Paraíso Sombrio

40 Desculpe por isso...


Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Gostei de ver o galerê-san feliz pelo Kiba no capítulo passado. Tadinho, ele sofreu muito bullyng nessa fic, minha gente. O cachorr... Digo, o Kiba não tem culpa de nada. Hanabi chegou no maior estilo abalador de estruturas. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk A música de hoje é da Sia, e se chama Breathe Me. O link estará nas notas finais e a indicação de quando escutá-la, como sempre, estará no decorrer do capítulo. Espero que gostem! Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!



Enquanto o céu noturno se estendia pelas ruas lá fora, Ino organizava, cuidadosamente, um bonito buquê de flores para entrega-lo a uma senhora sorridente que, pacientemente, aguardava. A floricultura havia permanecido fechada por um bom tempo depois dos eventos que sucederam a ida à boate de Hidan, mas já fazia um mês desde que Ino resolvera que estava na hora de reabrir seu estabelecimento e seguir com a vida. As coisas não estavam, nem de longe, seguindo o rumo que ela queria, mas era necessário continuar, afinal.

E não é que o coração de todos ali tivesse parado de doer, ou que suas mentes não estivessem abarrotadas de questionamentos. As investigações continuavam, as preocupações permaneciam. Mas ainda assim, era necessário seguir em frente. Não porque estavam distantes de seus objetivos, mas porque não havia escolha a não ser continuar a viver – não da maneira como gostariam, unidos, felizes, mas da maneira que fosse possível.

Enquanto arrumava o buquê, Ino via Sai despachando outros clientes, tentando parecer o mais simpático possível, apesar de já estar exausto. O movimento ali sempre havia sido bom, e foi só reabrir a floricultura para que outras lojas maiores que as de Ino e os antigos clientes voltassem a fazer seus pedidos e a frequentar o local. O cheiro das flores que se alastrava pela grande loja, unido ao barulho do sino dos ventos na entrada que se fazia soar, tornavam o clima daquele ambiente muito acolhedor e tranquilo.

E assim tudo permaneceria, não fossem as duras pisadas que se faziam soar pela escada.

Ino suspirou. Ia começar tudo de novo.

Não demorou até que Gaara aparecesse no andar de baixo, na parte em que a floricultura funcionava. Ele passou por Ino sem olhar para ela e se jogou no sofá reservado aos clientes que esperavam – ele não era cliente, nem estava esperando ser atendido, mas queria se sentar em algum lugar confortável. Aquele era o mesmo sofá onde o ruivo havia descansado quando voltou todo ferido da boate de Hidan, ou seja, ele e aquele acolchoado já eram velhos conhecidos. E não adiantava que Ino estreitasse os olhos para ele, Gaara não iria sair dali.

Sem se importar com o olhar inquisidor da loira, ele se acomodou confortavelmente no sofá, cruzando os pés sobre o estofado.

A Yamanaka sorriu para a senhora que esperava as flores, entregando a ela o buquê embrulhado em um caprichado laço de cetim.

–Aqui está. – a loira disse, simpática, fazendo a mulher sorrir para ela também.

–Que lindo! – a senhora elogiou. Ela sempre gostava de comprar suas flores ali. O sorriso da moça Yamanaka era contagiante e ela era sempre tão educada e simpática com todos... – Obrigada, Ino. Tome, fique com o troco. – disse, entregando o dinheiro à loira.

–N-não precisa! – Ino tentou recusar, vendo a senhora empurrar o dinheiro de volta para ela. Derrotada, ela suspirou e novamente sorriu – Obrigada! Tenha uma boa noite e volte sempre que precisar.

–Obrigada. Boa noite pra você também, loirinha. – a senhora se despediu, virando-se para sair da floricultura. Vendo Gaara deitado confortavelmente no sofá, ela sorriu para ele também – Boa noite, garoto.

O ruivo fitou a senhora, surpreso pelo cumprimento. Estava acostumado com as pessoas rejeitando-o por ele parecer diferente da maioria, mas aquela mulher parecia não perceber, ou não se importar com isso. Ou talvez ele não parecesse mais tão ameaçador e estranho quanto era antes.

Gaara sorriu levemente para ela, assentindo. A mulher logo se afastou e saiu da floricultura.

–Tire os pés do meu sofá. – Ino murmurou, os olhos fixos na contagem do dinheiro em suas mãos.

–Eu sempre me deito aqui. Qual o problema? – Gaara perguntou, exibindo à loira a expressão mais inocente de que era capaz.

–O problema é que tem clientes aqui, agora. – ela argumentou, guardando o dinheiro – Sinto saudade do tempo em que você usava muletas. Assim eu podia te bater e você não tinha como correr atrás de mim pra revidar.

–Loira psicopata. – o ruivo resmungou, emburrado.

–Ketchup irritante. – Ino rebateu.

Sai suspirou, entediado, despachando o último cliente da noite. Aquela birra idiota entre Ino e Gaara nunca teria um fim?

A loira então se virou, pronta para subir até seu escritório a fim de guardar o dinheiro apurado naquele dia em um lugar seguro, quando ouviu o Sabaku soltar um longo e pesado suspiro.

Ino parou na escada, revirando os olhos. Subiu um degrau.

Gaara novamente suspirou, dessa vez mais alto.

Ela então se virou para ele, estreitando os olhos azuis na direção do ruivo.

–Diz logo. – Ino resmungou, impacientando-se.

–Eu estou de relações cortadas com a Hinata. – Gaara finalmente falou – O nome disso é ingratidão. Não chamo mais ela de “Hinatinha”, nem nada disso. Estou chateado.

Ino revirou os olhos. Era a milésima vez que escutava aquilo.

–Não acredito que ela chamou o Kiba em vez de mim. – o ruivo reclamou, distraído — Ela podia até ter chamado você, mas o Kiba? Quem diabos liga pro Kiba? Kiba é um homem morto no minuto em que ele passar por essa porta.

–Deixa de ser implicante. – Sai murmurou, entediado — Está parecendo uma criança.

–Eu comecei a gostar de você um dia desses, então não teste a sorte. Quer morrer também? – Gaara ameaçou, fazendo Sai rir.

Ino se aproximou do sofá, empurrando as pernas de Gaara com força a fim de obter espaço para se sentar. Ele bufou e revirou os olhos, colocando as pernas em cima das de Ino tão logo ela se sentou, novamente se acomodando confortavelmente.

–Idiota. – a loira murmurou, vendo Gaara sorrir descaradamente para ela.

–Ino, estou voltando para o apartamento. – Sai avisou, percebendo que não havia mais ninguém ali para ser atendido – Posso trancar a loja, se você quiser.

–Tudo bem, Sai. Pode ir. Muito obrigada por hoje. – Ino agradeceu.

