Paraíso Sombrio

32 Minha lembrança mais feliz


Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Olha só, autora-san postando rapidez! Hihihihihihii Bom... Estou tentando apressar um pouco o enredo, porque não quero que essa fic tenha 54345134141523 capítulos. Então as coisas vão acontecer um pouco mais rápido agora xD AEEEEEE! O momento NaruHiniano mais aguardado finalmente aconteceu, e o galerê-san parece que gostou, hein? Fico feliz com isso, mais feliz ainda com os comentários divosos que tenho recebido. Obrigada! Ah, tem um pedido pra vocês nas notas finais, não se esqueçam de ler ;) Bom, esse capítulo é mais básico, mas ele será importante. Daqui a uns dois capítulos vocês vão entender por que. Hihihihihihihi Espero que gostem :3 Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!



Sai, Deidara, Kiba e Sakura jaziam sentados no batente da calçada, na frente da floricultura, todos com expressões desanimadas. Ninguém ali sabia ao certo o que fazer, dizer ou esperar do novo dia que nascia. Sasuke estava encostado no carro que havia estacionado perto da calçada, os braços cruzados, o olhar vazio. Sua expressão não se distinguia muito da dos outros, mas a angustia que sentia tinha razões diferentes. Bem diferentes.

Todos estavam exaustos, até mesmo Sakura, que estava acostumada a passar noites insones, principalmente devido ao seu trabalho no hospital. Agora, toda aquela realidade parecia distante. Por um momento ela se lembrou de que seu celular deveria estar cheio de chamadas e mensagens com pedidos urgentes de que ela comparecesse no trabalho, mas para falar a verdade, nem se lembrava de onde estava seu telefone. Precisava de algo que pudesse ajuda-la a despertar e fazer sua cabeça funcionar com mais coerência. Precisava lavar o rosto e precisava de café. Sim, aquilo com certeza a ajudaria a melhorar.

Em silêncio, ela se levantou e entrou na floricultura, tentando se lembrar de onde ficava o banheiro. Passou pelo sofá, vendo Gaara dormir. Suspirou. Ele parecia tão machucado... E, embora não parecesse, o ruivo estava bem melhor do que quando ela o encontrou. Sakura havia feito o possível para tratar dos ferimentos dele no caminho até ali, mas as feridas de um jinchuuriki não curavam da mesma maneira que os machucados de uma pessoa normal. Já havia feito tudo o que podia com ele. Agora, era uma questão de tempo e de deixar que Ichibi agisse.

Fazendo o mínimo de barulho possível, ela se afastou da sala, caminhando rumo ao corredor. Tinha quase certeza de que o banheiro era a última porta, e continuou andando. Sorriu ao entrar no pequeno cômodo e ver que estava certa: era mesmo o banheiro. A rosada abriu a torneira, molhando as mãos, para em seguida lavar o rosto. A água era fria e com certeza, ajudaria a ordenar seus pensamentos.

Sakura jogava outra rajada de água no rosto quando ouviu a porta sendo fechada atrás de si. Sem se preocupar muito, ela ergueu a cabeça, mirando o espelho. Pelo reflexo, a rosada pôde ver a figura de Naruto encostada na porta, exibindo-lhe um sorriso torto. Ele estava um pouco assanhado, as roupas sujas de terra e tinha um brilho estranho nos olhos.

–E ai, Sakura? – o loiro cumprimentou distraidamente.

Ela se virou rapidamente para Naruto, os olhos verdes arregalados. Havia se esquecido de que, mais cedo ou mais tarde, teria de lidar com ele.

–Naruto! – ela arfou com o susto – O que está fazendo aqui?

–Quer dizer o que estou fazendo aqui depois de você e a Ino terem me dopado e trancafiado naquele jardim? – ele perguntou, irônico, sem deixar de sorrir. E mesmo que estivesse sorrindo, seus olhos fitavam Sakura com ferocidade – Hinata me tirou de lá. Ela podia passar pelo selo da Ino tranquilamente, já que o jutsu se aplicava especificamente a um jinchuuriki. – esclareceu, estreitando os olhos.

A rosada se encolheu.

–Sobre isso... – ela balbuciou, completamente desperta pela expressão acusadora com a qual Naruto a encarava – Me... desculpe. Mas só fiz aquilo porque...

