Pandora
25 Capítulo XXV – Saudade Não é Crime
Notas iniciais
Capítulo XXV – Saudade Não é Crime
Um mês se passou desde que entramos em um novo ano. As aulas no McKinley pareciam mais calma. Faltavam alguns meses para o ano letivo terminar, portanto, os alunos pareciam mais tranquilos. O casamento de Melanie também se aproximava, era no meio de fevereiro e eu estaria viajando para New Haven no dia anterior com Santana – que tinha insistido para ir comigo – e nós dividiríamos um quarto de hotel.
Sim, o beijo que Rachel e eu demos no ano novo ficou tatuado na minha mente pelo mês inteiro. Não tivemos nenhum outro contato do tipo depois desse dia. Ela continuava distante, trocando olhares curtos comigo durante as aulas e a troca delas nos corredores. Nada além disso. Ao menos não estávamos nos sentindo como se algo tivesse quebrado. Pelo menos eu me sentia assim. Não me sentia destruída como foi quando terminamos no ano passado.
Então foi como se tivessemos voltado para quando tinhamos conversado no banheiro oito semanas atrás. Nada mudou, apenas beijamos no ano novo. Um beijo curto e simples, que fez meu interior tremer e meu coração bater forte contra meus ouvidos. E depois disso voltou tudo ao normal, nossas mãos se soltaram e nós voltamos a falar sobre qualquer coisa que viesse na nossa cabeça, nada relacionado ao nosso relacionamento. Ou a falta dele.
No momento, eu estava sentada na sala dos professores conversando com Will sobre as Nacionais e explicando pra ele o que eu tinha em mente. Schuester ainda estava um pouco amargo com o fato de que eu não iria estar lá, mas se distraiu quando perguntei sobre as mensagens que ele não parava de receber enquanto nós conversávamos. Aparentemente, ele tinha começado a usa o Tinder e conversava com uma mulher que tinha dado 'match'. Tentei ao máximo mudar de assunto depois disso.
Ainda conversávamos sobre minhas ideias quando Holly entrou na sala. Ela estava distante desde a nossa conversa depois do meu ataque de ansiedade no meio dos corredores do McKinley. Como se ela estivesse respeitando meu espaço, e eu deveria agradecê-la por isso.
Meus olhos ainda estavam nela quando percebi isso, Holly olhou por cima do ombro, ela estava enchendo sua xícara de café na cafeteira e sorriu pra mim. Um sorriso tenso. Fiz o mesmo, acenando rapido e voltando a prestar atenção na conversa de Will.
Quando cheguei em casa, encontrei Santana assistindo série mais uma vez sentada no meu sofá. Mas algo me dizia que ela não estava prestando muita atenção no que assistia. Seus olhos estavam vidrados, mas não era na televisão, e sim em algum ponto no tapete da minha sala. Franzindo o cenho, fechei a porta atrás de mim, trancando-a e jogando a chave no chaveiro.
— O que está assistindo? — Perguntei olhando por cima do ombro enquanto tirava o sobretudo e pendurava na cadeira de jantar. Santana não me respondeu. Olhei mais uma vez por cima do ombro, vendo se ela ao menos teria percebido que cheguei. — Santana?
Ela se assustou, olhando pra mim com os olhos arregalados. Santana é como um gato, ela sempre sabe que alguém está chegando antes mesmo da pessoa entrar no cômodo. Ela nunca se assustaria por falta de atenção. Alguma coisa estava na cabeça dela.
— O que? — Ergui uma sobrancelha e ela inspirou, olhando pra TV antes de olhar de volta pra mim. — How To Get Away With Murder. Segunda temporada. Mais assassinatos, como sempre.
Acenei lentamente, me apoiando na cadeira e ainda com meus olhos dela.
— Porque você está olhando pra tela como se nada tivesse acontecendo, mas tenho certeza de que a Bonnie acabou de jogar um corpo de um telhado. — Zombei e sorri pra ela, esperando que assim ela me contasse o que estava lhe aflingindo.
Santana me encarou por alguns segundos antes de formar um sorriso tenso e sem humor em seus lábios.
— Nada. Apenas alguns casos no hospital. — Ela passou uma mão pelo estômago e fez uma careta. — Tem alguma chance de pedimos pizza? Estou morrendo de fome.
— Sim, nós podemos pedir pizza, mas não vou pagar nada. Sou a professora aqui, você é a médica. — Enfiei a mão no bolso e tirei o celular, apanhei o menu em cima da mesa e disquei o número da pizzaria. Santana gemia do meu comentário quando me aproximei dela apoiando as mãos na cadeira. — Qual sabor você quer?
— Havaiana. — Santana levantou do sofá num salto e sorriu pra mim. Mais animada dessa vez. Revirei os olhos.
— Você com essa palhaçada de gostar de pizza estranha.