O moreno assentiu, pegando uma das flores que estavam soltas pelo chão – na correria, sempre acabavam derrubando alguma enquanto arrumavam um buquê, por exemplo. Com um sorriso discreto nos lábios, Sai atirou a flor na cara de Gaara, que se virou para encará-lo com uma expressão surpresa.

–Uma florzinha pra acalmar seu coração, Areinha. – o moreno debochou, virando-se para sair da floricultura.

Gaara bufou, atirando a flor de volta na direção de Sai, mas ele já estava distante demais e a planta espatifou-se na porta da entrada.

–Não fiquem jogando as minhas flores pra lá e pra cá! – Ino berrou, dando um tapa na perna do ruivo.

–Ele que começou. – Gaara resmungou.

–Não interessa. – a loira rebateu – Você estava falando sobre a Hinata. – ela falou, querendo prosseguir com a conversa.

–Não quero mais falar sobre a Hinatinha. Ela me abandonou.

–Você acabou de dizer que não ia mais chama-la de “Hinatinha”. – Ino lembrou, implicante, vendo Gaara lhe exibir uma expressão emburrada – Sai tem razão, você está parecendo uma criança.

–Estou preocupado, tá legal? – ele se defendeu – A Hinatinha simplesmente sumiu e o Sasuke fica dizendo que é perigoso a gente ir visita-la... E ela agora tá com aquela Hyuugada toda... Vai esquecer a gente.

–Ela não vai esquecer a gente, Gaara. Hinata é nossa amiga, ela é parte de nossa família. Tenho certeza de que ela jamais esqueceria dos laços que nos unem.

–Aqueles Hyuugas vão fazer uma lavagem cerebral nela! – o ruivo protestou – Além do mais, ela nem ligou pra gente. Não deu noticias, nada... Em vez disso, ela chamou o Kiba pra ir visita-la. – ele disse o nome do Inuzuka com um desprezo cômico que fez Ino se esforçar para conter o riso — Eu aqui, morrendo de preocupação, e ela chamou o Kiba. Como se já não bastasse ela ter escolhido o Sasuke como mestre, ela vai e chama o Kiba pra dar noticias, dizer se está viva, se está bem.

Ino suspirou. Ela ouvira Gaara reclamar sobre a ausência de Hinata durante três meses inteiros, o que tornava todo aquele discurso muito cansativo. A loira também estava preocupada com Hinata, mas ela sabia que havia um motivo para tudo aquilo. Gaara também sabia, mas ele realmente estava maluco de preocupação – e um pouco enciumado também. Ele ainda questionava o motivo de Hinata ter escolhido Sasuke como mestre, embora o Uchiha já tivesse explicado aquilo um milhão de vezes.

Todos já haviam explicado aquilo um milhão de vezes. Mas Gaara era um milhão de vezes mais teimoso.

–Para com isso. Você sabe que ela te adora. Hinata deve estar confusa nesse momento... É muita coisa pra uma só pessoa assimilar. – Ino tentou explicar.

–Eu sei disso. – Gaara rebateu, arriando os ombros – Eu só gostaria de ajuda-la. Estou mesmo preocupado. Esse Orochimaru é perigoso e está atrás dela. Gostaria de fazer alguma coisa, mas...

–Mas estamos sem pistas o suficiente. Shikamaru e Naruto estão trabalhando nisso. Precisamos ser pacientes.

–Eu sei disso também. É só que... – Gaara divagou, sem saber se deveria externar seus pensamentos. Vendo a expressão interrogativa de Ino, ele resolveu prosseguir — Depois que o Sasuke pirou e que o Naruto ficou chateado comigo quando me afastei da nossa família, a Hinatinha me acolheu de volta de braços abertos, sem me julgar ou me acusar. – o ruivo explicou – Ela acabou virando uma irmã de verdade. Sinto falta dela enchendo o saco por aqui.

–Eu sei, querido. – Ino disse, acariciando o rosto do ruivo – Também sinto falta dela. Imagino como Naruto deve estar se sentindo.

Gaara suspirou. A família era algo que tinha grande valor para ele; era mesmo triste ver tudo imerso em confusão e dor. Porém, por enquanto, teriam que aprender a lidar com aquilo, pois não havia alternativa a não ser se conformarem em esperar por mais alguma pista que os permitisse voltar a se movimentar.

–Você quer dormir aqui, hoje? – a loira ofereceu, mantendo a expressão serena – Já está tarde... Eu vou dormir aqui mesmo. Não tenho paciência pra dirigir até minha casa a essa hora.

–N-não, tudo bem. – Gaara gaguejou, nervoso com a proposta, vendo Ino apertar os lábios, reprimindo uma risada. Ele sabia que a loira estava apenas oferecendo um lugar para ele dormir, mas a proposta ainda era tentadora demais para que ele se permitisse ficar – Estou de carro, chego em casa logo.

–Certo. Ligue quando chegar, tá legal? – Ino pediu, afastando as pernas de Gaara de cima das suas e se levantando. Ela se espreguiçou e em seguida retirou a liga que prendia seus cabelos em um rabo de cavalo, fazendo com que os fios loiros balançassem, soltos, sobre seus ombros e seu rosto, estendendo-se até a base da cintura.

O ruivo piscou, lentamente se sentando no sofá, sem conseguir desgrudar os olhos da figura de Ino.

–Tudo bem. Ligo, sim. – ele murmurou debilmente, hipnotizado.

–Pode fechar a floricultura pra mim? – a loira pediu, vendo Gaara assentir. Ela então se dirigiu até a escada e enquanto subia, soltou um bocejo. Estava cansada – Boa noite.

–Boa noite... – o ruivo balbuciou em retorno.

Quando Ino finalmente saiu de sua visão, Gaara balançou a cabeça, tentando tirar aqueles pensamentos confusos de sua mente. Era melhor sair dali antes que fizesse alguma besteira.

Ele passou as mãos pelo rosto, se levantando. Caminhou até a saída, lembrando-se de fechar a porta. Antes de trancar a floricultura, ele tateou os bolsos, em busca da chave de seu carro.

“Droga.”, Gaara praguejou mentalmente, dominado pela preguiça de ter que subir para buscar a chave que esquecera. Murmurando um palavrão atrás do outro, ele novamente entrou na floricultura, correndo escada acima. Entrou no escritório, mas não havia ninguém ali.

–Ino? – ele chamou, já se encaminhando para dentro do cômodo e começando a revistar o escritório em busca de sua chave.

–Gaara? – a voz da loira soou abafada, vindo do banheiro – Achei que você já tivesse ido embora.

–Você viu a chave do meu carro? – ele perguntou, distraído, revirando a escrivaninha da Yamanaka.

Logo Ino saiu do banheiro e entrou no escritório, fazendo Gaara encará-la, paralisado.

