Paraíso Sombrio
31 Precipício
Notas iniciais
Os dois carros pararam em frente à floricultura, mas não havia pressa ou urgência nas expressões daqueles que desciam do veículo. O desânimo era o sentimento geral de todos ali, exceto por uma única pessoa.
Hinata parecia completamente alheia a tudo que acontecia ao seu redor. Quando desceu do carro, mal percebeu que havia uma certa loira sentada no batente da calçada, espumando de raiva, apenas aguardando a chegada daquele a quem desejava estrangular.
–COMO VOCÊ OUSA ME DEIXAR DOPADA EM CASA ENQUANTO ESTÁ POR AI NO MEIO DA NOITE SE DIVERTINDO?! – gritou Temari, assim que viu Shikamaru saltar do carro.
A Sabaku estava com parte do braço enfaixado, e havia acordado sozinha, no meio da noite, na casa de Naruto. Após vagar pelos cômodos, percebendo que havia sido deixada para trás, ela resolveu ir até o único local em que conseguiu pensar: a Floricultura Yamanaka, onde trabalhava aquela loirinha feiticeira psicopata pela qual seu irmão era apaixonado mas teimava em não admitir.
–ONDE ESTÁ AQUELA CURADORA DOS INFERNOS?! – ela continuou berrando, procurando por Sakura, que provavelmente era a pessoa que a havia dopado — EU VOU MATÁ-LA JUNTO COM VOCÊ!
Mas a expressão que Shikamaru lhe exibiu em retorno aplacou sua fúria. Não havia raiva, ódio, irritação ou impaciência. Não havia nada. Nada a não ser a mágoa imensurável que insistia em tomar os olhos do Nara.
Ah, não. Ela conhecia aquela expressão. Era a mesma que estampava o rosto dela há algumas semanas, quando recebera a noticia de que Sasori estava morto.
Ele passou direto por ela, entrando na floricultura sem dizer uma única palavra sequer.
E somente quando retiraram o corpo de Asuma de dentro do carro, Temari compreendeu o que ele deveria estar sentindo. Afinal, ela também havia experimentado aquela dor.
Quando enfim se deu conta de que Hinata tentava tirar Gaara de dentro do carro, a loira se apressou em ir ajuda-la, para logo concentrar-se em reprimir um grito de horror.
–Gaara?! – ela alarmou, surpresa e um pouco apavorada – O que houve?!
Hinata não respondeu. Parecia desligada de todos os acontecimentos ao seu redor. Sua cabeça girava em torno de um único objetivo, de uma única decisão.
Ela não poderia sofrer para sempre.
–Pode cuidar dele para mim? – a Hyuuga pediu – Tem algo que preciso fazer.
–Claro... – Temari respondeu, colocando um dos braços de Gaara sobre seus ombros.
–Não... Não me deixe com ela, Hinatinha... ela com certeza vai terminar de me matar... – o ruivo murmurou.
–Cala a boca se não eu te mato mesmo. – Temari respondeu, estreitando os olhos.
Mas Hinata parecia não ter ouvido. Apenas entrou na floricultura, dirigindo-se até onde ela sabia que estava tudo o que precisava encontrar.
–INO! EU VOU MATAR VOCÊ! VOU MATAR VOCÊ E A SAKURA! VOU FAZER PICADINHO DAS DUAS!
Os berros de Naruto ecoavam por toda a amplidão do jardim, perdendo-se no vazio, sem qualquer resposta. Já havia tentado sair dali de todas as maneiras, mas sempre que tentava abrir a porta que dava para a floricultura ou pular o muro que cercava o local, sentia sua pele arder de forma enlouquecedora. Ao tocar a maçaneta da porta, mesmo que a superfície de sua mão continuasse intacta, ele sentia como se estivesse sendo queimado vivo, seu chakra se esvaindo, enfraquecendo-o de tal maneira que ficava à beira de um desmaio. Ao se afastar dos muros ou da porta, seu chakra voltava a circular normalmente no corpo, fortalecendo-o. Mas era só voltar a tentar para sentir-se novamente ardendo em chamas que lhe pareciam queimar a alma, e não a pele.
Devia ser algum tipo de selo especial. É claro.
–Droga de feiticeira dos infernos! – ele praguejou pela centésima vez. Mais um dos jutsus estranhos de Ino. Gaara tinha razão. Aquela loira era uma psicopata — VOU DAR VOCÊS DE COMIDA PRA KYUUBI, ENTENDEU? – ameaçou, sabendo que ela não deveria sequer estar escutando-o – EU VOU COLOCAR ESSA FLORICULTURA ABAIXO! INOOOOO!
A resposta àquelas ameaças era apenas o eco de sua própria voz.
Naruto não sabia mais o que fazer. Estava enlouquecido de preocupação, afinal, seu mestre e seus amigos estavam em perigo, podia sentir isso. Ele era forte, poderia ajudar com seu poder. Não que Kyuubi estivesse sendo muito útil naquele momento; desde que acordara, havia chamado por ela dezenas de vezes sem obter qualquer resposta. O Bijuu o estava ignorando.
–Raposa idiota... – resmungou, olhando para os lados, começando a se desesperar de verdade. Não conseguiria sair dali sozinho e, pelo visto, Kyuubi estava mancomunada com Ino, pois não estava lhe ajudando em nada. O que mais poderia fazer além de agonizar de preocupação até receber noticias?
Porém, o que mais lhe incomodava era a ausência de noticias de uma pessoa em específico. Ele havia tentado concentrar suas energias em sair dali para evitar pensar que o pior poderia ter acontecido. Teria esperança. Ela devia estar bem.
Sem saber mais o que poderia fazer, Naruto esfregou o rosto, querendo espantar de si o cansaço daquela noite que parecia não ter fim. Sentou-se no chão de terra, entre as flores, a cabeça baixa em sinal de resignação. A luz azul clara da madrugada iluminava precariamente o local, tornando aquele cenário ainda mais desolador. Tudo o que podia fazer naquele momento era esperar que todos estivessem bem.
Que ela estivesse bem.
–Volte logo pra mim, Hinata... – ele murmurou, fitando o chão, desanimado.
–Me chamou?
Naruto ergueu a cabeça, repentinamente alerta pela voz feminina que se fez soar no jardim, sentindo um súbito arrepio lhe percorrer a espinha.
Temari colocou Gaara em um dos sofás da floricultura, sendo cuidadosa para não machuca-lo ainda mais. A cada passo que davam, ela podia senti-lo estremecer, embora não soltasse um grunhido sequer. Se fazer de durão deveria ser algum tipo de marca que Sasori deixara em seus discípulos. Ela e Kankuro também eram assim, por que Gaara seria diferente?
Quando enfim conseguiu deitá-lo, a loira se sentou na ponta do acolchoado, fitando-o com uma expressão preocupada que ela tentava a todo custo disfarçar na forma de ironia.
–Fizeram um bom trabalho com você, hein? – ela debochou, mas o cenho franzido demonstrava que seu sarcasmo não passava de uma máscara.
–Está preocupada, maninha? – Gaara murmurou, colocando a mão em uma das costelas. Quanto tempo demoraria até que aquela maldita dor passasse?