–Pode parar. – Naruto interrompeu, impaciente – Não estou com humor pra ouvir mentiras, se vai continuar com isso está perdendo seu tempo.

–O quê?! – ela se surpreendeu.

–Você me ouviu. Não sou idiota. – disse o loiro, dando um passo na direção da Haruno, que o fitava atônita — Estou um pouco cansado dessa palhaçada de ficarem escondendo as coisas de mim. E sabe do que mais? – ele exibiu à rosada um sorriso cruel – Pra variar um pouco, dessa vez, vamos fazer as coisas do meu jeito.

–Não... não estou entendendo.

–Sim, você está. Afinal, não foi você que resolveu tomar as rédeas da situação e me nocautear?

–Fiz isso pra te proteger! – Sakura rebateu, indignada.

–Mentindo você não protege ninguém. Nem a si mesma. – Naruto falou, ainda encarando-a com ferocidade – E eu já estou cheio disso.

Sakura o fitava sem reação, pois não tinha como argumentar contra as palavras de Naruto. Sabia que vinha agindo de forma imprudente, mas sua intenção não era magoar seus amigos e sim protege-los.

–Eu amo você, Sakura. Como amiga e como irmã. – o loiro disse, fitando-a seriamente — Por isso, quero que fique ciente de que vou começar a agir e colocar ordem nesse inferno. Mas se ficar no meu caminho, não vou hesitar em passar por cima de você, assim como você não se importou em passar por cima de mim.

A rosada baixou os olhos, os ombros arriando. As palavras de Naruto pesavam sobre ela como chumbo, inundando-a em culpa.

–Parece que o Sasuke fez você esquecer o que é fazer parte de uma família. – ele disse, para em seguida virar as costas e abrir a porta, saindo rapidamente do banheiro.

A Haruno olhava fixamente para a figura do amigo, que se afastava a duras passadas.

Talvez, Naruto tivesse razão. Sasuke fazia com que ela se afastasse de sua família, e ela o fazia pelos motivos que achava serem os certos.

Mas da maneira errada.

Gaara acordou arfando de dor, assustado, agarrando repentinamente o pulso fino que tocava seu rosto com um pano molhado que fazia sua pele arder. Estreitou os olhos ao perceber que Ino estava sentada ao seu lado, tentando limpar seus ferimentos.

–Desculpe... – ela pediu, baixando os olhos – Não quis acordar você.

–Não... não foi isso. – o ruivo explicou, piscando, atônito. Não era saudável que Ino fosse a primeira coisa que ele via ao acordar. Mesmo com aquele olhar triste no rosto, ela ainda era linda e fazia seu coração acelerar de uma maneira estranha. Gaara esfregou o rosto levemente – Eu estava sonhando.

–Mesmo? – Ino sorriu um pouco – Com o quê?

–Com Sasori. – ele respondeu, desviando os olhos dela. Por isso não gostava de dormir. Sempre acabava atraindo lembranças desnecessárias e dolorosas.

–Hum... – a loira grunhiu, compreendendo.

–O que faz aqui? – Gaara perguntou, olhando para os lados, quase entrando em pânico ao perceber que estavam sozinhos.

–Temari me avisou que você estava machucado e...

–Temari é uma fofoqueira. – o ruivo resmungou, mau humorado. Será que ele estava falando grego quando pediu que ela não dissesse nada a Ino?

–Não fale assim dela. – a loira ralhou – Temari estava preocupada com você.

Gaara bufou e virou o rosto para o lado, sem querer encarar Ino.

–Não queria que você me visse assim. Já tem coisas demais com as quais lidar agora. – ele falou, franzindo o cenho, para logo em seguida se arrepender do gesto. Até franzir o cenho doía.

–Está tudo bem. – Ino garantiu – Eu estava... preocupada com você. – ela disse, voltando a acariciar o rosto de Gaara com o pano molhado.

O ruivo se ergueu um pouco, sentando-se, tentando não gemer de dor. Agarrou novamente o pulso de Ino, impedindo-a de continuar limpando seus ferimentos. Fixou os olhos no rosto que ela mantinha baixo, sentindo o coração se agitar.

–Sinto muito. – ele murmurou, erguendo levemente o rosto dela, a fim de encará-la – Chegamos tarde demais lá.