–Não vi, não, mas ajudo a procurar. – ela disse, colocando a franja molhada atrás da orelha, sem se dar conta da expressão aterrorizada do ruivo.

Ino estava com os cabelos molhados, e enrolada unicamente com uma toalha branca que quase não era suficiente para lhe cobrir o tronco e que ameaçava despencar de seu corpo a cada movimento que ela fazia. Sem estar ciente da paralisia de Gaara, ela revirava suas coisas, em busca da chave.

–Q-quer saber, não precisa se preocupar, não. – o ruivo se desesperou – Eu durmo no sofá lá em baixo e amanhã procuramos a chave do meu carro... Quando você estiver... Sabe... Vestida.

A loira parou de mexer em suas coisas e o encarou, surpresa.

–Ah. Tudo bem. – foi tudo o que ela conseguiu responder.

Sem se preocupar em se despedir, Gaara engoliu em seco e se virou para sair dali o mais rápido possível. Mas antes que pudesse passar pela porta, ouviu o murmúrio baixo de Ino.

–Você poderia apenas ficar aqui comigo. – ela sussurrou, torcendo a ponta inferior da toalha nervosamente.

O ruivo suspirou, virando-se para encará-la.

–Eu já disse a você que... – ele tentou explicar, mas Ino logo tratou de interrompê-lo.

–Apenas fique, tá legal? – a loira disse, e em seguida fixou os olhos no chão, tentando manter-se calma – Não estou pedindo muito. Quero apenas que você fique comigo esta noite, do jeito que você achar melhor. Apenas... fique. – pediu.

Gaara a encarou por um instante, buscando forças para recusar aquele pedido.

Mas ele não tinha. Simplesmente não tinha como ir embora e deixa-la. Não suportaria ver a expressão magoada no rosto de Ino, não depois de já tê-la marcado tantas outras vezes com as cicatrizes de seu abandono.

–Tudo bem... – ele finalmente concordou, vendo-a levantar o rosto para encará-lo, surpresa – Mas você vai ter que facilitar isso para mim. Então, por favor, se vista.

–Céus, até parece que estou tentando te atacar, ou algo do tipo! – ela alarmou, revirando os olhos.

–Sou eu quem quer te atacar nesse momento, Ino. – o ruivo avisou, encarando-a com seriedade, tentando não se deter muito na pele a mostra da Yamanaka — Mas isso não seria... Não seria bom pra você. Não agora.

–Eu sei. – ela concordou — Vou me vestir.

–E você precisa se comportar, também.

–Me... comportar? – Ino questionou, incrédula.

–Sim. Nada de vestir uma daquelas lingeries provocantes, ou aquelas camisolas meio transparentes que eu sei que você tem. – o ruivo exigiu, acusador.

Ino bufou, quase arrependida de ter pedido para que Gaara ficasse.

–Você é muito difícil, Ketchup, pelo amor de Deus. São só camisolas. – ela reclamou.

–Sou muito fácil, isso sim. Por isso mesmo que você tem que vestir um daqueles seus pijamas velhos e surrados essa noite. Seja uma boa menina e me ajude a manter minha promessa.

A loira revirou os olhos novamente, seguindo em direção ao quarto que ficava nos fundos do segundo andar, imaginando que Gaara não iria parar de reclamar e fazer exigências enquanto ela não se vestisse.

Sozinho no escritório, o Sabaku esfregou o rosto, suspirando, sem conseguir parar de pensar que aquela era uma péssima ideia.

Não demorou muito até que ele ouvisse o chamado de Ino.

–Estou pronta! – ela gritou.

Ele então se dirigiu até o quarto, vendo a loira dar uma volta completa, exibindo o traje surrado que vestia.

–Viu só? – Ino perguntou, observando cuidadosamente os olhos arregalados de Gaara – Pijamas velhos. Não tem como você me querer quando estou usando isso.

Gaara apertou os lábios em uma linha rígida, reprimindo os pensamentos insanos que passavam por sua mente naquele momento. Ino só podia estar de brincadeira. Por que diabos ela precisava parecer tão sensual naquele pijama velho e surrado?

“Eu estive aqui muitas vezes antes

Machuquei a mim mesma de novo hoje

E, a pior parte é que não há ninguém para culpar

Seja meu amigo

Me segure, me envolva

Me descubra

Eu sou pequena

Estou carente

Me aqueça

E me respire”

Breathe Me, Sia

Percebendo o silêncio do ruivo, Ino se aproximou, pegando a mão dele e levando-o até a cama. A contragosto, Gaara se deixou arrastar, deitando no colchão enquanto a loira se acomodava sobre seu peito. Ele enlaçou levemente a cintura da Yamanaka, tentando não se deter muito àquela proximidade.

Mas era um pouco difícil.

–Droga, você é tão cheirosa... – ele praguejou, vendo-a sorrir, sapeca.

–Desculpe. – Ino disse, mas não parecia nem um pouco arrependida.

–É, tá legal. Apenas durma, por favor. – Gaara pediu.

–Vou me comportar, prometo. – ela garantiu, pousando uma das mãos no peito do ruivo e encolhendo-se sob o braço que enlaçava levemente sua cintura, aninhando-se junto ao corpo de Gaara.

Ele suspirou. Aquela seria apenas outra noite insone, era disso que Gaara tentava se convencer. Mas pelo menos, agora, ele teria algo a mais que as preocupações habituais para ocupar sua mente e impedi-lo de dormir. Seria necessária muita força de vontade para ficar ali e não ceder ao instinto que fazia seu corpo arder em desejo.

–Obrigada por ficar. – Ino murmurou, e em seguida bocejou. Estava exausta; aquele havia sido um longo e cansativo dia de trabalho.

“Não agradeça ainda.”, Gaara pensou, percebendo o nervosismo tomar conta de seu corpo. Ele então olhou para o teto, contando os segundos que se arrastavam. Suspirou novamente. Olhou para o lado, onde havia uma estante de livros. O ruivo começou a enumerá-los mentalmente, decidindo que quando não houvesse mais itens na estante para serem contados, ele se entreteria procurando por novos objetos que precisassem ser catalogados. Aquilo deveria distrai-lo do corpo miúdo que se aninhava preguiçosamente sobre seu peito, da respiração quente e tranquila de Ino que ele podia sentir espalhando-se sobre o tecido de sua camisa, ou do cheiro bom que emanava dela e que o intoxicava como um doce veneno.