–Não teste a sorte, Ketchup. – ela brincou, sorrindo minimamente para ele. Não era dada à sentimentalismos, mas lhe doía ver o irmão daquele jeito. Gostaria de cuidar dele, mas ao mesmo tempo não tinha ideia de como fazer isso. Definitivamente, não era boa com aquele tipo de coisa – Então... o que aconteceu mesmo nessa boate?
–Apenas o que você já deve ter deduzido. Foi tudo muito... confuso. Me pegaram junto com a Hinata, consegui fazer com que ela fugisse, mas ela acabou voltando e ainda por cima, acompanhada do Sasuke. – ele franziu o cenho por um minuto, ainda sem compreender direito a atitude do Uchiha – Asuma não sobreviveu. Chegamos tarde demais.
Temari suspirou, desgostosa. Quando aquele pesadelo teria um fim?
–Cadê a Ino? – Gaara perguntou, sem olhar para a irmã.
–Está trancada no escritório, no segundo andar. Ela não quis estar aqui para ver o mestre morto. Mas acho que vou avisar que você está assim e...
–Não! – o ruivo tentou se erguer, mas logo sentiu uma fisgada no tórax que o impediu. Temari o viu arregalar os olhos e arfar, voltando a deitar-se – Não... não diga nada. Deixe que ela descanse.
–Alguém tem que cuidar de você. – Temari insistiu – Posso ficar, mas...
–Você tem outra pessoa com quem se preocupar. – Gaara interrompeu, lançando à loira um olhar sugestivo – Vai logo. Ele precisa de você.
Ela o fitou por um instante, estreitando os olhos.
–Volto mais tarde para ver como você está. – Temari prometeu, levantando do sofá.
–Larga do meu pé...
A loira riu, abaixando-se um pouco para, num gesto inesperado, beijar a testa do ruivo, fazendo-o arregalar os olhos.
–Descanse, irmãozinho... – ela murmurou, afastando-se sem olhar para trás.
Gaara fitava a figura da Sabaku que se afastava, e logo sorriu.
–Que noite maluca! – alarmou para si mesmo, feliz por sentir que, de um jeito meio estranho, as coisas estavam voltando ao seu devido lugar.
A Sabaku se dirigiu até a ampla sala da floricultura, encostando-se na porta, de onde podia ver Shikamaru mexendo em gavetas, com o telefone na mão, o olhar disparando entre um objeto e outro.
–Tenho que avisar às pessoas e organizar um enterro decente. – ele murmurava automaticamente, movendo-se de um lado para outro – Tenho certeza de que Ino guardava uma lista com os contatos da ORDEM aqui... – falou, distraidamente, enquanto revirava as gavetas da escrivaninha.
–Shikamaru... – Temari chamou baixinho.
Mas o Nara parecia não ouvir.
–Preciso ligar para o Chouji e cuidar para que Ino não veja Asuma nesse estado... – ele resmungava, sem parar de se mover um minuto sequer — Preciso avisar à Kurenai... Só Deus sabe como ela irá reagir. Como se dá uma noticia dessas à esposa de seu mestre?
–Shikamaru... – a loira novamente chamou, mas o rapaz parecia estar em outra esfera.
–Asuma devia saber que não podia se envolver dessa forma com alguém. – ele continuava falando debilmente, como se não tivesse ciência de que Temari estava ali. Revirava as gavetas sem sequer se lembrar do que estava procurando. Precisava acertar tudo, organizar as coisas, ligar para as pessoas. O que estava procurando mesmo? Ah, a agenda. Os contatos da ORDEM. Kurenai – É loucura se apaixonar por alguém quando se leva a vida que levamos, ele devia saber disso. Agora eu terei de encarar Kurenai e dar a noticia de que o marido dela está morto.
Temari tentou não se fixar muito no fato de que Asuma e Kurenai eram casados – ela nunca comentava com ninguém sobre isso. Estava consciente de que apenas os amigos mais próximos aos dois mestres sabiam, pois todos que carregam o fardo de possuírem um Dom sabem que a vida é algo incerto. Hoje você está vivo, amanhã pode já não estar. Cultivar um sentimento como aquele poderia se tornar perigoso, servir de alimento para chantagens dos inimigos e, o mais problemático: fazer tremer e hesitar a mão que deveria atacar de forma rápida e precisa. Sentimentos dessa natureza são a ruína de qualquer guerreiro. Todos sabiam disso.
–Shikamaru...
–Não sei como vou conseguir falar com o Chouji, e ainda tem a Ino... como se já não bastasse tudo o que ela passa com o Gaara, tudo o que ela já sofreu, como vou conseguir cuidar dela direito com todas essas responsabilidades sobre meus ombros? Eu sou o responsável por eles agora, não sou? Provavelmente é isso que Asuma iria dizer, se tivesse tido tempo de se despedir. Que eu cuidasse de meus irmãos. Será que posso fazer isso? – as palavras do Nara saiam em enxurrada sem que houvesse tempo suficiente para que ele pensasse no que dizia. Não sabia sequer se o que falava fazia qualquer sentido; não importava. Tinha que encontrar os contatos da ORDEM. Tinha que organizar um enterro. O que era necessário para organizar um enterro? Ele não sabia. Nunca havia feito aquilo antes.
–Shikamaru! – Temari chamou, dessa vez mais alto, segurando as mãos do Nara para que ele pudesse prestar atenção no que ela gostaria de dizer. Ele sequer havia notado a aproximação dela.
–O que foi? – o Nara perguntou, surpreso, tirando os olhos da gaveta que revirava para fitar a loira à sua frente.
Mas, quando seu olhar pairou no rosto de Temari, viu algo que o pegou de surpresa.
Algumas lágrimas se acumulavam nos olhos da loira, que o encarava com tristeza.
–Eu sinto muito, Shikamaru... Sinto muito mesmo. – ela sussurrou, sem conseguir conter o choro que lhe apertava a garganta, querendo sair.
Foi quando a ficha finalmente caiu para o Nara.
Assuma estava morto.
Como se tivesse sido atingido pela noticia naquele exato momento, Shikamaru sentiu, pela primeira vez, a verdadeira dor para a qual estava adormecido desde quando vira o corpo de Asuma na boate de Hidan.
Era difícil lidar com aquela desordem em sua mente – ele era um homem que trabalhava com o raciocínio, e aquela confusão o deixava desnorteado. Era difícil admitir que não havia nenhum plano, nenhuma tática, nenhuma estratégia que pudesse trazer seu mestre de volta. Não havia nada que sua mente brilhante pudesse fazer.
A morte era a única coisa contra a qual sua inteligência não tinha com o que lutar.
Plenamente ciente disso, Shikamaru atirou-se nos braços da Sabaku, abafando um gemido de dor no colo macio que o acolhia sem questionamentos, sem barreiras, sem medo.
Naquele fim de madrugada, o Nara derramou sua dor na pele de Temari, que o confortava dos terrores da vida que o esperava.
A vida sem Asuma.
"Dê asas pr'eu aterrissar no céu
Dê paraquedas pr'eu saltar do chão pro céu
Para uma estrela acender na minha mão..."
