Paraíso Sombrio

33 Vinte e três? De novo?


Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Descobri que vocês estão ficando muito mal acostumados! Quase todo mundo reclamou do tamanho do capítulo passado, dizendo que tava pequeno. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Gente, tava do tamanho normal, e eu preciso me vigiar, porque tenho tendência a escrever demais. Sei que alguns de vocês adoram os capítulos gigantenormes e ficaram empolgados com quão grande ficou o capítulo NaruHiniano, porém, não quero tornar a leitura dos capítulos extensa e enfadonha. Até porque, meus capítulos normalmente já são bem grandes! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Mas quem sabe não sai outro grandão que nem aquele? Tipo... tipo o de hoje @_@ Ok, eu sei que disse que não ia mais fazer capítulos tão grandes, mas acontece muita coisa nesse de hoje, inclusive uma treta máster, e eu estava ansiosa demais para ver a reação de vocês. Quero mandar um beijão pros meus leitores fieis que nunca deixam de comentar, e um abraço apertado para os novos leitores ;* Espero poder contar sempre com a opinião de vocês por aqui :3 Bom... Espero que gostem do capítulo! Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!



Memórias de um passado distante



A menina morena se encolhia no chão do quarto, ao lado da cômoda, esperando que a sombra do móvel fosse suficiente para escondê-la. Dali, ela podia ouvir o barulho de móveis sendo revirados e os gritos da mãe, que insistia em resistir ao que já havia virado rotina.

Seu padrasto havia chegado em casa bêbado novamente e fazia o show de costume. Um espetáculo sem fim que deixava sua mãe cheia de desenhos estranhos pelo corpo, desenhos que não desapareciam com a água; desenhos roxos, vermelhos e muitas vezes molhados com uma água salgada que persistia em rolar dos olhos perolados que distinguia os membros da família Hyuuga.

Trêmula, a menina tapou os ouvidos, sem querer mais ouvir os gritos da mãe ou os xingamentos do padrasto. Mesmo assim, o som atravessava suas pequenas mãos e lhe invadia a mente, até mesmo quando tudo estava em silêncio. Tudo aquilo ficava marcado em sua memória, repetindo-se como uma gravação através de suas pálpebras enquanto tentava dormir. Era impossível não ouvir, não ver, não sentir. Impossível viver em paz ali.

De repente, a mãe entrou no quarto da pequena, trancando a porta, para em seguida encostar-se na madeira, soluçando. Ao ver a figura da filha encolhendo-se por entre as sombras da noite, ela se aproximou, abraçando o corpo trêmulo e miúdo.

–Mamãe... Quando isso... vai acabar? – a menina perguntou, escondendo o rosto no colo da mãe.

–Shhhh... – a mais velha respondeu, embalando o corpo da pequena – Vai ficar tudo bem, meu amor... Tudo isso vai passar, um dia...

A garotinha suspirou, angustiada. Ela sabia bem que aquilo não passaria. Não teria fim.

Foi quando ouviu a mãe balbuciar a canção que ela sempre cantava quando queria fazê-la dormir e sonhar, tentando fazer a pequena esquecer de todo aquele inferno e abafar o som da voz e dos estilhaços que vinham da sala.

Lugar ensolarado, luz do amanhã... – a mulher cantarolou baixinho de encontro ao ouvido da menina, sem deixar de embalar o corpo pequeno que se encolhia ainda mais em seus braços – o amor irá brilhar pra você... Lugar ensolarado, a luz do amanhã... Vai despertar seu...

***

–Hinata... – a voz de Naruto soou como uma carícia aos ouvidos da morena. Ela abriu os olhos devagar, somente para dar-se conta de que havia adormecido por uns quinze minutos no sofá. Suspirou, frustrada. O sonho insistente de uma lembrança incompleta a perseguia há dias, e aquilo começava a incomodá-la. Por um momento, lembrou-se do que havia conversado com Sasuke e das perguntas que ele havia feito sobre seu passado. Ela não sabia muito bem como seu poder poderia estar atrelado a alguma lembrança da época em que era criança, mas talvez a memória daquele sonho pudesse ser uma pista.

Porém, sempre acordava quando sentia que estava prestes a descobrir algo importante.

Ela ergueu o corpo, sentando-se, esfregando os olhos.

E bocejou.

Naruto se ajoelhou diante da morena, apoiando as mãos na base da cintura dela.

–Está tudo bem? – ele perguntou, observando a frustração no rosto de Hinata.

–Sim. Onde estão os outros? – ela questionou, reparando que a floricultura estava em completo silêncio.

–Acabaram de sair. Eu disse a eles que íamos logo em seguida. – o loiro respondeu, sorrindo e aproximando o rosto do dela – Achei que você gostaria de se limpar um pouco antes de irmos... Tome um banho comigo. – ele pediu, roçando o nariz no da garota.

Hinata suspirou, encarando os olhos azuis de Naruto que a fitavam com insistência dominadora, e sentiu seu coração falhar uma batida. Como ele podia ser tão lindo e sedutor? Ela não tinha ideia. Tudo o que sabia era que poderia passar a vida toda acariciando aquele rosto bronzeado...

–Gosto de você assim. – o loiro falou, acariciando a bochecha dela. Só então a Hyuuga reparou que seu rosto queimava. Estava vermelha e não podia evitar. Aquela já havia virado uma reação natural quando pensava em Naruto.

Hinata enlaçou os braços no pescoço do loiro, fazendo-o sorrir ainda mais.

–Gosto disso também. – ele murmurou, sentindo Hinata roçar os lábios nos seus – Gosto muito disso...

A garota novamente suspirou. Caso se deixasse levar, era capaz de nunca saírem dali. Naruto parecia ser o tipo de homem insaciável. Mas ela queria tanto ficar e aproveitar a ideia do banho...

–Não podemos. – ela sussurrou, tentando convencer a si mesma – Precisamos nos apressar para o enterro de Asuma.

Ao ouvir o nome do falecido mestre, uma sombra de tristeza atravessou o olhar de Naruto, mas ele não se deixou abalar. Voltou a sorrir, depositando um demorado selinho nos lábios de Hinata, para em seguida erguer-se e caminhar na direção do banheiro, um pouco frustrado pela recusa da morena. Não sabia se conseguiria esperar muito para ter aquele corpo colado ao seu novamente. Simplesmente precisava dela. Não conseguia resistir.

Ela o seguiu até o banheiro, tão frustrada quanto ele, mas tentando não demonstrar aquilo. Hinata sabia que se o loiro notasse qualquer sombra de incerteza em sua expressão, não hesitaria em arrastá-la para o banheiro e arrancar-lhe as roupas. Só de pensar na ideia, ela sentia um arrepio lhe percorrer a espinha. Talvez, quando chegassem em casa, pudessem aproveitar para ficarem juntos daquela maneira mais uma vez... Mal podia esperar.

Naruto e Hinata foram realmente os últimos a deixarem a floricultura – o loiro havia insistido que ela lhe fizesse companhia enquanto ele dava “um trato” na aparência. Vendo-o passar água pelo rosto, livrando-se dos rastros de terra, ela resolveu fazer o mesmo. Quando Naruto desocupou o banheiro, Hinata entrou, tirando de si a areia, arrumando os cabelos desgrenhados, sacudindo os fios. Precisava era de um banho, mas por hora, aquilo bastava. Não tinham muito tempo para ficarem ali, afinal.