— Ei! Não é estranha. Você diz isso porque nunca provou pizza havaiana.
— Sim, eu já provei, e é estranha.
— Não sabe do que tá falando.
No final, pedi uma pizza metade bacon e metade havaina. Quando chegou, sentamos no chão da sala com a pizza no chão e conversávamos sobre a série que ainda passava na TV. Santana tinha desviado completamente do que ela tinha na cabeça, e em nenhum momento resolveu conversar comigo sobre o assunto. Portanto, não insisti. Deixei que ela tivesse o momento dela pra me falar sobre isso.
Depois que a pizza acabou, demorou alguns minutos até que ela dormisse encostada no sofá com a cabeça pra trás no assento. Lhe acordei delicadamente e pedi pra ela ir pra o quarto de hóspedes, ela fez o que eu disse e me levantei pra arrumar as coisas na cozinha.
Foi uma surpresa quando meu celular vibrou no balcão da cozinha. Franzindo o cenho, enxuguei as mãos no pano e joguei o pano nos ombros, apanhando o celular. Minha respiração engatou quando a foto de Rachel surgiu na tela do meu celular. Ela sorrindo enquanto segurava meu travesseiro na sua frente, abraçando-o. Uma foto tão casual e parecia tão confortável. Era minha foto preferida dela que eu tinha no meu celular.
Porque ela estava me ligando? O que ela queria? Achei que tinhamos estabelecido que não iriamos nos aproximar depois daquele beijo no ano novo.
Respirei fundo, sentindo a falta de ar quando o celular continuou vibrando no balcão. Apanhei ele rapidamente e apertei o telefone verde na tela, deslizando-o para atender.
A linha ficou silenciosa por alguns segundos antes que eu conseguisse escutar um suspiro.
— Achei que não iria atender. — Escutei sua voz baixa e levemente trêmula.
Demorei um pouco pra conseguir responder depois disso. Respirei fundo e sentei no banco, apoiando os cotovelos no balcão.
— Aconteceu alguma coisa, Rachel? — Perguntei tentando fazer com que minha voz não tremesse.
— Não, é que eu... estou sentindo sua falta.— Ela sussurra parecendo hesitante e eu fecho os olhos, abaixando a cabeça e encostando a testa no mármore frio. — Será que não tem nenhuma chance de você vir aqui agora?
Abri os olhos e levantei a cabeça tão rápido que meu pescoço estralou.
— Você quer que eu...
— Sim, quero. — Ela nem me deixou terminar e ainda escutei o barulho de chaves do outro lado da linha. — E vem logo que eu vou esperar você do lado de fora. Está frio.
— Rachel! — Chamei e escutei o silêncio da outra linha.
— Sim?
O que eu iria falar? O que porra eu iria falar? Eu nem ao menos sei porque estou tão ofegante agora.
— Eu estou indo.
E desliguei o celular jogando o pano no balcão, apanhando meu sobretudo e minhas chaves.
Ah, foda-se as consequências.
—_
Parei o carro na frente da casa de Rachel e olhei para a hora no painel. Meia noite e meia. Levei cinco minutos para dirigir até aqui e Rachel passou esses cinco minutos do lado de fora da casa dela. Não estava nevando, mas estava frio.
Procurei por ela com os olhos e saltei quando a porta do passageiro se abriu. Rachel entrou no carro e fechou a porta logo em seguida. Ela esfregou uma mão na outra, tentando se aquecer e eu aumentei o aquecedor.
— Então. — Me virei pra ela tentando engolir o nervosismo, mas não tive muito tempo para criar um diálogo, Rachel já tinha saltado para cima de mim, grudando nossos lábios com urgência e segurando meu cabelo para impedir que eu fugisse.
Como se eu fosse idiota o suficiente pra fugir de um beijo de Rachel Berry.
Mesmo que fosse exatamente o que eu deveria fazer.
Mas ainda estávamos na frente da casa dela. E meu carro era vermelho e bem chamativo, se passássemos mais tempo aqui seus pais iria perceber que algo de estranho estava acontecendo.
— Rach... — Tentei falar entre seus beijos, mas Rachel não parava de chupar meu lábio entre os seus. Ela mordeu meu lábio e gemi, indo pra frente apanhando seus lábios para mim.
Até que ela foi a única a separar do beijo com um bufo contra meus lábios.
— Dirige. — Ela ordenou ofegante e enfiou a cabeça no meu pescoço. Senti seus lábios abaixo do meu ouvido e tremi.
— Meio difícil assim. — Sussurrei e apertei o volante, começando tirando o carro do meio fio. Rachel tirou a cabeça do meu pescoço e beijou meu ombro. — Assim é melhor.
Escutei sua risada e suas mãos foram para meu braço.