Gaara bufou, praguejando mentalmente sobre aquela situação. Olhou para o outro lado, inquieto. Não havia muita coisa pra ser contada naquele quarto – Ino não ficava muito ali, as coisas dela, em sua maioria, estavam no apartamento. Não tardou até que ele voltasse sua atenção à pele da loira que se enroscava na sua. Havia muitas coisas em Ino que podiam distraí-lo: um pequeno sinal perto do ombro dela que poderia passar despercebido aos olhos de qualquer um, mas nunca dos de Gaara, que conheciam cada centímetro do corpo daquela mulher como nenhum outro homem jamais seria capaz. Havia também a maneira como os cabelos dela se espalhavam pelo lençol branco, ou a expressão serena que ela exibia estando assim, tão próxima a ele, quando o ruivo sequer podia ordenar os pensamentos quando estava perto dela.

Aquilo não iria dar certo. Ele não deveria ter ficado.

Mentalmente, Gaara tentava traçar uma estratégia que o permitisse ir embora dali. Era cedo para aquela proximidade. O ruivo tinha plena certeza de que iria acabar fazendo alguma bobagem.

–Ino. – ele chamou.

Sim. Uma grande, uma enorme bobagem.

–Hum? — loira resmungou, já sonolenta, erguendo um pouco a cabeça para fita-lo.

–Você se lembra de que, as vezes, Sasori costumava trapacear no jogo com Deidara? – Gaara perguntou, parecendo inquieto.

–Lembro, sim. Mas por que você está falan... – Ino ia perguntar, mas logo sentiu o ruivo rolar repentinamente sobre seu corpo no colchão, colocando-se por cima dela – Ga-Gaara!

–Acho que herdei alguns maus hábitos de meu mestre. De vez em quando, eu também trapaceio. – ele murmurou, antes de grudar os lábios nos dela.

Ino não teve tempo, sequer, de protestar. Não que ela fosse protestar ao sentir que Gaara lhe beijava, muito pelo contrário, aquilo era tudo o que ela queria. Mas tudo aconteceu de forma tão repentina, e o ruivo lhe beijava com tanta força e vontade, que mesmo que Ino quisesse, ela não seria capaz de resistir.

Não havia força no mundo capaz de barrar as mãos que apertavam sua cintura, ou a língua que sugava a sua, ela sabia disso. Nada poderia impedir que Ino entrelaçasse os dedos nos fios ruivos do rapaz, nada poderia impedir o desejo que fazia o corpo dele arder em brasa. Nada poderia impedir Gaara.

Nada, exceto ele mesmo.

O Sabaku afastou os lábios dos de Ino no momento em que sentiu a pele macia da perna da loira enlaçar seu quadril, pressionando-o com força contra o dela.

–Não torne isso ainda mais difícil... – ele murmurou, respirando com dificuldade, apoiando a testa na dela.

–De-desculpe. – ela pediu, dessa vez parecendo sincera.

Gaara fixou os olhos nos de Ino por um instante, percebendo a decepção estampada na expressão dela, o movimento dos ombros subindo e descendo pela respiração acelerada, sentindo as mãos trêmulas da loira que ainda o envolviam. Sob seu peito, ele também sentia o coração de Ino batendo forte de encontro ao seu, audível, dolorido.

O ruivo suspirou, afastando-se dela e rolando de volta para seu lugar na cama, vendo-a ficar paralisada por um instante, ofegando. Os dois ficaram em silêncio, tentando estabilizar suas respirações. Mas não demorou até que Ino se incomodasse com aquela distância; ela logo tratou de se aconchegar novamente sobre o peito de Gaara, fechando os olhos rapidamente, antes que ele pudesse reclamar do perigo daquela proximidade. Ela não se renderia naquela noite. Ino sentia falta de seu ruivo idiota e insano. Estar com ele era bom. Era mais do que ela poderia pedir. Era tudo o que ela necessitava.

Gaara também fechou os olhos, tentando se concentrar em não fazer mais nenhuma bobagem. Ele não se arrependia, mas ao mesmo tempo sabia que não devia ter feito aquilo. Sua atitude apenas tornava tudo mais difícil.

O gosto dos lábios de Ino ainda ardia em sua boca. Era impossível não querer mais dela.

Mas ele iria tentar se controlar. Tinha que tentar se controlar. O problema é que a simples visão de Ino repousando sobre seu peito era o suficiente para atormentá-lo.

Entre o céu e o inferno, Gaara esperou que Ino adormecesse, ocupando-se em contar os minutos e os segundos daquela madrugada que se arrastava.

Tão logo Ino adormeceu, Gaara se levantou da cama, tomando o cuidado de não acordá-la. A madrugada seguia seu rumo lá fora, enquanto ele se esgueirava para fora do quarto, descendo as escadas, tentando ser o mais silencioso possível.

Chegando ao andar de baixo, ele se sentou no sofá por um instante. Passou as mãos pelo rosto, tentando não sucumbir à vontade de subir novamente e tomar aquela mulher em seus braços. Ele sabia bem que ainda não era o momento para isso – havia coisas demais em sua mente e em seu coração, o que tornava impossível que ele se dispusesse a tentar um novo começo. Não antes de tudo estar resolvido, não antes de ele poder tirar o peso da morte de seu mestre de seus ombros. Não antes de poder reunir sua família e fazer as coisas, finalmente, darem certo.

Gaara jamais conseguiria esquecer o passado. Precisava resolver todos os problemas que o atormentavam para que pudesse fazer Ino feliz. Quando tudo aquilo acabasse, ele não teria mais que dar adeus à ela, não teria mais que sair de sua casa na calada da noite. Não teria que destruir as esperanças dela a cada vez em que ele partia.

Transtornado com todo aquele caos em sua mente, ele se levantou e se rendeu ao impulso descontrolado que se apossava de seus nervos, atirando um dos vasos dispostos na prateleira na direção da porta da entrada, vendo o barro e as flores se espatifarem, sem se importar se Ino acordaria com aquele barulho. Inferno, ele ainda não estava pronto para aquilo! Não enquanto a lembrança de seu mestre morto assombrasse seus pensamentos, não enquanto sua família permanecesse desunida daquela maneira. Não enquanto ele ainda se sentisse incapaz de fazer Ino plenamente feliz.

O Sabaku suspirou. Ainda não era o tempo de fazer as coisas darem certo. Gaara sabia que havia apenas duas possibilidades: colocar tudo a perder ou acertar as coisas para ser capaz de estar, verdadeiramente, ao lado da mulher que amava. Ele sabia que a segunda alternativa era a que deveria seguir, porém, estar todos os dias ao lado de Ino dificultava tudo. Ele a queria. Naquele momento, e para sempre.

Mas ainda era cedo demais para correr o risco de colocar tudo a perder.

–Desculpe por isso... – ele murmurou para o vazio, antes de abrir a porta com força, passando por cima das flores que havia arremessado e seguindo rumo ao seu carro, a fim de sair dali o mais rápido possível.