Quando a morena saiu do banheiro, dirigiu-se até o escritório, onde sabia que encontraria Naruto. Ouviu a voz forte do loiro soar pelo cômodo e achou que ele a estivesse chamando, mas, para sua surpresa, ele conversava ao telefone com outra pessoa. Ela parou na entrada, fitando a figura do Uzumaki pela fresta da porta entreaberta.

–Estamos em um momento delicado e não posso pedir esse tipo de coisa ao Shikamaru agora. Espero que você possa me ajudar, Shino. – Naruto dizia, encostado na janela. Por um momento, seus olhos caíram sobre as flores do grande jardim onde ficara confinado durante a madrugada, e ele não pode evitar sorrir – Descubra tudo o que puder e entre em contato comigo. Conto com seu sigilo e discrição. Ótimo. Obrigado, Shino. – agradeceu, para em seguida desligar e guardar o celular no bolso. Continuou com os olhos fixos nas flores, o sorriso involuntário ainda espalhado em seu rosto — Por que não entra, Hinata? – ele falou, ainda de costas, fazendo Hinata pular de surpresa e susto. O loiro então se virou para fita-la – É feio escutar as conversas dos outros, sabia? – acusou, exibindo um sorriso travesso, como uma criança que havia acabado de fazer uma coisa errada e sabia disso.

Ela entrou e se aproximou de Naruto, tentando não deixar transparecer seu embaraçamento.

–Quem é Shino? – Hinata perguntou, sem se deixar abater pela acusação irônica nas palavras do loiro.

–Um amigo. Preciso de uns relatórios sobre os lucros das empresas do Ero-sennin, e ele sempre cuida disso pra mim. – ele mentiu, sem se preocupar em ser convincente.

–Você está mentindo. – a morena acusou.

–Sim, estou. – ele sorriu mais ainda – Não tem tanta graça quando é com você, não é? – ele provocou, sem deixar de sorrir. Parecia estar se divertindo muito com aquilo.

–Do que está falando, Naruto? – a morena questionou, confusa e preocupada. Repentinamente Hinata se lembrou de uma característica do Uzumaki que ela havia aprendido logo quando começou a conviver com ele: Naruto era explosivo. Sempre. Afobado, impaciente e impulsivo. Vê-lo quieto nunca era um bom sinal.

E ela mal havia reparado que ele andava muito sossegado nos últimos dias.

Mau sinal. Definitivamente, aquilo era um mau sinal.

–De nada. – ele deu de ombros, agarrando-a pela cintura e trazendo-a para si – A propósito, estava lembrando o quanto você fica linda quando está entre as flores. E em baixo de mim. — disse, vendo a garota corar. Ele nunca cansaria de admirar aquela cor no rosto dela. Era impossível não sorrir para a timidez meiga da morena – Talvez possamos experimentar quão linda você deve ficar em cima de mim, quando chegarmos em casa.

Hinata fechou os olhos ao sentir o rosto de Naruto afundar em seu pescoço, aspirando-lhe a pele, invadindo-lhe a alma. Era difícil resistir às propostas indecentes que ele lhe fazia estando assim tão próximos.

–Meu cheiro ainda está em você... – o loiro murmurou, de encontro a pele do pescoço da garota. Ergueu o rosto, alcançando os lábios de Hinata, na intenção de beijá-la. Ela não resistiu, e aquilo sempre o fazia sorrir. Era bom que ele pudesse beijá-la e tocá-la sem a resistência de antes.

Ele a beijava devagar, vasculhando a boca de Hinata com carinho e habilidade que faziam as pernas da morena fraquejarem. Ela enlaçou os braços pela cintura de Naruto, apertando-o contra si, e quando sentiu que ele sugava sua língua com mais força, gemeu baixinho, o som abafado pelos lábios do loiro. Insatisfeito e desperto por aquele gemido, ele puxou levemente os cabelos dela para trás, deixando o pescoço pálido da garota exposto. Naruto sorriu um pouco ao perceber leves marcas vermelhas na pele de Hinata, resultantes do momento que haviam passado juntos no jardim.

Passou a língua pelas marcas devagar, apreciando o gosto da pele da morena, que ainda se misturava ao seu. Sentiu Hinata estremecer em seus braços e se afastar. Ele suspirou de frustração. A queria ali e naquele momento. Simplesmente precisava dela.

–Pre... precisamos ir! – a garota arfou, desvencilhando-se de Naruto e caminhando até a porta. Se continuassem com aquilo, ela não seria capaz de pará-lo. Ela não queria pará-lo.

Ele apenas revirou os olhos e a acompanhou, seguindo-a em direção à saída da floricultura em meio a beijos roubados e carícias ousadas. Quando enfim trancaram o local, dirigiram-se ao carro, e Naruto abriu a porta do veiculo, dando passagem à Hinata.

–Entre no carro, garota. – ele pediu, sorrindo, esperando que a morena se lembrasse daquela frase.

Apesar de tudo o que estava acontecendo, de toda a tristeza que rondava seu olhar, Naruto parecia com um bom humor que, aparentemente, não tinha justificativa. Ele sorria e brincava, alegre, como se estivesse, enfim, no controle da situação.

–Hum... por que sinto que você já me disse isso antes? – ela ironizou, entrando no carro, lembrando-se do dia em que ele a levara da escola. O dia em que se conheceram, o dia em que ele quase a matou de medo. O dia em que ela renasceu para a vida.

Naruto soltou uma risada, fechando a porta do veículo, para em seguida dar a volta pela frente e sentar-se no banco do motorista. Ela lembrava.

–Você está de bom humor. – Hinata comentou, estreitando os olhos, desconfiada.

–Apesar de tudo, da morte de Asuma, de toda a dor... o dia não lhe parece estar mais bonito do que nunca? – ele perguntou, sem deixar de sorrir.

Pela janela do carro, Hinata olhou para o céu, que estava colorido com um azul limpo de nuvens. De longe, ela podia enxergar as árvores do jardim de Ino balançando-se com o vento, alguns pássaros voando, a brisa fazendo com que seus cabelos balançassem um pouco.

Mas, quando a morena se virou para Naruto, a fim de responder àquela pergunta, ela viu os olhos azuis a mirá-la com carinho, desejo e fascínio, e não pôde conter o suspiro que escapou de seus lábios. Será que era muito ruim se sentir feliz em meio a todo aquele caos?

–Sim, o dia está lindo... – Hinata respondeu, sem tirar os olhos dos dele. O céu mais bonito era o daquele olhar azul que a fitava com contentamento.

Sorrindo, Naruto deu a partida, afastando-se da floricultura, sem deixar de pensar que os olhos de Hinata tinham a cor das nuvens que completavam o céu de seu olhar. Ela havia nascido para ser dele. Era assim que tinha que ser.

Memórias de um passado distante

Naquela manhã, Sasuke acordou contente, tão contente quanto qualquer menino de dez anos acordaria ao saber que, naquele dia, seu irmão mais velho – e mestre – estava fazendo aniversário. Uchiha Itachi não era só seu irmão; era o exemplo que ele seguia, desde que um trágico acidente os deixara órfãos. Itachi havia sido, desde sempre, o responsável pelo desenvolvimento de seu poder, o Dom da família, a energia que fluía em seu sangue como prova de que pertencia ao clã Uchiha: o sharingan.