Por um momento, Ino fitou os olhos de Gaara fixos nos seus. O ruivo estava tão machucado e tinha uma expressão cansada que lhe dizia que ele podia desmaiar a qualquer minuto. Ela franziu o cenho, sentindo o coração pesar. Por que tudo tinha que ser tão complicado? Nos últimos dias, tudo parecia estar simplesmente desmoronando em uma confusão atrás da outra. Será que aquilo nunca teria um fim?

–Então... – ela pigarreou, se desvencilhando do olhar de Gaara – Conte-me seu sonho. – pediu, tentando distrai-lo para que pudesse voltar a limpar os ferimentos.

Ele coçou a cabeça.

–Não quero falar disso. – o ruivo falou, tediosamente.

–Por quê? Era ruim? – Ino questionou, confusa.

Gaara suspirou. Conhecia Ino o suficiente para saber que ela não o deixaria em paz com aquilo até que ele falasse.

–Não. Era bom. – ele respondeu, vendo-a fita-lo com insistência. Suspirou novamente – No sonho, Sasori estava vivo. Ele brigava comigo por eu chegar atrasado e me abraçava. Dizia que estava orgulhoso de mim e... – o ruivo se interrompeu, sem querer prosseguir.

–E...? – Ino insistiu.

Ele revirou os olhos. Não deveria ter dito nada.

–E que certas coisas devem ser deixadas para trás. – continuou, esperando a reação da loira.

–Ele estava certo. – Ino falou, sorrindo.

–Mesmo? – Gaara perguntou, irônico – Então você não tem nenhuma vontade de encontrar quem matou seu mestre e fazê-lo experimentar toda a dor que você está sentindo? A solidão, a perda, a vontade de morrer, a mágoa... Não está nem um pouco curiosa para ver o rosto do homem que tirou de você seu laço mais precioso? – provocou, trêmulo. Falar de Sasori não lhe fazia bem. Ele sempre acabava perdendo o controle e falando coisas que não deveria.

Pega desprevenida por aqueles questionamentos, Ino acabou passando o pano com força demais sobre os ferimentos de Gaara, fazendo-o arfar de dor novamente.

–Ai! – ele gritou, sem conseguir reprimir o gemido de dor.

–Desculpe! – Ino pediu, afastando a mão do rosto do ruivo.

Os dois se fitaram por um instante.

–E então? – ele insistiu.

–Pra falar a verdade... Não. – a loira respondeu, e parecia muito segura.

–Não? – Gaara se surpreendeu — Por que não?

–Porque isso não traria meu mestre de volta. – ela falou, se levantando. Ainda não estava pronta para falar sobre aquilo.

–Espera... Fica. – o ruivo pediu, segurando a mão de Ino. Ela o fitou, surpresa – Desculpe. Eu não devia ter dito essas coisas.

A loira permaneceu de pé, em silêncio. Não tinha estrutura o suficiente para lidar com aquilo. Simplesmente não tinha.

–Pode me ajudar a levantar? – Gaara perguntou, estendendo os braços, fazendo bico como uma criança.

Ino riu.

–Palhaço. – ela implicou, ajudando-o a ficar de pé.

Gaara cambaleou para frente, apoiando as duas mãos nos ombros de Ino, tentando se firmar no chão. Se caísse, não tinha certeza se conseguiria se levantar novamente.

Mas quando ergueu o rosto, ele deu de cara com os grandes olhos azuis de Ino a fita-lo com preocupação.

–Está tudo bem? – a loira perguntou.

Não, não estava tudo bem. Gaara podia sentir a tristeza que se instalava no peito de Ino, afinal, ele conhecia aquela dor. Como ela podia ser tão forte? Como podia sorrir para ele daquele jeito, mesmo passando por tudo aquilo? Como podia simplesmente tentar esquecer a dor e prosseguir?

Com certeza, Ino era mais forte do que ele jamais seria. Mesmo na dor, ela tentava sorrir e consolar os amigos. Estava sempre cuidando de todos, muitas vezes esquecendo de si própria. Não importava quantas vezes era esmagada – Ino era o tipo de flor que sempre descobria uma maneira de renascer, ainda mais bonita do que antes.