Reza Para Um Querubim, A Banda Mais Bonita da Cidade
Naruto se ergueu subitamente, fitando a figura da moça que lhe sorria docemente, aproximando-se de onde ele estava. Ela tinha os cabelos um pouco assanhados, estava descalça, a blusa um pouco rasgada. Mesmo que a luz da madrugada fosse fraca, o loiro podia ver claramente que havia marcas pelos braços, pulsos e pernas dela. Havia um pequeno corte no queixo também.
E quando seus olhos azuis encontraram as pérolas do olhar de Hinata, Naruto não sabia bem se o que sentia era alívio por vê-la sã e salva diante de si, ou pânico por ela ter escutado sua súplica desesperada.
–Vo... Você está aqui. — falou, embasbacado, sem saber o que fazer ou dizer. Parecia que um peso enorme havia sido retirado de seus ombros. Ela estava ali, bem diante dele. Segura. Viva.
–Sim. Estou. – ela sorriu, encarando o loiro.
Aquele olhar confundiu os pensamentos de Naruto por um momento. Ela o fitava de modo mais intenso que o normal – geralmente, Hinata evitava olhar diretamente para ele, as pérolas sempre fugindo da insistência do loiro. Algo estava diferente na expressão que ela lhe exibia, mas ele ainda não sabia ao certo o quê.
Percebendo que estava completamente paralisado, ele andou alguns passos na direção da garota, que permanecia encarando-o de maneira estranha.
–Você está bem? Onde estão os outros? – o loiro perguntou. Era tão bom vê-la ali, bem perto, que era difícil acreditar que fosse real. Não conseguia expressar o que sentia, mas sentia. Tinha medo de que aquilo fosse apenas outro delírio provocado pelo que quer que Ino tivesse injetado em sua corrente sanguínea.
–Estão todos bem. – Hinata respondeu minimamente, os olhos fixos no rosto de Naruto.
O loiro sentiu o coração falhar uma batida, o ar faltar por um segundo. Por que ela insistia em olha-lo daquela maneira? Estava lhe confundindo a mente, deixando-o ainda mais desnorteado.
Naruto ergueu uma das mãos, tocando levemente o queixo da garota.
–Machucaram você? – ele perguntou, preocupado, tocando o pequeno corte. As horas em que ficou confinado naquele lugar, preocupado com ela, havia servido para baixar sua guarda. Nada mais importava, contanto que Hinata estivesse segura e ao seu lado.
Ela segurou o pulso de Naruto, sem tirá-lo de seu rosto.
–Está tudo bem. – a morena garantiu, fitando-o fixamente.
O toque dela em sua pele era bom, e aquilo confundia ainda mais a cabeça de Naruto. Ele desvencilhou-se da mão da garota, dando um passo para trás. Tinha se esquecido de que havia outras pessoas por quem ele deveria perguntar, outros com quem ele também se preocupava. Os olhos de Hinata eram insistentes nos seus de uma maneira que ele não compreendia, mas que lhe desordenava os sentidos. Ele não sabia o que aquilo significava. Hinata nunca o olhara daquela maneira antes.
Vendo que Naruto se afastava, a morena riu um pouco mais abertamente.
–Veja só quem está fugindo agora. – ela disse. Estava calma. Estranhamente calma.
–O que? – o loiro perguntou, confuso.
Hinata deu um passo a frente, reaproximando-se de Naruto.
–Lembra do dia em que você me resgatou? – ela falou, repentinamente, vendo o loiro fita-la com uma expressão confusa – Desde aquele dia eu venho tentando fugir de você, mas... acho que já está um pouco tarde pra isso. Também desde aquele dia, eu aprendi o que é ser feliz de verdade. Você me deu uma vida, uma família, amigos... Me deu coisas que eu nem sonhava que poderia ter um dia.
–Hinata, do que você tá fal...
–Você me deu tudo o que eu precisava para recomeçar. – ela interrompeu – E em troca, quero te dar a única coisa que eu tenho. A única coisa que posso oferecer.
–Hinata...
–Eu só tenho a mim mesma. Eu te dou a vida que você me deu. – ela prosseguiu, aproximando-se ainda mais, apoiando uma das mãos da nuca do loiro. Aquele toque o fez arrepiar-se – Naruto, eu te dou o meu destino. Faça o que quiser com ele. É seu. Eu... eu sou sua. – disse, para em seguida grudar os lábios nos dele.
Os lábios de Hinata eram macios e inexperientes, mas decididos. Encaixavam-se com perfeição aos de Naruto, que permanecia de olhos arregalados, incrédulo. Aquilo era tudo o que ele havia desejado por tanto tempo, e mesmo assim, parecia irreal. Como se ele não fosse merecedor de ter aqueles lábios grudados aos seus, ou como se ele não tivesse o direito de tocá-la. Havia aprendido a ser cuidadoso com ela e deseja-la ao mesmo tempo, e seus lábios, donos de vasta experiência, pareciam inocentes frente à decisão de Hinata.
O que estava acontecendo com ele?
Hinata se afastou, ainda mantendo o rosto perto demais. As pérolas de seus olhos o fitavam com uma expressão que ele nunca havia visto. Ela não vacilava, não hesitava, não tremia. Estava realmente decidida.
–O que... – ele tentou balbuciar.
–Eu... percebi uma coisa enquanto estava naquele lugar. – ela murmurou baixinho, o hálito quente esbarrando no rosto de Naruto, fazendo-o fechar os olhos por um instante. O cheiro que ela exalava o despertava, pouco a pouco, da nuvem de torpor na qual a incompreensão o envolvera – Percebi que eu não posso deixar de viver o que quero por causa do passado. Percebi que não posso sofrer para sempre. Enfrentei a possibilidade de não voltar, e a ideia de não poder mais ver você me apavorou mais do que a morte. Percebi que está na hora de começar a viver de verdade. – disse, tocando o rosto de Naruto com doçura – E percebi que você é o único que pode me mostrar como.
O loiro piscou. Por que não conseguia reagir? Por que não conseguia falar ou se mexer um milímetro sequer? Por um momento, não pôde deixar de pensar que, ironicamente, eles pareciam ter trocado de papel. Hinata investia enquanto ele sentia o corpo inteiro vacilar. E ainda não conseguia definir se aquela sensação era boa ou ruim.
–Não... Não tenho certeza se sou a pessoa certa para... – o loiro novamente balbuciou.
Ela tocou os lábios de Naruto com o polegar, interrompendo-o.
–Eu quero que seja você. Quando sai daquele lugar, decidi que estava na hora de tomar as rédeas do meu destino. Eu estou pronta para você, Naruto. É você. Sempre foi você. Desde antes de você me arrastar pra esse mundo maluco. Tinha que ser você.
Naruto continuava a fita-la, os olhos passando de arregalados a intensos. Gostaria de dizer as mesmas coisas para ela, mas Hinata parecia não se importar em ouvi-lo. Ele deixaria que ela dissesse tudo o que gostaria. Precisava ouvir. Precisava ter tanta certeza quanto ela parecia ter.
Hinata pegou delicadamente as duas mãos de Naruto e fez com que ele tocasse seu rosto.
–Estes novos olhos só conseguem enxergar você. É ao seu lado que quero começar a viver de verdade. Mas preciso que você me mostre como. – ela repetiu.