Sasuke estava um pouco desapontado com o fato de que seu poder ocular ainda não havia despertado – principalmente depois de saber que o sharingan de Itachi havia despertado quando ele tinha apenas seis anos de idade. Mas aquilo não lhe surpreendia nem um pouco. Itachi era um prodígio, e mesmo amando-o imensamente, Sasuke ainda desejava superá-lo. Não apenas por uma questão de competitividade, mas também por querer orgulhar o irmão mais velho.

Silencioso, o menino entrou no quarto onde o irmão repousava, sorrindo, traquina. Quase desistiu da ideia de acordá-lo quando fitou a expressão serena com a qual Itachi dormia, os traços vincados de seu rosto maduro suavizados pelo sono. Mesmo assim, atrapalhar aquela tranquilidade era tentador demais.

Sem pensar duas vezes, Sasuke atirou-se na cama do irmão, pulando no colchão, berrando como se não houvesse amanhã:

–BOOOOM DIAAAAA, ITACHIIIII! FELIZ ANIVERSÁÁÁÁRIOOOOO! ACOOORDAAAA ! – gritou, vendo o mais velho acordar num pulo com o susto, abrindo os olhos, assustado, como se a casa estivesse sob ataque.

Ao se dar conta do que estava acontecendo, Itachi fitou Sasuke com a uma expressão incrédula, sentindo uma veia saltar em sua testa.

–O que está fazendo, pestinha? – resmungou, encostando novamente a cabeça no travesseiro, colocando o antebraço sobre os olhos.

Mas Sasuke não desistiria de tirá-lo da cama.

–VAAAAAAMOOOOSSSS, TEM UMA COISA PRA VOCÊ NA SALA! – gritava o pequeno, agitado. Seus pulos sacudiam o colchão, fazendo o corpo de Itachi quicar sobre a superfície macia.

–Sasuke, juro por Deus que se você não me deixar dormir, eu vou atirá-lo pela janela. – grunhiu o mais velho, colocando o travesseiro sobre o rosto.

–ESSE NEGÓCIO DE DORMIR DEMAIS É COISA DE QUEM TÁ FICANDO VELHO, HEIN? QUANTOS ANOS VOCÊ TÁ COMPLETANDO? QUARENTA? – o menino provocou, berrando e pulando no colchão, sabendo que falar de idade com Itachi era o mesmo que apunhala-lo. O irmão detestava admitir que estava envelhecendo.

Itachi se levantou, desistindo de dormir. Sua sobrancelha esquerda tremia enquanto ele tentava, a todo custo, não calar o irmão com um cascudo.

–Vinte e três. – respondeu, esfregando os olhos, querendo espantar a sonolência.

–Vinte e três? De novo? – Sasuke alfinetou.

Impacientando-se, Itachi agarrou o irmão pela orelha.

–Então, o que tem na sala? – perguntou o mais velho, arrastando Sasuke para fora do quarto.

–AAAAIIII, SOLTA MINHA ORELHA, SEU IDOSO! – berrava o menino.

Outra veia se destacou na testa de Itachi, enquanto ele torcia a orelha de Sasuke um pouco mais.

–Tomara que seja um presente muito bom, para compensar sua malcriação... – o mais velho resmungava distraidamente, mas ao chegar na sala, deparou-se com a cena que o fez estancar na porta.

–SURPREEEESAAAAAA! – gritaram.

Jiraya, Tsunade, Sasori, Deidara, – um adolescente que vivia grudado em Sasori, inquieto e um tanto irritante, mas uma boa pessoa, na opinião de Itachi — Asuma e Kurenai sorriam para ele, acompanhados de Naruto, Sakura, Gaara, Temari, Kankurou, Ino, Shikamaru e Chouji, crianças que estavam mais interessadas nos doces do que em seu aniversário. Ótimo. Mais pestinhas.

A grande sala estava decorada com balões vermelhos e pretos, letras formando o seu nome em papel laminado estavam grudadas na parede e um bolo imenso jazia no meio da mesa, o símbolo de seu clã estampado em meio ao glacê. Doces, salgados, refrigerantes e algumas garrafas de vodka e uísque rodeavam o bolo.

–Mas o que... – o Uchiha mais velho murmurou, boquiaberto.

–Feliz aniversário, Itachi! – Tsunade alarmou, avançando na direção do moreno para abraça-lo.

–Isso é pra mim? – ele questionou, incrédulo.

–Claro que é pra você, rapaz! – bradou Jiraya, aproximando-se para abraça-lo também.

–Quantos anos vocês acham que eu tenho? – Itachi perguntou, indignado.

–Vinte e três? – alfinetou Sasori, sorrindo – Eu falei que ele ia ficar puto. – resmungou para Deidara.

–Cala a boca, Sasori. – Itachi respondeu, revirando os olhos, para logo em seguida abraçar o amigo. O melhor amigo.

–Por que demorou tanto a acordar? Você sabe que eu detesto ficar esperando! – Sasori reclamou.

–Você e sua paranoia com horários... Como é que eu ia saber que não era pra me atrasar se a festa foi uma surpresa? – o moreno resmungou.

–Não quero saber! E eu não sou paranoico, sou pontual! – indignou-se Sasori.

–Tá, tá, tá, que seja! – Itachi implicou, afastando-se do ruivo antes que ele começasse a divagar sobre a importância da pontualidade. Sasori as vezes pirava.

Abraçou Asuma e em seguida Deidara, ouvindo o loiro fazer piadinhas sobre os balões, o bolo e sua idade. Mas, quando se aproximou de Kurenai, sentiu seu coração apertar. Era impossível olhar para ela e não sentir o sorriso espalhando-se por seu rosto de forma involuntária.

–Parece que alguém está completando mais um aninho de vida... – ela brincou, cutucando um balão.

–Pelo amor de Deus, Kurenai, você não pode ir na onda do Sasori e do Deidara. – Itachi reclamou, sem conseguir deixar de sorrir. – Já bastam Jiraya e Tsunade, que acham que ainda sou uma criança.

–Tem razão... um homem de VINTE E TRÊS anos já deveria ter seus próprios balões para as festinhas de aniversário. – Kurenai alfinetou.

–Isso foi obra do Sasori, não foi? – Itachi suspirou, ignorando a piada sobre sua idade. Afinal, Kurenai tinha a mesma idade que ele, e portanto sabia que o moreno não estava completando vinte e três anos coisa nenhuma – Por favor, diga que foi.

–Não ligue para isso... Sasori é seu melhor amigo, isso dá a ele alguns direitos de gozação. – ela justificou, fitando o Uchiha com doçura.

Itachi se perdeu nos olhos de Kurenai por um instante, esquecendo-se de que deveria falar ou fazer alguma coisa. A meiguice daquela moça o tirava do sério.

–O Itachi gosta da Kurê-ê! – Sasori berrou enquanto passava por Itachi e Kurenai, tirando os dois do transe em que pareciam estar — O Itachi gosta da Kurê-ê! — implicou, parecendo uma criança.

–Eu vou esmurrar você, Sasori... – Itachi balbuciou, corando instantaneamente.