No topo da escada – que era impossível de ser visto do andar de baixo, pois a escada tinha formato espiral — sentada no primeiro degrau, Ino encostou a cabeça na parede e deixou uma única lágrima cair. Ela estava acordada quando Gaara se levantou de sua cama, e assim que ele saiu do quarto, tentando não ser notada, a loira o seguiu, apenas para ter certeza de que ele não iria fazer nenhuma bobagem.

Agora, ela preferia ter dormido antes que pudesse presenciar Gaara destruindo suas flores novamente.

Ino sabia que pedir que ele ficasse era algo arriscado. Gaara não estava pronto para seguir em frente, ela sabia disso. O problema é que era difícil resistir à ele. Era difícil manter distância, era difícil não querer tocá-lo, beijá-lo. Era difícil lidar com toda aquela situação, difícil demais. Mentalmente, ela se perguntava até quando seu coração resistiria, sendo testado, despedaçado, ferido daquela maneira. Seu coração não era de ferro ou de elástico. Ele não aguentaria muitas pancadas mais, não aguentaria ser esticado a tal ponto. Em algum momento, de tanto ser magoado, ele se romperia.

Seu coração era como suas flores. Precisava de cuidado, atenção, carinho e dedicação. Por mais resistente que fosse, nenhuma flor resiste à tantas tempestades seguidas.

Apesar de tudo, Ino não culpava Gaara, mas tampouco se sentia culpada por ser uma mulher apaixonada. Ela se culpava apenas por ser forte o suficiente para lutar por ele, mas fraca demais para conseguir respeitar o tempo que Gaara levaria para sarar as próprias feridas.

–Desculpe por isso... – ela repetiu as palavras do ruivo, esperando que ele pudesse perdoá-la por não conseguir ficar longe dele por muito tempo.

Um novo dia se estendia sobre a cidade, colorindo as ruas com os raios do sol daquela manhã bonita. Era ainda muito cedo quando Gaara desceu do carro, deparando-se com a fachada da floricultura. Ele se sentia angustiado, inquieto. O restante daquela madrugada havia sido torturante; Ino ocupava cada centímetro de sua mente como um tipo de toxina que se espalhava rapidamente por seu sistema. Ele não conseguia se desfazer da imagem da loira deitada sobre seu peito, da sensação do toque da pele dela na sua.

Ficar ali na noite passada havia sido um grande erro. Um grande, terrível e maravilhoso erro.

Nervoso, o ruivo entrou na floricultura, dando de cara com Sai, que já dispensava alguns clientes.

–O Kiba já chegou? – Gaara perguntou, ansioso.

–Ainda não. – Sai respondeu, vendo o ruivo abrir a boca para falar – E antes que você pergunte, eu não sei que horas ele vai chegar.

O Sabaku bufou, atirando-se no sofá. Seus olhos vasculharam a floricultura, sem identificar um único sinal da pessoa que ele mais queria encontrar.

–Cadê a Ino? – ele perguntou, parecendo preocupado.

Antes que Sai pudesse responder, a loira desceu as escadas correndo, parecendo animada com o novo dia que surgia.

–Alguém aí chamou por mim? – ela perguntou, exibindo à Sai e Gaara uma expressão serena.

O ruivo emudeceu diante do sorriso de Ino, a culpa fazendo seus ombros arriarem. Ele não sabia quem havia limpado sua bagunça da madrugada passada, mas esperava, de todo o coração, que não tivesse sido Sai. Aquela situação já era insana e constrangedora o suficiente — Gaara não precisava que mais pessoas soubessem o quanto ele era desiquilibrado em se tratando de Ino.

Percebendo a expressão lívida do Sabaku, Sai se afastou na direção de um cliente que chegava, dando à Ino e Gaara privacidade para conversarem.

Vendo que Sai se afastava, o ruivo se aproximou do balcão, inclinando-se um pouco sobre a superfície de mármore, encarando a loira com uma expressão culpada.

–Ino... Sobre... Sobre ontem... Me desculpe. Eu apenas... – ele começou, mas viu que a loira se aproximava dele, exibindo uma expressão séria.

Ele fechou os olhos, se preparando para levar um bom e pesado tapa.

Mas tudo o que sentiu foram os lábios de Ino pousando com doçura em sua bochecha.

Gaara então abriu os olhos para fita-la, surpreso.

–Está tudo bem. Preciso pedir desculpas também. – Ino sussurrou, sorrindo gentilmente para o ruivo.

Ele piscou, embasbacado e confuso.

–Você não fez nada de errado. – Gaara disse, tentando entender do que Ino estava falando.

–Nem você. Fique tranquilo. Mesmo você sendo um grande idiota, eu ainda vou te esperar. –ela prometeu, vendo o ruivo sorrir para ela, suspirando, aliviado – Mas você tem que parar de destruir as minhas plantas! – ela bronqueou, indignada.

O ruivo estava prestes a tentar se justificar quando ouviu o barulho da porta da frente sendo aberta.

Kiba entrou na floricultura, olhando para os amigos e sorrindo abertamente.

–E aí, quem aqui quer saber noticias da Hinata? – o Inuzuka perguntou, vendo os olhos de Ino e Gaara encararem-no com ansiedade.

Dois meses depois

Memórias de um passado distante

Shikamaru caminhava pelos corredores da ORDEM em busca de Asuma. O mestre estava atrasado para o treinamento. Mais uma vez.

Asuma era um ótimo mestre, mas Shikamaru estava sempre reclamando de duas coisas irritantes sobre ele: Asuma estava sempre fumando e esquecendo do tempo quando estava com Kurenai. Sabendo que o mestre estava provavelmente entretido com a esposa, o Nara se apressava na direção de onde sabia que poderia encontra-los: o jardim de Ino. As plantas e a simpatia da loira tinham a capacidade de juntar gente naquela pequena estufa; Kurenai também gostava de plantas e por isso estava sempre lá. Asuma gostava de Kurenai, por isso podia ser facilmente encontrado no jardim, que era onde sua esposa passava grande parte do tempo. Gaara também, vez por outra, era visto por lá, embora Shikamaru não estivesse muito certo sobre o que o ruivo gostava para estar ali. O Sabaku não parecia gostar nem de si mesmo, o que tornava sua presença constante do jardim da Yamanaka no mínimo algo suspeito.

Shikamaru logo balançou a cabeça, querendo afastar aqueles pensamentos problemáticos. Não era da sua conta, afinal. Apenas esperava que Ino soubesse o que estava fazendo.

Talvez o motivo de Asuma passar tanto tempo no jardim de Ino se devia ao fato de o mestre estar de olho na proximidade entre o ruivo e sua discípula. Conhecendo o instinto protetor de Asuma, Shikamaru achava que aquilo era bem provável.