— Eu senti tanto a sua falta. — Ela sussurrou e eu apertei minha mandíbula. Eu sentia tanta falta dela. — Sei que isso não deveria ser assim, mas eu não aguentava mais, Quinn.
E ela olhou pra mim, olhei de volta pra ela, antes de voltar meus olhos pra frente.
— Não vai falar nada? — Rachel pergunta e eu respiro fundo.
— Tenho medo de falar algo que não deveria. — Comentei com a voz seca e engoli para molhar a garganta. Suspirei sentindo sua testa em meu ombro.
— O que você tem medo de falar? — Rachel perguntou e eu balancei a cabeça, virando na esquina para uma praça perto do meu apartamento. — Quinn.
Apenas suspirei. Se eu abrisse a boca tudo dificultaria pra mim. Rachel deixou os lábios descansando na minha mandíbula e foi impossivel pra mim não deixar minha cabeça cair na sua testa. Rachel fez um barulhinho fofo que sinalizava que ela se sentia confortável. Percebi que enrugou o nariz e passou ele suavemente pela minha orelha.
Meu pescoço arrepiou e soltei uma risada, parando o carro no meio fio ao lado do parque.
— Chegamos. — Anunciei e virei minha cabeça pra ela. Rachel sorriu docemente pra mim, colocando a mão na minha nuca e colando nossos lábios mais uma vez. Seu sorriso tinha algo de errado. Como se não devesse estar ali. Era um sorriso falso. Separei nossos lábios para olhar em seus olhos. Tinha algo de errado com ela.
— Aonde, exatamente? — Ela perguntou rindo e olhando ao redor, suas mãos ainda na minha nuca e meus olhos ainda nela. Seu riso era errado.
Tentei não pensar muito nisso. Não é como se ela estivesse forçada comigo. Rachel não é assim.
— Eu costumava vir pra cá quando me sentia pensativa. — Comentei e tirei meus olhos dela, quase um sacrifício. — Se entrarmos mais pelo parque, tem uma espécie de clareira mais no fundo. Tem um rio e uma ponte. Meio velho, mas ainda assim, é lindo.
As mãos de Rachel escorregaram para meus ombros quando me separei dela pra olhar pela janela.
— Não venho aqui desde que deixei Lima cinco anos atrás.
Voltei meus olhos pra Rachel e ela estava com os seus em mim. Sorriu suavemente e apertou meus ombros antes de me soltar. Dessa vez, seu sorriso não parecia tão falso. Parecia mais calmo, reconfortante. Relaxou meu estômago um pouco.
— Então vamos lá?
E saiu do carro. Fui com ela, fechando a porta e trancando-a. Rachel se aproximou de mim e envolvi um braço ao redor dos seus ombros. Estava frio pra caralho e ela estava de pijama e com um sobretudo beje por cima do pijama.
— Rachel. — Parei e olhei para a roupa dela. Rachel me lançou um sorriso sem graça enquanto fechava o sobretudo na frente do pijama. Ela parecia realmente envergonhada. — Porque não pegou algo mais quente?
— Eu não pensei muito quando você disse que ia vir me buscar. — Ela comentou e eu apertei meu braço ao redor dela, apertando-a contra mim numa tentativa de esquentá-la.
— Ao menos voltava pra pegar alguma coisa enquanto me esperava. — Rachel me lançou um olhar do tipo 'vai continuar?' e eu revirei os olhos. — Vamos.
E andamos para dentro do parque. Seguíamos o caminho de pedra por dentro do parque em silêncio. Eu ainda não acreditava que tive coragem o suficiente pra pegar Rachel na casa dela e vir com ela até aqui. E melhor ainda, eu não acreditava que nós não nos sentíamos estranhas uma com a outra. Era como se o que tivemos no ano novo fosse um sinal claro de que sempre voltaríamos para aonde estávamos antes de terminar tudo.
Rachel se sentia confortável comigo o suficiente para passar a mão na minha cintura e deitar a cabeça no meu ombro enquanto andávamos. E eu me sentia confortável a ponto de enfiar o nariz no seu cabelo enquanto andávamos.
Iamos entrando no parque e minha mente ia se perdendo. Apesar de estar pensando minutos atrás sobre o quão confortável estávamos, Rachel ainda agia bem demais pra o que aconteceu. Nós passamos um mês sem nos falar. Eu ainda me sentia apreensiva, apesar de me sentir confortável. Ainda era estranho, afinal, nós tinhamos terminado.
O que estava se passando pela cabeça de Rachel?
Ela estava agindo como se não tivessemos terminado meses atrás, e como se não tivessemos decidido esperar para o que o destino iria nos trazer. Algo de muito errado está acontecendo agora. E eu provavelmente estou ficando muito tensa.