Kurenai riu, fazendo o Uchiha parar novamente para admirá-la. Como era possível que ela fosse tão linda?

Deidara passou pelos dois, dando um leve tapa na cabeça de Itachi. O moreno não reclamou – estava mesmo precisando de uns trancos. Esfregou as mãos no rosto, querendo afastar os pensamentos que lhe enevoavam a mente. Precisava esquecer aquela mulher! E, pela maneira como Asuma olhava para ela, precisava esquecer logo! Asuma e Kurenai se casariam na semana seguinte, e não era bom que ele deixasse aqueles pensamentos confusos sobre ela persistirem em sua mente. Precisava tirar aquilo da cabeça. Ela iria se casar. E não havia nada que pudesse fazer a respeito.

Tentando se livrar daquelas ideias absurdas, Itachi olhou para a mesa, quase entrando em desespero ao ver os balões, as fitas, todas aquelas coisas que, com certeza, eram fruto das mentes perversas de Sasori e Deidara. Sasuke e as outras crianças já se fartavam com os doces, sem se interessar pelo estardalhaço dos adultos.

–Pelo menos ele está se divertindo. – Itachi murmurou, percebendo o sorriso de Sasuke ao lado de Naruto.

Desde a morte de seus pais, Sasuke não sorria muito. Mas, quando Jiraya apareceu com aquele loirinho problemático e agitado, as coisas haviam mudado. Não só Sasuke, mas todas as crianças pareciam mais alegres. Até mesmo aquele menininho ruivo e estranho, com uma expressão sempre igual e sombria, parecia ter mudado um pouco.

Aquele tal de Gaara lhe dava arrepios. Mentalmente, Itachi tinha sérias dúvidas se Sasori conseguiria mesmo ter algum progresso com aquela criança.

–Que horas vamos bater os parabéns? – Asuma perguntou, aparecendo repentinamente perto de onde estavam Itachi e Kurenai.

–Você também tá nisso? – perguntou o Uchiha, fingindo indignação.

–Sim, sim, foi tudo obra do Asuma! – gritou Sasori, com a boca cheia de doce – Bate nele, Itachi!

–Peraí, o quê? – Asuma grunhiu, inocentemente – Mas os balões e o bolo foram ideias su...

–Tá esperando o quê pra bater nele, Itachi? – interrompeu Sasori, a palavras soando quase ininteligíveis pela quantidade de doces que ele colocava na boca.

–Quer que eu dê uns tapas nele pra você? – Asuma perguntou a Itachi, sorrindo.

–Não, pode deixar, eu mesmo vou cuidar dele mais tarde... – o Uchiha respondeu.

Kurenai soltou um suspiro cansado, revirando os olhos para toda aquela agitação.

–Vocês são uns idiotas. – ela resmungou – Tá tudo tão fofinho...

–E-eu vou ali dar uma olhada nos pestinhas, po-por que vocês não comem alguma coisa? – Itachi murmurou, querendo se desvencilhar da doçura na voz de Kurenai. Sem esperar por uma resposta, ele se afastou, deixando Asuma e Kurenai sozinhos. Asuma era um cara legal. Facilitaria as coisas para ele.

Ao se aproximar da mesa onde as crianças estavam se empanturrando com comida, Itachi reparou que alguns deles falavam baixo, quase sussurrando, evitando serem ouvidos pelos adultos. Sorrateiramente, o mais velho se aproximou por trás, a fim de saber do que se tratava aquela conversa secreta.

–Você já reparou que faz cinco anos que o Itachi completa vinte e três anos? – Naruto cochichou para Sasuke.

Todo ano era a mesma coisa. Quando perguntavam quantos anos Itachi estava completando, ele respondia que eram vinte e três.

–Já... mas ele acha que a gente é idiota demais pra perceber que ele é mais velho do que admite... – Sasuke respondeu, parecendo desgostoso.

–Seu irmão é um bobo. – resmungou Sakura.

–A testuda tem razão... – Ino concordou – Por que seu irmão quer ter vinte e três anos pra sempre?

–Pra quê vocês querem saber dessas coisas problemáticas? – Shikamaru reclamou – Por que não fazem igual ao Chouji, que só come e fica calado? Que saco.

Chouji estreitou os olhos para o comentário, mas sua boca estava cheia e ele não podia se defender.

–A Ino porca tá certa. – Sakura intrometeu-se, implicante – Será que ele pensa que ninguém percebe que ele não tem vinte e três anos faz muito tempo?

–O que é que vocês estão cochichando ai, hein, pentelhos? – Itachi perguntou, fazendo as crianças pularem de susto.

–NADA! – responderam, em coro.

–Vocês não estavam me chamando de velho, estavam? – questionou Itachi, fazendo a expressão mais sombria de que era capaz – Vocês sabem como eu fico bravo quando questionam a minha idade, não sabem?

–Ele descobriu! – Sasuke gritou para os amigos – Corram, galera, corram!

–AAAHHHH, SEUS PESTINHAS, EU VOU PEGAR VOCÊS! – Itachi berrou, correndo atrás das crianças, que saiam da casa e espalhavam-se pelo jardim, gargalhando.

–Opa, massacre de criancinhas? — perguntou Sasori, largando a comida – Eu ajudo!- falou, preparando-se para correr até o jardim, mas percebeu que Gaara havia ficado para trás, perto da mesa, encarando o vazio de forma inexpressiva – Ei, você não vem, não?

Gaara não respondeu. Apenas permaneceu com a mesma expressão vazia de sempre, ignorando a pergunta de seu mestre.

Uma veia saltou na testa de Sasori.

–Corre, Gaara. Corre agora ou eu vou te cobrir de cascudo. – o mestre ameaçou, tentando manter a expressão controlada.

–O quê? – perguntou o garoto, sem entender aquela atitude repentina.

–Corre! – Sasori ordenou, e parecia tão irado que o ruivinho não teve alternativa a não ser correr para onde as outras crianças estavam, fugindo.

Com o corpo miúdo de Ino em baixo de um braço, pendurada pela cintura, enquanto corria atrás das outras crianças, Itachi sorriu ao perceber que Gaara havia se juntado à algazarra, fugindo de seu mestre, que o perseguia como um louco.

Sasori tinha, realmente, um jeito muito estranho de ensinar.

–E aí? Como está a nossa aposta? – Tsunade perguntou, olhando para Jiraya com uma expressão debochada.

–Por enquanto, estou ganhando. – o sennin respondeu, piscando para ela.

Tsunade riu, feliz, para em seguida voltar o olhar para a movimentação à sua volta.

–Essa geração... olha como eles cresceram! – ela falou, olhando para Sasori, Deidara, Kurenai, Asuma e Itachi – Parece que foi ontem que nós vimos o Itachi brincar com Kurenai e Sasori no jardim da ORDEM, quando ainda eram desse tamainho...

–O tempo passa rápido... – Jiraya concordou, mas seus olhos não estavam mais sobre os adultos que Tsunade fitava com tanta ternura. O mestre detinha-se nos pequenos que corriam animadamente, fugindo da algazarra de Itachi e Sasori, dentre eles um loirinho de olhos azuis que sorria para Sasuke como se estivesse olhando para um irmão. Suspirou – Rápido demais...