Ele então apressou-se na direção do jardim, a fim de encontrar seu mestre e enfim poderem começar o treinamento. O Nara estava tendo dificuldades em controlar seu jutsu das sombras, e embora Asuma dissesse que ele era um prodígio para a pouca idade que tinha, Shikamaru estava mais interessado em treinar e aperfeiçoar suas habilidades do que se envolver em situações problemáticas.

Porém, um som estranho vindo de uma das portas que ladeavam o corredor por onde ele andava interrompeu seus passos, chamando-lhe atenção. Era o barulho de passos pesados e ritmados, soando em uníssono com o que parecia ser uma música árabe.

Ah, não. Aquilo de novo não.

Amaldiçoando a si mesmo por não conseguir se conter, o Nara se aproximou da porta, girando a maçaneta devagar, tentando não fazer nenhum barulho. Abriu um pouco a porta, o suficiente para ver a movimentação dentro do quarto. Seus olhos logo se fixaram na figura da moça loira que dançava ao som da música que soava baixinho, vinda de um pequeno aparelho de som no canto do cômodo. Sob os pés dela podia ser vista a areia que era espalhada pelo chão toda vez em que a loira começava com o que Shikamaru chamava de “dancinha problemática”.

De olhos fechados, ela movia o corpo de forma ritmada, os braços controlando o vento que sustentava os punhados de areia que flutuavam ao seu redor. Ela parecia não estar nem um pouco ciente do que se passava ao seu redor, completamente absorta pelo transe de seu treinamento.

Sim, as suspeitas de Shikamaru estavam certas. Aquela maldita discípula de Sasori estava dançando de novo.

Quando viu aquilo pela primeira vez, o Nara questionou seu mestre a respeito, ouvindo Asuma explicar que Temari havia sido resgatada em terras árabes, junto a Kankuro. Temari escolheu ficar com Sasori, enquanto Kankuro iniciou seus treinamentos com o rosado, mas logo foi mandado para outro país, onde anos mais tarde encontrou um mestre apropriado. Temari, por sua vez, treinava de forma diferente de todos os outros: ela dançava para aprender a controlar o chakra e utilizava a areia para conseguir visualizar onde seu vento começava a aparecer de forma mais concentrada. Aquilo era natural para ela, levando em consideração seu lugar de origem.

Sim, essa parte Shikamaru havia entendido desde a primeira vez em que a vira treinar daquele jeito.

O que ele não entendia era por que diabos ela tinha que dançar de uma maneira problemática como aquela?

Depois de tudo o que acontecera entre eles, Shikamaru evitava contato com aquela garota. Ela era traiçoeira, mentirosa, perigosa. Não fazia bem para a sua mente.

Porém, desde que a vira dançar, quer dizer, treinar pela primeira vez, não conseguia tirar aquilo da cabeça. Não conseguia dormir a noite sem ouvir a batucada dos pés dela batendo com força no chão de madeira, os braços girando no ar, controlando o vento e a areia ao seu redor. Sem saber, Temari controlava também sua mente.

Obviamente, não ajudava em nada que ela deixasse a porta aberta toda vez que estivesse fazendo a tal “dancinha problemática”. Naquele ritmo, Shikamaru acabaria enlouquecendo.

Era melhor esquecer aquilo de uma vez e aceitar que Temari devia ficar fora de sua vida. A Sabaku apenas lhe trazia problemas e noites insones. Shikamaru se controlaria e teimaria em não obedecer ao instinto de vir, todos os dias, olhar aquele treinamento, ou acabaria esquecendo o que seu cérebro lhe dizia e cedendo ao impulso que seu corpo mandava.

Shikamaru então fechou a porta e sacudiu a cabeça, tentando apagar a imagem de Temari dançando de sua mente. Apressou-se na direção do jardim de Ino, querendo esquecer os rastros de fogo que a Sabaku deixara no deserto de sua alma.

***

Absorto em lembranças, Shikamaru dirigia automaticamente, sem se dar conta da movimentação ao seu redor. Ele somente conseguiu voltar seus pensamentos para o momento presente quando pulou de susto ao ouvir a buzina de um caminhão, e apressou-se em girar o volante a tempo de sair da contramão e evitar uma grande colisão.

Assustado, o Nara continuou a seguir pela avenida, dessa vez em menor velocidade, sentindo sua pulsação martelar em seus ouvidos, ofegando. Até mesmo em lembranças Temari lhe tirava a paz.

“Que saco.”, Shikamaru reclamava mentalmente, ainda tentando regular a respiração e se acalmar do susto que acabara de ter. Ele precisava chegar até a casa de Naruto são e salvo e levar até ele as informações que havia conseguido. Para isso, precisava se concentrar na estrada e tirar de sua mente a imagem do corpo de Temari se movendo de forma ritmada e hipnotizante, ou acabaria morrendo naquela avenida.

Naruto se arrastou até a porta, ouvindo a campainha tocar insistentemente. Estava exausto; por mais uma noite não conseguiu dormir ou largar os papéis que Shino lhe enviara, e por mais uma noite a obsessão por encontrar uma solução para tudo aquilo o deixou acordado.

Mais uma noite sem ela.

A campainha soou novamente, apressada, estridente, tirando o loiro de seus devaneios torturantes. Apesar do barulho irritante, Naruto agradecia silenciosamente que algo lhe distraísse do torpor sufocante no qual havia afundado naqueles cinco meses que haviam passado desde que tudo aconteceu. Durante esse tempo, ele investigou, dia e noite, noite e dia, junto a Shikamaru e, sem que ninguém soubesse, continuava recebendo algumas poucas informações de Shino. A maior parte das investigações, Naruto fazia sozinho, pois não queria envolver mais gente em tudo aquilo.

Ele não aguentaria o golpe de uma nova perda.

Quando enfim abriu a porta, o loiro deparou-se com a figura de Shikamaru, que lhe encarava com um brilho estranho nos olhos e um sorriso triunfante e esperançoso.

–Eu encontrei uma pista do ruivo de piercings! – o Nara alarmou, vendo os olhos de Naruto arregalarem-se para ele.

Ele se esgueirou pelo muro, vendo o ruivo se afastar do bar de forma displicente, seguindo pela ruela escura, parecendo despreocupado com o fato de que, talvez, pudesse ser seguido. Mentalmente, Naruto se perguntava se aquilo seria uma armadilha. O ruivo o estava atraindo para algum lugar? Se sim, para onde? Ele pretendia encurrala-lo? Pretendia mata-lo?

Naruto não podia ter certeza, mas era necessário considerar todas as possibilidades, para que não cometesse nenhuma estupidez movido pela pressa. O seguiria até ter certeza de que o ruivo de piercings era apenas estúpido o suficiente para não tomar tanto cuidado quanto deveria, e não inteligente o suficiente para ter percebido que estava sendo seguido e estivesse se aproveitando da situação.