–Gaara? – ela chamou, percebendo que ele continuava a fita-la com uma expressão embasbacada. Será que ela o havia segurado com força demais?

Em vez de responder, o ruivo grudou os lábios nos de Ino, puxando-a para si pela nuca. Ela arregalou os olhos, surpresa, para lentamente fechá-los, entregando-se. Sem parar para pensar no que fazia, a loira enlaçou os braços em volta do corpo de Gaara, abraçando-o. Estar com ele era tudo o que ela estava precisando naquele momento.

Gaara gemeu, afastando-se dela. Baixou a cabeça, arfando.

–O que foi? – ela perguntou, receosa.

Ele sorriu, displicente.

–Seu abraço dói.

Ino estreitou os olhos, dando um leve tapa no ombro de Gaara

–Ai! Por que está me batendo enquanto estou ferido, sua psicopata? – o ruivo perguntou, indignado.

–A culpa é sua por me beijar desse jeito repentino, Ketchup! – ela respondeu, dando outro tapa em Gaara.

Os dois sorriram um para o outro, ficando em silêncio. Era engraçado como, de uma maneira ou de outra, sempre acabavam de volta ao ponto de partida.

–Acho que devíamos ir. – Ino quebrou o silêncio – O enterro deve ser daqui a pouco.

–Certo... pode me ajudar? – o ruivo pediu, já apoiando um braço no ombro de Ino.

Ela enlaçou o braço na cintura de Gaara, ajudando-o a caminhar.

–Em troca, eu ajudo você quando estiver pronta para ver Asuma. – ele disse, olhando para a loira com doçura.

Ino apenas sorriu, concordando.

Pelo menos teria a companhia dele para confortá-la quando enfim se deparasse com o corpo de seu mestre.

Naruto encostou-se na porta do escritório de Ino, dando de cara com aquele a quem tanto procurava. Cruzou os braços, observando a figura do sennin, que encarava tediosamente a tela do computador.

Jiraya estava sentado em uma poltrona, de frente para a escrivaninha. Não tinha um arranhão na pele, o que fez com que Naruto suspirasse de alívio. Seu mestre também havia voltado para ele.

–O que está fazendo? – o loiro perguntou, quebrando a quietude do escritório.

–Procurando uma música. – o sennin respondeu, sem olhar para ele.

–Que música? – Naruto insistiu, se aproximando. Sentou-se ao lado do mais velho, acomodando-se na poltrona.

Jiraya suspirou. Que música estava procurando? Alguma que lhe livrasse dos pensamentos desanimados que tomavam sua mente. Precisava se revigorar de alguma forma, e não queria demonstrar aquilo para ninguém, especialmente para Naruto. Ele deveria ser a rocha na qual todos se apoiariam naquele momento difícil. Não podia fraquejar, desanimar, demonstrar cansaço. Tinha que ser forte, por ele, por todos.

–Alguma que fale sobre mulheres e bebidas. – o mestre sorriu para a tela do computador, ainda sem encarar o discípulo.

–Hey Hey Hey What Can I Do, do Led Zeppelin – Naruto sugeriu, distraidamente.

O mestre arregalou os olhos, finalmente fitando o loiro com um olhar surpreso.

–Você tem razão. – disse, embasbacado.

–Tsc. Você parece surpreso. – Naruto resmungou, emburrado.

Jiraya gargalhou.

–Não faça essa cara de chateado. – falou o sennin, colocando a música sugerida para tocar pelas caixinhas de som do computador – Apenas me surpreendi porque... bem... acho que já ensinei tudo o que você precisava saber sobre música boa. – disse, exibindo ao loiro um sorriso triste e nostálgico.

A melodia encheu o pequeno cômodo e Jiraya suspirou, tentando absorver a frequência daquelas notas, na intenção de relaxar e tirar da mente os pensamentos insistentes que queriam lhe tirar a esperança. Ele era apenas humano, afinal. As coisas ruins que estavam acontecendo lhe atingiam com o mesmo peso com o qual os outros eram atingidos, e talvez lhe doesse ainda mais – ele havia visto Sasori amadurecer, havia presenciado os primeiros passos de Asuma na ORDEM, havia visto Itachi crescer. Além de tudo, sentia que suas costas doíam não só pelo peso de sua responsabilidade, mas também pelos muitos anos que carregava. Estava ficando velho.