Depois de ter derrubado todas as crianças, uma por uma, e ter atacado Sasuke e Naruto com uma dose extra de cócegas, Itachi se deitou na grama do jardim, decidindo ignorar a decoração bizarra que Sasori havia planejado para seu aniversário. Mais um ano. A vida parecia ficar mais difícil a cada primavera que via florescer.

O Uchiha suspirou distraidamente quando Sasori deitou-se ao seu lado, fitando o céu azul totalmente livre de nuvens. O dia estava tão bonito...

–Vinte e três anos não são mesmo suficientes pra correr atrás desses pestinhas... – o moreno comentou, e logo em seguida, bocejou. Ainda estava com um pouco de sono.

–Vinte e três, né? Sei. E eu tenho quinze. Acho que as espinhas estão começando a nascer de novo... – Sasori debochou.

Itachi novamente suspirou, mas não conseguiu evitar que o riso escapasse de seus lábios. Sasori sabia como fazê-lo sorrir, mesmo quando implicava.

–Vai ficar ai com essa cara de horizonte? Por que não fala de uma vez pra Kurê o que você sente? Se você se atrasar demais, o Asuma vai lá e... – o rosado começou seu discurso de sempre, mas o Uchiha logo tratou de interrompê-lo.

–Quer parar de meter o bedelho onde não é chamado, Sasori?

O rosado bufou. Sabia que, mais cedo ou mais tarde, Itachi iria se arrepender daquela covardia. O casamento de Kurenai se aproximava, e o Uchiha não fazia nada a respeito. Por que diabos ele não fazia nada a respeito? Sasori não entendia.

–Se você quiser, Deidara e eu explodimos aquele casamento. – o rosado propôs – Colocamos a culpa no Gaara. Todo mundo tem medo daquele garoto, ninguém vai querer brigar com ele.

Itachi soltou uma risada. Sasori era mesmo louco.

–E por falar em Gaara, como está sendo treinar um Jinchuuriki? – o moreno perguntou.

Sasori suspirou.

–Difícil... – respondeu, fitando o discípulo que estava parado com uma expressão sombria a poucos metros de onde ele e o Uchiha estavam deitados – Mas não impossível. Tenho muitas esperanças naquele moleque, Itachi. Tenho certeza de que consigo ajuda-lo a encontrar a alegria de viver.

–E se você não conseguir?

–Vou morrer tentando. – respondeu o rosado, sorrindo.

Foi a vez de Itachi suspirar. Apesar de maluco, Sasori era a pessoa mais generosa que ele conhecia. E quando ele colocava uma coisa na cabeça, ninguém era capaz de tirar.

–Então, que vigésimo terceiro aniversário é esse? O centésimo? – Sasori debochou.

–Sei lá... deve ser o quinto. Já perdi a conta.

Os dois riram e voltaram a fitar o céu azul. Que dia bonito...

–Eles ainda estão vigiando a sua casa, não estão? – o rosado perguntou, repentinamente.

–Sim. – foi a única resposta do Uchiha.

Itachi sabia bem que era por isso que Tsunade, Jiraya e Sasori estavam ali. Toda aquela algazarra, aquela decoração ridícula, tudo aquilo era apenas uma desculpa para que pudessem checar se estava tudo bem com ele e com Sasuke. Há alguns meses ele havia notado que estava sendo seguido, que sua casa estava sendo observada, porém, ainda não sabia por quem. E não podia simplesmente atacar quem quer que o estivesse seguindo. Tinha que saber a mando de quem, tinha que saber se havia um plano. Tinha que ter certeza se estavam atrás dele ou de seu irmão. Não poderia deixar que nada de ruim acontecesse com Sasuke. Por isso estava sendo tão cauteloso.

–Você sabe que só precisa dar a ordem pra que qualquer um de nós dê cabo dessa corja que tá te seguindo, né? – Sasori perguntou, sério.

–Sei. Mas ainda não é a hora.

–E quando vai ser a hora? Quando eles te atacarem, ou atacarem o Sasuke?

Obviamente, Itachi já havia sido atacado, mas não relatara nada a ninguém. Ele tinha sérias suspeitas do que estava acontecendo, e não gostaria de causar um alarde daquela magnitude. Precisava ter certeza.

–Não. Quando eles derem o primeiro passo em falso. Essa será a hora de dar cabo deles. – o Uchiha respondeu, os olhos fixos na figura miúda de Sasuke, que brincava animadamente ao lado das outras crianças.

Quando todos saíram da casa, deixando Itachi e Sasuke sozinhos, os dois trataram de tentar arrumar a bagunça que havia ficado no lugar. E tinha uma coisa que Itachi não sabia a respeito de crianças, até que seus pais morreram: elas davam trabalho. Muito trabalho.

–Eu posso comer bolo? Eu posso, Itachi? – Sasuke perguntou, repetindo o pedido que fazia a cada cinco minutos.

O mais velho catava os copos descartáveis do chão e colocava em um grande saco de lixo, já quase cheio. Suspirou.

–Já disse que não. Você já comeu doce demais, vai acabar passando mal.

–Não vou, não! – protestou o pequeno, enquanto retirava as letras do nome de Itachi da parede – Por favooooooooor! – pediu.

–Já disse que não, Sasuke. – Itachi respondeu, calmamente.

–Ah, é? Pois próxima semana é o meu aniversário, e você vai ver só! Vou comer todos os doces que eu quiser!

–Tudo bem.

Sasuke bufou. Odiava quando seu irmão o ignorava daquela maneira, parecendo tão calmo mesmo quando o pequeno tentava a odo custo tirá-lo do sério. Obviamente, o que Sasuke não sabia era que Itachi tinha outras coisas em mente. Não conseguia tirar da cabeça a preocupação por sua casa estar sendo vigiada vinte e quatro horas por dia. Tinha medo por seu irmão. Ele era tudo o que lhe restava. Não podia perde-lo também.

Um minuto de silêncio se passou. Itachi agradeceu por aquela quietude; Talvez Sasuke houvesse, enfim, decidido se aquietar, o que lhe daria espaço para organizar sua mente. Se o pequeno já tinha toda aquela energia naturalmente, imagina o que aconteceria se deixasse ele se entupir de açúcar. Não teria sossego nunca mais.

–É verdade que na próxima semana o tio Asuma e a tia Kurê vão se casar? – Sasuke perguntou, quebrando o silêncio.

Ah, sim. Havia também essa preocupação na mente de Itachi.

–O nome dela é Kurenai. – o mais velho corrigiu, lembrando-se de quem costumava chamar a garota daquele jeito – Não fique repetindo as coisas que Sasori diz.

–Se você casasse com a tia Kurê, vocês poderiam vir morar aqui, e ai...

–Sasuke, — Itachi interrompeu os delírios empolgados do irmão – não vai acontecer.

–Você é muito chato, hein? Quando é que vai admitir que gosta dela?

Itachi suspirou. Sasuke estava a todo vapor, naquele dia. Para evitar falar de coisas que o pequeno não compreenderia, era melhor que não respondesse.

Mas antes que pudesse continuar com aquele pensamento, Itachi notou uma pequena movimentação do lado de fora de sua casa. Havia sido algo quase imperceptível, porém, ele era um Uchiha. Nada passava despercebido aos seus olhos.

Ele se aproximou de uma das gavetas da cômoda, checando se o que havia guardado há algumas semanas ainda estava lá.