— Isso é lindo, Quinn! — Ela sussurrou animada e eu acenei lentamente, parando de andar no meio da ponte. Rachel ainda andou mais um pouco e virou pra mim curiosa. Ela enfiou as mãos nos bolsos do sobretudo e eu franzi o rosto mais ainda. Ela tinha uma postura diferente. Parecia tão pequena. — Algo de errado?
Enfiei as mãos nos bolsos e olhei ao redor suspirando e vendo a fumacinha branca sair dos meus lábios. As vezes eu penso se não deveria parar de pensar tanto. E se eu fizesse isso eu fosse mais feliz. Se eu ignorasse completamente o fato de que Rachel estava agindo como se ainda estivéssemos juntas.
— Quinn? — Escutei e voltei meus olhos pra ela. Rachel tinha se aproximado, voltando a pisar na ponte de madeira e me olhando curiosamente. Sua mão estica e toca meu pulso. Seus dedos estávam gelados. — Algo de errado?
— Não, não... na verdade, sim. — Soltei uma risada sem humor e me encostei na ponte. — O que aconteceu, Rachel?
Ela franziu o cenho pra mim.
— Do que...?
— Não aja como se não soubesse do que eu estou falando. — Pedi, não na ignorância, apenas implorei pra ela não fazê-lo. Rachel ergueu as sobrancelhas. — Tem ideia do quanto é difícil ver você nos corredores e não puxá-la para um abraço, um beijo? Não segurar sua mão quando você passa do meu lado. Mas eu faço isso porque é seguro. A distância entre nós é segura. Pra nós duas, e eu estava, finalmente, conseguindo lidar com isso. Então... O que aconteceu?
Rachel já tinha os olhos aguados nesse momento. Franzi o rosto em preocupação. Seus lábios tremiam e ela desviou o olhar, cruzando os braços e abaixando a cabeça. Ela acenou algumas vezes antes de respirar fundo e olhar pra mim com os lábios apertados. Seus olhos estavam vermelhos de tanto que ela negava a vontade de chorar. Engoli em seco, isso era mais sério.
— Rachel...
— Um ano atrás... dois anos atrás. — Ela engoliu depois que corrigiu e respirou fundo, desviando o olhar e mordendo o lábio inferior antes de voltar-se pra mim. — Dois anos atrás minha mãe sofreu um acidente de carro. — Foi o acidente que Will me falou. Que sua mãe morreu... mas isso é só em agosto. O que... — Dois anos atrás ela passou meses na UTI, meses respirando por máquinas.
— Rach... — Me aproximei dela, puxando-a pelo cotovelo suavemente. Rachel não negou meu abraço. Ela enterrou o rosto no meu ombro e eu envolvi meus braços ao seu redor. — Eu não sabia...
— Eu passei tanto tempo esperando que ela conseguisse se recuperar, tanto tempo me enchendo de esperanças. E hoje foi o dia em que começou tudo isso.
— Rach, não precisa continuar, eu entendo.
— Não quero passar esse dia sozinha.
— Você não vai.
— Afastei gente demais pra não pensar nisso e não quero fazer isso hoje, não quero. — E ela chorava abertamente no meu ombro. Apertei seu corpo mais próximo do meu e acariciei sua cabeça com uma mão.
— Você não precisa. — E beijei sua têmpora. — Eu vou ficar aqui.
E ela me apertou mais ainda.
—_
Quando deixei Rachel em casa de cinco da manhã, fui pra casa e pesquisei sobre o acidente da mãe dela. Shelby era o nome da mãe dela. Morreu com 43 anos num acidente de carro. E apenas isso. Fui procurando alguns outros sites e só achei um, um mais discreto, de um jornal mais local que falava sobre o tempo que Shelby passou no hospital. Seis meses lutando até finalmente ir embora.
Então foi por isso que Will não me contou. Ele não sabia. Ninguém em Lima deveria saber sobre o tempo que a mãe de Rachel passou no hospital. Os pais de Rachel provavelmente enterraram essa história para não machucar Rachel mais ainda.
Não sei quanto tempo fiquei sentada na minha cadeira rolando por pesquisas sobre esse dia, mas Santana entrou no meu quarto sonolenta.
— O que porra você está fazendo? — Ela perguntou e eu virei pra vê-la ainda de pijama e sentando-se na minha cama. — Vi você saindo de madrugada e tá acordada agora. O que é isso?
Não sei bem se falar para Santana sobre isso era uma boa ideia. Ela me encarava agora com as sobrancelhas levantadas, antes de olhar por cima do meu ombro. Seu rosto franziu e ela se aproximou de mim. Virou minha cadeira para o notebook e leu o que tinha na tela.
Bem, ao menos eu não precisei explicar.
As perguntas que vieram depois foram bem simples. Santana queria saber se ela era a mãe de Rachel e eu disse que sim. Depois ela perguntou sobre o dia de hoje e eu expliquei que tive que sair de madrugada pra encontrar com Rachel. Santana não parecia acreditar muito em mim, então apontei para minhas botas que estavam sujas de lama e ela revirou os olhos.