Quando Shikamaru fora até sua casa dizendo que havia encontrado pistas sobre o paradeiro do ruivo de piercings, Naruto sentiu-se verdadeiramente desperto pela primeira vez durante aqueles cinco meses infernais. Era como se seu sangue voltasse a circular pelas veias depois de ficar estagnado durante muito tempo, como se tivesse tomado um choque de adrenalina ou um banho de água fria. Seria bom ter algo concreto para nortear suas buscas, pois o rumo que as coisas haviam tomado nos últimos tempos era desesperador. Estar, finalmente, no encalço de alguém era a única coisa que ainda conseguia arrancar de Naruto um meio sorriso de ansiedade e desejo de poder fazer algum sangue jorrar.

Talvez, dessa forma, pudesse aliviar um pouco as frustrações que lhe tiravam o sono e a esperança.

Shikamaru dissera que a Akatsuki estava se movimentando de maneira suspeita desde que Jiraya foi morto. E descobrir essa movimentação incomum só foi possível porque o Nara não desistiu da desconfiança que tinha de Sasuke e cedeu ao impulso de segui-lo em uma noite em que o viu sair da floricultura de Ino dizendo que ia até a mansão dos Hyuugas.

Mas, na verdade, Sasuke se dirigira até um bar localizado em um bairro isolado da cidade, um lugar pouco movimentado e marcado por brigas de gangues. O Uchiha não havia entrado no bar; ele apenas esperou um pouco diante da porta do estabelecimento, até que viu o ruivo de piercings chegar e entrar. Não tardou até que Hidan e outros homens suspeitos chegassem ao lugar, olhando discretamente para os lados e entrando no bar com cautela. Sasuke se escondeu, parecendo não querer ser visto pelos companheiros da Akatsuki.

Mas por quê?

Todos sabiam que o ruivo de piercings tinha ligação com a Akatsuki, pois tal informação foi confirmada por Gaara. Shikamaru tinha certeza de que Sasuke estava conscientemente envolvido com aquela gente, o que gerava um mistério que ninguém conseguia solucionar: o que o Uchiha pretendia? Quais eram as verdadeiras intenções dele?

Tendo a certeza de estar no encalço de uma pista importante, Shikamaru voltou ao lugar nas duas semanas que se seguiram, observando que o encontro dos membros da Akatsuki naquele lugar parecia acontecer semanalmente, mais precisamente na quinta-feira. Na terceira semana, Shikamaru teve certeza de que não poderia fazer nada estando sozinho e lutando contra toda aquela gente perigosa.

O plano mais adequado seria pegar apenas um deles, interroga-lo, e dessa forma, coletar informações que o permitissem traçar um plano a fim de capturar os outros membros daquela organização macabra.

Com as instruções de Shikamaru em mente, vendo o ruivo caminhar distraidamente na direção de uma outra esquina, Naruto respirou pesadamente e avançou um passo, escondendo-se sob a sombra de uma frondosa árvore, cuja folhagem era tão farta que se espalhava sobre o muro, formando uma espécie de manto escuro. Com o corpo colado ao muro, oculto pelas sombras das folhas e da noite, Naruto deslizava na direção do ruivo. Não podia mata-lo, ainda. Precisava saber para onde ele estava indo, se ele se encontraria com mais alguém. Não podia deixar que seus sentimentos estragassem a possibilidade de obter informações sobre toda a tragédia que havia se abatido sobre sua família e sobre seus amigos.

O ruivo cambaleou pela ruela escura, tropeçando nas próprias pernas. Naruto estreitou os olhos para aquele andar atrapalhado. O ruivo de piercings estava embriagado?

Um vento frio soprou, fazendo seus cabelos – que já estavam um pouco grandes — se agitarem, e as folhas da árvore chiarem um pouco. Só um pouco. Naruto estava tão concentrado na figura do ruivo que mal percebia qualquer movimentação ao seu redor, tamanha era a sua vontade de acabar logo com aquilo, e tamanho era o autocontrole que ele tentava manter para não se precipitar. Suas mãos tremiam um pouco, mas ele iria se conter. O loiro havia tido um grande trabalho ao tentar convencer Shikamaru de que estava emocionalmente apto a exercer sua função naquele plano – não poderia falhar e deixar suas emoções falarem mais alto.

O Nara esperava no carro estacionado a algumas quadras dali, tentando confiar na firmeza de Naruto.

O loiro suspirou. Ele estava decidido a tratar aquela situação como qualquer outra missão. Seria frio, incisivo, e arrancaria do ruivo as informações que desejasse. Este era o Naruto que ele sempre fora. Não importava a circunstância, ele sempre cumpria a missão com êxito. Precisava voltar a ser um pouco como era antes. Precisava se acalmar.

Não importava que aquele fosse o assassino de seu mestre. Não importava que Naruto quisesse estrangulá-lo enquanto o fazia perceber que estava sendo morto pelo discípulo do homem que ele matou. Não importava que suas mãos tremessem ou que o suor escorresse de seu rosto. Não importava que seu estômago se agitasse de maneira enjoativa ao se lembrar de tudo aquilo, não importava a dor que sentia apertar seu peito, não importava que o ódio tingisse sua visão de vermelho. Nada disso importava.

Naruto se concentraria na missão. E em nada mais.

Pelo menos era aquilo de que ele tentaria se convencer. Caso contrário, colocaria tudo a perder, e seus esforços até ali seriam todos em vão.

Ele continuou deslizando sob as sombras, sentindo novamente o vento frio bater em seu rosto, dando-lhe uma sensação de lucidez. Seus cabelos novamente se agitaram, e novamente as folhas chiaram um pouco.

Mas só um pouco.

Naruto parou de andar por um instante. Olhou para o ruivo, que continuava a caminhar distraidamente poucos metros à sua frente, aparentemente sem perceber que estava sendo seguido. Depois, olhou para cima, observando as folhas escuras da grande árvore que fazia sombra sobre sua cabeça e lhe ocultava da visão de quem passasse por ali. Uma árvore com uma copa tão frondosa quanto aquela deveria fazer um grande barulho quando fosse atingida pelo vento.

Exceto, é claro, que nela estivesse escondido algo que impedisse a movimentação de grande parte da folhagem. Uma pessoa oculta entre os galhos, por exemplo, faria uma grande diferença no balançar da copa, já que o corpo barraria a movimentação das folhas.

Sem medo de parecer paranoico, Naruto retirou rapidamente uma adaga do bolso, atirando-a para cima, na direção da parte da copa em que as folhas não balançavam. Esperou, então, que sua arma caísse de volta.

Mas a adaga não voltou.