–Pra quê você guarda essa arma? – Sasuke perguntou, aparecendo repentinamente atrás de Itachi, fazendo-o pular de susto. O menino parecia surpreso.

–Para casos de emergência. – Itachi respondeu, colocando a arma no mesmo lugar e fechando a gaveta.

–Mas você é forte e poderoso... E tem o sharingan mais legal do clã. Não precisa de arma.

–Eu sei. Ela não é para mim.

–E é para quem?

–Sabe de uma coisa, pestinha? Pode comer o bolo. – Itachi falou, esperando que aquilo distraísse o irmão.

–Sério? – o pequeno perguntou, os olhos negros brilhando de contentamento.

–Sério. Coma o quanto quiser, mas não quero saber de você reclamando de dor de barriga, mais tarde, ouviu?

–Certo! – Sasuke respondeu, correndo em direção a cozinha para retirar o bolo confeitado da geladeira.

Enquanto via o irmão se afastar, Itachi suspirou. Agora Sasuke sabia onde encontrar algo que poderia ajuda-lo a se defender, caso o pior acontecesse.

***

–Sasuke! – o moreno ouviu alguém gritar o nome dele, e em seguida, sentiu um tapa certeiro atingir-lhe a cabeça, retirando-o bruscamente do transe de lembranças no qual estava mergulhado.

Voltando ao presente, seus olhos voltaram a fitar a lápide de Itachi a sua frente. Olhou para o lado, vendo Hinata sentada ao seu lado.

–Faz algum tempo que chamo você... achei que estivesse dormindo ou algo do tipo. – ela se justificou, sorrindo.

O moreno apenas a ignorou e voltou os olhos para o túmulo de seu falecido irmão.

–Parabéns. – a morena falou, ainda sem obter nenhuma reação – Vinte e três anos, hein?

Mas como resposta, havia apenas o silêncio.

–Ele era um rapaz bonito, não era? – Hinata comentou, fitando a lápide também – Se parecia muito com você...

Sasuke suspirou pesadamente. Não estava com paciência para aturar discursos de piedade ou de compaixão. Não naquele dia.

–Sinto muito... pelo que aconteceu. – ela continuou, sem saber exatamente o que dizer.

–Já acabou? – o Uchiha perguntou, parecendo irritado.

Os outros estavam um pouco distantes dali, perto de onde acontecia o enterro de Asuma. O caixão já havia descido, já estava coberto de terra, mas algumas pessoas permaneciam no local, gente que Hinata nunca havia visto em sua vida, mas que pareciam ser conhecidos de seus amigos. De onde estava sentada, a morena podia ver claramente a figura de Naruto, de pé, usando óculos escuros, perto do túmulo. Do outro lado da lápide de Asuma estavam Gaara, Ino e Sakura. Jiraya estava um pouco isolado, distante dos outros. Tinha a expressão tranquila. Mais tranquila que o normal.

–Não, ainda não acabei. – Hinata respondeu, tirando os olhos de seus amigos para volta-los para Sasuke – Quero que você seja meu mestre.

–Não.

A garota piscou, incrédula.

–Como “não”? – ela grunhiu — Você foi o único que conseguiu me ajudar a ter algum progresso com o meu poder!

–A resposta ainda é não.

–Por que não? – Hinata questionou.

–Não posso ser seu mestre. Você vive me atacando. – Sasuke argumentou, tediosamente.

–Isso é porque você vive me provocando! – Hinata rebateu, indignada, dando um tapa no braço do moreno.

–Ai. – ele falou, enfaticamente.

–Desculpe! – a morena pediu, sem saber como convence-lo – Juro que não bato mais em você! Eu juro!

–Não quero saber. – o Uchiha respondeu vagamente. Sequer parecia estar prestando atenção no que Hinata dizia.

–Se você não aceitar, eu... eu... eu vou contar tudo ao Naruto! – ela tentou.

–Ótimo. Aproveitamos e fazemos uma reunião, pra eu contar o que sei de você também. Vai ser lindo. – Sasuke ironizou.

Hinata bufou, indignada. Como poderia convencer aquela pedra de gelo?

–Eu... eu vou... eu vou... – ela vasculhava a mente em busca de uma ideia – Eu vou empurrar o Kiba pra cima da Sakura! – soltou, sem parar para pensar no que dizia.

–O quê? – o moreno guinchou.

A Hyuuga sorriu.

–Sim... você já viu o jeito que ele olha pra ela?

–Não é muito diferente do jeito que ele olha pra Ino. Não sei como Gaara ainda não matou aquele cara. – ele falou, tediosamente – Na verdade, achei que o Kiba gostasse de você.

Hinata piscou. Do que Sasuke estava falando?

–Não estou dizendo que ele gosta da Sakura, mas... Poderia acontecer, não poderia? Ela é uma mulher bonita, e até onde sei, está livre e desimpedida. Talvez ela pudesse encontrar algum consolo no ombro do Kiba e... – a morena divagava, sem conseguir controlar as palavras. Talvez estivesse assinando a sentença de morte de Kiba, mas resolveria as coisas depois que conseguisse o que queria.

–Você não ousaria, Hyuuga. – Sasuke sibilou, sua máscara de frieza se desfazendo por um momento.

Ela sorriu, satisfeita, vendo o moreno bufar.

–Naruto está sendo uma péssima influência pra você. – ele reclamou — Está te transformando em uma manipuladora.

–Já ouvi isso antes. – Hinata respondeu, alegre – Então... você aceita?

Sasuke revirou os olhos. Não conseguia acreditar no que estava acontecendo ali.

–Faça o que quiser. Não me importo. – ele respondeu.

–Sasuke! – a morena gritou, dando outro tapa no Uchiha – Ela gosta de você, seu insensível!

Ele respirou profundamente. Pelas suas atitudes nos últimos dias, não tinha tanta certeza se a rosada continuava sendo sua. Sentia que a estava perdendo, mas não conseguia fazer nada a respeito.

E Hinata se aproveitava daquela fraqueza.

–E então? – ela pressionou.

Sasuke se levantou, passando as mãos pelo rosto, impaciente.

–Você vai ter que obedecer a todas as minhas ordens. – ele falou, vendo Hinata se levantar e exibir-lhe um enorme sorriso de contentamento – Terá que me jurar obediência, não importa a circunstância. Se eu mandar você matar alguém, você vai matar. Se eu mandar você pular de um precipício, você vai pular. Se eu mandar você dançar nua em volta de uma fogueira em praça pública, você vai dançar. Entendeu?

–Sim! – Hinata concordou, feliz – Mas você não vai me mandar fazer todas essas coisas estranhas, vai? – perguntou, um pouco receosa. Afinal, ninguém nunca sabia o que esperar de Sasuke.

–Talvez sim, talvez não. – ele respondeu, irônico – E não fique tão feliz, Hyuuga. Não vou pegar leve com você.

Hinata sorriu ainda mais, batendo continência como um soldado, a expressão debochada.

–Sim, senhor!

Não havia muitas pessoas no enterro, pois Shikamaru não teve tempo de chamar a todos. Estiveram ali apenas alguns amigos mais próximos, e o Nara tinha certeza de que o mestre teria achado melhor daquela maneira. Asuma sempre foi um homem discreto e de bom coração, tinha amigos verdadeiros em todos os lugares por onde passou, mas admitia poucas pessoas em seu convívio diário.