— As coisas que você faz por essa garota. — Ela resmungou e continuou lendo o artigo sobre a mãe de Rachel.
Santana estava certa. Eu fazia qualquer coisa por Rachel, e esse era um dos motivos para minha distância dela ser mais segura pra mim e pra ela.
— Você sabe como me sinto. — Tentei justificar e Santana apenas me lançou um olhar. Bufei. — É, eu faço qualquer coisa por ela.
— Mas ela está bem? — Me surpreendi com a pergunta.
Acenei suspirando.
— Sim, eu a deixei em casa antes de amanhecer e ela parecia bem. Melhor do que antes. — Rachel estava realmente bem quando a deixei casa. Seu sorriso suave não parecia falso em seu rosto e ela parecia mais confortável. Quando perguntei sobre ela passar o dia sozinha ela falou sobre seus pais. Que sempre faziam algo nesse dia para tirar a cabeça dela daquele dia.
Santana acenou rapidamente antes de sentar na minha cama mais uma vez. Ela me lançou um olhar antes de falar:
— É algo bem pesado para alguém da idade dela. — Comentou e eu suspiro, sentindo meu coração doer com a ideia de Rachel sofrer.
— Sim, ela passou meses achando que a mãe dela iria conseguir passar por isso, mas no final...
— É. — E Santana levantou da cama se espreguiçando. — Quando vamos viajar mesmo?
Rodei a cadeira de volta pro notebook.
— Na sexta.
— Ótimo, tenho uma semana pra conversar com o pessoal do Hospital. — E ela saiu do meu quarto.
Franzi o rosto e fechei meu notebook, rolando a cadeira até a cama e me jogando nela. Meu corpo inteiro queimava de cansaço por não ter dormido a noite inteira. Portanto, minha cabeça estava pensando demais.
Rachel me chamou de madrugada porque não queria passar a noite sozinha, na verdade, não queria passar o dia sozinha. E o fato de que eu não pensei duas vezes antes de largar o que fazia para ir atrás dela, era preocupante.
Mas colocando de lado o fato de que meus sentimentos por Rachel são grandes demais pra controlar. Rachel me procurou numa madrugada para poder ficar comigo enquanto seus pensamentos sobre sua mãe e o tempo que ela passou sofrendo pela situação dela, estivessem na sua mente.
Eu realmente não conseguia pensar agora. Não quando passei a madrugada inteira com Rachel embaixo de uma árvore, abraçando-a enquanto ela contava sobre tudo que sua mãe tinha feito enquanto ainda estava viva. E apertá-la sempre que ela terminava chorando contra meu peito.
Apesar de saber que seus pais nunca iriam deixá-la passar por isso sozinha, eu tinha a sensação de que ela estava passando por isso sozinha desde o momento em que aconteceu. E que seus pais faziam exatamente o que ela pedia pra eles fazerem. Tipo o fato de que tudo sobre a mãe de Rachel foi escondido e apenas um site comentava sobre o assunto. Apesar de ter sido o desejo de Rachel, ela pareceu bem e falar sobre sua mãe pra mim. Como se fosse aliviando toda a sua tristeza.
E talvez fosse disso que ela precisava para superar tudo isso. Um desabafo.
Ainda bem que eu estava lá e não neguei a minha vontade de ficar com ela.
—_
Santana e eu chegamos na igreja aonde seria o casamento de Melanie com o tal marido e eu fui arrastada para uma sala nos fundos da igreja. Aonde todas as madrinhas estavam. Eu tinha esquecido completamente que era madrinha do casamento da garota que eu tive na minha cama por várias semanas antes de ficar com o irmão dela e casar com ele.
Enquanto eu ia sendo arrastada por uma mulher de vestido preto de microfone, Santana estava sentada rindo da minha cara.
Ela me fechou numa sala com mais cinco mulheres, três delas vestidas iguais a mim e me olhavam como se eu tivesse três cabeças. Tentei ignorar o incômodo e sentei numa cadeira que a mulher de preto me empurrou. Uma das cinco pessoas que não se vestiam igual a mim se aproximou e começou a mexer no meu cabelo.
A outra mulher se aproximou de mim depois que meu cabelo já estava preso em um coque cheio de laquê, e começou a passar alguma coisa no meu rosto. Vez ou outra reclamava da maquiagem que eu tinha feito antes, enquanto eu tentava não revirar os olhos todas as vezes que ela abria a boca pra falar alguma coisa.
Em algum momento quando a maquiagem terminou de ser feita, a porta se abriu e eu olhei pelo espelho para ver quem tinha entrado. Melanie. Ainda com um roupão, mas seu cabelo e maquiagem estavam impecáveis.
