizer? Sasori me ensinou a resolver todas as pendências, a assumir as responsabilidades. Não desistirei de achar o maldito que o matou. Mas antes, eu não sabia o que iria fazer quando tudo se resolvesse. Agora eu sei.

–E o que é? – a morena perguntou.

Gaara sorriu fracamente para ela.

–Viver. – o ruivo respondeu – A vida é muito curta para sofrermos para sempre... – disse, fechando os olhos novamente, entregando-se à exaustão.

Hinata resolveu deixar o amigo quieto, descansando, até chegarem aonde quer que estivessem indo. Não tardou até que Gaara adormecesse em seu colo, ainda sob às mãos curadoras de Sakura.

Seus olhos perolados estavam fixos na estrada, enquanto ela pensava em tudo o que o ruivo havia dito.

Ele tinha razão. A vida é curta demais para que ela sofresse para sempre.

Hinata tinha uma nova vida, uma nova família. Um novo coração, um novo poder. Um novo jeito de “ver” as coisas. Sim, Hinata tinha uma nova vida... e ela era curta. Era hora de começar aproveitar.

Naquele momento, ela também sabia o que iria fazer. E quem desejava, ansiosamente, encontrar.

E, principalmente...

Hinata sabia exatamente em quais braços gostaria de se perder para, finalmente, começar a viver de verdade.

Notas finais
Oi! E aí? Gostaram? Finalmente esse povo saiu dessa boate! O.O O que acharam das tretas envolvendo Sasuke e Hinata? O clima tá tenso com a morte do Asuma... Digam ai, dei um susto em vocês com o Gaara, não dei? Certeza que tinha gente quase morrendo e já planejando uma morte lenta e dolorosa para a autora-san... como vocês são cruéis! Com quem aprenderam a ser desse jeito, galerê-san? Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk O que acharam das cenas envolvendo o Gaaritcho? Tadinho, sofreu, hein? Mas a recompensa dele tá vindo ai (é isso mesmo que vocês estão pensando, hihihihihii vou falar mais nada! :x) E, finalmente... Hinatinha tá decidida, hein? A essa altura, Narutim deve estar enlouquecendo, já. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Digam ai, quais as expectativas de vocês para o próximo capítulo? Mais uma vez, peço desculpa pela demora, mas como já expliquei, tive meus motivos. Não se esqueçam de me contar o que acharam do capítulo! O próximo deve sair logo, loguinho, então aguardem ;) Bjks!