A pessoa mais difícil de encarar ali era Kurenai. A mulher olhava para o túmulo com os olhos vazios, a mão direita acariciando levemente o discreto volume em seu ventre. Os outros pareciam não ter percebido, mas Shikamaru era observador. Poucos sabiam sobre o romance dos dois mestres, mesmo que ambos usassem alianças. Talvez por isso Asuma apreciasse a discrição – casamentos não eram uma boa ideia quando se levava aquele tipo de vida. Mesmo assim, o Nara se recordava vividamente da cerimônia que selou o amor dos dois, mesmo que ainda fosse pequeno na época.

E mesmo sabendo que ela não o culpava, Shikamaru não podia deixar de se sentir responsável pelo que acontecera. Por que diabos Asuma não havia lhe contado o que estava acontecendo? Por que o havia manipulado, fazendo-o seguir pistas falsas? Se ao menos tivesse percebido antes...

Agora, ele tinha que enfrentar o olhar pesaroso de Kurenai e a possibilidade de ser responsável por uma viúva e um...

Órfão.

Jiraya mantinha-se distante dos outros, sentando sob a sombra de uma árvore, fitando a pequena movimentação ao redor do túmulo de Asuma. Apesar das circunstâncias, fazia tempo que ele não via um dia bonito como aquele. O sol brilhava alto e forte no céu limpo de nuvens, os pássaros cantavam, a grama estava verde como nunca, o cheiro de terra molhada invadia o lugar. O mestre pensou, por um minuto, que aquele seria um bom dia para morrer. Asuma estava entregue nos braços de uma linda manhã. Aonde quer que estivesse, seu amigo deveria estar feliz.

A única coisa que estragava a beleza daquele dia, além da morte de Asuma, era a presença insistente que Jiraya sentia segui-lo desde que havia saído da boate de Hidan. Não havia falado nada para ninguém, principalmente porque notara que somente ele conseguia sentir aquela presença sutil, que teimava em se esconder, observando-os de longe. O chakra que emanava daquela pessoa era, de alguma maneira, familiar. Mas Jiraya não conseguia se lembrar de onde o havia sentido antes.

O sennin resolveu então dar tempo ao tempo, até conseguir distinguir se aquela presença era realmente uma ameaça.

E esperava, sinceramente, que estivesse apenas sendo paranoico.

Naruto estava próximo ao túmulo, e mantinha uma expressão leve, tentando não se fixar muito na estranheza daquele dia. Não havia mais ninguém de fora ali, exceto por Kurenai, que continuava a fitar o túmulo de Asuma com o olhar vazio. Em contraste com o espírito triste de todos, o dia estava lindo, e Naruto estava feliz. Queria se esquecer da morte de Asuma por um momento e pensar que nada poderia deixar aquele dia ainda mais bonito.

–Olá, cariño. – alguém sussurrou em seu ouvido.

O loiro se virou para trás, a expressão incrédula. Seus olhos esbarraram na figura da mulher que estava parada à sua frente, usando um sobretudo preto, botas de salto e óculos escuros, os cabelos loiros soltos e longos brilhando de encontro ao sol e balançando com o vento.

Os lábios finos e vermelhos da moça se curvaram em um sorriso enquanto ela analisava a reação no rosto de Naruto.

–Yugito?! – ele alarmou, sorrindo de volta.

–Aquela é a Yugito? – Sakura cochichou, atraindo a atenção de Gaara, que tentava não gemer de dor.

–Nii Yugito? – ele perguntou, sem acreditar – É ela, sim!

Ino ergueu o olhar do túmulo de seu mestre, encarando a presença da recém-chegada com preocupação. Logo em seguida, seus olhos se desviaram para as figuras de Sasuke e Hinata, que se aproximavam. Não demorou até que a morena notasse a mulher loira e muito bonita que abraçava Naruto carinhosamente.

–Ei, aquela não é Nii Yugito? – Sasuke perguntou.

Os olhos preocupados de Hinata voltaram-se para os amigos, esperando por uma resposta.

–Sim... parece que é ela mesma. – Gaara respondeu, sorrindo, sem se dar conta do olhar da Hyuuga – Faz tanto tempo que ela não aparece por aqui... Que bom que ela está de volta. Yugito é gente boa, vai ser bom revê-la.

–Quem é Yugito? – Hinata perguntou, sem querer demonstrar sua preocupação.

–Ela é uma Jinchuuriki também, assim como Naruto e eu. – o ruivo respondeu – E é uma das fortes! Nos conhecemos desde a infância, ela é uma grande amiga nossa. Yugito nasceu nos Estados Unidos, quer dizer, foi abandonada lá, mas cresceu na Espanha, que é onde o mestre dela morava. O sotaque dela é tão legal... – delirava, sem prestar atenção à expressão de Hinata.

Ino continuava a fitar Naruto e Yugito conversando, para em seguida olhar para o rosto da morena, que não falou mais nada depois do que Gaara dissera.

–Eu não tenho tanta certeza se é um bom momento pra essa mulher reaparecer... – a loira murmurou, sem que ninguém a ouvisse. Ino se lembrava da relação entre Naruto e Yugito anos atrás, e tinha certeza de que aquela era uma parte do passado do Uzumaki que Hinata não gostaria de descobrir.

Mesmo distraído pela presença de Yugito, Jiraya não deixou de notar a arma que havia sido lançada em sua direção. Ele segurou a pequena e afiada lâmina entre os dedos, pegando-a no ar, a poucos centímetros de acertar-lhe o coração.

Tranquilamente, ele se levantou e sorriu.

–Finalmente resolveu se revelar? – o sennin falou baixinho, esperando que pudesse livrar-se daquele incômodo sem chamar a atenção de ninguém. Fazia tempo que não via Yugito, e ele gostava dela. Seria bom revê-la e abraça-la, saber noticias da ORDEM. A Nii era uma boa moça. Resolveria logo aquele problema e se juntaria aos outros, a fim de cumprimentar a recém-chegada.

Outra lâmina foi lançada em sua direção, e outra vez ele a agarrou no ar, sem qualquer dificuldade. Aquilo já o estava entediando. Será que aquela pessoa não tinha nenhum outro tipo de ataque?

Já cansado daquilo, Jiraya caminhou rapidamente na direção de uma árvore mais distante, e concentrou chakra em uma das pernas, sumindo de vista por um instante, para aparecer novamente já bem perto do que parecia ser um grande carvalho. Em seguida, num gesto nada sutil para quem não queria chamar atenção, ele chutou o tronco da planta, fazendo a madeira se estilhaçar e cair para o lado, revelando a cabeleira ruiva do inimigo que se escondia entre as folhas. O rosto cheio de piercings o fitou, a expressão familiar demais.

–O que está fazendo aqui? – Naruto perguntou a loira, sem deixar de sorrir para ela. Tirou os óculos escuros, a fim de fita-la melhor. Dentre todas as aventuras amorosas que já tivera, Yugito era uma de suas melhores lembranças. Mesmo envolvendo-se em uma relação puramente carnal, no passado, os dois nunca deixaram de ser amigos, até que ela teve que ir embora do país.