Ela arregalou os olhos quando virei a cadeira para vê-la melhor. Seu cabelo tinha escurecido, agora era um loiro escuro quase castanho, destacando seus olhos cor de mel. E ela estava linda. Como sempre. Não é atoa que eu sempre gostei mais dela do que do irmão. Apesar de ter casado com ele.
— Quinn. — Ela sorriu pra mim e fez a menção de se aproximar, mas viu que não estávamos sozinhas. As outras madrinhas conversavam no canto do quarto, provavelmente falando mal de mim. Melanie franziu o rosto e apontou para a porta. — Será que posso ter uns minutos a sós com ela?
A mulher de preto entrou no quarto no exato momento em que ela fez a pergunta. A mulher puxou as outras madrinhas pra fora do quarto. E ela ainda falou rapidamente que ia chamar alguém para ajudar Melanie com o vestido. Melanie apenas acenou e a mulher saiu.
— Deve ser legal ter todo mundo ao seu dispor assim. — Comentei me levantando e indo até ela. Melanie parecia emocionada e me abraçou com força. Soltei uma risada e apertei meus braços na sua cintura, escutei um soluço e fiquei tensa. — Não vai chorar em mim, né? A moça pequenininha de preto pode me matar se souber que borrei sua maquiagem.
Melanie riu e se afastou de mim o mais rápido que pôde.
— Você está certa, se eu borrar isso ela pode ME matar. — E ela ri mais uma vez, tocando o canto dos olhos para secar as lágrimas que não tiveram tempo de cair. — Ah, porra, eu estava com saudades suas, não é como se pudesse evitar.
E ela riu mais uma vez. O que eu mais gostava no sorriso de Melanie, era como ela sorria com o rosto inteiro. E era lindo como seus lábios finos se esticavam, suas bochechas coravam, e seus olhos brilhavam. Melanie era linda. Teria sido mais fácil se eu pudesse me apaixonar por ela. Mas mesmo quando estávamos juntas, nós eramos melhores como amigas.
— Sei como se sente. Fazem o quê? Dois anos?
— E três semanas. — Melanie completou me fazendo rir. Melanie era fantástica com números, na verdade, com qualquer coisa que se tratava de memória. Taí uma coisa que era fantástica nela, Melanie nunca esquecia de nada. Nada. Ela sempre lembrava.
— Ah, como eu sentia falta da sua capacidade de irritar. — Brinquei e ela revirou os olhos, soltando uma risada antes de sentar no enorme sofá branco.
— Não aja como se não fosse o que me tornava atraente pra você. — Melanie se arrumou no sofá e bateu do lado para que eu sentasse. — Sempre foi atraída por cérebros, e não aparência. Era o que me fazia gostar de você.
Ri e sentei ao seu lado.
— É, fazer o quê? — E dei de ombros. Melanie balançou a cabeça. — Então? Como é a vida de quase casada?
— Uma vida nervosa. — Ela fala tão rápido antes de rir e balançar a cabeça. — Muito nervosa.
— Achei que você fosse a que deveria estar confiante e o seu maridão fosse o nervoso.
Melanie quase gargalhou, mas lembrou que não podia lacrimejar.
— Thomas é confiante demais pra ficar nervoso. E não o vejo desde ontem. — E ela pareceu mais nervosa ainda.
— Não é comos e ele fosse fugir, Mel. — Brinquei e ela me olhou com os olhos arregalados. Seus olhos começaram a lacrimejar e eu fui me arrependendo a cada segundo. — Eu só...
— Eu sei, está brincando. Mas ainda assim, será que ele...
— Ele não seria estúpido. — E peguei sua mão, apertando seus dedos. A melhor coisa pra fazer agora é distraí-la. — Então? Como vai na firma?
E aquilo pareceu ser a melhor opção de certeza.
Melanie se distraiu falando da firma que ela tinha montado antes mesmo de eu conhecê-la. Mas andava meio mal depois da ultima vez que falei com ela depois de me divorciar de Gregory. Aparentemente, a firma ia bem. E ela falava dela com orgulho.
Depois de um tempo a mulher do vestido preto entrou com vestido de noiva da Melanie e eu tive que sair pra ela se arrumar. Melanie me abraçou mais uma vez e eu saí da sala.
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O casamento foi incrível. Thomas era um rapaz maravilhoso. Ele e Melanie faziam o casal lindo. E pelo o que ela me contou enquanto nós conversávamos no quarto antes do casamento, Thomas era um advogado muito renomado em Nova Iorque, e ela iria transferir sua firma pra lá por ser um lugar melhor para atuar na advocacia. E ela parecia tão feliz com a ideia de ir pra lá. E quando eles se beijaram depois do 'eu aceito' ela deu um saltinho de felicidade e Thomas segurou ela contra ele, beijando sua cabeça repetidas vezes.
Eles faziam um casal bonito.