A voz de Robert Plant, o vocalista da banda, soava quase uníssona ao barulho do sapato de Naruto, que batia o calcanhar no chão de forma ritmada.

–Sei que essa música faz você se lembrar da Tsunade. – disse o loiro, de repente.

–Tsunade? – Jiraya murmurou, distraidamente – Ah, sim... Acho que você tem razão...

Naruto fitou o mestre com um olhar preocupado. Jiraya parecia estar com a mente distante dali. Em que estaria pensando?

–Ei. – o loiro chamou – Está tudo bem?

–Sim. Estou apenas... pensando em tudo.

–Em tudo o quê? – o discípulo perguntou, curioso.

–Em tudo. Desde o dia em que resgatei você, até hoje. Em tudo o que aconteceu, em tudo que está acontecendo, em tudo que pode acontecer...

–Não achei que você gostasse muito de lembrar daquele dia. – disse Naruto, e dessa vez, foi ele quem desviou os olhos do mestre para fitar o computador.

–O dia em que resgatei você? – Jiraya perguntou, vendo o loiro assentir – Por que eu não gostaria de lembrar?

–Sei lá... – Naruto coçou a cabeça, impaciente e envergonhado – Foi o dia em que você arranjou essas cicatrizes no seu rosto. – falou, ainda com os olhos fixos na tela – Também acho que eu sou o motivo por você estar sempre envolvido em alguma coisa perigosa...

–Minha vida sempre foi assim. Na verdade, depois que resgatei você, as coisas até se acalmaram... – disse o mestre, sorrindo – O dia em que resgatei você é uma de minhas lembranças mais felizes, Naruto. – afirmou, esperando a reação do discípulo.

Naruto fitou o mestre e sorriu de volta para ele.

–Que bom. É a minha lembrança mais feliz também.

Os dois se fitaram por um momento, sorrindo, quando Jiraya novamente voltou-se para o computador.

–E por falar nesse dia... – disse o mestre, colocando uma música de Jimmy Hendrix para tocar.

–Eu sei que música é essa... – Naruto falou, sorrindo ainda mais – All Along The Watchower.

–Achei que você nem lembrasse. – Jiraya resmungou, fingindo-se de magoado.

–Claro que eu lembro. É uma de minhas favoritas, desde aquele dia.

Jiraya novamente sorriu, e os dois ficaram por um momento em silêncio, aproveitando a música que os fazia lembrar do dia em que haviam se encontrado pela primeira vez. Mal sabia Naruto que o dia em que ele havia sido resgatado não era a primeira vez em que Jiraya o vira. O mestre havia ouvido essa mesma canção no dia em que ele nascera, no dia em que o vira pela primeira vez. Um recém-nascido “com cara de joelho e muito chorão”, essas foram suas exatas palavras quando seu discípulo e amigo veio até ele para mostrar o filho. E ele não conseguia se esquecer disso porque foram aquelas mesmas palavras que haviam feito com que Kushina lhe desse um sonoro e dolorido tapa e gritasse “NÃO IMPLIQUE COM MEU FILHO OU EU LHE ARRANCO O RIM!”

–Ei, Ero-sennin! – Naruto chamou – Está me ouvindo?

O mestre piscou, tentando se esquecer das lembranças que haviam lhe tomado a consciência. Voltou a olhar para Naruto, e piscou novamente. Seu discípulo havia se tornado um homem – um homem com excelente gosto musical, graças a ele, e para o mestre aquilo era muito importante. As linhas vincadas do rosto amadurecido a sua frente, a expressão séria, os traços de amargura, apesar do sorriso que insistia em brilhar... Naruto havia crescido e se tornado um grande homem, apesar de toda a dor, de todo o sofrimento. Aquilo provavelmente significava que ele não havia sido um mestre tão irresponsável quanto pensava nas noites em que estava distante. Não havia feito um trabalho tão ruim, afinal. Se Sarutobi ou seu antigo discípulo estivessem vivos, iriam se orgulhar dele.

–Claro, estou ouvindo, sim. – Jiraya mentiu, voltando à realidade.

–Mesmo? Então o que eu estava falando?

–Ah... É... Bem...

Naruto estreitou os olhos.