Ela sorria de volta, também tirando os óculos escuros para ver melhor a figura do loiro. Naruto estava tão lindo quanto ela se lembrava, mas parecia um pouco diferente. Ele sorria de forma mais verdadeira, e não tinha a expressão marcada pela ironia e amargura como antes. O loiro parecia feliz.

–Vim para o enterro de Asuma... Já até me instalei na sua casa, viu? – Yugito falou, alegre por ver o amigo.

–Minha casa está trancada. – ele disse, fitando-a com os olhos estreitos.

–Eu sei, cariño. Aí arrombei uma das janelas e entrei. – a loira respondeu, como se aquela fosse a coisa mais natural do mundo.

–Você não muda. – Naruto comentou, rindo, para logo em seguida ouvir um estrondo que agitou todo o cemitério. Todos os visitantes já haviam deixado o lugar, até Kurenai havia ido embora. Restavam ali apenas seus amigos e...

Onde estava Jiraya?

–Você?! – o sennin alarmou, atirando as lâminas de volta, mas o inimigo desviou. Ele conhecia aquele rosto. Havia enfrentado aquele homem na noite em que resgatou Naruto. Embora estivesse mais velho, o ruivo ainda tinha o rosto coberto de piercings, e a expressão de quem procurava obsessivamente por algo que não conseguia obter.

–Sai da frente, velho. Essas lâminas não são pra você. – o homem sibilou.

Jiraya estava prestes a agarrá-lo e acabar com aquilo, até que sentiu uma outra presença aparecendo repentinamente atrás de si. Antes que pudesse se virar, alguém o agarrou por trás, cravando várias lâminas em seus braços e costas. O mestre gemeu de dor, mas não se deixou abater. Atingiu o homem que o agarrava por trás com uma cabeçada, livrando-se dos braços do inimigo, para ver o rosto do recém-chegado.

O rapaz cheio de piercings sorriu para ele.

O sennin olhou para o outro lado, vendo o mesmo homem com o rosto repleto de piercings. Eles eram gêmeos? Não... Jiraya não conseguia sentir direito a presença do homem que acabara de aparecer como sentia a do outro. Seria um tipo de marionete? Seria um jutsu, um feitiço? O que estava acontecendo?

Mas não havia tempo para pensar naquilo. Jiraya deu graças silenciosas pelo cemitério já estar quase vazio, e esperava que sua família não tivesse escutado o barulho de quando destruíra a árvore. Era melhor que não se envolvessem naquilo.

Sem perder tempo, ainda com as lâminas cravadas no corpo, por onde jorrava muito sangue, o mestre agarrou pelo pescoço o homem que havia recebido sua cabeçada, atingindo-o com o punho cerrado e envolvido em uma grande quantidade de chakra. O corpo do inimigo se desfez em fumaça com o golpe, desaparecendo bem diante de seus olhos.

O que era aquilo?

Restava um, o que havia aparecido primeiro. Jiraya juntou as mãos, concentrando chakra, querendo acertar a cabeça do inimigo com um golpe certeiro, e assim o fez. O homem caiu de joelhos, cuspindo o sangue que jorrava com o impacto. Outra presença repentina se fez notar, aparecendo novamente por trás. Outro rapaz de piercings o atingiu com novas lâminas, e dessa vez, Jiraya gritou de dor. O que diabos era aquilo? Por que havia tantos dele?

–Ero-sennin! – a voz de seu discípulo soou desesperada pelo local, aproximando-se.

Jiraya viu o homem que estava de joelhos a sua frente sorrir ao perceber a chegada de Naruto, e outra lembrança atravessou sua mente.

Na noite em que havia lutado contra aquele homem, não era atrás dele que o inimigo estava.

Naquela noite, o alvo dos ataques do ruivo de piercings havia sido o pequeno jinchuuriki que o mestre havia resgatado.

“Sai da frente, velho. Essas lâminas não são pra você.”

–Naruto, fique onde está! – Jiraya gritou, sem conseguir se mover. O outro homem ainda o segurava por trás, cravando ainda mais fundo as lâminas em suas costas.

–Pirou, velho?! – Naruto falou, acertando com um chute o homem que prendia Jiraya por trás. O corpo do inimigo se desfez em fumaça, e o loiro franziu o cenho, confuso. O que estava acontecendo?

–Naruto, não! – o sennin novamente gritou.

Mas Naruto não deu atenção. Havia corrido ao dar falta de Jiraya e deixado os outros para trás. Seus amigos se aproximavam devagar, ainda sem conseguirem ver a movimentação da luta, sem ter ideia alguma do que estava acontecendo.

Decidido a acabar com o homem que ousara machucar seu mestre, o loiro se virou, na intenção de acertar o inimigo que jazia de joelhos na frente de Jiraya.

O homem ergueu uma lâmina, mirando o peito de Naruto.

–Naruto, pare! – o sennin ordenou. Estava seriamente ferido, mas reuniu suas forças para atingir o inimigo com um murro e um grito irado.

Mas quando se virou para ver seu discípulo, que o fitava com uma expressão confusa, Jiraya viu que outro homem com o rosto coberto de piercings, escondido entre as árvores atrás de Naruto, mirava outra lâmina para o loiro. O que diabos estava acontecendo? A presença de todos aqueles inimigos o havia pego desprevenido. Eles pareciam todos iguais, e as lâminas com as quais fora acertado pareciam ter drenado seu chakra. Mal teve tempo de raciocinar quando percebeu que as lâminas do inimigo estavam apontadas para seu discípulo. O elemento surpresa havia sido a sua fraqueza.

Jiraya acertou Naruto com um murro, fazendo-o voar e cair um pouco distante dali, afastando-o da mira do inimigo.

E, para seu desespero, o loiro pôde ver quando o mestre recebeu no peito as lâminas que antes estavam apontadas para ele.

Notas finais
Oi! E aí? Gostaram? Então... Er... CALMA, GENTE. Lembrem-se de que a cena ainda não acabou. Primeiro, vamos falar sobre as lembranças de Hinata. A canção que a mãe dela cantarolou, acho que todo mundo sabe completar, né? Kkkkkkkkkkkkkk E se a mãe da Hinata cantava essa música pra ela, significa que a coroa também manjava dos babados todos. E a Hinata já conseguiu um mestre, né? E logo quem, meodeos @_@ Narutim tá começando a se mexer, investigar, manjar dos paranauês, e até brinca com isso. Eita, pega que é treta! kkkkkk Ah, gente, eu adoro o Sasori e o Itachi *0* O que vocês acham que é a aposta da qual Tsunade e Jiraya estavam falando? E a Yugito apareceu! E ai, qual é a dela? Alguém arrisca um palpite sobre a participação da loira na fic? E, por fim, a treta máster. Ok, não me matem, tá legal? Esperem pelo próximo capítulo, pra verem o final da cena. xD Bom... aconteceu muita coisa nesse capítulo, e ele foi gigantenorme, do jeito que vocês gostam, kkkkkkkkkkkkkkkkk mas não fiquem mal acostumados, hein? Espero que tenham gostado, então comentem, analisem, deem seus palpites, façam suas apostas e deixem essa autora-san feliz! Lembrem-se de que é o comentário de vocês que me incentiva a continuar. Então, não deixem de dar uma passadinha por aqui xD O próximo vai sair logo, loguinho, então, aguardem! Bjks!