Surpreso, ele arregalou os olhos. Fitou a rua vazia, percebendo que, caso se mexesse, atrairia a atenção da única pessoa que não poderia percebê-lo ali: o ruivo de piercings. Mas, em contrapartida, definitivamente, havia alguém escondido naquela árvore. Naruto sabia que se não saísse das sombras, com certeza seria atacado.

Mas caso se afastasse da sombra, seria visto pelo ruivo.

O loiro reprimiu um rosnado furioso. Ou estava sendo seguido, ou, de fato, o ruivo o atraíra para uma armadilha. Em qualquer uma das opções, era inadmissível que ele não tivesse percebido que estavam na sua cola. Como diabos não se atentara àquilo antes?

Seus olhos dispararam para as folhas escuras e em seguida para o ruivo, que se afastava cada vez mais, parecendo alheio ao que acontecia poucos metros de onde ele estava. Naruto suspirou, irritado. Como se livraria daquela situação?

Mas ele não teve muito tempo para pensar nisso.

Logo o corpo ágil que antes se escondia entre as folhas pulou ao lado de Naruto, atingindo-o rapidamente com um chute no estômago, fazendo-o chocar-se de costas com o muro. O loiro ofegou com a dor, mas novamente não teve muito tempo para se concentrar naquilo; era hora de contra-atacar. Naruto ergueu o braço para bloquear o golpe que o agressor estava prestes a desferir em seu rosto, e em seguida o agarrou pelo pescoço, tentando fixar os olhos no rosto a fim de identificar quem quer que o estivesse seguindo.

O loiro ficou surpreso ao perceber que o agressor usava uma máscara totalmente preta feita de um tecido grosso que ia até o pescoço, tendo a parte dos olhos coberta por uma renda cinza. Habilmente, o agressor percebeu que o momento de surpresa e paralisia de Naruto era a sua chance de se livrar do aperto em seu pescoço. Ele então girou o corpo, fazendo com que o pulso que o agarrava acompanhasse seu movimento, torcendo-o com força, obrigando Naruto a soltá-lo.

Livre das mãos do Uzumaki, o estranho se apressou na direção por onde seguia o ruivo de piercings.

Naruto arregalou os olhos, correndo na direção do agressor e desferindo um forte chute nas costas dele, fazendo-o voar de encontro ao muro e em seguida cair no chão.

–O que você quer com o ruivo?! – Naruto sibilou, mantendo a voz baixa e colocando o pé sobre o peito do mascarado, impedindo-o de se reerguer.

Mas como resposta, só obteve o suspiro entediado e abafado pela máscara do agressor.

–O que você quer com ele?! – o loiro insistiu, confuso e impaciente, pisando com mais força no peito do mascarado.

Cansado daquelas perguntas insistentes, o agressor ergueu uma das pernas, enlaçando o pé no pescoço de Naruto, fazendo-o cair de joelhos sobre seu corpo. Ele então pôde sentir a respiração do loiro sobre sua máscara, enxergando claramente os olhos azuis que o fitavam com fúria.

–Mas que...! – o Uzumaki praguejou, sentindo o mascarado rolar sobre seu corpo, ficando por cima. Ele não tinha muita força, mas era ágil como o diabo! A raiva de Naruto aumentou ao ouvir o que parecia ser um riso de deboche sendo abafado pela máscara escura. Sim, o agressor tinha a audácia de derrubá-lo e ainda ria na sua cara – Eu vou matar você, desgraçado! – o loiro sibilou, sentindo seu chakra enfraquecer ao menor toque do estranho, que agora estava sobre seu corpo.

Usando a adaga que Naruto havia atirado antes, o agressor mirou no rosto do loiro, preparando-se para atacar.

Os olhos azuis do Uzumaki se arregalaram. Por que inferno ele não conseguia se mexer?! Para onde estava indo seu chakra?!

Quem diabos era aquele filho da puta mascarado?!

Mentalmente, ele sentiu Kurama se eriçar. O Bijuu rosnou, fazendo ecoar pela consciência de Naruto um uivo enfurecido, mas que não surtia qualquer efeito. O loiro estava paralisado.

Por reflexo, Naruto fechou os olhos, esperando ser atingido pela dor da adaga transpassando sua cabeça.

Mas tudo o que sentiu foi um leve corte sendo feito em seu rosto, fazendo um pingo de sangue escorrer por sua bochecha. O barulho da adaga cravada no chão ao lado de sua cabeça reverberava pela rua, enquanto Naruto sentia seu chakra voltar a circular por seu corpo.

Ele abriu os olhos, percebendo que o mascarado havia sumido. Levantou-se rapidamente, cambaleando pela repentina fraqueza que o atingiu. Apoiou uma das mãos no muro, sentindo os membros um pouco dormentes e a visão embaçada pela grande quantidade de chakra que havia sido drenado. Naruto fixou os olhos na ruela escura, percebendo que o ruivo de piercings havia sumido.

“Droga”, ele praguejou mentalmente, sentindo-se fraco demais para pensar em qualquer outro palavrão. Suas pernas fraquejaram, dando-lhe a certeza de que iria cair no chão novamente.

Foi quando Naruto sentiu outras mãos o amparando, impedindo-lhe a queda.

–Naruto! – a voz masculina soou pela rua escura.

O loiro ergueu um pouco o rosto, levemente ciente de que Shikamaru o fitava com uma expressão preocupada.

Em um minuto, havia os olhos preocupados do Nara. E no outro, o silêncio do desmaio.

Notas finais
Oi! E aí? Gostaram? Link da música: http://www.youtube.com/watch?v=SFGvmrJ5rjM Bom... Antes de atirarem pedras no Gaara, compreendam a situação dele. É difícil, minha gente. Vamos lembrar que ele tem sido um dos caras mais legais dessa fic desde o inicio. E vamos lembrar também que Ino é nossa mulher rocha. Yamanaka, mlr, tu é uma lindeza. O que vocês acharam do pití do Gaara sobre a Hinata? Qual é a do Sasuke, hein? O.O O que vocês acham que esse Uchiha quer? Agora siiiimmm... QUEM VOCÊS ACHAM QUE É A PESSOA MASCARADA QUE ATACOU O NARUTIM E DEIXOU ELE MUITO PUTO DA VIDA? Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Aposto que vocês vão acertar rapidinho, mas já aviso: Não sei de nada! Nada, nadinha! Bom... Acho que não faltam muitos capítulos pra fic acabar. Fico feliz em poder contar com vocês sempre por aqui. Por isso, por favor, não esqueçam de comentar, dar a opinião de vocês, fazer essa autora-san muito feliz... Eu agradeço muito por todo o apoio e carinho que recebi até aqui! Muito obrigada mesmo. O próximo deve sair logo, loguinho. Ah! E um passarinho pediu pra eu contar pra vocês que o Deidara vai dar uma passada por aqui no próximo capítulo, hihihihihihi Bjks!