Desperto por aquelas palavras, as mãos do loiro tocaram o rosto de Hinata com firmeza. Ela podia distinguir claramente no rosto de Naruto as linhas de amargura que pareciam permanentes em sua expressão. Pensando bem, Hinata só o havia visto sorrir verdadeiramente quando ele estava com Jiraya. Talvez, pudesse despertar nele a vontade de sorrir como ele havia despertado nela a vontade de sentir e viver.
–Talvez eu seja um caso perdido. – ele finalmente falou, a expressão vincada de seriedade – Caso eu me perca em um precipício, não quero levar você junto.
–Me leve. Eu já sou sua. Desde sempre. Eu sei disso. Me leve com você para qualquer lugar, haja luz ou haja trevas. Apenas... não me deixe sozinha. Me leve com você.
–Tem certeza disso? – ele hesitou. Por que diabos estava hesitando, se aquilo era o que ele mais queria? Porque não queria magoá-la. Porque se importava.
Hinata riu e abriu um pouco os braços, exibindo o corpo à Naruto.
–Olhe para mim... Estou toda estropiada e, pra falar a verdade, eu gosto disso. Gosto da adrenalina, de estar no campo de batalha, de ser útil. Isso faz com que eu me sinta alguém, com que eu exista de verdade. Você faz com que eu me sinta mais... eu. Mais mulher. Mas, francamente, acho que nada pode ser pior do que o que tive que enfrentar hoje.
Naruto continuou a fita-la, incerto. Conhecia a si mesmo o suficiente para saber que não conseguia lidar direito com aquele tipo de coisa. E magoar Hinata era a única coisa pela qual ele jamais seria capaz de se perdoar.
–Sei que você está sempre caminhando na beira de um precipício, — ela continuou — mas se você pular, eu pulo com você. Então é melhor que me dê a mão e que me leve junto. Se não me levar, eu vou de qualquer maneira. Então... diga que me quer por perto. Me leve junto com você. Eu não me importo de cair.
O loiro suspirou, mal conseguindo controlar a si mesmo. E foi com um gemido agoniado que ele pulou no precipício, entregando-se às palavras de Hinata, levando-a junto. Atendendo ao pedido, os dedos de Naruto entrelaçaram-se aos cabelos de Hinata, trazendo o rosto da garota para si, colando seus lábios aos dela com força, sem esperar por permissão para invadir a boca da moça. Sua língua procurava a dela, guiando-a, sugando-a, a outra mão puxando-a pela cintura com firmeza. Não havia nada que pudesse fazer a não ser se render àqueles olhos que ele não cansava de admirar, àquela pele que ele não cansava de tocar, ao corpo que ele tanto cobiçava, desde o primeiro dia em que a vira.
Hinata deixava-se guiar, os braços enlaçados no pescoço de Naruto, os dedos agarrando os cabelos da nuca do rapaz. Os lábios dele eram quentes nos seus, macios, firmes, decididos, experientes, urgentes. Muito urgentes. O loiro a apertava com tanta força contra si que os dois cambalearam um pouco, sem se largarem um segundo sequer.
Enquanto Naruto se deliciava nos lábios que o aceitavam com vontade e doçura, seus pensamentos se confundiam ainda mais. Em sua mente, as lembranças se embaralhavam, rememorando o dia em que a resgatara, o temor naqueles olhos sem vida. Lembrava-se de quando entrara pela primeira vez na mente sombria da Hyuuga, de toda a dor, de todo o pavor. De quando ele a fizera sorrir pela primeira vez, e do quanto seu coração havia se alegrado de forma estranha por ser ele o responsável por aquela mudança. Lembrava-se de quando ela havia se recusado a deixa-lo sofrer sozinho, mesmo correndo perigo com o seu descontrole, mesmo que ele a ignorasse e a tratasse com desdém. Lembrava-se de quando ela o havia salvado das trevas, da manhã em que Sasuke e Gaara voltaram para casa e ela o acolheu em seu colo. Lembrava-se do ciúme que sentira quando Kiba chegou, ou de quando pensou ter visto aquele homem segui-la na boate.
Lembrava-se de quando a viu corar para ele pela primeira vez. E aquele rubor era a cor mais bonita que ele já havia visto até então.
Hinata devia estar certa. Era ela. Sempre havia sido ela, desde o primeiro dia em que seus olhos se cruzaram. Sem ela, com certeza, aqueles dias teriam sido muito mais difíceis. Ela era a sua luz no fim do túnel. A esperança de que, mesmo que o inferno queimasse lá fora, ele poderia simplesmente voltar para casa e encontra-la esperando por ele, sorrindo. O sorriso que ele ajudou a despertar.
Sem desgrudar os lábios dos dela, Naruto deslizou as mãos pela cintura da morena, sentindo-a arquear-se contra ele. Sugou a língua dela com mais força, ouvindo-a gemer baixinho, talvez de dor, talvez de prazer. Talvez das duas coisas.
As mãos do loiro tocaram a base da cintura de Hinata, sentindo a pele por debaixo do tecido da blusa um pouco rasgada que ela usava. Ele a apertou um pouco mais contra si, como se pudesse fazer com que a pele dela se confundisse com a sua, como se os dois pudessem, de alguma forma, fundir-se em um só. Estar com ela daquela maneira não era suficiente. Precisava que Hinata estivesse com ele e nele. Precisava disso como precisava do ar para sobreviver. Talvez, até mais.
Naruto deslizou as mãos pelas costas de Hinata, por baixo da blusa, sentindo-a agitar-se em seus braços pelos rastros de fogo que o loiro deixava em sua pele. Os dedos dele esbarraram no sutiã incômodo, que ele habilmente desabotoou. A morena vacilou em seus braços, sentindo as pernas fraquejarem, mas ele a puxou novamente para si. Não havia nenhum freio que pudesse pará-lo, não havia nada que pudesse distraí-lo do fato de tê-la ali, como sua. Que o mundo ruísse lá fora, não importava. Naquela madrugada fria, Naruto faria de Hinata seu alento, calor e respiração.
A garota afastou os lábios de Naruto, suspirando, puxando uma lufada de ar, mas ele não deixou que ela se afastasse por muito tempo. Antes mesmo que Hinata pudesse respirar, o loiro a beijou novamente. Naquele momento, ela era seu ar. Ele seria o dela também. Tendo um ao outro, não havia nada de que precisassem mais.
As mãos hábeis de Naruto novamente deslizaram pelas costas de Hinata, traçando carícias pela coluna da morena, causando-lhe arrepios. Ele logo tratou de arrastar a blusa, lamentando por ter que afastar os lábios dos dela para dar caminho à peça de roupa que ele agora arrastava pelos braços da garota.
Hinata baixou a cabeça, subitamente envergonhada, sentindo o temor esgueirar-se pelas muralhas de sua mente. Tentou não pensar muito no que estava fazendo. Não seria covarde, não daria para trás. Gaara estava certo. Ninguém pode sofrer para sempre. E ela havia mudado. Não era mais a garota sem vida que costumava ser. Agora ela tinha motivos pelos quais valia a pena lutar e viver. O passado deveria ficar para trás. E não havia nenhum temor que pudesse barrar o desejo e sentimento que cresciam a cada carícia que Naruto lhe dava.