E todo esse casamento só me fazia pensar em Rachel e minha relação com ela.
Talvez, algum dia, eu chegue até esse ponto. E sempre que eu pensava em casamento, eu enxergava ela ao meu lado. Não tinha ninguém na minha vida que eu queria ao meu lado se não fosse Rachel Berry. Quando eu pensava em passar o resto da vida com alguém, esse alguém era Rachel Berry
— Quinn. — Acordei do meu devaneio e olhei pra Santana. Ela ergueu uma sobrancelha e eu percebi que ela tinha suas mãos atrás do meu pescoço e eu tinha as minhas na sua cintura. Ah, claro. Nós estávamos dançando. — O que porra aconteceu com você? Num segundo estava falando sobre a velha ruiva que estava claramente dando em cima de você e no outro estava caladona olhando pro nada.
Balancei a cabeça e apertei minhas mãos em sua cintura, apertando-a contra mim e sorri.
— Nada demais. Eu só estava pensando. — E subi uma mão até a sua na minha nuca. Segurei sua mão e rodei na pista de dança. Santana riu quando a puxei de volta.
— Enquanto você pensava, perdeu o que eu estava falando. — Seu tom de deboche me fez rir.
— O que você estava falando?
— Seu celular tocou enquanto você estava se arrumando com as outras madrinhas. — Santana disse e eu franzi o rosto. Quem poderia ter me ligado? Santana pareceu perceber a minha pergunta no olhar. E ela suspirou. — Foi o Schuester.
Will me ligou? Deu algo de errado com as Nacionais?
— O que ele queria?
Ela deu de ombros.
— Ele disse que queria falar com você, aí eu disse que você estava ocupada, então ele disse que eles estavam ferrados. — Ela deu de ombros mais uma vez e eu bufei.
— Will sempre fala isso antes da competição. Sempre que a ideia é minha ele diz que vão perder. Aí eles ganham.
Santana gargalhou com isso e eu ri, rodando-a mais uma vez e dobrando-a em um braço, fazendo-a rir mais uma vez.
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Estava pegando um drink no bar quando alguém se aproximou de mim. Continei com meus olhos no cara que fazia a minha bebida e senti uma mão na minha no meu pulso. Olhei pra baixo e ergui meus olhos para a pessoa parada ao meu lado. Era uma mulher. Eu tinha visto ela antes pela faculdade. Andando pelo campus. Seu cabelo era negro e seus olhos eram azuis. Ela tinha lábios grossos, porém feições finas. Sua mandíbula era afiada e combinava perfeitamente com cada detalhe do seu rosto. Ela era fascinante. E incrivelmente linda.
Lembro bem de ter um grande interesse nela na época da faculdade, mas ela tinha um namorado, e parecia imensamente feliz com ele.
— Eu não sabia que fosse vê-la aqui. — Escutei sua voz e senti um arrepio descer pela minha espinha. Virei no balcão para olhá-la melhor. Ela tinha esse vestido preto que parecia destacar seus olhos mais ainda. E seu batom vermelho era incrivelmente chamativo. — Faz o quê? Cinco anos?
— Por aí. — Comentei e engoli em seco. O cara colocou a bebida na minha frente, me distraíndo da mulher ao meu lado, e ele ainda pareceu ficar meio perdido com a mulher ao meu lado. Ergui uma sobrancelha pra ele, fazendo-o recuar e dar a volta. — Ainda namorando?
A mulher, que eu lembrei seu nome por ser Nadia, balançou a cabeça lentamente com um sorriso sedutor nos lábios vermelhos.
— É, bem, homens só causam problemas.
Soltei uma risada e tomei um gole da minha bebida. Fiz uma careta pelo sabor imensamente doce e coloquei o copo de volta no balcão.
— Não estou discordando de você. — Brinquei e Nadia riu subindo sua mão pelo meu pulso até meu cotovelo. Seus dedos me arrepiaram e foi impossível de não olhar para seus lábios.
— Que bom, isso quer dizer que está solteira. — Nadia supôs e eu dou de ombros.
— Que coincidência infeliz. — Brinquei e Nadia ri roucamente, se aproximando mais ainda. Sua mão já estava em meu ombro.
— Muito infeliz. — E piscou pra mim. Senti seus dedos atrás da minha orelha e sorri sedutora. — O que vamos fazer sobre essa coincidência?
— Eu não sei. — Ergui uma sobrancelha e toquei a mão que estava em cima da mesa. — O que quer fazer?
— Está sozinha aqui?
— Não exatamente. — Olhei por cima do ombro dela. Santana estava sentada conversando com um cara. Parecia uma conversa profissional. Franzi o rosto pra ela.
— Você parece tão... Crescida. — Sua voz pareceu ficar mais rouca. Impossivelmente rouca. Suspirei e soltei uma risada nervosa. Fazia tempo que não flertava na minha vida. Com Rachel não foi bem algo que eu me esforcei, nós simplesmente nos encaixamos.