–Já que estávamos falando de lembranças felizes, estava perguntando qual é a sua lembrança mais feliz de todas. Que lembrança estaria no primeiro lugar? Com exceção do dia em que você me encontrou, claro. – o loiro debochou.

–E por que você acha que está no primeiro lugar? – ironizou Jiraya.

–Apenas sei, ué. Vamos, não embroma. Diz ai.

–O meu primeiro ménage. Foi em Paris, com duas moças lindas e...

–Ero-sennin! Não preciso saber disso! – disse Naruto, tapando os ouvidos.

Jiraya novamente gargalhou.

–Qual é, sei que essa não é sua lembrança mais feliz. – o loiro reclamou.

–Tudo bem... Ah, tem uma! O dia em que você disse que não seria alcoólatra e pervertido igual a mim. Lembra disso? — Jiraya perguntou, rindo ainda mais alto.

–Eu não sou pervertido e nem alcoólatra como você! – Naruto se indignou, coçando a cabeça, sem jeito.

–Quê? – o mestre grunhiu entre as risadas – Se duvidar você bebe e transa mais do que eu!

–Ero-sennin! – o loiro murmurou, envergonhado – Estou falando de lembranças felizes e não de lembranças embaraçosas.

–Ah, isso é difícil... – divagou Jiraya, vasculhando a memória – Depois de ter encontrado você, minha lembrança mais feliz foi... Não sei... ser resgatado pelo Sarutobi. – disse, esperando que o discípulo se contentasse com aquela resposta.

–Você não parece muito animado com essa lembrança.

Claro que ele não iria se contentar com aquela resposta.

–Quando aprendi a controlar meu Dom. – Jiraya falou.

–Não está me convencendo. – o loiro insistiu.

–Ah, não sei! – o sennin se impacientou.

–Não acredito que eu sou sua única lembrança feliz, velho... qual é, tem que ter mais alguma coisa!

–Não tem. Você tem sido a coisa mais importante da minha vida, desde aquela época. – Jiraya falou, de uma vez – Acho que o dia em que você sorriu pra mim pela primeira vez e me chamou de “padrinho” foi o melhor dia da minha vida.

Naruto piscou os olhos, surpreso com aquela resposta. O sennin desviou o rosto para o computador, novamente digitando.

–Vou lhe mostrar só mais uma música... – disse, e logo outra melodia soou no ambiente.

–Janis Joplin. – Naruto imediatamente reconheceu a voz inconfundível da cantora.

Jiraya sorriu.

–Realmente, acho que não tenho mais nada pra te ensinar, moleque. – o mestre falou, bagunçando os cabelos do loiro como se ele ainda fosse um menino. Em seguida, se levantou – Estou indo ajudar Shikamaru com os preparativos do enterro. Isso não deve estar sendo nada fácil para ele.

–Tudo bem. – Naruto murmurou, distraído. Ainda pensava nas lembranças de seu mestre.

O sennin se afastou, caminhando em direção à porta, mas quando chegou na saída do cômodo, parou. Olhou para trás, onde Naruto continuava sentado, ouvindo Janis Joplin berrar Cry Baby.

–Ei, Naruto. – chamou, vendo o discípulo se virar para encará-lo.

–Que foi? – perguntou o loiro.

–Na verdade, tem outra lembrança feliz. – o mestre admitiu – Foi quando beijei Tsunade pela primeira vez. Foi um beijo roubado, mas ela acabou cedendo... Sempre achei que ela queria que acontecesse tanto quanto eu. Mas as coisas eram... mais fáceis, naquela época. Éramos jovens, tínhamos o futuro inteiro à nossa frente. Janis era a cantora favorita dela.

–O que houve depois? – questionou Naruto. Nunca havia entendido o por quê de Jiraya e Tsunade não ficarem juntos. Ela sempre pareceu querê-lo apenas como amigo, mas pelo que o mestre estava contando, as coisas já haviam sido diferentes, um dia.

–A vida aconteceu. – Jiraya respondeu, vagamente – Mas essa continua sendo uma de minhas lembranças favoritas, além de você, é claro. Na época, aquilo pareceu... certo. Natural. Como se devesse acontecer. Não sei se você entende isso.

–Acho que entendo. – o loiro disse.