O rosto do loiro afundou no pescoço de Hinata, os lábios arrastando-se na pele macia. Seu corpo se agitava na medida em que ele sentia que a garota o abraçava mais forte e arqueava-se de encontro a ele, a cada gemido que ela tentava abafar. Os dedos de Naruto baixaram as alças do sutiã, livrando Hinata da peça, atirando-a para longe.
A morena afundou a cabeça no ombro do rapaz, sentindo o rosto queimar.
Era impossível conter os arrepios em seu corpo a cada toque de Naruto, principalmente quando ele agarrava a raiz de seus cabelos daquele jeito, querendo trazê-la para ainda mais perto. Sentir a pele dele na sua era bom, melhor ainda era sentir os lábios dele procurando-a com sede e vontade insaciáveis. Suas pernas tremiam, sua intimidade pulsava de maneira desconhecida. Todos os dias convivendo com ele eram oportunidades de aprender coisas sobre si mesma que ela não conhecia e gostava da pessoa que estava descobrindo ser. Hinata estava certa, afinal. Era ele. Sempre havia sido ele.
As mãos de Naruto que deslizavam pelas costas nuas de Hinata passaram aos seios grandes, apertando-os, fazendo Hinata apertar os lábios, reprimindo um gemido mais alto. Ela tentava esconder o rosto no pescoço de Naruto, sentindo-o queimar a ponto de explodir. Sentiu Naruto tocar seu queixo delicadamente, erguendo seu rosto a fim de encará-la.
Os olhos dele eram de um azul escurecido e intenso, fitando os seus com uma expressão afogada em desejo.
–Você é tão linda assim... – o loiro murmurou, tocando a bochecha de Hinata – Essa cor lhe cai bem. – disse, exibindo à ela um sorriso torto, fazendo-a ficar ainda mais corada.
Inconscientemente, ela tornou a baixar o rosto, envergonhada, mas ele novamente o ergueu com delicadeza.
–Já esteve com alguém assim antes? – Naruto perguntou baixinho.
–Assim não. – ela respondeu num fio de voz, desviando os olhos dos dele.
Sem perceber a forma como ela enfatizou as palavras, Naruto limitou-se a enlarguecer o sorriso torto. Pegou delicadamente as mãos dela, conduzindo-as até sua própria cintura. Entrelaçou os dedos nos dela, instruindo-a a agarrar o tecido de sua camisa e arrastá-lo para cima, a fim de livrar-se da peça. Ela logo entendeu e puxou a roupa que ele usava, deixando o peitoral forte desnudo.
Os dois se fitaram por um instante, antes de Hinata senti-lo novamente tocar-lhe os cabelos e arrastá-la para perto, grudando os lábios nos dela, apertando-a contra si tão fortemente que a morena era capaz de sentir o quanto ele a queria.
As mãos de Naruto voltaram para os seios, massageando-os, ouvindo Hinata gemer com aquele toque. Ela estremeceu sob as carícias do loiro, desejando que ele a apertasse com ainda mais força, no mesmo instante em que um vento frio soprou, fazendo com que as plantas se agitassem e algumas pétalas das flores se soltassem, dançando no ar junto aos fios negros de seus cabelos.
Naruto interrompeu o beijo, apoiando a testa na dela, os olhos fechados, enquanto ele ainda se deliciava com o gosto que Hinata deixava em sua boca.
–Está com frio? – ele perguntou.
Hinata enlaçou os braços no pescoço do loiro, trazendo-o para ainda mais perto.
–Se você me abraçar, não vou mais sentir frio. Nem agora, nem nunca mais. – respondeu, passando uma das mãos pelo peito nu do rapaz.
Foi a vez de Naruto estremecer, e ela sorriu.
–E você, está com frio? – a morena perguntou.
–Não. Você é quente o suficiente. – ele respondeu, beijando-lhe o pescoço.
Os lábios do loiro logo desceram para o colo, e em seguida para um dos seios, sugando com vontade, enquanto massageava o outro. Ele sentia os dedos de Hinata entrelaçados em seus cabelos, enquanto ela se arqueava de encontro à sua boca, desejando mais. Os dentes de Naruto arranharam a pele do mamilo, para em seguida passar a língua, aliviando um pouco a dor. Sugou o bico rosado, mordendo-o levemente, para em seguida suga-lo novamente. Desejava chupá-lo, acaricia-lo, engoli-lo, mas era grande, lindamente grande e macio. Passou para o outro, delegando-o a mesma atenção que havia dedicado ao outro. Seus dentes novamente arranharam o seio, para em seguida lambê-lo com vontade, ouvindo Hinata gemer baixinho.
Naruto desceu até a barriga da morena, beijando-a, esbarrando na saia preta que ela ainda usava. Ele se ajoelhou diante dela, arrastando a peça para baixo, deparando-se com a calcinha de renda azul. O loiro agarrou as nádegas de Hinata, no mesmo instante em que passou a língua na intimidade da garota, ainda por cima da renda, sentindo-a molhada. Hinata arqueou um pouco a cabeça para trás, apertando os lábios. Sentia seu corpo inteiro pulsar, e já estava prestes a implorar que ele a tomasse em seus braços de vez, mas deixaria que ele a conduzisse, já que não tinha a menor ideia de como deveria proceder. Limitava-se em não gritar a cada vez em que sentia os dentes de Naruto cravarem-se em sua calcinha com tanta vontade que achava que o tecido iria se rasgar.
Ela suspirou, de alivio e de receio, quando sentiu que o loiro finalmente arrastava a peça para baixo, beijando sua intimidade, para em seguida ir subindo os lábios até sua barria, seios, pescoço, e enfim alcançar-lhe a boca novamente. Naruto sugava sua língua tão fortemente que doía um pouco, mas ao mesmo tempo, ela desejava que ele o fizesse com ainda mais força. Ele a apertava pelas nádegas, massageando-as, roçando o quadril na intimidade molhada. Sentia seu membro pulsar e latejar, apertado pelo tecido da calça, mas teria paciência. Afinal, ele queria aproveitar aquele momento como se fosse o primeiro de muitos, mas ainda assim, o primeiro.
Já quase enlouquecendo de desejo, Naruto a puxou pelas pernas, erguendo-a a fim de encaixá-la em sua cintura, sentindo a intimidade nua de Hinata roçar em seu quadril. Ela continuou a beija-lo, os cabelos compridos cobrindo quase completamente o rosto do loiro, enquanto ele a levava rumo às flores, para em seguida deitá-la no chão de terra. Algumas das plantas se amassaram sob o corpo da morena, as pétalas esfarelando-se sobre os dois, mas ela parecia não notar. Sem perder tempo, Naruto abriu delicadamente as pernas de Hinata deixando a intimidade completamente exposta. Sentiu as pernas da garota tremerem, e pousou os lábios na parte interna da coxa esquerda, beijando-a inteira, enquanto acariciava a parte externa. Percebeu que ela relaxava um pouco e continuou com as carícias, até que seus dedos esbarraram em marcas que não deveriam estar ali.
Ele fitou os arranhões nas coxas de Hinata, franzindo o cenho, em seguida olhando para o rosto da garota, que o encarava com uma expressão culpada.
–São apenas marcas das correntes. – ela mentiu, referindo-se às marcas das unhas do capanga que a havia atacado.