Rachel.
Ah merda.
— Então? — Nadia parecia ainda esperar minah resposta para a pergunta anterior ao seu comentário.
— O quê?
Ela pareceu levemente confusa e soltou uma risada sem humor.
— Tudo bem, Quinn? — Me perguntou e eu acenei.
— Sim, sim. Claro.
Nadia ainda me olhava estranhamente. Olhei pro copo com a bebida que pedi e o peguei, tomando de uma só vez.
— Eita! — Nadia riu enquanto eu engolia e me olhou. Seus olhos tinham um brilho de preocupação. — Tem certeza disso?
Balancei a cabeça enquanto ainda engolia o que estava na boca. Terminei de engoli e estremeci com a quantidade de açúcar.
— Sim, eu só tenho que fazer uma ligação. — Lancei um sorriso nervoso pra Nadia e me levantei do banco saindo de perto do bar.
A bebida doce me fez ficar um pouco tonta. Cambaleei até Santana, que já tinha parado de falar com o homem e estava apenas encostada em algum lugar parecendo entediada. Ela me lançou um olhar assustado.
— Quantas você bebeu?
— Três bebidas doces horríveis. — Acenei com a mão e puxei uma cadeira pra sentar ao seu lado. — Preciso ligar para o Will.
— Porque você vai ligar pra ele? — Santana enfiou a mão na própria bolsa e tirou o meu celular que eu tinha lhe pedido para guardá-lo.
— Não é nada demais. — E entrei nos contatos, procurando seu nome e apertando. Santana ergueu uma sobrancelha pra mim antes de se levantar revirando os olhos. Ela ia na direção de uma menina que estava lhe encarando desde que dançamos juntas mais cedo.
Eu nunca admitiria para Santana que eu estava ligando pra o Schuester pra saber se tudo tinha dado certo nas Nacionais. Mas não era exatamente pra isso, e sim porque eu queria saber se a Rachel estava bem.
Flertar com Nadia me fez ter um certo ataque de pânico. E me fez sentir uma certa necessidade de Rachel.
— Alô? — Will atendeu do outro lado e eu não sei o que me fez ficar calada. — Quinn? É você?
— Oi! Sim, sou eu.
E não soube o que ia falar depois disso.
Então uma música soou no fundo e vozes que eu reconheci soou do outro lado da linha. Não era Rachel, mas eu sabia que eram os New Directions.
— Já estão se apresentando? — Perguntei e Will soltou uma risada excitada do outro lado. Ele parecia mais animado do que o normal. — Parece que algo anda indo bem.
— Sim!!! Uma equipe foi desclassificada por suborno dos jurados, e agora já estamos entre os dez melhores sem nem nos apresentarmos. — O som distânciou, Will provavelmente foi para um lugar mais quieto. — E agora só precisamos entrar nos cinco melhores pra ganharmos.
— Claro que vocês vão ganhar, eu que dei a ideia.
E ele riu do outro lado.
— Quer ficar na linha? — Ele perguntou e eu murmurei algo em consentimento. Então a música foi ficando mais alta e eu sorri, cruzei os braços em cima da mesa com uma mão no ouvido segurando o celular.
— A Whole New World?
— Sim, depois vai ser o solo da Mercedes cantando....
— Colors of the wind. Perfeito. — E foi exatamente qunado A Whole New World terminou e os primeiros acordes de Colors of the wind começou.
Will não falou mais nada enquanto Mercedes cantava, os pelos dos meus braços não paravam de se arrepiar. Então acabou e começou Reflection. A voz de Rachel soou no meu ouvido e eu tive que abaixar a cabeça, respirando fundo enquanto sua voz fazia o meu coração bater mais rápido. Então a voz de Kurt se juntou e eles começaram o dueto.
Ela cantava tão lindamente. Não assisti nenhum ensaio dessa competição, mas não por falta de pedido de Will, eu apenas estava mantendo minha distância de Rachel como foi receitado. Mas escutando-a cantar agora, desejei ter assistido. Porque a vontade de pegar um avião para Lima me dominava.
— Então? — Schuester perguntou quando acabou a apresentação. — Foi perfeito, né? Tô indo agora lá na sala verde ver como eles estão, mas tenho certeza que estamos no top três.
— Sim... sim foi magnifico. — E soltei uma risada ofegante. — Vai lá, vai ver como eles estão. Provavelmente com os nervos nas alturas.
E Will se despediu de mim antes de desligar parar ir falar com eles.
Assim que desligou, olhei pra tela do telefone, vendo os vinte minutos de chamada e respirei fundo. Eu iria ligar pra Rachel. Não era nem uma possibilidade, eu já estava procurando seu nome na lista de contatos.
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