Jiraya o encarou com atenção, desconfiado daquela resposta. Naruto parecia ter o coração confuso, descobrindo novos sentimentos.

As coisas estavam tomando o rumo que deveriam. E isso era bom.

–Se sabe, então não cometa o mesmo erro que eu cometi. Não deixe ela escapar. – disse o mestre, piscando para Naruto, antes de se virar e sair do escritório.

Naruto suspirou, virando-se novamente para o computador. Janis Joplin ainda cantava, a melodia animada, a letra, triste.

–Não vou deixar... – prometeu para si mesmo.

Quando Sakura voltou para a calçada, ainda tinha as palavras de Naruto fixas em sua mente. O que ele pretendia? Ela ainda não sabia e, para falar a verdade, tinha medo de saber. Naruto podia ser muito perigoso, quando queria.

Com esses pensamentos na cabeça, ela se sentou ao lado de Sai, Deidara e Kiba, surpreendendo-se ao ver Hinata sentada ali também. A morena estava um tanto assanhada e com as roupas sujas de terra, e Sakura logo se lembrou de que Naruto estava tão assanhado e sujo quanto ela. Tentou não se fixar muito nisso. Não era hora de pensar naquele tipo de coisa.

Todos permaneciam em silêncio, esperando o momento de partir.

Foi quando Sasuke interrompeu a quietude, virando-se para a rosada.

–Estou indo para o cemitério mais cedo. Encontro vocês lá.

–Por que você vai mais cedo? – Deidara questionou.

–Não te interessa. – o Uchiha respondeu secamente antes de dar as costas a todos e sair dali.

–Uau. Isso é que é bom humor. – Kiba ironizou.

–Deixem ele em paz. – Sakura pediu – Hoje não é um dia qualquer.

–Ah, é... eu tinha esquecido. Hoje é aniversário do Sasuke. – Sai falou tediosamente.

–Nossa, é verdade! Sasuke não gosta de comemorar os aniversários desde o que aconteceu com o irmão... – disse Kiba, bocejando.

–Se bem que ninguém sabe direito o que aconteceu com o Itachi. – Deidara cortou.

–É... Mas esse não é um aniversário qualquer. – disse Sakura, atraindo a atenção de Hinata, que continuava em silêncio.

–Ah, não? E por quê? – Kiba perguntou.

–Porque hoje o Sasuke completa vinte e três anos. – a rosada respondeu, os olhos verdes fixos na figura do Uchiha que se afastava dali a passos apressados na direção do carro.

Notas finais
Oi! E ai? Gostaram? O que acharam da conversa da Sakura com o Narutim? Acho que já tava na hora de ele colocar ordem nessa bagaça. Afinal, parece que todo mundo esconde alguma coisa dele, inclusive a Hinata! E tenho certeza de que ele não vai deixar quieto aquela história sobre o passado dela. Gaara e Ino, aaawwnnn. Por favor, esses dois são uma fofura, e a Ino é uma rocha! Ôh, mulher forte. Afinal, essa coitada sofre desde o começo dessa fic, mas mesmo assim, insiste em ter esperança e tentar sorrir. Quem sabe ela não enfia algum juízo na cabeça vingativa do Gaara? Não preciso nem dizer que adoro fazer cenas com o Jiraya e o Naruto. Esses dois são uma lindeza. Tomara que nada estrague essa alegria, MUWAHAHAHAHAHAHA! Calma, gente, é brincadeirinha. Kkkkkkkkkkkkkkkkk E o que é que tem demais em ser o vigésimo terceiro aniversário do Sasuke? Um passarinho me contou que capítulo que vem tem flashback! Ah, fico toda boba quando vejo alguém perguntando pelo casal SaiDeidariano! *0* Que massa ver vocês se empolgando com eles. Afinal, só falta esses dois se atracarem, né? Quem tiver dica de fic yaoi boa, ficaria feliz em ler! Seria ótimo ter algo em que me inspirar, já que não conheço muito esse gênero. Desde já agradeço xD Bom, é isso. Espero que tenham gostado então, por favor, não esqueçam de comentar e me dizer o que acharam. Façam essa autora-san feliz e deixem suas opiniões... São elas que me inspiram a continuar escrevendo ;) Até o próximo! Bjks!