Naruto suspirou de forma desgostosa, apoiando a testa na coxa de Hinata, escondendo o rosto. Os dedos se cravaram na terra e, mentalmente, ele tentava afastar os sentimentos de culpa. Se ao menos o tivessem deixado ficar lá, talvez aquilo não tivesse acontecido.
Por um momento, Hinata teve medo de que ele desistisse, temendo machuca-la. Ela tocou os ombros de Naruto, tentando tranquiliza-lo.
–Está tudo bem. – disse – Não foi nada demais.
Contra a pele de sua coxa, ela sentiu o loiro bufar e murmurar algo que parecia ser um palavrão.
–Eu estou aqui agora, o que quer que tenha acontecido naquele lugar deve ficar para trás. – a morena afirmou, segura, acariciando os cabelos de Naruto – Eu... eu quero tanto você, Naruto... – ela murmurou, vendo-o levantar o olhar para encará-la com uma expressão de surpresa – Por favor...
Ele sentiu um outro arrepio lhe percorrer o corpo com aquele pedido. Hinata parecia uma gatinha ronronando para ele, pedindo que ele a tomasse em seus braços. Ah, e como ele queria... era tudo o que ele queria...
Tentando tirar o sentimento de culpa de sua cabeça, Naruto voltou a beijar a coxa de Hinata, descendo até a virilha, enquanto acariciava os arranhões. Levantou um pouco a perna da morena, colocando-a sobre seu ombro, para em seguida passar a língua pela intimidade exposta.
Ouviu Hinata abafar um gemido e erguer um pouco o tronco, contorcendo-se.
Lambeu novamente, obtendo a mesma reação. Mordeu levemente o clitóris, sentindo a morena pousar a mão em sua cabeça, entrelaçando os dedos em seus cabelos. Passou outra vez a língua na intimidade de Hinata. Ela ergueu um pouco o quadril, forçando-o de encontro à boca de Naruto.
O loiro continuava a brincar com a língua no clitóris de Hinata, sugando-o, fazendo movimentos circulares, sentindo-a contorcer-se cada vez mais. Em determinado momento, teve que segurar o quadril dela, prendendo-o ao chão, evitando que ela estremecesse tanto. O sentimento de vê-la agitando-se daquela maneira era de pura satisfação. Era lindo vê-la se arqueando daquela maneira para ele, desejando mais e mais...
A morena já estava quase no limite, não aguentaria por muito tempo. Insistia em erguer o quadril, quase implorando que ele a satisfizesse. Mas Naruto parecia querer brincar com ela, e estava conseguindo. Hinata percebia que seus sentidos ficavam cada vez mais enevoados à medida em que o loiro pressionava a língua em sua intimidade, as pernas se contorcendo sobre os ombros dele enquanto ela tentava a todo custo não berrar. E quando estava prestes a alcançar o primeiro orgasmo...
Naruto se afastou, exibindo-lhe um sorriso torto e sacana ao ouvi-la gemer de frustração. Ele apoiou as mãos no chão, aproximando-se do rosto dela com os movimentos de um leopardo prestes a atacar. Como uma pessoa conseguia ser tão sensual? Hinata não sabia. Tudo o que ela conseguia fazer era arfar, os pensamentos desorganizados, o coração martelando em seus ouvidos como se fosse explodir. Sentia suas pernas um pouco adormecidas, o quadril ainda pulsando de desejo, e sem parar para pensar no que fazia, ela o arrastou pela nuca, fazendo-o subir até seu rosto mais rapidamente. Naruto soltou um riso baixo pela pressa da morena, e ela reprimiu o impulso de belisca-lo pela crueldade.
–Não seja apressada... – ele murmurou, a voz soando abafada pela pele do pescoço de Hinata, enquanto desabotoava o jeans que ainda usava, arrastando-o pelas pernas junto com a cueca.
Hinata novamente sentiu o rosto queimar ao vê-lo completamente nu sobre ela. Por um momento, ela não conseguia dizer mais nenhuma palavra ou exprimir um gemido sequer; A garganta fechada pelo receio a impedia de esboçar qualquer reação. Seus dedos agarraram a terra no chão, enquanto ela se concentrava em sua decisão. Não devia fugir. Naruto era diferente. Aquilo era diferente. O passado deveria ficar para trás.
“A vida é muito curta para sofrermos para sempre...”
Ela se lembrava daquelas palavras de forma compulsiva, focando seus pensamentos e esforços na decisão de não rejeitar Naruto. Respirou profundamente, sentindo-o novamente apertar seus seios, gemendo baixinho contra a pele de seu pescoço. Hinata fechou os olhos, suspirando. Os braços dele eram tão acolhedores, quentes e carinhosos... Era até fácil esquecer-se de todo e qualquer sofrimento quando ele a acariciava daquela maneira.
Perdendo-se nas sensações provocadas pelo toque de Naruto, ela aos poucos se esquecia dos temores que vez por outra ameaçavam tomar conta de sua mente. Mesmo não tendo experiência, Hinata podia distinguir que o loiro claramente sabia o que estava fazendo, pois desde o inicio fazia de tudo para deixa-la louca a ponto de implorar. E ela estava quase fazendo isso quando sentiu os dedos dele acariciarem-lhe o clitóris já sensível pela estimulação de antes. A morena gemeu, erguendo novamente o quadril, mas ele se afastava, provocando. Naruto voltou a procurar pelos lábios de Hinata, beijando-a devagar e intensamente, uma tortura premeditada, na opinião dela. Ele apertava seu corpo contra o dela, sentindo os seios esmagados contra seu peito, enquanto as mãos dela deslizavam pelas suas costas, até chegarem à base da cintura, puxando-o para si. Era delicioso debruçar-se sobre aquele corpo lindo que o acolhia sem nenhuma relutância. Finalmente.
Maldoso, Naruto mordeu levemente o lábio inferior de Hinata antes de desgrudar-se da boca dela e beijar novamente os seios. Podia sentir a respiração acelerada de Hinata contra seu pescoço, e aquilo apenas servia para deixa-lo com ainda mais tesão. Ele ergueu o rosto, tomando os lábios dela mais uma vez. Era difícil separar-se deles. Aqueles lábios pareciam ter sido feitos exatamente para encaixarem-se nos seus.
Hinata o abraçava, sentindo o corpo inteiro arder. A madrugada era fria, mas os beijos de Naruto eram quentes, tão quentes que aliviavam quaisquer dores que estivesse sentindo. Quando as mãos do loiro apertaram suas coxas com vontade, ela sentiu alguns dos arranhões arderem, mas aquilo não era nada comparado à vontade que tinha de tê-lo junto de si.
Em meio às caricias, um pensamento atravessou a mente de Hinata. Ela tentou esquecer a ideia, mas talvez devesse coloca-la em prática. Como? Não sabia. Quando? Não sabia.
Maldita inexperiência!
Mas a ideia de provoca-lo era tentadora demais. Obedecendo ao impulso do momento, Hinata desceu uma das mãos até o membro rígido de Naruto, acariciando-o levemente, os dedos percorrendo a superfície, enquanto ela se surpreendia com o tamanho. Porém, ao sentir Naruto afastar os lábios de sua pele e contorcer-se sobre seu corpo, ela afastou a mão, temendo ter feito algo que não deveria.
Naruto arfou, encarando-a, os olhos embaçados de desejo.
–Não pare... – ele pediu, para surpresa de Hinata.
Satisfeita, ela sorriu um pouco, sentindo-se maliciosa e pervertida. Naruto mordeu seu queixo, agoniado.
–Por favor... – o loiro implorou.
O sorriso se alargou no rosto de Hinata. Como é que ela estava fazendo mesmo? Ah, droga, agora não se lembrava mais. Vejamos... havia passado os dedos pelo comprimento, acariciando-o levemente.
Numa nova tentativa, ela pousou a mão no pênis, acariciando-o, sentindo Naruto segurar seu braço.
–Mais forte... mais rápido... – ele instruiu, e a morena obedeceu. Os dedos de Hinata envolviam o membro, deslizando firmemente pelo comprimento, cada vez mais rápido. Naruto gemia sobre a pele de seu colo, enlaçando os dedos nos fios negros que se espalhavam pelo chão, embaraçando-se com as plantas. Mas, ao sentir a mão de Naruto começar a estimular sua intimidade novamente, Hinata perdeu a concentração, soltando o pênis, sentindo sua mente se enevoar novamente. Quando ele iria parar de tortura-la?
Agora.
Sem conseguir mais se conter, Naruto agarrou os pulsos de Hinata, grudando-os ao chão, um de cada lado da cabeça da morena. Voltou a beijá-la, enquanto roçava seu membro na intimidade molhada, gemendo junto com ela, a vontade de ambos abafada pelos lábios grudados. Chega de tortura, para os dois. Já não aguentava mais.
Devagar, Naruto a penetrou, sentindo-a recuar um pouco o quadril.
–Não vou machucar você... – ele prometeu, percebendo o receio paralisar o corpo dela.
–E-eu não se-sei como... fazer... isso... – Hinata gaguejou, nervosa.
–Apenas seja minha... Isso é tudo o que você tem que fazer... – ele falou, os lábios ainda grudados nos dela. Recusava-se a afastar-se daquela boca.
–Você já me tem, Naruto... – a morena murmurou sob os lábios do Uzumaki.
Entendendo aquelas palavras como uma permissão, ele a estocou com força, gemendo baixo, reprimindo o impulso de continuar se movendo com ainda mais força. O loiro a fitou, sentindo-a se contorcer de dor sob seu corpo, cravando as unhas em seus ombros. Naruto sentia os nervos da intimidade de Hinata apertarem seu membro, o que tornava ainda mais difícil que ele mantivesse o controle.
–Vai... vai passar... – ele conseguiu balbuciar. Como era possivel que pudesse desejar tanto assim uma mulher? Seria por que havia esperado tanto tempo? Seria por que ela fazia parte de sua vida e ocupava seus pensamentos, seus sonhos, seus delírios? Seria por que estava apaixonado por ela?
Era tão prazeroso vê-la gemendo para ele daquela maneira que se não gozasse dentro dela talvez enlouquecesse.
Percebendo que a dor de Hinata passava, Naruto começou a se mover, tentando manter os olhos fixos no rosto dela, mas era difícil. A morena continuava a gemer, por dor e por prazer, considerando a possibilidade de que, naquela madrugada, Naruto iria lhe tirar o juízo caso continuasse torturando-a daquela maneira.
O loiro colou os lábios no ouvido de Hinata, aumentando a velocidade e intensidade das estocadas. Não aguentaria por muito mais tempo.
–Ah, Hinata... você é tão doce... tão... linda... – ele murmurou, colocando uma das mãos sob seu corpo, a fim de tocar novamente o clitóris da morena, sem parar de estoca-la.
Ela gemeu mais alto, sem se importar que lhe escutassem. Àquela altura, não se importava se o mundo inteiro estivesse lhe observando. Gostaria que, um dia, todos pudessem ter a sorte de viver o que ela estava vivendo e experimentar o que estava experimentando.
O barulho de seus corpos se chocando ecoava por todo o jardim, misturando-se ao barulho das plantas que balançavam pelo vento. O sol nascia sobre o jardim, os primeiros raios de luz dizimando a palidez da luz fraca da madrugada. As sombras das flores dançavam sobre as costas de Naruto, que estocava Hinata com força, estimulando-a, enquanto ela o agarrava e gemia cada vez mais alto, as pernas se contorcendo, deixando desenhos incompreensíveis na terra.
Sem parar de beijá-la um instante sequer, Naruto agarrou Hinata pelo quadril, fazendo com que ela se movesse junto com ele. A morena era tão apertada, tão delicada, tão... dele. Ah, como era doce senti-la entregue daquele jeito, recebendo-o como ambos recebiam os primeiros raios daquela manhã. Juntos como um só, a vida não parecia mais tão sombria. Não havia passado nem futuro, havia apenas aquele momento em que eles se entregavam sem medos, sem receios, sem dor. Havia apenas o amor que crescia dentro deles sem que soubessem como ou quando tudo começou. Talvez Hinata estivesse certa. Talvez tivesse sido até mesmo antes de se conhecerem.
Ela chegou ao ápice primeiro, arqueando o corpo para cima, o grito de prazer abafado pela língua de Naruto que ainda vasculhava sua boca. O orgasmo forte a atingiu em turbilhão, e por um instante, ela achou que fosse perder os sentidos. Chamou por ele, pedindo que ele a acompanhasse. Hinata sentia-se despencando de encontro ao infinito.
De mãos dadas com Naruto, cair de um precipício era o mesmo que voar.
O orgasmo do loiro foi tão forte quanto o de Hinata, fazendo-o desesperar-se ainda mais para beija-la. Não conseguia assimilar direito as coisas; não sabia se havia estocado com força demais, se a havia apertado com força demais, se a beijara com força demais. Tudo o que sabia era que a queria demais, e que nenhuma manhã havia sido tão bonita quanto aquela.
Por ele, todos os precipícios de sua vida poderiam se parecer com a sensação infinita de experimentar o corpo de Hinata no seu.
Ele desabou sobre o corpo dela, apoiando a cabeça nos seios, procurando o fôlego. Nem se lembrava da última vez em que uma mulher o deixara com tamanho tesão. A bem da verdade, fazia muito tempo desde que não atendia aos telefonemas das mulheres que o ligavam, ou que procurava alguma delas para se satisfazer. Desde quando aquilo estava acontecendo?
Ah, sim. Desde quando Hinata aparecera em sua vida.
Cansado, Naruto sentia o colo da morena subir e descer, o coração a mil, enquanto ela também tentava regular a respiração. Ainda não conseguia acreditar que havia perdido tanto tempo prendendo-se aos seus medos. Como um homem poderia conhecer tão bem um corpo que nunca havia tocado? Hinata sentia que Naruto conseguia ler seu coração e seus sentidos como se fossem os dele próprios.
Ela apoiou as mãos nos cabelos molhados de suor do loiro, acariciando-o. O sol aparecia de mansinho pelo jardim, intimidado pelo brilho dos corpos que reluziam de satisfação por finalmente completarem-se. O corpo de Naruto relaxou por completo, e os dois ficaram em silêncio por alguns minutos, apenas tentando fazer o coração desacelerar.
Nos braços da manhã que chegava, eles adormeceram, deitados entre as flores, vencidos pela exaustão e pela satisfação de pertencerem um ao outro.
Deviam ter cochilado por uma meia hora, talvez um pouco mais. O sol ainda estava baixo, mas já brilhava intensamente, enquanto uma leve brisa soprava, balançando as flores. Naruto sorriu ao perceber que Hinata dormia sobre seu peito, nua, a respiração estável. O corpo dela reluzia de encontro ao seu, o contraste de sua pele com a dela formando o que, para ele, era a mistura perfeita.
O loiro tirou algumas pétalas brancas e vermelhas que estavam emaranhadas nos cabelos de Hinata. Olhou ao redor, percebendo que haviam feito algum estrago com as plantas. Ino jamais poderia ver aquilo, ou ela nunca o perdoaria. Teria que comprar um carro para que a loira o desculpasse por destruir e amassar suas preciosas plantas e deixar rastros duvidosos na areia.
Não demorou até que sentisse a morena se agitar em seus braços, erguendo a cabeça para encará-lo. Naruto sorriu, puxando-a para um beijo.
–Bom dia. – ele disse, vendo-a corar.
–Bo-bom dia... – Hinata respondeu, subitamente consciente de que estava completamente despida.
Ela logo tratou de se erguer e procurar suas roupas, corando ainda mais ao perceber que Naruto a olhava de cima a baixo, admirando-a sem qualquer pudor.
Enquanto ela se erguia, o loiro pôde ver alguns pingos vermelhos na areia que pareciam sangue. Ergueu uma sobrancelha, confuso. Foi quando resolveu externar uma dúvida que não lhe deixava em paz.
–Posso perguntar uma coisa?
–Claro. – ela respondeu.
–Você havia dito que nunca esteve com ninguém antes. Por que mentiu?
Naruto viu Hinata estancar, parando de procurar as roupas.
–Eu... e-eu... – ela gaguejou, entrando em pânico.
O loiro a encarou.
–Não estou zangado. Apenas quero que me diga a verdade.
Hinata desviou o olhar, sem querer se lembrar da verdade. Ele iria estragar um momento perfeito, iria fazer o temor voltar. Por que Naruto estava fazendo aquilo?
Ela se sentou novamente na areia, olhando para o chão. Por onde começar a falar?
Delicadamente, o loiro tocou o queixo de Hinata, fazendo-a encará-lo.
–Preciso saber. – ele insistiu.
A garota suspirou. Se tinha algo que ela havia aprendido, era que não adiantava negar qualquer coisa a Naruto. Ele sempre acabava conseguindo o que queria.
–Foi há muito tempo. Eu tinha... oito ou nove anos... – disse Hinata, a expressão esvaziando-se — É difícil lembrar, já que eu ficava quase todo tempo sob o efeito de remédios naquela época. Mas lembro de algumas vezes em que via meu padrasto sair do meu quarto a noite, quando minha mãe não estava em casa. Na primeira vez em que isso aconteceu, eu acordei com sangue no colchão.
Hinata viu a expressão de Naruto mudar, o rosto do loiro empalidecendo, os olhos se arregalando. Ele se ergueu, passando as mãos pelo rosto. A morena podia ver claramente as veias do pescoço dele saltando. Por um instante, achou que Naruto fosse enfartar.
Mas tudo o que ele fez foi arrancar algumas das plantas do chão e atirá-las para longe.
A força fez com que as mudas se despedaçassem de encontro à uma das árvores que sombreava o jardim.
Ele logo compreendeu o por quê de não ter sentido uma grande resistência enquanto a penetrava, exceto o fato de que ela era tão apertada quanto uma virgem. O sangue que vira no chão devia ser resultado do fato de que aquilo havia acontecido há muito, muito tempo. Talvez, na época, o hímen não tivesse rompido completamente.
–Eu não me lembro de nada. Estava sempre dopada. – ela explicou – De certa forma, você ainda é o primeiro. – disse, temendo que ele a rejeitasse pelo que havia acabado de contar.
–Quê?! – ele grunhiu, tentando controlar a energia negra que podia sentir se esgueirando em todo o seu corpo – Acha que estou preocupado com isso, Hinata?!
A morena ficou em silêncio. Não sabia o que responder.
Naruto se ajoelhou na frente dela, agarrando-a pelo rosto.
–Por que não me contou isso antes?! Eu teria... eu teria caçado esse filho de uma...
–Ele está morto, Naruto. – Hinata esclareceu, vendo a expressão do loiro mudar.
Ele a encarou por um instante, confuso.
–Como foi que...?
–Acidente de carro. Minha mãe morreu junto. – ela respondeu, e por algum motivo, Naruto achava que ela estava mentindo.
Mas não insistiria no assunto.
Tentando tirar aquilo da cabeça, o loiro apenas a abraçou, sentindo-a agarrar-se a ele como um náufrago se agarra a um bote salva-vidas.
–Desculpe... – ele murmurou de encontro aos cabelos dela.
–Me-me de-de-descul... – Hinata tentou falar, mas Naruto não deixou.
Ele se afastou um pouco dela, ainda segurando-a pelo rosto.
–Não ouse se desculpar. – disse o loiro, mas havia ferocidade em sua voz. Uma raiva que ele tentava a todo custo esconder. Por que ela não havia lhe contado antes? O que ela ainda escondia? Mas resolveu não insistir naquilo por enquanto – Foi você mesma quem disse que não importava o que tivesse acontecido no passado, e que era hora de deixar tudo isso para trás. Eu sei que sou o primeiro que tocou seu corpo dessa maneira, que fez você sorrir desse jeito... – ele sorriu ao vê-la sorrir também – Que fez você ficar com essa cor bonita no rosto... – acariciou a bochecha dela, vendo-a corar – Basta que você seja minha. Lembra? Isso é tudo o que você tem que fazer para me deixar feliz. Desse jeito eu sei que sou o primeiro a te tocar.
–Sim, você é... – ela murmurou, sentindo os olhos marejarem.
–Boba. – Naruto riu, beijando a ponta do nariz avermelhado de Hinata, para em seguida se levantar e estender a mão para que ela o acompanhasse. A morena se surpreendeu um pouco, pois achava que ele a rejeitaria quando soubesse a verdade. Naruto era uma pessoa melhor do que havia imaginado. E como ele era doce quando queria...
Ela se levantou, mas antes que pudesse pensar em procurar suas roupas, o loiro a puxou bruscamente para si, beijando-a com intensidade. Como Hinata era doce, como a meiguice dela o fascinava... Seria capaz de se fartar daqueles lábios, um dia?
Quando enfim se afastaram, a morena sentiu a pulsação martelar em seus ouvidos, deixando sua mente desnorteada. Não era possivel que pudesse ter tudo aquilo. Amigos, família, amor... Tudo graças a ele.
Naruto era mais do que ela podia pedir, mais do que imaginava ser capaz de merecer.
–As vezes me pergunto o que alguém como você quer com uma garota como eu... – Hinata disse, sem fôlego.
Ele a abraçou mais forte, sorrindo. Para Hinata, nem o sol brilhava tanto quanto aquele sorriso.
O sorriso que ela só havia visto no rosto de Naruto quando ele estava com Jiraya.
Ela o havia feito sorrir daquele jeito também!
–Eu? – o loiro murmurou, apoiando a testa na dela — Eu quero te mostrar o mundo, Hinata...
Fale com o autor